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1 
 
Componente Curricular: Língua Portuguesa 
 
7º ano do Ensino Fundamental 
Bloco de Estudo IV 
 
Elaboração/Coordenação de componente curricular: Maria das Graças Alves dos Santos 
Cronograma: 31 de maio a 01 de julho. 
Carga horária: 30 aulas (24 aulas de Língua Portuguesa e 6 aulas de Práticas de Leitura e 
Produção textual). 
Aulas extras: 5 aulas (4 aulas de Língua Portugesa e 1 aula de Práticas de leitura e produção 
textual. 
Habilidades 
(EF67LP27); (EF67LP28); (EF67LP33); (EF06LP05); (EF69LP49); (EF69LP55); (EF69LP56); 
(EF69LP54); (EF67LP37); (EF67LP38). 
Objetos de conhecimento 
Memórias literárias. Elementos constituintes do gênero. Leitura, produção, escrita e reescrita de 
memórias literárias. Uso adequado da pontuação em textos. Efeito de sentido do tempo verbal 
na narrativa. Adesão à prática de leitura. Variação linguística. Linguagem formal e linguagem 
informal. Efeito de sendido de figuras de linguagem. Efeito de sentido do uso de recursos 
linguísticos-discursivos em sequências descritivas. Figuras de linguagem: comparação, metáfora, 
metonímia, personificação, sinestesia, eufemismo, ironia. 
 Aulas 1 a 5 
As aulas de 1 a 5 são extras e destinadas à complementação das habilidades do currículo essencial 
de 2020, conforme diagnóstico do(a) professor(a) de cada Unidade Educacional. 
Aulas 6 a 11 
Memórias Literárias 
 
Memórias literárias são narrativas que têm como ponto de partida 
experiências vividas pelo autor em épocas passadas, mas contadas da 
forma como são vistas no presente, em primeira pessoa. Geralmente, são 
textos produzidos por escritores que, ao rememorar o passado, de 
forma poética e literária, integram ao vivido o imaginado. Para tanto, 
recorrem à figuras de linguagem, escolhem, cuidadosamente, as palavras 
que vão utilizar, orientados por critérios estéticos que atribuem ao texto 
ritmo e conduzem o leitor por cenários e situações reais ou imaginárias. As narrativas, que têm 
como ponto de partida experiências vividas pelo autor no passado, são contadas da forma 
como são lembradas no presente. As memórias podem ser ressignificadas por meio da 
transmissão oral, da arte e da escrita. Na memória, o autor busca despertar emoções estéticas no 
leitor, procurando levá-lo a compartilhar suas lembranças de uma forma vívida, para isso, usam a 
língua com liberdade e beleza, fazendo uso de neologismos, criação de palavras novas, preferindo 
o sentido figurativo das palavras. Nesse gênero, predomina o narrador–personagem, nele o 
autor recria o passado e procura transportar o leitor para o tempo e o espaço onde ocorreram os 
acontecimentos narrados. Os verbos empregados em uma memória literária para marcar um 
tempo passado são: pretérito perfeito e pretérito imperfeito, indicam ações e têm a 
propriedade de localizar o fato no tempo, em relação ao momento em que se fala. À medida que 
escreve seu texto, o escritor-autor-narrador organiza as 
vivências rememoradas e interpreta, usando uma linguagem 
literária. O que é contado não é a realidade exata. A realidade dá 
sustentação ao texto escrito, sendo o texto constituído 
também com a inventividade do autor. A descrição pode ser 
utilizada como recurso para seduzir o leitor e aproximá-lo da 
experiência relatada pelo autor do texto. 
Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/8144/caderno-memorias.pdf . Caderno de Memórias Literária “Se me lembro bem...” 
2019. Acesso em 01/03/2021. 
2 
 
 
No 6º ano, vocês já estudaram este gênero de texto, Memórias Literárias. Neste bloco de estudo, 
analisaremos memórias literárias com um outro olhar. Com certeza, vocês já conhecem o texto “O 
pequi nosso de cada dia”, de Luiz Fernando da Silva, não é mesmo? 
 
O pequi nosso de cada dia 
Luiz Eduardo Pereira da Silva 
 
Hoje pela manhã, ao contemplar o horizonte da janela de minha 
humilde residência, a nostalgia invadiu meus pensamentos. Senti saudade 
do que vivi na infância e agora só carrego as lembranças aquecidas em meu 
peito. 
Nasci e cresci nessa pequena cidade, numa época em que não 
existiam essas modernidades como água encanada e energia elétrica. 
Televisão, nem em sonho! As casas eram simples com paredes de 
“inchumento” e cobertas de taipa (palmeira típica que deu nome ao lugar). 
Bebíamos água do pote, mesmo assim éramos felizes com a simplicidade e 
o calor humano daquele tempo. Passei memoráveis momentos aqui nesse pedacinho de chão, 
porém, há uma passagem da minha vida que trago viva na memória e só esquecerei quando for 
para o meu leito derradeiro. Lembro-me bem que era uma fresca tarde do mês de outubro, havia 
acabado de cessar os últimos pingos da chuva que caíra bem forte naquele dia. 
Mamãe estava na cozinha preparando o tradicional bolinho de chuva salpicado de canela 
em pó para saborearmos com um café quentinho cujo nostálgico sabor ainda trago na memória até 
hoje. Nós estávamos na sala quando ouvimos a voz dela: — “Passou a chuva, meninada, é hora 
de catar pequi no cerrado”. Aquele chamado nos deixou ansiosos e mal podíamos esperar o 
momento de embrenhar no cerrado e molhar as canelas com as gotas do orvalho que ficavam 
sobre o capim verde da estrada logo após a chuva. 
Naquela época do ano, era tempo de pequi, e as famílias iam em busca dele, pois era 
responsável por deixar os pratos mais saborosos. Seu óleo era extraído e servia de “meizinha” 
(unguento para diversas moléstias, como bronquites e queimaduras). Exalava um cheiro tão forte 
que invadia as ruas da pequena cidade, e quando alguém se aproximava, já sabia que ali, mais 
tarde, sairia uma saborosa galinhada com pequi, o “manjar dos deuses” da cozinha de nossa 
região. “Hum! Aquele cheiro era de dar água na boca”. “Ah! O nosso pequi de cada dia! Amarelo 
como ouro! Carnudo e saboroso. A nossa riqueza! Como sinto saudades daquele tempo!” 
A busca por ele era uma farra só, não tinha tempo ruim. Mamãe ia à frente, e nós a 
seguíamos com baldes, sacos e bacias na esperança de voltarmos para casa com todos os 
vasilhames cheios. No caminho, nós, as crianças, íamos pulando, cantando e tagarelando naquela 
inocência, como se a nossa única felicidade se resumisse em colher pequi no cerrado. 
Contemplávamos a beleza da paisagem e os animais silvestres que, de vez em quando, 
atravessavam nossa frente. Mamãe, vendo a nossa euforia, dizia: 
— Meninos, olhem para o chão, cuidado com as cobras! 
Andávamos alguns quilômetros e já avistávamos os pés carregados de frutos e, ao 
chegarmos debaixo, o chão estava forrado deles. Começávamos a catar e ali mesmo 
descascávamos para poder aproveitar o máximo de caroços. O cheiro que vinha deles nos fazia 
não resistir e prová-los ainda crus. Ficávamos com os dentes amarelos, o hálito bem forte e aquele 
“ranço” na boca que, ao conversarmos de perto com alguém, já se podia sentir o aroma marcante 
do pequi. Ao enchermos as vasilhas, voltávamos para casa satisfeitos com aquele ouro que 
acabávamos de garimpar. Sabíamos que nos próximos dias seria pequi no feijão, farofa de pequi, 
pequi no arroz... Mas de uma coisa tínhamos certeza: jamais iríamos “repunar”. 
Com a chegada da tecnologia, tudo ficou mais fácil por aqui. Porém, algo vem me deixando 
triste. Percebo que a cada ano o pequi vem diminuindo. Apesar da proteção determinada por lei, o 
pequizeiro está sendo ameaçado. Tantas derrubadas, queimadas. A exploração está sendo 
responsável pela sua extinção. Hoje ele é comercializado, acabou a fartura daqueles idos. Eu, já 
3 
 
cansada, não posso mais ir catá-lo no pé, e quando quero saborear algum caroço tenho que 
esperar o vendedor passar na minha porta: “Olha o pequi, dona Maria!”. Só me restaram 
lembranças daquele tempo e é com pesar que lamento a extinção do nosso pequi de cada dia. 
Texto baseado na entrevista realizada com Amália da Silva, de 76 anos. Professora Rosana Ribeiro dos Santos. EE Joaquim Francisco de 
Azevedo, Taipas do Tocantins -TO 
 
Note que a memória “O pequi nosso de cada dia” foi produzida por Luiz Eduardo Pereira 
da Silva,estudante assim como você. Além disso, foi baseada em uma entrevista que resgatou as 
lembranças de Amália da Silva, de 76 anos. Ele, com a orientação de sua professora, retextualizou 
o fato da infância de dona Amália e produziu uma memória literária. Você percebeu isso? 
A produção de um novo texto com base num já existente é um processo de 
retextualização, que compreende operações que evidenciam como a linguagem 
funciona socialmente. 
 
Questão 1 
Por que o título do texto é “Pequi nosso de cada dia”? 
Questão 2 
Em qual região do Brasil ocorrem as ações narradas no texto? Justifique a sua resposta com 
elementos do texto. 
Questão 3 
Segundo o texto, o que deu origem ao nome da cidade natal do narrador-personagem? 
Questão 4 
Como era a infância relatada pelo narrador-personagem? 
Questão 5 
Qual era o chamado que deixava as crianças ansiosas em meados do mês de outubro? Você já 
vivenciou uma experiência semelhante a do narrador-personagem? 
Questão 6 
Quais foram as características dadas “ao pequi nosso de cada dia” pelo narrador-personagem? 
Questão 7 
Leia o texto novamente e destaque um trecho que caracteriza o narrador como personagem. 
Questão 8 
De acordo com o seu conhecimento sobre os dialetos tocantinenses, qual é o significado da palavra 
em destaque? 
“[...] Mas de uma coisa tínhamos certeza: jamais iríamos ‘repunar’’. 
Questão 9 
Quais elementos no enredo indicam o tempo da narrativa? E o espaço? Faça uma lista com 
palavras e/ou expressões que emitem ideia de tempo e de espaço. 
Quando? Onde? 
 
Vamos relembrar os modos e tempos verbais? 
Analise o trecho da Memória Literária! 
 “[...] Nasci e cresci nessa pequena cidade, numa época em que não existiam essas 
modernidades, como água encanada e energia elétrica. Televisão, nem em sonho! As casas 
eram simples como paredes de “inchumento” e cobertas de taipa (palmeira típica que deu nome 
ao lugar)”. 
As palavras em destaque expressam um tempo passado vivido pelo narrador-personagem. 
Portanto, estão no modo indicativo e conjugados no pretérito perfeito e pretérito imperfeito. 
Modos e tempos verbais 
O modo é a flexão verbal que indica a maneira, o modo como o fato se realiza. São três os 
modos verbais: 
 Modo indicativo (indica certeza; uma realidade): “Nasci e cresci nessa pequena 
cidade [...]”. 
 Modo subjuntivo (indica dúvida, possibilidade): Se esse tempo voltasse, eu seria 
novamente feliz. 
4 
 
 Modo imperativo (indica ordem, pedido, convite, conselho): “— Meninos, olhem para 
o chão, cuidado com as cobras!” 
 Fonte: SACCONI, Luiz Antônio. Gramática para todos os cursos e concursos, p. 124, 2012. (Texto Adaptado) 
Flexão dos verbos: tempo 
 O tempo é a flexão verbal que indica o momento ou a época em que se realiza um fato. 
São três os tempos verbais: presente (indivisível), pretérito (se divide em perfeito, mais-
que-perfeito e imperfeito) e futuro (se divide em futuro de presente e futuro de pretérito). 
Essa divisão é somente no modo indicativo. 
Presente: Eu sinto saudade da minha infância e agora só carrego as lembranças aquecidas em 
meu peito. 
Pretérito perfeito: A saudade invadiu o meu peito de lembranças. 
Pretérito imperfeito: A saudade da minha infância invadia o meu peito de lembranças todos os 
dias. Lembrava de quando nossa mãe nos chamava para catar pequi. 
Pretérito mais que perfeito: Quando balancei a galha do pequizeiro, o chão já enchera de 
pequi. 
Futuro do presente: Replantaremos pequizeiros naquela região. 
Futuro do pretérito: Replantaríamos pequizeiros naquela região se a população abraçasse a 
causa. 
Conjugações verbais 
 1ª conjugação verbal: verbos terminados em: ar (lembrar, chamar, balançar, replantar) 
 2ª conjugação verbal: verbos terminados em: er/ or (nascer, repor, encher) 
 3ª conjugação verbal: verbos terminados em: ir (invadir) 
Fonte: ARAÚJO E OLIVEIRA, Tecendo Linguagens, 7°ano, p.33, 2018. (Texto Adaptado) 
Questão 10 
Realize uma pesquisa, em fontes abertas e confiáveis, sobre verbo. Anote no seu caderno as 
informações que julgar importantes para um roteiro de estudo. 
Questão 11 
O autor de memórias literárias usa palavras que marcam, principalmente, o tempo passado. Então, 
releia o trecho do texto e destaque os verbos. A partir das palavras destacadas, você conseguiu 
identificar as principais características do gênero memória literária? 
“Hoje pela manhã, ao contemplar o horizonte da janela de minha humilde residência, a nostalgia 
invadiu meus pensamentos. Senti saudade do que vivi na infância e agora só carrego as 
lembranças aquecidas em meu peito.” 
Questão 12 
Releia o trecho e responda: As expressões destacadas marcam qual característica do gênero 
memória? 
Hoje pela manhã, ao contemplar o horizonte da janela de minha humilde residência, a nostalgia 
invadiu meus pensamentos. Senti saudade do que vivi na infância e agora só carrego as 
lembranças aquecidas em meu peito. 
Questão 13 
A partir da leitura do texto, responda: É possível identificar o tempo em que os fatos aconteceram? 
Há expressões que marcam o momento exato das ações? Pelos verbos usados, é possível saber 
se a ação ocorre no presente ou no passado? Em qual momento ocorreram os fatos relatados? 
Questão 14 
Compare as palavras destacadas no trecho e reflita se elas foram empregadas no pretérito perfeito 
ou pretérito imperfeito. É possível perceber se os verbos destacados estão no pretérito perfeito ou 
pretérito imperfeito? Justifique sua resposta. 
Naquela época do ano, as famílias iam em busca de pequi, pois era responsável por deixar os 
pratos mais saborosos. Seu óleo era extraído e servia de “meizinha” (unguento para diversas 
moléstias, como bronquites e queimaduras). Exalava um cheiro tão forte que invadia as ruas da 
pequena cidade, e quando alguém se aproximava, já sabia que ali, mais tarde, sairia uma 
saborosa galinhada com pequi, o “manjar dos deuses” da cozinha de nossa região. 
 
 
5 
 
Aulas 12 a 17 
Leitura de imagens 
Memórias literárias 
Para início de conversa, observe atentamente as imagens! 
É tempo do pequi no 
cerrado tocantinense, feiras 
já estão abastecidas do 
fruto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disponível em: Imagens retiradas da web. Acesso em 04/05/2021. 
6 
 
Converse com colegas, professores e familiares e esreponda: As imagens representam o 
que para o povo palmense? Alguma imagem despertou em você recordação/memória? Qual? Por 
quê? As imagens dialogam com o passado e o presente do lugar onde vivemos? 
Questão 15 - PPT 
Converse com familiares, professores e colegas de turma e, coletivamente, 
construam uma legenda para cada fotografia. Vocês podem ter como exemplo a 
legenda da primeira imagem. Vamos nessa!? 
Questão 16 
Ilka Brunhilde Laurito afirma que toda memória tem uma história, você concorda com essa 
afirmativa? As imagens representam o que para os tocantinenses? 
Para entender melhor o que são memórias, leia atentamente o diálogo. 
— Vô, quem foi Getúlio Vargas? 
— O que foi o Dia D? 
— Conta aquela vez que você era pequeno e foram de fordinho para São Paulo, e aquela 
outra vez que pegou fogo na máquina de café. 
E os olhos embaçados do avô se iluminam. Ele endireita as costas e como se inflasse o 
peito cheio de histórias prontas para ganhar vida, conta para os mais novos suas lembranças de 
outros tempos. Seus conhecimentos não vão morrer com ele, há pessoas interessadas em suas 
vivências, em conhecer como foi sua vida. 
— Vô, por que você não escreve essas histórias? Assim, todo mundo pode saber o que 
aconteceu. Na escola li um livro em que a Ilka fez isso… 
“A minha história começa muitos e muitos anos atrás. 
Atrás de onde? Podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de 
anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha infância. 
Eu vou morrer um dia, porque tudo o que nasce também morre: bicho, planta, mulher, 
homem. Mas as histórias podem durar depois de nós. Basta quesejam postas em folhas de papel 
e que suas letras mortas sejam ressuscitadas por olhos que saibam ler.” 
Ilka Brunhilde Laurito. A menina que fez a América. São Paulo: FTD, 2002. 
Questão 17 
Comentem, coletivamente, a fala de Ilka: “Eu vou morrer um dia, porque tudo o que nasce também 
morre: bicho, planta, mulher, homem. Mas as histórias podem durar depois de nós. Basta que 
sejam postas em folhas de papel e que suas letras mortas sejam ressuscitadas por olhos que 
saibam ler”. 
Sua tarefa agora, juntamente com professores e turma, é 
reunir objetos e/ou fotos com pessoas mais velhas que 
tenham histórias para contar, pode ser com um vizinho, com 
alguém do seu bairro, com os primeiros moradores da capital, 
com suas bisavós/ seus bisavôs, com avós/ avôs. Enfim, escolham fotos ou objetos que 
representem lembranças, memórias. Coloquem estas imagens em slides, vídeos, animações para 
conversar sobre elas nos encontros online via meet. Questionem-se! Quais histórias estas fotos 
nos contam? 
Memórias podem ser escritas e conhecidas por outras pessoas, não apenas por 
quem as viveu. É exatamente isso que você e sua turma farão, aproximem-se de antigos 
moradores da comunidade, ouçam os relatos de lembranças deles e delas. Tudo isso 
precisa ser registrado, pode ser por meio de vídeo, de áudio, por telefone, ou até mesmo 
por escrito. Planejem algumas perguntas para estimular o relato, para provocar 
sentimentos. Saibam que as histórias carregadas de sentimentos emocinam quem as escutam e 
quem as contam! 
 
 
 
 
 
7 
 
Questão 18 - PPT 
Agora é sua vez de produzir perguntas para uma entrevista. Escolha antes o(a) entrevistado(a), 
conheça um pouco de sua história, assim, os questionamentos serão bem direcionados, não é 
mesmo? Para a entrevista, lembre-se de realizar a gravação. Basta usar um aplicativo de gravação 
de voz, há muitos disponíveis para celular. 
Atenção, apenas, à extensão da entrevista, 
pois arquivos de áudio podem ficar grandes. 
Caso não seja possível gravar a entrevista, 
escreva as perguntas no seu caderno! Anote 
tudo que o(a) entrevistado(a) relatar. Fique 
atenta(o)! 
Caderno docente. Se bem me lembro. Olimpíada de Língua Portuguesa, 7ª edição, 2019. 
 
Nas entrevistas, vocês identificaram diferenças na fala de pessoas que vivem na zona rural 
e na cidade? Perceberam a classe social do(a)s entrevistado(a)s? Por que será que os mais velhos 
usam palavras que as crianças e adolescentes não usam mais? Há também variação entre 
pessoas que moram em diferentes regiões do Brasil? Quais palavras e/ou expressões vocês não 
sabem o que elas significam? 
Para entender mais sobre as variedades linguísticas, assistam ao vídeo no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=Ot1Toar_Ldc. 
Questão 19 - PPT 
Primeiras linhas... Assim como Luiz Eduardo Pereira da Silva, estudante tocantinense, tentem 
retextualizar a entrevista realizada por vocês! Esta tarefa é para ser realizada coletivamente com 
a sua turma, tudo bem? 
 
Para saber mais, você e sua turma são convidados a fazer a leitura das 20 
memórias finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa, da 6ª edição, no link: 
https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/9765/textos-finalistas-2019-completo.pdf. 
Aulas 18 a 23 
Memórias literárias 
Foco narrativo, descrição no gênero memórias 
 
MEMÓRIAS DE UMA GATA BORRALHEIRA 
Matheus Fernandes de Sousa 
 
“Ah, são tantas lembranças daquela época, meu querido!”, respondeu minha avó, ao ler em 
meus lábios a indagação sobre sua infância. 
 Escondido no Cerrado goiano, próximo ao povoado de Campo Limpo, então distrito de 
Iporá, nosso sítio foi o cenário da minha infância. Fui a sétima filha de um total de doze irmãos. 
Papai era boiadeiro, tocava a boiada pelo estradão. Muito rígido com os filhos, nos repreendia 
apenas com o olhar. Mamãe fabricava rapadura para incrementar a renda da família. 
Nossos brinquedos, presenteados pela mãe natureza, eram bonecas de sabugo de milho, 
corda de cipó para pular, cavalinho de pau e barro para moldar objetos. Aos 8 anos, estávamos 
fadados a ajudar na labuta diária da vida na roça, pois, naquele tempo, o valor do suor era o que 
pesava. Novos “brinquedos” levavam embora nossos devaneios: a pá, a enxada, o pilão e a enorme 
colher de cabaça, usada para mexer o imponente tacho de cobre com garapa sobre a fornalha 
ardente, para mamãe fazer rapadura. 
Ao cair da noite, o inebriante aroma de querosene, vindo das lamparinas, emanava pelo ar 
em nosso ranchinho beira chão. Descansávamos nosso corpo fatigado no colchão de palha, 
afagados pela colcha de retalhos, a única decoração daquele rústico ambiente. O cricrilar e coaxar 
da grandiosa orquestra de grilos e sapos embalavam nosso sono. 
Para papai, aprender a ler e a escrever era algo supérfluo, um “incutimento sem pé nem 
cabeça”, mas para mim, o meu maior sonho. Ansiava por aprender a escrever o meu nome. Não 
recebíamos nenhuma instrução dentro ou fora de casa. 
8 
 
Ricardo, meu irmão primogênito, conhecendo essa minha grande ambição, ao ouvir de uma 
astuta senhora que procurava uma menina-moça para lhe auxiliar nos serviços domésticos, em 
troca de mantimentos e estudo, não pensou duas vezes, foi logo falando sobre mim. O combinado 
foi feito e meus pais deram a permissão. O percurso de 30 léguas para Rio Verde, que hoje leva 3 
horas, demorava quase um dia para ser feito. Ali, aos meus 12 anos, embarquei rumo a uma 
jornada de sonhos e lá desembarquei em uma realidade de pesadelos! 
Meu mundo de ilusão me conduziu a tornar-me a gata borralheira. Nessas “bodas”, nada 
me remeteu ao açúcar ou ao perfume. Foram seis longos anos de trabalho árduo, em troca – 
apenas – de um prato de comida para saciar minha fome. A fome de aprender a ler e a escrever? 
Essa não suportou e sucumbiu já no primeiro dia! Em meio a tanta peleja, consegui juntar algumas 
gorjetas e fugir daquele pensionato que só me deixara lembranças sombrias. 
Papai, sabendo que seus dias se findavam, vendeu nosso pedacinho de chão e, na 
esperança de dias melhores, mudou-se para o distrito que ganhara autonomia graças ao então 
deputado Israel de Amorim: Amorinópolis. 
Que nostalgia lembrar do lugar onde tive o refrigério de minh’alma! Ao anoitecer, a cidade 
ainda se encontrava às escuras. A pobre iluminação, oriunda de lampiões a gás, dava um ar 
fantasmagórico ao ambiente. Na rua de chão batido, vislumbrava a nuvem de poeira pairando pelo 
ar. A geladeira funcionava a querosene, chegava fogo embaixo para gelar em cima. A GO-221, 
que facilitou o acesso ao Sudoeste goiano, ainda não existia e Amorinópolis era rota obrigatória 
para muitas cidades. 
Em julho, a tradicional festa da padroeira local deixava a cidade alvoroçada. Em meio a uma 
delas, um rojão desgovernado adentrou nossa cozinha e explodiu. O volume do mundo se abaixou, 
bruscamente, dentro de mim! Nossos progressos se entrelaçaram… 
Nossa rua foi pavimentada com paralelepípedos, o largo central virou praça, a energia 
elétrica chegou levando embora a escuridão da noite e o ferro de passar a brasa. Reaprendi a ouvir 
lendo lábios e vi, devagarinho, chegarem ali estradas, água encanada, fogão a gás, televisão… 
Também vi papai descer à sepultura levando com ele uma parte de mim! 
Hoje moro em Iporá. Meus olhos transbordam ao trazer de volta memórias de um passado 
que, apesar das dificuldades, nos fazia felizes o quanto podia, pois tudo tinha o seu valor. 
Permanecerão em minha memória e em minha alma, sem o “coitadismo” enraizado, 
lembranças de uma vida que sempre foi e me exigiu a ser que nem rapadura: doce e dura. 
Texto baseado na entrevista realizada com Beronice Mendes dos Santos, de 66 anos. Professora Marília Alves de Oliveira Magalhães EM Valdivino 
Silva Ferreira, Iporá-GO 
Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/textos-dos-finalistas/artigo/2791/textos-finalistas-
olimpiada-de-lingua-portuguesa. Acesso em 03/05/2021. 
Questão 20 
A partir da leitura, responda: porque o título do texto é “Memórias de uma gata borralheira”? 
 
O parágrafo é um elemento textual com unidade de sentido que serve para dividir 
e organizar o texto. Para identificá-lo, basta procurar os trechos que iniciam com 
recuo na margem esquerda e encerram com sinal de pontuação. Eles podem se 
dividir em parágrafos de introdução, desenvolvimento e conclusão. Todos estruturam-se na ordem: 
tópico frasal (ideia principal), desenvolvimento e conclusão. O parágrafo se inicia com uma margem 
no canto esquerdo da página, em sua primeira linha, indicando o começo, e se encerra com um 
sinal de pontuação (ponto final, interrogação, exclamação ou reticências). Assim, todas as partes 
do texto estruturadas dessa maneira podem ser consideradas um parágrafo. Semanticamente, o 
parágrafo é uma unidade interna do texto. Desse modo, o adequado é que todo parágrafo se 
organize em torno de um enfoque, uma perspectiva, uma análise ou até uma cena específica do 
assunto geral. Ele deve apresentar um conteúdo de sentido minimamente independente que se 
solidifique ou amplie em relação aos outros parágrafos do texto. 
Disponível em: 
https://brasilescola.uol.com.br/redacao/paragrafo.htm#:~:text=O%20par%C3%A1grafo%20%C3%A9%20um%20elemento,dividir%20e%20organiz
ar%20o%20texto.&text=Eles%20podem%20se%20dividir%20em,t%C3%B3pico%20frasal%2C%20. Acesso em 07/05/2021. (Texto adaptado) 
 
 
 
9 
 
Questão 21 
Depois de saber do conceito de parágrafo, note que o texto “Memórias de uma gata borralheira” é 
composto por 13 parágrafos. Sua tarefa é representar por meio de desenho a ideia central de cada 
parágrafo do texto. 
Parágrafo 1 Parágrafo 2 Parágrafo 3 Parágrafo 4 Parágrafo 5 Parágrafo 6 Parágrafo 7 
 
Parágrafo 8 Parágrafo 9 Parágrafo 10 Parágrafo 11 Parágrafo 12 Parágrafo 13 
 
Questão 22 
Na retextualização, o memorialista diz de outra maneira os fatos relatados pelo(a) entrevistada(a). 
Sua tarefa agora é observar o fato e como ele foi retextualizado na memória literária, tudo bem? 
Fatos Fragmentos do texto – Como o autor narrou o fato 
Beronice Mendes dos Santos morava com 
seus pais e irmãos em Campo Limpo, 
distrito de Iporá. 
 
O pai da entrevistada era boiadeiro e sua 
mãe fazia rapadura. 
 
Os brinquedos eram bonecas de sabugo 
de milho, corda de cipó para pular, 
cavalinho de pau e barro para moldar 
objetos. 
 
Aos oito anos, Beronice começou a 
trabalhar na roça. 
 
O sonho da entrevistada era ler e escrever. 
Aos 12 anos, a entrevistada foi trabalhar 
em Rio Verde para poder trabalhar e 
realizar o seu sonho. 
 
O pai de Beronice vendeu a terra onde eles 
moravam. 
 
Amorinópolis não tinha energia elétrica. 
O pregresso chegou em Amorinópolis. 
O pai da entrevistada faleceu. 
Hoje a entrevistada mora em Iporá. 
Questão 23 - PPT 
Agora, você e sua turma irão organizar os fatos lembrados pelo(a) entrevista(a) da questão 4. A 
tarefa é colocar em um quadro o fato e como vocês podem narrar este fato, retextualizando-o. Aqui, 
é o momento de melhorar ou refazer as primeiras linhas do texto da questão 5. 
Fatos Como vocês podem narrar este fato? 
 
Vamos relembrar um dos elementos da narrativa? 
O narrador em primeira pessoa é o narrador-personagem ou narrador-testemunha. No 
caso de memórias literárias teremos, geralmente, o narrador-personagem, que tem por 
característica se apresentar e se manifestar como eu e fala a respeito daquilo que viveu. 
O narrador em primeira pessoa conta a história dele sempre de forma parcial, 
considerando um único ponto de vista: o dele. 
Para narrar em primeira pessoa, é importante relembrar os pronomes pessoais e possessivos, 
vamos nessa? 
Pronomes pessoais – Indicam a pessoa gramatical (eu, ele, me, nós etc.), substituem um 
substantivo. 
Pronomes possessivos – Acompanham um substantivo para determinar seu sentido (meu, sua, 
minha, nosso etc.). 
Caderno docente. Se bem me lembro. Olimpíada de Língua Portuguesa, 7ª edição, 2019. (Texto adaptado) 
10 
 
 
Na prática... Vamos analisar marcas linguísticas como pronomes e verbos que 
indicam que o narrador é personagem? 
“Ah, são tantas lembranças daquela época, meu querido!”, respondeu minha 
avó, ao ler em meus lábios a indagação sobre sua infância. 
 Escondido no Cerrado goiano, próximo ao povoado de Campo Limpo, então distrito de 
Iporá, nosso sítio foi o cenário da minha infância. Fui a sétima filha de um total de doze irmãos. 
Papai era boiadeiro, tocava a boiada pelo estradão. Muito rígido com os filhos, nos repreendia 
apenas com o olhar. Mamãe fabricava rapadura para incrementar a renda da família. 
Nossos brinquedos, presenteados pela mãe natureza, eram bonecas de sabugo de milho, corda 
de cipó para pular, cavalinho de pau e barro para moldar objetos [...]. 
Note que em: minha avó; nosso sítio, minha infância nossos brinquedos, as palavras 
destacadas acompanham o substantivo para determinar o seu sentido, são pronomes possessivos 
de primeira pessoa do discurso, portanto são marcas linguísticas que caracterizam o narrador como 
personagem, não é mesmo? 
Já em “Fui a sétima filha de um total de 12 irmãos.”, a palavra destacada 
“fui” está flexionada na primeira pessoa do discurso, o verbo. Como podemos 
verificar que o verbo foi flexionado em primeira pessoa? É simples, basta colocar o 
pronome “Eu fui a sétima...”, sendo assim, a flexão do verbo também é uma marca 
linguística que caracteriza o narrador como personagem. 
Questão 24 
Agora é a sua vez de praticar, tudo bem? Destaque no trecho marcas linguísticas que caracterizam 
o narrador como narrador-personagem. 
 “Hoje moro em Iporá. Meus olhos transbordam ao trazer de volta memórias de um passado que, 
apesar das dificuldades, nos fazia felizes o quanto podia, pois tudo tinha o seu valor. Permanecerão 
em minha memória e em minha alma, sem o “coitadismo” enraizado, lembranças de uma vida que 
sempre foi e me exigiu a ser que nem rapadura: doce e dura.” 
Uffa!!! Quantas informações sobre os elementos constituintes do 
gênero memórias literárias e, não paramos por aqui, você ainda irá perceber 
muitos detalhes importantes sobre este gênero de texto, tudo bem? Então, 
outro recurso muito utilizado no texto narrativo é a descrição. 
Para fazer uma boa descrição, é importante reparar no objeto descrito, 
como se o olhássemos pela primeira vez, e ter clareza de quem é o leitor ao qual nos dirigimos, o 
que ele precisa saber a respeito dos fatos, dos lugares, das personagens e dos costumes 
abordados no texto. Considerando esses aspectos, e dependendo do efeito que pretendemos 
provocar no leitor, será necessário enfatizar determinadas cenas, características de lugares ou 
personagens, sensações, impressões e informações captadas pelos cheiros, sabores, cores, 
texturas, sons. A descrição pode ser utilizada como recurso para seduzir o leitor e aproximá-lo da 
experiência relatada pelo autor do texto. 
Caderno docente. Se bem me lembro. Olimpíada de Língua Portuguesa, 7ª edição, 2019. (Texto adaptado) 
 
Releia o trecho do texto “Memórias de uma gata borralheira”! 
“Que nostalgia lembrar do lugar onde tive o refrigério de minh’alma! Ao anoitecer, 
a cidade ainda se encontrava às escuras. A pobre iluminação, oriunda de 
lampiões a gás, dava um ar fantasmagórico ao ambiente. Na rua de chão batido, 
vislumbrava a nuvem de poeira pairando pelo ar. A geladeira funcionava a querosene, chegava 
fogo embaixo para gelar em cima. A GO-221, que facilitou o acesso ao Sudoeste goiano, ainda 
não existia e Amorinópolis era rota obrigatória para muitas cidades.” 
Questão 25 
Como o narrador descreve o lugar onde a personagem teve o refrigério de sua alma? 
 
 
 
11 
 
Aulas 24 a 29 
Pontuação 
Marcas do passado: pretérito perfeito e pretérito imperfeito 
Palavras e/ou expressões adverbiais 
Memória literárias: Figuras de linguagem 
 
Sinais de pontuação 
Sinais de pontuação são símbolos gráficos que têm como objetivo 
colaborar para o sentido dos textos. Como as frases são ditas de formas 
diferentes, suas intenções tambémsão diferentes. Cada sinal de pontuação 
possui sua própria função. Dessa forma, temos diferentes sinais de 
pontuação, os quais vão estabelecer diferentes sentidos e intenções nas 
frases. Vejamos quais são eles! 
Ponto-final (.) - Colocado ao final da frase, indicando o final dela, é usado em frases afirmativas e 
negativas. 
 Mamãe fabricava rapadura para incrementar a renda da família. 
Ponto de exclamação (!) - É usado para indicar que a frase expressa uma admiração, medo, 
indignação, ordem, conselho, dentre outros sentimentos. 
 “Ah, são tantas lembranças daquela época, meu querido!” 
Ponto de interrogação (?) - É indicado para frases que expressam uma pergunta. 
 A fome de aprender a ler e a escrever? 
Dois-pontos (:) - Esse sinal pode ser usado em várias situações, como pode apresentar uma 
enumeração, uma lista; pode apresentar a fala de uma personagem. 
 Novos “brinquedos” levavam embora nossos devaneios: a pá, a enxada, o pilão e a enorme 
colher de cabaça [...] 
 Permanecerão em minha memória e em minha alma, sem o “coitadismo” enraizado, 
lembranças de uma vida que sempre foi e me exigiu a ser que nem rapadura: doce e dura. 
Vírgula (,) - É utilizada para separação de elementos dentro de uma mesma frase. 
 Novos “brinquedos” levavam embora nossos devaneios: a pá, a enxada, o pilão e a enorme 
colher de cabaça [...] 
 Ao cair da noite, o inebriante aroma de querosene [...] emanava pelo ar em nosso ranchinho 
beira chão. 
 “Ah, são tantas lembranças daquela época, meu querido!” 
Reticências (…) - São utilizadas para indicar que 
um pensamento foi interrompido ou deixar o sentido em aberto. 
 O volume do mundo se abaixou, bruscamente, dentro de mim! Nossos 
progressos se entrelaçaram… 
Aspas (“ “) – As aspas podem ser empregadas em várias situações, como em citações, 
declarações e transcrições; para marcar ironia ou destacar uma palavra ou expressão usada fora 
do contexto habitual, quando desejamos enfatizar o sentido de alguma palavra ou expressão; 
quando utilizamos estrangeirismos, neologismos e gírias; quando indicamos o nome de obras 
literárias ou artísticas, títulos de textos jornalísticos ou de palestras e apresentações. Ainda temos 
as aspas simples (‘ ‘), utilizadas para indicar trechos do texto que já estão entre aspas. 
 “Ah, são tantas lembranças daquela época, meu querido!” 
 [...] aprender a ler e a escrever era algo supérfluo, um “incutimento sem pé nem cabeça” 
[...]. 
 Permanecerão em minha memória e em minha alma, sem o “coitadismo” enraizado, 
lembranças de uma vida que sempre foi e me exigiu a ser que nem rapadura: doce e dura. 
Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/portugues/os-sinais-de-pontuacao.htm. Acesso em 01/04/2021. (Texto adaptado) 
Questão 26 
Justifique o uso da vírgula nas frases. 
(A) “Em julho, a tradicional festa da padroeira local deixava a cidade alvoroçada.” 
12 
 
(B) Reaprendi a ouvir lendo lábios e vi, devagarinho, chegarem ali estradas, água encanada, 
fogão a gás, televisão… 
Questão 27 
Você, sua turma e professores irão revisar, coletivamente, a produção de texto da questão 5. 
 
Para saber mais, assista ao vídeo sobre neologismos, estrangeirismos e 
empréstimos linguísticos no link: https://www.youtube.com/watch?v=7K-
EXnUBYEM. 
 
Marcas do passado: pretérito perfeito e pretérito imperfeito 
Palavras e/ou expressões de tempo 
O primeiro parágrafo do texto começa assim: “Ah, são tantas lembranças daquela época, 
meu querido!”, respondeu minha avó, ao ler em meus lábios a indagação sobre sua infância. 
Quais palavras ou expressões indicam tempo passado? 
 
Releia o trecho do texto e atente-se para as palavras e expressões destacadas. 
[...] o inebriante aroma de querosene, vindo das lamparinas, emanava pelo ar em nosso ranchinho 
beira chão. Descansávamos nosso corpo fatigado no colchão de palha, afagados pela colcha de 
retalhos, a única decoração daquele rústico ambiente. O cricrilar e coaxar da grandiosa orquestra 
de grilos e sapos embalavam nosso sono. 
É possível identificar o tempo em que os fatos aconteceram? Há expressões que marcam o 
momento exato em que as ações ocorreram? Pelos verbos usados, é possível saber se a ação 
ocorre no presente ou no passado? No gênero memórias literárias, é comum o uso de verbos que 
marcam um tempo passado. Os tempos verbais essenciais no gênero memória são o pretérito 
perfeito e o pretérito imperfeito. 
 Pretérito perfeito: indica um fato passado totalmente concluído. 
[...] nosso sítio foi o cenário da minha infância. Fui a sétima filha de um total de doze irmãos. 
 Pretérito imperfeito: indica um processo passado não totalmente concluído, revela o fato em 
sua duração. 
Papai era boiadeiro, tocava a boiada pelo estradão. [...] Mamãe fabricava rapadura para 
incrementar a renda da família. 
Questão 28 
Na frase: “Ali, aos meus 12 anos, embarquei rumo a uma jornada de sonhos e lá desembarquei 
em uma realidade de pesadelos!”, os verbos destacados indicam um fato passado totalmente 
concluído ou fato no passado não concluído, um processo? 
 
Memória literárias: Figuras de linguagem 
 
Você sabia que as palavras podem servir para informar ou para impressionar? Então, 
quando elas impressionam, fogem do seu uso comum, sendo usadas em linguagem conotativa 
(sentido figurado), encontramos as figuras de linguagem. Entretanto, não basta apenas “enfeitar” 
um texto para impressionar, é fundamental que a mensagem seja melhorada, tornando-se mais 
expressiva, para isso são usadas as figuras de linguagem. As figuras de linguagens são recursos 
estilísticos utilizados para realçar a mensagem e, dependendo dos aspectos que “exploram”, são 
chamadas de figuras de som, de pensamento, de sintaxe, de construção e de palavras. 
O nosso foco neste estudo é analisar algumas figuras de linguagem presentes na memória 
literária produzida pelo estudante Matheus Fernandes de Sousa. Primeiro, atente-se para o conceito de 
algumas figuras de linguagem e os exemplos destacados, tudo bem? 
Analise os enunciados! 
“um prato de comida para saciar minha fome”. 
“A fome de aprender a ler e a escrever?” 
Questão 29 
O que é possível perceber a partir do sentido da palavra “fome” nas duas colocações? 
13 
 
Questão 30 - PPT 
Pesquise, em dicionário online ou físico, o sentido da fome. Em seguida, anote no seu caderno. 
 
Denotação: emprego da palavra no seu sentido próprio, real – linguagem denotativa. 
“um prato de comida para saciar minha fome”. 
Conotação: emprego da palavra no seu sentido figurado – linguagem conotativa. 
“A fome de aprender a ler e a escrever?” 
 
Comparação é a figura de palavra que consiste no 
confronto entre dois elementos que mantêm uma 
semelhança entre si. 
“que nem rapadura: doce e dura.” 
Metáfora é a figura de palavra em que se 
estabelece uma relação de semelhança, de 
comparação, aproximando dois elementos de 
natureza diferente, sem a presença de conectivos 
ou palavras comparativas. 
“tornar-me a gata borralheira” 
Metonímia é a figura de palavra que consiste no 
emprego de uma palavra no lugar de outro por 
causa da proximidade de sentido entre elas. 
“valor do suor era o que pesava” 
Sinestesia é a figura de palavra que consiste na 
mistura de sensações, emoções e impressões 
percebidas por diferentes órgãos do sentido 
humano. 
“inebriante aroma de querosene” 
Eufemismo consiste no emprego de termos mais 
agradáveis para suavizar a expressão. 
“vi papai descer à sepultura” 
Personificação consiste na atribuição de 
características humanas a seres não humanos. 
O cricrilar e coaxar da grandiosa orquestra 
de grilos e sapos embalavam nosso sono. 
 
Aprenda mais sobre as figuras de linguagem no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=goLE3RW4iDA. 
 
Questão 31 
No trecho, “Que nostalgia lembrar do lugar onde tive o refrigério de minh’alma! Ao anoitecer, a 
cidade ainda se encontrava às escuras. A pobre iluminação, oriunda de lampiões a gás, dava um 
ar fantasmagórico ao ambiente. Na rua de chão batido, vislumbravaa nuvem de poeira pairando 
pelo ar. A geladeira funcionava a querosene, chegava fogo embaixo para gelar em cima. A GO-
221, que facilitou o acesso ao Sudoeste goiano, ainda não existia e Amorinópolis era rota 
obrigatória para muitas cidades. / Em julho, a tradicional festa da padroeira local deixava a cidade 
alvoroçada. Em meio a uma delas, um rojão desgovernado adentrou nossa cozinha e explodiu. O 
volume do mundo se abaixou, bruscamente, dentro de mim! Nossos progressos se 
entrelaçaram…”, quais figuras de linguagem foram empregadas pelo autor? 
Aulas 30 a 35 
Produção, releitura e reescrita de memórias literárias 
 
Questão 32 - PPT 
Até aqui, você e seus colegas produziram textos coletivamente, não é mesmo? Chegou a sua vez 
de produzir uma memória literária individualmente. Para isso, siga as instruções: 
 Selecione uma entrevista distinta da explorada na produção coletiva e retome os dados do(a) 
entrevistado(a). 
 Comece recuperando o que já foi trabalhado. Lembre-os(as) de: 
retomar as informações dadas pelo(a) entrevistado(a) no depoimento; 
selecionar as histórias e os fatos mais interessantes e pitorescos; 
transmitir ao(à) leitor(a) as sensações e as emoções que surgiram 
durante a entrevista; citar objetos e costumes de antigamente, 
fazendo comparações entre o passado e o presente, sem estabelecer 
opiniões que super valorizem o passado, de forma idealizada, em 
detrimento do presente; usar palavras e expressões que marquem o 
tempo passado; mostrar sentimentos e sensações rememorados pelo(a) entrevistado(a): 
14 
 
cores, cheiros, sabores e movimentos; lançar mão de recursos linguísticos para tornar o texto 
interessante. 
 Entregue o texto para o(a) professor(a) para que ele(a) faça suas observações e, na próxima 
oficina, aconteça a etapa de revisão. 
Caderno docente. Se bem me lembro. Olimpíada de Língua Portuguesa, 7ª edição, 2019. (Texto adaptado) 
 
Questão 33 - PPT 
Chegou o momento de fazer a reescrita! Atente-se para as orientações do(a) professor(a)! 
 
Vale a pena fazer a leitura do texto no link: 
https://novaescola.org.br/conteudo/8697/historias-que-valem-a-pena-ser-contadas. 
 
 
Componente Curricular: Língua Portuguesa 
 
7º ano do Ensino Fundamental 
Atividade de Monitoramento da Aprendizagem 
Responda no Ambiente Virtual de Aprendizagem – (PHS) Palmas Home School 
 
Elaboração/ Coordenadora de componente curricular: Maria das Graças Alves dos Santos 
Cronograma: 31 de maio a 01 de julho. 
 
Questão 1 
As marcas de 1ª pessoa do discurso no texto “O pequi nosso de cada dia” é caracterísitca de que 
o narrador é 
(A) observador. 
(B) onisciente. 
(C) personagem. 
(D) intruso. 
Questão 2 
Segundo o texto, a nostalgia invadiu os pensamentos do narrador-persongem, quando 
(A) contemplava o horizonte da janela de sua residência. 
(B) comia uma deliciosa galinhada com pequi. 
(C) ouviu o chamado de sua mãe para catar pequi. 
(D) saiu com seus irmãos para catar pequi. 
Questão 3 
De acordo com o texto, a cada ano, o pequi tem diminuido, porque 
(A) a cultura de catar pequi não existe mais no cerrado tocantinense. 
(B) as pessoas perderam o hábito de plantar pequizeiro. 
(C) o pequizeiro está ameaçado pelas derrubadas e queimadas. 
(D) o consumo de pequi é exagerado, provocando a extinção do fruto. 
Questão 4 
Quando o narrador apresenta que “Hoje pela manhã, ao contemplar o horizonte da janela de 
minha humilde residência, a nostalgia invadiu meus pensamentos. Senti saudade do que vivi na 
infância e agora só carrego as lembranças aquecidas em meu peito”, é possível perceber uma 
das caracterísitcas do gênero memória, sendo ela, 
(A) a retextualização de um fato ocorrido em um passado próximo. 
(B) a retextualização de um fato ocorrido em um passado distante. 
(C) o presente do narrador-personagem, enxergando o passado por meio da memória. 
(D) o relato de um fato ocorrido e concluído no passado. 
 
 
 
15 
 
 
Questão 5 
O trecho do texto “O pequi nosso de cada dia” que apresenta, explictamente, o sentimento de 
saudade do narrador-persongem é: 
(A) “Nasci e cresci nessa pequena cidade, numa época em que não existiam essas 
modernidades como água encanada e energia elétrica.” 
(B) “Andávamos alguns quilômetros e já avistávamos os pés carregados de frutos e, ao 
chegarmos debaixo, o chão estava forrado deles.” 
(C) “Só me restaram lembranças daquele tempo e é com pesar que lamento a extinção do nosso 
pequi de cada dia.” 
(D) “Ao enchermos as vasilhas, voltávamos para casa satisfeitos com aquele ouro que 
acabávamos de garimpar.” 
Questão 6 
Em “— Meninos, olhem para o chão, cuidado com as cobras!”, a frase está precedida de travessão, 
porque é a fala do(a) 
(A) narrador, escrita em 3ª pessoa. 
(B) personagem, exemplo de discurso direto. 
(C) narrador, exemplo de discurso indireto. 
(D) personagem, exemplo de discurso indireto e discurso direto. 
Questão 7 
A figura de linguagem empregada no trecho: “Passei memoráveis momentos aqui nesse pedacinho 
de chão, porém, há uma passagem da minha vida que trago viva na memória e só esquecerei 
quando for para o meu leito derradeiro” é 
(A) comparação. (C) ironia. 
(B) eufemismo. (D) metáfora. 
Questão 8 
A figura de linguagem empregada no trecho: “Ah! O nosso pequi de cada dia! Amarelo como ouro! 
Carnudo e saboroso.[...]” é 
(A) comparação. (C) ironia. 
(B) eufemismo. (D) metáfora. 
Questão 9 
O trecho que apresenta palavras e/ou expressões típicas da cultura do povo que vê o pequi como 
o fruto “nosso de cada dia” é: 
(A) “Nasci e cresci nessa pequena cidade, numa época em que não existiam essas 
modernidades como água encanada e energia elétrica.” 
(B) “Lembro-me bem que era uma fresca tarde do mês de outubro, havia acabado de cessar os 
últimos pingos da chuva que caíra bem forte naquele dia.” 
(C) “Naquela época do ano, era tempo de pequi, e as famílias iam em busca dele, pois era 
responsável por deixar os pratos mais saborosos.” 
(D) “Ficávamos com os dentes amarelos, o hálito bem forte e aquele “ranço” na boca que, ao 
conversarmos de perto com alguém, já se podia sentir o aroma marcante do pequi.” 
Questão 10 
Os verbos destacados em “Seu óleo era extraído e servia de “meizinha” (unguento para diversas 
moléstias, como bronquites e queimaduras)” estão flexionados no tempo 
(A) futuro. (C) pretérito perfeito. 
(B) presente. (D) pretérito imperfeito.

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