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Prévia do material em texto

Caro aluno 
Você está recebendo o primeiro livro da Unidade Técnica de Imersão (U.T.I.) do Hexag Vestibulares. Este material tem o objetivo de retomar os conteúdos estuda-
dos nos livros 1 e 2, oferecendo um resumo estruturado da teoria e uma seleção de questões dissertativas que preparam o candidato para as provas de segunda 
fase dos principais vestibulares. Além disso, as questões dissertativas permitem avaliar a capacidade de análise, organização, síntese e aplicação do conhecimento 
adquirido. É também uma oportunidade de o estudante demonstrar que está apto a expressar suas ideias de maneira sistematizada e com linguagem adequada.
Aproveite este caderno para aprofundar o que foi visto em sala de aula, compreender assuntos que tenham deixado dúvidas e relembrar os pontos que foram 
esquecidos.
Bons estudos!
SUMÁRIO
LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias
GRAMÁTICA 3
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 19
LITERATURA 27
REDAÇÃO 43
INGLÊS 65
CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias
HISTÓRIA GERAL 83
HISTÓRIA DO BRASIL 107
FILOSOFIA 131
SOCIOLOGIA 145
GEOGRAFIA 1 155
GEOGRAFIA 2 189
CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias
BIOLOGIA 1 217
BIOLOGIA 2 253
BIOLOGIA 3 261
FÍSICA 1 277
FÍSICA 2 289
FÍSICA 3 309
QUÍMICA 1 325
QUÍMICA 2 339
QUÍMICA 3 359
MATEMÁTICA e suas tecnologias
MATEMÁTICA 1 371
MATEMÁTICA 2 385
MATEMÁTICA 3 395
© Hexag SiStema de enSino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2022 
Todos os direitos reservados.
Coordenador-geral
Raphael de Souza Motta
reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa 
Hexag Sistema de Ensino
editoração eletrôniCa
Felipe Lopes Santos
Letícia de Brito Ferreira
Matheus Franco da Silveira
projeto gráfiCo e Capa
Raphael de Souza Motta
imagenS
Freepik (https://www.freepik.com)
Shutterstock (https://www.shutterstock.com)
Pixabay (https://www.pixabay.com)
Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusi-
vo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à dis-
posição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos 
direitos sobre as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não repre-
sentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
2022
Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
www.hexag.com.br
contato@hexag.com.br
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
ENTREENTRE
LETRASLETRAS
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GRAMÁTICA
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
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LETRASLETRAS
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formação de palavras
As palavras da língua portuguesa são formadas basica-
mente pelos processos de derivação e composição, mas 
também por onomatopeia, neologismo e hibridismo.
Formação por derivação
No processo de formação por derivação, a palavra primiti-
va (primeiro radical) sofre acréscimo de afixos. São seis os 
tipos de formação por derivação.
 § Derivação prefixal: acréscimo de prefixo à pala-
vra primitiva.
Exemplo: in-capaz.
 § Derivação sufixal: acréscimo de sufixo à pala-
vra primitiva.
Exemplo: papel-aria.
 § Derivação prefixal + sufixal: acrescenta-se um pre-
fixo e um sufixo a um mesmo radical de modo sequen-
cial, ou seja, os afixos não são encaixados ao mesmo 
tempo. Percebe-se facilmente, ao remover um dos afi-
xos, a presença de uma palavra com sentido completo.
Exemplo: in-feliz-mente.
 § Derivação parassintética: acréscimo simultâneo de um 
prefixo e de um sufixo a um mesmo radical ou à palavra 
primitiva. Em geral, as formações parassintéticas originam-
-se de substantivos ou adjetivos para formarem verbos.
Exemplo: en-triste-cer.
 § Derivação regressiva: ocorre redução da palavra pri-
mitiva. Nesse processo, formam-se substantivos abstratos 
por derivação regressiva de formas verbais.
Exemplo: ajuda (substantivo abstrato da deriva-
ção regressiva do verbo ajudar).
 § Derivação imprópria: ocorre a alteração da classe 
gramatical da palavra primitiva.
Exemplos: (o) jantar – de verbo para substantivo; 
(um) Judas – de substantivo próprio para comum.
Formação por composição
Nos processos de formação de palavras por composição, 
ocorre a junção de dois ou mais radicais. Palavras com 
significados distintos formam uma nova palavra com um 
novo significado.
Exemplo: guarda (flexão do verbo guardar; 
sentinela) + roupa (vestuário) = guarda-rou-
pa (mobiliário).
São dois os processos de formação por composição:
 § Composição por justaposição: quando não ocorre 
a alteração fonética das palavras. A justaposição tam-
bém pode ocorrer por hifenização. 
Exemplos: girassol (gira + sol); guarda-chuva 
(guarda + chuva).
 § Composição por aglutinação: quando ocorre alte-
ração fonética, em decorrência da perda de elementos 
das palavras.
Exemplos: aguardente (água + ardente); embora 
(em + boa + hora).
Outros processos
Neologismo
Neologismo é o nome dado ao processo de criação de 
novas palavras. São três tipos: Semântico (a palavra já 
existe no dicionário, mas adquire um novo significado); Le-
xical (criação de uma palavra nova, sem necessariamente 
seguir regras formais); Sintático (construção sintática que 
passa a ter um significado específico). 
Exemplo: 
Originalmente, a palavra bonde significava certo 
veículo utilizado como meio de transporte. Hoje, 
na variedade linguística utilizada por falantes inse-
ridos no estilo do funk carioca, foi dado um novo 
significado para a palavra bonde: turma, galera.
FORMAÇÃO DE PALAVRAS
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artigo
Artigo é a palavra que se antepõe a um substantivo (é um 
marcador pré-nominal), com a função inicial de determiná-
-lo ou indeterminá-lo. Subdivide-se em dois grupos: defini-
dos e indefinidos.
 § Artigos definidos: determinam o substantivo de ma-
neira precisa. São eles: o(s), a(s).
Exemplo: Preciso que você me traga a cadeira 
branca. (O artigo definido marca a necessidade 
de se pegar uma cadeira determinada.)
 § Artigos indefinidos: determinam o substantivo de 
maneira vaga/imprecisa. São eles: um(uns), uma(s).
Exemplo: Preciso que você me traga uma cadeira 
branca. (O artigo indefinido marca a necessidade 
de se pegar uma cadeira qualquer, indeterminada.)
Artigo combinado com preposições
A contração de artigos com preposições é um movimento 
essencial para a demarcação de sentido em construções 
textuais. Muitas vezes, fazer ou não fazer a contração do 
artigo com a preposição pode alterar significativamente o 
entendimento que se tem de um texto. Esses eventos tex-
tuais serão discutidos no próximo tópico (o artigo aplicado 
ao texto). Ficaremos aqui com as possibilidades de contra-
ção do artigo com a preposição.
Preposições
Artigos
o, os a, as um, uns
uma, 
umas
a ao, aos à, às — —
de do, dos da, das dum, duns duma, dumas
em no, nos na, nas num, nuns numa, numas
por pelo, pelos pela, pelas — —
substantivo
Classe de palavras variável que dá nome aos seres, obje-
tos e coisas em geral. Os substantivos são classificados em 
próprios, comuns, concretos, e abstratos. Eles se fle-
xionam em número, gênero e grau. 
adjetivo
Palavra que acompanha e modifica o substantivo, podendo 
caracterizá-lo ou qualificá-lo.
Nomes substantivos e 
nomes adjetivos
No contexto de uma frase, é possível identificar palavras de 
outras classes, entre elas os adjetivos, que se transformam 
em nomes (substantivos) desde que precedidas de um artigo. 
verbo
Formas nominais do verbo
O infinitivo, o particípio (regular e irregular) e o gerúndio 
são chamados formas nominaisdo verbo porque podem 
funcionar como nomes – substantivo, adjetivo, advérbio.
 § Infinitivo
O comer demais faz mal. (substantivo)
O viver é bom. (substantivo)
 § Gerúndio
Ela bebeu chá fervendo. (advérbio)
Fervendo, desligue. (advérbio)
 § Particípio
A feira foi inaugurada. (adjetivo)
O parque foi inaugurado. (adjetivo)
ARTIGOS, SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS
VERBOS: NOÇÕES PRELIMINARES E 
MODOS INDICATIVO E SUBJUNTIVO
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Modos e tempos verbais
Os modos verbais traduzem a intencionalidade com que 
se emprega a forma verbal. São classificados em indi-
cativo (fato), subjuntivo (desejo, hipótese) e imperativo 
(ordem, apelo).
Quando lemos, falamos ou escrevemos, posicionamo-nos 
em um determinado tempo. No momento do enunciado, 
os verbos ocorrem (presente), ocorreram (passado) ou 
ocorrerão (futuro), dependendo do modo verbal.
Tempos do modo indicativo
Presente
 § Indica processo no momento da fala.
Faço minhas escolhas. (atualmente, agora)
 § Indica processo habitual, constante, fato real, verdade.
Ela cumpre seus acordos. (ação habitual)
 § Indica processo ocorrido até o momento da declaração.
Moro com meus colegas.
 § Em narrativas históricas (presente histórico), em lugar 
do pretérito perfeito.
Colombo chega à América e, em 1492, conquis-
ta o Novo Mundo.
 § Em acontecimento próximo, em lugar do futuro.
Não posso almoçar contigo amanhã.
 § Em expressões condicionais (se...), em lugar do subjuntivo.
Se tudo corre bem, podemos viajar.
Pretérito perfeito
 § Indica um processo, algo já realizado, concluído, termina-
do, sem necessidade de referência à outra ação anterior 
ou contemporânea.
João saiu ontem.
Fiz as compras.
Cheguei.
 § Indica processo ocorrido antes da declaração expressa 
pelo verbo.
Em 1939, Hitler invadiu a Polônia.
 § É frequente o emprego do pretérito perfeito compos-
to – presente do indicativo do verbo auxiliar “ter“ ou 
“haver“ e particípio do verbo principal.
Pode indicar ato habitual:
Eu tenho lido bastante.
Os alunos têm estudado muito.
 § Também pode indicar fato ocorrido até o momento 
da declaração:
Tenho comprado muitos carros iguais a este.
Pretérito imperfeito
 § Indica um processo ocorrido anteriormente ao mo-
mento da declaração, mas contemporâneo a outro 
fato passado.
Eu ouvia samba quando se deu o estouro.
Ele comia quando da sua chegada.
 § É empregado para indicar processo em desenvolvimento.
Eu dançava quando ele entrou.
 § Indica processo em continuidade, habitual, constan-
te, frequente.
Eu residia nesta casa.
 § Indica processo idealizado, não realizado.
Pretendíamos ir à Bahia, mas o frio repentino 
não permitiu.
 § Como manifestação de cortesia, de polidez, em lugar 
do presente do indicativo ou do imperativo.
Queria só um abraço.
 § Em lugar do futuro do pretérito do indicativo.
Se ele pagasse, já estávamos (em 
vez de “estaríamos“) na França.
Pretérito mais-que-perfeito
 § Indica uma ação passada, um fato concluído que acon-
teceu antes de outro fato (ambos no passado).
O trem partira quando ele enfim chegou.
Ela estivera presente a toda reunião.
Ele dançara muito.
 § Em construções exclamativas.
Quem lhe dera tê-la nos braços naquela tarde!
 § Em lugar do pretérito imperfeito do subjuntivo.
Nadou como se estivera (estivesse) à beira 
da morte.
 § É bastante frequente o emprego do mais-que-perfeito 
composto – imperfeito do verbo auxiliar “ter“ ou “ha-
ver“ e particípio do verbo principal.
Eu tinha falado bastante.
Já havia ocorrido o pior.
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Futuro do pretérito
 § Exprime ação futura em relação ao passado, ação que te-
ria ocorrido em relação a um fato já ocorrido no passado.
Eu iria se você chegasse a tempo.
 § Designa ações posteriores à época em que se fala.
Ainda ficaria. Esperaria a noite. 
(Marques Rabelo)
 § Designa incerteza, probabilidade, dúvida, suposição so-
bre fatos passados.
Seriam mais ou menos dez horas quando che-
garam. (Monteiro Lobato)
 § Forma polida do presente para denotar um desejo.
Eu precisaria namorar aquela moça.
 § O futuro do pretérito composto expresso – verbo auxi-
liar “ter“ ou “haver“ no futuro do pretérito e particípio 
do verbo principal.
Eu teria dito (diria) umas verdades a você.
 § Indica fato que teria acontecido no passado mediante 
certa condição.
Teria sido diferente, se eu a amasse. 
(Ciro dos Anjos)
 § Indica possibilidade de um fato passado.
Teria sido melhor não escrever nada. 
(Ruben Braga)
 § Indica incerteza sobre fatos passados em certas frases 
interrogativas.
Ele só teria falado ou também...?
Futuro (do presente)
 § Indica a ação ainda não ocorrida, mas já declarada 
pelo verbo.
Ora (direis) ouvir estrelas! / (...) E eu vos direi: 
amai para entendê-las! (Olavo Bilac)
 § Empregado para indicar um fato aproximado ou para 
enfatizar uma expressão.
Na África, quantos não estarão mortos de fome!
 § Indica incerteza, probabilidade, dúvida, suposição.
Há uma várzea em meu sonho, mas não sei onde 
será. (Augusto Meyer)
 § Indica fatos de realização provável.
Vem, dizia ele na última carta; se não vieres depres-
sa, acharás tua mãe morta. (Machado de Assis)
 § Como forma polida, em vez do presente.
Mas como foi que aconteceram? E eu lhe direi: 
sei lá, aconteceram: eis tudo. (Drummond)
 § É frequente o emprego do futuro do presente compos-
to – futuro do presente do verbo auxiliar “ter“ ou “ha-
ver“ e particípio do verbo principal.
Quando você chegar, eu já terei ido.
 § Indica ação futura a ser consumada antes de outra.
Quando o guarda chegar, já teremos fugido.
 § Indica possibilidade de um fato passado.
Terá passado o furacão dentro de oito dias?
 § Indica certeza de uma ação futura.
Se não voltarmos em algumas horas, teremos 
perdido a oportunidade.
Tempos do modo subjuntivo
Presente
 § Expressa hipótese, desejo, suposição, dúvida.
Tomara que você tenha boas festas!
Bons ventos o levem!
Pretérito imperfeito
 § É empregado nas orações subordinadas da oração 
principal em que o verbo esteja no pretérito imper-
feito, no pretérito perfeito ou no futuro do pretérito 
do indicativo.
Ela desejava que todos morressem.
Esperei que eles fizessem os trabalhos direito.
Apreciaria que você me beijasse.
Futuro simples
 § Designa fato provável, eventualidade futura.
Quando ela vier, encontrará uma bagunça.
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modo imperativo
O modo imperativo manifesta ordem, conselho, súplica ou 
exortação do emissor e pode ser imperativo afirmativo ou 
imperativo negativo.
 § Se beber, não dirija!
 § Dorme, que já está na hora!
TABELA PARA CONJUGAÇÃO DO MODO IMPERATIVO
presente 
do indicativo 
imperativo 
afirmativo
imperativo negativo
presente 
do subjuntivo
eu compro x x
(ainda que) 
eu compre
tu compras compra tu* compres tu
(ainda que) 
tu compres
ele compra compre você compre você
(ainda que) 
ele compre
nós compramos compremos nós compremos nós
(ainda que) 
compremos nós
vós comprais comprai vós compreis vós
(ainda que) 
vós compreis
eles compram comprem vocês comprem vocês
(ainda que) 
eles comprem
*As duAs pAssAgens do presente do IndIcAtIvo pArA o ImperAtIvo AfIrmAtIvo 
ImplIcAm nA perdA do “s” fInAl que compõe A construção verbAl.
vozes verbais
O fato expresso pelo verbo pode ser representado em três vozes.
 § João cortou árvores.
O fato (cortou) é praticado pelo sujeito (João). Por-
tanto, o verbo está na voz ativa.
 § Árvores foram cortadas por João.
O sujeito (árvores) é alvo, ou seja, sofre a ação de 
João. Portanto, o verbo está na voz passiva.
 § João cortou-se com o machado.
O sujeito (João) é alvo (cortou-se) do machado. 
Portanto, o verbo está na voz reflexiva.
Voz passiva analítica
 § A voz passiva dos verbos é formada pelo verbo auxiliar 
ser, conjugado no tempo e na pessoa desejados, segui-
do do particípio doverbo principal: A árvore foi cortada 
pelo lenhador./ Muitas mansões foram alugadas em Bra-
sília./ Muita gente ainda vai ser julgada inocente.
 § A voz passiva analítica sempre é formada por tempos 
compostos – ser + verbo principal transitivo direto –, 
bem como pelos verbos auxiliares ter e haver.
Têm sido (foram) alugadas muitas mansões 
em Brasília.
Voz passiva sintética
 § Formada com o verbo principal transitivo direto na voz 
ativa, na terceira pessoa do singular ou do plural, acom-
panhado da partícula apassivadora “se“.
Aluga-se casa.
Alugam-se casas.
Compra-se apartamento.
Compram-se apartamentos.
Voz reflexiva
 § Necessariamente formada pelos verbos pronominais 
– acompanhados de “me“, “te“, “se“, “nos“, “vos“, 
“se“ –, cuja ação designada parte do sujeito e volta-se 
para ele mesmo.
Eu me feri. (O ato e o efeito do ferimento par-
tem e voltam para o “eu”, que é o sujeito.)
Tu te feriste.
Ele se machucou.
Nós nos prejudicamos.
Eles se feriram com faca.
advérbios
Os advérbios formam uma classe de palavras invariá-
veis que se associam a verbos, a adjetivos ou a outros 
advérbios, cada qual com intenções bastante específicas.
 § Associam-se a verbos para indicar com maior precisão 
as circunstâncias da ação verbal.
Exemplo: Paula viajou ontem. (O advérbio 
“ontem” indica com maior precisão quando 
Paula viajou.)
VERBOS: MODO IMPERATIVO E VOZES VERBAIS
ADVÉRBIOS
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 § Associam-se a adjetivos para intensificar o adjetivo já 
apresentado.
Exemplo: Roberto ficou bastante preocupado. 
(O advérbio “bastante” intensifica o adjetivo pre-
ocupado.)
 § Associam-se a advérbios para intensificar outro advér-
bio já apresentado. 
Exemplo: O jogador do Corinthians está se 
recuperando muito bem. (O advérbio “muito” 
intensifica o outro advérbio “bem”.)
Classificação dos advérbios
Os advérbios e as locuções adverbiais estabelecem diferen-
tes relações semânticas, que são as seguintes:
 § De lugar: aqui; antes; dentro; ali; adiante; fora; acolá; 
atrás; além; lá; detrás; aquém; cá; acima; onde; perto; 
aí; abaixo; aonde; longe; debaixo; algures; defronte; ne-
nhures; adentro; afora; alhures; aquém; embaixo; exter-
namente; a distância; a distância de; de longe; de perto; 
em cima; à direita; à esquerda; ao lado; em volta, etc.
 § De tempo: hoje; logo; primeiro; ontem; tarde; outro-
ra; amanhã; cedo; depois; ainda; antigamente; antes; 
doravante; nunca; então; ora; jamais; agora; sempre; já; 
enfim; afinal; amiúde; breve; constantemente; imediata-
mente; primeiramente; provisoriamente; sucessivamente; 
às vezes; à tarde; à noite; de manhã; de repente; de vez 
em quando; de quando em quando; a qualquer momen-
to; de tempos em tempos; em breve; hoje em dia, etc. 
 § De modo: bem; mal; assim; melhor; pior; depressa; de-
balde; devagar; às pressas; às claras; às cegas; à toa; à 
vontade; às escondidas; aos poucos; desse jeito; desse 
modo; dessa maneira; em geral; frente a frente; lado a 
lado; a pé; de cor; em vão; e a maior parte dos que termi-
nam em ”–mente”: calmamente; tristemente; proposi-
tadamente; pacientemente; amorosamente; docemente; 
escandalosamente; bondosamente; generosamente, etc.
 § De afirmação: sim; certamente; realmente; decerto; 
efetivamente; certo; decididamente; deveras; indubita-
velmente, etc. 
 § De negação: não; nem; nunca; jamais; de modo algum; 
de forma alguma; tampouco; de jeito nenhum, etc. 
 § De dúvida: acaso; porventura; possivelmente; provavel-
mente; talvez; casualmente; por certo; quem sabe, etc. 
 § De intensidade: muito; demais; pouco; tão; em exces-
so; bastante; mais; menos; demasiado; quanto; quão; 
tanto; que (quão); tudo; nada; todo; quase; de todo; de 
muito; por completo; extremamente; intensamente; gran-
demente; bem (aplicado a propriedades graduáveis), etc.
 § Interrogativos: onde; aonde; donde; quando; como; 
por que; empregados em interrogações diretas ou indi-
retas – entende-se por interrogações diretas aquelas em 
que as palavras em destaque iniciam uma frase interro-
gativa. As interrogações indiretas, por sua vez, são aque-
las em que os termos destacados não iniciam a frase.
Interrogação direta Interrogação indireta
Como isso aconteceu? Queria saber como isso aconteceu.
Onde ela mora? Precisava saber onde ela mora.
Por que ela não veio? Quero entender por que ela não veio.
Aonde você vai? Quero saber aonde você vai.
Donde vem esse rapaz? Necessito entender donde vem esse rapaz.
Quando que chega a carta? Quero saber quando chega a carta.
Locuções adverbiais
Locuções adverbiais são expressões formadas a partir de 
duas ou mais palavras que exercem função adverbial. Em 
geral, são constituídas por uma preposição seguida de ou-
tra palavra, como substantivo, advérbio ou verbo, que seja 
capaz de indicar a circunstância.
 § De lugar: à esquerda; à direita; de longe; de perto; 
para dentro; por aqui, etc. 
 § De afirmação: por certo; sem dúvida, etc. 
 § De modo: às pressas; passo a passo; de cor; em vão; 
em geral; frente a frente, etc.
 § De tempo: à noite; de dia; de vez em quando; à tarde; 
hoje em dia; nunca mais, etc.
Amanhã precisarei acordar cedinho. 
Ela mora pertinho daqui.
O advérbio aplicado ao texto
Em relação aos advérbios aplicados ao texto, existe uma 
gradação semântica entre os advérbios frásicos e advérbios 
extrafrásicos, além da distribuição de advérbios modais 
(terminados em –mente).
 § Advérbios frásicos: são aqueles que se relacionam com 
um elemento específico da frase. Não apresentam mar-
cas de deslocamento (vírgulas).
Exemplo: O veículo corre muito.
 § Advérbios extrafrásicos: são aqueles exteriores à frase, 
que estão no âmbito da enunciação e, geralmente, des-
locados por vírgula.
Exemplo: Ele, infelizmente, não jogou bem hoje. 
Observação: os advérbios extrafrásicos atuam 
como elementos de avaliação do enunciador 
acerca do conteúdo enunciado.
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 § Distribuição textual de advérbios modais (mais de um 
advérbio terminado em “–mente”) 
Quando ocorre uma frase que congrega mais de um 
advérbio terminado em “–mente”, deve-se fazer a con-
tração dos advérbios centrais (retirar o termo “– men-
te”) e preservar apenas o último advérbio flexionado.
Errado: Ele saiu calmamente, sorrateiramen-
te e rapidamente.
Certo: Ele saiu calma, sorrateira e rapidamente.
pronome
Pronome é a palavra variável que identifica os participantes 
da interlocução (pessoas do discurso), os seres e objetos 
no mundo, além de eventos ou situações aos quais o dis-
curso faça referência.
Em geral, os pronomes, operam em conjunto com os subs-
tantivos (nomes), podendo substituí-los, referenciá-los ou, 
ainda, acompanhá-los em um processo qualificativo. 
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais são aqueles que substituem os 
substantivos. Eles se caracterizam por evidenciar as três 
pessoas do discurso. Para designar a pessoa que fala (1ª 
pessoa), são usados os pronomes eu (singular) e nós (plu-
ral). Para marcar a pessoa com quem se fala (2ª pessoa), 
são utilizados os pronomes tu (singular) e vós (plural). Por 
fim, para apontar a pessoa de quem se fala (3ª pessoa), são 
utilizados ele(s) e ela(s).
De acordo com o posicionamento nos processos sintáticos, 
os pronomes pessoais podem funcionar como:
 § Caso reto: são pronomes pessoais que, em uma cons-
trução sintática, ocupam a posição de sujeito ou de 
predicativo do sujeito.
Exemplos: Eu fiquei bastante chateado. (sujeito)
O encarregado do projeto sou eu. (predicativo 
do sujeito)
 § Caso oblíquo: são pronomes pessoais que, em uma 
construção sintática, ocupam a posição de comple-
mento verbal (objeto direto ou indireto) ou 
complemento nominal.
Exemplo: Compraram-nos alguns presentes. (O 
pronome é complemento do verbo comprar.)
pronomes possessivos
São pronomes que acrescentam à pessoa gramatical a 
ideia de posse sobre algo.
Exemplo: Este dinheiro é meu.pronomes demonstrativos
Os demonstrativos são utilizados para situar, no espaço e 
no tempo, a pessoa ou a coisa designada. O aspecto funda-
mental dos pronomes demonstrativos é sua capacidade de 
indicar um objeto sem nomeá-lo. Também evidenciam o po-
sicionamento de uma palavra em relação a outras palavras 
ou em relação a um contexto. Esses processos ocorrem em 
relações espaciais, temporais e sintáticas.
 § Os pronomes demonstrativos dividem-se em dois gru-
pos: os variáveis e os invariáveis.
 § Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), 
aquela(s).
 § Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Relações espaciais
 § Os pronomes este, esta e isto indicam que o item/
objeto está perto de quem fala.
Exemplo: Usarei este lápis (aqui) mesmo. 
 § Os pronomes esse, essa e isso indicam que o item/
objeto está perto da pessoa a quem se fala.
Exemplo: Usarei esse lápis (aí) mesmo. 
PRONOMES PESSOAIS
PRONOMES DEMONSTRATIVOS E POSSESSIVOS
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 § Os pronomes aquele, aquela e aquilo indicam que 
o item/objeto está afastado tanto de quem fala 
como da pessoa a quem se fala.
Exemplo: Usarei aquele lápis (ali) mesmo. 
Relações temporais
 § O pronome este e suas variantes são utilizados para 
indicar tempo presente em relação ao momento em 
que se fala.
Exemplo: Esta noite eu vou ao shopping / Neste 
mês chove bastante. 
 § O pronome esse e suas variantes são utilizados para 
indicar tempo futuro ou passado recente em relação ao 
momento em que se fala.
Exemplo (futuro): Nessa reunião definiremos 
os parâmetros de venda.
Exemplo (passado): Esse aumento da crise 
ocorreu em todos os países da América do Sul. 
 § O pronome aquele e suas variantes são utilizados 
para indicar tempo passado distante em relação ao 
momento em que se fala.
Exemplo: Naquela época ainda havia telefones 
de rua, chamados de orelhões. / Aquelas praças 
costumavam ser seguras. 
Relações Sintáticas
 § O pronome este e suas variantes são utilizados para 
anunciar/adiantar o que será dito na sequência frasal 
ou para remeter a um termo imediatamente anterior 
(recém-mencionado).
Exemplo (anunciando informação): O maior 
problema está neste relatório: ele não dá conta 
de explicar todos os problemas.
Exemplo (retomando termo recente): Não 
sei se eu adquiro uma moto ou um carro. Acho que 
este (último = carro) é um pouco mais seguro. 
 § O pronome esse e suas variantes são utilizados 
para retomar um termo, uma ideia ou uma oração 
já mencionados.
Exemplo: Duas vezes por ano, o Sol atinge sua 
maior declinação em latitude. Esse fenômeno é 
conhecido como solstício. 
 § O pronome aquele e suas variantes são utilizados para 
retomar um termo mais distante entre dois apresenta-
dos em uma sentença (em geral, ele é trabalhado em 
conjunto com o pronome este, que retomará o item 
mais próximo).
Exemplo: Na empresa há dois funcionários que 
se destacam: Pedro e Rogério. Este pela sua or-
ganização, e aquele pela sua eficiência.
pronomes indefinidos
Os pronomes indefinidos fazem referência à 3a pessoa do dis-
curso, dando-lhe caráter indeterminado, vago ou impreciso.
Exemplo: Alguém quebrou os copos da cristaleira.
Nota-se que o termo alguém refere-se a uma terceira pes-
soa (de quem se fala), mas não é possível atribuir identi-
dade a essa pessoa, pois a informação é vaga e imprecisa.
pronomes relativos
Pronomes relativos são aqueles que se referem a nomes 
anteriormente mencionados (antecedentes), estabelecen-
do com eles relação.
Exemplo: A escola tem um calendário que pos-
sui muitos feriados. 
No exemplo apresentado, o pronome “que” recupera o subs-
tantivo calendário (o antecedente).
Observação 1: Os pronomes que, o qual, os quais, a qual 
e as quais são equivalentes; no entanto, o pronome que é 
invariável, cabendo em qualquer circunstância, enquanto os 
demais necessitam de um substantivo já determinado.
Exemplo: Esta é a garota com a qual conversei.
Observação 2: Para evitar ambiguidades e outros pro-
blemas de sentido, o pronome relativo onde deve ser uti-
lizado para recuperar lugares físicos/localidades (regiões, 
cidades, ambientes, etc.).
Exemplo: Este é o armazém onde estocamos 
os produtos.
Observação 3: O pronome relativo cujo não realiza a recu-
peração de um antecedente, mas aponta para uma relação 
de posse com o consequente.
PRONOMES RELATIVOS, INTERROGATIVOS E INDEFINIDOS
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Exemplo: A mulher cuja casa foi invadida já 
está em segurança.
Observação 4: O pronome quem faz referência a pesso-
as e ocorre sempre precedido de preposição.
Exemplo: Aquele é o sujeito a quem devo mui-
to dinheiro.
pronomes interrogativos
Os pronomes interrogativos são utilizados nas formulações 
de perguntas diretas ou indiretas. Fazem referência direta 
aos pronomes de 3ª pessoa. Os principais pronomes in-
terrogativos são que, quem, qual e quanto (e suas va-
riações). Entende-se como pergunta direta aquela em que 
o pronome interrogativo aparece no início do questiona-
mento (há sinal de interrogação no fim da pergunta). A 
pergunta indireta, por sua vez, é aquela em que o pronome 
interrogativo aparece em outra posição na frase, e não no 
início (não há sinal de interrogação). 
Pergunta direta Pergunta indireta
Quanto custou a 
reforma da casa?
Gostaria de saber quanto 
custou a reforma da casa.
U.T.I. - Sala
1. (FUVEST 2018) Leia o texto.
Um tema frequente em culturas variadas é o do desafio 
à ordem divina, a apropriação do fogo pelos mortais. 
Nos mitos gregos, Prometeu é quem rouba o fogo dos 
deuses. Diz Vernant que Prometeu representa no Olim-
po uma vozinha de contestação, espécie de movimento 
estudantil de maio de 1968. Zeus decide esconder dos 
homens o fogo, antes disponível para todos, mortais e 
imortais, na copa de certas árvores – os freixos – por-
que Prometeu tentara tapeá-lo numa repartição da car-
ne de um touro entre deuses e homens.
Na mitologia dos Yanomami, o dono do fogo era o jaca-
ré, que cuidadosamente o escondia dos outros, comen-
do taturanas assadas com sua mulher sapo, sem que 
ninguém soubesse. Ao resto do povo – animais que na-
quela época eram gente – eles só davam as taturanas 
cruas. O jacaré costumava esconder o fogo na boca. Os 
outros decidem fazer uma festa para fazê-lo rir e soltar 
as chamas. Todos fazem coisas engraçadas, mas o jacaré 
fica firme, no máximo dá um sorrisinho.
betty mIndlIn. o fogo e As chAmAs dos mItos. 
revIstA Estudos AvAnçAdos. AdAptAdo.
a) O emprego do diminutivo nas palavras “vozinha” 
e “sorrisinho”, consideradas no contexto, produz o 
mesmo efeito de sentido nos dois casos? Justifique.
b) Reescreva o trecho “Os outros decidem fazer uma 
festa para fazê-lo rir (...). Todos fazem coisas engra-
çadas”, substituindo o verbo “fazer” por sinônimos 
adequados ao contexto em duas de suas três ocor-
rências.
2. (UNICAMP 2018) Enquanto viveu em Portugal, o es-
critor Mário Prata reuniu centenas de vocábulos e ex-
pressões usados no português falado na Europa que 
são diferentes dos termos correspondentes usados no 
português do Brasil. Reproduzimos abaixo um dos ver-
betes de seu dicionário.
Descapotável 
É outra palavra que em português faz muito mais senti-
do do que em brasileiro. Não é mais claro dizer que um 
carro é descapotável, do que conversível?
márIo prAtA. dicionário dE português: schifAizfAvoirE. 
são pAulo: globo, 1993, p. 48.
a) Identifique os dois afixos que formam a palavra “des-
capotável” a partir do substantivo “capota” (cobertura 
de um automóvel) e explique a função de cada um.
b) Explique por que o autor considera, com certo humor, 
que a palavra “descapotável“ do português europeu faz 
mais sentido de que o termo “conversível”, usado no 
português brasileiro.
3. (UERJ 2018) MORTE E VIDA SEVERINA (AUTO DE NA-
TAL PERNAMBUCANO)
O retirante explica ao leitor quem é e a que vai
— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
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Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
neto, João cAbrAl de melo. MortE E vidA sEvErinA E outros 
poEMAs EM voz AltA. rIo de JAneIro: José olympIo, 1980.
O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia. (l. 2-3)
E se somos SEVERINOS
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte SEVERINA: (l. 40-43)
No poema, o autor lança mão da mudança de classe de 
palavras como recurso expressivo da criação poética.
a) Com base nisso, indique a classe gramatical das 
palavras sublinhadas, na ordem em que aparecem.
b) Em seguida, explique o sentido que o termo severi-
na assume na expressão “morte severina”, tendo em 
vista a representação que se faz do retirante.
4. (UERJ 2018) Ao oferecer-se para ajudar o cego, o ho-
mem que depois roubou o carro não tinha em mira, 
nesse momento preciso, qualquer intenção malévola, 
muito pelo contrário, o que ele fez não foi mais que 
obedecer àqueles sentimentos de generosidade e al-
truísmo que são, como toda a gente sabe, duas das 
melhores características do gênero humano, podendo 
ser encontradas até em criminosos bem mais empe-
dernidos do que este, simples 1ladrãozeco de auto-
móveis sem esperança de avanço na carreira, explo-
rado pelos verdadeiros donos do negócio, que esses 
é que se vão aproveitando das necessidades de quem 
é pobre. (...) Foi só quando já estava perto da casa do 
cego que a ideia se lhe apresentou com toda a natu-
ralidade (...). Os cépticos acerca da natureza humana, 
que são muitos e teimosos, vêm sustentando que se 
é certo que a ocasião nem sempre faz o ladrão, tam-
bém é certo que o ajuda muito. 2Quanto a nós, permi-
tir-nos-emos pensar que se o cego tivesse aceitado 
o segundo oferecimento do afinal falso samaritano, 
naquele derradeiro instante em que a bondade ainda 
poderia ter prevalecido, referimo-nos o oferecimento 
de lhe ficar a fazer companhia enquanto a mulher não 
chegasse, quem sabe se o efeito da responsabilidade 
moral resultante da confiança assim outorgada não 
teria inibido a tentação criminosa e feito vir ao de 
cima o que de luminoso e nobre sempre será possível 
encontrar mesmo nas almas mais perdidas.
sArAmAgo, José. EnsAio sobrE A cEguEirA. 
são pAulo: compAnhIA dAs letrAs, 1995. 
O narrador de Ensaio sobre a cegueira emite uma opi-
nião sobre o homem que roubou o carro ao chamá-lo de 
ladrãozeco (ref. 1).
a) Considerando os diferentes tipos de narrador, classi-
fique o do romance de José Saramago.
b) Em seguida, indique o processo de formação da pala-
vra ladrãozeco e aponte o morfema responsável pela 
avaliação depreciativa que se faz do ladrão.
5. (UNESP 2018) Leia o poema de Murilo Mendes 
(1901-1975).
O PASTOR PIANISTA
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Acompanhado pelas rosas migradoras
1Apascento os pianos: gritam
E transmitem o antigo clamor do homem
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Que reclamando a contemplação,
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
(As metAmorfoses, 2015)
1apascentar: vigiar no pasto; pastorear.
a) Explique por que se pode afirmar que o verso inicial 
desse poema opera uma perturbação ou quebra do 
discurso lógico.
b) Sem prejuízo para o sentido dos versos, que ex-
pressões poderiam substituir os termos “onde” 
(2º verso da 1ª estrofe) e “pelo” (4º verso da 3ª estro-
fe), respectivamente?
u.t.i. - e.o. 
1. (UNESP) A questão a seguir toma por base um poema 
de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
Fuga
De repente você resolve: fugir.
Não sabe para onde nem como
nem por quê (no fundo você sabe
a razão de fugir; nasce com a gente).
É preciso FUGIR.
Sem dinheiro sem roupa sem destino.
Esta noite mesmo. Quando os outros
estiverem dormindo.
Ir a pé, de pés nus.
Calçar botina era acordar os gritos
que dormem na textura do soalho1.
Levar pão e rosca; para o dia.
Comida sobra em árvores
infinitas, do outro lado do projeto:
um verdor
eterno, frutescente (deve ser).
Tem à beira da estrada, numa venda.
O dono viu passar muitos meninos
que tinham necessidade de fugir
e compreende.
Toda estrada, uma venda
para a fuga.
Fugir rumo da fuga
que não se sabe onde acaba
mas começa em você, ponta dos dedos.
Cabe pouco em duas algibeiras2
e você não tem mais do que duas.
Canivete, lenço, figurinhas
de que não vai se separar
(custou tanto a juntar).
As mãos devem ser livres
para pesos, trabalhos, onças
que virão.
Fugir agora ou nunca. Vão chorar,
vão esquecer você? ou vão lembrar-se?
(Lembrar é que é preciso,
compensa toda fuga.)
Ou vão amaldiçoá-lo, pais da Bíblia?
Você não vai saber. Você não volta nunca.
(Essa palavra nunca, deliciosa.)
Se irão sofrer, tanto melhor.
Você não volta nunca nunca nunca.
E será esta noite, meia-noite.
em ponto.
Você dormindo à meia-noite.
(menIno AntIgo, 1973)
1soalho: o mesmo que “assoalho”.
2algibeira: bolso de roupa. 
a) Identifique uma forma verbal e um substantivo que, 
bastante retomados ao longo do poema, ilustram seu 
tema.
b) Em seguida, valendo-se dessa informação, explique 
a oposição entre o último verso e o restante do poema. 
2. (UERJ) Inocência
Depois das explicações dadas ao seu hóspede, sentiu-se 
o mineiro mais despreocupado.
— Então, disse ele, se quiser, vamos já ver a nossa do-
entinha.
— Com muito gosto, concordou Cirino.
E, saindo da sala, acompanhou Pereira, que o fez passar 
por duas cercas e rodear a casa toda, antes de tomar a 
porta do fundo, fronteira a magnífico laranjal, naquela 
ocasião todo pontuado das brancas e olorosas flores.
1— Neste lugar, disse o mineiro apontando para o po-
mar, todos os dias se juntam tamanhos bandos de graú-
nas, que é um barulho dos meus pecados. Nocência gos-
ta muito disso e vem sempre coser debaixo do arvoredo. 
É uma menina esquisita...
Parando no limiar da porta, continuou com expansão:
2— Nem o Sr. imagina... Às vezes, aquela criança tem 
lembranças e perguntas que me fazem embatucar... Aqui, 
havia um livro de horas da minha defunta avó... Pois não 
é que 3um belo dia ela me pediu que lhe ensinasse a ler? 
... Que ideia! Ainda há pouco tempo me disse que qui-
sera ter nascido princesa... Eu lhe retruquei: E sabe você 
o que é ser princesa? Sei, me secundou ela com toda a 
clareza, é uma moça muito boa, muito bonita, que tem 
uma coroa de diamantes na cabeça, muitos lavrados no 
pescoço e que manda nos homens... Fiquei meio tonto. 
4E se o Sr. visse os modos que tem com os bichinhos?! ... 
Parece que está falando com eles e que os entende... (...) 
Quando Cirino penetrou no quarto da filha do mineiro,era quase noite, de maneira que, no primeiro olhar que 
atirou ao redor de si, só pôde lobrigar, além de diversos 
trastes de formas antiquadas, uma dessas camas, muito 
em uso no interior; altas e largas, feitas de tiras de couro 
engradadas. (...)
Mandara Pereira acender uma vela de sebo. Vinda a luz, 
aproximaram-se ambos do leito da enferma que, ache-
gando ao corpo e puxando para debaixo do queixo uma 
coberta de algodão de Minas, se encolheu toda, e vol-
tou-se para os que entravam.
— Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te 
de vez.
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— Boas noites, dona, saudou Cirino.
Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jo-
vem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo 
junto à cama e tomava o pulso à doente.
Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o 
rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço 
vermelho atado por trás da nuca.
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era 
Inocência de beleza deslumbrante.
Do seu rosto, irradiava singela expressão de encantado-
ra ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno 
que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a 
franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de proje-
tarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca peque-
na, e o queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, 
descera um nada a camisinha de crivo que vestia, dei-
xando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressal-
tava um ou outro sinal de nascença.
Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para 
sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar 
com o pulso de tão gentil cliente.
vIsconde de tAunAy. inocênciA. são pAulo: átIcA, 2011.
graúna – pássaro de plumagem negra, canto melodioso e hábi-
tos eminentemente sociais
livro de horas – livro de preces
secundou – respondeu
lavrados – na província de Mato Grosso, colares de contas de 
ouro e adornos de ouro e prata
lobrigar – enxergar
escabelo – assento
facultativo – médico 
— Neste lugar, disse o mineiro apontando para o pomar, 
todos os dias se juntam tamanhos bandos de graúnas, 
que é um barulho dos meus pecados. Nocência gosta 
muito disso e vem sempre coser debaixo do arvoredo. 
(ref. 1)
Nesta passagem, há duas palavras, de mesma classifica-
ção gramatical, empregadas pelo locutor para indicar a 
proximidade ou distância do elemento a que se referem.
a) Cite essas palavras e identifique sua classificação gra-
matical.
b) Transcreva o trecho em que uma dessas palavras se 
refere a uma informação presente no próprio texto.
3. (G1 CP2) ANTIGUIDADES (fragmento)
Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela com um 1testo de 2borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso. 
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância. 
Com atenção.
Seriamente. 
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. 3Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada...
E fatias iguais às outras 4manas.
E que ninguém pedisse mais!
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível. 
corA corAlInA. melhores poemAs. 2. ed. são pAulo: globAl, 2004.
1testo: camada;
2borralho: brasido coberto de cinzas; cinzas quentes, rescaldo;
3regrar: traçar linhas ou regras sobre;
4mana: irmã; 
Na terceira estrofe, o eu lírico caracteriza a si mesmo, 
quando criança, por meio de um adjetivo. 
a) Transcreva esse adjetivo. 
b) Copie o verso por meio do qual o eu lírico justifica 
essa sua característica. 
4. (G1 CP2) A POLÊMICA DA USINA DE BELO MONTE 
(fragmento)
A polêmica em torno da construção da usina de Belo 
Monte na Bacia do Rio Xingu, em sua parte paraense, 
já dura mais de 20 anos. Entre muitas idas e vindas, a 
hidrelétrica de Belo Monte, hoje considerada a maior 
obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 
do governo federal, vem sendo alvo de intensos deba-
tes na região, desde 2009, quando foi apresentado o 
novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) intensifican-
do-se a partir de fevereiro de 2010, quando o MMA 
[Ministério do Meio Ambiente] concedeu a licença am-
biental prévia para sua construção.
Os movimentos sociais e lideranças indígenas da re-
gião são contrários à obra porque consideram que os 
impactos socioambientais não estão suficientemente 
dimensionados. Em outubro de 2009, por exemplo, um 
painel de especialistas debruçou-se sobre o EIA e ques-
tionou os estudos e a viabilidade do empreendimento. 
Um mês antes, em setembro, diversas audiências pú-
blicas haviam sido realizadas sob uma saraivada de 
críticas, especialmente do Ministério Público Estadual, 
seguido pelos movimentos sociais, que apontava pro-
blemas em sua forma de realização.
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Ainda em outubro, a Funai [Fundação Nacional do Ín-
dio] liberou a obra sem saber exatamente que impactos 
causaria sobre os índios e lideranças indígenas kayapó 
enviaram carta ao Presidente Lula na qual diziam que, 
caso a obra fosse iniciada, haveria guerra. Para culmi-
nar, em fevereiro de 2010, o Ministério do Meio Am-
biente concedeu a licença ambiental, também sem 
esclarecer questões centrais em relação aos impactos 
socioambientais.
(...)
Exemplos infelizes como a construção das usinas hidrelé-
tricas de Tucuruí (PA) e Balbina (AM), as últimas constru-
ídas na Amazônia, nas décadas de 1970 e 1980, estão aí 
de prova. Desalojaram comunidades, inundaram enormes 
extensões de terra e destruíram a fauna e flora daquelas 
regiões. Balbina, a 146 quilômetros de Manaus, significou 
a inundação da reserva indígena Waimiri-Atroari, mortan-
dade de peixes, escassez de alimentos e fome para as po-
pulações locais. A contrapartida, que era o abastecimento 
de energia elétrica da população local, não foi cumprida. 
O desastre foi tal que, em 1989, o Instituto Nacional de 
Pesquisas da Amazônia (Inpa), depois de analisar a situ-
ação do Rio Uatumã, onde a hidrelétrica fora construí-
da, concluiu por sua morte biológica. Em Tucuruí não foi 
muito diferente. Quase dez mil famílias ficaram sem suas 
terras, entre indígenas e ribeirinhos. Diante desse quadro, 
em relação à Belo Monte, é preciso questionar a forma 
antidemocrática como o projeto vinha sendo conduzido, 
a relação custo-benefício da obra, o destino da energia a 
ser produzida e a inexistência de uma política energética 
para o país, que privilegie energias alternativas.
(...)
A persistência governamental em construir Belo Mon-
te está baseada numa sólida estratégia de argumentos 
dentro da lógica e vantagens comparativas da matriz 
energética brasileira. Os rios da margem direita do Ama-
zonas têm declividades propícias à geração de energia, e 
o Xingu se destaca, também, pela sua posição em relação 
às frentes de expansão econômica (predatória) da região 
central do país. O desenho de Belo Monte foi revisto e os 
impactos reduzidos em relação à proposta da década de 
80. O lago, por exemplo, inicialmente previsto para ter 
foi reduzido, depois do encontro, para Os socioambien-
talistas, entretanto, estão convencidos de que além dos 
impactos diretos e indiretos, Belo Monte é um cavalo de 
1troia, porque outras barragens virão depois, modifican-
do totalmente e para pior a vida na região.
fonte: <www.socIoAmbIentAl.org/esp/bm/Indez.
Asp>. Acesso em: 24 out. 2011.
1Cavalo de Troia – A lenda do Cavalo de Troia diz que os gre-
gos deram de presente aos troianos um grande cavalo de ma-
deira como sinal de que estavam desistindo da guerra. O cavalo, 
porém, escondia, em seu interior, soldados gregos, que, durante anoite, saíram e abriram os portões de Troia para o exército grego. 
Este invadiu e dominou a cidade. 
Para expressar seu pessimismo com as mudanças pro-
postas, o autor propõe uma equivalência entre o adjetivo 
econômica e um outro adjetivo. Que adjetivo é esse e de 
que maneira ele produz tal efeito?
TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Texto I – ETNIA (fragmento)
Somos todos juntos uma miscigenação 
E não podemos fugir da nossa etnia 
Todos juntos uma miscigenação 
E não podemos fugir da nossa etnia 
Índios, brancos, negros e mestiços 
Nada de errado em seus princípios 
O seu e o meu são iguais 
Corre nas veias sem parar 
Costumes, é folclore, é tradição 
Capoeira que rasga o chão 
Samba que sai da favela acabada 
É hip hop na minha embolada [...]
1Maracatu 2psicodélico 
Capoeira da pesada 
Bumba meu rádio 
3Berimbau elétrico 
Frevo, samba e cores 
Cores unidas e alegria 
Nada de errado em nossa etnia. 
lucIo mAIA e chIco scIence. 
In: <http://vAgAlume.com.br/ chIcoscIence-nAção-zumbI/etnIAhtml>. 
1 Maracatu: dança e música de origem africana, em que se 
executam passos e sapateados ao som de violas, flautas, cuícas, 
chocalhos, pandeiros etc.
2 Psicodélico: que remete a coisas muito coloridas. 
3 Berimbau: instrumento musical usado na capoeira. 
Texto II – Na Bélgica, presidenta destaca diversidade 
cultural brasileira
Na abertura do Festival 1Europalia, em Bruxelas, a presi-
denta Dilma Rousseff fez uma homenagem à diversidade 
cultural do Brasil, que estará presente em manifestações 
artísticas e culturais na capital da Bélgica. Segundo ela, 
são exposições desde a pré-colonização até a “vanguarda 
mais experimental em mais de 400 atividades envolven-
do as mais variadas linguagens artísticas e manifestações 
regionais do país”. 
Para a presidenta Dilma, a cultura é a expressão maior 
da alma de uma sociedade e, no momento em que o 
mundo precisa reaprender a importância do diálogo, o 
Brasil e a América do Sul têm a oferecer a capacidade 
de conviver em paz nessa diversidade. 
“A diversidade cultural do Brasil integra nossas raízes 
históricas. 2Somos um país mestiço, no qual migrantes 
de todas as regiões do mundo somam-se às três ma-
trizes onde surgiram o povo brasileiro: a indígena, a 
europeia e a africana. Eis uma mistura que nos orgu-
lha e define. 3Os brasileiros orgulham-se muito de seu 
patrimônio cultural e de suas tradições populares, mas 
também ousam reinventá-los e reinterpretá-los. Mos-
traremos aqui, na Europalia, 4um pouco dessa cultura 
viva em movimento permanente.” 
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5A presidenta avaliou ainda que o Festival Europalia 
poderá contribuir para que a Europa supere “os per-
calços do momento”. Além disso, acrescentou, “é mais 
um passo no aprofundamento do conhecimento mútuo, 
fundamental para a construção do mundo mais demo-
crático, aberto e plural que todos queremos”. 
dIsponível em: <blog.plAnAlto.gov.br>. Acesso em: 4 out. 2011.
1 Europalia: Festival Internacional de Cultura da Europa, que 
homenageia, este ano, o Brasil.
“SOMOS UM PAÍS MESTIÇO (...)” (TEXTO II, REF. 2) 
5. Que substantivo do texto I tem sentido semelhante ao 
do adjetivo do trecho acima?
6. (UERJ) AUTORRETRATO FALADO
Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda de bananas no Beco da 
Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do 
chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de 
estar entre pedras e lagartos.
Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me 
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei – pelo 
que fui salvo.
Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.
Não fui para a sarjeta porque herdei uma 
[fazenda de gado. Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral, porque só 
faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
mAnoel de bArros. poEsiA coMplEtA. são pAulo: leyA, 2010. 
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá--los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal ONDE sou abençoado a garças.
a) A palavra “onde”, destacada acima, remete a um ter-
mo anteriormente expresso. Transcreva esse termo.
b) Nomeie também a classe gramatical de “onde”, sub-
stitua-a por uma expressão equivalente e indique seu 
valor semântico.
7. (G1 CP2) A DEVASTAÇÃO, UMA HERANÇA PARA AS 
FUTURAS GERAÇÕES
Quando fecho os olhos à noite, onde quer que esteja, 
minha mente volta com frequência ao passado, à época 
em que o recém-construído Calypso flutuava sob o céu 
do Mediterrâneo. O barco foi meu lar durante a infân-
cia, embora nunca tivesse nele um local só para mim. Eu 
dormia num beliche diferente todas as noites, às vezes 
com minha mãe, às vezes com meu pai, e algumas ve-
zes dentro da gaveta da cômoda. O Calypso foi minha 
identidade infantil. 
Tive sorte: o barco de meu pai foi minha base, o come-
ço de meu futuro. À medida que o Calypso percorria os 
mares do mundo, ele passou a abarcar a filosofia de que 
a vida em nosso planeta é frágil, e sua beleza, embora 
aclamada, é perecível. 
Meu pai imbuiu em mim a convicção de que não somos 
donos dos recursos do mundo, apenas seus administra-
dores. Somos responsáveis pela proteção daquilo que 
legaremos a nossos sucessores. 
Hoje, tento viver por essa cartilha, mas em minhas 
viagens me dou conta de quão raramente os adultos 
pensam nas gerações futuras. No mundo inteiro, vemos 
pais que parecem pouco se importar com a condição do 
planeta que seus filhos herdarão. 
Poluímos os rios e mananciais que serão a fonte de água 
potável de nossos filhos, interferimos com a camada de 
ozônio, que protege nossos filhos contra os perigosos 
raios solares. Pusemos em andamento o que parece ser 
um perigoso aquecimento da Terra, ameaçando nossos 
filhos com a seca e a calamidade. As crianças por nas-
cer não podem se pronunciar, mas nem por isso somos 
menos responsáveis por gerações que não conhecemos. 
[...] 
Atentem para o caso, agora clássico, de Wezip Alolum, 
que tem que ver simplesmente com a lama. Alolum, ha-
bitante da aldeia Jobto, na província papua de Madang, 
era dono de terras com matas nas quais havia um poço 
de lama. Durante gerações sua família ganhou a vida 
trocando bolas de lama e potes de lodo barrento por ali-
mentos. O poço, sua herança, lhe fora confiado intacto 
por seus ancestrais. 
Um dia chegaram estrangeiros, que lhe pediam permis-
são para abater árvores nas terras de sua família. “Você 
não precisa mais de lama, agora que tem dinheiro”, dis-
seram. Alolum hesitou, mas finalmente concordou. 
Contudo, ele não percebera que a companhia pretendia 
abater ou queimar todas as árvores, não deixando nenhu-
ma para o replantio. Nunca lhe passara pela cabeça que a 
companhia trataria a terra sem o menor respeito por seu 
futuro. Não demorou para que todas as árvores desapare-
cessem e, com a resultante erosão, o poço de lama fosse 
afetado. 
Seu barro ficou arruinado, seco demais para ser utili-
zado. Pouco depois, o dinheiro de Alolum acabou. Sem 
lama, pela primeira vez na história de sua família ele 
estava pobre. 
Alolum procurou a companhia florestal, exigindo que 
o reembolsasse pela perda do poço, mas quem paga 
compensação por lama? No entanto para Wezip Alolum 
o poço de lama representava o capital herdado de seus 
antepassados. 
Ele fora dono e administrador, mas agora não tinha 
nada para deixar para seus filhos, e o ciclo de sua famí-
lia fora rompido. Alolum foi vítima da falta de visão ao 
trocar recursos por dinheiro. 
Mas o que dizer de nós? Ao desperdiçarmos recursos 
naturais não estamos nos comportando irresponsa-
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velmente em relação a nossos filhos? Quando perce-
berem que lhes legamos um sem-número de perigos 
ambientais,um inventário de recursos completamente 
exaurido, o que pensarão de nós, a despeito de nossa 
tendência a lhes comprar o que há de melhor ao nosso 
alcance?
O Calypso foi mais que um presente da infância. Ele 
continua sendo uma herança para mim, um lembrete de 
continuidade e o ideal de herança combinada com res-
ponsabilidade. Ele é um documento vivo, minha Consti-
tuição do amanhã. 
Talvez, se modificarmos nossos modos, uma Constitui-
ção global proteja um dia o ar, a água, as florestas e a 
vida selvagem – nossa herança natural – para futuras 
gerações. Nossos filhos talvez a escrevam. 
JeAn-mIchel cousteAu, em reportAgem publIcAdA no JornAl dA tArdE
Releia o seguinte trecho do texto:
“Meu pai imbuiu em mim a convicção de que não so-
mos donos dos recursos naturais do mundo, APENAS 
seus administradores.”
Reescreva-o, substituindo o termo sublinhado por outro 
que mantenha o mesmo sentido. 
8. (Fuvest) Leia a seguinte fala, extraída de uma peça 
teatral, e responda ao que se pede.
Odorico – Povo sucupirano! Agoramente já investido no 
cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirma-
ção, ratificação, a autenticação e, por que não dizer, a 
sagração do povo que me elegeu.
dIAs gomes. o bEM-AMAdo: fArsA sócio-político-pAtológicA EM 9 quAdros.
a) A linguagem utilizada por Odorico produz efeitos 
humorísticos. Aponte um exemplo que comprove essa 
afirmação. Justifique sua escolha.
b) O que leva Odorico a empregar a expressão ”por que 
não dizer”, para introduzir o substantivo ”sagração”? 
9. (UERJ) INFÂNCIA
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
1No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
— Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
2Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
cArlos drummond de AndrAde. poEsiA coMplEtA. 
rIo de JAneIro: novA AguIlAr, 2002. 
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos LONGES da senzala – e nunca se esqueceu 
(ref. 1)
Lá LONGE meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda. (ref. 2)
Classifique gramaticalmente as palavras sublinhadas e 
aponte a diferença de sentido entre elas.
10. (UNICAMP) UM CHAMADO JOÃO
João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
(...)
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
(...)
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.
cArlos drummond de AndrAde, em corrEio dA MAnhã, 
22/11/1967, publIcAdo em rosA, J.g. sAgArAnA. 
rIo de JAneIro: novA fronteIrA, 2001.
a) No título, ”chamado” sintetiza dois sentidos com 
que a palavra aparece no poema. Explique esses dois 
sentidos, indicando como estão presentes nas passa-
gens em que ”chamado” se encontra.
b) Na primeira estrofe do poema, ”fábula” é derivada 
em ”fabulista” e ”fabuloso”. Mostre de que modo a 
formação morfológica e a função sintática das três 
palavras contribuem para a formação da imagem de 
Guimarães Rosa.
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
ENTREENTRE
LETRASLETRAS
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INTERPRETAÇÃO 
DE TEXTOSLINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
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A teoria das funções da linguagem afirma que a lingua-
gem apresenta funções mais amplas do que simplesmen-
te as de caráter informativo. Nesse sentido, os sistemas 
comunicativos seriam pautados por seis funções da lin-
guagem, que seriam determinadas a partir de um “foco” 
(ou uma ênfase) que recai em pontos específicos da men-
sagem observada. As funções seriam as seguintes:
 § Emotiva ou expressiva: foco no emissor, locutor ou 
enunciador (a pessoa que fala ou escreve);
 § Apelativa ou conativa: foco no receptor ou interlo-
cutor (a pessoa para quem se fala ou escreve, ou, em 
algumas abordagens, aquele com quem se conversa);
 § Referencial ou denotativa: foco no contexto ou na 
referência de mundo (o assunto, situação ou objeto so-
bre o qual se fala);
 § Fática ou de contato: foco no canal de comunicação 
ou a partir da abertura de contato (físico ou psicológi-
co) com terceiros;
 § Poética: foco nos modos de elaboração da mensagem 
e do texto que a compõe;
 § Metaliguística: foco no código comunicativo (nas 
bases prévias de comunicação, sejam elas verbais ou 
não verbais).
A variação linguística é a diversificação dos sistemas de uma 
língua em relação às possibilidades de mudança de seus ele-
mentos (vocabulário, fonologia, morfologia, sintaxe).
Linguagem formal versus 
linguagem informal
a. Norma culta/padrão: é a denominação dada à varieda-
de linguística dos membros da classe social de maior prestí-
gio dentro da classe literária. 
Observação: não se trata da única forma correta.
b. Linguagem informal/popular: é a denominação dada 
à variedade linguística utilizada no cotidiano e que não exige 
a observância total da gramática. 
Língua falada versus língua escrita
a. Língua falada/oral: dispõe de um número incontável de 
recursos rítmicos e melódicos – entonação, pausas, ritmo, flu-
ência, gestos – porque, claro, o emissor (pessoa que fala ou 
transmite uma mensagem numa dada linguagem) está pre-
sente fisicamente. Algumas das características principais são:
 § frequência da ocorrência de repetições, hesitações e 
bordões de fala (“Pois, eu aaa... eu acho que... pronto, 
não sei...“, “Cara, o que é isso, cara?“);
 § frases curtas;
 § frases inacabadas, porque foram cortadas ou inter-
rompidas;
 § uso frequente da omissão de palavras;
Exemplo: Eu vou com minha mãe e com meu pai; em-
presta o seu caderno? 
 § formas contraídas; 
Exemplo: prof, med, refri, facul
 § afastamento das regras gramaticais;
Exemplo: Eu vi ele.
 § possibilidade de adequar o discurso de acordo com as 
reações dos ouvintes.
b. Língua escrita: recorre a sinais de pontuação e de 
acentuação para exprimir os recursos rítmicos e melódicos 
da oralidade:
 § uso de descrições ricas; 
 § obedece às regras gramaticais com maior rigor; 
 § sinais de pontuação e acentuação para transmitir a ex-
pressividade oral; 
 § frases longas, apesar de também poder usar frases curtas; 
 § uso de vocabulário mais amplo e cuidadoso; 
 § conectivos e estruturas sintáticas para garantir a coe-
são textual. 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
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Variação diatópica
Também conhecida como variação regional ou variação 
geográfica, ocorre quando a linguagem apresenta va-
riações de acordo com o espaço em que ela é operada. 
É por meio dessa variação que são estudados os so-
taques ou dialetos interioranos (como o dialeto caipira).
Variação diacrônica
Também conhecida como variação histórica, ocorre quan-
do a linguagem apresenta variações de acordo com o tem-
po em que ela é operada. Parte-se do pressuposto de que 
a linguagem é um sistema vivo e constantemente mutável.
Variação diastrática
Também conhecida como variação social, ocorre quando a 
linguagem apresenta variações por causa de dois fatores 
mais gerais: fatores socioeconômicos e uso de socioleto (na 
linguística, um socioleto é a variante de uma língua falada 
por um grupo social, uma classe social ou subcultura).
Variação diafásica
Também conhecida como variação situacional, ocorre quan-
do a linguagem apresenta variações de acordo com o con-
texto/situação em que elaé usada. É verificável quando um 
indivíduo, adaptado a um tipo de uso linguístico, é obrigado 
a fazer uma alteração momentânea em seu registro por cau-
sa de uma situação de mundo específica. 
Variação diamésica
Ocorre quando a linguagem apresenta variações de acordo 
com os diferentes “meios” em que ela é usada, entenden-
do esses “meios” como espaços de uso oral da linguagem 
(fala) e uso escrito. 
Preconceito linguístico
Denomina-se preconceito linguístico aquele gerado 
pelas diferenças linguísticas existentes dentro de um mes-
mo idioma. Ele está associado a diferenças de base lin-
guística, especialmente as regionais (envolvendo dialetos, 
socioletos, regionalismos, gírias e sotaques). Também é ge-
rado em menor grau pelos outros tipos de variação.
O preconceito linguístico tem sido muito praticado na atu-
alidade (de modo voluntário e involuntário), sendo forte 
marcador de exclusão social.
Não existe uma forma “certa“ ou “errada“ dos usos da 
língua e que o preconceito linguístico, gerado pela ideia 
de que existe uma única língua correta (baseada na gra-
mática normativa), colabora com a prática da exclusão 
social. No entanto, é necessário lembrar que a língua é 
mutável e vai se adaptando ao longo do tempo de acordo 
com as ações dos falantes.
Além disso, as regras da língua, determinada pela gramá-
tica normativa, não incluem expressões populares e varia-
ções linguísticas, como gírias, regionalismos, dialetos etc.
Figuras de som ou de harmonia
As figuras de som ou de harmonia são aquelas formadas 
a partir de parâmetros sonoros da língua. São divididas da 
seguinte forma:
1. Aliteração
2. Assonância
3. Paronomásia
4. Onomatopeia
Figuras de palavra
Também conhecidas como tropos (figuras em que ocorrem 
mudanças internas ou externas de significado), as figuras 
de palavra funcionam a partir da “realização de um em-
préstimo“ de uma determinada palavra ou expressão que, 
por uma aproximação de sentidos, funciona de maneira 
específica dentro de um contexto determinado. Observe a 
seguir as principais figuras de palavra do português:
1. Metáfora
2. Comparação ou símile
3. Catacrese
4. Metonímia
5. Antonomásia ou perífrase
6. Sinestesia
FIGURAS DE LINGUAGEM
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Figuras de sintaxe
O objetivo das figuras sintáticas é dar maior expressivida-
de ao significado geral de uma frase. As principais figuras 
sintáticas do português são as seguintes:
1. Hipérbato
2. Anáfora
3. Pleonasmo
4. Catáfora
5. Elipse
6. Zeugma
7. Silepse
8. Anacoluto
9. Polissíndeto
10. Assíndeto
11. Hipálage
Figuras de pensamento
As figuras de pensamento são formadas a partir do empre-
go de termos conotativos, contrariando a expectativa do 
ouvinte. As principais figuras de pensamento são:
1. Antítese
2. Paradoxo ou oximoro
3. Eufemismo
4. Ironia
5. Hipérbole
6. Prosopopeia ou personificação
7. Apóstrofe
8. Gradação
9. Quiasmo
10. Preterição
U.T.I. - Sala
1. (UFJF) Observe a charge abaixo:
Agora, responda:
a) Qual é a temática principal da charge acima?
b) Quais são os elementos verbais e não verbais utilizados na charge para construir o seu significado? Justifique sua 
resposta por menção direta a esses elementos. 
2. (G1 CP2) O SAL DA TERRA 
Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar...
Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da...
Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu és a nave nossa irmã
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Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...
Vamos precisar de todo o mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão 
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...
Deixa nascer o amor 
Deixa fluir o amor 
Deixa crescer o amor 
Deixa viver o amor
beto guedes e ronAldo bAstos. 
dIsponível em: <http://letrAs.terrA.com.br>. Acesso em: 05 dez. 2009. 
Na quinta estrofe do texto, o uso da linguagem colo-
quial é evidente. Reescreva o verso que exemplifica a 
afirmação, empregando o registro formal.
3. (PUC-RJ) No começo de seu “Mercury; Ou: O Mensa-
geiro Secreto e Rápido“ (1641), John Wilkins conta a 
seguinte história:
O quanto 1essa Arte de escrever pareceu estranha quan-
do da sua Invenção primeira é algo que podemos ima-
ginar pelos Americanos recém-descobertos, que ficaram 
espantados ao ver Homens conversarem com Livros, e 
não conseguiam acreditar que um Papel pudesse falar...
Há um relato excelente a esse Propósito, referente a 
um Escravo Índio; que, ao ser mandado por seu Senhor 
com uma Cesta de Figos e uma Carta, comeu durante o 
Percurso uma grande Parte de seu Carregamento, entre-
gando o Restante à Pessoa a quem se destinava; que, 
ao ler a Carta e não encontrando a Quantidade de Figos 
correspondente ao que se tinha dito, acusa o Escravo de 
comê-los, dizendo que a Carta afirmava aquilo contra 
ele. Mas o Índio (apesar dessa Prova) negou o Fato, acu-
sando o Papel de ser uma Testemunha falsa e mentirosa.
Depois disso, sendo mandado de novo com um Carrega-
mento semelhante e uma Carta expressando o Núme-
ro exato de Figos que deviam ser entregues, ele, mais 
uma vez, de acordo com sua Prática anterior, devorou 
uma grande Parte deles durante o Percurso; mas, antes 
de comer o primeiro (para evitar as Acusações que se 
seguiriam), pegou a Carta e a escondeu sob uma grande 
Pedra, assegurando-se de que, se ela não o visse comer 
os Figos, nunca poderia acusá-lo; mas, sendo agora acu-
sado com muito mais rigor do que antes, confessou a 
Falta, admirando a Divindade do Papel e, para o futuro, 
promete realmente toda a sua Fidelidade em cada Ta-
refa.
Poder-se-ia dizer que um texto, depois de separado de 
seu autor (assim como da intenção do autor) e das cir-
cunstâncias concretas de sua criação (e, consequente-
mente de seu referente intencionado), flutua (por assim 
dizer) no vácuo de um leque potencialmente infinito de 
interpretações possíveis. Wilkins poderia ter objetado 
que, no seu relato, o senhor tinha certeza de que a cesta 
mencionada na carta era a mesma levada pelo escravo, 
que o escravo que a levara era exatamente o mesmo a 
quem seu amigo dera a cesta, e que havia uma relação 
entre a expressão “30” escrita na carta e o número de 
figos contidos na cesta. Naturalmente, bastaria imagi-
nar que, ao longo do caminho, o escravo original fora 
assassinado e outra pessoa o substituíra, que os trinta 
figos originais tinham sido substituídos por outros figos, 
que a cesta foi levada a um destinatário diferente, que o 
novo destinatário não sabia de nenhum amigo ansioso 
por lhe mandar figos. Mesmo assim seria possível con-
cluir o que a carta estava dizendo? Entretanto, temos 
o direito de supor que a reação do novo destinatário 
seria algo do tipo: “Alguém, e Deus sabe quem, man-
dou-me uma quantidade de figos menor do que o nú-
mero mencionado na carta que os acompanha.” Vamos 
supor agora que não apenas o mensageiro tivesse sido 
morto, como também que seus assassinos tivessem co-
mido todos os figos, destruído a cesta, colocado a carta 
numa garrafa e a tivessem jogado no oceano, de modo 
que fosse encontrada setenta anos depois por Robinson 
Crusoé. Não havia cesta, nem escravo, nem figos, só uma 
carta. Apesar disso, aposto que a primeira reação de Ro-
binson Crusoé teria sido: “Onde estão os figos?”
AdAptAdo de: eco, umberto. intErprEtAção E supErintErprEtAção. 
são pAulo: mArtIns fontes, 2001, p. 47-49.
a) Explique como se ilustra no Texto a relação entre 
a interpretação de um textoe as circunstâncias de 
sua leitura.
b) Umberto Eco imagina contextos alternativos para 
a circulação da carta mencionada por John Wilkins. 
Explicite o conteúdo que se mantém inalterado nos 
diferentes contextos imaginados. 
4. (UFSC) Leia as citações a seguir e responda à questão 
proposta.
“Mas muito lhe será perdoado, à TV, pela sua ajuda aos 
doentes, aos velhos, aos solitários.“
brAgA, rubem. 200 crônicAs EscolhidAs. rIo de 
JAneIro/são pAulo: record, 2004, p. 486.
“Sinhô e Sinhá num mêis ou dois mêis se há de casá!“
lImA, Jorge de. novos poEMAs. rIo de JAneIro: 
lAcerdA edItores, 1997, p. 3.
“... eu osvi falá que os bugre ero uns bicho brabo...“
cAscAes, frAnklIn. o fAntástico nA ilhA dE sAntA cAtArinA. 
florIAnópolIs: edItorA dA ufsc, 2004, p. 27.
“... morreu segunda que passou de uma anemia nos 
rim...“
mAchAdo de AssIs. brás, bExigA E bArrA fundA. 
são pAulo: mArtIn clAret, 2004, p. 55.
Levando em conta as diferentes formas linguísticas 
utilizadas pelos autores na composição de suas obras, 
comente sobre a linguagem usada como recurso na 
construção dos textos. Para tanto, considere as duas pro-
posições a seguir:
a) variação linguística versus erro linguístico;
b) funções da linguagem na literatura. 
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5. (UERJ) COPLAS1
I
O GERENTE - Este hotel está na berra2!
Coisa é muito natural!
Jamais houve nesta terra
Um hotel assim mais tal!
Toda a gente, meus senhores,
Toda a gente ao vê-lo diz:
Que os não há superiores
Na cidade de Paris!
Que belo hotel excepcional
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO – Que belo hotel excepcional etc...
II
O GERENTE – Nesta casa não é raro
Protestar algum freguês:
Acha bom, mas acha caro
Quando chega o fim do mês.
Por ser bom precisamente,
Se o freguês é do bom-tom
Vai dizendo a toda a gente
Que isto é caro mas é bom.
Que belo hotel excepcional!
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO – Que belo hotel excepcional etc...
O GERENTE (Aos criados) – Vamos! Vamos! Aviem-se! To-
mem as malas e encaminhem estes senhores! Mexam-
-se! Mexam-se!... (Vozerio. Os hóspedes pedem quarto, 
banhos etc... Os criados respondem. Tomam as malas, 
saem todos, uns pela escadaria, outros pela direita.)
CENA II
O GERENTE, depois, FIGUEIREDO
O GERENTE (Só.) – Não há mãos a medir! Pudera! Se 
nunca houve no Rio de Janeiro um Hotel assim! Serviço 
elétrico de primeira ordem! Cozinha esplêndida, música 
de câmara durante as refeições da mesa redonda! Um 
relógio pneumático em cada aposento! Banhos frios 
e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e mas-
sagem! Grande salão com um plafond3 pintado pelos 
nossos primeiros artistas! Enfim, uma verdadeira novi-
dade! – Antes de nos estabelecermos aqui, era uma ver-
gonha! Havia hotéis em S. Paulo superiores aos melho-
res do Rio de Janeiro! Mas em boa hora foi organizada a 
Companhia do Grande Hotel da Capital Federal, que do-
tou esta cidade com um melhoramento tão reclamado! 
E o caso é que a empresa está dando ótimos dividendos 
e as ações andam por empenhos! (Figueiredo aparece 
no topo da escada e começa a descer.) Ali vem o Figuei-
redo. Aquele é o verdadeiro tipo do carioca: nunca está 
satisfeito. Aposto que vem fazer alguma reclamação. 
Azevedo, Arthur. A cApitAl fEdErAl. rIo de JAneIro: 
servIço nAcIonAl de teAtro, 1972.
1espécie de estrofe
2estar na moda
3teto 
O texto faz parte de uma peça de teatro, forma de ex-
pressão que se destacou na captação das imagens de um 
Rio de Janeiro que se modernizava no início do século XX.
a) Aponte o gênero de composição em que se enquadra 
esse texto e um aspecto característico desse gênero.
b) A fala do gerente revela atitudes distintas, quando se 
dirige aos criados e quando está só. Identifique o modo 
verbal e a função da linguagem predominantes na fala 
dirigida aos criados.
U.T.I. - E.O.
1. (UNESP 2018) Para responder à questão, leia o soneto 
de Raimundo Correia (1859-1911).
Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de ouro e de púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...
Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...
Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...
A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.
a) Transcreva da primeira estrofe um exemplo de per-
sonificação. Justifique sua resposta.
b) Cite duas características que permitem filiar esse 
soneto à estética parnasiana. 
2. (UERJ 2018) MORTE E VIDA SEVERINA (AUTO DE NA-
TAL PERNAMBUCANO)
01 O retirante explica ao leitor quem é e a que vai.
02 — O meu nome é Severino,
03 não tenho outro de pia.
04 Como há muitos Severinos,
05 que é santo de romaria,
06 deram então de me chamar
07 Severino de Maria;
08 como há muitos Severinos
09 com mães chamadas Maria,
10 fiquei sendo o da Maria
11 do finado Zacarias.
12 Mas isso ainda diz pouco:
13 há muitos na freguesia,
14 por causa de um coronel
15 que se chamou Zacarias
16 e que foi o mais antigo
17 senhor desta sesmaria.
18 Como então dizer quem fala
20 ora a Vossas Senhorias?
21 Vejamos: é o Severino
22 da Maria do Zacarias,
22 lá da serra da Costela,
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23 limites da Paraíba.
24 Mas isso ainda diz pouco:
25 se ao menos mais cinco havia
26 com nome de Severino
27 filhos de tantas Marias
28 mulheres de outros tantos,
29 já finados, Zacarias,
30 vivendo na mesma serra
31 magra e ossuda em que eu vivia.
32 Somos muitos Severinos
33 iguais em tudo na vida:
34 na mesma cabeça grande
35 que a custo é que se equilibra,
36 no mesmo ventre crescido
37 sobre as mesmas pernas finas,
38 e iguais também porque o sangue
39 que usamos tem pouca tinta.
40 E se somos Severinos
41 iguais em tudo na vida,
42 morremos de morte igual,
43 mesma morte severina:
44 que é a morte de que se morre
45 de velhice antes dos trinta,
46 de emboscada antes dos vinte,
47 de fome um pouco por dia
48 (de fraqueza e de doença
49 é que a morte severina
50 ataca em qualquer idade,
51 e até gente não nascida).
João cAbrAl de melo neto. MortE E vidA sEvErinA E outros 
poEMAs EM voz AltA. rIo de JAneIro: José olympIo, 1980.
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia. (l. 30-31)
a) Na descrição da serra, observa-se o emprego de 
uma figura de linguagem. Nomeie essa figura.
b) Indique, ainda, a relação estabelecida entre a per-
sonagem e o ambiente, a partir do efeito produzido 
por essa descrição.
3. (UFJF-PISM 1) SOMBRAS MIÚDAS
A história de Ivanildo é que ele simplesmente não tem 
história. Morador de rua, virou notícia porque teve corpo 
queimado por gasolina e faleceu na última terça-feira 
(27), e é só, mais nada.
O assassino, conforme as investigações policiais, era ou-
tro morador de rua, e o crime, vejam vocês a ironia da 
miséria humana, foi motivado por conquista de territó-
rio. Dizem que precisavam de mais espaço para viverem 
na rua.
Pois é, as calçadas! Há pessoas em guerra pelas calçadas 
frias da cidade de São Paulo. Não conheci Ivanildo nem 
o seu algoz piromaníaco, mas tenho uma vaga ideia de 
quem sejam os infelizes. Já os vi queimando na retina dos 
meus olhos, numa dessas noites geladas e indignas, em 
suas casas de papelão que se movem como fantasmas 
pela nossa imaginação.
Ivanildo não devia ter documentos, tampouco identida-
de. Indigente, deve ter sido enterrado com seus trapos 
numa vala qualquer, de um cemitério qualquer, que é o 
lugar certo para qualquer um de nós, miserável ou não.
Outro dia vi um Ivanildo fuçando uma lata de lixo à pro-
cura de comida que sobra dos nossos pratos, mas o dono 
da lanchonete apareceu para expulsá-lo com um cabo 
de vassoura.
Fiquei com a impressão de que mendigos trazem má sor-
te para o comércio, e que restos de comida não são para 
restos de pessoas.
“Nós, os filhosde Deus, privatizamos até as migalhas”.
Tenho a impressão que os únicos que gostam dos mora-
dores de rua são os cachorros. Aliás, de raça ou não, não 
conheço nenhum cachorro que não tenha um mendigo 
pra cuidar.
Moradores de rua são uma espécie rara de seres huma-
nos: Eles não têm dentes, eles não cortam os cabelos, 
eles não tomam banho, pedem-nos esmolas, dormem 
no nosso caminho de casa, e nós, a não ser que peguem 
fogo, simplesmente não os vemos.
É difícil vê-los. Somos cristãos demais para enxergá-los. E 
tem mais, dizem que são invisíveis a olho nu.
Mas não são, suas sombras miúdas se arrastam em nos-
sas orações, para o deleite da nossa hipocrisia. Fingir que 
gostamos de deus é a melhor forma de agradar o diabo.
Um ser humano pegando fogo na calçada e os nossos 
joelhos doendo de tanto rezar pela nossa felicidade ma-
terial...
Deus sabe o que faz, a gente não. Devia ser o contrário.
Se dependesse de mim, a humanidade (?) já tinha pega-
do fogo há muito tempo. Um por um.
vAz, sérgIo. litErAturA, pão E poEsiA: históriAs dE uM povo 
lindo E intEligEntE. são pAulo: globAl, 2011. p. 67-68. 
Segundo o Dicionário Houaiss, ironia é “figura por meio 
da qual se diz o contrário do que se quer dar a entender“ 
(2001, p. 1651). Localize no texto de Sérgio Vaz dois casos 
em que se emprega a ironia e explique a utilização delas. 
4. (UNESP 2018) Leia o poema de Murilo Mendes 
(1901-1975) para responder à questão.
O PASTOR PIANISTA
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Acompanhado pelas rosas migradoras
Apascento1 os pianos: gritam
E transmitem o antigo clamor do homem
Que reclamando a contemplação,
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
(As metAmorfoses, 2015.)
1apascentar: vigiar no pasto; pastorear.
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a) Na segunda estrofe, verifica-se a personificação 
dos pianos. Que outro elemento também é personifi-
cado nessa estrofe? Justifique sua resposta.
b) Quem é o sujeito do verbo “comunica-se” (3ª es-
trofe)? Justifique sua resposta. 
5. (UNESP) A questão focaliza um trecho de um poema 
de 1869 do poeta romântico português Guilherme Bra-
ga (1845-1874) e uma marcha de carnaval de Wilson 
Batista (1913-1968) e Roberto Martins (1909-1992), 
gravada em 1948.
EM DEZEMBROWW
Olhai: naquele operário
Tudo é força, ânimo e vida; 
Se o trabalho é o seu calvário
Sobe-o de cabeça erguida.
Deus deu-lhe um anjo na esposa,
E as filhas são tão pequenas
Que delas a mais idosa
Conta dez anos apenas.
Tem cinco, e todas tão belas
Que, ao ver-lhes a alegre infância,
Julga estar vendo as estrelas
E o céu a menos distância;
Por isso, quando o trabalho
Lhe fatiga as mãos calosas,
Tem no suor o fresco orvalho
Que dá seiva àquelas rosas,
[...]
Depois, da ceia ao convite,
Toda a família o rodeia
À mesa, aonde o apetite
Faz soberba a humilde ceia.
[...]
No entanto, como a existência
Não tem em si nada estável,
Num dia de decadência
Este obreiro infatigável,
Por ter gasto a noite inteira
Na luta, cede ao cansaço,
E cai da máquina à beira,
E a roda esmaga-lhe um braço...
Ai! o infortúnio é severo!
Bastou por tanto um só dia
Para entrar o desespero
Donde fugiu a alegria!
Empenha em vão tudo, a esmo,
Pouco dinheiro lhe fica,
E não lhe cobre esse mesmo
As despesas da botica.
Pobre mãe, pobres crianças!
Já, de momento em momento,
Vão minguando as esperanças,
Vai crescendo o sofrimento;
(herAs e vIoletAs, 1869)
PEDREIRO WALDEMAR
Você conhece
O pedreiro Waldemar?
Não conhece?
Mas eu vou lhe apresentar
De madrugada
Toma o trem da Circular
Faz tanta casa
E não tem casa pra morar
Leva a marmita
Embrulhada no jornal
Se tem almoço,
Nem sempre tem jantar
O Waldemar,
Que é mestre no ofício
Constrói um edifício
E depois não pode entrar.
(roberto lApIccIrellA (org.). 
“AntologIA musIcAl populAr brAsIleIrA”, 1996.) 
Explique o caráter metafórico do emprego da palavra 
rosas na quarta estrofe do trecho reproduzido do poe-
ma de Guilherme Braga.
LITERATURA
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
ENTREENTRE
LETRASLETRAS
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Prosa e poesia
Prosa e poesia são formas diferentes de comunicação lite-
rária. A prosa é mais referencial e se vale do uso do texto 
corrido organizado da esquerda para a direita no papel 
ocidental sem preocupação com a forma, apenas com o 
conteúdo e as linhas cheias. 
Já o poema está primordialmente preocupado com a for-
ma e adquire, no decorrer da história, várias estruturas a 
partir da lógica do verso, que é a linha do poema, e de 
um conjunto deles, denominado estrofe. Estão imersos 
num trabalho de ritmo e rimas que podem ou não seguir 
padrões de tamanho e convenção. Os termos “poesia”, 
“poética” e “poeta” derivam dos termos gregos poíesis, 
poiêtikê, poiêtês, que significam criar.
o que é gênero literário?
Gênero é o modo como se veicula a mensagem literária, 
o padrão a ser utilizado na composição artística. Há gran-
des diferenças entre o conteúdo e a forma dos textos. Um 
poema não se confunde com um conto, e um romance 
segue padrões bastante próprios em relação a uma peça 
de teatro, por exemplo.
Na Antiguidade Clássica, Aristóteles conceituou o con-
teúdo como elemento constitutivo da representação das 
paixões, das ações e do comportamento humano. A for-
ma desse conteúdo, a princípio aplicada apenas à poesia, 
compreende três gêneros: épico, lírico e dramático.
O gênero épico
Épico é derivado do grego épos que, entre outras coisas, 
significa palavra, verso, discurso. Esse gênero, também 
chamado de epopeia, nasceu com a Ilíada e a Odisseia, 
de Homero. Oriundas das tradições orais, as epopeias 
contam histórias que auxiliam os homens a entender a 
trajetória de seus povos. 
Narrados de maneira elevada e com vocabulário grandilo-
quente e solene, os assuntos históricos sofrem influência 
do imaginário e não se privam de recorrer à imaginação, 
bem como à mitologia. As epopeias são divididas em “clás-
sicas ou primárias” ou de “imitação ou secundárias”.
O gênero lírico
Esse gênero nasceu na Grécia antiga, cujos poemas eram 
acompanhados musicalmente pela lira. É o gênero centrado 
na expressão do “eu poético” ou “eu poemático” voz que 
fala no poema, não necessariamente correspondente à voz 
do autor.
Menos grandiosos que os da epopeia, seus temas dizem 
respeito ao mundo interior do eu lírico, aos sentimentos, 
ao individualismo, às relações consigo mesmo. Pronomes 
e verbos vêm normalmente na primeira pessoa do singu-
lar e predominam emoções, rimas, ritmo, sonoridade das 
palavras, metáforas, repetições, entre outras figuras de lin-
guagem que trazem aos versos musicalidade e suavidade.
O gênero lírico é subdividido em: soneto, elegia, ode, madri-
gal, écloga etc. São formas poéticas mais afeitas ao gênero 
lírico.
Natureza das rimas
 § Ricas – entre palavras de classes gramaticais diferentes:
Cristina e ensina
 § Pobres – entre palavras de mesma classe gramatical:
Precisava esconder sua afeição...
Na Idade Média, uma imortal paixão
 § Toantes – entre sons vocálicos repetidos:
hora e bola; saltava e mata
 § Aliterantes – entre sons consonantais idênticos 
ou semelhantes:
vozes, veladas, veludosas, vozes
vagam nos velhos vórtices velozes
 § Consoantes – entre sons e letras repetidos:
terra e serra;
amoníaco e zodíaco;
 rutilância e infância
 § Esdrúxulas – entre palavras proparoxítonas:
É um flamejador, dardânico
uma explosão de rápidas ideias,
que com um mar de estranhas odisseias
saem-lhe do crânio escultural, titânico!...
(cruz e sousA) 
 § Agudas – entre palavras oxítonas:
dó e só; fez e vez; ti e vi
 § Preciosas – entre palavras combinadas:
múmia e resume-a; résteae veste-a;
águia e alague-a; estrela e vê-la
 § Versos brancos – verso sem rimas.
FUNDAMENTOS PARA ESTUDO LITERÁRIO: ARTE E TÉCNICA
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Classificação das rimas
 § Monossílabos: uma sílaba.
 § Dissílabos: duas sílabas.
 § Trissílabos: três sílabas.
 § Tetrassílabos: quatro sílabas.
 § Pentassílabos: cinco sílabas ou redondilha menor.
 § Hexassílabos: seis sílabas.
 § Heptassílabos: sete sílabas ou redondilha maior.
 § Octossílabos: oito sílabas.
 § Eneassílabos: nove sílabas.
 § Decassílabos: dez sílabas.
 § Hendecassílabos: onze sílabas.
 § Dodecassílabos: doze sílabas ou alexandrino.
 § Verso bárbaro: mais de doze sílabas.
Classificação dos versos
 § Monossílabos – uma única sílaba.
 § Dissílabos – duas sílabas.
 § Trissílabos – três sílabas.
 § Tetrassílabos – quatro sílabas. 
 § Pentassílabos ou redondilha menor – cinco sílabas
 § Hexassílabos – seis sílabas. 
 § Heptassílabos ou redondilha maior – sete sílabas.
 § Octossílabos – oito sílabas.
 § Eneassílabos – nove sílabas.
 § Decassílabos ou Medida Nova – dez sílabas.
 § Hendecassílabos – onze sílabas.
 § Dodecassílabos ou Alexandrinos – doze sílabas.
 § Bárbaros – mais de doze sílabas.
O gênero dramático
A característica e a finalidade primordiais do gênero dramático 
(do grego drân: agir) é ser levado à representação, à “ação”.
Compreende o gênero teatral, cuja encenação, no entanto, 
escapa à alçada da literatura propriamente. O eu poético 
relaciona-se com um tu/vós, segunda pessoa do discurso, 
a plateia. O texto dramático pressupõe essa plateia, que o 
vivencia e tem probabilidade de fruir emoções mediante a 
representação do texto.
Caracterizam o gênero dramático a ausência de narrador, 
o discurso direto – estrutura dialogada – e as rubricas – 
instruções que sinalizam ao diretor e aos atores a postura 
no palco, o tom de voz etc.
Em vez do narrador, o texto dramático conta a história pre-
tendida por meio do diálogo entre os personagens, que 
estabelecem com o público uma relação direta, a fim de 
comprometê-lo emocionalmente com a história contada e 
com os personagens dela. O termo teatro deriva do grego 
théatron, que significa “ver”, “contemplar”.
Esse gênero subdivide-se em tragédia, comédia, drama, 
auto e farsa.
O gênero narrativo
Oriunda do gênero épico, a narrativa organiza uma história 
levando em consideração aspectos primordiais de sua es-
trutura: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.
Os gêneros narrativos apresentam-se como:
 § Conto
Narrativa curta centrada em um único acontecimento. Apre-
senta uma ação que se encaminha para uma tensão (clí-
max) entre personagens, delimitados num tempo e espaço 
reduzidos. Exemplos: Amor, de Clarice Lispector; O menino 
do boné cinzento, de Murilo Rubião; e A causa secreta, de 
Machado de Assis.
 § Novela
Narrativa situada entre a brevidade do conto e a longevi-
dade do romance. Exemplos: A hora e a vez de Augusto 
Matraga, de Guimarães Rosa; e Os crimes da rua Morgue, 
de Edgar Allan Poe.
 § Crônica
Narrativa breve baseada na vida cotidiana, delimitada por 
tempo cronológico curto, em linguagem coloquial e leve to-
que de humor e crítica. Exemplos: Comédias da vida priva-
da – 101 crônicas escolhidas, de Luís Fernando Veríssimo.
 § Romance
Narrativa longa que discorre sobre um grande conflito cen-
tral que dá origem a outros secundários, compreendendo 
vários personagens em constante conflito psicológico, envol-
vidos pela trama que caminha para um clímax. Exemplos: 
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa; São Bernardo, 
de Graciliano Ramos; e O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien.
 § Anedota
Relato de um acontecimento curioso ou engraçado. Como o 
provérbio, a anedota, além da tradição oral, vem inserida em 
textos literários. Exemplos: O asno de ouro, do escritor latino 
Apuleio, é uma constelação de pequenas aventuras picantes.
 § Apólogo
Historinha entre objetos inanimados com moral implícita 
ou explícita. Um apólogo, de Machado de Assis, trata da 
conversa entre uma agulha e uma linha que discutem so-
bre a importância delas. Observe o último parágrafo em 
que está implícita a moral:
“Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, 
de cabeça grande e não menor experiência, murmurou 
à pobre agulha:
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– Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para 
ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na 
caixinha de costura. Faze como eu, que não abro cami-
nho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que 
me disse, abanando a cabeça:
– Também eu tenho servido de agulha a muita linha 
ordinária!”
 § Fábula
Difere do apólogo, uma vez que seus personagens são ani-
mais. Esse gênero teve ilustres cultores na literatura ociden-
tal, como Esopo, Fedro e La Fontaine, cujas fábulas estão 
reunidas em doze livros.
Contexto
 § Idade Média (século XII–XIV).
 § Formação dos países europeus e de suas línguas.
 § Reconhecimento do reino de Portugal, no ano de 1179.
 § Feudalismo.
 § Teocentrismo (Deus como centro do Universo / motivo 
de tudo).
 § Sociedade com estamentos estáticos: o clero (os padres 
= homens de oração), a nobreza e a cavalaria (poder 
mundano e defesa militar) e os servos (o povo = tra-
balhadores).
O código do amor cortês
Os termos que definiam as relações feudais foram trans-
postos para as cantigas, caracterizando a linguagem do 
Trovadorismo: a mulher era a senhora, o homem era o seu 
servidor. Eram muito prezadas a generosidade, a lealdade 
e, acima de tudo, a cortesia.
As cantigas de amor do Trovadorismo desenvolvem um mes-
mo tema: o sofrimento provocado pelo amor não correspon-
dido – a “coita de amor”. Como o princípio do amor cortês é 
a idealização da dama pelo trovador, os textos não manifes-
tam a expectativa de correspondência amorosa.
As cantigas satíricas passeiam por muitos temas, sempre 
expressando um olhar crítico sobre a conduta de nobres, 
homens e mulheres, nas esferas individual e social. É bas-
tante comum os trovadores ridicularizarem um nobre que 
se envolve com uma serviçal ou que não percebe a trai-
ção da esposa.
tipos de Cantiga
As cantigas trovadorescas são divididas em dois grupos: 
as líricas, que falam de sentimento e são subdivididas em 
cantigas de amor e cantigas de amigo; e as cantigas 
satíricas, intencionalmente críticas e cômicas, também 
subdivididas em cantigas de escárnio e de cantigas 
de maldizer.
Líricas
A poesia lírica diz respeito à lira, instrumento musical da 
Antiguidade clássica que acompanhava as canções expres-
sando sentimentos.
cantigas de amor cantigas de amigo
eu-lírico masculino, pobre eu-lírico feminino, pobre
amor impossível saudade
poucos refrãos muitos refrãos
ausência de paralelismo paralelismo
linguagem refinada (amor cortês) linguagem popular
submissão à dama
“mulher idealizada” 
(vassalagem amorosa)
grau de igualdade
“mulher atrevida”
coita d’amor amor correspondido
origem em Provença, sul da França península Ibérica (galega)
Satíricas
As cantigas satíricas fazem críticas ao comportamento das 
pessoas em suas ações sociais e usam o humor e o vocabu-
lário chulo para denunciar alguns nobres e damas. 
Além disso, a sátira se estende a instituições sociais, censu-
rando os males da sociedade ou dos indivíduos, quase tudo 
com tom sarcástico, irônico e obsceno. 
Cantigas de escárnio Cantigas de maldizer
Crítica sutil Crítica direta
Linguagem ambígua e velada Linguagem direta e clara
Vocabulário comedido Vocabulário agressivo
TROVADORISMO E HUMANISMO
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três CanCioneiros
Os cancioneiros são manuscritos, coletâneas de cantigas 
com características variadas e escritas por diversos autores.
Os mais importantes são os três cancioneiros que concen-
tram boa parte da produção conhecida dos séculos XII,XIII e 
XIV: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Biblioteca Nacio-
nal e Cancioneiro da Vaticana.
as novelas de Cavalaria
As novelas de cavalaria são os primeiros romances, 
ou seja, longas narrativas em verso, surgidas no século 
XII. Elas contam as aventuras vividas pelos cavaleiros an-
dantes e tiveram origem com o declínio do prestígio da 
poesia dos trovadores.
Estão organizadas em três ciclos, de acordo com o tema 
que desenvolvem e com o tipo de herói que apresentam:
 § Ciclo clássico: novelas que narram a guerra de Troia 
e as aventuras de Alexandre, o Grande. O ciclo recebe 
essa denominação porque seus heróis vêm do mundo 
clássico mediterrâneo.
 § Ciclo arturiano ou bretão: histórias envolvendo o rei 
Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda. Nessas nove-
las, podem ser identificados vários núcleos temáticos: a 
história de Percival, a história de Tristão e Isolda, as aven-
turas dos cavaleiros da corte do rei Arthur e a demanda 
do Santo Graal.
 § Ciclo carolíngio ou francês: histórias sobre o rei 
Carlos Magno e os Doze Pares de França.
Humanismo
Contexto
 § Século XV – fim da Idade Média.
 § Grandes navegações.
 § Desenvolvimento das cidades e do comércio.
 § Burguesia.
 § Período de transição dos valores medievais para os va-
lores do Renascimento, ou seja, do teocentrismo para o 
antropocentrismo.
 § Valorização da cultura.
Produção literária
 § Crônicas – histórias curtas sobre o cotidiano dos no-
bres que queriam registrar seus grandes feitos. O mais 
famoso cronista de Portugal foi Fernão Lopes, nome-
ado cronista-mor da Torre do Tombo, por D. Duarte.
 § Poesia palaciana – poemas compostos em redondi-
lhas, sem o acompanhamento musical, e impres-
sos, feitos para declamação dentro dos palácios; além 
de tratar da vida da corte, retomavam os temas das 
cantigas trovadorescas, porém com preocupação técni-
ca e novas formas poemáticas, como é o caso do Vilan-
cete, da Trova e da Esparsa. Toda a produção de poesia 
palaciana foi reunida num volume chamado Cancio-
neiro geral, organizado por Garcia de Resende.
 § Teatro – voltado para temas religiosos e didáticos, ou 
seja, feito para ensinar religião. Representava cenas bí-
blicas, vidas dos santos e mártires da Igreja. O teatro 
propriamente dito, com texto elaborado, inaugurou-se 
em Portugal com a obra de Gil Vicente, que mostrou 
peças cheias de sátira à sociedade, com temas tanto 
profanos, nas farsas, como religiosos, nos autos. Seu 
teatro desenvolveu essencialmente “tipos sociais”, isto 
é, personagens que representavam figuras que desen-
volviam papéis específicos na sociedade e apontavam 
os defeitos da personalidade humana. A sua crítica al-
cançou desde os mais pobres aos mais ricos ou mais 
graduados clérigos. Sua obra aponta o equilíbrio entre 
a razão e a emoção, que norteou a arte do século XV, 
considerando que ele alcançou o século XVI e viveu o 
início e o auge do Renascimento. Por isso, notam-se em 
sua obra valores teocêntricos e antropocêntricos.
RENASCIMENTO: CLASSICISMO E LUIS VAZ DE CAMÕES
ClassiCismo
Contexto
 § Renascimento – século XVI – resgate da Antiguida-
de clássica.
 § Crescimento do comércio e fortalecimento da burguesia.
 § Descobrimentos.
 § Antropocentrismo (homem como centro das preocu-
pações).
Produção artística
O classicismo seguiu os modelos da cultura greco-latina, 
uma vez que representavam o equilíbrio e a perfeição. 
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Nesse sentido, as características gerais do período fo-
ram o racionalismo, o universalismo, a perfeição formal, 
o resgate da mitologia clássica e o humanismo. 
A Itália foi onde essa tendência renascentista apareceu 
com mais intensidade, sendo o palco desse retorno ao 
mundo da Antiguidade, ou seja, fez renascer, desde me-
ados do século XIII, os ideais de valorização dos gregos e 
latinos, dos esforços individuais, da perfeição, da superio-
ridade humana e da razão como parâmetro de observação 
e interpretação da realidade.
Pintura, escultura e arquitetura
Na pintura, alguns dos principais traços do Renascimento 
foram a noção de perspectiva e a tematização de elemen-
tos da Antiguidade, bem como a humanização do tema 
sacro. A técnica era levada em conta acima de tudo, e o 
sombreado realçava a ideia de volume dos corpos. Também 
teve início a utilização da tela e da tinta a óleo.
Na escultura, o que mais chama a atenção é a busca pela 
representação ideal do homem, normalmente retratado nu 
a fim de exaltar as formas humanas.
A arquitetura também se inspirou nos traços clássicos, retra-
tando a figura humana e o conceito de beleza dos templos 
construídos de maneira harmônica, normalmente cobertos 
por uma cúpula. 
Entre os artistas mais importantes da arte renascentista es-
tão Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-
1564) e Rafael Sanzio (1483-1520).
Literatura
O poeta Dante Alighieri, autor da Divina comédia, intro-
duziu o verso decassílabo, chamado de “medida nova”, o 
dolce stil nuovo (doce estilo novo), em contraponto à re-
dondilha, considerada como “medida velha”. O poeta Fran-
cesco Petrarca, criador do soneto, influenciou vários poetas 
europeus, entre o quais o inglês William Shakespeare e os 
portugueses Luís Vaz de Camões e Sá de Miranda.
Em 1527, Sá de Miranda, retornando da Itália, introduziu 
em Portugal a “medida nova”. Contudo, foi Luís Vaz de 
Camões quem se destacou na literatura portuguesa des-
se período.
luis vaz de Camões
Luís Vaz de Camões teria nascido em 1524 ou 1525, pro-
vavelmente na cidade de Lisboa (talvez Coimbra ou San-
tarém). Morreu em 10 de junho de 1580. Curiosamente, 
o herói da poesia portuguesa expirou quando se iniciou o 
declínio do poderio imperial de Portugal, no mesmo ano 
da União da Península Ibérica, em que o país ficou sob o 
domínio da coroa espanhola.
Em 1572, publicou Os Lusíadas, sua obra-prima. Em 1595, 
foi publicada a obra Rimas, com uma compilação de sua 
obra lírica, de versos redondilhos elaborados à maneira 
medieval, e também de seus sonetos decassílabos de in-
fluência petrarquiana.
Camões épiCo
Engenho e arte
A obra épica Os Lusíadas é a mais importante epopeia 
em língua portuguesa. Teve como modelos estruturais as 
epopeias da Antiguidade: a Ilíada e a Odisseia. Entretan-
to, Camões introduziu uma novidade, pois, em Os Lusía-
das, o herói é coletivo, ou seja, é o povo português; 
ao contrário do que ocorre nas epopeias modelares. Essa 
modalidade de escrita passou a ser chamada de epo-
peia secundária.
Os Lusíadas conseguiu conciliar a mitologia pagã (fruto do 
gosto renascentista pelo estudo da cultura pagã) e a mito-
logia cristã (ideologia pessoal do autor). 
Estrutura da obra
A obra de Camões apresenta 8.816 versos decassílabos, di-
vididos em 1.102 estrofes, todas em oitava-rima, organizada 
em dez cantos. Além disso, existem outras cinco partes:
 § Proposição (canto I, estrofes 1 a 3)
O poeta apresenta o que vai cantar, ou seja, o tema dos fei-
tos heroicos dos ilustres barões de Portugal, o herói, Vasco 
da Gama, e o destino da viagem.
 § Invocação (canto I, estrofes 4 e 5)
O poeta invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, pedindo a elas 
para inspirá-lo na composição da obra.
 § Dedicatória ou oferecimento (canto I, estrofes 
6 a 18)
O poeta dedica seu poema a D. Sebastião, rei de Portu-
gal na época em que o poema foi publicado, visto como 
a esperança de propagação da fé cristã e continuação dos 
grandes feitos de Portugal.
 § Narração (canto I, estrofe 19 até canto X, es-
trofe 144)
O poeta relata a viagem propriamente dita dos portugueses 
ao Oriente. O desenrolar dos fatos começa In Media Res, ou 
seja, no meio da ação, quando Vasco da Gama e sua esqua-
dra se dirigem ao Cabo da Boa Esperança. 
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quinHentismo
Contexto histórico
 § Século XVI.
 § Início da colonização do Brasil.
Literatura de informação
Textos criados para enviar a Portugal notíciassobre as 
terras descobertas. Esses relatórios, denominados “crôni-
cas de viagem”, possuem caráter mais histórico do que 
literário, e a linguagem é predominantemente referencial 
ou denotativa.
Considerada o primeiro documento da literatura no Brasil, 
A carta, de Pero Vaz de Caminha, inaugurou, em 1500, a 
chamada literatura informativa. 
Literatura de formação ou jesuítica
Ao lado da prosa informativa, ocorreram manifestações 
em poesia e teatro escritas por jesuítas com a finalidade 
de catequizar os índios. Essa produção é denominada 
literatura de formação, em decorrência do aspecto di-
dático que apresenta. Seus principais expoentes são os 
padres José de Anchieta e Manuel da Nóbrega.
barroCo
Contexto histórico
 § reforma × contrarreforma
 § no Brasil: ciclo da cana-de-açúcar
Conceptismo
 § clareza dos argumentos 
 § valorização da lógica
 § bom uso da retórica
 § silogismos 
 § sofismas
 § Epílogo
É a conclusão do poema (estrofes 145 a 156 do canto X), 
em que o poeta demonstra cansaço e, em tom melancólico 
e pessimista, aconselha ao rei e ao povo português que 
sejam fiéis à pátria e ao cristianismo.
Camões líriCo
“Tu, só tu, puro amor”
A obra lírica de Camões compreende poemas feitos na me-
dida velha e na medida nova. A medida velha obedece à 
poesia de tradição popular, na forma e no conteúdo. São 
exploradas as redondilhas, de cinco ou de sete sílabas (me-
nor ou maior, respectivamente).
Os poemas em medida nova são relacionados à tradição 
clássica: sonetos, éclogas, elegias, oitavas, sextinas. Quan-
to ao conteúdo, a poesia lírica clássica se relaciona com 
o petrarquismo. Francesco Petrarca foi o responsável por 
fixar a forma do soneto, no século XIV; o conteúdo de sua 
poesia delineia um lirismo amoroso platônico, relacionado 
indissoluvelmente a uma mulher inacessível, Laura, a que 
dedicou perto de 360 sonetos, no seu Cancioneiro.
A lírica amorosa
O tema amoroso é explorado na lírica camoniana sob du-
pla perspectiva. Com frequência, aparece o amor sensual, 
próprio da sensualidade renascentista, inspirada no paga-
nismo da cultura greco-latina. Predomina, porém, o amor 
neoplatônico, espécie de extensão e aprofundamento da 
tradição da poesia medieval portuguesa ou da poesia hu-
manista italiana, em que o amor e a mulher se configuram 
como idealizados e inacessíveis.
Em Camões, percebe-se o conflito entre o sentimento espi-
ritual, idealizado, e o sentimento de manifestação carnal. O 
amor é, dessa forma, complexo, contraditório. 
Esses sentimentos contraditórios, bem como certo pessimis-
mo existencial que marca a poesia lírica de Camões, fogem 
ao espírito harmonioso e racional do Renascimento e pre-
nunciam o movimento literário do século XVII: o Barroco.
QUINHENTISMO E ESTÉTICA BARROCA
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gregório de matos
Gregório de Matos (1633-1696) é o maior poeta barroco 
brasileiro e um dos fundadores da poesia lírica e satírica no 
Brasil. Em sua obra, Gregório acolheu a poesia religiosa, os 
costumes e a reflexão moral. Em relação aos temas, convi-
vem em seus poemas um desenfreado sentimento de sen-
sualismo, erotismo e paixão idealizada. Seus poemas são 
dados ao gosto pelo jogo de palavras e das brincadeiras.
O “língua de trapo”
Irreverente como poeta lírico, Gregório seguiu e ao mes-
mo tempo implodiu os modelos barrocos europeus. Foi 
apelidado de Boca do Inferno, graças à sua poesia 
satírica, dirigida aos governantes corruptos, a religiosos 
licenciosos e às hipocrisias da sociedade. 
Poesia satírica
Não poupa aspecto algum do sistema e do poder, o que faz 
dele um poeta maldito. Provoca os políticos e ridiculariza 
os que viviam para bajular e louvar os poderosos, traços 
que contribuíram para o “abrasileiramento” do Barroco 
importado da Europa.
Poesia lírica: sacra e amorosa
A poesia lírica de Gregório de Matos é idealista, às 
vezes emocional, às vezes conceitual, mas frequente-
mente preocupada em entender contradições. A lírica 
sacra ressalta o senso do pecado ao lado do desejo do 
perdão. O lirismo amoroso é contraditório, marcado pela 
ambiguidade da mulher, vista como uma dualidade entre 
matéria e espírito. 
Poesia lírica filosófica
A lírica filosófica de Gregório de Matos revela um poeta que, 
tal qual os clássicos, transmite um forte senso do “descon-
certo do mundo”, ocupando-se com a transitoriedade da 
vida, o escoamento do tempo e a fragilidade do homem.
antônio vieira
Antônio Vieira (1608-1697) é a principal expressão do 
Barroco em Portugal. Sua obra pertence tanto à literatu-
ra portuguesa quanto à brasileira. Sua característica mais 
marcante é a de orador e pregador da fé cristã.
As qualidades de Vieira como orador são incomparáveis. 
Dotado de boa formação jesuítica, pronunciou sermões 
que se tornaram ao mesmo tempo a expressão máxima do 
Barroco em prosa sacra e uma das principais expressões 
ideológicas e literárias da Contrarreforma. Pregou no Brasil, 
em Portugal e na Itália, sempre com grande repercussão.
Entre sua vasta produção de mais de duzentos sermões e 
quinhentas cartas, destacam-se:
 § Sermão da sexagésima, proferido na Capela Real de 
Lisboa, em 1655, cujo tema é a arte de pregar. 
 § Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal con-
tra as de Holanda, proferido na Bahia, em 1640, posi-
ciona-se contra à invasão holandesa.
 § Sermão de Santo Antônio (aos peixes), proferido no 
Maranhão, em 1654, ataca a escravização de índios.
 § Sermão do mandato, proferido na Capela Real de Lis-
boa, em 1645, desenvolve o tema do amor místico.
Contexto histórico
Europa
 § Iluminismo – século XVIII (o século das Luzes).
 § Retomada da cultura clássica.
 § Linguagem simples.
Brasil
 § Inconfidência Mineira.
Características
A partir da segunda metade do século XVIII, junto às 
profundas transformações sociais e econômicas que 
anunciavam revoluções intelectuais nas sociedades euro-
peias, desenvolve-se um novo estilo literário, o Arcadismo. 
O Arcadismo foi chamado também de Neoclassicismo, um 
novo Classicismo, em decorrência da retomada dos modelos 
clássicos. As principais características do estilo são: 
 § Busca pela perfeição.
 § Referências mitológicas.
ESTÉTICA NEOCLÁSSICA: O ARCADISMO
GREGÓRIO DE MATOS E PADRE ANTONIO VIEIRA
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 § Racionalismo.
 § Pastoralismo.
 § Bucolismo: proposta de uma vida no campo como 
alternativa à agitação das cidades e contraponto às 
normas sociais e religiosas.
 § Valorização da cultura greco-latina.
 § Eu lírico = pastor.
 § Uso de psudônimos.
Autores de destaque
Em Portugal, Manuel Maria Barbosa Du Bocage, que 
já prenuncia o Romantismo.
No Brasil, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel 
da Costa, Alvarenga Peixoto, Santa Rita Durão e 
Basílio da Gama. 
Os poetas brasileiros, na verdade, refletiam a maneira de 
pensar dos europeus, porque estudaram na Europa, apesar 
de o país ainda ser colônia.
Para recuperar a perfeição e o equilíbrio dos clássicos e do 
Renascimento, era comum entre os autores o uso de cli-
chês árcades ditos sempre em latim:
 § Carpe diem (aproveitar o dia).
 § Fugere urbem (fugir da cidade).
 § Locus amoenus (lugar tranquilo).
 § Aurea mediocritas (equilíbrio de ouro, desprezo aos 
bens materiais).
 § Inutilia truncat (cortar o inútil).
Arcádias
As Arcádias eram academias literárias. Em Portugal existi-
ram duas importantes academias árcades: a Arcádia Lu-
sitana, que efetivamente deu início ao movimento árcade 
em Portugal, e a Nova Arcádia (1790), da qual participou 
o maior poeta português do século XVIII: Bocage. 
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Bocage entrou para a história da literatura portuguesa como um 
poeta erótico, embora sua poesia lírica árcade seja considerada 
superior. A obra Rimas, de 1791, valeu-lhe o convite para a Nova 
Arcádia, onde usava o pseudônimo Elmano Sadino.
A fase inicial da poesia de Bocage é marcada por formas e 
temaspróprios do Arcadismo: o ambiente bucólico (fugere 
urbem), o ideal de vida simples e alegre (aurea mediocritas), 
a simplicidade e a clareza das ideias e da linguagem, etc. 
Idílios marítimos, Rimas (três volumes) e Parnaso bocagia-
no reúnem a produção literária de Bocage. Os sonetos de 
Rimas são o ponto alto de sua produção. e alguns estudio-
sos chegam a compará-lo a Camões. A solidão, a desilu-
são amorosa, o sentimento de desamparo e a dor de viver 
impactaram de tal maneira sua poesia que ela acabou se 
afastando da estética árcade para se enveredar pelo cam-
po dramático e confessional, fato que inseriu Bocage num 
contexto pré-romântico.
A produção satírica de Bocage foi uma das que mais se po-
pularizou, embora seja considerada inferior à poesia lírica. 
Foi por meio dessa poesia que o poeta recebeu a alcunha 
de “poeta maldito”, uma vez que tratava de temas de na-
tureza grosseira, vulgar e obscena.
arCadismo no brasil
Os escritores brasileiros do século XVIII assumiram uma 
postura peculiar em relação ao Arcadismo importado de 
Portugal. Por um lado, procuravam seguir os princípios 
estabelecidos pelas academias literárias portuguesas e se 
inspiravam em escritores clássicos consagrados, como Ca-
mões, Petrarca e Horácio. Ao mesmo tempo, com o intuito 
de tornar a literatura da Colônia mais universal e equipa-
rá-la às literaturas europeias, tentavam eliminar vestígios 
pessoais ou locais.
Dessa maneira, apresentaram em suas obras aspectos dife-
rentes dos prescritos pelo modelo importado. Na poesia de 
Cláudio Manuel da Costa, por exemplo, a natureza aparece 
mais bruta e selvagem do que na poesia europeia; o mito 
do “homem natural” culminou na figura do índio, persona-
gem das obras de Basílio da Gama e Santa Rita Durão; a 
expressão dos sentimentos, em Tomás Antônio Gonzaga e 
Silva Alvarenga, é mais espontânea e menos convencional. 
Esses aspectos da poesia árcade brasileira foram mais tarde 
recuperados e aprofundados pelo Romantismo, movimento 
que buscou definir uma identidade nacional à literatura.
Além dessa espécie de adaptação do modelo europeu, não 
se pode esquecer da forte influência barroca ainda durante o 
século XVIII. As igrejas de Ouro Preto só tiveram sua constru-
ção concluída quando o Arcadismo já vigorava na literatura.
Destacam-se entre os autores árcades brasileiros: 
 § Líricos: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio 
Gonzaga e Silva Alvarenga.
 § Épicos: Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Cláudio 
Manuel da Costa.
 § Satíricos: Tomás Antônio Gonzaga.
 § Encomiásticos: Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto.
Os poetas árcades e a 
inconfidência mineira
Os escritores árcades mineiros Tomás Antonio Gonzaga, 
Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa participa-
ram diretamente do movimento da Inconfidência Minei-
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romantismo em portugal
Partidários do liberalismo de D. Pedro e antimiguelistas, os 
jovens escritores Almeida Garrett e Alexandre Herculano ti-
veram de exilar-se na Inglaterra e na França, onde tomaram 
contato com as obras de Lord Byron, Walter Scott e William 
Shakespeare. 
De volta, em 1825, Garrett publicou uma biografia roman-
ceada concebida em versos brancos chamada Camões. Com 
esse poema, introduziu-se o Romantismo em Portugal. Suas 
características viriam a firmar-se no espírito romântico: ver-
sos decassílabos brancos, subjetivismo, nostalgia, melancolia 
e a grande combinação dos gêneros literários. 
O Romantismo português durou aproximadamente 40 
anos, como nos demais países europeus, o Romantismo 
português atrelou-se ao liberalismo e à ideologia burguesa 
e assumiu compromissos com o novo público leitor.
gerações do romantismo 
português
Nos anos caóticos de lutas entre liberais e conservadores, os 
românticos foram, pouco a pouco, implementando as refor-
mas literárias que modificariam o quadro estético neoclássico 
português.
O Romantismo português conheceu três momentos distintos.
 A Primeira Geração (Almeida Garrett e Alexandre Herculano), 
entre os anos de 1825 e 1840, muito contribuiu para a con-
solidação do liberalismo no país. 
 A Segunda Geração (Camilo Castelo Branco), ultrarromân-
tica, levou o movimento ao exagero, e prevaleceu entre os 
anos 1840 e 1860.
 A Terceira Geração (Júlio Dinis), de transição para o Realismo, 
marcou presença nos anos de 1860. Nesses três momentos, 
a poesia, o romance, o teatro, a historiografia e o jornalismo 
se desenvolveram de forma inédita em Portugal.
1.ª Geração
Almeida Garrett
 § É um dos principais escritores do romantismo português.
 § Em 1832, participou do cerco à cidade do Porto, empre-
endido pelos liberais.
 § Escreveu romances, poesia e teatro.
 § Viagens na minha terra é um relato-personagem que 
registra o pitoresco da terra natal. Trata-se de um mis-
to de diário, literatura de viagens, reportagens e ficção, 
cujo fio narrativo é uma viagem de Lisboa e Santarém. 
É organizada em capítulos que relatam os aconteci-
mentos e as reflexões do narrador sobre vários assun-
tos, entre os quais amor, política, curiosidades.
Alexandre Herculano
 § Assim como Garrett, engajou-se na luta ao lado dos 
pedristas (liberais).
 § A obra literária de Herculano obedece ao princípio ro-
mântico de busca da realidade ideal para o país me-
diante a reconstituição das formas sociais mais signifi-
cativas de sua história. Esse historicismo tem sua origem 
no romantismo histórico e social do escritor inglês Wal-
ter Scott e do francês Victor Hugo.
 § A ficção histórica é constituída por 3 obras: O bobo, 
que trata da formação de Portugal em meio a uma 
intriga romântica; Eurico, o presbítero, que registra a 
situação histórica portuguesa sob o domínio mouro e 
discute criticamente a questão do celibato clerical; e O 
monge de Cister, romance que marca o momento his-
tórico da centralização política monárquica.
2.ª Geração
Camilo Castelo Branco
 § Camilo concentrou seus esforços profissionais na car-
reira de escritor, fonte de seu sustento. Sua vasta obra 
compreende as temáticas com foco no mistério, nas 
questões históricas e na crítica aos costumes.
 § A novela camiliana atende ao gosto popular, com 
predomínio do ultrarromantismo e do passiona-
lismo, traço distintivo e força artística. O mundo é 
frustrado sob o ângulo das grandes paixões: Carlota 
Ângela (1858), Amor de perdição (1863), Amor de 
salvação (1864), A doida do Candal (1867), O retra-
to de Ricardina (1868).
ESTÉTICA ROMÂNTICA: PROSA
ra. Ao voltarem de Coimbra com ideias enciclopedistas 
e influenciados pela independência dos EUA, eles não 
apenas se somaram aos revoltosos contra a exploração 
pelo erário régio, que confiscava a maior parte do ouro 
extraído da Colônia, mas ajudaram a divulgar o ideal de 
um Brasil independente, contribuindo para a organização 
do grupo inconfidente.
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 § A obra que rompe com as características típicas do 
romantismo é Coração, cabeça e estômago, livro que 
realiza uma crítica aos costumes como numa antecipa-
ção ao realismo.
3.ª Geração
Júlio Dinis
 § Criava seus personagens sob a lógica dos tipos sociais 
e substituiu o ultrarromantismo pelas antecipações re-
alistas, em que a oralidade e os comportamentos ob-
serváveis passaram a figurar em suas narrativas. No en-
tanto, é estudado ainda no Romantismo, por conta do 
processo de redenção nas conclusões de suas tramas.
 § Suas principais obras são: As pupilas do senhor reitor 
(1867), A morgadinha dos canaviais (1868), Uma famí-
lia inglesa (1868), Serões da província (1870), Os fidal-
gos da casa mourisca (1871), Poesias (1873), Inéditos 
e esparsos (1910) e Teatro inédito (1946-47).
o romanCe brasileiro e 
a busCa do naCional
Nas décadas que sucederam a Independência do Brasil, os 
romancistas se empenharam no projeto de construir uma 
cultura brasileira autônoma, que exigia dos escritores o re-
conhecimento da identidade de nossagente, da nossa lín-
gua, das nossas tradições e diferenças regionais e culturais. 
Nessa busca, o romance se voltou para os espaços nacio-
nais, identificados como a selva, o campo e a cidade, que 
deram origem, respectivamente, ao romance indianista e 
histórico (a vida primitiva), ao romance regional (a vida ru-
ral) e ao romance urbano (a vida citadina).
O mais fértil ficcionista romântico brasileiro foi o cearense 
José Martiniano de Alencar (1829-1877), cuja meta era 
formar uma literatura nacional autêntica, que rompesse os 
vínculos com a lusitana e retratasse a realidade brasileira. 
Esse objetivo foi alcançado.
José de Alencar
José de Alencar (1829-1877) foi o principal romancista 
brasileiro da fase romântica.
Sua vasta produção literária compreende vinte romances, 
oito peças de teatro (como Mãe e O jesuíta, encenadas 
à época), crônicas, escritos políticos e crítica literária. Em 
razão da abrangência de seus romances, eles foram clas-
sificados de acordo com o tema. 
 § Romances indianistas: O guarani (1857); Iracema 
(1865); e Ubirajara (1874).
 § Romances regionalistas: O gaúcho (1870); O tron-
co do ipê (1871); Til (1871); e O sertanejo (1875).
 § Romances históricos: As minas de prata (dois vo-
lumes: 1865 e 1866); Guerra dos mascates (dois vo-
lumes: 1871 e 1873); Alfarrábios (1873, composto de 
O garatuja, O ermitão da Glória e A alma de Lázaro).
 § Romances urbanos (ou “perfis de mulheres”): 
Cinco minutos (1856); A viuvinha (1857); Lucíola 
(1862); Diva (1864); A pata da gazela (1870); Sonhos 
d’ouro; Senhora (1872); e Encarnação (1877).
Principais obras
O guarani, 1857, romance histórico-indianista que mostra 
a convivência entre portugueses e as tribos indígenas da 
época. A obra se articula a partir de alguns fatos essen-
ciais: a devoção e fidelidade do índio goitacá Peri a Cecília; 
o amor de Isabel por Álvaro e o amor deste por Cecília. A 
morte acidental de uma índia aimoré, provocada por D. Dio-
go, e a consequente revolta e ataque dos Aimorés, ocorre 
simultaneamente a uma rebelião dos homens de D. Antô-
nio, liderados pelo ex-frei Loredano, homem ambicioso e 
devasso que queria saquear a casa e raptar Cecília.
Iracema, 1865, romance histórico-indianista que desen-
volve a lenda da fundação do Ceará e a história de amor 
entre a índia Iracema e o português Martim. Guardadora 
dos segredos da Jurema, Iracema faz um voto de castidade, 
que rompe ao tornar-se esposa de Martim.
Abandona sua tribo e segue com ele. Dá à luz um filho – 
Moacir –, símbolo do homem brasileiro miscigenado. Mar-
tim tem de partir para Portugal por um longo tempo. Quan-
do regressa, encontra Iracema à morte. Enterra-a ao pé de 
uma palmeira e retorna a Portugal, levando consigo o filho.
Til, 1871, romance regionalista em que o narrador utiliza 
descrições pormenorizadas da região e de cenários em tor-
no do rio Piracicaba. A história do romance gira em torno 
do misterioso nascimento de Berta, uma jovem muito bon-
dosa e bonita que mesmo sendo uma típica heroína român-
tica, abnega de seus desejos para cuidar daqueles a quem 
quer bem. Por trás de tudo isso, o romance mostra uma 
visão patriarcal e senhorial presentes no Brasil escravista e 
patriarcal. Os preconceitos de classe e as relações de poder 
são enfocadas na obra.
Senhora, 1875, romance urbano, é uma das últimas 
obras escritas por Alencar. Ao tematizar o casamento como 
forma de ascensão social, o autor deu início à discussão 
sobre certos valores e comportamentos da sociedade cario-
ca da segunda metade do século XIX. Aurélia Camargo é 
uma moça pobre e órfã de pai, noiva de Fernando Seixas, 
bom rapaz, que ambiciona ascender socialmente. Em razão 
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u.t.i. - sala
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 
1 E 2.
À SUA MULHER ANTES DE CASAR
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
“Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada,
Oh não aguardes, que a madura idade,
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”.
(gregórIo de mAtos)
1. Explique quais aspectos do tema da efemeridade da 
vida revelam aspectos do contexto histórico da estética 
barroca. Além disso, determine a estrutura formal do 
poema em seus vários aspectos.
2. Leia o trecho a seguir de Luiz Vaz de Camões e deter-
mine de qual obra ele foi retirado. Em seguida, justifi-
que do ponto de vista temático e formal sua resposta.
As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;
(...)
Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza
3. Durante o século XIV, a poesia trovadoresca entra em 
decadência, surgindo uma nova forma de poesia, total-
mente distanciada da música, apresentando amadureci-
mento técnico, com novos recursos estilísticos e novas 
formas poemáticas. Qual é o nome deste momento literá-
rio e qual a determinação dada para a poesia da época?
4. Leia o poema a seguir e determine de qual fase da 
poesia do escritor Bocage ela se enquadra. Justifique 
sua resposta. 
Ó retrato da morte, ó noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
disso, troca Aurélia por outra moça de dote mais valioso. 
Aurélia passa a desprezar todos os homens. Eis que, com a 
morte de uma avó, torna-se milionária, e consequentemen-
te, uma das mulheres mais cortejadas do Rio de Janeiro. 
Como vingança, manda oferecer a Seixas um dote de cem 
contos de réis, sem revelar seu nome, que seria conhecido 
só no dia do casamento. Seixas aceita e se casa. Na noite 
de núpcias, Aurélia revela-lhe seu desprezo. Seixas cai em 
si e percebe o quanto fora vil em sua ganância.
Outros autores da prosa 
romântica brasileira
 § Bernardo Guimarães – criou o romance regionalis-
ta. Tornou artísticos os “casos” da literatura oral, valen-
do-se das técnicas narrativas dos folhetins. Suas obras 
mais lidas são O seminarista (1872) e A escrava Isaura 
(1875), construídas com temas básicos dos romances 
de ênfase social de sua época, respectivamente o celi-
bato clerical e a escravidão.
 § Visconde de Taunay – É também autor do romance 
regionalista. Por conta de suas andanças no Mato Gros-
so, soube reproduzir com precisão aspectos visuais da 
paisagem sertaneja, especialmente da fauna e da flora 
da região. Foi autor do romance Inocência (1872), sua 
obra-prima, e de livros sobre a guerra e o sertão, como 
Retirada da Laguna (1871).
 § Franklin Távora – Nasceu no Ceará e estudou Direito 
no Rio de Janeiro. Foi um dos mais polêmicos e radicais 
escritores regionalistas. Rebelou-se contra a “literatura 
do Sul”, especialmente a de Alencar, seu conterrâneo, 
alegando que ele se deixava levar pelos modelos es-
trangeiros – nos romances urbanos – e que, ao dedi-
car-se a romances regionalistas, nem sequer conhecia 
a região retratada – em O gaúcho. Com O cabeleira, 
inaugurou um dos veios mais férteis de nossa ficção 
regional. Trouxe à tona problemas até então pouco co-
nhecidos em outras regiões do país, como o banditismo, 
o cangaço, a seca, a miséria, as migrações, mais tarde 
retomados e aprofundados por Graciliano Ramos, José 
Lins do Rego, Jorge Amado. 
 § Joaquim Manuel de Macedo – Foi autor do primei-
ro romance brasileiro propriamente dito, A moreninha 
(1844), depois de algumas tentativasmalsucedidas 
no gênero. Embora formado em Medicina, Macedo se 
dedicou ao jornalismo e à política. A moreninha confe-
riu-lhe ampla popularidade, mantida com a publicação 
de outros romances.
 § Manuel Antônio de Almeida – Como escritor, pro-
duziu uma única obra. O descompromisso com o suces-
so e um grande senso de humor lhe permitiram criar 
uma das obras originais do Romantismo brasileiro: Me-
mórias de um sargento de milícias.
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Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
5. (PUC-RJ) Texto 1
Beijei na areia os sinais de teus passos, beijei os meus 
braços que tu havias apertado, beijei a mão que te ul-
trajara num momento de loucura, e os meus próprios 
lábios que roçaram tua face num beijo de perdão.
Que suprema delícia, meu Deus, foi para mim a dor que 
me causavam os meus pulsos magoados pelas tuas 
mãos! Como abençoei este sofrimento!... Era alguma 
cousa de ti, um ímpeto de tua alma, a tua cólera e indig-
nação, que tinham ficado em minha pessoa e entravam 
em mim para tomar posse do que te pertencia. Pedi a 
Deus que tornasse indelével esse vestígio de tua ira, 
que me santificara como uma cousa tua!
..................................................................
Quero guardar-me toda só para ti. Vem, Augusto: eu te es-
pero. A minha vida terminou; começo agora a viver em ti.
(José de AlencAr. “dIvA”. rIo de JAneIro: edIouro, 1996. p.121.)
O texto acima é um trecho do último capítulo de “Diva”, 
romance de Alencar que, ao lado de “Senhora” e “Lucí-
ola”, forma a trilogia de “perfis femininos”. Trata-se de 
uma carta escrita por Emília, protagonista da estória, 
ao jovem médico Augusto. A partir da leitura do texto, 
indique as características românticas presentes no frag-
mento, justificando com exemplos.
U.T.I. - E.O.
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 
1 A 3.
Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá1 cedo!
Ondas do mar levado2,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
mArtIm codAx
1verrá - virá
2levado - agitado
1. Segundo a tradição da poesia medieval, como pode-
-se classificar a cantiga de Martim Codax?
2. Determine as características que justificam sua clas-
sificação.
3. A estrutura paralelística é, neste poema, particularmen-
te expressiva, pois revela uma relação importante com o 
aspecto da temática. Determine qual é esta relação.
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 
4 E 5.
Mote:
Perdigão perdeu a pena,
Não há mal que lhe não venha.
Volta:
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
(cAmões)
4. De que fase da poesia de camões este poema se en-
quadra?
5. Do ponto de vista formal, como pode se classificar o 
poema classicista de Luís Vaz de Camões?
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 
6 A 8.
Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste, e dino da memória
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.
(luIs vAz de cAmões)
6. De que obra de Luis Vaz de Camões o trecho apresen-
tado foi retirado?
7. Qual o ano da publicação da obra em que o trecho 
se enquadra?
8. O texto faz menção a uma passagem importante da 
obra que se enquadra. Qual é esta passagem e qual o 
seu significado no todo da obra?
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 
9 A 11.
Eu cantarei de amor tão Docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
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Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta a milagrosa,
Aqui fala saber, engenho e arte.
9. De que fase da obra de Luis Vaz de Camões o trecho 
a cima foi retirado?
10. Camões possui temas fundamentais em sua poesia. 
Determine qual a temática predominante no texto “Eu 
cantarei de amor tão docemente”?
11. Do ponto de vista formal, como se pode classificar o 
poema acima? Justifique com pelo menos um aspecto.
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À PRÓXIMA 
QUESTÃO.
Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, 
ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a 
roupa; os ladrões que mais própria e dignamente me-
recem este título são aqueles a quem os reis encomen-
dam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, 
ou a administração das cidades, os quais já com manha, 
já com força roubam e despojam os povos. Os outros 
ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e 
reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem 
temor nem perigo; os outros se furtam, são enforcados, 
estes furtam e enforcam.
pAdre AntônIo vIeIrA – “sermão do bom lAdrão”
12. O jesuíta padre Antônio Vieira ficou famoso por seu 
poder de argumentação em função do projeto de coloni-
zação catequética de Portugal. Um de seus instrumentos 
era o “silogismo aristotélico”. Determine suas premissas 
e conclusão no trecho do “Sermão do bom ladrão”.
13. Qual é o documento que na história da Literatura 
pode ser considerado a “Certidão de nascimento da 
Literatura Brasileira”? Determine também quem foi o 
responsável por sua autoria e a data de sua publicação.
14. (UFLAVRAS) Leia os seguintes fragmentos de “Marí-
lia de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.
Texto 1
Verás em cima de espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos.
Texto 2
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja me tem o próprio Alceste.
Responda:
Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado 
de acordo com a convenção arcádica? Explique. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855. 
Poucos dias depois da minha chegada, um amigo e 
companheiro de infância, o Dr. Sá, levou-me à festa 
da Glória; uma das poucas festas populares da corte. 
Conforme o costume, a grande romaria desfilando pela 
Rua da Lapa e ao longo do cais serpejava nas faldas do 
outeiro e apinhava-se em torno da poética ermida, cujo 
âmbito regurgitava com a multidão do povo. 
Era ave-maria quando chegamos ao adro; perdida a es-
perança de romper a mole de gente que murava cada 
uma das portas da igreja, nos resignamos a gozar da 
fresca viração que vinha do mar, contemplando o deli-
cioso panorama da baía e admirando ou criticando as 
devotas que também tinham chegado tarde e pareciam 
satisfeitas com a exibição de seus adornos. 
Enquanto Sá era disputado pelos numerosos amigos e 
conhecidos, gozava eu da minha tranquila e indepen-
dente obscuridade, sentado comodamente sobre a 
pequena muralha e resolvido a estabelecer ali o meu 
observatório. Para um provinciano lançado recém-lan-
çado-chegado à corte, que melhor festa do que ver 
passar-lhe pelos olhos, à doce luz da tarde, uma parte 
da população desta grande cidade, com os seus vários 
matizes e infinitas gradações? 
Todas as raças, desde o caucasiano sem mescla até o 
africano puro; todas as posições, desde as ilustrações 
da política, da fortuna ou do talento, até o proletário 
humilde e desconhecido;todas as profissões, desde o 
banqueiro até o mendigo; finalmente, todos os tipos 
grotescos da sociedade brasileira, desde a arrogante 
nulidade até a vil lisonja, desfilaram em face de mim, 
roçando a seda e a casimira pela baeta ou pelo algo-
dão, misturando os perfumes delicados às impuras exa-
lações, o fumo aromático do havana às acres baforadas 
do cigarro de palha. 
AlencAr, José de. lucíolA. são pAulo: edItorA átIcA, 1988, p. 12
15. (PUC-RJ) O romance “Lucíola”, publicado em 1862, 
é considerado uma das mais importantes obras de José 
de Alencar. Cite TRÊS aspectos que marcam o estilo de 
época a que se filia o autor, tendo como referência o 
fragmento selecionado.
LEIA OS TEXTOS A SEGUIR PARA RESPONDER À PRÓXIMA 
QUESTÃO.
TEXTO I
SONETO DO EPITÁFIO
Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole “sub-venites” em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
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Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”.
(bocAge, mAnuel mArIA bArbosA du. In: lAJolo, mArIsA.
(org.) lIterAturA comentAdA: bocAge. são pAulo: AbrIl
culturAl, 1980. p. 91. ortogrAfIA AtuAlIzAdA.)
TEXTO II
LEMBRANÇA DE MORRER
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
[...]
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta – sonhou – e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa!
(Azevedo, álvAres de.lIrA dos vInte Anos. In: obrA completA.
rIo de JAneIro: novA AguIlAr, 2000. p. 188-189.)
Com base nos textos I e II, responda:
a) Quais são as características do soneto de Bocage 
(texto I) que nos permitem identificá-lo como satírico?
b) Os poemas de Bocage (texto I) e Álvares de Azeve-
do (texto II) tratam diferentemente do mesmo tema. 
Identifique esse tema e explicite as maneiras como 
cada autor o trata, relacionando-as com o contexto 
de época.
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
ENTREENTRE
FRASESFRASES
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REDAÇÃO
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DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA: é o gênero textual em que se discute um tema, a partir da defesa de um posicionamento 
sustentado por argumentos. Trata-se de um tipo de texto frequentemente exigido nos exames vestibulares do país.
estrutura da dissertação argumentativa
INTRODUÇÃO Trata-se do parágrafo inicial do texto. Ele tem função de situar o leitor a respeito do assunto e da problemática a serem tratados e de anunciar o direcionamento a ser desenvolvido ao longo do texto, isto é, a tese.
DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento da redação ocorre nos parágrafos intermediários do texto. Eles apresentam os argumentos selecionados para a defesa da tese.
CONCLUSÃO Trata-se do parágrafo de encerramento da redação. A depender do vestibular, pode apresentar uma reiteração da tese e dos argumentos desenvolvidos ou apresentar uma intervenção para o problema discutido. (ENEM)
elementos básiCos da dissertação argumentativa
TESE: É o posicionamento a respeito do tema. Trata-se de um período dentro do texto que resume ao leitor qual será o 
ponto de vista defendido ao longo da redação. Geralmente, a tese aparece ao final do 01º parágrafo, isto é, da introdução.
ARGUMENTO: É uma ideia que sustenta a tese. Deve ser apresentada e discutida por meio de dados, fatos, citações, 
exemplos ou analogias artísticas.
reflexão CrítiCa
A elaboração da redação exige um momento de reflexão especial do candidato. Na maior parte dos casos, é mais produtivo 
dedicar um tempo maior para a análise do tema e para a seleção dos argumentos que para a própria escrita, uma vez que 
a construção de um ponto de vista claro e objetivo é a principal finalidade do texto. 
Uma das maneiras de refletir criticamente sobre um assunto é separar o “joio do trigo”. No caso das dissertações xargu-
mentativas, a reflexão pode ser iniciada separando o senso comum do senso crítico. O SENSO CRÍTICO se encarrega 
de analisar a fundo as problemáticas discutidas observando seu surgimento, suas causas e seus principais 
agentes; o SENSO COMUM, por sua vez, apenas reflete uma opinião superficial ou limitada, usualmente 
baseada em hábitos, crenças e preconceitos ou numa visão menos esclarecida sobre determinada situação.
OBJETIVIDADE 
E CLAREZA
A linguagem utilizada na redação deve respeitar a norma padrão da língua portuguesa e prezar pela clareza e pela objetivi-
dade. Os termos que atribuem incerteza e imprecisão às afirmações devem ser deixados de lado.
IMPESSOALIDADE
Predomínio da 
3º pessoa do 
singular
 § Nota-se que... 
 § Observa-se que... 
 § É possível perceber...
 § Pode-se afirmar...
 § Vale mencionar que...
 § Convém ressaltar...
 § É importante abordar... 
 § Não se pode esquecer...
 § Torna-se fundamental reavaliar ...
 § É necessário rever...
 § Passa-se a discutir...
 § É notável que...
DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA
A LINGUAGEM NA DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA
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APRESENTAÇÃO DA OPINIÃO
ALGUNS VERBOS 
NO PRESENTE
Vale dizer também que veículos de mídia distorcem as informações fornecidas pelos entrevistados.
A elite brasileira ignora a noção de cidadania e, assim, submete os outros a uma relação de hierarquia.
No entanto, tal discurso deturpa a visão da sociedade a respeito de política.
ADJETIVOS
A sociedade civil é conivente com as ações...
As ações vinculadas à cultura são inexpressivas...
A adoção de uma postura crítica é essencial aos sujeitos...
SUBSTANTIVOS 
ABSTRATOS
Há uma hipocrisia no discurso de parte da classe média brasileira.
Logo, nota-se o desprezo da opinião pública em uma questão que deveria ser de interesse coletivo.
Assim, esse cenário apenas fortalece o desconhecimento sobre o assunto.
VERBOS DE LIGAÇÃO
Diante disso, nota-se que o racismo continua presente no cotidiano brasileiro, ainda que parte da sociedade civil negue 
sua existência.
Tornou-se comum negar o próprio discurso.
Além disso, vale dizer que o corpo docente permanece distante do interesse de seus alunos.
Características principais da redação ENEM:
 § Elaborar um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, com tema de ordem social, científica, cultural 
ou política. (Geralmente, discute-se problemas da sociedade).
 § Compor o texto a partir de uma tese que seja comprovada por argumentos.
 § Sugerir uma intervenção para o problema abordado. (A sugestão deve respeitar os direitos humanos). 
CompetênCias
COMPETÊNCIA 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Dicas:
 § Esteja muito atento à construção sintática das orações e aos problemas de acentuação, pontuação, concordância 
e ortografia;
 § Dê preferência ao emprego de períodos menores, em que as subordinações e orações intercaladas possam ficar mais 
claras e organizadas aos olhosdo leitor;
 § Releia o seu rascunho antes de passar a limpo procurando eliminar quaisquer desvios da norma padrão e usos lexicais 
da informalidade. 
COMPETÊNCIA 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para 
desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Dicas:
 § Leia com MUITA ATENÇÃO o recorte temático proposto, buscando elaborar uma redação que atende integralmente ao 
que se pede;
 § Construa seus parágrafos de modo a deixar claro que seu texto possui uma introdução com uma tese, desenvol-
vimento conclusão;
 § Utilize ao menos dois repertórios externos na redação que estejam vinculados ao tema e que sejam provenientes 
de outras áreas do conhecimento: literatura, história, sociologia, filosofia, direito, cinematografia, música, etc. 
ESPECIFICIDADES DO ENEM
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COMPETÊNCIA 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos 
em defesa de um ponto de vista.
Dicas:
 § Construa uma tese que já anuncie ao leitor quais serão seus argumentos: 
 § Elabore seus parágrafos de desenvolvimento com sua opinião (introduzida pelo tópico frasal) e com explicações, infor-
mações e fatos que a comprovem. 
COMPETÊNCIA 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção 
da argumentação.
Dicas:
 § Capriche na coesão entre os períodos e parágrafos de seu texto. Lembre-se que as ideias devem estar sempre muito 
bem amarradas;
 § Use a coesão referencial para retomar temos apresentados anteriormente, evitando ao máximo a repetição de palavras.
 § Use os conectivos para ligar seus períodos e parágrafos. Evite repetir conectivos: a pontuação máxima também depende 
de um repertório amplo de operadores argumentativos.
COMPETÊNCIA 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direi-
tos humanos.
Dicas:
 § Faça uma proposta concreta. Pense em ações possíveis e evite clichês.
 § Não se esqueça de nenhum dos elementos: AGENTE, AÇÃO, MEIO, FINALIDADE. Lembre-se também de que ao 
menos 1 desses elementos precisa estar DETALHADO.
EXEMPLO: REDAÇÃO ENEM 2019 – Nota 1000
Na obra “A Invenção de Hugo Cabret”, é narrada a relação entre um dos pais do cinema, Georges Mélies, e um menino órfão, 
Hugo Cabret. A ficção, inspirada na realidade do começo do século XX, tem como um de seus pontos centrais o lazer propor-
cionado pelo cinema, que encanta o garoto. No contexto brasileiro atual, o acesso a essa forma de arte não é democratizado, o 
que prejudica a disponibilidade de formas de lazer à população. Esse problema advém da centralização das salas exibidoras em 
zonas metropolitanas e do alto custo das sessões para as classes de menor renda.
Primeiramente, o direito ao lazer está assegurado na Constituição de 1988, mas o cinema, como meio de garantir isso, não 
tem penetração em todo território brasileiro. O crescimento urbano no século XX atraiu as salas de cinema para as grandes 
cidades, centralizando progressivamente a exibição de filmes. Como indicativo desse processo, há menos salas hoje do que 
em 1975, de acordo com a Agência Nacional de Cinema (Ancine). Tal fato se deve à falta de incentivo governamental – seja 
no âmbito fiscal ou de investimento – à disseminação do cinema, o que ocasionou a redução do parque exibidor interiorano. 
Sendo assim, a democratização do acessoao cinema é prejudicada em zonas periféricas ou rurais.
Ademais, o problema existe também em locais onde há salas de cinema, uma vez que o custo das sessões é inacessível às 
classes de renda baixa. Isso se deve ao fato de o mercado ser dominado por poucas empresas exibidoras. Conforme teorizou 
inicialmente o pensador inglês Adam Smith, o preço decorre da concorrência: a competitividade força a redução dos preços, en-
quanto os oligopólios favorecem seu aumento. Nesse sentido, a baixa concorrência dificulta o amplo acesso ao cinema no Brasil.
Portanto, a democratização do cinema depende da disseminação e do jogo de mercado. A fim de levar os filmes a zonas periféri-
cas, as prefeituras dessas regiões devem promover a interiorização dos cinemas, por meio de investimentos no lazer e incentivos 
fiscais. Além disso, visando reduzir o custo das sessões, cabe ao Ministério da Fazenda ampliar a concorrência entre as empresas 
exibidoras, o que pode ser feito pela regulamentação e fiscalização das relações entre elas, atraindo novas empresas para o 
Brasil. Isso impediria a formação de oligopólios, consequentemente aumentando a concorrência. Com essas medidas, o cinema 
será democratizado, possibilitando a toda a população brasileira o mesmo encanto que tinha Hugo Cabret com os filmes.
Trecho extraído de redação nota 1000 publicada na Cartilha do participante – Redação ENEM 2020
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COMENTÁRIO DO INEP
C1: O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez 
que a estrutura sintática é excelente e não há presença de desvios em seu texto.
C2: Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que o participante apre-
senta introdução em que expõe seu ponto de vista, desenvolvimento de justificativas que comprovam 
esse ponto de vista e conclusão que encerra a discussão, demonstrando excelente domínio do texto dissertati-
vo-argumentativo. O tema é abordado de forma completa, revelando uma leitura cuidadosa da proposta 
de redação: ainda no primeiro parágrafo, o participante anuncia a problemática ao abordar a centralização das salas 
de cinema e o preço elevado dos ingressos que impedem a democratização efetiva do cinema. Observa-se também o 
uso produtivo de repertório sociocultural pertinente à discussão proposta pelo participante em mais de 
um momento do texto: no primeiro parágrafo, o filme “A Invenção de Hugo Cabret” foi utilizado com o objetivo de 
contextualizar o tema, apresentando o cinema como um lugar de lazer; no segundo parágrafo, o participante compara 
o que é assegurado pela Constituição Federal com a situação atual do país; e, no terceiro parágrafo, ele se vale de um 
argumento de autoridade, encontrado no pensamento de Adam Smith, para fundamentar a justificativa de que o preço 
dos ingressos é alto porque há poucas empresas atuando no Brasil.
C3: Percebe-se, também, ao longo da redação, a presença de um projeto de texto estratégico, com informações, 
fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, desenvolvidos de forma consistente e bem organizados em 
defesa do ponto de vista. No primeiro parágrafo, o participante destaca a importância do cinema como fonte de lazer e 
apresenta a situação dessa arte no Brasil: de acordo com ele, o acesso ao cinema é prejudicado porque as salas estão 
centralizadas emg randes cidades e o preço dos ingressos é alto. Esses dois aspectos serão aprofundados de forma orga-
nizada, cada um em um parágrafo próprio. No segundo parágrafo, discutem-se as causas da centralização das salas do 
cinema nas grandes cidades, o que fez com que as áreas rurais ou periféricas ficassem sem acesso a ele. Já no terceiro 
parágrafo, as causas do alto custo das sessões de cinema são apresentadas e detalhadas. No último parágrafo, são apre-
sentadas propostas de solução para os dois problemas discutidos no texto, reforçando a importância de se proporcionar 
esse tipo lazer à população brasileira.
C4: Em relação à coesão, encontra-se, nessa redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inade-
quações. Há articulação tanto entre os parágrafos (“Ademais”, “Portanto”) quanto entre as ideias dentro de 
um mesmo parágrafo (1º parágrafo: “seus pontos centrais”, “essa forma de arte”, “o que”; 2º parágrafo: “mas”, “desse 
processo”, “Sendo assim”; 3º parágrafo: “também””, “uma vez que”, “enquanto”; 4º parágrafo: “dessas regiões”,“Além 
disso”, “Com essas medidas”, entre outros).
C5: Por fim, o participante elabora proposta de intervenção muito boa: concreta, articulada à discussão desen-
volvida no texto, detalhada e que respeita os direitos humanos ao propor investimentos em salas de cinemas em 
lugares afastados e aumento da competitividade entre as empresas exibidoras.
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Siga as orientações abaixo para produzir um projeto de texto produtivo no vestibular:
PASSO 1. Análise do tema
Dedique alguns minutos a refletir sobre o recorte temático. Analise as palavras chaves que aparecem na proposta. Use-as 
na hora de introduzir o tema na sua redação. Caso tenha dificuldades, procure transformar esse recorte em perguntas para 
ajudar seu planejamento.
TEMA PERGUNTAS POSSÍVEIS
A democratização do acesso 
ao cinema no Brasil
Por que o acesso ao cinema não é democratizado no Brasil?
Essa democratização ocorre efetivamente?
Desafios para a formação 
educacional de surdos no Brasil
Quais são os desafios dessa formação?
Quais problemas a formação desse indivíduos precisa enfrentar?
Eutanásia: entre a preservação à 
vida e a liberdade de escolha A eutanásia representa mais uma liberdade de escolha ou um atentado à vida? Por quê?
PASSO 2. Leitura da coletânea
 § Destaque as informações principais; 
 § Analise a fonte de cada um dos excertos;
 § Relacione as informações dadas pela coletânea. Você deve avaliar os posicionamentos dos autores, analisar criticamente 
os dados de infográficos, e verificar como todas essas informações aparecem no meio social abordado, podendo criar 
orações que ilustrem a reflexão gerada a partir dessas análises. 
PASSO 3. Brainstorm
 § Faça uma tempestade de ideias acerca do tema. Anote tudo aquilo que vier na cabeça: exemplos, analogias, compara-
ções, citações, definições, ilustrações, etc.;
 § Defina sua tese: a partir daqui você já sabe qual posicionamento defender.
PASSO 4. Aplicação de critérios de seleção
 § Selecione os argumentos que apresentem uma relação mais direta com a tese a ser desenvolvida e com a 
temática abordada na coletânea;
 § Selecione os argumentos que tenham uma melhor sustentação: exemplo, argumento de autoridade, dado histó-
rico, comparação, etc;
 § Selecione o argumento que possa ser embasado por alguma teoria (sociológica, filosófica). 
 § Após selecionar os argumentos e seus respetivos repertórios para comprovação, aproveite e selecione também o 
repertório a ser utilizado na introdução para apresentar o tema.
PLANEJAMENTO DE TEXTO
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PASSO 5. Crie uma lista organizada ou um mapa mental com 
as ideias que você vai defender em cada parágrafo
 § Organize a ordem se aparecimento das informações em seu texto, inserido frases, orações das ideias que serão apresen-
tadas em cada um dos parágrafos.
LISTA ORGANIZADA POR PARÁGRAFOS
1.º
 § Repertório: A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) – todo ser humano tem o direito de ser reconhecido 
como pessoa perante a lei.
 § Problema: No entanto, essa situação não se concretiza de modo efetivo no Brasil/ muitas pessoas ainda se tornam 
vítimas do tráfico humano no país/ tratadas como mercadoria.
 § Tese: O problema ocorre em função do desconhecimento civil sobre o assunto e é reforçado pela ação ineficaz do Estado. 
2.º
 § Falta de informação entre a população.
 § Explicação: Baixa escolaridade + más condições econômicas
 § Exemplo: Caso “Fada madrinha” – Franca SP
3.º
 § Ações do Estado são pouco eficazes.
 § Explicação: falta de controle sobre os dados/b estratégias de fiscalização
 § Legislação: Isso contraria o Código civil brasileiro que prevê aperfeiçoamento. 
4.º
 § Intervenção 1: MDH – informar a população sobre os riscos – campanhas em massa (tv/redes/transportes públicos) 
– diminuir o número de vítimas
 § Intervenção 2: Gov. Federal – aperfeiçoar o sistema de segurança – criação secretaria tecnologicamente especializada no 
recolhimento das informações – a fim de desmontar as organizações criminosas com mais facilidade 
 § Assim, o Brasil poderá garantir maior proteção, como determina a DUDH.
MAPA MENTAL
1.º) PARÁGRAFO
Repertório: A Declaração 
Universal dos Direitos Humanos 
(DUDH) – todo ser humano tem 
o direito de ser reconhecido 
como pessoa perante a lei.
Problema: No entando, essa 
situação não se concretiza de 
modo efetivo no Brasil / muitas 
pessoas ainda se tornam vítimas 
do tráfico humano no país / 
tratadas como mercadoria. 
Tese: O problema ocorre em 
função do desconhecimento civil 
sobre o assunto e é reforçado 
pela ação ineficaz do Estado.
2.º) PARÁGRAFO
Falta de informação 
entre a população.
Explicação: Baixa escolaridade + 
más condições econômicas =
Exemplo: Caso “Fada 
madrinha” – Franca SP.
4.º) PARÁGRAFO
Intervenção I:
MDH/informar a população sobre 
os riscos/campanhas em massa 
(tv/redes/transportes públicos)/
diminuir o número de vítimas
4.º) PARÁGRAFO
Intervenção:
Gov. Federal – aperfeiçoar o sistema 
de segurança – criação secretaria 
tecnologicamente especializada no 
recolhimento das informações – a 
fim de desmontar as organizações 
criminosas com mais facilidade. 
Assim o Brasil poderá garantir maior 
proteção, como determina a DUDH.
3.º) PARÁGRAFO
Ações do Estado são 
pouco eficazes.
Explicação: Falta de controle sobre 
os dados/estratégias de fiscalização
Exemplo: Isso contraria o que 
o Código civil brasileiro que 
prevê aperfeiçoamento.
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A Declaração Universal dos Direitos Humanos – documento do qual o Brasil é signatário – prevê que todo ser humano 
tem o direito de ser reconhecido como pessoa perante a lei. Todavia, essa situação não se concretiza de modo efetivo 
no Brasil, já que muitas pessoas ainda se tornam vítimas do tráfico humano no país, e passam a ser tratadas como mer-
cadoria por diferentes organizações criminosas. Nesse contexto, pode-se afirmar que a dificuldade em se combater tal 
questão ocorre em função do desconhecimento civil sobre o assunto e é reforçada em virtude da ação ineficaz do Estado 
no controle das ocorrências.
Inicialmente, a falta de informação da população mostra-se como um dos principais entraves no enfrentamento ao 
problema. Isso porque pessoas com baixa escolaridade e más condições econômicas são enganadas pelas quadri-
lhas ao buscarem melhor qualidade de vida e, assim, aceitarem falsas promessas de emprego. Um exemplo dessa 
articulação foi descoberto no município paulistano de Franca, onde uma quadrilha foi denunciada por traficar jovens 
transexuais para fora do país. Na ocasião, os criminosos ofereciam o pagamento da cirurgia de mudança de sexo 
como remuneração pelo trabalho, o que sugere a facilidade de tais organizações em se aproveitarem de grupos mais 
vulneráveis da sociedade.
Cabe salientar, ainda, que a ineficácia do Estado em coibir a ação dessas quadrilhas acentua a gravidade do proble-
ma. Isso se deve ao fato de, mesmo diante das denúncias, não haver um sistema que organize os dados coletados 
por diferentes entidades – como a polícia Federal e delegacias regionais – e, com eles, produza ações estratégicas de 
combate às quadrilhas. Esse cenário contraria o Código Civil Brasileiro, que determina a ampliação e aperfeiçoamento 
das políticas de repressão ao tráfico humano no país. Nesse sentido, nota-se que o problema também carece de ações 
na esfera da administração pública.
Diante desse contexto, é fundamental aprimorar o combate ao tráfico humano no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério 
da Mulher, Família e Direitos Humanos informar a sociedade a respeito da ação das quadrilhas, por meio da ampliação 
em massa de campanhas que alertem sobre os riscos de propostas atraentes, com o objetivo de diminuir o número de 
vítimas. Além disso, o Governo Federal deve implantar um sistema decontrole das ocorrências desse crime, mediante a 
criação de secretarias tecnologicamente preparadas para reunir as informações e repassá-las aos órgãos competentes, a 
fim de que estes ajam de modo mais efetivo. Desse modo, o Brasil se aproximará da proteção ao indivíduo prevista pela 
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Redação Modelo - Hexag Vestibulares
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espeCifiCidades da Fuvest
PROPOSTA COM VIÉS 
MAIS ABSTRATO/
REFLEXIVO
Os recortes temáticos costumam trazer discussões mais amplas que abordem questões referentes ao indivíduo 
ou à sociedade como: os limites da arte, a menoridade do homem, a interferência do passado na compreensão 
do presente, o papel da ciência do mundo contemporâneo, entre outros.
DESENVOLVIMENTO 
DO TEMA E LEITURA 
DA COLETÂNEA
A FUVEST avalia a capacidade do aluno de desenvolver o tema apresentado. De modo geral, o tema não 
é avaliado apenas pela sua pertinência à proposta, mas sim pela sua profundidade e articulação com as 
ideias sugeridas nos textos motivadores.
Nesse sentido, ela exige que o aluno desenvolva o tema de modo profundo, a partir de um ponto de vista crítico, 
que transcenda os elementos da coletânea e analise as relações tensivas entre todos os elementos enfocados 
na proposta.
AUTORIA
Evite fórmulas prontas: procure fugir de estruturas pré-fabricadas e mostre ao leitor que possui competência 
para elaborar um texto argumentativo a partir de suas próprias reflexões.
Autoria dentro da estrutura dissertativa argumentativa: busque a construção de um texto que único que 
atenda ao gênero e ao tema proposto.
REPERTÓRIO PESSOAL
Fundamente seus argumentos e crie sua introdução a partir de um repertório sociocultural diferente e criativo: 
procure selecionar autores, teorias, livros, filmes, etc. que efetivamente tenham uma relação próxima com o tema 
e que acrescentem à discussão realizada. Evite usar “citações-coringa” muito divulgadas na internet como base 
de seus argumentos. 
REFLEXÃO CRÍTICA
Analise o tema de modo aprofundado: Na Fuvest, é fundamental fugir do senso comum sobre o tema abordado. 
Sempre procure ler os textos da coletânea e encontrar uma abordagem mais profunda para a temática discutida, 
valendo-se, sobretudo, de teorias que possam fundamentar seus argumentos. 
VALORIZAÇÃO DO 
VOCABULÁRIO 
EXPRESSIVO
Atente à escolha do léxico: A Fuvest valoriza não apenas o uso da norma culta do português, mas também 
uma seleção vocabular expressiva que contribua para a construção das ideias dentro de um determinado 
tema. Portanto, procure empregar um vocabulário preciso, conciso e adequado ao tema discutido, evitando 
clichês e frases feitas. 
Lembre-se das especificidades da FUVEST 
 § Proposta que discute temas abstratos, amplos ou atemporais;
 § Coletânea composta por textos de diferentes gêneros: pinturas, poemas, textos da filosofia, sociologia ou história; 
DICAS: 
 § Evite fórmulas prontas ou muito engessadas: Você não precisa estruturar seu texto com mecanismos de coesão tão 
comuns como “Em primeira análise..” etc.
 § Fundamente seus argumentos e crie sua introdução a partir de um repertório sociocultural diferente: 
Evite citações “coringas”. Nesses casos, prefira referir-se ao conceito do autor.
 § Analise o recorte temático e a coletânea de modo profundo: Na FUVEST, o aluno é avaliado pela capacidade 
de desenvolver aquele tema. Ou seja, mais do que compreendê-lo, é fundamental estabelecer uma análise profunda 
da discussão proposta.
 § Atente à escolha do léxico. 
ESPECIFICIDADES DA FUVEST E DA VUNESP
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espeCifiCidades da vunesp
PROPOSTA COM VIÉS 
MAIS POLÊMICO
As provas frequentemente abordam temas sociais, políticos, culturais, econômicos ou científicos que estão em 
discussão na mídia, nas esferas legislativas, nas redes sociais, etc. (Uberização/aborto/descriminalização da maco-
nha/eutanásia/educação domiciliar/DST entre jovens, etc). 
POLARIZAÇÃO 
DE IDEIAS
Os excertos escolhidos pela VUNESP costumam apresentar pontos de vista divergentes sobre o assunto em 
questão. Essa escolha não é aleatória: ela induz o candidato a criar argumentos que sejam capazes de corro-
borar ou contestar os posicionamentos apresentados na coletânea, fazendo – sobretudo – o uso de ressalvas. 
Sendo assim, é importante observar se os argumentos escolhidos para sustentar a tese já não estão “invalida-
dos” por um desses excertos da coletânea.
ATENÇÃO AO 
RECORTE TEMÁTICO
É preciso muita atenção ao ler o recorte temático proposto pela VUNESP. Isso porque ele costuma abordar 
um mesmo assunto a partir de recortes diferentes. Exemplo: O voto nulo é um ato político eficaz? (UNIFESP 
2017)/ O voto deveria ser facultativo no Brasil? (UNESP 2018). Ambos os temas falam sobre votos e eleição, 
mas possuem recortes diferentes. Além disso vale considerar que esse recorte pode ser apresentado em forma 
de perguntas ou de afirmações.
PADRÃO DE COLETÂNEA
Diferentemente da FUVEST, a VUNESP possui um modelo padronizado de apresentação da proposta. Ele 
consiste na seleção de 2 a 5 textos que servem de auxílio para a compreensão do tema e para a elaboração 
dos argumentos pelo candidato. Como a maior parte desses excertos é proveniente do meio jornalístico, 
entende-se que as propostas da VUNESP dialogam com temas em constante debate na mídia, o que facilita 
a construção dos argumentos. No entanto, é importante saber interpretar todos os gêneros textuais: quadri-
nhos, charges, textos filosóficos, poemas, etc, pois – eventualmente – algumas coletâneas são compostas de 
diferentes tipos de texto.
ADOÇÃO DE UM 
POSICIONAMENTO 
CLARO
Adote um posicionamento claro. É fundamental que o ao ler o recorte temático e a coletânea, você já 
saiba ao menos qual das ideias quer defender. Evite “ficar em cima do muro”, pois corre-se um risco 
muito alto de cair em contradição. Assuma seu posicionamento, e escolha ao menos dois argumentos 
para provar que você está correto em sua argumentação.
Lembre-se das especificidades da VUNESP
 § Proposta que discute temas contemporâneos diante dos quais o aluno precisa se posicionar;
 § Coletânea composta por visões e posicionamentos polarizados;
 § Recortes temáticos com assuntos polêmicos;
DICAS: 
 § Atente ao recorte temático proposto: cuidado com a fuga ao tema.
 § Adote um posicionamento claro: evite cair em contradição ao longo do texto
 § Valorize seu repertório pessoal: procure legitimar suas ideias com repertórios exteriores à coletânea.
 § Capriche no desenvolvimento de seu parágrafo.
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Composição da introdução: 
Uso de um repertório para a contextualização do tema, apresentação do recorte temático proposto e apresentação da tese.
CONTEXTUALIZAÇÃO 1. Repertório: Inicie o texto com algum repertório sociocultural para poder criar uma analogia com o tema a ser discutido. (Literatura; História; Sociologia; Filosofia; Legislação).
DIRECIONAMENTO
2. Apresentação do tema: A partir da analogia estabelecida, apresente o tema da redação. Use palavras próximas 
ao recorte temático para garantir a compreensão do tema.
3. Tese: Apresente o seu posicionamento a respeito do tema proposto.
estratégias de introdução
APRESENTAÇÃO 
DA QUESTÃO
Esse modelo de introdução, usado por muitos alunos, é um dos mais seguros para os que possuem mais 
dificuldade de iniciar a redação. Ele pode ser iniciado por afirmações, declarações gerais e até mesmo 
exemplos a respeito do assunto, seguidos de exposição da problemática que envolve o tema e, finalmente, 
a tese do autor.
USO DE IMAGENS
Esse modelo consiste em apropriar-se de uma imagem/metáfora que, de alguma forma, relacione-se com o as-
sunto em questão. Trata-se selecionar uma imagem (dentro de um universo simbólico) que conduzirá o raciocínio 
a ser construído.
Essa imagempode ser uma história, uma anedota, um dito-popular, isto é: algo que aparentemente não se 
relaciona com o tema, mas que é usado como forma de construir uma analogia.
DADOS HISTÓRICOS
O uso de dados históricos é um dos modelos mais usados na redação, justamente por ser uma forma segura de 
iniciar o período.
No entanto, é preciso ter cuidado: a informação deve estar diretamente relacionada com o tema e deve ser usada 
apenas para introduzir a questão. Muitas vezes, alguns alunos exageram nos detalhes históricos e esquecem o 
objetivo principal, deixando a introdução longa e tediosa.
REFERÊNCIAS 
FICCIONAIS
Outra forma produtiva de se iniciar uma redação é a partir do uso de referências da ficção, isto é, menções a 
filmes, livros, séries, poemas e até mesmo pinturas. Para empregar essa técnica, é preciso criar uma relação 
entre um aspecto da obra e a realidade do tema abordado, estabelecendo semelhanças, diferenças e outras 
analogias possíveis.
No entanto, a recomendação é a mesma do uso de dados históricos:a referência ficcional só deve entrar se ela 
efetivamente puder criar uma analogia com o tema discutido.
USO DE LEIS
Também é possível introduzir a redação apresentando dados de leis que se relacionem com o tema abor-
dado. É comum encontrar redações que se referem à Constituição Federal Brasileira, ao Estatuto da Criança 
e do Adolescente e a outras determinações legais, estabelecendo uma relação entre tais leis e os recortes 
temáticos propostos.
USO DE TEORIAS 
FILOSÓFICAS/
SOCIOLÓGICAS E 
DE OUTRAS ÁREAS 
CIENTÍFICAS
Usar recortes teóricos da filosofia e da sociologia na introdução da redação pode ser uma boa alternativa para o 
seu texto, pois essas áreas dialogam, direta ou indiretamente, com questões sociais, políticas, científicas, culturais 
e comportamentais que estão presentes em muitas propostas de redação.
A dica é tentar selecionar um repertório bem adequado à temática discutida e caprichar na conexão entre esse 
repertório e a apresentação do tema. Além disso, é fundamental conhecer bem o conceito e saber escrever o 
nome do autor da obra, pois isso trará legitimidade e veracidade às analogias estabelecidas.
INTRODUÇÃO I: ESTRUTURA 
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exemplos de introdução
EXEMPLO ENEM: A BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA NO BRASIL 
1. REPERTÓRIO
O dramaturgo alemão Bertold Brecht, na peça “A exceção e a regra”, afirma que as pessoas devem desconfiar 
daquilo que se apresenta como aparentemente natural, já que o cotidiano da sociedade da época estava repleto 
de confusões e conflitos capazes de produzir enganos e injustiças no convívio entre os cidadãos. 
2. APRESENTAÇÃO DO 
TEMA/PROBLEMA
Embora a concepção do autor esteja presente em uma obra ficcional do início do século XX, é possível dizer 
que essa recomendação seria providencial para o momento contemporâneo brasileiro, uma vez que boa 
parte da população do país naturaliza a violência contra determinados grupos sem refletir atentamente 
sobre tal hábito.
3. TESE
Nesse sentido, pode-se afirmar que a ausência de uma consciência histórica entre a sociedade civil e a legi-
timação da violência por parte do Estado são umas das principais razões para a persistência desse processo 
de banalização.
EXEMPLO VUNESP: A ESPETACULARIZAÇÃO DA NOTÍCIA NA TELEVISÃO: ENTRE O COMPROMISSO COM A INFORMAÇÃO 
E AUSÊNCIA DE POSTURA ÉTICA
1. REPERTÓRIO
Noticiar fatos, eventos ou testemunhos a partir de um relato jornalístico mais apelativo ou emocional não é algo 
recente na história da comunicação brasileira. Na passagem do século XIX para o XX, era comum encontrar no-
tícias de violência, suicídio ou atropelamentos sendo apresentadas de modo dramático e até mesmo cômico em 
veículos de grande projeção, como no jornal o Estado de São Paulo. 
2. APRESENTAÇÃO DO 
TEMA/POLÊMICA
Atualmente, essa mesma lógica baseada no espetáculo ainda pode ser vista na mídia nacional, seja ela impres-
sa ou televisiva, pois muitos jornais, revistas, programas policialescos e até mesmo atrações vespertinas voltadas 
a temas variados se valem dessa narrativa chamativa para apresentar os fatos do dia a dia. Nesse contexto, 
muitas emissoras de televisão defendem que essa espetacularização se trata apenas de um modo diferente 
de informar a opinião pública, marcado, sobretudo, por uma forte ligação com os telespectadores e pelo uso 
constante da linguagem popular. 
3. TESE
No entanto, convém ressaltar que tais atrações não se mostram tão comprometidas com a informação e, ain-
da, rompem com a ética ao explorarem as dores e os traumas dos indivíduos e ao banalizarem discussões 
importantes para a vida em sociedade.
EXEMPLO FUVEST: DE QUE MANEIRA A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA LIDA COM AS EMOÇÕES?
1. REPERTÓRIO + 
APRESENTAÇÃO 
DO TEMA
O cientista Charles Darwin, em 1872, escreveu o livro “A expressão das emoções nos homens e nos animais” 
buscando evidenciar o modo como as espécies reagiam emocionalmente em diferentes situações. No século 
XX, Sigmund Freud também procurou estudar o funcionamento da mente humana e sua relação com as ações 
e emoções dos indivíduos.
2. TESE
No entanto, apesar dos avanços e esforços históricos da ciência em compreender o funcionamento das emoções 
humanas, pode-se afirmar que o sujeito contemporâneo não apresenta uma relação positiva com tal ques-
tão: em vez reconhecer a naturalidade das emoções, a sociedade de hoje recusa tais afetos e assim passa 
a sofrer graves consequências com essa escolha.
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CaraCterístiCas
De modo geral, a escrita da tese não costuma ser muito extensa. Em geral, ela é redigida em um ou dois períodos 
de modo sucinto a fim de que o leitor consigo identificar facilmente qual será o ponto de vista adotado naquela dissertação.
Além disso, também tem a função de mostrar ao leitor qual será o projeto de texto adotado ao longo da redação, 
fazendo possíveis referências aos argumentos a serem discutidos nos parágrafos de desenvolvimento. Essa apresenta-
ção permite ao corretor identificar um planejamento prévio por parte do aluno e também a existência de uma possível progres-
são textual ao longo da dissertação.
Há também um outro detalhe importante, por se tratar de um posicionamento do autor, é fundamental que a tese seja com-
posta por enunciados argumentativos, que possam ser questionados, contestados e que, obrigatoriamente, 
pressuponham explicações. Lembre-se das sugestões oferecidas na AULA 02 para redigir suas teses. 
TEMA Democratização do acesso ao cinema no Brasil – Enem 2019 – 1ª aplicação
EXEMPLO
“O cinema, considerado a sétima arte, é um importante meio de difusão do conhecimento, entretenimento e 
cultura. Por oferecer tamanha carga intelectual, ele deveria ser de fácil acesso a todos. No Brasil, entretanto, 
percebe-se que, no decorrer dos anos, o acesso a essa arte tornou-se pouco democrático devido 
a fatores históricos e à reduzida a atuação estatal para resolver essa problemática.
trecho extrAído de redAção notA 1000 do enem 2019, publIcAdA nA cArtIlhA “redAção A mIl 2.0”
COMENTÁRIO
A tese do candidato descreve que o cinema se tornou pouco democrático devido a fatores históricos e devido à 
baixa atuação do Estado para promover essa democratização. Da mesma forma, o autor se vale de substantivos 
abstratos e adjetivos “fatores históricos” e “atuação reduzida” para declarar seu posicionamento e determinar 
seu desenvolvimento.
TEMA O PAPEL DA CIÊNCIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO – Fuvest 2020
EXEMPLO
A produção de conhecimento acompanha o ser humano desde as origens da espécie, paulatinamente, foi pos-
sível transformar a roda em carro e este em avião. No entanto, algumas épocas históricas elucidam mais clara-
mente a valorização da razão e da ciência, fazendo uma ruptura com o passado, como o Renascimento. Inscrito 
em um quadrado e em um círculo, o “Homem-Vitruviano” de Leonardo da Vinci sintetiza essaexaltação do saber 
e da potencialidade humana, opondo-se, assim, aos saberes dogmáticos da “Idade das Trevas”. Contudo, a 
sociedade contemporânea caminha ao contrário da história da humanidade: vem desvalorizando 
a luz da ciência, retornando às sombras do passado.
(trecho extrAído de redAção notA 48 dA fuvest 2020 – estAtístIcAs e desempenho dos 
Alunos dA 108ª turmA dA fAculdAde de medIcInA dA unIversIdAde de são pAulo.)
COMENTÁRIO
O posicionamento adotado pelo autor da redação defende que ciência tem sido desvalorizada, o que tem levado 
a sociedade de volta às sombras do passado. É possível perceber que essa tese mostra um ponto de vista claro 
e direto sobre o tema abordado, ao empregar os verbos no gerúndio “desvalorizando a luz da ciência” e “retor-
nando às sombras do passado”.
TEMA VESTIMENTAS RELIGIOSAS NO ESPORTE: LEGITIMAÇÃO DA OPRESSÃO OU LIBERDADE DE MANI-FESTAÇÃO RELIGIOSA? – Unifesp 2020
EXEMPLO
Recentemente, uma marca de materiais de esporte optou por suspender as vendas de seu hijab esportivo, um 
traje demandado por algumas praticantes de corrida islâmica, o que gerou controvérsias entre segmentos da co-
munidade global. Por um lado, políticos nacionalistas ocidentais, como Aurore Bergé, defendem que a existência 
do hijab esportivo é uma legitimação da opressão às mulheres e afronta os valores ocidentais; por outro lado, há 
quem enxergue na vestimenta um modo de tornar o esporte acessível às mulheres islâmicas. De qualquer forma, 
a presença de vestimentas religiosas no esporte configura-se em uma liberdade de manifestação 
religiosa, uma vez que a opção pelo seu uso é uma escolha individual de cada mulher e permite 
que sua integração ao esporte seja acompanhada da preservação de sua cultura.
(trecho extrAído de redAção notA 47,727 do vestIbulAr unIfesp 2020 – dIsponível em: estAtístIcAs dos 
estudAntes AprovAdos em medIcInA nA escolA pAulIstA de medIcInA/unIversIdAde federAl de são pAulo.)
COMENTÁRIO
A tese em destaque no trecho acima mostra uma resposta direta à pergunta elaborada pela banca, bem como 
traça o desenvolvimento dos argumentos que comprovam essa tese: o fato de se tratar de uma escolha individual 
e o fato de tal ação permitir a integração ao esporte acompanhada da preservação da cultura.
INTRODUÇÃO II: ELABORAÇÃO DA TESE
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Exemplos
A) ENEM 
 § A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
A adoção sistemática dessas ações bárbaras é fruto da grande dificuldade do país em combater, no discurso e na prática, 
as ações que inferiorizam as mulheres. E tal ineficiência apenas reforça os ciclos violentos, pois transformam a omissão de 
todos em uma regra a ser seguida. 
 § O Histórico desafio de se valorizar o professor
Nesse contexto, torna-se ainda mais difícil valorizar a profissão docente, pois, apesar de sua importância, ela ainda enfrenta 
uma forte estigmatização diante da opinião pública que é reforçada pela ausência de incentivos salariais por parte das 
instituições de ensino.
B) VUNESP 
 § O fracasso da lei de cotas para deficientes: negligência das empresas ou falha do estado? 
No entanto, pode-se afirmar que a ineficácia da lei reside, sobretudo, na falta de interesse das empresas em contratar os defi-
cientes, ao subjugar a capacidade destes em atuar profissionalmente e ao burlar a legislação com a finalidade de não ser punida.
 § Uberização: entre a autonomia do trabalhador e a perda de direitos trabalhistas
Nesse contexto, pode-se afirmar que o processo de uberização, de fato, representa uma perda grave dos direitos trabalhistas, 
afetando tanto a saúde quanto a qualidade dos trabalhadores. E a pretensa autonomia conquistada por tais indivíduos nesse 
processo apenas legitima a precarização de sua função.
C) FUVEST
Como os temas abordados pela FUVEST trazem sempre abordagens mais amplas, reflexivas e atemporais, é importante 
que o aluno treine diferentes formas de elaborar sua tese, seja utilizando alguns verbos no presente, verbos de ligação, 
adjetivos ou substantivos abstratos. A melhor solução é trabalhar bem com todos os recursos argumentativos disponíveis 
para que sua tese tenha autoria e possa ser clara e objetiva em relação ao tema abordado.
TEMA: 
PARTICIPAÇÃO 
POLÍTICA: 
INDISPENSÁVEL 
OU SUPERADA?
É muito comum ouvir da boca de jovens hoje em dia que são apolíticos ou que a política não os diz respeito. 
Ainda assim, o Brasil possui um gigante movimento estudantil que participa das mais variadas discussões e 
lutas. É possível não ser engajado – seja por preguiça ou acomodação – mas apolítico, nunca. A 
política está presente em toda e qualquer detalhe da vida econômica e social, ela é indispen-
sável e ser apolítico é uma ilusão.
(trecho extrAído de redAção modelo do exAme fuvest 2012 - 
dIsponível www.fuvest.br (Acesso em 17.07.2017)
O surgimento da ciência política remonta à época da Antiguidade, ainda quando os gregos se organizavam em torno 
da pólis e começavam a definir os primeiros conceitos de cidadania que, posteriormente, difundir-se-iam pelo mundo. 
É indiscutível a importância da política para a, então, formação da sociedade tal como ela é conheci-
da na contemporaneidade. A partir dela, foram definidos direitos e deveres e, ainda mais relevante, 
tornou-se possível a participação do povo nas decisões que dizem respeito à vida em comunidade.
(trecho extrAído de redAção modelo do exAme fuvest 2012 - 
dIsponível www.fuvest.br (Acesso em 17.07.2017)
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É IMPORTANTE SABER
i. DaDo HiSTÓriCo releVanTe 
Lei de Terras, como ficou conhecida a lei nº 601 de 18 de setembro de 1850, foi a primeira iniciativa no sentido de organizar a propriedade privada 
no Brasil. Até então, não havia nenhum documento que regulamentasse a posse de terras e com as modificações sociais e econômicas pelas quais 
passava o país, o governo se viu pressionado a organizar esta questão.
A Lei de Terras foi aprovada no mesmo ano da lei Eusébio de Queirós, que previa o fim do tráfico negreiro e sinalizava a abolição da escravatura 
no Brasil. Grandes fazendeiros e políticos latifundiários se anteciparam a fim de impedir que negros pudessem também se tornar donos de terras.
https://www.InfoescolA.com/hIstorIA
ii. arGuMenTo De auToriDaDe 
“Não é somente a sociedade inteira que se torna o lugar da re-produção (das relações de produção e não somente os meios de produção), mas o es-
paço inteiro. Ocupado pelo neocapitalismo, setorizado, reduzido ao homogêneo ao mesmo tempo em que fragmentado, esmigalhado pelo mercado 
imobiliário (pois só fragmentos de espaço são vendidos para a clientela), o espaço torna-se a sede de poder e essa capacidade produtiva se estende 
ao espaço terrestre. O espaço natural é reduzido e transformado em um produto social pelo conjunto das técnicas, da física à informática; deste modo, 
se de um lado o espaço reproduz ativamente as relações de produção, de outro, contribui para sua manutenção e consolidação”.
henrI lefebvre, fIlósofo e socIólogo frAncês. In: do rurAl Ao urbAno.
iii. eXeMPloS Do CoTiDiano 
a) O número de mortos em Petrópolis após a tempestade de terça (15.02.2022) chegou a 104 até as 23h30 desta quarta-feira – ao menos 8 
vítimas são crianças. Segundo a Secretaria Estadual de Defesa Civil, 24 pessoas foram resgatadas com vida.
Pelo menos 54 casas foram destruídas pelas chuvas que atingiram a região e mais de 370 pessoas foram acolhidas em abrigos improvisados.
“temporAl em petrópolIs deIxA 104 mortos; mp regIstrou 35 desApArecIdos” https://g1.globo.com/ (16.02.2022)
b) A tragédia da vez no Brasil está dentro do Estado mais rico do Brasil. A última atualização da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros de São 
Paulo contabiliza 39 mortos e 41 desaparecidos nas enchentes que atingiram a região da Baixada Santista, no litoral sul de São Paulo, no início 
da semana. Entre as cidades afetadas,Guarujá se destaca com o maior número de vítimas, 27 no total, e é lá que estão os 41 não localizados, 
todos moradores de comunidades em regiões populares da cidade que é um dos destinos mais desejados por turistas no litoral de São Paulo. Os 
números tornam o desastre natural pior do que a tragédia na barragem de Mariana, em 2015, que vitimou 19 pessoas em Minas Gerais, e é até 
agora o mais impactante no verão chuvoso deste ano que já causou enchentes em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
“com 39 mortos e 41 desApArecIdos, trAgédIA nA bAIxAdA sAntIstA pode ser três vezes mAIor que mArIAnA” https://brAsIl.elpAIs.com/brAsIl (06.03.2020)
c) Uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, em janeiro de 2019, cinco suspeitos de integrar uma 
milícia que age em grilagem de terras. Entre eles, está um major da PM e um tenente reformado. Outras oito pessoas são procuradas, entre elas 
um ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O grupo é suspeito de comprar e vender imóveis construídos ilegalmente na 
Zona Oeste do Rio, além de crimes relacionados à ação da milícia nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, como agiotagem, 
extorsão de moradores e comerciantes, pagamento de propina e utilização de ligações clandestinas de água e energia.
“mAJor dA pm e mAIs 4 são presos em operAção contrA mIlícIA que Age em grIlAgem de terrAs no rJ” https://g1.globo.com (22.01.2019)
iV. aToreS ou SiTuaÇÕeS Que PoDeM Ser MoBiliZaDoS na DiSCuSSÃo Do TeMa (ProPoSTa eneM)
Um estudo da WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, é focado em três abordagens práticas que as gestões municipais podem se valer para 
combater a crise habitacional, com exemplos específicos de diferentes partes do mundo:
 § Participação social como ferramenta para melhorar as condições habitacionais sem afastar os moradores para a periferia. 
 § Ampliar o acesso ao aluguel para pessoas em todas as faixas de renda.
 § Converter terrenos centrais e não utilizados em empreendimentos de habitação social. 
“InIcIAtIvAs dIversAs procurAm crIAr hábIto de leIturA em um pAís que lê pouco” http://www.comcIencIA.br/ / (05.12.2019)
V. analoGia liTerÁria 
a) Quem reside na favela não tem quadra de vida. Não tem infância, juventude, maturidade.
Carolina Maria de Jesus. In: Quarto de despejo.
b) Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a parte que te cabe deste latifúndio
(...)
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
João cAbrAl de melo neto. In: morte e vIdA severInA.
tema 1: a moradia digna no brasil
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MULTIMÍDIA
i. Ver
§ Era o hotel cambrige – Direção: Eliane Caffé – 2017
Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Além 
da tensão diária que a ameaça de despejo causa, os novos moradores do prédio terão que lidar com seus dramas pessoais e aprender a 
conviver com pessoas que, apesar de diferentes, enfrentam juntos a vida nas ruas.
§ Leva - Documentário sobre a Ocupação Mauá – Direção: Juliana Vicente e Luiza Marques – 2012
No coração de São Paulo pulsa o maior movimento de luta por moradia da América Latina. Famílias desabrigadas ocupam o edifício Mauá, 
um dentre muitos ocupados no centro da cidade., O documentário LEVA acompanha a vida de moradores da ocupação e revela a organi-
zação de siglas que se unem numa organização para transformar os espaços abandonados em habitáveis. A estruturação do edifício pelos 
movimentos de luta de moradia irá refletir na reorganização e redescoberta das pessoas como indivíduos através do coletivo. 
dIsponível em: https://www.youtube.com/wAtch?v=xn2um8xhc4o
§ “Fim de Semana” – Direção: Erminia Maricato (1976)
Esse documentário trata da autoconstrução em bairros da periferia e municípios da Grande São Paulo. Colhe depoimentos de moradores 
de 3 áreas: Taboão – São Bernardo do Campo; Jardim d´Ávila – Osasco e Embu. O filme documenta as condições de vida nessas áreas e 
os sacrifícios em que se vêem empenhados os trabalhadores que desejam realizar o “sonho da casa própria”: construir, aos poucos, com a 
ajuda de amigos e parentes, nos fins de semana. 
dIsponível em: https://www.youtube.com/wAtch?v=-l1cvrw14J0&feAture=emb_logo
ii. ler
§ Justiça espacial e o direito à cidade – Ana Fani Alessandri Carlos, Glória Alves, Rafael Faleiros de Pádua (Org) - 2017
iii. aCeSSar
https://www.brcidades.org/direito-a-moradia-e-a-funcao-social
http://www.labhab.fau.usp.br/
http://www.direitoamoradia.fau.usp.br/?lang=pt
iV. ouVir
§ BR Cidades #3 – Desigualdades no Território - Spotify 
Vi. CiTaÇÃo 
A ideia do direito à cidade não surge fundamentalmente de diferentes caprichos e modismos intelectuais. Surge basicamente das ruas, dos 
bairros, como um grito de socorro e amparo das pessoas oprimidas em tempos de desespero.
dAvId hArvey, cIdAdes rebeldes, mArtIns edItorA, 2014. AdAptAdo.
Vii. leGiSlaÇÃo 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a 
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
(redAção dAdA pelA emendA constItucIonAl nº 90, de 2015)
Art. 21. Compete à União:
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos;
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
fonte: http://www.plAnAlto.gov.br/ccIvIl_03/constItuIcAo/constItuIcAocompIlAdo.htm
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PROPOSTA ENEM
Texto I
Em consonância com o Comentário Geral do Comitê dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da Organização das Nações Unidas – ONU, 
moradia adequada não é aquela que apenas oferece guarida contra as variações climáticas. Não é apenas um teto e quatro paredes. É muito mais: 
é aquela com condição de salubridade, de segurança e com um tamanho mínimo para que possa ser considerada habitável. Deve ser dotada das 
instalações sanitárias adequadas, atendida pelos serviços públicos essenciais, entre os quais água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública, 
coleta de lixo, pavimentação e transporte coletivo, e com acesso aos equipamentos sociais e comunitários básicos (postos de saúde, praças de 
lazer, escolas públicas, etc.). 
“dIreIto à morAdIA” http://www.urbAnIsmo.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9 (Acesso em 18.09.2022)
Texto II
A incapacidade de integrar os segmentos mais pobres da população às cidades é fruto não só do padrão excludente de desenvolvimento, mas 
também das políticas de planejamento e gestão urbana, do próprio sistema político que favorece determinados grupos e do regime jurídico que 
definiu ao longo do tempo os mecanismos de acesso à terra favoráveis à formação de uma sociedade patrimonialista que, ao fim e ao cabo, difi-
culta o reconhecimento de direitos sociais e estimula mercados de terras especulativos. Tais fatores não ofereceram aos grupos sociais mais pobres 
as condições adequadas de acesso à terra e à moradia, provocando a ocupação irregular do solo urbano.
O acesso à terra é um dos nós na urbanização brasileira, e, nas duas últimas décadas do século XX, no bojo da crise econômica mundial que afetou 
o país, as barreiras a este acesso pela população de menor renda se exacerbam, estimulando conflitos. Neste período, as desigualdades sociais se 
acirram no país e a concentração da pobreza se torna predominantemente urbana. 
“A regulArIzAção fundIárIA urbAnA nA AmAzônIA legAl” denIse de cAmposgouvêA; pAulo coelho ávIlA; sAndrA bernArdes rIbeIro.
Texto III
“omIssão” https://AmArIldochArge.wordpress.com/ (Acesso em 17.02.2022)
Texto IV
A ausência de debate sobre o direito à moradia digna é equivalente à ausência de debate sobre desigualdade social e racial. O Estado perpetuou um 
modelo habitacional que privilegia a concentração fundiária e distribui os problemas habitacionais e urbanos na população de baixa renda. Mesmo 
as iniciativas isoladas, não responderam à necessidade urgente de redistribuição de terra e de renda. O que se vê é uma desigualdade abissal.
E nesse contexto, está exposto à pobreza quem mora em lares de alvenaria e taipa sem revestimento ou feitos de madeira e artigo impróprios. Quem 
não tem banheiro, coleta de lixo, rede de esgoto ou abastecimento de água. Quem vive com mais três pessoas por cômodo e gasta demais com 
aluguel. O debate sobre outras dimensões de qualidade de vida precisa se ampliar.
flAvIA olIveIrA. “morAdIA dIgnA é debAte urgente” https://oglobo.globo.com/ (24.05.2019)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-ar-
gumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS IMPASSES NO ACESSO À MORADIA DIGNA NO BRASIL, 
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos 
e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
Menos de 24 horas após decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até 31 de março de 2022 
as regras que suspendem as remoções durante a pandemia de covid-19, 248 famílias foram despejadas na cidade de São Paulo, nesta quinta-
-feira (02.12.2021). Em decisão tomada ontem, o ministro determinou que a medida vale para imóveis localizados tanto na zona rural como 
na urbana. Mas este não foi o entendimento do Tribunal de Justiça (TJ-SP), que ordenou a retirada dos ocupantes do local na manhã de hoje. 
A ocupação Nova Conquista está localizada na Vila Sônia, na zona sul da capital paulista. A maioria das famílias reside no local desde abril e, 
segundo os relatos, a ocupação foi a forma encontrada por elas de garantir moradia em meio à situação de vulnerabilidade financeira agravada 
pela crise sanitária. O terreno, no entanto, pertence a uma construtora que entrou na Justiça solicitando a reintegração. 
De acordo com o Movimento Nova Conquista, a desocupação do terreno deveria ter sido suspensa nesta quinta devido à falta de contrapartida 
da prefeitura de São Paulo em garantir um local provisório e seguro para essas famílias. O acolhimento também havia sido determinado pela 
Justiça, mas não foi providenciado. 
“fAmílIAs são despeJAdAs em são pAulo mesmo Após stf estender suspensão de remoções” https://www.redebrAsIlAtuAl.com.br/ (02.12.2021)
Texto II
A lei brasileira proíbe a invasão de terras, com todas as suas letras, artigos e parágrafos; até agora, em 132 anos de República, ainda não apa-
receu nenhum jurista que tenha sido capaz de descobrir uma exceção, mesmos nos confins mais remotos da legislação, que permita a alguém 
invadir alguma terra que não lhe pertence e ficar ali de boa, com direito a não ser incomodado. Pode ser área rural. Pode ser área urbana. Não faz 
diferença: é proibido invadir. A Constituição estabelece que no Brasil existe a propriedade privada e que o Estado tem a obrigação de proteger a 
sua existência; não há nenhuma dúvida quanto a isso. Também não há dúvida que é um direito constitucional do cidadão receber essa proteção.
Invadir propriedade alheia, segundo a visão corrente no Brasil de hoje, é “justo”. Pronto: o invasor, pelo fato de invadir, passa a ter razão. O 
proprietário, pelo fato de ter uma escritura, passa a ser o delinquente.
A última exibição oficial dessa aberração acaba de ser fornecida pelo Supremo Tribunal Federal. As ordens judiciais de despejo contra invasões – 
sim, ainda há juízes que reconhecem o direito de propriedade no Brasil – ficam suspensas até o mês de março. A desculpa é a “pandemia”. Até 
março, segundo o STF, há pandemia, e havendo pandemia não se pode cumprir a lei. Não tem pé nem cabeça, é claro.
J. r. guzzo “o dIreIto à InvAsão” https://revIstAoeste.com/ (12.12.2021)
Texto III
Como de costume, ante a inércia do Poder Público, são os ocupantes – e não invasores, como de forma praticamente uníssona a grande mídia 
os define – que dão função social à propriedade imóvel inutilizada. Diante de tamanho déficit habitacional, preços inflacionados no mercado 
imobiliário –com imóveis vazios sendo instrumentos de especulação – são os ditos invasores que fazem com que a lei seja cumprida, já que o 
proprietário e o Poder Público mantêm-se inertes.
Os que criticam os ocupantes, sob o argumento de que seria uma invasão ilegal, com efeito não percebem serem estes que, na verdade, cumprem 
o previsto no ordenamento jurídico, uma vez que conferem à propriedade inutilizada uma função social. Ora, se desejam tanto que as leis sejam 
cumpridas deveriam apoiar as ocupações, que nada mais são do que o cumprimento da lei e das normas constitucionais. Isso para ficarmos 
apenas na questão da propriedade, desconsiderando diversas outras previsões constitucionais que legitimam tais atos de ocupação.
umberto Abreu noce. “ocupAr é dAr função socIAl à proprIedAde” http://www.JustIfIcAndo.com (07.05.2018)
Texto IV
A invasão de terras urbanas no Brasil é parte intrínseca do processo de urbanização. Ela é gigantesca e não é, fundamentalmente, fruto da ação 
da esquerda e nem de movimentos sociais que pretendem confrontar a lei. Ela é estrutural e institucionalizada pelo mercado imobiliário exclu-
dente e pela ausência de políticas sociais. No entanto, a dimensão e os fatos são dissimulados sob notável ardil ideológico.
ermínIA mArIcAto. “A terrA é um nó nA socIedAde brAsIleIrA ... tAmbém nAs cIdAdes” revIstA vozes, 1993. 
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando 
a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O USO DE PROPRIEDADADES PRIVADAS POR MOVIMENTOS DE MORADIA BRASIL: 
ENTRE O DIREITO À MORADIA E O DIREITO À PROPRIEDADE
É IMPORTANTE SABER
i. DaDo eSTaTÍSTiCo releVanTe 
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, divulgado no mês de julho, o número de pessoas desaparecidas no Brasil no ano 
passado foi de 62.587. Em São Paulo, Estado com maior registro de casos, a taxa foi reduzida em 15% em comparação ao ano anterior, mas o número 
de 18.342 desaparecidos ainda é preocupante. Para além do dado, os familiares sofrem com esta condição e demandam necessidades específicas 
durante o processo de busca pelo ente, conforme revela o relatório Ainda? Essa é a Palavra que Mais Dói, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha 
(CICV), também lançado em julho. 
“quAse 63 mIl pessoAs desApArecerAm em 2020 no brAsIl; como reAgem fAmílIAs?” http://AgencIAbrAsIl.ebc.com.br (08.08.2021)
ii. DaDo HiSTÓriCo releVanTe 
Fundada em 31 de março de 1996, a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) nasceu da iniciativa de duas mães 
de crianças desaparecidas, Ivanise Esperidião da Silva e Vera Lúcia Gonçalves.
Elas quiseram criar em São Paulo uma entidade que atuasse em busca de soluções para um problema que atinge milhares de famílias no país, mas 
que nem sempre chega ao conhecimento da maioria da população: o desaparecimento de crianças.
Ivanise, que hoje ocupam cargos de presidente e vice-presidente da ABCD, respectivamente, conheceram-se em janeiro de 1996 quando estavam 
num grupo de mães de crianças desaparecidas de São Paulo, que foi convidado a participar das gravações da novela Explode Coração.
Para quem não se lembra, a novela, de autoria de Glória Perez, levou para o horárionobre da TV Globo o drama de familiares de pessoas desapa-
recidas, dando origem a uma campanha nacional que resultou na localização de 113 pessoas desaparecidas, entre crianças, adolescentes e adultos.
http://www.mAesdAse.org.br/pAgInAs/InstItucIonAl.Aspx (AcessAdo em 20.02.2022)
iii. eXeMPloS Do CoTiDiano 
Três meninos desapareceram no último domingo (27), em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, depois de saírem para brincar em um campo 
de futebol perto de casa. Uma vizinha das crianças, amiga das mães, Ednalda Gonçalves, disse que os meninos tinham o costume de brincar 
no campinho e sempre voltavam no mesmo horário para casa. PUBLICIDADE RELACIONADAS Guarda-vida desaparece no mar e é encontrado 
em frente a posto de trabalho Menina de 5 anos desaparece e é encontrada morta em SP; padrasto confessa PM resgata adolescente baiana 
mantida sob cárcere privado por 4 meses no RJ O desaparecimento foi registrado na delegacia e a Polícia Civil investiga o sumiço de Lucas 
Matheus, 8, o primo dele, Alexandre da Silva, 10, e Fernando Henrique, de 11 anos. As crianças moram na rua João Alves, no bairro Castelar, e 
saíram juntas de casa e não retornaram mais.
“rJ: três crIAnçAs desApArecem em belford roxo Após sAírem pArA brIncAr” https://notIcIAs.uol.com.br/ (29.12.2020)
iV. aToreS ou SiTuaÇÕeS Que PoDeM Ser MoBiliZaDoS na DiSCuSSÃo Do TeMa (ProPoSTa eneM)
(REESTRUTURAÇÃO DA POLÍCIA E TECNOLOGIA)
O Estado pode capacitar profissionais para trabalhar na polícia, implantar o Registro Geral (RG) Nacional, criar banco de dados entre delegacias, 
hospitais, institutos médicos legais, albergues, inclusive com imagens das pessoas que circulam ali diariamente”, sugere Lucineide Damasceno.
“InIcIAtIvAs dIversAs procurAm crIAr hábIto de leIturA em um pAís que lê pouco” http://www.comcIencIA.br/ / (05.12.2019)
V. CiTaÇÃo 
A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar.
mArtIn luther kIng.
Vi. leGiSlaÇÃo 
Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e cria o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.
Parágrafo único. Os deveres atribuídos por esta Lei aos Estados e a órgãos estaduais aplicam-se ao Distrito Federal e aos Territórios.
Art. 2º Para efeitos desta Lei, considera-se:
I - pessoa desaparecida: todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua recupera-
ção e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas;
II - criança ou adolescente desaparecido: toda pessoa desaparecida menor de 18 (dezoito) anos;
III - autoridade central federal: órgão responsável pela consolidação das informações em nível nacional, pela definição das diretrizes da investigação 
de pessoas desaparecidas e pela coordenação das ações de cooperação operacional entre os órgãos de segurança pública;
IV - autoridade central estadual: órgão responsável pela consolidação das informações em nível estadual, pela definição das diretrizes da investiga-
ção de pessoas desaparecidas em âmbito estadual e pela coordenação das ações de cooperação operacional entre os órgãos de segurança pública;
V - cooperação operacional: compartilhamento de informações e integração de sistemas de informação entre órgãos estaduais e federais com a 
finalidade de unificar e aperfeiçoar o sistema nacional de localização de pessoas desaparecidas, coordenado pelos órgãos de segurança pública, 
com a intervenção de outras entidades, quando necessário.
tema 2: o desapareCimento de pessoas no brasil
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MULTIMÍDIA
i. Ver
§ Pelo menos oito pessoas desaparecem por hora no Brasil – https://www.youtube.com/
§ Onde está segunda? – Direção: Tommy Wirkola (2017)
§ A troca – Direção: Clint Eastwood (2008)
ii. ler
§ Cartilha de enfrentamento ao desaparecimento – http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Cartilhas/EnfrentamentoDesaparecimento.pdf
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PROPOSTA ENEM
Texto I
Desaparecimento é o sumiço repentino de alguém, sem aviso prévio a familiares ou a terceiros. Uma pessoa é considerada desaparecida quando 
não pode ser localizada nos lugares que costuma frequentar, nem encontrada de qualquer outra forma. Não é necessário aguardar algum intervalo 
de tempo para que alguém seja considerado como desaparecido. 
https://www.prefeIturA.sp.gov.br/(29.12.2021)
Texto II
 
https://www.fAcebook.com/cnJ.ofIcIAl
Texto III
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, além dos pro-
blemas vinculados ao sofrimento emocional da ausência de seus entes, as 
famílias também sofrem com outras fontes externas de desgaste. Entre elas, 
estão as experiências negativas ocorridas durante ações de busca, a piora da 
condição econômica e a percepção de que não há reconhecimento social do 
desaparecimento como um problema coletivo e que vai além de experiências 
ou dramas individuais. Para Maria Júlia Kovács, professora sênior do Depar-
tamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Persona-
lidade do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, ao Jornal da 
USP, a sociedade precisa entender esse problema dentro da esfera coletiva”-
Como todas as questões que envolvem crise, violência, dor e sofrimento, o 
problema do desaparecimento atinge a sociedade como um todo e nenhum 
núcleo familiar é invulnerável a este problema”, comenta Maria. “É impor-
tante entender que esse é um problema coletivo e de toda a sociedade.”
“quAse 63 mIl pessoAs desApArecerAm em 2020 no brAsIl; 
como reAgem fAmílIAs” www.uol.com.br/vIvAbem (08.08.2021)
Texto IV
Há quatro anos o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, apresenta informações sobre o desaparecimento de pessoas no 
País. A medição é feita em parceria com os estados e o Distrito Federal, tomando como base boletins de ocorrência. 
A média é de 69 mil casos por ano. Larissa Leite, coordenadora de proteção adjunta no Comité Internacional da Cruz Vermelha que, em 2017, se 
juntou ao trabalho do FBSP, explica onde ainda moram as inconsistências. 
“Diante de um caso de desaparecimento, um familiar pode registrar mais de um BO. Então pode ser que, dos 79 mil boletins contabilizados em 
2019, tenham casos correspondentes à mesma pessoa. Ou ainda que um mesmo boletim trate do desaparecimento de mais de uma pessoa”, 
explica. “Sem contar a subnotificação dos casos, já que há famílias que não fazem o registro do desaparecimento.” 
Os boletins também não trazem dados exatos de quando o desaparecimento ocorreu e de eventuais descobertas do paradeiro. “Os 39 mil boletins 
de encontro que foram reportados ao longo de 2019 podem ser de pessoas que desapareceram em outros anos. Ainda há casos de pessoas encon-
tradas que nem chegaram a ser registradas, dada a solução rápida do caso”, esclarece. 
 “A buscA por lucAs, AlexAndre e fernAndo reflete um longo e complexo drAmA brAsIleIro” https://www.cArtAcApItAl.com.br/ (13.02.2021)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-ar-
gumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema O ENFRENTAMENTO DO DESAPARECIMENTO DE PESSOAS 
NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, 
argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
Desaparecimento é o sumiço repentino de alguém, sem aviso prévio a familiares ou a terceiros. Uma pessoa é considerada desaparecida quando 
não pode ser localizada nos lugares que costuma frequentar, nem encontrada de qualquer outra forma. Não é necessário aguardar algum inter-
valo de tempo para que alguém seja considerado como desaparecido. 
https://www.prefeIturA.sp.gov.br/(29.12.2021))Texto II
Segundo o relatório do CICV, todas as famílias entrevistadas revelaram que o desaparecimento do ente impactou a saúde mental de alguma 
forma, desde condições psicológicas até consequências psiquiátricas, em seus diferentes graus de duração e intensidade. Dentre os relatos 
presentes no documento ansiedade e depressão são condições comuns entre quase todos os entrevistados. E esse desgaste emocional e físico, 
gerado pelo desaparecimento de um ente, está ligado às necessidades que cada um encontra no processo de busca pela pessoa. 
De acordo com o órgão internacional, muitos problemas jurídicos e administrativos que familiares de desaparecidos enfrentam não encontram 
soluções na legislação nacional atual e sequer há definição jurídica da situação do desaparecido e dos direitos de seus familiares até que se 
tenha esclarecido o paradeiro da vítima. Para Maria, a atuação do governo e das políticas públicas devem ser fundamentais nesse processo. 
“Como se tem visto, o número de desaparecidos aumenta e é muito importante a atuação pública para identificaras lugares com maior potencial 
e frequência de desaparecimentos, além de oferecer um serviço de apoio aos familiares tanto no enfrentamento quanto nas buscas pelo ente 
desaparecido.” 
“quAse 63 mIl pessoAs desApArecerAm em 2020 no brAsIl; como reAgem fAmílIAs” www.uol.com.br/vIvAbem (08.08.2021)
Texto III
Há quatro anos o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, apresenta informações 
sobre o desaparecimento de pessoas no País. A medição é feita em parceria com os estados e o Distrito Federal, tomando como base boletins 
de ocorrência. 
A média é de 69 mil casos por ano. Larissa Leite, coordenadora de proteção adjunta no Comité Internacional da Cruz Vermelha que, em 2017, 
se juntou ao trabalho do FBSP, explica onde ainda moram as inconsistências. 
“Diante um caso de desaparecimento, um familiar pode registrar mais de um BO. Então pode ser que, dos 79 mil boletins contabilizados em 
2019, tenham casos correspondentes à mesma pessoa. Ou ainda que um mesmo boletim trate do desaparecimento de mais de uma pessoa”, 
explica. “Sem contar a subnotificação dos casos, já que há famílias que não fazem o registro do desaparecimento.” 
Os boletins também não trazem dados exatos de quando o desaparecimento ocorreu e de eventuais descobertas do paradeiro. “Os 39 mil bole-
tins de encontro que foram reportados ao longo de 2019 podem ser de pessoas que desapareceram em outros anos. Ainda há casos de pessoas 
encontradas que nem chegaram a ser registradas, dada a solução rápida do caso”, esclarece.
“A buscA por lucAs, AlexAndre e fernAndo reflete um longo e complexo drAmA brAsIleIro” https://www.cArtAcApItAl.com.br/ (13.02.2021)
Texto IV
Milhares de pessoas sofrem com o sentimento provocado pela perda de um ente querido: a ausência. Ela é uma mistura de saudade e de 
angustia e pode ser comparado a um buraco sem fundo, segundo o psicólogo Gilberto Fernandes, da ONG Mães do Brasil, instituição que atua 
no combate ao desaparecimento de crianças e jovens. “A falta preenche mais que a presença de quem ficou”, diz. PUBLICIDADE O especialista 
comenta que a pessoa passa viver em função do desaparecimento. Ela procura por vários lugares, fica sem dormir, perde a fome, não tem vontade 
de trabalhar e de viver. Muitas vezes ainda existe a questão da culpa.
“elA se sente culpAdA porque deIxou o fIlho nA pAdArIA e ele não voltou, ou que permItIu que fosse A umA festA” https://www.uol.com.br/vIvAbem/ (02.02.2021)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a 
norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O DESAPARECIMENTO DE PESSOAS NO BRASIL E O DRAMA VIVIDO POR SEUS FAMILIARES 
LINGUAGENS
CÓDIGOS
e suas tecnologias
BETWEEN
ENGLISH AND 
PORTUGUESE
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INGLÊS
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tipos de provas
No Brasil, existem dois tipos de provas de vestibular que 
são comuns: as provas compostas por questões de múltipla 
escolha e as provas compostas por questões dissertativas 
com respostas em português. Além desses dois casos, é 
comum encontrar provas de somatória e provas com ques-
tões do tipo certo/errado.
Provas de múltipla escolha
Os vestibulares brasileiros, em sua maior parte apresen-
tam questões de múltipla escolha, sendo que elas podem 
demandar habilidades de leitura e compreensão de texto, 
vocabulário ou gramática. Além disso, os enunciados e 
alternativas dessas questões podem ser apresentados em 
português ou inglês.
Provas Dissertativas
A principal característica das provas de Inglês dos princi-
pais vestibulares é a prevalência de questões que deman-
dem domínio de vocabulário e leitura de texto. Questões 
objetivas sobre gramática são cada vez mais raras. No 
entanto, três tópicos ainda são muito comuns: Pronomes, 
Conectores e Modal Verbs. Estes temas são pedidos exa-
tamente porque sem esse domínio não se faz uma leitura 
de texto correta neste idioma. 
alguns falsos Cognatos 
importantes
 § actual (real, verdadeiro)
 § actually (na verdade, na realidade, o fato é que)
 § admiral (almirante)
 § alias (pseudônimo, nome falso)
 § amass (acumular, juntar)
 § animus (rivalidade)
 § anthem (hino)
 § appoint (nomear, indicar)
 § argument (discussão, debate)
 § beef (carne bovina)
 § braces (aparelho dental)
 § collar (gola)
 § college (faculdade)
 § commodity (mercadoria)
 § comprehensive (abrangente, extenso, amplo)
 § compromise (entrar em acordo, fazer concessão, acordo)
 § condom (preservativo)
 § convict (condenado)
 § corporate (cabo na hierarquia militar)
 § costume (fantasia)
 § deception (fraude, falsificação)
 § devolve (transferir)
 § diversion (desvio)
 § durex (preservativo)
 § eventually (finalmente, por fim)
 § exit (saída, sair)
 § fabric (tecido)
 § grip (agarrar algo firmemente)
 § hospice (albergue)
 § idiom (expressão idiomática)
 § ingenious (engenhoso)
 § inhabitable (habitável)
 § injury (ferimento)
 § interest (juros)
 § lecture (palestra, aula)
 § library (biblioteca)
 § lunch (almoço)
 § mayor (prefeito)
 § novel (romance escrito)
 § office (escritório)
OVERVIEW AND ANALYSIS
DO YOU UNDERSTAND? (TEXT INTERPRETATION)
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 § parents (pais)
 § phony (trapaceiro , mau caráter)
 § prejudice (preconceito)
 § preservative (conservante)
 § private (recruta)
 § push (empurrar)
 § realize (perceber)
 § requirement (requisito)
 § retired (aposentado)
 § retribution (represália, punição)
 § scholar (erudito)
 § sensible (sensato)
 § service (atendimento)
 § support (appoiar, apoio)
 § tax (imposto)
 § tenant (inquilino)
personal pronouns
Subject Pronouns Object Pronouns
I ME
YOU YOU
HE HIM
SHE HER
IT IT
WE US
YOU YOU
THEY THEM
Os personal pronouns da língua inglesa podem, com al-
gumas variações, ser relacionados aos pronomes pesso-
ais da língua portuguesa. O que o português chama de 
pronomes pessoais do caso reto, a língua inglesa chama 
de subject pronouns, e os pronomes oblíquos são análo-
gos aos object pronouns.
Observe alguns usos dos subject pronouns:
I am Brazilian – Eu sou brasileiro
You are Brazilian – Você(s) é(são) brasileiro(s)
He is Brazilian – Ele é brasileiro
She is Brazilian – Ela é brasileira
It is Brazilian – Isto/Esta coisa é brasileira
We are Brazilian – Nós somos brasileiros
They are Brazilian – Elas/Eles são brasileiros(as)
Em linhas gerais, a função dessa classe de pronomes nas 
duas linguagens é similar: pronomes substituem nomes. 
Não é comum repetirmos o mesmo nome muitas vezes, 
mas sim usar um pronome, uma vez que sabemos a quem 
tal pronome se refere. 
Exemplos:
Kate loves Brian. 
She loves Brian.
O exemplo acima faz a substituição do nome Kate pelo 
pronome She. Observe o exemplo a seguir
Brian loves Kate.
Brian loves her.
A diferença entreeles é que no exemplo 1 o nome Kate 
tem função de sujeito e foi substituído por um pronome de 
sujeito (She). Já no exemplo 2, o nome Kate tem função de 
objeto e foi substituído por um pronome de objeto (her).
Veja mais exemplos:
Brazilians agree with you. 
We agree with you.
They agree with other Brazilians. 
They agree with them.
The police officer will adress the issue 
She/He will adress the issue. 
possessive pronouns
Possessive Adjective 
Pronouns
Possessive Substantive 
Pronouns
MY MINE
YOUR YOURS
HIS HIS
HER HERS
ITS -------
OUR OURS
YOUR YOURS
THEIR THEIRS
WHO IS WHO?
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Os pronomes desse tópico, como o próprio nome supõe, 
introduzem uma relação de posse com um substantivo 
e são bastante semelhantes ao que encontramos na 
língua portuguesa. Mas aqui podemos enfrentar alguns 
problemas. Se por um lado o português apresenta mar-
cação quádrupla de pronomes (Eu – meu, minha, meus, 
minhas), o inglês apresente marcação simples para eles, 
com dois tipos de pronomes possessivos (Adjective e 
Substantive), enquanto aquele tem apenas um, o que 
pode gerar algumas dificuldades.
Possessive Adjective ou 
Possessive Substantive?
Em alguns casos, pode ser pedido que o vestibulando opte 
entre os dois tipos de pronomes acima mencionados. Além 
de ser um ponto que gera uma dúvida razoável, ele tam-
bém é muito solicitado em questões gramaticais.
Tenha em mente que os pronomes Possessive Adjectives 
(my, your, his, her, its, our, their) são aqueles nor-
malmente usados. Você só os substituirá pelos Possessive 
Substantives (mine, yours, his, hers, ours, theirs) em 
situações específicas. São elas:
1. Quando o substantivo a que se referir o pronome estiver 
omitido/subentendido.
Exemplo: 
I can’t find my pen. Can I use yours? 
(Eu não consigo encontrar minha caneta. Pos-
so usar a sua (caneta)?
2. Quando o substantivo a que se refere o pronome estiver 
antes do próprio pronome.
Exemplo: 
It belongs to a friend of mine. 
(Isto pertence a um amigo meu).
3. Após preposições.
Exemplo: 
They will come with their parents, and we’ll come 
with ours. 
(Eles virão com os pais deles e nós, com os nossos).
reflexive pronouns
Reflexive Pronouns
Myself
Yourself
Himself
Herself
Itself
Ourselves
Yourselves
Themselves
O uso dos pronomes reflexivos é de certa forma simples. 
Ele é utilizado como uma autorreferencia do sujeito. Ao 
contrário do que ocorre na Língua Portuguesa, a autorre-
ferência não faz uso do mesmo pronome do objeto, e sim 
de um específico. É uma referência a si mesmo e que não 
possui tradução direta.
Exemplo: 
Farei isso por mim mesmo. 
I will do it by myself (jamais me, como 
uma tradução direta poderia sugerir)
simple present (regra geral)
Ao contrário do português, que apresenta múltiplas desinên-
cias, o inglês tem como regra geral (exceções serão vistas no 
final deste item) a adição da letra “s” às terceiras pessoas do 
singular (he, she, it). Observe os exemplos a seguir:
To need = precisar, necessitar
I need to work better. 
(Eu preciso trabalhar melhor)
You need to work better. 
(Você precisa trabalhar melhor)
He needs to work better. 
(Ele precisa trabalhar melhor)
She needs to work better. 
(Ela precisa trablhar melhor)
It needs improvements. 
(Isto precisa de melhorias)
We need to work better. 
(Nós precisamos trablhar melhor)
THE HERE AND NOW
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You need to work better. 
(Vocês precisam trablhar melhor)
They need to work better. 
(Eles/elas precisam trablhar melhor)
Percebe-se que, enquanto a língua inglesa acrescenta ao 
bare infinitive dos verbos (infinitivo sem a partícula ‘to’) a 
letra ‘s’ aos pronomes de terceira pessoa do singular (he, 
she, it), a língua portuguesa acrescenta várias desinências 
ao verbo (preciso, precisa, precisamos etc).
Formas negativas do simple present
A forma negativa dos verbos no simple present segue uma 
norma bem simples: acrescente do not (don’t) quando o 
sujeito for I, you, we, they; acrescente does not (doesn’t) 
quando o sujeito for he, she, it.
Importante: Após o uso dos auxiliares do ou does, utilize 
o base form (infinitivo sem o to).
Formas interrogativas
Para que se obtenham as formas interrogativas dos ver-
bos no simple present, deve-se fazer uso dos verbos au-
xiliares do (para os pronomes I, you, we, they) e does (he, 
she, it), colocados antes dos respectivos sujeitos. 
to be
O verbo to be não segue as mesmas regras que orientam a 
maioria dos verbos em inglês. Ele é o único que apresenta 
três formas de presente. São elas:
 § I am Brazilian. (Eu sou brasileiro)
 § He, she it is from the Netherlands. (Ele/ela/isto é da 
Holanda.)
 § You, we, they are thirsty. (Você(s), nós, eles(as) estão 
com sede)
Talvez a maior dificuldade ao se lidar com o verbo to be 
resida no fato de que, ao ser vertido para o português, ele 
possa ter tanto estar quanto ser como significado, depen-
dendo do contexto em que o verbo está inserido.
Formas negativas
Para se conseguir as formas negativas do verbo to be, deve-se 
apenas acrescentar a partícula not à forma afirmativa. 
Formas interrogativas
Para que se obtenham as formas interrogativas do verbo to 
be, deve-se apenas inverter a posição do verbo e do sujeito. 
tHere to be
A estrutura there to be é usualmente entendida como o 
verbo haver, existir, ocorrer. Ele apresenta duas formas no 
presente there is (para o singular) e there are (para o plural).
Deve-se acrescentar a partícula not às formas afirmativas 
do there to be para que se obtenham suas respectivas for-
mas negativas. 
Formas interrogativas
Para que se obtenham as formas interrogativas do verbo 
there to be, deve-se apenas inverter a posição do verbo e 
do sujeito. 
present Continuous 
(present progressive)
O Present Continuous apresenta enorme semelhança com 
o tempo verbal Presente Contínuo da língua portuguesa. 
Ele é um tempo verbal que serve para expressar ações que 
estão acontecendo simultâneas à fala. O Present Conti-
nuous (ou Progressive) é formado pelo presente do verbo 
to be (concordando com cada sujeito) mais um outro verbo 
no gerund (sufixo ING).
Veja os exemplos:
 § I am composing a song right now. 
(Eu estou compondo uma música neste exato momento.)
 § You are listening my music. 
(Você está ouvindo minha música.)
 § He is composing a song on his acoustic guitar. 
(Ele está compondo uma música em sua guitarra.)
 § She is singing in her room. 
(Ela está cantando no quarto dela.)
 § It is working very well. 
(Isto está funcionando muito bem.)
 § We are watching a very interesting movie. 
(Nós estamos assistindo um filme muito interessante.)
 § You are wasting money. 
(Vocês estão desperdiçando dinheiro.)
 § They are surfing the web on their computers. 
(Eles estão navegando na internet em seus computa-
dores.)
As formas interrogativas do Present Continuous são dadas 
pela inversão do sujeito com o to be.
Exemplos:
 § Are you paying attention to the instructions? 
(Você está prestando atenção às instruções?)
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 § Is it working properly? 
(Isto está funcionando corretamente?)
As formas negativas do Present Continuous são dadas pela 
adição de not às formas do to be.
simple past 
Regular verbs (verbos regulares)
Os verbos regulares são os “queridinhos”dos alunos bra-
sileiros por se configurarem de forma mais simples. Para 
obter o passado dos verbos regulares, basta acrescentar 
o sufixo - ED a sua base form (infinitivo sem a partícula 
to), independentemente de quem seja o sujeito. Observe 
os exemplos a seguir:
to need (precisar, necessitar)
I needed to be smarter 
(Eu precisei ser mais inteligente.)
You needed to be smarter 
(Você precisou ser mais inteligente.)
He needed to be smater. 
(Ele precisou ser mais inteligente)
She needed to be more careful. 
(Ela precisouser mais cuidadosa.)
It needed to be practical
(Isto precisava ser mais prático.)
We needed to be more practical. 
(Nós precisamos ser mais práticos(as).)
You needed to be more practical 
(Vocês precisaram ser mais práticos)
They needed to be more practical. 
(Elas(es) precisaram ser mais práticos(as).)
Irregular verbs (verbos irregulares)
Encarar os verbos irregulares talvez seja a maior dificul-
dade para o estudante brasileiro quando esse se depara 
com o simple past da língua inglesa. Nesse aspecto, a 
língua inglesa se parece com a portuguesa, apresentan-
do formas verbais variadas (daí o termo irregular), dessa 
forma, assim como para aprender o português, também 
é necessário memorizar tais formas. Entretanto, tenha 
em mente que há apenas uma forma de passado para 
cada verbo, independente do sujeito. Seguem-se apenas 
alguns exemplos. 
 § to take – took (past)
I took the subway to work. 
(Eu peguei o metro para trabalhar)
She took the subway to work. 
(Ela pegou o metro para o trabalho)
We took the subway to work.
(Nós tomamos o metro para o trabalho)
 § to go – went (past)
You went to school. 
(Você foi para a escola)
He went too far. 
(Ele foi longe demais.)
They went home together. 
(Eles foram juntos para casa)
 § to eat – ate (past)
I ate the whole pizza 
(Eu comi a pizza inteiro)
The dog ate our food 
(O cachorro comeu a nossa comida)
We ate pasta toguether 
(Nós comemos macarrão juntos) 
Formas Negativas
Para chegar as formas negativas dos verbos no simple 
past, é preciso acrescentar, após o sujeito e antes do 
verbo principal, o verbo auxiliar did e a partícula not, 
independentemente do verbo ser regular ou irregular. 
Formas interrogativas
Para se verter uma frase para a forma interrogativa quando 
um verbo está no simple past é preciso acrescentar o verbo 
auxiliar did antes do sujeito da oração. O verbo principal 
deve permanecer no base form (infinitivo sem to). 
FOCUS ON THE PAST
 § She is not (isn’t) composing a music. 
(Ela não está compondo uma música.)
 § I am not thinking about it. 
(Eu não estou pensando sobre isso.) 
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to be
O verbo to be tem duas formas de passado: was (I, he, she, 
it) e were (you, we, they). 
Observe os exemplos:
I was at work yesterday. 
(Eu estava no trabalho ontem).
You were at home yesterday. 
(Você estava em casa ontem.)
He was an French singer. 
(Ele era um cantor francês.)
She was an Spanish doctor. 
(Ela era uma médica espanhola)
The bike (it) was here four hours ago. 
(A bicicleta estava aqui há quatro horas atrás.)
We were busy yesterday. 
(Nós estávamos ocupados(as) ontem.)
They were bought in Russia in 2019. 
(Eles foram comprados na Rússia em 2019.)
Formas interrogativas
Para chegar as formas interrogativas de passado do 
verbo to be, deve-se trocar a posição do verbo com o 
sujeito da oração. 
Formas negativas
Para chegar as formas negativas do verbo to be no passa-
do, deve-se inserir a palavra not após o verbo.
tHere to be
Assim como no presente, duas formas de passado para o 
verbo there to be se apresentam: there was (para passa-
do singular) e there were (para passado plural). Veja os 
exemplos a seguir.
There was a restaurant near here. 
(Havia/existia um restaurante perto daqui.)
There were many restaurants here. 
(Havia/existiam muitas restaurantes perto daqui.)
Formas negativas 
Para chegar as formas negativas de passado do there to be, 
é preciso acrescentar a palavra not às formas afirmativas. 
Formas interrogativas
Ao trocar a posição da forma verbal was ou were com o 
pronome there, obtém-se a forma interrogativa do verbo 
there to be. 
Can
O verbo can tem todas as suas formas de passado (incluí-
das as de subjuntivo) concentradas na palavra could com 
qualquer que seja o sujeito envolvido.
Sophia could play sing very well when she was 
a child. 
(Sophia podia cantar muito bem quando ela era 
criança.)
Two years ago we could buy a car, but today this 
is impossible. 
(Há dois anos nós podíamos comprar um carro, 
mas hoje isto é impossível.)
I would go home if I could. 
(Eu iria para casa se eu pudesse.)
used to
Ao se deparar com textos em língua inglesa, o aluno sem-
pre lida com um problema comum de quem tem português 
como língua materna: as formas de passado do inglês são 
correspondentes aos nossos verbos do pretérito perfeito ou 
do pretérito imperfeito? Como devo entender uma frase 
como ‘I played very well’? ‘Eu joguei muito bem’ ou ‘Eu 
jogava muito bem’?
As frases grafadas em simple past em inglês usualmente 
correspondem ao que nós nomeamos como pretérito per-
feito (ex: joguei, comi, bebi). Para se obter o mesmo sig-
nificado das nossas sentenças no pretérito imperfeito (ex: 
jogava, comia, bebia), a língua inglesa faz uso da estrutura 
used to. Em linhas gerais, ela é utilizada para expressar 
uma ação que era verdadeira no passado, mas que não é 
mais. Observe os exemplos:
I used to play basketball very well. (Eu costuma-
va jogar/jogava basquete muito bem)
She used to be a great singer. (Ela era/costu-
mava ser uma grande cantora)
Did you use to travel to the country when you 
lived abroad? (Você costumava viajar/viajava 
para o interior quando você morou no exterior?)
I didn’t use to like it, but now I do. (Eu não 
costumava gostar disso, mas agora eu gosto)
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past Continuous
Muito parecido com o caso previamente apresentado do 
present continuous, o past continuous da língua inglesa é 
um tempo verbal utilizado para expressar uma ação que 
estava acontecendo simultaneamente à outra, no passado 
e é formado por uma forma de passado do verbo to be 
(was ou were) mais um outro verbo de ação acrescido do 
sufixo - ING (gerund). Estude os exemplos:
When you called, I was taking a shower. 
(Quando você ligou eu estava tomando banho)
Were you sleeping when I called you yesterday? 
(Você estava dormindo quando eu te liguei 
ontem?
She wasn’t paying attention when the teacher 
assigned her homework. 
(Ela não estava prestando atenção quando o 
professor passou a lição de casa.)
Apêndice #1: formas interrogativa-negativas
As diversar formas verbais abordadas nesta unidade (sim-
ple past, to be, there to be e can) mostram, além das for-
mas apresentadas (afirmativa, negativa e interrogativa) 
uma quarta forma: a interrogativa-negativa. As formas 
interrogativa-negativas são obtidas a partir das formas ne-
gativas, cada um dos verbos seguindo suas próprias regras. 
Estude os exemplos abaixo:
Didn’t they like their new clothes? 
(Eles(as) não gostaram de suas novas roupas?)
Didn’t you talk to him? 
(Você não conversou com eles?)
Weren’t you at home yesterday? 
(Você não estava em casa ontem?)
Wasn’t there a person waiting here? 
(Não havia uma pessoa esperando aqui?)
Couldn’t you ride bicycles when you were 6? 
(Você não conseguia andar de bicicleta quando 
você tinha 6 anos de idade?)
Apêndice #2: Uso enfático do auxiliar did
Além das formas interrogativas e negativas,há outro uso 
para o auxiliar did: o enfático. Veja os exemplos a seguir.
I liked the show 
(Eu gostei do show)
I did like the show 
(Eu gostei muito do show)
She told you not to be mad 
(Ela te pediu que não se chateasse) 
She did tell you not to be mas 
(Ela realmente te pediu/foi muito clara ao 
te pedir que não se chateasse.)
Apêndice #3: Tabela dos 150 verbos mais comuns da 
língua inglesa (regulares e Irregulares). A segunda coluna 
apresenta as formas de passado desses verbos, e a terceira 
coluna, as formas de particípio passado (past participle).
Existem duas estruturas verbais básicas para se apresentar 
ações futuras em língua inglesa: will e going to.
Will
É a forma mais comum. Serve para expressar um futuro 
mais incerto, sem data definida ou que acontecerá em um 
futuro mais distante.
Afirmativa: Sujeito + WILL 
+ verbo (base form)
Exemplos:
I will buy a house 
(Eu vou comprar umacasa.)
She will forgive me someday. 
(Ela um dia vai me perdoar.)
Those two countries will face a war. 
(Aqueles dois países vão encarar uma guerra.)
Negativa: Sujeito + WILL NOT 
(WON”T) + verbo (base form)
Exemplos:
I will not (won’t) marry to her. 
(Eu não vou casar com ela)
She will never forgive me. 
(Ela nunca me perdoará)
Those two countries will not (won’t) face a war. 
(Aqueles dois países não vão enfrentar uma guerra)
LOOKING FORWARD
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Interrogativa: WILL + Sujeito 
+ verbo (base form)
Exemplos:
Will you marry her? 
(Você vai casar com ela?)
Will she ever forgive you? 
(Ela algum dia irá te perdoar?)
Will those two countries face a war? 
(Aqueles dois países enfrentarão uma guerra)
WILL: expressa também decisão 
pessoal súbita, sem programação. 
Exemplo:
“Look that dog! It is very cute. I will buy it!”
Observações:
NUNCA utilize to antes ou depois do verbo auxiliar 
WILL.
I will to help you. (incorrect)
I will help you. (correct)
NUNCA acrescente ‘s’ no verbo auxiliar WILL para as 
terceiras pessoas do singular she, he, it.
She wills help you. (incorrect)
She will help you. (correct)
going to
A estrutura verbal going to é utilizada para expressar um 
futuro mais próximo, com data ou preparação já definidos.
Afirmativa: Sujeito + to be 
(present) + going to + verbo
Exemplos:
I am going to marry her. 
(Eu vou casar com ela.)
George is going to take your credibility into 
account. 
(George vai levar em conta sua credibilidade.)
Japan is going to host the 2020 Olympic Games. 
(O Japão vai sediar os jogos olímpicos de 2020)
Those two countries are certainly going to face 
a war 
(Aqueles dois países certamente vão entrar em 
guerra.)
Negativa: Sujeito + to be (present) 
+ NOT + going to + verb
Exemplos:
You are not going to buy it! 
(Você não vai comprar isso!)
People are going to accept any changes. 
(As pessoas vão aceitar quaisquer mudanças)
This is going to be designed in China. 
(Isto vai ser projetado na China)
Interrogativa: to be (present) 
+ sujeito + going to + verb
Exemplos:
Are we going to accept his apologies? 
(Nós vamos aceitar suas desculpas?)
Am I going to obey you? 
(Eu vou obedecer vocês?)
Is Laura going to live abroad? 
(Laura vai viver no exterior?)
Going to: expressa também ideia de 
futuro a partir de evidências notáveis.
Exemplo:
“The sky is cloudy. It is going to rain soon.”
Apêndice #1
Embora muito menos comuns, existem duas outras estru-
turas verbais que também apresentam ações futuras. Estu-
de os exemplos abaixo:
Present Continuous
Exemplos:
I can’t go to the club with you because I am se-
eing my dentist tomorrow. 
(Eu não posso ir para balada com você porque eu 
vou no meu dentista amanhã)
They are answering the e-mail very soon. 
(Eles estarão respondendo ao e-mail muito em 
breve)
Simple Present
Exemplos:
Governments are likey to face challenges in a 
near future. 
(Governos estão propensos a ter desafios em um 
futuro próximo)
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mais comumente encontrado associado aos sujeitos I e 
WE. Estude os exemplos a seguir:
I shall/will talk to the principal about that. 
(Eu conversarei o diretor sobre isso)
We shall/will not pass beyond this point. 
(Nós não iremos além desse ponto)
His schoolmates play basketball every Friday sin-
ce 1993. 
(Os colegas de escola dele jogam basquete toda 
sexta-feira desde 1993)
Apêndice #2
O verbo auxiliar SHALL tem a mesma função de WILL, 
embora seja muito mais formal e raro. SHALL é muito 
Os verbos modais são: can, could, may, might, should, 
must, ought to, will, shall e would.
Veja as regras gramaticais dos verbos modais:
 § Não adicione ‘s’ à terceira pessoa do singular.
 § Não são usados verbos auxiliares para frases negativas 
ou interrogativas.
 § Nunca acrescente a partícula to nem antes nem depois 
de um verbo modal (com exceção de have to e ought to).
Can/Could, may/migHt 
Expressam capacidade, habilidade, possibilidade, probabi-
lidade, para pedir e dar permissão e pedir auxílio. Todas 
as leituras possíveis incluem, no português, o verbo poder, 
sendo que o verbo can está sempre no presente. Could, 
além de ser a forma de passado de can, também pode ser 
compreendido como futuro do pretérito do verbo can (po-
deria, poderíamos). May e might também são usualmente 
compreendidos como poderia, poderíamos etc.
sHould, must, ougHt 
to, Have to
Normalmente expressam sugestões, conselhos, ordens, 
proibições e obrigações. Eles são normalmente entendi-
dos em português como os verbos dever (ria) ou ter que. 
Todos os verbos desse grupo são verbos auxiliares, ou seja, 
não têm sentido sozinhos, mas somente associados ou re-
ferindo-se a outros verbos. 
Formas negativas
As formas negativas dos modal verbs são obtidas através 
da adição da palavra not. 
Formas interrogativas
As formas interrogativas dos modal verbs são obtidas atra-
vés da inversão do sujeito da oração e do verbo modal.
1. present perfeCt
HAVE/HAS + PAST PARTICIPLE
O Present Perfect é um tempo verbal utilizado para expres-
sar uma ação que começou no passado e cujas consequên-
cias se estendem (e são relevantes) até o momento da fala.
Exemplos:
I have lost my bag 
(Eu perdi minha bolsa). 
Neste caso, meu passaporte continua perdido.
She has left the house
(Ela saiu da casa). 
Ela saiu da casa e ainda não retornou.
Be quiet, please! I haven’t finished it yet. 
(Fique quieto, por favor! Eu ainda não terminei.) 
Ou seja, eu comecei algo e ainda estou executan-
do esta tarefa.
 § Ele é utilizado para expressar ações que têm se repeti-
do nos últimos tempos.
Exemplos:
She has worked a lot recently. 
(Ela tem trabalhado muito recentemente)
I have slept very well since I changed room with 
my sister. 
(Eu tenho dormido muito bem desde que eu 
troquei de quarto com a minha irmã.)
SHOULD WE CONTINUE
PERFECTION
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We have been responsible for her for 5 years. 
(Nós somos/temos sido os responsáveis por ela 
nos últimos 5 anos.) 
Nós começamos e ainda somos responsáveis por 
ele.
 § Ele é utilizado por ações que acabaram de acontecer 
ou estão quase acontecendo.
Exemplos:
I have just sent you my report. 
(Eu acabei de te mandar meu relatório)
Rush! The plane has arrived. 
(Apresse-se! O avião está chegando)
 § Com as palavras ever (ou never) normalmente expres-
sam-se experiências de uma vida inteira.
Exemplos:
Have you ever seen a lion? 
(Você já viu um leão?) 
Ou seja, desde o nascimento até o momento da 
fala.
No, I have never seen a lion. 
(Não, eu nunca vi um leão) 
Ou seja, desde o nascimento até o momento da 
fala.
She has never been abroad 
(Ela nunca esteve no exterior)
Present Perfect Continuous
HAVE/HAS + BEEN + VERB(ING)
É uma variação do Present Perfect. Ele é utilizado quando 
se quer enfatizar a continuidade de uma ação que come-
çou no passado e continua no presente.
Exemplos:
She has been washing the dishes since she 
arrived. (Ela está lavando louça desde que ela 
chegou) Ou seja, ela não interrompeu a lavagem 
em nenhum momento.
They have been married for 35 years. (Eles es-
tão casados há 35 anos.) Ou seja, há 35 anos, 
eles estão casados.
past perfeCt
HAD + PAST PARTICIPLE
O Past Perfect corresponde ao tempo verbal que a lín-
gua portuguesa chama de Pretérito mais-que-perfeito. 
A definição e o uso são quase os mesmos. Eles servem 
para expressar uma ação que está no passado do pas-
sado. Ou seja, caso se faça necessário expressar duas 
ações não simultâneas no passado, a ação mais antiga 
(que aconteceu primeiro) deve ser estar no Past Perfect, 
enquanto a mais recente (que aconteceu depois), deve 
estar no Simple Past. Estude os exemplos a seguir.
Exemplos:
Don’t be mad! When you arrived work, we had 
already finished the meeting 
(Não fique bravo! Quando você chegou ao tra-
balho, nós játínhamos terminado a reunião.)
Portugal and Spain had already signed the 
Tordesilhas treat when Pedro Àlvares Cabral ar-
rived in the Brazilian Coast in 1500. 
(Portugal e Espanha já tinham/haviam assi-
nado o tratado de Tordesilhas quando Pedro Ál-
vares Cabral chegou na costa brasileira em 1500)
Past Perfect Continuous
HAD + BEEN + VERB (ING)
O Past Perfect também pode ser utilizado em sua forma 
contínua, e, assim como o Present Perfect Continuous, a 
ênfase está na duração e continuidade da ação.
Exemplos:
I was short of breath on the phone because I 
had been running in the park. 
(Eu estava ofegante ao telefone porque eu 
tinha corrido/ estava correndo no parque.)
She had been waiting for a long time when 
you arrived. 
(Ela havia esperado/ esteve esperando por um 
longo tempo quando você chegou.)
future perfeCt Continuous
Mesmo que sejam muito mais raros, é possível que você 
encontre os dois tempos acima em textos mais sofisticados, 
portanto, vamos aprender um pouco sobre eles. Ambos são 
usados para expressar ações no futuro que se iniciaram em 
algum ponto do passado.
Estude os exemplos a seguir:
In a near future, Brazil will have hosted the two greatest 
events in the world. (Em um futuro próximo, o Brazil terá se-
diado os dois maiores eventos do mundo.) – Future Perfect. 
By 2030, I will have been living for 59 years. (Quando 
2030 chegar, eu terei vivido por 59 anos.) – Future Perfect 
Continuous.
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Formas interrogativas
As formas negativas dos tempos perfeitos são conseguidas 
por meio da inversão do verbo auxiliar to have com o su-
jeito da oração.
Formas Negativas 
As formas negativas dos tempos perfeitos são consegui-
das através da adição do advérbio not junto ao verbo 
auxiliar to have, ou em alguns casos por meio da adição 
do advérbio never.
U.T.I. - Sala
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Climate change: How do we know?
The Earth’s climate has changed throughout history. Just in the last 650,000 years there have been seven cycles of gla-
cial advance and retreat, with the abrupt end of the last ice age about 7,000 years ago marking the beginning of the 
modern climate era – and of human civilization. Most of these climate changes are attributed to very small variations 
in Earth’s orbit that change the amount of solar energy our planet receives.
The current warming trend is of particular significance because most of it is extremely likely (greater than 95 percent 
probability) to be the result of human activity since the mid-20th century and proceeding at a rate that is unprece-
dented over decades to millennia.
Earth-orbiting satellites and other technological advances have enabled scientists to see the big picture, collecting 
many different types of information about our planet and its climate on a global scale. This body of data, collected 
over many years, reveals the signals of a changing climate.
The heat-trapping nature of carbon dioxide and other gases was demonstrated in the mid-19th century. Their ability 
to affect the transfer of infrared energy through the atmosphere is the scientific basis of many instruments flown 
by NASA. There is no question that increased levels of greenhouse gases must cause the Earth to warm in response.
(https://clImAte.nAsA.gov. AdAptAdo.) 
1. (UNESP 2018) De acordo com o terceiro parágrafo:
a) o que permite que os cientistas obtenham dados sobre a Terra na atualidade?
b) que tipo de dados têm sido obtidos e o que revelam? 
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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
AID WITH LESS BAGGAGE
by sIlvIA sprIng 
The last thing you’d probably expect to see a Malawian 
drought victim do is whip out her ATM card and pull 
cash out of a machine. But that’s exactly how some aid 
recipients in this beleaguered African nation now recei-
ve 1their monthly entitlements. [...]
It’s a novel development idea that’s catching on around 
the world. Until recently, most of the world’s relief aid 
came in the form of material goods like food, water, 
blankets, medicines or building materials, delivered by 
international staff that parachute into disaster areas, or 
local NGOs funded by rich donors. But in recent years, 
as the nonprofit world has increasingly come under fire 
for inefficiency, mismanagement and even corruption, 
there has been a push for new strategies. Cash aid, whi-
ch has been delivered to about 100,000 aid recipients 
in countries like Bangladesh, Pakistan, and Ethiopia via 
pilot programs, is one of 2them.
The idea behind cash aid is to cut the cost of aid de-
livery, reduce opportunities for corruption and theft 
of goods, and empower aid recipients by giving them 
more control over their own well-being. [...]
(newsweek, June 11, 2007: 35.) 
2. (UFRJ 2008) Transcreva do texto os termos que foram 
substituídos por:
a) “their” (ref. 1);
b) “them” (ref. 2). 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
JOB INTERVIEW: ESCAPE THE PITFALLS
1 It begins even before you say your first word in an 
interview. By the time the interviewer walks toward 
you, an opinion is already being formed. There you sit 
waiting to give your answers to questions you’ve pre-
pared for, while you are already being judged by your 
appearance, posture, smile or nervous look.
NONVERBAL PITFALLS TO WATCH FOR:
2 The Handshake: It’s your first encounter with the in-
terviewer. The person holds out his hand and receives a 
limp, damp hand in return - not a very good beginning. 
Your handshake should be firm, not bone-crushing, and 
your hand should be dry and warm.
3 Your Posture: Stand and sit erect. We’re not talking 
“ramrod” posture, but show some energy and enthu-
siasm. A slouching posture looks tired and uncaring. 
Check yourself out in a mirror or on videotape.
4 Eye Contact: Look the interviewer in the eye. You 
don’t want to stare, as this shows aggression. Occasion-
ally, glance at the interviewer’s hand as he is speaking. 
By constantly looking around the room while you are 
talking, you convey a lack of confidence or discomfort 
with what is being discussed.
5 Your Hands: Gesturing or talking with your hands is 
very natural. Getting carried away with hand gestures 
can be distracting. Also, avoid touching your mouth 
while talking. Watch yourself in a mirror while talking 
on the phone. Chances are you are probably using some 
of the same gestures in an interview.
6 Don’t Fidget: There is nothing worse than people play-
ing with their hair, clicking pen tops, tapping feet or un-
consciously touching parts of the body.
7 Preparing what you have to say is important, but 
practicing how you will say it is imperative. The nonver-
bal message can speak louder than the verbal message 
you’re sending.
cArole mArtIn
http://IntervIew.monster.com/ArtIcles/ActIons 
3. (UERJ 2004) Este texto, caracterizado como instrucio-
nal, pressupõe o emprego de formas verbais específi-
cas.
Retire uma oração em inglês cujas formas verbais ex-
pressam a noção de sugestão e conselho:
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
COMICS AS AN AMERICAN ART FORM
Whether in the Sunday paper or in a critically acclaimed 
graphic novel, comics have become a distinctive
American art form. Comic strips, comic books, and the 
characters that people them, are reflections of the cou-
ntry’s culture from the end of the 19th century to the 
present.
1In the late 1800s, many conditions seemed ripe for the 
arrival of a new form of communication that was nei-
ther merely literature nor merely graphic art. New and 
more advanced printing presses were allowing newspa-
pers to print more copies, better and faster, making it 
possible to easily reach an ever-increasing public. Also 
at that time, the enormous influx of new immigrants 
from eastern and southern Europe, with little or no 
knowledge of the English language, gave the medium 
of visual communication a steady audience.
The new cultural form was characterized bynarrative 
told in a sequence of pictures, with continuing casts of 
characters, and dialogue or text within the picture fra-
me. At this point, a new distinction was created that se-
parates most comic strips from the pictorial narratives 
of previous centuries. Comic strips were designed to 
compel the eye to travel forward from panel to panel, 
whereas earlier drawings were static and mainly served 
as illustrations for text. This new, kinetic, dimension of 
American comic art was a major departure from the car-
toons created at that time in other parts of the world. 
2Many experts designate the “birthdate” of American 
comics as 1895, when the Yellow Kid first appeared.
Among the many comics artists, 3one of the earliest was 
Richard Outcault (1863-1928), who created two of the 
field’s important characters, the Yellow Kid (1895) and 
Buster Brown (1902), and pioneered the development 
of the Sunday funnies and the merchandising of comics’ 
characters. Using his childhood insecurities and failures 
as material, 5Charles Schulz (1922-2000) was the writer 
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and artist of the incomparable Peanuts, which became 
the most widely read comic strip in the world, inspiring 
animated cartoons, toys, and reprint books.
Gary Trudeau’s (1948- ) Doonesbury made him the most 
prominent cartoonist-commentator on the political sce-
ne during the 1970s, 4bringing him the 1975 Pulitzer 
Prize, the first ever awarded for a comic strip. 7Calvin 
and Hobbes is written and drawn by former political 
cartoonist Bill Watterson (1958- ), who is known for ha-
ving his characters, a manic six-year-old and a level-he-
aded tiger, make abrupt mid-strip shifts from fantasy to 
reality, and from one character’s viewpoint to another.
6In the approximately 110 year-long-life of comics, they 
have encompassed every aspect of American life, from 
the down-to-earth to the esoteric. Today, due to cutba-
cks on space for continuity strips in newspapers, artists 
no longer have as much size available to include exten-
sive detail in their work and comics have become less 
popular with newspaper readers. The impact that the 
arrival of the computer age will have on comic artistry 
remains to be seen.
Clearly, animation of cartoon characters is making a co-
meback in movies and on digital entertainment websi-
tes. Fans of “the funnies” will be waiting to see.
www.AskArt.com
4. (UERJ 2009) Observe os fragmentos:
Charles Schulz (1922-2000) was the writer and artist of 
the incomparable “Peanuts”, (ref. 5)
In the approximately 110 year-long-life of comics, they 
have encompassed every aspect of American life, (ref. 6)
Justifique o emprego das formas verbais sublinhadas. 
A seguir, retire do texto, em inglês, outro exemplo para 
cada uma das noções temporais expressas por essas 
formas.
Responda EM PORTUGUÊS. 
U.T.I. - E.O.
1. (UNICAMP 2014) South America’s Earliest Empire
Images of winged, supernatural beings adorn a pair of heavy 
gold-and-silver ear ornaments that a high-ranking Wari wo-
man wore to her grave in the newly discovered mausoleum at 
El Castillo de Huarmey in Peru.
The Wari forged South America’s earliest empire betwe-
en 700 and 1000 A.D., and their Andean capital boasted 
a population greater than that of Paris at the time. To-
day, Peru’s Minister of Culture will officially announce 
the discovery of the first unlooted Wari imperial tomb 
by a team of Polish and Peruvian researchers. In all, the 
archaeological team has found the remains of 63 indivi-
duals, including three Wari queens.
(dIsponível em http://news.nAtIonAlgeogrAphIc.com/
news/2013/06/pIctures/130627-peru-ArchAeology-wArI-
south-AmerIcA-humAnsAcrIfIce-royAl-AncIent-world-photos/. 
AcessAdo em 27/08/2013.)
a) Que tipo de ornamento pessoal foi encontrado em um sítio 
arqueológico no Peru, do que ele é feito e a quem ele pertencia?
b) Explicite duas informações sobre o povo Wari presentes no texto. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
HOW TO CLOSE THE ACHIEVEMENT GAP
All over the world, your chances of success in school and 
life depend more on your family circumstances than any 
other factor. By age three, kids with professional parents 
are already a full year ahead of their poorer peers. They 
know twice as many words and score 40 points higher 
on IQ tests. By age 10, the gap is three years. By then, 
some poor children have not mastered basic reading and 
math skills, and many never will: this is the age at which 
failure starts to become irreversible.
A few school systems seem to have figured out how to 
erase these gaps. Finland ensures that every kid com-
pletes basic education and meets a rigorous standard. 
One Finnish district official, asked about the number of 
children who don’t complete school in her city, replied, “I 
can tell you their names if you want.” In the United Sta-
tes, KIPP (Knowledge Is Power Program) charter schools 
enroll students from the poorest families and ensure that 
almost every one of them graduates high school – 80 
percent make it to college. Singapore narrowed its achie-
vement gap among ethnic minorities from 17 percent to 
5 percent over 20 years.
These success stories offer lessons for the rest of us. First, 
get children into school early. High-quality preschooling 
does more for a child’s chances in school and life than 
any other educational intervention. 1One study, which 
began in the 1960s, tracked two groups of students from 
disadvantaged backgrounds. 2Some were given the 
opportunity to attend a high-quality preschool;4others 
were not. 3Thirty-five years later, the kids who went to 
preschool were earning more, had better jobs, and were 
less likely to have been in prison or divorced.
Second, recognize that the average kid spends about 
half his waking hours up until the age of 18 outside of 
school – don’t ignore that time. KIPP students spend 60 
percent more time in school than the average American 
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student. They arrive earlier, leave later, attend more re-
gularly, and even go to school every other Saturday. Si-
milarly, in 1966, Chile extended 5its school day to add the 
equivalent of more than two more years of schooling.
Third, pour lots of effort into training teachers. Studies 
in the United States have shown that kids with the most 
effective teachers learn three times as much as 6those 
with the least effective. Systems such as Singapore’s are 
choosy about recruiting; they invest in training and con-
tinuing education; they evaluate teachers regularly; and 
they award bonuses only to the top performers.
Finally, recognize the value of individualized attention. 
In Finland, kids who start to struggle receive one-on-one 
support from their teachers. Roughly one in three Finnish 
students also get extra help from a tutor each year. If we 
can learn the lesson of what works, we can build on it.
mourshed, monA; whelAn, fenton. how to close the 
AchIevement gAp. newsweek, new york, Aug. 23&30, 2010. p. 33.
peers: companheiros. 
2. (UFBA 2012) Say to which words or phrases the 
following words refer to:
• “others” (ref. 4):
• “its” (ref. 5):
• “those” (ref. 6): 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
An earthquake rides on a principle of disintegration-the 
disintegration not only of architecture and pavements 
and lives but also of the entire idea of order of process 
and human control. “What can one believe quite safe” 
asked Seneca, “if the world itself is shaken and its most 
solid parts totter to their fall... and the earth lose its 
chief characteristic stability?”
In March 1933, Albert Einstein was visiting the Long Be-
ach campus of the University of California. He and his 
host from the department of geology walked through 
the campus, intently discussing the motions of earth-
quakes. Suddenly they looked up in puzzlement to see 
people running out of campus buildings. Einstein andthe other scientist had been so busy discussing seismo-
logy that they did not notice the earthquake occurring 
under their feet.
tIme. october 30.1989
3. (FUVEST) “What can one believe quite safe, if the 
world itself is shaken?”
Reescreva no passado e no futuro. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
4. (UERJ 2017) Na tirinha, Calvin e seu pai conversam 
sobre um assunto importante.
Com base no primeiro quadrinho, indique o que moti-
vou essa conversa. Identifique, ainda, os referentes do 
pronome we no primeiro e no último quadrinho, res-
pectivamente. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A few notes about humour
Charlie Chaplin said it best: “A day without laughter is 
a day wasted”. Money might be what makes the world 
go round, but humour is what makes the journey tolera-
ble. What better way to acknowledge something than to 
consume it in jest?
Humor is the spice of life. Fun and laughter help reduce 
stress, and also help to keep you happy and healthy. 
Everybody loves a good laugh, and everybody needs a 
good reason to laugh once in a while. I have always en-
joyed listening to people tell jokes, and enjoyed telling 
jokes too. There are many ways in which comedy can be 
used in life, but my personal favourite is undoubtedly 
observational humour.
Observational humour is the sort where people make 
fun of life in general, turning the run-of-the-mill day 
into something people can laugh about. It takes a good 
amount of story-telling skill to turn a mundane, silly 
instance into a funny and witty* remark. Some of the 
comedians who have this skill are Mitch Hedberg, Dylan 
Moran, Louis C. K., George Carlin, Ed Byrne, and the list 
goes on.
Many people can manage to get out a laugh or two 
about aspects of life that pertain to a specific audience 
– for example, an in-joke that only locals will unders-
tand. But it takes something else to execute a brilliantly 
funny story about people in general, something that 
manages to creep past the cliché bin, which is why I 
have a good deal of respect for those comedians.
A sub-section of observational humor is when co-
medians, or regular folk, poke fun at current affairs, 
generally serious current affairs, and turn them into 
something satirical. 1This is significantly easier than 
compiling a whole show, and only requires you to follow 
current affairs and have a bit of wit about you. Besides 
this, with some skilled wordplay and a good performan-
ce, many a situation can be turned into a joke. The more 
grave the actual situation, the funnier and darker the 
spin-off story can be, if pun permits.
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Twitter is one of the current hang-outs for the exchan-
ges of these situational comics, and word plays spread 
like wildfire** once they’re out – 2like they did during 
the rescue of the Chilean miners, in october, 2010, for 
instance. Many of the jokes come from dedicated come-
dy spots (such as Sickipedia or Uncyclopedia), but the 
point is that there are many healthy communities and 
opportunities for people to express their farce take on 
things.
After a while, your mind is always ready to come up with 
a quirky statement about anything; it actually becomes 
habitual – which could be detrimental to your reputation 
if you’re not careful. It’s also really fun as it keeps you 
on your toes.
<theAmAteurobserver.wordpress.com>
(*) witty – espirituoso(a)
(**) spread like wildfire – alastrar-se 
5. (UERJ 2013) Em blogs, é comum o uso de marcas de 
primeira pessoa para explicitar a presença do autor.
Retire do texto, em inglês, duas orações que contenham 
essas marcas. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
The re-enchantment of everyday life
Enchantment is both the capacity of the world to charm 
us and the inspiration that comes upon us when we 
open ourselves to the magic in everyday experiences. 
An enchanted world is alive and rich in personality. It re-
veals itself to us in its beauty and poetic presence that 
ultimately make life feel worth living.
1Over the years, we have taken such pride in our scienti-
fic and technological achievements that we have come to 
imagine our entire lives as mechanical. We prize our ratio-
nality and quantifying methods, believing that they offer 
unmatched reliability. 2We have even introduced them 
into our arts and our psychological studies and therapies.
But we pay a price for this kind of progress. We have 
lost much that quickens the heart and nurtures the 
imagination. Our arts are marginalized as never before. 
Education has been reduced to information gathering 
and training. Medicine neglects the soul and spirit, and 
focuses exclusively on the purely physical dimensions of 
the person, using only mechanical and chemical means 
of healing. Politics appears obsessed with power and 
money instead of genuine needs of communities. All of 
these aspects of modern life hurt the soul and, therefo-
re, decrease our humanity.
3It’s tempting to respond to these serious problems 
with remedies that remain within the paradigm of 
modern culture instead of imagining an altogether di-
fferent way of life. A philosophy of enchantment turns 
current values upside down and asks that we step out-
side the frontiers of contemporary wisdom. Instead of 
rushing into the future, we might profoundly appreciate 
the past, and instead of treating nature as an inert, ina-
nimate substance - a resource for making the merely 
physical world, we might grant it its soul and persona-
lity. We become enchanted and inspired when we open 
our senses and our imagination to the song and speech 
of the world.
To live in an enchanting world we have to assume a 
receptive posture rather than an exclusively active one. 
We can become skilled at allowing the world in, taking 
its secrets to heart and finding power outside of our-
selves. This is the chief teaching of the wise, who have 
explored the secret potentialities of nature and human 
ingenuity in every period of history and in every culture. 
When, emptied of the debris of modernism, we enjoy 
the role of being a conduit for the powers that lie outsi-
de us, the world floods us with its wisdom and support.
thomAs moore (http://www.spIrItuAlItyheAlth.com)
6. (UERJ 2006) Observe os seguintes fragmentos:
1) We have even introduced THEM into our arts (ref. 2)
2) It’s tempting to respond to THESE SERIOUS PRO-
BLEMS with remedies (ref. 3)
As palavras destacadas são exemplos de mecanismo de 
coesão textual.
Indique:
a) os referentes de THEM no fragmento 1;
b) dois dos problemas a que se refere o fragmento 2. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
No fragmento I, do romance O retrato de Dorian Gray, 
o personagem Dorian vê pela primeira vez sua imagem 
retratada em uma pintura.
1Twenty minutes later Hallward stopped painting. He 
stood back and looked at the portrait for a few mo-
ments. Then he bent down and signed his name in red 
paint on the bottom left-hand corner. 
“It is finished”, he cried. 
Lord Henry came over and examined the picture. It was 
certainly a wonderful work of art. 
“My dear man”, he said, “It is the best portrait of our 
time. Mr. Gray, come over and look at yourself”. 
Dorian walked across to look at the painting. When 
he saw it, his cheeks went red with pleasure. He felt 
that he recognized his own beauty for the first time. 
But then he remembered what Lord Henry had said. His 
beauty would only be there for a few years. One day he 
would be old and ugly. 
“Don’t you like it?”, cried Hallward, not understanding 
why the young man was silent. 
“Of course he likes it”, said Lord Henry. “It is one of the 
greatest paintings in modern art”. 
(...) 
“How sad it is!”, said Dorian Gray, who was still sta-
ring at his own portrait. “I will grow old and horrible. 
But this painting will always stay young. It will never be 
older than this day in June… If only it were the other 
way!” 
“What do you mean?”, asked Hallward. 
“If I could stay young and the picture growold! For that 
– for that – I would give everything! Yes, there is no-
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thing in the whole world I would not give! I would give 
my soul for that!” 
“I don’t think you would like that, Basil”, cried Lord 
Henry, laughing. 
“I certainly would not, Harry”, said Hallward. 
2Dorian Gray turned and looked at him. “You like your 
art better than your friends.” 
3The painter stared in surprise. Why was Dorian spe-
aking like that? What had happened? His face was red, 
and he seemed quite angry. 
“You will always like this painting. But how long will you 
like me? 4Until I start getting old. Lord Henry Wotton is 
perfectly right. When I lose my beauty, I will lose every-
thing. I shall kill myself before I get old.” 
(...) 
Many years passed. Yet the wonderful beauty that had so 
fascinated Basil Hallward stayed with Dorian Gray. Even 
those who had heard terrible rumours against him could 
not believe them when they met him. He always had the 
look of someone who had kept himself pure. 
Many people suspected that there was something very 
wrong with Dorian’s life, but only he knew about the 
portrait. Some nights he would secretly enter the locked 
room. Holding a mirror in his hand, he would stand in 
front of the picture Basil Hallward had painted. He would 
look first at the horrible, old face in the picture, and then 
at the handsome young face that laughed back at him 
from the mirror. He fell more and more in love with his 
own beauty. And more and more interested in the corrup-
tion of his own soul.
AdAptAdo de wIlde, oscAr. the pIcture of 
dorIAn grAy. hArlow: peArson, 1994. 
7. (UERJ 2019) No último parágrafo do texto, a forma ver-
bal would é usada em três frases com a mesma função.
Aponte essa função. Justifique, ainda, esse uso de would, 
considerando o sentimento de Dorian pelo quadro. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O fragmento II, do romance de Dorian Gray apresenta-
do a seguir, apresenta os momentos finais da história, 
após o personagem Dorian, durante muitos anos, ter le-
vado uma vida libertina e de experiências amorais.
What worried Dorian was the death of his own soul. 
Basil had painted the portrait that had destroyed his 
life. He could not forgive him that. 1It was the portrait 
that had done everything. 
(…) 
A new life! That was what he wanted. That was what he 
was waiting for. Perhaps it had begun already. He would 
never again spoil innocence. He would be good. 
(…) 
He looked around and saw the knife that had killed Ba-
sil Hallward. He had cleaned it many times until there 
was no mark left on it. It was bright, and it shone. 2It 
had killed the painter. Now it would kill the painter’s 
work, and all that it meant. It would kill the past. When 
that was dead he would be free. He picked up the knife 
and pushed it into the picture. 
3There was a cry, and a crash. The cry was so horrible 
that frightened servants woke and came out of their 
rooms. Two gentlemen, who were passing in the Square 
below, stopped, and looked up at the great house. They 
hurried on until they met a policeman, and brought him 
back. The policeman rang the bell several times, but 
there was no answer. Except for a light in one of the 
top windows, the house was all dark. After a time, he 
went away and stood in the garden of the next house 
and watched. 
(…) 
Inside the house the servants were talking in low whis-
pers to each other. 4Old Mrs Leaf was crying. Francis was 
as white as death. 
After about a quarter of an hour, they went fearfully 
upstairs. 
(…) 
When they entered the room they found a portrait han-
ging on the wall. It showed Mr Dorian Gray as they had 
last seen him, young and beautiful. Lying on the floor 
was a dead man in evening dress. He had a knife in his 
heart. He was old and horribly ugly. It was not until they 
saw his rings that they recognized who the man was.
AdAptAdo de wIlde, oscAr. the pIcture of dorIAn grAy. 
hArlow: peArson, 1994.
8. (UERJ 2019)
(1) It was the portrait that had done everything. (ref. 1) 
(2) It had killed the painter. (ref. 2) 
Identifique os agentes das ações sublinhadas, respec-
tivamente, em (1) e em (2). Explique, também, o efeito 
produzido pela escolha de tais agentes. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia um fragmento do romance If today be sweet para 
responder à(s) questão(ões).
Neste fragmento, os leitores têm acesso aos sentimen-
tos e pensamentos do filho de Tehmina, Sorab, a respei-
to da esposa (Susan, uma americana), da mãe, da infân-
cia em Bombaim e da vida como imigrante na América 
do Norte.
Sorab felt the familiar rush of heat in the back of his 
neck that he felt each time Susan said something cri-
tical of Tehmina. He heard the frustration in his wife’s 
voice, but behind his eyes there was another, older 
image – of his mother bent over the kitchen counter 
chopping onions, her face flushed from the steam from 
the pressure cooker and the sting of the onions. Do 
you realize that my mother spent – wasted – her entire 
youth cooking and taking care of five other people? he 
wanted to say to Susan. (...)
It’s just that ... there are some things, some thoughts 
so elusive that they wiggle like fish out of the web of 
words. Some differences were so great that they were 
beyond language, beyond explanation. How envious Su-
san had been when he had first told her that his mother 
had always had servants. That the fisherwoman and the 
newspaper boy and the baker and the butcher all made 
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their morning rounds to the house, delivering their wa-
res. How easy, how luxurious Susan had imagined his 
mother’s life to be. And yet that‘s not how he remem-
bered her life, at all. 1What he remembered of his chil-
dhood was a blur of ringing doorbells and raised voices 
and his mother’s tired, flushed face and the complaints 
of neighbors and the haggling with the vendors and the 
arguments with the servants and the chain of unexpec-
ted visitors and demanding relatives who dropped in 
without calling first. And somehow, like the conductor 
of a mad orchestra, his mother had to manage it all (...). 
He had never asked and his mother had never said, but 
Sorab knew that Tehmina would have willingly traded 
in the servants and the vendors who came to her door 
for a dishwasher that didn’t complain, a vacuum cle-
aner that didn’t ask for a raise, a supermarket where 
the prices were fixed, a clothes dryer that didn’t talk 
back, a food processor that chopped onions without le-
aving a trail of tears in its wake.
He looked at Susan, trying so hard to understand him, 
and he felt the gap between them as enormous as the 
distance between Bombay and Ohio. How to explain to 
his wife the rift that opened up in his heart each time 
there was a conflict between the two women he loved 
most in the world? How to describe to her his first few 
years in America, when he had felt that rootlessness 
that only immigrants feel, so that he felt as if his head 
was touching the skies of America while his feet were 
rooted in Bombay, as if he was straddling two conti-
nents. (...) Sorab wanted to tell Susan about how, for 
years, he had longed for his life to be seamless, how he 
yearned to have all his loved ones under the same roof. 
And how, after his mother and father began to visit him 
in Ohio, he had finally felt whole, complete, seamless.
thrIty umrIgAr. If todAy be sweet. new 
york: hArpercollIns publIshers, 2007. 
9. (UERJ 2014) Por se tratar de uma narrativa de memó-
rias, o texto faz uso frequente de dois tempos verbais: o 
pretérito perfeito (simple past) e o pretérito mais-que-
-perfeito (past perfect).
Retire do último parágrafo, em inglês, uma frase que 
contém verbos conjugados nesses dois tempos e expli-
que a diferença de uso entre eles. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
 
Os quadrinhos 5, 6 e 7 apresentam uma história criada por Calvin.Considere esta informação para responder às 
questões. 
10. (UERJ 2013) Indique o tempo verbal mais usado na história escrita por Calvin. Em seguida, retire, em inglês, dois 
verbos regulares conjugados nesse tempo. 
HISTÓRIAHISTÓRIA
CIÊNCIAS
HUMANAS
e suas tecnologias
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HISTÓRIA GERAL
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Historiador e Historiografia 
A História é uma ciência humana. Como uma ciência, a 
História possui métodos para investigar o passado. His-
toriografia é o termo utilizado para designar o campo de 
estudo, as reflexões e os exames de discursos, narrativas e 
pesquisas sobre o passado. O historiador é o profissional 
apto para pesquisar e construir o saber histórico, definindo 
linhas de pesquisa, objetivos e, sobretudo, utilizando docu-
mentação para a análise do passado.
Para iniciar um trabalho de pesquisa histográfica, o histori-
ador precisa utilizar documentação, ou seja, algum elemen-
to humano que seja um vestígio do período que ele estuda. 
Por exemplo, a utilização de fontes textuais, evidências 
arqueológicas, fontes de cultura material, repre-
sentações pictóricas (gênero da pintura, com o objetivo 
de representar a aparência visual do sujeito, em geral um 
ser humano, embora também possam ser representados 
animais) e registros orais.
É a partir destes vestígios que o historiador elabora a sua 
ideia e monta a sua pesquisa com o objetivo de com-
preender o que ocorreu.
periodização da História
 Ao longo do tempo, os historiadores convencionaram-se 
a organizar os eventos em períodos. Essa periodização, 
naturalmente, seguia uma organização cronológica e utili-
zava acontecimentos marcantes para determinar o fim de 
um período e o começo de outro. O fim de um período, 
no entanto, não significava o registro de mudanças pro-
fundas e imediatas, mas indicava a partir daquele marco 
o acontecimento de mudanças significativas com o passar 
do tempo. Apesar de muitos historiadores questionarem a 
datação dos marcos de cada período, ela permanece em 
vigência e é utilizada como mecanismo para organizar o 
estudo da História e facilitar o ensino. 
Através de uma concepção eurocêntrica do mundo, difun-
diu-se uma linha do tempo baseada em eventos ligados 
ao contexto do continente europeu. Esta linha do tempo, 
considerada “oficial”, divide-se tradicionalmente em: 
 § Pré-História: Surgimento dos primeiros hominídeos 
até cerca de 4 mil anos a.C., com o surgimento dos 
primeiros tipos de escrita.
 § Idade Antiga: até 476 d.C. (Queda do Império Romano)
 § Idade Medieval: até 1453 (Tomada de Constantinopla) 
 § Idade Moderna: até 1789 (Revolução Francesa)
 § Idade Contemporânea: Dias atuais. 
Esta linha do tempo é um recorte eurocêntrico e, portanto, 
limitada à não oferecer dados para a compreensão históri-
ca e temporal de diversas outras sociedades humanas.
A periodização tradicional divide a História em duas gran-
des partes: “Pré-História” e “História”. Ou seja, o critério 
utilizado por essa visão histórica para dividir os dois perí-
odos é o surgimento da escrita. Vale destacar, porém, que 
essa visão é amplamente criticada. Colocar a escrita como 
um critério de divisão se mostra arbitrário e até mesmo 
preconceituoso, reduzindo sociedades ágrafas como “infe-
riores”. Aliás, como a própria denominação “Pré-História” 
explicita, é como se esses povos, por não terem uma cultu-
ra literária, nem ao menos teriam, portanto, História. 
De qualquer forma, estudar esse antigo e importante perío-
do da História humana é uma tarefa bastante complexa. O 
estudo desse período advém, sobretudo, de metodologias 
interdisciplinares. 
Portanto, o conhecimento desse período advém, por exem-
plo, dos vestígios e dos estudos arqueológicos e paleon-
tológicos, como pinturas rupestres, instrumentos antigos, 
restos de fósseis, etc. Com ajuda desses vestígios é possível 
elaborar teorias sobre esses povos. 
Os historiadores, durante suas pesquisas, fizeram uma 
divisão em dois períodos da pré-história, esses perío-
dos foram denominados como: Período Paleolítico e 
Período Neolítico. 
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE HISTÓRIA
“PRÉ-HISTÓRIA” 
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período paleolítiCo 
O período Paleolítico ou também conhecido como Idade da 
Pedra Lascada, ocorreu aproximadamente por volta de 2,7 
milhões de anos atrás até 10 mil a.C. 
O Paleolítico foi o maior período da pré-história, esse pe-
ríodo é chamado de Idade da Pedra Lascada porque uma 
das características principais desse período é o começo do 
desenvolvimento de ferramentas e de instrumentos de tra-
balho provenientes da pedra. 
O período Paleolítico foi marcado pelo domínio do fogo, o 
nomadismo (mobilização de grupos humanos sem local fi-
xos), caça em grupo, divisão de tarefas, coletas de recursos 
na natureza (frutos e raízes), as primeiras manifestações 
artísticas (pinturas rupestres), uso da pele de animais, uso 
de cavernas como abrigos naturais e o domínio do fogo. 
período neolítiCo 
O período Neolítico ou também conhecido como Idade da 
Pedra Polida ocorre aproximadamente 10 mil a.c. até 3 mil 
a.c., ou seja, ele ocorre desde a Revolução Neolítica até a 
criação da escrita. 
O Neolítico começa pela Revolução Neolítica, processo mar-
cado pelo momento em que alguns agrupamentos humanos 
começaram a desenvolver a agricultura e a domesticação dos 
animais. A partir desse contexto, o processo de sedentarização 
se intensificou e os agrupamentos humanos passaram por um 
grande aumento demográfico, transformações que deram ori-
gem as primeiras civilizações da humanidade. Ao longo desse 
processo, por volta de 6000 a.C, o desenvolvimento da meta-
lurgia e o surgimento de instrumentos de metal acabaram por 
aperfeiçoar ainda mais os utensílios humanos, dando origem 
ao período denominado “Idade dos Metais”. Ainda nessa 
conjuntura de grandes transformações, vale ressaltar que, por 
volta de 4000 a.C. teria surgido a cultura letrada, a escrita. 
egito
A civilização egípcia se desenvolveu no nordeste da África. A 
vida girava em torno do ciclo de cheias e vazantes do rio Nilo. 
O rio Nilo dividia o Egito em duas partes bem distintas: o 
Alto e o Baixo Egito. O Alto Egito é a região do interior 
do território, com cerca de 10 quilômetros de largura e 
que chega até a primeira catarata. O Baixo Egito é a 
região do delta, cheia de alagadiços e que se alarga à 
medida que se aproxima do Mediterrâneo.
Império Antigo (3200-2200 a.C.)
A história do Egito começa quando as populações que vi-
viam às margens do Nilo tornam-se comunidades dedica-
das mais à agricultura do que à caça ou à pesca. No quarto 
milênio antes de Cristo, evoluem para pequenas unidades 
políticas, chamadas nomos. Formaram-se dois reinos, um 
ao norte e outro ao sul. Por volta de 3200 a.C., o faraó 
Menés (ou Narmer) unificou os reinos, com capital em Tínis, 
daí o período até 2800 a.C. chamar-se Tinita.
Os sucessores de Menés organizaram uma monarquia 
poderosa e de maior prosperidade do Antigo Império. En-
tre 2700 e 2600 a.C., foram construídas as célebres pirâ-
mides de Gizé, atribuídas aos faraós Quéops, Quéfren 
e Miquerinos, da terceira dinastia, fundada por Djoser em 
cerca de 2850 a.C. , com a nova capital era Mênfis.
Império Médio (2000-1750 a.C.)
Entre 1800 e 1700 a.C., chegam os hebreus, mas são os 
hicsos, vindos da Ásia, que criam as maiores dificulda-
des. Trazem cavalos e carros de combate, que os egípcios 
desconhecem. Dominaram a região e instalaram-se no 
delta de 1750 a 1580 a.C.
Império Novo (1580-1085 a.C.)
Depois da expulsão dos hicsos, a nova fase, de enorme 
desenvolvimento militar, transformou o Egito em potência 
imperialista. O Novo Império marca o apogeu da civilização 
egípcia.
No reinado de Tutmés III (1480-1448 a.C.), o império atin-
giu sua maior expansão territorial, ampliando-se até o rio 
Eufrates, na Mesopotâmia.
Marido da rainha Nefertiti, Amenófis IV empreendeu uma 
revolução religiosa,provavelmente para anular o poder e a 
autoridade da camada sacerdotal, instituindo o culto mono-
teísta ao deus Áton, simbolizado pelo disco solar, chegando 
a mudar seu nome para Akhenaton (“aquele que agrada 
a Aton”).
Tutancáton, seu sucessor, restaurou o deus Amon e pôs fim 
à revolução. Mudou o próprio nome para Tutancâmon.
Os faraós da dinastia de Ramsés II (1320-1232 a.C.) enfren-
taram novos obstáculos, como a invasão dos hititas, vindos 
da Ásia Menor. O Império entrava em declínio. Em 525 a.C., 
ANTIGUIDADE ORIENTAL
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o rei persa Cambises derrota o faraó Psamético III. A inde-
pendência acabou. Nos séculos seguintes, os povos do Nilo 
seriam dominados pelos gregos e, finalmente, cairiam nas 
mãos do imperialismo romano, em 30 a.C.
Sociedade e Economia 
A agricultura de regadio era a principal atividade econô-
mica no Egito Antigo. Estava diretamente ligada às obras hi-
dráulicas que tornavam possível o controle das águas do Nilo.
A economia egípcia pode ser enquadradada no modo de 
produção asiático, em que coexistiam comunidades ca-
racterizadas pela propriedade coletiva do solo e organizadas 
sobre as relações de parentesco, com um poder estatal que 
representava a unidade verdadeira ou aparente de tais co-
munidades.
O Estado organizava as atividades produtivas por meio de 
uma rígida estrutura repressiva. A população camponesa pa-
gava impostos em produto ou em trabalho, numa estrutura 
denominada servidão coletiva. 
O governo do Egito antigo era teocrático. O faraó era con-
siderado filho de Amon-Rá, o deus Sol, e encarnação de 
Hórus, simbolizado pelo falcão. A nobreza era formada pelos 
parentes do faraó, altos funcionários do palácio, oficiais do 
exército, chefes administrativos e sacerdotes. 
Camponeses e artesãos eram a camada inferior da sociedade, 
mas deles dependia a prosperidade do país. Recebiam mí-
seros pagamentos em forma de produtos, moravam em ca-
banas, vestiam-se pobremente e comiam pouco. Aquilo que 
poupavam, guardavam para o funeral, para garantir uma vida 
melhor após a morte.
Cultura e religião 
Os egípcios eram politeístas, ou seja, adoravam vários deu-
ses. Antropozoomórficos esse deuses apresentavam forma 
de homem e animal. As principais divindades eram: Osíris, 
Amon-Rá, Isis, Hórus, Ápis e Anúbis. 
Para os egípcios, a morte apenas separava o corpo da alma. 
Por isso, era preciso conservar o corpo. Com essa finalidade, 
os egípcios desenvolveram técnicas de mumificação.
Ciência e arte
A arquitetura egípcia é reconhecida pelos seus templos, as 
pirâmides, as mastabas e os hipogeus.
pIrâmIdes de quéops, quefren e mIquerInos
Seus escritores se inspiravam em temas morais, poéticos ou 
religiosos, como o Texto das Pirâmides e o Livro dos Mortos.
Tinham três tipos de escrita. Uma sagrada, em túmulos e 
templos, a hieroglífica; uma versão mais simplificada, a 
hierática, em documentos administrativos; e a demócri-
ta, mais popular. 
mesopotâmia
Mesopotâmia (atual Iraque), é uma palavra de origem grega 
que significa “terra entre rios”. Localizava-se numa exten-
sa faixa de terra conhecida como Crescente Fértil, entre 
os rios Tigre e Eufrates 
A Mesopotâmia era formada por cidades-Estado com au-
tonomia religiosa, política e econômica e governadas por 
um sacerdote.
Sua cidade mais famosa foi Acad, que deu origem ao termo 
acádios. Estes estabeleceram uma organização centralizada 
em seu Império, afastando a influência dos sacerdotes. Por 
volta de 2330 a.C., o rei semita Sargão unificou as cidades 
sumérias, criando o Primeiro Império Mesopotâmico. 
Sociedade e economia
Marcadas pela agricultura de regadio e pela servidão 
coletiva, várias civilizações mesopotâmicas inseriram-se 
no chamado modo de produção asiático. A estrutura social 
mesopotâmica assemelhava-se à egípcia
Primeiro Império Babilônico 
(1800-1600 a.C.)
Hamurábi foi um dos primeiros reis babilônicos (1728-
1686 a.C.). Ampliou o Império e foi sobretudo um legisla-
dor, responsável pelo primeiro código de leis que se conhe-
ce: o Código de Hamurábi. 
Império Assírio (1875-612 a.C.)
Com origem por volta de 1800 a.C., o Império Assírio teve 
seu período de maior expansão entre 883 e 612 a.C., 
conquistando a Síria e o Egito. O Império Assírio chegou 
ao fim com a invasão e o domínio dos medos.
Novo Império ou Segundo 
Império Babilônico 
(612-539 a.C.)
Nabucodonosor (605 a 563 a.C.) tomou Jerusalém em 
587 a.C., levou numerosos israelitas cativos para a Babilônia), 
conquistou a Síria, a Fenícia e construiu grandiosas obras, 
como os Jardins Suspensos da Babilônia e a Torre de Babel. O 
Segundo Império Babilônico foi tomado por Ciro em 539 a.C.
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Cultura e religião
Estado teocrático, a religião mesopotâmica tinha cará-
ter politeísta. 
A escrita era em forma de cunha (cuneiforme). Na literatura, 
as principais obras foram o Poema da Criação e a Epopeia 
de Gilgamesh. Também avançaram em Matemática, criando 
tábuas de multiplicação e divisão. Na astronomia, desenvol-
veram um calendário baseado nos ciclos da Lua. A arquite-
tura se destacou pela construção de palácios e zigurates. 
Hebreus
A Palestina, localizada no Oriente Próximo, era formada 
pelo vale do rio Jordão, as áridas terras da Judeia e a planí-
cie costeira. Inicialmente habitada por cananeus, filisteus e 
arameus, foi povoada por volta de 2000 a.C. pelos hebreus, 
povo de origem semita.
Segundo a Bíblia, Abraão foi o primeiro patriarca, tendo 
conduzido seu povo à terra prometida por Deus, Canaã, 
ou Palestina. De seu neto, Jacó, originaram-se as 12 tri-
bos de Israel.
Por volta de 1800 a.C., as secas obrigaram os hebreus a 
emigrarem para o Egito. Os hebreus deixaram o Egito rumo 
à Palestina por volta de 1250 a.C. 
A luta pela reconquista da Palestina desencadeou um pro-
cesso de unificação das tribos hebraicas e centralização 
política, cujo desfecho foi a fundação do reino de Israel.
As relações comerciais com a Fenícia foram intensificadas. 
A morte do rei Salomão, em 933 a.C., desencadeou uma 
crise política conhecida como o cisma hebraico, resul-
tando na divisão do reino em duas partes: o Reino de Judá 
(duas tribos), situado ao sul, e o Reino de Israel (dez tri-
bos), localizado no norte. Em 722 a.C., o Reino de Israel 
foi conquistado por Sargão II e transformado em província 
do Império Assírio. O Reino de Judá foi conquistado por 
Nabucodonosor em 587 a.C. O Templo de Jerusalém foi 
destruído e os hebreus foram levados como escravos para 
a Babilônia (Cativeiro da Babilônia).
Em 539 a.C. termina o Cativeiro da Babilônia. Os hebreus 
retornam à Palestina, reconstroem o Templo de Jerusalém 
e se tornam parte do Império Persa. Situados nos territórios 
da antiga tribo de Judá, os habitantes dessa região passa-
ram a ser chamados de judeus.
Os judeus foram dominados por vários povos. Em 63 a.C., 
a Palestina foi conquistada por Pompeu e transformada em 
província do Império Romano. Em 70 d.C., os judeus se 
rebelaram contra o domínio dos romanos, que destruíram 
Jerusalém, inclusive o Templo, e expulsaram os judeus da 
Palestina. A dispersão dos judeus pelo mundo ficou conhe-
cida como Diáspora. 
Sociedade e economia
A economia era predominantemente agropastoril. Durante 
o Período dos Reis, a terra ficou concentrada nas mãos da 
aristocracia ligada ao Estado. Camponeses, pastores e uma 
pequena parcela de escravos estavam subordinados a essa 
aristocracia.
Cultura e religião
No Direito, os hebreus produziram o Código Deuteronô-
mio, e sua literatura está contida no Antigo Testamento. 
Constituíram a única civilização monoteísta da antigui-
dade oriental. Vale dizer que o monoteísmo judaico exerceu 
grande influência sobre o cristianismo e o islamismo.
feníCios
Os fenícios
A estreita faixa de terra entre as montanhas e o mar Medi-
terrâneo, atualmente região do Líbano, começou a ser ocu-
pada por povos de origem semita porvolta de 3000 a.C. 
Sociedade e economia
Na Fenícia, a agricultura cedeu lugar ao comércio, à pesca 
e a um rico artesanato. As vastas florestas de cedros e 
os bons portos naturais favoreceram a atividade marítimo-
-comercial. Isso fez dos fenícios os principais navegantes 
e comerciantes da antiguidade. Era uma sociedade de 
castas constituída por sacerdotes, aristocratas, comerciantes, 
homens livres e escravos.
A Fenícia não constituiu um Estado unificado com um go-
verno centralizado. Agrupavam-se em cidades-Estado, 
de governo autônomo e soberano. 
Cultura e religião
A religião era politeísta, de divindades associadas às forças 
da natureza. A principal contribuição dos fenícios foi a in-
venção do alfabeto fonético. Criaram 22 sinais dos sons 
das palavras. Com as vogais, tornou-se o alfabeto grego.
império persa
Dois grupos arianos ocuparam o Irã a partir de 2000 a.C., 
os medos e os persas. Tornaram-se pequenos reinos rivais 
no século VIII a.C.. No século VI a.C., Ciro I, rei dos persas, 
conquistou o Reino da Média, provocando a unificação po-
lítica dos povos do Planalto Iraniano em 550 a.C.
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geografia
O território grego era composto por duas regiões distintas: a 
parte continental, ao sul da península dos Balcãs, e a Grécia 
insular, que ocupava as ilhas do mar Egeu e a costa da Ásia 
Menor. Com a expansão colonial, ela ocupou também a cos-
ta egeia da Ásia Menor e o sul da península Itálica. 
Período Pré-homérico 
(2000-1200 a.C.)
De origem indo-europeias, os gregos ou helenos chegaram 
à Grécia em cerca de 2000 a.C.
Antes deles, os aqueus já ocupavam as melhores terras. Os 
aqueus formaram os núcleos urbanos de Micenas, Tirinto e 
Argos. Os habitantes de Micenas integraram sua cultura à 
dos cretenses, cuja civilização era bastante avançada, o que 
deu origem à civilização creto-micênica.
Com a chegada de novos grupos indo-europeus, os jônios 
e os eólios, por volta de 1700 a.C., os núcleos arianos ins-
talados na Grécia foram fortalecidos. Os troianos, outra im-
portante civilização pré-helênica, desenvolveram-se ao norte 
da Anatólia. Troia tinha uma população aparentada com os 
primeiros gregos, e foi erguida por volta de 1900 a.C. No 
início do século XII a.C., os gregos destruíram Troia. 
Os dórios, último grupo de povos arianos a penetrar na 
Grécia, chegaram enquanto a civilização micênica se ex-
pandia em direção à Ásia. Aguerridos, nômades e conhe-
cedores de armas de ferro, os dórios arrasaram as cidades 
gregas, causando fugas para o interior e para o exterior. 
Numerosas colônias gregas formaram-se na costa da Ásia 
Menor e nas ilhas do mar Egeu. Essa foi a Primeira Di-
áspora Grega. 
Período Homérico (séc. XII-VIII a.C.)
O nome “homérico” é baseado em dois poemas épicos atri-
buídos a Homero: a Ilíada e a Odisseia. 
Depois do século XII a.C., a célula básica da sociedade 
grega era o genos (comunidade gentílica), uma grande 
família. Os descendentes de um mesmo antepassado vi-
viam no mesmo lar. Cada membro (gens) dependia da 
unidade da família, cujo chefe era o páter-famílias. Seu 
poder era passado para o filho mais velho.
A sociedade era igualitária e sem classes sociais. Os meios 
de produção e o resultado da produção pertenciam à co-
munidade. A falta de terras férteis e o crescimento demo-
gráfico levou as comunidades gentílicas a lutas internas e 
desagregação. Era o fim do Período Homérico.
Os gregos passaram do sistema de propriedade coletiva para 
o de propriedade privada. Os parentes mais próximos do pa-
ter, os eupátridas, ficaram com as áreas mais férteis; aos seus 
parentes mais distantes, os georgóis (agricultores) destirna-
ram as restantes. Os denominados thetas (marginais) fica-
ram sem terra. Uma parte deles se dedicou ao comércio e ao 
artesanato. Os demais deixaram a Grécia e fundaram colô-
nias nos mares Negro e Mediterrâneo, processo conhecido 
Sociedade e Economia
Ocorreu um rápido expansionismo territorial durante o go-
verno de Ciro I (559-529 a.C.). O dárico, moeda-padrão 
cunhada em ouro e prata, facilitou a integração econômica 
das regiões e dos povos do império. 
A rede de estradas reais, o dárico e a padronização dos 
pesos e medidas possibilitaram o desenvolvimento das ati-
vidades comerciais.
A elite persa era composta pelo imperador e sua família e 
por altos burocratas, comandantes militares e sacerdotes. 
A massa da população era sujeita ao trabalho compulsório 
nos sistemas de regadio e/ou nas obras públicas, e ainda 
tinha que pagar uma pesada tributação.
Cultura e religião
OIs persas desenvolveram uma arquitetura monumental. Ti-
nham uma religião dualista, em que o deus do bem, Ahura-
-Mazda (ou Ormuz), opunha-se ao deus do mal, Arimã. E fun-
damentava-se na crença do Juízo Final, onde o bem triunfaria 
sobre o mal, descritos no livro sagrado Zend Avesta, escrito 
pelo lendário Zoroastro ou Zaratustra.
CIVILIZAÇÃO GREGA 
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como Segunda Diáspora Grega (século VIII a.C.). 
Foram os eupátridas que originaram a aristocracia grega, 
cujo poder resultava da posse de terra. Eles uniam-se em ir-
mandades, as frantrias, que se uniam em tribos. Da reunião 
de seus vilarejos surgiu a organização política da antiga 
Grécia: a cidade-Estado (pólis). 
Período Arcaico (séc. VIII-VI a.C.)
A evolução e consolidação das cidades-Estado foi o que 
marcou o Período Arcaico grego. Isoladas geograficamente, 
evoluíram de modos distintos, gerando modelos por vezes 
antagônicos e rivais.
Esparta, a cidade-estado militarista.
Esparta foi uma das primeiras cidades-Estado gregas, fun-
dada pelos invasores dórios no século IX a.C. Sem saída 
para o mar e isolada pelas montanhas, Esparta era uma 
cidade-estado avessa a influências externas.
A sociedade espartana se dividida em: espartanos ou 
esparciatas, a camada dominante; periecos, agriculto-
res livres, dedicavam-se também ao artesanato e ao co-
mércio; hilotas, a camada mais baixa da sociedade es-
partana, servos pertencentes ao Estado e à disposição dos 
esparciatas para o cultivo da terra. 
Política
A economia e sociedade imobilistas explicam o governo 
espartano menos progressista e mais conservador. 
Apenas uma minoria de cidadãos, os esparciatas, partici-
pava do governo oligárquico, os homoioi (iguais). Seu ob-
jetivo fundamental era conservar o status quo, a situação 
vigente de privilégios da aristocracia e de dominação sobre 
os escravos. 
Esparta regrediu culturalmente com as mudanças estru-
turais do século VII a.C. O governo passou a estimular o 
laconismo: falar tudo em poucas palavras, o que limitava 
a capacidade de raciocínio e o espírito crítico dos falantes. 
Rigidamente militarista, a educação dos esparciatas con-
tribuía significativamente para a manutenção dessa estru-
tura política e social fechada. Aos sete anos de idade, os 
meninos eram entregues aos cuidados do Estado para que 
tivessem uma rígida educação militar. Dos dezoito aos ses-
senta anos, serviam no exército. Só depois dos trinta anos, 
quando então recebiam seu lote de terra e passavam a ser 
cidadãos, poderiam casar.
A fim de evitar mudanças radicais e de garantir o domínio 
da minoria dória sobre a maioria escrava, Esparta perma-
neceu nesse sistema até o século IV a.C.
A cidade-estado democrática, Atenas.
Atenas foi fundada numa planície, a Ática, uma península 
do mar Egeu. Os atenienses se consideravam originários 
dos povos aqueus, eólios e jônios.
A economia de Atenas, no século VIII a.C., era ainda essen-
cialmente rural. Mas atividades artesanais e comerciais já 
ultrapassavam os limites da Ática. A proximidade de Atenas 
do mar Egeu abriu-a a influências externas, facilitou sua 
participação no movimento de colonização e transformou-a 
numa pólis de navegadores e comerciantes. 
Os eupátridas, grandes proprietários de terras, eram a 
camada social dominante. Os georgois eram agriculto-
res donos de terras poucoférteis perto das montanhas. Os 
thetas eram os marginalizados (recebiam menos de 200 
medimnos por ano). 
Na região litorânea, concentravam-se os artesãos (demiur-
gos), trabalhadores livres. Cerca de 100 mil estrangeiros 
residiam em Atenas, os metecos, dedicados ao artesanato 
e ao comércio. A maioria da população de Atenas era de es-
cravos, que desempenhavam todas as atividades manuais.
A primeira forma de governo de Atenas foi a monarquia ou 
realeza. No século VII a. C. ocorreu a substituição da realeza 
pelo arcontado, órgão de caráter executivo. Assim o regime 
de governo passou de monárquico para oligárquico. 
Em 507 a.C., ocorreu uma insurreição do partido popular 
(demos) e a ascensão de Clístenes ao governo de Atenas. 
A democracia ateniense 
Clístenes, apesar de sua origem aristocrática, traçou um 
governo baseado na isonomia, a igualdade dos cidadãos 
perante a lei. A primeira medida foi a divisão da população 
da Ática em três zonas: o litoral (parália), o interior (me-
sógia) e a cidade (ásty). Cada uma dessas zonas foi divi-
dida em dez unidades. Da reunião das unidades de cada 
zona formou-se uma tribo, totalizando dez tribos. A menor 
unidade de divisão eram as demos, base desse sistema de 
governo, razão pela qual a reforma de Clístenes ficou co-
nhecida pelo nome de democracia. 
Período Clássico (séc. V e IV a.C.)
Período de hegemonias e imperialismo no mundo grego. 
Atenas foi a primeira potência dominante, seguida por Es-
parta e Tebas. A vitória dos gregos nas guerras médicas 
ou pérsicas projetaram a hegemonia ateniense até a Guer-
ra do Peloponeso. Filipe II anexou o mundo grego ao Reino 
da Macedônia e, na fase seguinte, ao Império Helênico de 
Alexandre Magno. 
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A hegemonia de Atenas (443-429 a.C.) 
Atenas alcançou seu apogeu sob o governo de Péricles. O con-
trole do mar Egeu, o comando da Confederação de Delos e a 
prosperidade econômica contribuíram para o fortalecimento 
do partido democrático formado pelos ricos comerciantes e 
armadores. Sob a direção desse partido, Atenas desenvolveu, 
ao mesmo tempo, uma política democrática e imperialista. 
pArtenon
A Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.)
A Grécia foi assolada por uma terrível guerra, envolvendo 
todas as cidades-Estado gregas. A disputa era entre a Liga 
do Peloponeso, liderada por Esparta, e a Confederação de 
Delos, por Atenas.
Essa disputa entre as duas pólis foi se tornando tão acir-
rada que desembocou em um conflito de grandes propor-
ções. No final do conflito, do qual Esparta saiu vencedora, a 
Grécia se encontrava materialmente arrasada, com grande 
diminuição de sua população masculina mais jovem e en-
fraquecida militarmente. Esparta, assim como Atenas, ado-
tou uma política imperialista. 
Período Helenístico (séc. IV-I a.C.)
No século IV a.C., Filipe apoderou-se da Grécia. Conhe-
cedor do individualismo das cidades-Estado e de muita 
astúcia política, respeitou-lhes a autonomia. Assim, foi pro-
clamado hegemon (líder), com o direito de chefiar uma liga 
contra os persas, a Liga de Corinto.
Filho de Filipe II, Alexandre Magno assumiu o trono com 
uma Macedônia organizada e bem armada pelo exército, 
usou de violência e arrasou as cidades gregas, exceto Ate-
nas. Como líder supremo do helenismo, deveria libertar 
as cidades da Ásia e levar os gregos à vingança contra os 
persas. Alexandre rumou para a Ásia com 40 mil homens, 
12 mil dos quais na infantaria, o forte de seu exército. 
Recusou o acordo de paz oferecido por Dario III, derrotou-o 
em pleno centro do Império Persa em 331 a.C. Já impera-
dor persa, avançou para a Índia, percorreu a região do rio 
Indo e só não chegou ao Ganges porque os soldados recu-
saram-se ir com ele. Aos 33 anos, morreu na Babilônia em 
323 a.C., deixando um dos mais vastos impérios já criados.
Cultura e religião
Os gregos eram politeísta: cultuavam grandes deuses, que 
habitavam o Olimpo, e os heróis, homens que praticaram 
ações extraordinárias e se igualavam aos deuses. Mito-
logia é o conjunto dos mitos, as lendas que contam as 
aventuras de deuses e heróis.
estátuA de poseIdon - o deus dos mAres - em huA hIn, tAIlândIA. 
Atenas abrigou alguns dos maiores pensadores e artistas 
que a humanidade conheceu. 
A filosofia grega divide-se em antes e depois de Sócrates. 
Foram pré-socráticos: Tales de Mileto (fim do século VII-iní-
cio do século VI a.C.); Pitágoras (582-497 a.C.); Demócrito 
(460-370 a.C.); Heráclito (535-475 a.C.); e Parmênides 
(540-? a.C.). No tempo de Sócrates, predominava a escola 
dos sofistas, que se serviam da reflexão para atingir fins 
imediatos, ainda que por falsos argumentos. O maior dos 
sofistas foi Protágoras.
Sócrates (470-399 a.C.): fundou a filosofia humanista. 
Platão (427-347 a.C.): principal discípulo de Sócrates, fun-
dou a Academia de Atenas. 
Aristóteles (384-322 a.C): considerado por muitos o 
maior filósofo de todos os tempos, compreendeu todos os 
conhecimentos de seu tempo: Lógica, Física, Metafísica, 
Moral, Política, Retórica e Poética. 
Marcada pela harmonia, a simplicidade, o equilíbrio e uma 
decoração perfeitamente adaptada ao conjunto, a arte 
grega era religiosa e manifestada em templos e esculturas 
representando deuses e passagens mitológicas. 
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A arquitetura grega desenvolveu três estilos: o dórico, mais 
antigo, era simples e despojado; o jônico, leve e flexível; o 
coríntio, mais recente, era complexo e rebuscado. 
A Acrópole é um de seus monumentos mais belos. O es-
plendor da arte grega ainda pode ser admirado nas ruínas 
do Partenon e na Acrópole de Atenas. 
A Matemática de Euclides e os teoremas de Tales e Arqui-
medes foram incorporados ao patrimônio cultural da hu-
manidade. Hipócrates, o mais ilustre médico da Antiguida-
de, impulsionou o conhecimento do corpo humano. 
Atenas e seu regime democrático serviu de exemplo para 
todos os povos. 
origens 
Acredita-se que Roma tenha sido fundada por latinos em 
fuga das invasões etruscas. Roma era um pequeno povo-
ado na península Itálica influenciado por diversos povos.
O poeta Virgílio, em sua obra Eneida, leva a crer na mítica 
fundação de Roma por Rômulo e Remo, descendentes do 
guerreiro troiano Enéas. 
A lobA cApItolInA representA A lobA dAs nArrAtIvAs romAnAs 
sobre A fundAção de romA.
soCiedade e eConomia
Em razão de sua terra de melhor riqueza e graças ao caráter 
aristocrático de sua sociedade, Roma baseou sua economia 
em atividades agropastoris. Grandes proprietários rurais, 
os patrícios, formavam a camada social dominante. Os não 
proprietários, clientes, prestavam serviços e beneficiavam-
-se da proteção de famílias patrícias. Estrangeiros, artesãos, 
pastores, comerciantes e donos de pequenos lotes pouco 
férteis eram os plebeus e não pertenciam a um clã. 
Os escravos não possuíam grande peso na sociedade e 
na economia romanas, pois ainda eram pouco numerosos. 
Isso mudaria em consequência das guerras de expansão, 
quando as conquistas externas transformaram a economia 
romana num sistema de produção escravista. 
monarquia (séC. viii-vi a.C.)
Da fundação de Roma até a implantação da República, exis-
tiu um governo monárquico, em que o rei (rex) tinha função 
de chefe supremo, sumo sacerdote e juiz, poderes esses de 
origem divina. A realeza apoiava-se no Imperium (comando 
supremo) e no Auspicium (conhecimento da vontade divi-
na). Os chefes das principais famílias patrícias assessoravam 
o rei e compunham o Conselho de Anciãos e o Senado.
Roma teve sete reis, dos quais os quatro primeiros foram 
latinos, e os três últimos, etruscos, de acordo com a tradição 
lendária. Durante o período de reinado etrusco, houve uma 
série de tentativas dos reis de limitarem o poder patrício ao 
se aliarem a setores populares. Tarquínio, o Antigo (616-578 
a.C.), iniciou a construção de grandes obras públicas. Sérvio 
Túlio (578-534 a.C.) edificou a primeira muralhade Roma e 
estabeleceu um regime censitário, dividindo a população em 
cinco categorias sociais de acordo com sua renda. 
Por fim, o terceiro rei etrusco, Tarquínio, o Soberbo, edificou 
o Templo de Júpiter e construiu a Cloaca Máxima (sistema 
de esgoto de Roma). Governou com o apoio dos plebeus 
e latinos inimigos dos patrícios. Dessa forma, manteve os 
patrícios praticamente fora do poder político decisório das 
cidades. Em razão disso, os patrícios conspiraram e o der-
rubaram por meio de um golpe de Estado, no ano 509 a.C. 
CIVILIZAÇÃO ROMANA 
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repúbliCa (séC. vi-i a.C.) 
A queda da monarquia foi um ato reacionário dos patrícios, 
que afastaram a realeza comprometida com as camadas 
populares. O monopólio do poder passou ao patriciado, e a 
plebe ficou à margem. 
cícero AcusAndo cAtIlInA no senAdo 
(Afresco de cesAre mAccArI, século xIx)
O Senado era, sem dúvida, uma das mais importantes ins-
tituições da República, pois praticamente detinha o poder, 
apesar das demais instituições. Era composto por 300 se-
nadores de origem patrícia. Entre outras tarefas, cabia-lhes 
eleger os magistrados, autorizar ou não a concessão das 
honras do triunfo aos generais vencedores, conduzir a polí-
tica externa, administrar as províncias, dar seu parecer sobre 
a escolha de um ditador e zelar pela tradição e pela religião, 
além de supervisionar as finanças públicas.
Os mais altos magistrados eram os cônsules, responsáveis 
pelo comando do exército e pelo controle da administração, 
além de exercer o Poder Executivo. Participavam das reuni-
ões do Senado e propunham leis. 
Seriamente discriminados, os plebeus recebiam sempre a 
menor parte dos espólios de guerra; se precisassem contrair 
empréstimos, não conseguiam pagar os juros; julgados por 
magistrados patrícios e com base em leis orais, os devedo-
res acabavam escravizados por dívida. Há indícios de cinco 
revoltas levadas a cabo pelos plebeus, entre 494 e 287 a.C.
 § Primeira revolta (494 a.C.) – a primeira greve de caráter 
social da História, em razão da qual os patrícios tiveram 
de conceder a criação dos tribunos da plebe, ma-
gistrados que atuavam em defesa dos direitos 
e interesses da plebe no Senado. Em 471 a.C., os 
plebeus constituíram a Assembleia da Plebe para ele-
ger seus tribunos, o que aumentou seu poder de veto e 
de ação. 
 § Segunda revolta (450 a.C.) – os patrícios enviaram repre-
sentantes a Atenas para estudar as leis com a promes-
sa de resolver os problemas da plebe. O resultado foi a 
criação do primeiro código de direito escrito em Roma, 
a Lei das Doze Tábuas. A plebe conseguiu que as leis 
votadas em sua Assembleia tivessem validade, mesmo 
dependendo da aprovação do cônsul ou do Senado. 
 § Terceira revolta (445 a.C.) – a Lei das Doze Tábuas man-
teve a proibição de casamento entre patrícios e plebeus, 
o que levou os plebeus a se revoltarem pelo fim da proi-
bição, conscientes de que os casamentos mistos quebra-
riam a tradição patrícia de exercer o poder com exclusivi-
dade. A reivindicação foi atendida com a Lei Canuleia, 
mas apenas para os plebeus que tinham mais posses. 
 § Quarta revolta (367-366 a.C.) – a pressão da plebe re-
sultou na Lei Licínia Sextia, promulgada pelo senado 
romano, obrigando que, a cada ano, um dos dois cônsu-
les fosse um plebeu. Mais tarde, em 326 a.C., foi abolida 
a escravidão por dívidas por meio da Lei Papiria Poetelia.
 § Quinta revolta (287-286 a.C.) – os plebeus conseguiram 
impor aos patrícios a validade das leis votadas na As-
sembleia da Plebe para todo o Estado: era a decisão da 
plebe ou plebiscito.
A preocupação com as leis levou os romanos a desenvolver 
minuciosamente o seu direito. Sendo adotado por vários 
outros povos europeus, o Direito Romano mantém e 
conserva sua importância até os dias atuais.
Conquistas, a expansão romana 
A dominação da península Itálica constitui a primeira fase 
das conquistas romanas. Inicialmente, dominaram as tribos 
latinas próximas de Roma. A conquista da Campânia, em 
290 a.C., região ameaçada pelos samnitas, abriu as portas 
para a conquista das cidades gregas do sul da Itália. Poste-
riormente, Roma subjugou o norte (Etrúria), cujos domínios 
compreendiam a Itália central e parte da Itália setentrional. 
Os romanos demonstraram um talento notável para con-
verter antigos inimigos em aliados e finalmente cidadãos 
romanos, ao estender seu domínio sobre a península Itálica.
As guerras púnicas
dIsponível em: <https://pt.wIkIpedIA.org/wIkI/guerrAs_púnIcAs>. 
Acesso em: 22 dez. 2015.
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Roma travou longa guerra contra Cartago, outra grande 
potência do Mediterrâneo ocidental, assim que consoli-
dou sua supremacia na Itália. Fundada em 800 a.C. pelos 
fenícios, a cidade norte-africana tornara-se um próspero 
entreposto comercial. Um império que abrangia a África 
do Norte, as regiões do litoral meridional da Espanha, a 
Sardenha, a Córsega e a Sicília ocidental. 
O confronto romano-cartaginês acabou se transformando 
numa disputa pela hegemonia marítimo-comercial no Me-
diterrâneo ocidental e desdobrou-se em três guerras púnicas. 
Em seguida, os romanos ocuparam a Espanha e a Gália 
do sul, constituindo a província da Gália. A conquista da 
região do Mediterrâneo Oriental foi completada por uma 
rápida sucessão de campanhas militares. No fim do sé-
culo I a.C., o Mediterrâneo havia se transformado num 
“lago romano” (mare nostrum = nosso mar). Foram tam-
bém conquistados os reinos do Ponto, Bitínia, Síria, Egito, 
Macedônia e Grécia.
A expansão romana e 
suas consequências
Com a expansão, o vasto comércio que se desenvolvia 
ocupava o lugar antes pertencente à atividade agrícola. A 
concorrência com gêneros advindos das províncias e do la-
tifúndio patrício, cujo crescimento dependia da mão de obra 
escrava, levou ao desaparecimento da ampla camada de 
pequenos proprietários.
Efeito direto da expansão, o crescimento da escravidão 
esteve ligado à miséria da plebe, visto que grande parte dos 
escravos era prisioneira de guerra. Mesmo abolida a escra-
vidão por dívida, denominada “nexo” na Roma Antiga, ao 
plebeu endividado só restava entregar a terra ao patrício em 
troca da dívida. Paulatinamente, Roma entrou em um proces-
so de concentração fundiária, com as grandes propriedades 
patrícias transformadas em latifúndios voltados para a pro-
dução extensiva de exportação, ideal para o trabalho escravo.
Um processo de êxodo rural, devido à miséria da plebe sem 
terra e sem trabalho no campo, acabou concentrando em 
Roma uma massa miserável, aumentando a tensão social 
e política. Com a finalidade de alienar essa multidão, cuja 
potencialidade revolucionária era evidente, o Estado forne-
cia pão, vinho e espetáculos (política do pão e circo).
Expansão romana
Com a conquista do Mediterrâneo, foram criadas condi-
ções para um grande desenvolvimento da manufatura e do 
comércio. A consequência dessa prosperidade econômica 
foi a formação de uma nova classe de comerciantes e mi-
litares que enriqueceram com as guerras: os homens no-
vos ou cavaleiros. Ao mesmo tempo em que sua condi-
ção plebeia impunha-lhes uma situação de marginalização 
política, sua riqueza tornava-os naturalmente adversários 
da oligarquia patrícia, fato que também representou um 
elemento a mais a conspirar contra a ordem republicana. 
No rastro das conquistas romanas e da necessidade de uma 
força militar mais eficiente, o exército romano passou por um 
processo de profissionalização, uma força permanente cujos 
guerreiros recebiam o soldo para combater (origem do ter-
mo soldado). Uma força à margem da estrutura republicana, 
que alimentou as ambições políticas dos generais.
Novas lutas sociais assinalaram a crise da República, 
desencadeadas por essas transformações em Roma.
Crise na repúbliCa 
(133-27 a.C.)
Alguns senadores, depois das transformações resultantes 
da conquista do Mediterrâneo,concluíram que a estrutura 
do Estado precisava de reformas. Uma das primeiras medi-
das, a votação secreta nas assembleias, permitiu a eleição 
de magistrados bem-intencionados, os irmãos Tibério e 
Caio Graco.
Tibério Graco foi eleito tribuno da plebe e conseguiu a 
aprovação de uma lei agrária que limitava a extensão dos 
latifúndios da aristocracia patrícia e autorizava a distribui-
ção de terras para os desempregados. Tibério Graco e mais 
de 300 partidários seus foram assassinados e lançados ao 
rio Tibre por proprietários rurais que se opuseram-se à apli-
cação da lei agrária em 132 a.C.
Caio Graco, irmão mais novo de Tibério, eleito tribuno da 
plebe em 123 a.C, retomou e aplicou a lei de reforma agrá-
ria em Cápua e Tarento; permitiu aos cavaleiros o acesso 
aos tribunais que julgavam as finanças provinciais; prome-
teu a cidadania romana aos aliados itálicos e decretou a 
Lei Frumentária, que determinava a venda de trigo a preços 
baixos aos plebeus. Reeleito em 122 a.C., mas derrotado 
no ano seguinte, Caio tentou um golpe de Estado, que re-
sultou no massacre de seus seguidores. Foi morto por um 
escravo, seguindo suas próprias ordens.
Mario e Sila, duas ditaduras 
militares (107-79 a.C.)
A crise da República, agravada pelo fracasso das reformas 
propostas pelos irmãos Graco, mergulhou Roma numa 
sangrenta guerra civil, abrindo caminho para as ditadu-
ras militares dos generais Mario e Sila. De origem plebeia, 
Mario era o homem mais rico de Roma, um homem novo 
que, graças à sua riqueza, foi galgando postos dentro do 
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exército romano, no qual chegou a general. Mario foi eleito 
para o cargo de cônsul, já que dispunha de grande prestí-
gio entre as camadas populares.
Com o apoio do exército, Mario implantou uma ditadura 
em Roma e, violando as leis, reelegeu-se seis vezes para o 
consulado. Aumentou o poder dos cavaleiros e reduziu a 
autoridade do Senado.
Em 86 a.C, após a morte de Mario, o general Sila, aristocra-
ta apoiado pelos patrícios e pelo Senado, assumiu o poder 
e proclamou-se ditador perpétuo de Roma. Líder da reação 
do partido aristocrático, Sila realizou uma violenta repres-
são contra os cavaleiros e as camadas populares, restabe-
lecendo os privilégios da aristocracia patrícia e restaurando 
a autoridade do Senado. A crise da República piorou com a 
ditadura de Sila, que morreu em 79 a.C.
O primeiro triunvirato (60-48 a.C.) 
A República estava ainda ameaçada por comandantes milita-
res que se serviam das tropas em seu próprio interesse políti-
co. O Senado não conseguiu impor efetivamente a autoridade 
que lhe fora restituída. Em 60 a.C., Julio César, um político, 
Pompeu, um general, e Crasso, um abastado banqueiro, 
compuseram um triunvirato para tomar o poder em Roma. 
prImeIro trIunvIrAto: (dA esquerdA pArA A dIreItA) 
pompeu, JulIo césAr e crAsso
Pontífice Máximo, questor eleito pela assembleia do povo 
e cônsul, Júlio César subiu depressa. Pompeu havia voltado 
do Oriente, e o Senado desaprovara seu trabalho de reor-
ganizar as províncias orientais. O ambicioso Crasso fez uma 
aliança secreta com César e Pompeu a fim de tomar o poder 
do Senado: nascia o primeiro triunvirato. 
Em 55 a.C., Pompeu ficou com a Espanha; Crasso, com as 
províncias no Oriente; e César, com a Gália (França atual). 
Em 53 a.C., Crasso morreu combatendo os partas na Síria, 
povo que reconstruiu o Império Persa. Sobreveio uma crise 
agravada pela ação de bandos armados que espalhavam o 
terror em Roma. Contra as ambições políticas de César, em 
49 a.C., o Senado confiou a Pompeu a defesa da República.
Julio César entrou em Roma à frente de seus exércitos, 
pronunciando a famosa frase Alea jacta est, (A sorte está 
lançada), configurando um inegável golpe de Estado. Aba-
lado com o prestígio popular de César, Pompeu fugiu para 
a Grécia, onde foi derrotado em 48 a.C. 
A ditadura de César (48-44 a.C.)
O Senado concedia cada vez mais títulos a César. Tais po-
deres permitiram numerosas reformas. César acabou com 
a guerra civil, começou a construção de obras públicas e 
pôs as finanças em ordem. 
Tentou unificar o mundo romano, chegou a elevar gaule-
ses ao Senado. Nomeava pessoalmente os governadores 
e mantinha-os sob controle, para evitar que espoliassem 
as províncias. 
César instigou a plebe contra o Senado a fim de se tornar 
rei, título que era sinônimo de traição depois que o Senado 
abolira a monarquia. Sofrendo forte oposição do Senado, 
que via nele uma clara ameaça graças a sua ambição de 
instaurar uma monarquia hereditária, em 44 a.C., Julio Cé-
sar foi assassinado por um grupo de aristocratas liderados 
por Cássio e Bruto.
O segundo triunvirato (43-30 a.C.) 
Marco Antônio sublevou o povo contra os assassinos de 
César, que não tomaram o poder. Cícero aconselhou o 
Senado, que entregou o poder ao sobrinho e herdeiro de 
César, Caio Otávio, que parecia não ter ambições políticas. 
Os senadores tinham-no como um instrumento em suas 
mãos. Otávio atacou Antônio em Módena para, em segui-
da, aliar-se a ele e a Lépido, banqueiro que havia fornecido 
dinheiro para a guerra contra os assassinos de César. O 
Segundo Triunvirato estava formado.
Em 40 a.C., os triúnviros dividiram novamente o Império 
pelo Acordo de Brindisi. A Itália foi considerada neutra. An-
tônio ficou com o Oriente; Lépido, com a África; e Otávio, 
com o Ocidente. 
Otávio aumenta suas posses na África ao conseguir elimi-
nar Lépido do triunvirato, no ano 36 a.C.
segundo trIunvIrAto: (dA esquerdA pArA A dIreItA) 
mArco emílIo lépIdo, mArco AntônIo e octAvIo August
Para garantir a fidelidade de Antônio, Otávio tinha arran-
jado o casamento dele com sua irmã, Otávia. Porém, An-
tônio separou-se de Otávia em 36 a.C. para se casar com 
Cleópatra. Deixou sua herança para ela, nomeada também 
regente do filho que tivera com César, a quem Antônio con-
siderava igualmente herdeiro, Cesarion. 
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Revoltado, Otávio partiu para combater Antônio. Em Ácio, 
perto da Grécia, Antônio foi derrotado e fugiu com Cleópa-
tra para o Egito. Antônio e Cleópatra se suicidaram.
O Egito era considerado por Otávio sua conquista pessoal. 
Apoderou-se do tesouro dos faraós, acumulado durante milê-
nios, e, com essa fortuna, organizou 70 legiões, o que o tornou 
indestrutível. Otávio voltou à Roma triunfante, recebido como 
um deus. Otávio ganhou o controle das duas maiores fontes 
de poder: o exército e a plebe romana. Surgia o imperator, uma 
nova forma de governo exercido pelo comandante do exército.
Em 27 a.C., Otávio recebeu o título de Augusto (escolhi-
do dos deuses), fato que marcou o fim da República e o 
início do principado, inaugurando o culto ao imperador. 
o império romano 
(27 a.C.-476 d.C.)
O Alto Império (27 a.C.-235 d.C.) 
O Império Romano se dividiu em duas fases: o Alto Impé-
rio e o Baixo Império. A primeira fase assinalou o apogeu 
do Império Romano. A segunda marcou o declínio do Im-
pério Romano e sua destruição pelas invasões germâni-
cas. A cidade de Roma chegou a possuir uma população 
de 1,2 milhão de habitantes, e o império abrangia uma 
área de 5 milhões de km2 em seu auge.
O governo de Augusto (27-14 a.C.)
Otávio Augusto, durante seu governo, assumiu o controle 
das principais magistraturas, concentrando mais poderes 
ainda em suas mãos. Foi reconhecido como Princeps Sena-
tus, ou seja, o líder do Senado (razão pela qual seu governo 
também ficou conhecido como principado). Como impera-
dor, assumiu o comando supremo do exército. 
A política do pão e circo foi a forma que Augusto encon-
trou de apaziguar a plebe romana, distribuindo alimentos gra-
tuitamente e realizando monumentais espetáculos públicos. 
Otávio Augusto inaugurou o que os romanos chamavam de 
pax romana, período esse em que as províncias romanas 
foram pacificadas, estradas foram construídas, portos foram 
reformados e pântanos foram drenados. Os aquedutosle-
vavam água fresca para grandes parcelas da população ro-
mana e o sistema de esgoto eficaz melhorou a qualidade 
de vida. Na política externa, as guerras de conquista foram 
substituídas pela política de consolidação das fronteiras. 
Em14 d.C., Otávio morreu, e recebeu a apoteose, isto é, o 
direito de ter um lugar entre os deuses. 
Dinastias que governaram Roma durante o Alto Império: a 
Dinastia Julio-Claudiana (Tibério, Calígula, Cláudio e Nero) 
estava ligada à aristocracia patrícia romana; a Dinastia 
Flávia (Vespasiano, Tito e Domiciano) ascendeu ao poder 
pelo exército e estava associada aos grandes comercian-
tes da Itália central; a Dinastia Antonina (Nerva, Trajano, 
Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo) ligava-se 
às famílias italianas estabelecidas na Espanha e na Gália 
(o governo dessa dinastia marcou o apogeu do Império 
Romano); a Dinastia Severa (Sétimo Severo, Caracala, He-
liogábalo e Severo Alexandre) assinalou a transição do Alto 
para o Baixo Império. 
O cristianismo 
Sob controle romano desde 64 a.C., a região da Palestina 
foi o local do surgimento do cristianismo, uma dissidên-
cia do judaísmo.
O cristianismo se fundamenta nas pregações de Jesus, que 
se dizia o Messias, isto é, o Filho de Deus. A crença na exis-
tência de um só Deus, que enviou à Terra seu filho para 
redimir os homens, era o princípio fundamental do cristia-
nismo. Foram os discípulos de Jesus, os apóstolos, que 
difundiram a nova religião pelo mundo romano. 
No século I da Era Cristã, durante a Dinastia Júlio-Claudia-
na, começou a perseguição aos cristãos, que, crentes na 
existência de um único Deus, recusavam-se a reconhecer 
os deuses oficiais do politeísmo romano e negavam-se a 
prestar culto ao imperador. Além disso, graças a sua men-
sagem redentora, o cristianismo obteve enorme sucesso 
entre os excluídos da sociedade romana, o que lhe rendeu 
um caráter subversivo. 
O Baixo Império (284-476)
Em 313, Constantino (313-337) promulgou o Édito de 
Milão, concedendo liberdade religiosa aos cristãos. Em 
330, fundou uma nova capital, Constantinopla, no local da 
antiga colônia grega de Bizâncio. 
Em 391, Teodósio (379-395) transformou o Cristianismo 
em religião oficial do Império Romano pelo Édito de 
Tessalônica. Em 395, dividiu o império em duas unidades 
político-administrativas: o Império Romano do Ocidente e 
o Império Romano do Oriente. 
Os bárbaros esfacelaram o Império do Ocidente ao lon-
go do século V. Os visigodos saquearam Roma em 410, os 
vândalos, em 455, e, em 476, os hérulos depuseram Rômu-
lo Augústulo, o último imperador.
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O Império Romano e a crise
O Império Romano começou a declinar a partir do século III. 
Entre inúmeras razões, destaca-se a crise do escravismo. 
Desde o final do século II, as guerras de conquista pratica-
mente cessaram, fato que diminuiu muito o número de es-
cravos à venda. Com isso, o preço deles foi ficando cada vez 
mais alto. Os proprietários começaram a arrendar partes 
das suas terras a trabalhadores livres denominados colonos. 
A partir do momento em que os colonos ganhavam o direi-
to de cultivar a terra, eram obrigados a ceder parte de sua 
colheita para o senhor e a trabalhar, gratuitamente, alguns 
dias da semana nas plantações do senhorio. Esse novo sis-
tema de trabalho foi denominado colonato. A diminuição 
da produção e o declínio do comércio foram resultantes da 
crise do escravismo e do advento do colonato.
O desequilíbrio entre a arrecadação fiscal do Estado e sua 
despesa com a manutenção do aparelho administrativo e 
militar foram a origem da crise financeira. A falta de gê-
neros alimentícios e a inflação provocaram o êxodo urbano 
e o despovoamento das cidades.
De 235 a 285, grassaram os motins militares e guerras civis, 
e muitos imperadores foram assassinados. Ao mesmo tem-
po em que desmoronavam os pilares internos do império, 
nas fronteiras do Reno, do Danúbio e do Eufrates, as contí-
nuas pressões externas abriam novas brechas no dispositi-
vo de defesa militar provocadas pelas invasões bárbaras.
Descendentes dos indo-europeus ou arianos, os povos 
bárbaros germânicos habitavam os territórios da Europa 
Centro-Oriental. Enfraquecido por uma crise mais aguda, o 
Império Romano do Ocidente foi destruído pelas invasões 
germânicas. Sob o impacto delas, o Império fragmentou-se 
e seus territórios foram ocupados por diferentes povos ger-
mânicos, que neles fundaram os Reinos Bárbaros da Idade 
Média. 
a Cultura vinda de roma
A cultura grega influenciou a cultura desenvolvida pelos 
romanos. Na religião politeísta, os deuses romanos tinham 
por modelo os deuses gregos. A literatura romana teve 
grandes nomes: Cícero, Virgílio (Eneida), Horácio, Ovídio, 
Tito Lívio e Plutarco. As grandes obras da arquitetura roma-
na foram o Panteon e o Coliseu. Na filosofia, o epicurismo 
de Lucrécio e o estoicismo de Sêneca, Epiteto e Marco 
Aurélio deixaram legado. Gaio, Ulpiano e Paulo foram os 
maiores jurisconsultos romanos. 
Os etruscos deixaram muitos legados para os romanos, 
mas o maior foi o uso do arco e da abóbada nas cons-
truções. Esses elementos arquitetônicos permitiram aos ro-
manos criar amplos espaços internos. Assim, nos edifícios 
destinados à apresentação de espetáculos – os anfitea-
tros – os construtores romanos, usando filas sobrepostas 
de arcos, obtiveram apoio para construir o local destinado 
ao público. Isso pode ser observado no mais belo dos anfi-
teatros romanos: o Coliseu.
colIseu
IMPÉRIO BIZANTINO
império bizantino
A morte do imperador Teodósio, em 395 d.C., determinou 
o fim da unidade do Império Romano, que foi dividido en-
tre os seus filhos em duas partes: o Império Romano do 
Ocidente e o Império Romano do Oriente, com sede em 
Constantinopla, antiga Bizâncio. Dessa forma, o Império 
Romano do Oriente se consolidou como Império Bizantino.
Economia e sociedade
A região oriental, dotada de estruturas econômica, políti-
ca e administrativas mais sólidas, teve mais capacidade de 
absorver a crise do Império Romano. Sua agricultura so-
freu um pequeno declínio, mas a manufatura e o comércio 
mantiveram-se articulados. As levas bárbaras do Oriente 
chegaram a ocupar algumas províncias, mas Constantino-
pla conseguiu manter sua autoridade.
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O comércio proporcionou o enriquecimento de Bizâncio, 
que se tornou a maior metrópole do Oriente. Centro de 
importantes rotas comerciais, a cidade passou a controlar o 
intercâmbio de produtos entre o mar Mediterrâneo e o mar 
Negro. No setor agrícola, predominavam os latifúndios. A 
Igreja concentrava em suas mãos uma ampla porcentagem 
da riqueza agrária, tornando os mosteiros as entidades 
mais ricas do império.
A sociedade era urbanizada. Banqueiros, mercadores, ma-
nufatureiros e grandes proprietários de terras constituíam 
uma elite extremamente enriquecida. Nas camadas inter-
mediárias estavam os trabalhadores urbanos do comércio 
e das manufaturas. No campo, predominavam os servos, 
proibidos de saírem das terras onde nasceram. Os escravos 
realizavam trabalhos domésticos. 
O Estado beneficiou-se do enriquecimento proporciona-
do pelo comércio, possibilitando seu fortalecimento como 
uma monarquia centralizada, despótica, teocrática e here-
ditária. O imperador tinha grandes poderes políticos, além 
de ser o chefe do Exército e da Igreja, com direito de intervir 
nos assuntos eclesiásticos (cesaropapismo).
O auge do império: Justiniano 
(527-565 d.C.)
O principal imperador bizantino foi Justiniano (527-565). 
Durante seu governo, o poder imperial atingiu seu auge. Os 
gastos militares forçaram a elevação dos impostos a níveis 
insuportáveis. As pressões da arrecadação desencadearam, 
em 532, um violento levante conhecido por Revolta de 
Nika, que foi duramente reprimida por Justiniano. 
A publicação do Corpus Juris Civilis ou Código de 
Justiniano, que serviu de referência paracódigos civis de 
diversas nações, foi a grande realização de Justiniano no 
campo jurídico. O código resultou de uma compilação do 
Direito Romano. 
A Igreja bizantina
No Oriente, o cristianismo foi integrado à cultura local, 
incorporando aspectos da realidade bizantina, inteiramen-
te diversos da realidade ocidental. Assim, o cristianismo 
oriental passou a ter características próprias, diferencian-
do-se cada vez mais do ocidental, com grande ênfase na 
valorização da espiritualidade. 
Os cristãos orientais denominavam de ícones quaisquer ima-
gens tridimensionais de Cristo ou santos incorporadas às ce-
rimônias religiosas. Dentre os principais produtores de ícones 
encontravam-se os monges, que auferiam grandes lucros 
nesse ramo comercial. Isentos de tributação, proprietários de 
grandes propriedades, exercendo grande influência na socie-
dade, representavam uma ameaça ao poder central.
A corriqueira utilização de ícones nos templos e mesmo 
nas casas era vista por muitos como uma prática idólatra, 
ou seja, de adoração de ídolos.
Com o intuito de enfraquecer o poder dos monges, o im-
perador Leão III, em 725, proibiu o uso de imagens tridi-
mensionais nos templos, determinando sua destruição ou 
iconoclastia. O papa manifestou-se declarando herética 
a proibição de imagens, aprofundando os desentendimen-
tos entre o imperador e a Igreja.
O Cisma do Oriente (1054)
O patriarca de Constantinopla era a figura eclesiástica de 
maior poder no Oriente. Ele recusava a supremacia do 
papa sobre sua Igreja, considerando-se o supremo man-
datário do povo cristão.
As inúmeras divergências levaram à separação entre as 
igrejas orientais e ocidentais em 1054. O chamado Cisma 
do Oriente levou à formação de duas igrejas distintas: a 
Igreja Católica Apostólica Romana, dirigida pelo 
Papa, e a Igreja Cristã Ortodoxa, liderada pelo Patriarca 
de Constantinopla.
A entrAdA de mAomé II em constAntInoplA, 
de JeAn-Joseph-benJAmIn constAnt
Decadência do Império Bizantino
Além do fortalecimento do poder dos grandes proprietários 
rurais, do enfraquecimento do poder do imperador e das 
disputas religiosas, contribuíram para o declínio do Império 
Bizantino os constantes ataques que Bizâncio passou a so-
frer, especialmente das cidades italianas, a partir do século 
XIII, e das investidas de bárbaros e árabes. 
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Depois de um longo cerco, em 1453, os turcos otomanos, 
comandados pelo sultão Maomé II, conquistaram a cida-
de de Constantinopla, ou Bizâncio, destruindo o Império 
Bizantino. Constantinopla tornou-se a capital de outro 
Estado poderoso, o Império Otomano, passando a se cha-
mar Istambul e permanecendo, até os dias atuais, como a 
maior e mais importante cidade da República da Turquia.
A tomada de Constantinopla marcou a transição 
da Idade Média para a Idade Moderna.
A Arábia é uma península árida localizada no Oriente Médio. 
Os diversos povos da Arábia estavam divididos em várias tri-
bos; portanto, não formavam um Estado com unidade políti-
ca. Mas tinham elementos culturais comuns, como o idioma 
árabe e certas crenças religiosas. A principal cidade árabe era 
Meca, onde havia um santuário religioso, Caaba (casa de 
Deus), que reunia as principais divindades de toda a Arábia 
(mais de 300 ídolos pertencentes às tribos do deserto). Ali 
estava a Pedra Negra, provavelmente um pedaço de me-
teorito protegido por uma tenda de seda preta, na forma de 
um cubo, que era bastante venerada, pois se acreditava ter 
sido trazida do céu pelo anjo Gabriel.
O santuário ajudou a transformar Meca no centro religioso e 
comercial dos árabes, já que a cidade era o ponto de encon-
tro de pessoas e de mercadorias de diversas regiões. 
O responsável pela unidade política e religiosa da península 
Arábica foi Maomé, criador e divulgador da religião muçul-
mana. Nas suas viagens, Maomé entrou em contato com 
povos e religiões diferentes. Esteve várias vezes no Egito, 
Palestina, Pérsia, regiões onde fervilhava o espírito religioso. 
Conheceu principalmente o cristianismo e o judaísmo, so-
frendo profunda influência dessas crenças religiosas.
Por volta de 610, já com quase 40 anos, Maomé teve sua 
primeira visão do anjo Gabriel, que lhe teria ordenado “reci-
tar o nome do Senhor” e que “havia um só deus, Alá, e um 
só profeta, Maomé”. No ano de 622, Maomé teria realizado 
um milagre para provar que era profeta de Alá: “quebrou” a 
Lua. Provavelmente tratava-se de um eclipse e talvez Mao-
mé tivesse informações sobre o acontecimento, porque tinha 
muito contato com o Oriente, onde a astronomia era alta-
mente desenvolvida. 
Perseguido pelos coraixitas, que mandaram assassiná-lo, 
Maomé fugiu para Iatreb (Yathrib), cidade rival de Meca, 
onde já possuía seguidores. Esse evento ficou conhecido 
como Hégira, e é utilizado como marco inicial do calendá-
rio muçulmano. Em latreb, Maomé conquistou rapidamente 
prestígio e poder, controlando a cidade que passou a ser 
chamada de Medina al Nabi – a Cidade do Profeta.
Depois da conquista de Iatreb, o alvo principal passou a ser a 
cidade de Meca. O crescente número de seguidores possibi-
litou a formação de um exército numeroso, que cercou a ci-
dade, preservando apenas a Caaba. Em seguida, Maomé fez 
um acordo com os coraixitas, estabelecendo a peregrinação 
a Meca como uma das obrigações da religião muçulmana. 
Em 632, Maomé morreu, deixando difundida sua doutrina 
religiosa. Ao mesmo tempo, a península Arábica, que era um 
aglomerado de tribos e clãs dispersos, teve sua unificação 
política realizada por meio da unificação religiosa.
Expansão islâmica
A partir do século VII, os árabes muçulmanos expandiram-
-se, dominando vasta extensão territorial que se estendia 
da Ásia à Europa, passando pelo Norte da África. Essa 
expansão teve origem na unidade política e religiosa 
implantada por Maomé, no início do século VII, quando 
foi criado um estado teocrático islâmico. 
Fases da expansão
Depois da morte de Maomé, os membros mais influentes 
dos conselhos municipais das cidades de Meca e Medina 
decidiram apontar um califa, isto é, um sucessor de Mao-
mé, que deveria concentrar em suas mãos o poder político, 
militar e religioso. O primeiro califa foi Abu Bekr, sogro de 
Maomé, e os outros três que o sucederam foram também 
apontados entre seus familiares. 
As conquistas tiveram início com esses califas de Meca. Su-
cessivamente, a partir de 634, a Síria, a Palestina, a Ásia 
Menor, a Mesopotâmia, a Pérsia, o Egito e a Tunísia caíram 
sob o domínio muçulmano.
Alguns anos depois dessas conquistas, o novo império foi 
abalado por lutas internas, e o controle do califado passou 
para as mãos de outra família, os Omíadas, que transferiram 
a capital para Damasco, na Síria. Sob a liderança dos Omía-
das (660-750), os árabes retomaram o processo de expan-
são conquistando territórios na Ásia central (Índia), Norte da 
África e península Ibérica. Os muçulmanos só foram conti-
dos na Europa pelos francos, liderados por Carlos Martel, da 
dinastia carolíngia, em 732, na Batalha de Poitiers. O domí-
nio árabe sobre a costa do Mediterrâneo contribuiu para a 
crise do comércio e a feudalização europeia. 
CIVILIZAÇÃO MUÇULMANA
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Em 750, a dinastia Omíada chegou ao fim, sendo derrota-
da por uma conspiração interna que inaugurou a dinastia 
Abássida (750-1258). A capital passou de Damasco para 
Bagdá, mudança essa que provocou a primeira divisão do 
mundo islâmico. A divisão do Império Islâmico foi uma con-
sequência de sua enorme expansão, obtida em um período 
muito curto de tempo. As seitas religiosas sunita e xiita 
contribuíram para esse fenômeno. 
A religião muçulmana
A doutrina islâmica, muçulmana ou maometana é marcada 
pelo sincretismo religioso. Possui elementos do cristia-
nismo e do judaísmo, de onde provêm suas bases funda-
mentais. O principal fundamento da religião é o monote-
ísmo, a crençano Deus único Alá e em seu profeta Maomé.
cAAbA, grAnde mesquIstA em mecA
Os fundamentos da religião estão no livro sagrado – Al-
corão ou Corão –, que determina a total submissão do 
homem à vontade de Alá (Islão). 
Um aspecto importante da religião islâmica são as inter-
pretações e os significados que foram sendo agregados à 
jihad, que passou cada vez mais a ser interpretada como 
Guerra Santa e vinculada ao expansionismo. Foi graças à 
concepção do jihadismo como “esforço” de difusão da fé 
no islamismo que a expansão territorial foi estimulada e as 
conquistas de vários territórios pelos árabes muçulmanos 
foram consumadas.
Outra característica importante do islamismo é o sectaris-
mo, com a formação de seitas rivais desde a morte de Ma-
omé, quando ocorreram sérias divergências em relação à 
liderança religiosa e política dos muçulmanos. As principais 
seitas são xiitas e sunitas. Os primeiros aceitam somente o 
Corão como fonte de verdade, bem como um chefe políti-
co religioso descendente de Maomé. Os sunitas admitem, 
além do Alcorão, os ensinamentos contidos no Suna, livro 
de relatos de seguidores próximos de Maomé, bem como 
admitem que o chefe possa ser escolhido entre os fiéis que 
reúnam as virtudes necessárias.
A cultura árabe
Os árabes foram os responsáveis pela difusão, no Ocidente, dos 
conhecimentos adquiridos pelos impérios bizantino e persa.
Na Astronomia, os muçulmanos traduziram a obra de Ptolo-
meu, que passou a ser conhecida pelo nome de Almagesto. 
Na Matemática, desenvolveram a álgebra e a trigonometria, 
além dos conhecimentos deixados pelos gregos. Propaga-
ram o sistema numérico arábico, cuja invenção provém dos 
hindus. Na Química, descobriram substâncias como o álcool, 
o ácido sulfúrico e o salitre. Foram os primeiros a descrever 
os processos químicos de destilação, filtração e sublimação.
Na Medicina, fizeram importantes descobertas, como o con-
tágio proveniente da água e do solo e o diagnóstico de do-
enças como a varíola e o sarampo. O mais famoso médico 
muçulmano foi Avicena, cuja obra Canon foi o manual mé-
dico na Europa até o século XVII. Na Literatura, destacam-se 
os poemas épicos e de amor e contos de aventura, como a 
coletânea As mil e uma noites e Rubaiat. Nome célebre é 
o de Averróis, filósofo de Córdova, que traduziu as obras de 
Aristóteles para a língua árabe e introduziu-as no Ocidente.
Merece destaque a arquitetura de palácios e mesquitas. 
Graças à dominação da península Ibérica, o árabe influen-
ciou a formação da língua portuguesa.
REINO FRANCO
reino franCo
Rômulo Augusto, o último imperador romano, foi deposto, 
em 476, por Odoacro, líder hérulo que decretou o fim do 
Império Romano do Ocidente, marco utilizado pelos his-
toriadores para determinar o fim da Idade Antiga e o 
início da Idade Média.
Os reinos bárbaros
O encontro entre romanos e bárbaros reuniu características 
culturais de ambos os povos e deu início à estrutura do 
sistema feudal.
À medida que os bárbaros entravam no Império Romano 
do Ocidente, formavam reinos que, de maneira geral, não 
tinham longa duração. Por esse motivo, os povos germâni-
cos não resistiram às pressões externas e foram dominados 
ou destruídos. Entretanto, os francos conseguiram organi-
zar uma estrutura política na Gália. A centralização do po-
der foi fundamental para manter a conquista do território, 
atualmente a França. A formação desse reino teve início 
no período da Alta Idade Média europeia, a expansão ter-
ritorial ocorreu entre as dinastias Merovíngia e Carolíngia.
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Dinastia Merovíngia (481-751)
Chefiados por Meroveu, os francos venceram os hunos no 
final do século V, na Batalha dos Campos Catalúnicos. Mas 
a dinastia Merovíngia foi consolidada, efetivamente, por seu 
neto, Clóvis, a partir da unificação das tribos francas. Clo-
vis reinou durante os anos de 482 a 511. Nesse período, 
aliou-se à Igreja Católica, oferecendo-lhe proteção militar; 
em troca, obteve o apoio do papado, o que contribuiu para 
o fortalecimento da sua autoridade real. Com a morte de 
Clóvis, em 511, o Reino Franco foi dividido em quatro partes, 
entre seus filhos, de acordo com o costume germânico de 
divisão do poder. Mais tarde, uma nova divisão ocorreu entre 
os netos de Clóvis.
Nesse período, um novo sistema econômico se estruturou 
– o feudalismo –, com a ruralização da economia e o forta-
lecimento das relações pessoais entre o rei a seus vassalos. A 
fidelidade ao rei, suserano de um feudo, era estabelecida me-
diante o juramento da vassalagem,composta pelos senhores 
feudais e pelos cavaleiros, que assumiam o compromisso de 
servir ao soberano. Em troca, o rei oferecia proteção, terras e 
outros bens, mantendo o sistema de servidão e enfraquecen-
do o poder dos monarcas merovíngios.
O poder nobiliárquico também se baseava no contato direto 
dos majordomus (mordomos ou prefeitos do palácio) com os 
reis. Oriundos de famílias nobres, os majordomus passaram 
a exercer o poder no reino, a partir do comando do exército, 
da administração e divisão das terras e, por fim, da coleta de 
impostos. Aos reis eram atribuídas funções cerimoniais.
Pepino de Heristal, majordomus do Reino da Austrásia, 
conseguiu submeter os outros majordomus, promovendo 
a centralização do Reino Franco. Mas foi somente com seu 
sucessor, Carlos Martel, que os majordomus passaram a ser 
considerados reis.
Carlos Martel conquistou prestígio e poder ao liderar os 
francos na vitória contra os muçulmanos na Batalha de 
Poitiers, na França, no ano de 732, contendo o avanço islâ-
mico sobre a Europa ocidental. 
cArlos mArtel nA bAtAlhA de poItIers. chArles steubem (1788-1856)
Ao ser considerado pela Santa Sé como o “salvador do 
cristianismo ocidental”, Carlos Martel fortaleceu sua au-
toridade pessoal, fato aproveitado por seu filho Pepino, 
o Breve, que, com o apoio do papa Zacarias, destronou 
o último rei merovíngio Childerico III, no ano de 751, e 
proclamou-se rei dos francos, iniciando a Dinastia Car-
olíngia, que perdurou até 987.
Dinastia Carolíngia (751-987) 
Pepino iniciou a administração de seu reinado lutando con-
tra os lombardos na Itália. Os territórios conquistados, no 
centro da península Itálica, foram cedidos à Igreja, que pela 
primeira foi dona de suas terras, concedendo maior poder 
ao Papa e fortalecendo ainda mais a aliança entre a Igreja 
e o reino fanco. Os territórios da Igreja ficaram conhecidos 
como Patrimônio de São Pedro.
Pepino foi sucedido por seu filho Carlos Magno, em 768, 
que governou até 814, tornando-se o mais importante rei 
franco, concedendo seu nome à dinastia Carolíngia. Carlos 
Magno ampliou as fronteiras do reino franco, anexando a 
Itália lombarda, a Saxônia, a Frísia e a Catalunha, tornan-
do-se o único rei da Europa cristã.
A expansão foi favorecida pelo apoio da Igreja e da nobre-
za guerreira. O reino de Carlos Magno tornou-se o maior 
Império Ocidenta, durante o período medieval. No Natal do 
ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo Papa Leão III im-
perador romano do Ocidente.
O imperio de Carlos Magno também foi marcado pelo estímu-
lo imperial ao desenvolvimento cultural. Ocorreu um grande 
incentivo à cultura e às artes, quando houve um florescimento 
cultural e intelectual, o Renascimento Carolíngio.
Em 806, Carlos Magno fez seu testamento dividindo o 
império entre seus filhos, conforme o costume sucessório 
germânico, mas acabou sendo sucedido por seu filho mais 
novo, Luís I, o Piedoso, que governou de 814 a 841, 
mantendo o império e a estrutura político-administrativa 
herdados de seu pai.
A decadência do Império Carolíngio teve início após a mor-
te de Luís I, em 841, quando se iniciou um conflito entre 
seus filhos pelo trono. Lotário, Carlos e Luís travaram várias 
batalhas, arruinando as finanças e enfraquecendo militar-
mente o império.
Em 843, a disputa foi solucionada com a assinatura do Tra-
tado de Verdun, que estabeleceu a divisão do império en-
tre os netosde Carlos Magno: Lotário recebeu a Lotaríngia, 
que correspondia aos Países Baixos, Suíça e Norte da Itália; 
a Luis, o Germânico, coube a parte oriental do Império (Ger-
mânia); e a Carlos, O Calvo, coube o território da França. O 
Tratado de Verdun marcou, segundo as divisões dos 
períodos da História, o final da Alta Idade Média.
A quebra da unidade política e o enfraquecimento militar 
favoreceram as invasões externas – magiares, árabes e vi-
kings –, levando o império franco ao declínio. 
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origens do feudalismo
Na Europa, a Idade Média caracterizou-se pelo surgi-
mento de um sistema econômico, político e social de-
nominado feudalismo. Esse sistema foi fruto de uma 
lenta integração entre algumas características de duas 
estruturas sociais: a romana e a germânica. Esse pro-
cesso de integração, que resultou na formação do feu-
dalismo, ocorreu no período histórico compreendido 
entre os séculos V e IX.
Próximo ao fim do Império Romano do Ocidente, os gran-
des senhores romanos começaram a abandonar as cida-
des, fugindo da crise econômica e das invasões germâni-
cas. Os senhores rumaram para latifúndios no campo, onde 
passaram a desenvolver uma economia agrária voltada 
para a subsistência.
A nova onda de invasões dos séculos VIII ao X
Fonte: 28navegadores.blogspot.com.br/2013_04_01_achive.html
fonte: <28nAvegAdores.blogspot.com.br/2013_04_01_AchIve.html>.
Um grande contingente de romanos de menos posses pas-
sou a buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes 
senhores. Para utilizar as terras, eram obrigados a ceder ao 
proprietário parte do que produziam. Dessa forma, nesses 
centros rurais conhecidos por vilas romanas, começaram a 
ser criados os feudos medievais. Com algumas alterações fu-
turas, esse sistema de trabalho resultou nas relações servis 
de produção, um dos traços fundamentais do feudalismo.
Com a contínua ruralização do Império Romano, o poder 
central foi perdendo controle sobre os grandes senhores 
agrários. Gradativamente, as vilas romanas tornaram-se 
cada vez mais autônomas, à medida que o poder político 
descentralizava-se, permitindo ao proprietário de terras ad-
ministrar de forma independente sua vila.
O contato dos romanos com os povos de origem germâni-
ca promoveu a troca de hábitos e costumes entre eles, prin-
cipalmente num momento de ruralização e de organização 
de uma economia baseada nas atividades agropastoris. As 
várias tribos germânicas viviam de maneira autônoma, es-
tabelecendo relações apenas quando se defrontavam com 
um inimigo comum, unindo-se, nessas ocasiões, sob o co-
mando de um só chefe.
As relações entre o suserano e o vassalo, fundamentadas 
na honra, lealdade e liberdade, tiveram suas origens no 
comitatus germânico. O comitato era um grupo forma-
do pelos guerreiros e seu chefe com obrigações mútuas 
de serviço e lealdade. Os guerreiros juravam defender seu 
chefe, que se comprometia a equipá-los com cavalos e 
armas. Mais tarde, essas relações de honra e lealdade de-
ram origem às relações de suserania e vassalagem. 
A formação do Direito no feudalismo também teve influên-
cia germânica. Baseando-se nos costumes orais, e não nas 
leis escritas, o direito era considerado uma propriedade do 
indivíduo, um direito inerente a ele em qualquer local em 
que estivesse. Essa forma do Direito, produto dos costumes 
e da sua prática reiterada e constante, sem ser resultado de 
um processo formal de criação das leis escritas, é denomi-
nada direito consuetudinário.
As invasões dos séculos VIII e IX aceleraram a lenta integra-
ção entre aspectos da sociedade romana e da sociedade ger-
mânica. Em 711, os muçulmanos, vindos do Norte da África, 
conquistaram a península Ibérica, a Sicília, a Córsega e a 
Sardenha, fechando o mar Mediterrâneo à navegação e ao 
comércio dos europeus. Ao norte, no século IX, os norman-
dos também se lançaram à conquista da Europa. Penetraram 
no continente europeu pelos rios, saqueando suas cidades. 
A leste, os magiares (húngaros), cavaleiros nômades originá-
rios das estepes euroasiáticas, invadiram a Europa oriental.
O comércio, com o desaparecimento quase total da moe-
da, regrediu ao patamar da troca direta. Com a agrarização 
da economia, as cidades foram despovoadas, completando 
o processo de ruralização da sociedade. O poder político 
descentralizou-se em uma multiplicidade de poderes loca-
lizados e particularistas. O feudalismo se estabeleceu em 
sua plenitude.
CaraCterístiCas gerais
A sociedade feudal era estamental, ou seja, os indivíduos 
nasciam num determinado estamento (grupo social) e difi-
cilmente poderiam ascender a outro; tendiam a permanecer 
sob a própria condição de nascimento. Segundo a divisão 
SISTEMA FEUDAL
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clássica, a sociedade medieval era formada pelos seguintes 
estamentos: clero, nobreza e servos. 
Os senhores feudais eram os proprietários ou os possui-
dores do feudo. Originários da nobreza e do clero, forma-
vam uma aristocracia dominante. A nobreza se subdividia 
em duques, condes, barões e marqueses.
Os senhores feudais eclesiásticos, vinculados à Igreja 
Romana, também pertenciam à alta hierarquia do clero. Em 
geral, eram bispos, arcebispos e abades. 
O estamento dos dependentes, que compreendia a maioria 
da população medieval, compunha-se de servos e vilões. 
Os servos não tinham a propriedade da terra, embora, na 
maioria dos casos, tivessem posse parcial dela, o que justifi-
cava o fato de estarem adstritos a ela. É importante obser-
var que, embora fossem trabalhadores semilivres – donos 
de seus instrumentos de trabalhos, sementes, etc. –, apenas 
uma pequena parcela do que produziam era destinada ao 
próprio sustento.
Em número reduzido, havia outro tipo de trabalhador me-
dieval: o vilão. Os vilões não estavam presos à terra e des-
cendiam de antigos pequenos proprietários romanos. Não 
podendo defender suas propriedades, entregavam suas 
terras em troca de proteção de um grande senhor feudal. 
Economia feudal
As terras eram divididas em domínio senhorial, cuja pro-
dução destinava-se ao senhor feudal, manso servil, cujo 
produto do trabalho pertencia aos servos, e terras comu-
nais, isto é, pastos e florestas utilizadas tanto pelos senhores 
como pelos camponeses. O feudo, cujas terras eram des-
contínuas, constituía-se como a unidade geral de produção.
A terra arável era dividida em três partes: o terreno de plantio 
da primavera, o de plantio do outono e outro que ficava em 
pousio (descanso). Esse sistema surgiu na Europa, no século 
VIII, e ficou conhecido como sistema dos três campos. 
Nessa sociedade rural, de economia essencialmente 
agrária, a propriedade e a posse da terra determinavam a 
posição do indivíduo na hierarquia social. A terra era a ex-
pressão da riqueza, da influência, da autoridade e do poder. 
Além da obediência e fidelidade por juramento que os servos 
deviam ao seu senhor, as obrigações nas formas de trabalho 
e produtos eram as seguintes:
 § corveia: obrigação de trabalhar nas terras do senhor 
feudal sem direito ao que era produzido; 
 § talha: obrigação de entregar parte da produção no 
manso servil ao seu senhor;
 § banalidades: pagamento de impostos com produtos 
ou trabalho pelo uso de instrumentos do senhor: ferra-
mentas, moinhos, armazéns;
 § capitação: pagamento de imposto per capita dos fa-
miliares dos servos; e
 § mão-morta: pagamento de imposto pelos filhos do 
servo morto para que continuassem ocupando as terras 
fornecidas a seu pai pelo senhor. 
O feudo produzia tudo o que necessitava e consumia tudo que 
produzia. Era uma economia autossuficiente, organizada 
para suprir as necessidades do próprio feudo. O comércio não 
desapareceu da Europa, mas era retraído e sem relevância 
econômica. A troca de mercadorias realizava-se semanalmen-
te dentro do próprio feudo, em um mercado junto de uma 
Igreja, de um castelo ou na própriaaldeia. As trocas ocorriam 
de bens por bens. O uso de moedas não era frequente.
O senhorio medieval
Manso comum
Os produtos retirados dessas terras eram de uso tanto dos servos quanto dos
senhores. As terras comunais eram constituídas de pastos para criar animais
e de florestas e baldios, onde os camponeses colhiam frutos e raízes, extraíam
a madeira e o mel. A caça nas florestas era exclusiva dos senhores.
No senhorio, em geral, também havia coleiros para armazenar a colheita;
um moinho para triturar os grãos; e fornos para assar os pães.
Domínio Senhorial
Os produtos dessas
terras perteciam
exclusivamente
ao senhor. Nelas
trabalhavam servos
e outros camponeses.
Ali se produzia tudo o
que o senhor necessitava
para manter sua família
e outros dependentes.
Manso servil
Terras destinadas aos servos. Nelas os servos
produziam o que era necessário para a sua
sobrevivência, devendo em troca cumprir
uma série de obrigações para com o senhor.
Ilustração atual de
como poderia ter sido
um senhorio medieval.
Fonte: historiademestre.blogspot.com.br/2014/10/a-idade-media-e-o-feudalismo.htmlfonte: <hIstorIAdemestre.blogspot.com.br/2014/10/A-IdAde-medIA-e-o-feudAlIsmo.html>.
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Política feudal
Notadamente durante os séculos de IX ao XII, havia um rei, 
cujo poder era meramente formal.
No feudo, cada senhor feudal era o soberano supremo e 
detinha o monopólio da força como chefe do exército. Esse 
monopólio, porém, não ultrapassava seu pequeno exérci-
to mantido dentro de seus domínios feudais. Quando em 
estado de guerra, havia uma centralização político-militar 
desses exércitos sob as ordens e comando do rei.
Os laços de suserania e vassalagem estabeleciam os 
vínculos e a hierarquia entre a nobreza feudal. Um senhor 
feudal, proprietário de grandes porções de terra, doava 
uma parcela dela a outro nobre. O doador passava a ser 
o suserano, e o recebedor, o vassalo. Essas relações eram 
estabelecidas por contrato de direitos e deveres. Entre ou-
tras obrigações, o vassalo obrigava-se a pôr seu exército 
à disposição do suserano, a dar-lhe hospedagem quando 
necessário, a contribuir para o dote e o armamento de seus 
filhos. Ao suserano, por seu vez, cabia proteger militarmen-
te o vassalo, garantir a posse do feudo doado, tutelar os 
herdeiros e a viúva do vassalo depois de sua morte. Para 
oficializar a vassalagem, havia uma série de cerimônias 
conhecida como homenagem. O vassalo ajoelhava-se 
diante do senhor, com a cabeça descoberta e sem espada, 
punha as mãos entre as mãos do suserano e pronunciava 
as palavras sacramentais do juramento. Em seguida, o se-
nhor permitia que ele se levantasse, beijava-o e realizava 
a investidura com a entrega de um objeto simbólico – um 
punhado de terra, um ramo, uma lança ou uma chave – 
que representava a terra enfeudada. Os laços de suserania e 
vassalagem vinculavam toda a nobreza feudal. Nos últimos 
anos do século XI, no início das Cruzadas, o feudalismo en-
trou em gradativa decadência. O Renascimento comercial 
fez com que as estruturas feudais fossem progressivamente 
modificadas: as cidades ressurgiram, a figura do rei voltou a 
ganhar progressiva centralização e a cultura teocêntrica foi 
gradualmente substituída pela antropocêntrica – o homem 
como centro do Universo.
Cultura feudal
A cultura feudal era fundamentalmente teocêntrica, ou 
seja, caracterizou-se pela visão do homem voltado para 
Deus e para a vida após a morte.
A moral religiosa condenava o comércio, o lucro e a usura 
(empréstimo a juros). As artes, as letras, as ciências e a filo-
sofia eram determinadas pela visão religiosa imposta pela 
Igreja, sempre com predominância de temas e inspiração 
religiosos.
IGREJA CATÓLICA MEDIEVAL
A Igreja católica foi a grande catalisadora dos aconteci-
mentos e da vida medieval; nesse período, sua trajetória foi 
marcada pelo crescimento e desenvolvimento em virtude 
do grande poder conquistado. 
O crescente poder da Igreja católica na Europa ocidental 
durante a Idade Média pode ser explicado pelo acúmulo 
dos poderes espiritual e temporal. O poder espiritual cor-
responde ao controle sobre a religião e o monopólio da 
interpretação das Escrituras Sagradas, permitindo o con-
trole ideológico e a interpretação da realidade vigente. O 
poder temporal era exercido politicamente como resulta-
do do controle da Igreja sobre um número crescente de 
populações que a alimentavam mediante pagamento dos 
dízimos, doações, além de outras ações realizadas por fiéis 
crentes da salvação em troca de seus recursos materiais. 
A Igreja concentrava uma grande quantidade de terras, re-
sultado da acumulação de um montante significativo de 
riquezas materiais. 
A Igreja era responsável pela educação, mantendo uma 
série de escolas nos mosteiros, conventos e, mais tarde, 
nas paróquias. No século XIII, começou a organizar as 
universidades. Com isso, o poder da Igreja sobre os fiéis 
era incontestável. Os pecadores deviam cumprir penitên-
cias, que variavam de orações e jejuns a peregrinações e 
participação nas Cruzadas. 
Um importante instrumento de manutenção do domínio 
da Igreja Católica Medieval foi a criação do Tribunal 
da Santa Inquisição, em 1231, pelo papa Gregório 
IX. A principal função do Tribunal era julgar e punir as 
heresias. As penas variavam de simples penitências ao 
confisco de bens, além da excomunhão, torturas e mor-
te na fogueira.
A Igreja contava com uma rígida organização hierárquica. 
Havia o alto clero e o baixo clero; este era composto de 
elementos vindos das camadas mais pobres da sociedade; 
aquele, ligado à aristocracia, detinha os cargos de direção: 
dele faziam parte o Papa, os bispos, os abades, etc. 
Os mosteiros eram os responsáveis pela preservação da 
cultura, além de serem importantes centros econômicos. O 
clero regular era constituído por todos os clérigos consa-
grados da Igreja católica, que seguiam as regras de uma 
determinada ordem religiosa, dona de sua própria hierar-
quia e de títulos específicos.
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1. O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) definiu a cidada-
nia em Atenas da seguinte forma:
A cidadania não resulta do fato de alguém ter o domi-
cílio em certo lugar, pois os estrangeiros residentes e os 
escravos também são domiciliados nesse lugar e não 
são cidadãos. Nem são cidadãos todos aqueles que par-
ticipam de um mesmo sistema judiciário. Um cidadão 
integral pode ser definido pelo direito de administrar 
justiça e exercer funções públicas.
AdAptAdo de ArIstóteles, políticA. 
brAsílIA: edItorA unb, 1985, p. 77-78.
Relacionando aquilo que você aprendeu sobre o tema 
com o texto acima, quais as duas principais condições 
para que um ateniense fosse considerado cidadão na 
Grécia clássica?
2. Num antigo documento egípcio, um pai dá o seguinte 
conselho ao filho:
Decide-te pela escrita, e estarás protegido do trabalho 
árduo de qualquer tipo; poderás ser um magistrado de 
elevada reputação. O escriba está livre dos trabalhos 
manuais [...] é ele quem dá ordens [...]. Não tens na mão 
a palheta do escriba? É ela que estabelece a diferença 
entre o que és e o homem que segura o remo.
Apud luIz koshIbA. históriA – origEns, EstruturA E procEssos.
Lendo o texto e lembrando o que você aprendeu sobre 
o tema, argumente sobre a seguinte afirmação:
Nas Civilizações do Antigo Oriente, a Escrita é um dos 
fundamentos da própria ideia de “Civilização”.
3. Alguns povos da Antiguidade foram mercadores e 
praticavam intensamente o comércio marítimo.
a) Qual a relação entre a localização geográfica da 
Fenícia e as características econômicas de seu povo?
b) Cite o nome de suas três principais cidades.
c) Cite e comente um legado importante que os fení-
cios deixaram na História.
4. Vivemos numa forma de governo que não se baseia 
nas instituições de nossos vizinhos; ao contrário, servi-
mos de modelo a alguns, ao invés de imitaroutros. [...] 
Nela, enquanto no tocante às leis todos são iguais para 
a solução de suas divergências privadas, quando se tra-
ta de escolher (se é preciso distinguir em algum setor), 
não é o fato de pertencer a uma classe, mas o mérito, 
que dá acesso aos postos mais honrosos; inversamente, 
a pobreza não é razão para que alguém, sendo capaz de 
prestar serviços à cidade, seja impedido de fazê-lo pela 
obscuridade de sua condição. Conduzimo-nos liberal-
mente em nossa vida pública, e não observamos com 
uma curiosidade suspicaz [desconfiada] a vida privada de 
nossos concidadãos, pois não nos ressentimos com nosso 
vizinho se ele age como lhe apraz, nem o olhamos com 
ares de reprovação que, embora inócuos, lhe causariam 
desgosto. Ao mesmo tempo que evitamos ofender os ou-
tros em nosso convívio privado, em nossa vida pública 
nos afastamos da ilegalidade principalmente por causa 
de um temor reverente, pois somos submissos às autori-
dades e às leis, especialmente àquelas promulgadas para 
socorrer os oprimidos e às que, embora não escritas, tra-
zem aos agressores uma desonra visível a todos.
orAção fúnebre de pérIcles, 430 A.c. In: tucídIdes. históriA dA guErrA 
do pEloponEso. brAsílIA: edItorA unb, 2001, p. 109. AdAptAdo.
a) Quais as principais características do regime polí-
tico de Atenas?
b) Qual a cidade que foi a principal adversária de Ate-
nas na Guerra do Peloponeso? 
c) Cite e comente as principais diferenças entre elas.
5. (FUVEST 2021) “Assim se realizam, no correr do sé-
culo IV, a transformação do cristianismo de religião 
perseguida em religião do estado e a transformação 
de um deus rejeitado em um Deus oficial. Os homens 
e as mulheres que vivem na Europa ocidental passam, 
em poucos decênios, do culto de uma multiplicidade de 
deuses a um Deus único”.
lE goff, J. o dEus dA idAdE MédiA. convErsAs coM JEAn-luc 
pouthiEr. rio dE JAnEiro: civilizAção brAsilEirA, 2007, p. 19-20.
a) Indique uma motivação que levou o Império Ro-
mano a adotar o cristianismo como religião oficial em 
seus domínios.
b) Aponte dois exemplos da incorporação de elemen-
tos do paganismo às práticas devocionais cristãs na 
passagem da Antiguidade para a Idade Média.
c) Indique duas características do cesaropapismo que 
se desenvolveu na cristandade oriental. 
6. O historiador grego Heródoto (484-420 a.C.) viajou 
muito e deixou vivas descrições com reflexões sobre os 
povos e as terras que conheceu. Deve-se a ele a seguin-
te afirmação: “o Egito, para onde se dirigem os navios 
gregos, é uma dádiva do rio Nilo“.
“No Antigo Egito, existia uma profunda ligação entre o 
meio natural e a vida daquele povo.”
Explique a afirmação acima, relacionando seus conhe-
cimentos sobre o tema com o texto.
7. “Com relação ao ornamento, Roma não correspon-
dia, absolutamente, à majestade do Império e, além 
disso, estava exposta às inundações, como também 
aos incêndios. Porém, Augusto fez dela uma cidade 
tão bela que pode se envaidecer, principalmente por 
ter deixado uma cidade de mármore no lugar onde en-
contrara uma de tijolos”.
AdAptAdo de: suetônIo. A vidA dos dozE césArEs. 
são pAulo: mArtIn clAret, 2006, p. 91.
Considerando o texto e o período de Otávio Augusto no 
governo de Roma, responda:
a) Qual a relação da reurbanização de Roma durante 
o Governo de Otávio Augusto, com aquilo que simbo-
lizava a PAX ROMANA? 
b) Identifique uma medida social e uma medida polí-
tica estabelecidas por Augusto para adaptar as tradi-
ções romanas àquele momento histórico.
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8. Grande parte da presença humana na Terra é explica-
da pelos historiadores tendo como referência o termo 
"pré-história". Sobre esse período, discorra sobre os 
seguintes tópicos:
a) o significado da revolução neolítica;
b) as limitações conceituais do termo "pré-história".
U.T.I. - E.O. 
1. A palavra árabe iman significa ‘ter certeza’ e desig-
na fé, no sentido da certeza. A fé, por conseguinte, não 
contradiz o conhecimento nem a compreensão. Pelo 
contrário, o desejo de saber é uma obrigação religiosa, 
e os tempos pré-islâmicos (século VI) na Arábia são cha-
mados pelos islâmicos de jahiliya, ignorância.
AdAptAdo de: burkhArd scherer (org.). As grAndEs rEligiõEs: 
tEMAs cEntrAis coMpArAdos. petrópolIs: vozes, 2005, p. 77.
Como a fé e o conhecimento científico estavam relacio-
nados entre si no mundo islâmico na Alta Idade Média?
2. (UFPR 2013) Considere a seguinte afirmação sobre o 
termo bizantino:
“É essencial lembrar que bizantino não tem conotação 
étnica, mas civilizacional (...). O termo bizantino foi vul-
garizado apenas a partir do século XVI, depois do des-
membramento do império, que, em vida, se via como 
herdeiro e continuador do império Romano.”
(frAnco Jr., hilário; AndrAdE filho, ruy dE olivEirA. 
o iMpério bizAntino. sp: brAsiliEnsE, 1987, p. 7-8)
Em que medida o Império Bizantino pode ser conside-
rado herdeiro e continuador do Império Romano? Esta-
beleça as diferenças entre esses dois impérios entre os 
séculos V e VII. 
3. (UNICAMP 2014) No Natal de 800, o papa Leão III 
coroou Carlos Magno como Imperador dos Romanos. O 
Imperador recebeu o antigo título de Augusto.
a) Caracterize a autoridade de Carlos Magno como Im-
perador naquele momento.
b) Apresente dois aspectos do renascimento carolíngio. 
4. (UNESP 2018) Empunhando Durendal, a cortante,
O rei tirou-a da bainha, enxugou-lhe a lâmina
Depois cingiu-a em seu sobrinho Rolando
E então o papa a benzeu.
O rei disse-lhe docemente, rindo:
“Cinjo-te com ela, desejando
Que Deus te dê coragem e ousadia,
Força, vigor e grande bravura
E grande vitória sobre os infiéis.”
E Rolando diz, o coração em júbilo:
“Deus mo conceda, pelo seu digno comando.”
(lA chAnson d’AsprEMont, século xii. Apud gEorgEs 
duby. A EuropA nA idAdE MédiA, 1988.)
a) Qual é a cerimônia medieval descrita no texto? Iden-
tifique dois versos do texto que contenham elementos 
religiosos.
b) Qual é a relação entre o rei e Rolando, personagens 
do poema? O que essa relação representa no contexto 
do feudalismo? 
5. Observe a ilustração e leia a citação a seguir. Em se-
guida, responda ao que se pede.
Nascida nos quadros do Império Romano, a Igreja ia aos 
poucos preenchendo os vazios deixados por ele até, em 
fins do século IV, identificar-se com o Estado, quando o 
cristianismo foi reconhecido como religião oficial. (...) 
Estreitavam-se, portanto, as relações Estado-Igreja. (...) 
No Império Carolíngio, a aliança entre os reis e a Igreja 
foi fundamental para a consolidação de ambos os po-
deres e, por vezes, a Igreja assumia funções que hoje 
consideramos ser do Estado e este por sua vez interfe-
ria nos assuntos religiosos.
frAnco JúnIor, hIlárIo. A idAdE MédiA. nAsciMEnto do 
ocidEntE. são pAulo: brAsIlIense, 2001. p. 67 e 71.
Sobre as relações entre Estado e Igreja, no período me-
dieval, responda:
a) Qual o papel administrativo desempenhado pela 
Igreja católica durante o Período Medieval?
b) Como o Poder Real dos francos – merovíngios e 
carolíngios – contribuiu para a expansão do cristia-
nismo na Europa ocidental?
6. Qual a importância do ponto de vista geopolítico da-
quele período, o surgimento, estabelecimento e expan-
são do Islão a partir do século VII?
7. O Imperador Justiniano (527-565) entre outras reali-
zações, consolidou o conceito e as práticas do Cesaro-
papismo, que iriam ter muitas consequências ao longo 
do tempo naquela região, particularmente no Leste eu-
ropeu e na Rússia.
O que é Cesaropapismo?
8. “O aparecimento da polis constitui, na história do 
pensamento grego, um acontecimento decisivo (...). O 
que implica o sistema da polis é primeiramente uma 
extraordinária preeminência da palavra sobre todos os 
outros instrumentos do poder. Torna-se o instrumento 
político por excelência, a chave de toda a autoridade no 
Estado, o meio de comando e de domínio sobre outrem 
(...). Uma segunda característica da polis é o cunho de 
plena publicidade dada às manifestações maisimpor-
tantes da vida social. Pode-se mesmo dizer que a polis 
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existe apenas na medida em que se distinguiu um domí-
nio público, nos dois sentidos diferentes mas solidários 
do termo: um setor de interesse comum, opondo-se aos 
assuntos privados; práticas abertas, estabelecidas em 
pleno dia, opondo-se a processos secretos. Essa exigên-
cia de publicidade leva a apreender progressivamente 
em proveito do grupo e a colocar sob o olhar de todos o 
conjunto de condutas, dos processos, dos conhecimen-
tos que constituíam na origem o privilégio exclusivo.”
(JeAn-pIerre vernAnt. As orIgens do pensAmento grego. 1984.)
a) O que era a polis?
b) Por que a PALAVRA é tão importante nesse contex-
to ao qual o autor se refere?
9. O que significa o termo “Mesopotâmia” e qual a rela-
ção entre esse significado e as civilizações que surgiram 
nas várias cidades-Estado daquela região?
10. As perseguições aos cristãos no Império Romano 
estavam ligadas especialmente a uma atitude dos cris-
tãos com relação à figura do Imperador e que era ao 
mesmo tempo política e religiosa.
a) Qual era essa questão?
b) Por que ela era simultaneamente política e religiosa?
11. O documentário O Ateliê de Luzia – Arte Rupestre 
no Brasil, dirigido por Marcos Jorge, apresenta as des-
cobertas atuais da arqueologia através dos vestígios 
visuais do homem brasileiro. No decorrer do filme, o di-
retor mostra diferentes sítios arqueológicos, como eles 
foram descobertos e vestígios que datam dos períodos 
paleolítico e neolítico. Segundo a antropóloga Maria 
Beltrão, uma das entrevistadas,
A pintura rupestre pode se revestir de intenções no de-
correr dos tempos pré-históricos. Ela pode ser apenas 
uma manifestação artística em algum tempo, ela pode 
estar escondendo alguma prescrição ecológica, ela 
pode demonstrar um autoconhecimento astronômico, 
pode estar ligada ao mundo mágico-religioso etc.
Ao final do documentário, o antropólogo Andrei Isnar-
dis faz um paralelo entre as inscrições realizadas pelo 
homem pré-histórico e as pichações e grafites nas gran-
des cidades.
Com base nos conhecimentos sobre pré-histórica e man-
ifestações culturais urbanas na contemporaneidade, cite 
seis similaridades entre os grafismos rupestres pré-históri-
cos e os grafites/pichações realizados na atualidade.
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portugal e sua formação
Guerra de reconquista
Da guerra dos cristãos contra os mouros (muçulmanos do 
norte da África) nasceram os reinos de Aragão, Leão, Castela 
e Navarra.
Com a união desses reinos cristãos, iniciou-se a Guerra de 
Reconquista, com o objetivo de expulsar os mouros da pe-
nínsula Ibérica.
Henrique de Borgonha (nobre francês), em virtude da sua 
atuação na Guerra de Reconquista, recebeu do rei Afonso 
VI, de Leão, em 1094, o condado Portucalense e a mão de 
sua filha Tereza. Afonso Henriques foi fruto deste casamento. 
Ele lutaria contra a submissão do condado Portucalense a 
Leão, no ano de 1139, proclamando sua independência 
e tornando-se o primeiro rei da dinastia de Borgonha.
A Borgonha (1139-1383)
Foi a primeira dinastia e configurou plenamente as ca-
racterísticas do feudalismo português.
Sem se mostrar capaz de acompanhar as transformações so-
ciais e econômicas ocorridas em Portugal, a dinastia de Bor-
gonha se indispôs com a classe dos mercadores, que cresce-
ra bastante nesse período; assim a dinastia de Avis, mais 
ligada aos interesses comerciais e urbanos, tomou seu lugar.
Portugal era predominantemente agrário, e nos fins do sé-
culo XIV, passou a desenvolver uma economia mais voltada 
para a navegação e o comércio. 
Revolução de Avis (1383-1385)
A morte de D. Fernando desencadeou uma luta pela su-
cessão do trono português, em 1383, e serviu de estopim 
para a Revolução de Avis. O rei não havia deixado um filho 
varão, e sua filha, D. Beatriz, era casada com D. João I, de 
Castela. Se ela herdasse a coroa, o reino se tornaria domí-
nio de Castela e perderia a independência política.
A nobreza portuguesa era partidária da união com Cas-
tela, que era feudal. A burguesia, que considerava a per-
da da independência uma ameaça aos seus interesses, 
apoiava as pretensões de D. João, mestre de Avis, irmão 
bastardo do rei. Quando D. João foi proclamado rei, Cas-
tela invadiu Portugal.
bAtAlhA de AlJubArrotA (1385)
A burguesia, a pequena nobreza e a população pobre 
derrotaram os castelhanos na Batalha de Aljubarrota (Pa-
deira), consolidando a independência portuguesa em 
1385. A aliança entre a dinastia de Avis e a burguesia for-
taleceu a centralização monárquica e abriu caminho 
para as grandes navegações.
as grandes navegações
Durante os séculos XV e XVI, os europeus, principalmente 
portugueses e espanhóis, lançaram-se aos oceanos com 
dois objetivos principais: descobrir uma nova rota marítima 
para as Índias e encontrar novas terras. 
As navegações ajudaram a marcar a passagem da Idade 
Média para a Idade Moderna e impulsionaram o aumento 
do comércio da Europa com a Ásia e a África. Além disso, 
resultaram na descoberta, em 1492, de um novo continen-
te a ser explorado pelos europeus: a América.
O “Novo Mundo” dividido
Os reis da Espanha e de Portugal passaram a disputar en-
tre si a posse das terras descobertas e das terras a serem 
descobertas, assim que a notícia do descobrimento da 
América chegou à Europa.
Em 1493, os reis da Espanha obtinham o apoio do papa 
Alexandre VI, espanhol de nascimento, na edição da Bula 
Inter Coetera. A Bula determinava uma divisão do mun-
do ultramarino, tomando-se por base um limite a 100 lé-
guas a oeste de Cabo Verde. Portugal ficaria com as terras 
a leste dessa linha. As terras situadas a oeste dessa linha 
imaginária caberiam à Espanha.
FORMAÇÃO DE PORTUGAL E NAVEGAÇÕES ULTRAMARINAS
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Tratado de Tordesilhas
Equador
ilhas
Ilhas
Canárias
Cabo
Verde
Linhas de demarcação coloniais
entre Espanha e Portugal nos
séculos XV e XVI.
Linha do Papa Alexandre VI
(Bula Inter Caetera, 1493)
Tratado de Tordesilhas (1494)
Tratado de Zaragoza (1529)
dIsponível em: <https://pt.wIkIpedIA.org/wIkI/erA_dos_
descobrImentos>. Acesso em 23 dez. 2015.
Devido à insignificância dos territórios lusos, Portugal se opôs 
a essa Bula,o que levou a sua revogação e assinatura, em 
1494, do Tratado de Tordesilhas. Pelos termos do novo 
Tratado, deslocava-se para 370 léguas a oeste de Cabo 
Verde o limite entre os domínios portugueses e espanhóis.
Algumas nações europeias não iriam respeitar O Tratado de 
Tordesilhas, pois julgavam injusta a partilha do mundo en-
tre as nações ibéricas. Os países mais contrariados foram: a 
Grã-Bretanha, o Reino dos Países Baixos e a França.
A expansão ultramarina e suas consequências
 § implantação do trabalho compulsório indígena na Amé-
rica espanhola; 
 § expansão do comércio europeu;
 § afluxo de metais preciosos para o continente europeu, 
que gerou uma enorme inflação na Europa, processo co-
nhecido como a Revolução dos Preços, em razão da 
desvalorização da moeda e do aumento geral dos preços; 
 § diversificação dos artigos de consumo: batata, tabaco, 
cacau e o milho oriundos da América;
 § destruição das civilizações pré-colombianas astecas e 
incas;
 § enriquecimento da burguesia mercantil europeia;
 § fortalecimento dos Estados absolutistas;
 § europeização do mundo, ou seja, a difusão da cultura eu-
ropeia (vestimentas, língua, hábitos alimentares);
 § mudança do eixo econômico europeu do mar 
Mediterrâneo para o oceano Atlântico;
 § expansão do mercantilismo;
 § implantação do sistema colonial na América;
 § adoção do trabalho escravo e consequente intensificação 
do tráfico negreiro;
 § expansão da fé cristã.
amériCapré-Colombiana .
Olmecas
Originada na costa sul do golfo do México, a cultura olmeca 
é considerada a primeira cultura elaborada da Mesoaméri-
ca e matriz de todas as culturas posteriores dessa área. As 
características marcantes do Império olmeca, que se esten-
deu do México ocidental à Costa Rica, foram a presença de 
centros cívicos religiosos a que se subordinavam áreas 
periféricas e a escultura monumental. 
A população olmeca era bastante desenvolvida. Espalhada 
pelo império, dividia-se entre uma minoria (sacerdotes, ar-
tífices de elite), que habitava os centros cerimoniais, e a 
maioria do povo (camponeses), que vivia nas aldeias.
A arte olmeca se caracterizou pela valor religioso. A escultura 
era bastante desenvolvida: monumentais cabeças de pedra 
com rosto redondo, lábios grossos e nariz achatado; estatue-
tas com formas humanas; e outras apresentando uma mistu-
ra de traços humanos e felinos. 
Conheciam a astronomia, uma vez que foram encontrados 
registros de datas muito antigas. Também conheciam a es-
crita e sistemas matemáticos. Muitos traços e tradições dos 
olmecas sobreviveram entre as diversas culturas que os su-
cederam, como é o caso das culturas dos astecas e maias. 
Maias
Ocupando as planícies da península do Iucatã, os maias 
elaboraram uma das mais complexas e influentes culturas 
da América. 
A economia agrícola considerava o milho um alimento 
sagrado do qual teria se originado o homem. A terra era 
cultivada coletivamente e os camponeses eram obrigados 
a pagar o imposto coletivo. A pecuária ainda era des-
conhecida, e a caça e a pesca atividades complementares.
Os maias formavam uma sociedade rigidamente hie-
rarquizada, em que a posição social era determinada pelo 
nascimento. Uma elite (militares e sacerdotes) constituía 
o grupo dominante, de caráter hereditário, que habitava os 
numerosos centros cerimoniais circundados pelas aldeias 
AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA, MERCANTILISMO E 
ADMINISTRAÇÃO ESPANHOLA NA AMÉRICA
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onde vivia a numerosa mão de obra de camponeses sub-
metidos ao regime de servidão coletiva.
Responsável pela política interna e externa e pelo recolhi-
mento do imposto coletivo das aldeias, acredita-se que o 
governo maia fosse uma teocracia de caráter heredi-
tário
pIrâmIde de kukulcán, em chIchén Itzá
Os maias construíram templos de forma retangular sobre 
pirâmides truncadas com escadarias que se estendiam ao 
redor de praças. Também edificaram palácios, que provavel-
mente serviam de residências dos sacerdotes. 
Ao preverem os eclipses solares, o movimento dos planetas 
e elaborarem um calendário cíclico, bem como ao desenvol-
verem noções avançadas, como um símbolo para o zero e o 
princípio do valor relativo, os maias fizeram notáveis pro-
gressos na astronomia e na matemática.
Por volta do ano 900, a civilização maia sofreu declínio de 
população. Há estudiosos que atribuem o abandono dos 
centros maias à guerra, à insurreição, à revolta social, a 
invasões bárbaras, etc. A exploração intensiva de meios de 
subsistência inadequados, que provocaram a exaustão do 
solo, ao lado dos intensos conflitos entre as cidades-Estado, 
são as hipóteses mais prováveis. Até a conquista definitiva 
pelos espanhóis, a cultura maia posterior se fundiu com a 
dos toltecas.
Astecas
Os astecas ocuparam originalmente a região noroeste do 
atual México. Guerreiros e expansionistas, dominaram 
os toltecas e outros povos da região. Construíram palácios, 
templos, mercados e canais de irrigação e, em 1325, fun-
daram a cidade de Tenochtitlán, capital do império.
Com destaque para o cultivo do milho, do algodão, do fei-
jão e do cacau, cuja semente era utilizada como moeda, a 
economia era essencialmente agrária.
A sociedade era rigidamente hierarquizada: o imperador e 
sua família ocupavam a posição mais elevada da pirâmi-
de social; em posição intermediária estavam os artesãos 
e comerciantes; os camponeses e os escravos ocupavam 
a base da pirâmide social. A maior parte de terra pertencia 
aos sacerdotes e elites locais (líderes dos clãs), enquanto as 
comunidades camponesas conservavam pequena parcela 
para uso familiar. 
pIrâmIde do sol
O imperador possuía representação religiosa, militar e políti-
ca, seja por suas conquistas, seja pelo domínio sobre vários 
povos, o que tornou o Império Asteca um Estado milita-
rista e teocrático. 
Construíram obras arquitetônicas colossais: templos e pa-
lácios com terraços em forma piramidal, objetos decorati-
vos, obras de ourivesaria em prata, ouro e pedras preciosas 
utilizadas na decoração de palácios e templos. Os astecas 
também se destacaram na astronomia, ao elaborarem um 
calendário solar que lhes possibilitava planejar as épocas de 
plantio e colheita. 
A religião asteca era politeísta, com prática de sacrifícios hu-
manos. Na crença asteca, para que o mundo fosse preserva-
do, os deuses exigiam oferendas do bem mais precioso que 
os homens possuíam: a vida. 
Incas
A região ocupada pelos incas ainda se estendia ao longo 
da cordilheira dos Andes, ocupando parte dos atuais territó-
rios de Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina. 
Originariamente nômades, os incas faziam parte do grupo 
quéchua. Entre os séculos XII e XIII, realizaram várias con-
quistas na região andina (civilizações de Tiahuanaco, Huari 
e Chimu), alcançando seu apogeu na época da conquista 
espanhola no século XVI.
A propriedade era divida em terras do Estado, terras dos sa-
cerdotes e terras comunitárias. Rigidamente estratificadas, 
essa sociedade experimentou a formação de classes sociais, 
tornando-se estamental. Abaixo do imperador, havia uma 
elite de sacerdotes e militares (nobreza); artífices do 
Estado, médicos e contabilistas compunham o grupo 
intermediário; a base da pirâmide social era constituída por 
escravos e uma grande massa de camponeses.
mAchu pIcchu foI, Ao lAdo de cuzco, um dos doIs 
mAIs ImportAntes centros urbAnos dA cIvIlIzAção IncA.
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O imperador era considerado um deus (Sapa Inca), descen-
dente direto do Sol. Os incas acreditavam em vários deuses 
vinculados a elementos da natureza. Construíram grandes 
templos e faziam sacrifícios animais e humanos.
Sem escrita, a cultura era transmitida oralmente. O idio-
ma quéchua serviu de instrumento unificador do Império 
Inca. Um conjunto de nós e barbantes coloridos, denomi-
nados quipus, permitiu aos Incas desenvolverem um en-
genhoso sistema de contabilidade. Na astronomia, foram 
autores de um calendário. Na matemática, utilizavam o 
sistema numérico decimal. 
a Conquista espanHola e o 
CHoque de Civilizações 
Os impérios existentes na América foram vistos pelos colo-
nizadores espanhóis como as principais ameaças ao projeto 
de exploração do novo território. Os astecas e os incas fo-
ram os que mais sofreram com o contato com os europeus. 
Uma grande vantagem dos espanhóis sobre os ameríndios 
foi o fato de possuírem armas de fogo, canhões e cavalos, 
todos elementos desconhecidos na América. Outro fator 
que contribuiu para uma rápida conquista por parte dos 
europeus foi a disseminação de doenças até então inexis-
tentes na América (ex.: gripe).
Sob a administração da Espanha
No início, a Coroa espanhola não desejava gastar muitos 
recursos com a exploração das colônias americanas. Assim, 
indivíduos que investiam seus recursos particulares para 
explorar as novas terras eram chamados de adelantados. 
Eles ganhavam uma série de prerrogativas jurídicas e milita-
res, como o direito de fundar núcleos de ocupação, explorar 
o solo e erguer fortalezas. Em troca, entregavam um quinto 
de tudo o que fosse explorado na América e promoviam a 
cristianização dos ameríndios.
Em 1503, a Coroa espanhola criou as Casas de Contrata-
ção, órgão responsável por fiscalizar a cobrança do quinto. 
Com o passar do século XVI, a Espanha foi aprimorando seu 
sistema de administração coloniale foram criadas as Au-
diências, instituições com competência jurídica instaladas 
nas mais importantes regiões da América hispânica. Para 
centralizar a administração da colônia espanhola, foi criado 
o Conselho das Índias em 1524.
O passo final para a melhor administração das terras ame-
ricanas foi sua divisão em Capitanias (terras de menor 
representatividade econômica) e Vice-Reinos (terras de 
maior valor econômico).
Mercantilismo
A estruturação do capitalismo comercial coincidiu com 
a formação dos Estados nacionais, organizando e impondo 
uma série de práticas econômicas visando a proporcionar o 
acúmulo de metais preciosos como forma de dinami-
zar as relações comerciais e fortalecer as moedas nacionais. 
Essa política econômica dos Estados modernos ficou conhe-
cida como mercantilismo.
A intervenção do Estado na economia e o meta-
lismo (acúmulo de metais preciosos) foram as principais 
bases do mercantilismo. A principal forma de obtenção e 
acúmulo de metais era o comércio, o que levou os gover-
nos a estimularem as exportações e a inibirem, mediante 
protecionismo marcado por altas taxas alfandegárias, as 
importações de artigos estrangeiros, caracterizando, assim, 
uma balança comercial favorável. Eram muito fortes os 
estímulos governamentais à produção de artigos manufatu-
rados cujos preços eram bastante elevados no exterior e nas 
áreas coloniais. 
Chamado também de sistema colonial, o colonialismo 
figura como parte integrante da política mercantilista. Ele 
correspondia ao conjunto de relações entre metrópoles 
e colônias, quando aquelas impuseram uma série de re-
strições à economia colonial. As determinações metropoli-
tanas às colônias baseavam-se no monopólio e na comple-
mentaridade, conhecidas por Pacto Colonial.
Colônia Pacto colonial Metrópole
Matérias-primas – gêneros tropicais
Manufaturas – escravos
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brasil: período pré-Colonial 
(1500-1530)
Logo depois do Descobrimento, o Brasil permaneceu ligado 
à sua Metrópole por umas poucas expedições ocasionais 
que aqui chegavam com o objetivo de reconhecer mais 
amplamente o litoral ou de explorar o pau-brasil, ma-
deira com possibilidade de comercialização, ou, ainda, de 
afugentar os franceses, atraídos pela mesma mercadoria.
As primeiras expedições de reconhecimento e explo-
ração foram comandadas respectivamente por Gaspar Le-
mos, em 1501, e Gonçalo Coelho, em 1503. 
A crescente presença de franceses exigiu mais esforços para 
garantir a segurança das novas terras. A mão de obra 
livre dos índios mediante escambo, que consistia na tro-
ca de objetos de pouco valor – espelhos, miçangas, objetos 
de ferro – pelo corte e transporte do pau-brasil até locais 
na costa, era favorável aos contrabandistas franceses, que 
não tinham compromisso com o Tratado de Tordesilhas.
Esses fatores forçaram a colonização do litoral, que mu-
dou radicalmente a política oficial do Estado português e o 
montante de investimentos por parte da burguesia.
Os portugueses criaram as feitorias – estabelecimentos 
fundados no litoral da Colônia para armazenar o pau-brasil 
e assegurar a posse do território contra os invasores.
A exploração do pau-brasil era monopólio do rei (Estan-
co Régio), como toda atividade ultramarina. Só poderia 
se dedicar a ela quem tivesse uma concessão da Coroa, 
que cobrava por isso o quinto (20% do lucro adquirido 
com o produto).
iníCio da Colonização brasileira 
(1530-1580)
obrA de benedIto cAlIxto, “fundAção de são vIcente”, mostrA A vIsão 
do ArtIstA sobre A chegAdA dos portugueses no lItorAl pAulIstA. 
A partir de 1530, a posição de Portugal em relação ao Brasil 
mudou. As necessidades portuguesas de garantir a posse 
do território e obter uma nova fonte de lucros que substitu-
ísse o decadente comércio oriental levaram a Coroa a dar 
início à colonização da nova terra. 
Para dar início ao empreendimento, foi organizada a expedi-
ção comandada por Martim Afonso de Souza, em 1530, 
com o objetivo de percorrer o litoral e, quando necessário, 
explorar o interior em busca de ouro e prata, expulsar os 
franceses, criar núcleos de povoamento e aumentar o domí-
nio português até o Rio da Prata. 
Em 1532, ao voltar do Rio da Prata, Martin Afonso fundou 
São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. São 
Vicente foi dotado de um engenho para produzir açúcar, 
além de ser o primeiro núcleo de colonização no Brasil.
Capitanias hereditárias (1534)
O Estado português adotou o sistema de capitanias he-
reditárias. Assim, a iniciativa privada arcaria com os gas-
tos da colonização. 
Em 1534, a costa brasileira foi dividida em quinze faixas 
de terra. Chamavam-se capitanias hereditárias, pois pas-
sariam dos donatários a seus herdeiros. Os donatários 
dispunham de grandes poderes sobre as terras, inclusive o 
de distribuir sesmarias (porções de terra que permane-
ceriam em poder do sesmeiro e seus descendentes desde 
que eles as cultivassem) àqueles que as requeressem para 
estimular a colonização. 
Martim Afonso de Sousa, em São Vicente, e Duarte Co-
elho, em Pernambuco, foram os únicos donatários que 
tiveram sucesso (em parte porque receberam muita ajuda 
do rei de Portugal e de banqueiros flamengos). Ataques 
constantes de índios, falta de recursos, a longa distância 
até a Metrópole, as dificuldades de comunicação entre as 
capitanias e a descentralização político-administrativa fo-
ram os principais motivos do fracasso do sistema de capi-
tanias hereditárias.
Governo-Geral (1548)
Depois do fracasso do sistema de capitanias, Portugal 
criou o Governo-Geral, que deveria corrigir as falhas das 
capitanias hereditárias e não extingui-las. O novo órgão 
deveria centralizar a administração colonial, 
sendo o Governador-Geral a maior autoridade da Colônia 
PERIODO PRÉ-COLONIAL, ADMINISTRAÇÃO 
COLONIAL E INVASÕES FRANCESAS
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e representante direto do rei. O sistema de Governo-Geral 
foi criado por D. João III (o colonizador), que, por meio do 
Regimento de 1548, determinou as principais funções do 
Governo: ajudar os donatários no que fosse necessário; 
combater índios e piratas; fundar núcleos de povoamento; 
estimular a catequese e defender a fé cristã e organizar 
expedições em busca de metais preciosos.
Câmaras municipais
As vilas e cidades coloniais eram administradas pelas câ-
maras municipais, que representavam os interesses 
de ricos proprietários chamados de homens bons. 
Por vezes, as câmaras municipais gozavam de enorme au-
tonomia, ignorando leis impostas pela capital e apostando 
na ausência de qualquer punição, considerando a precarie-
dade dos meios de comunicação e transporte.
Governadores-Gerais
 § Tomé de Souza (1549 – 1553)
Primeiro Governador-geral do Brasil. Chegou acompanhado 
de aproximadamente mil homens (soldados, profissionais, 
funcionários públicos, etc.) a fim de construir a primeira 
cidade do Brasil, Salvador, que se tornou a capital, sendo 
originalmente denominada Salvador da Bahia de Todos os 
Santos. 
 § Duarte da Costa (1553-1558)
Um novo grupo de jesuítas, dentre os quais o padre José 
de Anchieta, desembarcou no Brasil acompanhado do se-
gundo Governo-Geral, que, juntamente com Manuel da 
Nóbrega, fundou, em 1554, o colégio de São Paulo 
de Piratininga, origem do povoado que se transformaria 
na cidade de São Paulo.
A invasão francesa no Rio de Janeiro, em 1555, foi tam-
bém um fato marcante desse governo. Ela estava vinculada 
aos problemas enfrentados pelos franceses na extração do 
pau-brasil por causa do maior policiamento. Além disso, 
problemas internos na França colaboraram para a formação 
de um núcleo colonial no Brasil: a França Antártica. 
 § Mem de Sá (1558-1572)
O terceiro Governador-Geral iniciou a luta contra os 
franceses. O Forte de São Sebastião do Rio de Janeiro, que 
seria o núcleo inicial da cidade do Rio de Janeiro, foi funda-
do, em 1565, pelo sobrinho do governador,Estácio de Sá, 
para auxiliar na luta contra os franceses. Dois anos depois, 
os franceses foram expulsos da região e a França Antártica 
foi destruída.
D. Luís de Vasconcelos, nomeado como quarto Gover-
nador-Geral, não chegou ao Brasil, pois sua esquadra foi 
destroçada por corsários franceses. Também morreram nes-
sa ocasião quarenta jesuítas que acompanhavam o gover-
nador. Ficaram conhecidos na história como os Quarenta 
Mártires do Brasil.
O Brasil foi dividido em dois governos: o do norte, com capi-
tal em Salvador e governado por Luís de Brito Almeida, 
e o do sul, com capital no Rio de Janeiro e governado por 
Antônio Salema.
Luís de Brito Almeida ficou apenas quatro anos no poder. Ele foi 
substituído por Lourenço da Veiga, que governava quando, em 
1580, Portugal e sua Colônia passaram para o domínio espa-
nhol, na chamada União Ibérica. 
Conselho Ultramarino
D. João IV se tornou rei, pondo fim à União Ibérica depois 
da restauração do trono português, em 1640, quando foi 
criado o Conselho Ultramarino, regulamentado em 1642. 
O novo órgão nasceu subordinado à Secretaria de Estado 
dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos e esta-
va encarregado exclusivamente da administração colonial, 
concluindo o processo iniciado em 1548 com a instalação 
do Governo-Geral, sendo um passo decisivo para a centra-
lização administrativa colonial.
a Cana-de-açúCar 
(séCulos xvi e xvii) 
A cana-de-açúcar foi o produto escolhido para dar início 
à ocupação econômica do Brasil por uma série de razões: 
 § A experiência portuguesa na produção de cana na cos-
ta africana (Cabo Verde, Madeira, São Tomé).
 § A possibilidade de atrair investimentos externos.
 § Solo e clima favoráveis, especialmente o solo de massa-
pé e o clima quente e úmido do Nordeste.
 § O açúcar era um produto altamente lucrativo.
 § A aceitação do produto no mercado europeu.
No Brasil, a atividade açucareira funcionava da seguinte ma-
neira: os portugueses ficavam responsáveis pela produção, e 
ECONOMIA COLONIAL, SOCIEDADE E INVASÕES HOLANDESAS
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os holandeses financiavam a montagem dos engenhos, bem 
como controlavam o transporte, o refino e a comercialização 
do açúcar, obtendo a maior porcentagem de lucros. 
A primeira grande divisão de terras foi fundamental para 
determinar o modelo de colonização. Esse modelo ficou co-
nhecido como plantation e baseava-se em três elementos: 
grande propriedade (latifúndio), monocultura e tra-
balho escravo (escravismo).
O rei simplesmente legalizava a escravidão do índio sob pre-
texto de defendê-lo. Para aprisionar índios, foram organiza-
dos as chamadas bandeiras, expedições que se tornaram 
um dos principais fatores da atual extensão do território 
brasileiro, principalmente na região mais ao sul do Brasil 
Colônia (atual Sudeste). 
A organização da produção 
do engenho
A grande produção só começa oficialmente com Martim 
Afonso de Souza, em 1533, em São Vicente. As construções 
principais são a casa-grande, a senzala, as estrebarias e 
as oficinas. As principais instalações do engenho são: moen-
da, caldeira e casa de purgar. 
A unidade produtora da agromanufatura açucareira era o 
engenho, que se constituía basicamente de: 
 § Casa do engenho: formada pelas instalações desti-
nadas à produção de açúcar.
 § Casa-grande: residência, geralmente assobradada, 
onde viviam o senhor e sua família. Nela também mo-
ravam os empregados de confiança (capatazes) que 
cuidavam de sua segurança. Era a central administra-
tiva das atividades econômicas do engenho. 
 § Capela: local das cerimônias religiosas. 
 § Senzala: habitação de um único compartimento, rústi-
ca e pobre, onde viviam os escravos. 
engenho de AçúcAr movIdo A águA
Escravidão negreira
A escravidão dos negros permitia a obtenção de grandes 
lucros por parte dos traficantes portugueses, que domina-
vam áreas fornecedoras de escravos na África, como Ango-
la, Goa, São Tomé e, posteriormente, Moçambique. 
A substituição da escravidão indígena pela escravidão dos 
negros foi favorecida pela questão da obtenção de escra-
vos. Os índios brasileiros eram nômades e seminômades e, 
portanto, migravam constantemente. Além disso, a exten-
são do território era outro fator que dificultava a captura 
de índios. Já os negros eram obtidos na África por meio 
de escambos entre os traficantes e os próprios africanos, 
que capturavam negros de tribos rivais e trocavam-nos por 
aguardente, rapadura e fumo trazido do Brasil. 
negros no porão de um nAvIo negreIro
Havia a prática de aborto, infanticídio, suicídio e o banzo”(-
caracterizando por greve de fome e depressão por conta da 
privação da liberdade). Menos comum, mas ocorrente, era o 
ataque à casa do senhor e a sua família. A resistência negra 
podia se dar por meio de fugas indivíduais, fugas coletivas e 
a formação de quilombos. 
Engenhos e a sociedade
Essencialmente a sociedade colonial era:
 § Inculta: pois mesmo os membros da elite só recebiam 
o ensino das “letras básicas”, que não passavam do 
aprender a ler, escrever e contar de modo primário.
 § Aristocrática: porque dominada pelos ricos propri-
etários de terras e de escravos. 
 § Rural: porque a vida econômica baseava-se na agri-
cultura. A vida urbana ainda era muito incipiente, com 
a quase totalidade da população habitando o campo. 
 § Escravista: porque a força de trabalho baseava-se 
na escravidão do índio ou do negro. 
 § Sem mobilidade social: porque não havia oportu-
nidade para trabalhadores e escravos saírem de sua 
condição e ascenderem socialmente. 
 § Patriarcal: porque o proprietário rural e pai de família, 
ao considerar-se responsável pelo provimento material 
do lar, impôs a obrigação de ser respeitado e obedeci-
do no âmbito familiar. Esse poder sobre a família era 
estendido à sociedade, já que, como dono das riquezas 
materiais, o senhor considerava toda a população não 
proprietária dependente dele.
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invasões Holandesas 
(séCulo xvii)
União Ibérica (1580-1640)
Em 1578, ocupava o trono português D. Sebastião, que 
viria a ser o último monarca da Dinastia de Avis. As dificul-
dades socioeconômicas e o espírito cruzadista levaram-no a 
lutar contra os mouros no norte da África. 
D. Sebastião desapareceu, não deixando herdeiros, durante 
a batalha de Alcácer-Quibir. O velho cardeal D. Henri-
que, único sobrevivente masculino da linhagem de Avis, as-
sumiu a regência enquanto não se solucionava o problema 
da sucessão. Em 1580, o cardeal-regente morreu. Felipe II, 
rei da Espanha, neto de D. Manuel, o Venturoso (o mes-
mo que organizara a esquadra de Pedro Álvares Cabral), 
achou-se no direito de ocupar o trono português.
Portugal ficou submetido à Espanha durante 60 anos. Con-
sequentemente, o Brasil também passou para o domínio 
espanhol, sofrendo alterações em sua estrutura interna e no 
seu relacionamento internacional.
Em 1580, quando da união das Coroas Ibéricas, Portu-
gal viu-se envolvido pelas rivalidades espanholas, so-
bretudo com relação à Holanda. Rebelados desde 1567 
contra os altos impostos e a repressão religiosa do cató-
lico Felipe II contra o calvinismo, os holandeses tiveram 
de sustentar longos anos de lutas para preservar sua 
liberdade diante do poderio espanhol. Visando preju-
dicá-los, Felipe II decretou o fechamento dos portos do 
Brasil, de Portugal e de qualquer domínio espanhol aos 
navios e comerciantes flamengos. 
A Holanda não teve outra alternativa senão lançar-se em 
busca de mercadorias nas áreas produtoras. Paulatinamen-
te, a hegemonia holandesa se firmou no Oriente, à custa do 
recuo dos portugueses que, sem autonomia, dependiam de 
ações espanholas na região.
Assim, já nos últimos anos do século XVI, os holandeses ti-
nham atingindo o Oriente pela rota do Cabo, e, em 1602, 
fundaram a Companhia das Índias Orientais, que con-
quistou o monopólio do comércio oriental, compreendido

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