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Ombro.. Anatomicamente a região do ombro envolve os ossos da cintura escapular (escápula e clavícula), manúbrio do esterno e úmero. O ombro pode ser considerado a articulação mais complexa do corpo, já que possui 4 articulações: esternoclavicular, acromioclavicular, glenoumeral e escapulotorácica. Distúrbios em qualquer uma das articulações comprometem os movimentos do cíngulo do membro superior. A mobilidade da escápula é essencial para o movimento livre do membro superior. A clavícula forma um suporte que mantém a escápula e portanto, a articulação do ombro, afastada do tórax para que possa se movimentar com liberdade. Articulações ARTICULAÇÃO ESTERNOCLAVICULAR É sinovial selar, mas funciona como esferóidea. É dividida em dois compartimentos por um disco articular que está firmemente fixado aos ligamentos esternoclaviculares anterior, posterior e ao ligamento interclavicular. Movimentos permitidos: Rotação, retração, protração, elevação e depressão A grande força da articulação EC é consequente a essas fixações. Assim, embora o disco articular absorva o choque das forças provenientes do membros superior e transmita ao longo da clavícula, a luxação da mesma é rara, enquanto sua fratura é comum. A extremidade esternal da clavícula articula-se com o manúbrio do esterno e a 1° cartilagem costal. As faces articulares são cobertas por fibrocartilagem. A capsula articular circunda a articulação EC. Está fixada às margens das faces articulares, inclusive à periferia do disco articular. Uma membrana sinovial reveste a face interna da membrana fibrosa da cápsula articular, estendendo-se até as margens das faces articulares. LIGAMENTOS A resistência dessa articulação depende de seus ligamentos e de seu disco articular. Ligamentos esternoclaviculares anteriores e posteriores reforçam a cápsula articular nas partes anterior e posterior. O ligamento interclavicular fortalece a cápsula superiormente. Estende-se da extremidade esternal de uma clavícula até a extremidade esternal da outra. No intervalo, também está fixado à margem superior do manúbrio. O ligamento costoclavicular fixa a face inferior da extremidade esternal da clavícula à 1° costela e sua cartilagem costal, limitando a elevação do cíngulo do membro superior. Durante a elevação completa do membro, a clavícula é elevada até um ângulo aproximado de 60°. Quando a elevação é obtida por flexão, é acompanhada por rotação da clavícula ao redor de seu eixo longitudinal. Ela também pode ser movimentada anterior ou posteriormente em uma amplitude de até 25° a 30°. Ela é vascularizada pelas artérias torácica interna e supraescapular; e sua inervação se dá por ramos do nervo supraclavicular medial e do nervo para o músculo subclávio. ARTICULAÇÃO ACROMIOCLAVICULAR É sinovial plana. A extremidade acromial da clavícula articula-se com o acrômio da escápula. As faces articulares, cobertas por fibrocartilagem, são separadas por um disco articular cuneiforme incompleto. Movimentos permitidos: Rotação, retração, protração, elevação e depressão do ombro. A membrana fibrosa da capsula articular, semelhante a uma bainha relativamente frouxa, está fixada às margens das faces articulares. Uma membrana sinovial reveste a membrana fibrosa. Embora seja relativamente fraca, a parte superior da capsula é fortalecida por fibras do músculo trapézio. LIGAMENTOS O ligamento acromioclavicular é uma faixa fibrosa que se estende do acrômio à clavícula e fortalece a articulação superiormente. No entanto, a integridade da articulação é mantida por ligamentos extrínsecos, distantes da articulação propriamente dita. O ligamento coracoclavicular consiste em um forte par de faixas que unem o processo coracoide da escapula à clavícula. Ele é constituído de dois ligamentos, conoide e trapezoide, que não raro são separados por uma bolsa. O ligamento conoide vertical é um triângulo invertido (cone). O ligamento trapezoide é quase horizontal. Além de aumentar a articulação AC, o ligamento coracoclavicular é o meio pelo qual a escapula e o membro livre são (passivamente) suspensos pelo suporte clavicular. O acrômio da escápula gira sobre a extremidade acromial da clavícula. Esses movimentos estão associados ao movimento na articulação escapulotorácica fisiológica. Os ossos que se articulam para mover a articulação AC não são unidos por músculos; os músculos axioapendiculares que se fixam à escapula e a movem causam o movimento do acrômio sobre a clavícula. A articulação é irrigada pelas artérias supraescapular e toracoabdominal. ARTICULAÇÃO ESCÁPULOTORÁCICA Classificação: É considerada uma articulação funcional, pois não apresenta os elementos anatômicos de uma articulação típica, porém age como uma articulação plana permitindo movimentos de deslizamento da escápula sobre as costelas. Movimentos permitidos: elevação, depressão, adução, abdução e rotação da escápula durante os movimentos do ombro. ARTICULAÇÃO GLENOUMERAL É sinovial do tipo esferóidea permitindo movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, abdução horizontal, adução horizontal, rotação medial e rotação lateral do úmero. A cabeça do úmero, grande e redonda, articula-se com a cavidade glenoidal da escápula, que é relativamente rasa, mas o lábio glenoidal, uma estrutura fibrocartilagínea e anular, aprofunda mais essa cavidade. As duas faces articulares são cobertas por cartilagem hialina. A cavidade glenoidal acomoda pouco mais de um terço da cabeça do úmero, que é mantida na cavidade pelo tônus dos músculos do manguito rotador, ou SIRS (Supraespinal, Infraespinal, Redondo menor e Subescapular). A membrana fibrosa frouxa da cápsula articular circunda a articulação do ombro e se fixa medialmente à margem da cavidade glenoidal e lateralmente ao colo anatômico do úmero. A parte inferior da cápsula articular, a única parte não reforçada pelos músculos do manguito rotador, é a área mais fraca. Aqui, a capsula é bastante frouxa. A membrana sinovial reveste a face interna da membrana fibrosa da cápsula e é refletida sobre o lábio glenoidal e o úmero, até a margem articular da cabeça. LIGAMENTOS Os ligamentos glenoumerais, que fortalecem a face anterior da cápsula articular, e o ligamento coracoumeral, que fortalece a cápsula articular superiormente, são ligamentos intrínsecos, ou seja parte da membrana fibrosa da cápsula. Os ligamentos glenoumerais são três faixas fibrosas, evidentes somente na face interna da cápsula, que reforçam a parte anterior da cápsula articular. Esses ligamentos irradiam-se lateral e inferiormente a partir do lábio glenoidal da escápula e se fixa na membrana fibrosa da capsula quando esta se fixa ao colo anatômico do úmero. O ligamento coracoumeral é uma faixa fibrosa larga e forte que vai da base do processo coracoide até a face anterior do tubérculo maior do úmero. O ligamento transverso do úmero segue do tubérculo maior até o tubérculo menor do úmero, transpondo o sulco intertubercular e o convertendo-o em um canal que mantem a bainha sinovial e o tendão do bíceps braquial no lugar durante os movimentos. O arco coracoacromial é uma estrutura extrínseca, protetora, formada pela face inferior lisa do acrômio e do processo coracoide da escápula, com o ligamento coracoacromial entre eles. Essa estrutura osteoligamentar forma um arco posterior situado sobre a cabeça do úmero, impedindo seu deslocamento superior da cavidade glenoidal. Esse arco é tão forte que um forte impulso superior do úmero não causa fratura; o corpo do úmero ou a clavícula sofrem fratura primeiro. MOVIMENTOS A articulação glenoumeral tem mais liberdade de movimento do que qualquer outra articulação do corpo. Essa liberdade resulta da frouxidão de sua capsula articular e do grande tamanho da cabeça do úmero em comparação com o pequeno tamanho da cavidade glenoidal. A articulaçãodo ombro permite movimentos ao redor de três eixos, possibilitando flexão-extensão, abdução-adução, rotação medial e lateral do úmero e circundução. A rotação lateral do úmero aumenta a amplitude de abdução. Quando o braço é abduzido sem rotação, a face articular disponível se esgota e o tubérculo maior toca o arco coracoacromial, evitando a continuação da abdução. Se o braço for então girado 180° lateralmente, os tubérculos giram posteriormente e aumentam a face articular para continuar a elevação. VASCULARIZAÇÃO E INERVAÇÃO A articulação do ombro é suprida pelas artérias circunflexas umerais anterior e posterior e ramos da artéria supraescapular. Os nervos supraescapular, axilar e peitoral lateral suprem a articulação do ombro. BOLSAS AO REDOR DA ARTICULAÇÃO DO OMBRO Há várias bolsas que contém películas capilares de líquido sinovial secretado pela membrana sinovial, perto da articulação do ombro. As bolsas estão situadas nos locais onde há atrito dos tendões contra o osso, os ligamentos ou outros tendões e onde a pele se move sobre uma proeminência óssea. As bolsas ao redor da articulação do ombro têm importância clinica especial porque algumas delas se comunicam com a cavidade articular. Consequentemente, a aberta de uma bolsa pode significar a entrada na cavidade do ombro. Bolsa subtendínea do músculo subescapular: está situada entre o tendão do subescapular e o colo da escápula. Ela protege o tendão quando este passa inferiormente à raiz do processo coracoide e sobre o colo da escápula. É uma extensão da cavidade da articulação do ombro. Bolsa subacromial: as vezes denominada bolsa deltoidea, está situada entre o acrômio, o ligamento coracoacromial e o músculo deltoide superiormente e o tendão do músculo supraespinal e a cápsula articular da articulação do ombro inferiormente. Assim, facilita o movimento do tendão do músculo supraespinal sob o arco coracoacromial e do músculo deltoide sobre a cápsula da articulação do ombro e o tubérculo do úmero. MÚSCULOS DO MANGUITO ROTADOR Os músculos do manguito rotador do ombro (“rotator cuff”) auxiliam principalmente nos movimentos rotacionais do ombro e na estabilização da articulação glenoumeral. Pelo fato de a articulação glenoumeral ser relativamente instável, ela precisa de elementos estabilizadores dinâmicos (músculos) e esta estabilidade será feita pelos músculos do manguito rotador. Temos 4 músculos formando o grupo muscular do manguito rotador: Supra-Espinhal, infra-Espinhal, redondo Menor e subescapular. Estes quatro músculos, além de movimentarem a articulação do ombro, abraçam a articulação gleno-umeral comprimindo a cabeça do úmero contra a cavidade glenoide melhorando a estabilidade desta articulação, pois a cabeça do úmero é grande e a cavidade glenóide é rasa, e este fator anatômico facilita a ocorrência de instabilidades, luxações e subluxações. INERVAÇÃO 1. Músculo Supra-Espinhal: nervo supra escapular; 2. Músculo Infra-Espinhal: nervo supra escapular; 3. Músculo Redondo Menor: nervo axilar; 4. Músculo Subescapular: nervo subescapular. RITMO ESCAPULOUMERAL Ao testar a adm do cíngulo do membro superior, devem-se considerar os movimentos escapulotorácicos (movimento da escápula sobre a parede torácica) e glenoumerais. Embora os 30° iniciais de abdução possam ocorrer sem movimento da escápula, no movimento geral de elevação completa do braço, o movimento ocorre em uma razão de 2:1. Para cada 2° que ocorrem na articulação do ombro, a escapulotorácica realiza 1° de movimento. Portanto, quando o membro superior for elevado de forma que o braço fique na vertical ao lado da cabeça (180° de flexão ou abdução), 120° ocorrem na articulação do ombro e 60° na escapulotorácica. Observação: Depois de 140° a escápula não se mexe mais, só o úmero; No final do ritmo escapuloumeral, estando a elevação completa, o ângulo inferior da escápula deve encostar na linha média axilar. RITMO ESCÁPULO-UMERAL FASE 1: Úmero movimenta-se sozinho até 30° de elevação. Escápula movimenta-se minimamente. FASE 2: Escápula começa a se movimentar junto com o úmero, seguindo a regra de proporção. Chegam aos 60° juntos. FASE 3: Úmero começa a rodar externamente a partir de 90°. Então o úmero eleva-se mais 60° e a escápula mais 30° = 180° de elevação.