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Livro - Engenharia para Aquicultura e Desenho Técnico para Engenharia Aquicola

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nia (NH4NO3) modificando o solo, pela formação de ácidos
minerais que removem cálcio e magnésio trocáveis das par-
tículas coloidais, deixando íons de hidrogênio em seu lugar.
É no complexo coloidal do solo, constituído pelas argilas
e pelo húmus, que acontece o mecanismo do pH. O complexo
coloidal retém em sua superfície os cátions do solo, sujeito à
mudanças constantes com os cátions na solução do solo com
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 69
os quais estão em equilíbrio, absorvidos no complexo coloidal
com forças diferentes de retenção, dando a seguinte série pre-
ferencial (COELHO & VERLENCIA, 1973):
Al':" > H+ > Ca" > K+> NH +
4
A série significa que o alumínio, o hidrogênio, como os
outros cátions têm maior poder de deslocamento de outros
íons do complexo coloidal que o seu posterior.
O complexo coloidal (argila e húmus), possui dois tipos
de acidez: a potencial, de reserva ou trocável (conteúdo de
íons de hidrogênio no complexo coloidal) e a ativa (conteúdo
de íons de hidrogênio na solução do solo). Essa acidez é indi-
cada pelo pH.
O número de íons na solução do solo é pequeno em rela-
ção ao adsorvido no complexo coloidal. "Para se ter uma idéia
de sua insignificância, as seguintes quantidades de carbonato
de cálcio (CaCO) seriam necessárias para neutralizar a acidez
ativa de um hectare de terra (COELHO &VERLENGIA, 1973):
Ph de 6 para 7 - 25 gj CaCo3; Ph de 5 para 7 - 250 gj
CaCo e Ph de 4 para 7 - 2.500 gj CaCo
3 3
Os solos possuem o poder de reagir menos ou mais às mu-
danças de pH. Daí o chamado "poder tampão" ou "tamponan-
te" que é a dificuldade em o solo mudar de pH, pela adição de
substâncias ácidas ou alcalinas. Assim, os solos argilosos têm
maior "poder tampão" que os arenosos e, dentro de cada tipo,
maior quantidade de matéria orgânica, maior "poder tampão".
Ou seja, um solo argiloso precisa de maiores quantidades de
calcário para eliminar o excesso de acidez que um arenoso, com
o mesmo pH; e dentro de um mesmo tipo de solo, maior quan-
tidade de matéria orgânica, maior necessidade de calcário.
Um solo com pH = 4 é dez vezes mais ácido que um solo
compH = 5.
70 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
3.8.1. Como medir o pH
O pH do solo pode ser medido com potenciômetro ou
pelo uso do papel de tornassol.
Utilizando-se de um potenciômetro ou pHmetro, toma-se
toem- de solo, na forma de terra fina seca ao ar (TRFA), isto é,
o material que passa numa peneira de malha de zmm (peneira
10), mistura-se com 20cm3 de água destilada; agita-se por 1a 2
minutos, deixa-se em repouso por duas horas e faz-se a leitura
do pH no líquido sobrenadante, este método é o mais preciso.
3.9. Propriedades físicas dos solos
As propriedades físicas do solo de maior importância
para a Engenharia Aquática são:
Cor
• Textura
Estrutura
Porosidade
Consistência
Permeabilidade
Capacidade de retenção de água
3.9.1. Cor
A cor dos solos provém da mistura das cores de suas partí-
culas, é uma maneira primitiva de analisar algumas proprieda-
des que lhes são inerentes. "Tratados antigos de agricultura es-
critos por filósofos gregos e romanos, que viveram antes da Era
Cristã, classificavam os solos pela sua coloração" (KIEHL, 1979):
• Solosclaros - são os solos arenosos, ricos em quartzo;
Solos brancos, amarelos ou acinzentados -
são os solos ricos em calcário;
•
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 71
• Solos amarelo-avermelhados - são aqueles que
possuem conteúdos de óxido de ferro e alumínio.
Conforme o grau de oxidação e hidratação, os óxidos
de ferro podem levar os solos às colorações cinzenta,
com FeO (óxido ferroso); vermelha e amarela com
Fe,03 óxido férrico hidratado (limonita).
Solos negros ou brunos - são aqueles que apre-
sentam conteúdo de matéria orgânica e húmus. A
magnetita e o óxido de manganês conferem cor es-
cura aos solos.
•
A cor das diferentes camadas (horizontes) do solo devem
ser determinada com o solo úmido ou seco, através do Siste-
ma de Munsell (Soil Color Charts), que apresenta o matiz ou
o nome da cor ou "hue" em inglês; o brilho ou tonalidade ou
valor, ou "value"; a intensidade ou pureza ou croma ou "chro-
ma", em inglês.
"A determinação da cor do solo deve ser feita com a luz
solar, evitando-se trabalhar duas horas antes do sol nascer ou
duas horas antes dele se por" Kiehl (1979).
Em fim, a cor dos solos está, também, correlacionada
com o clima com sua textura e a idade.
3.9.2. Textura
A textura se refere às quantidades relativas de partículas
de diversos tamanhos no solo. É importante o seu conhecimen-
to para melhor compreender a dificuldade ou facilidade com
que a água se movimenta no seu interior. As propriedades físi-
cas e químicas dependem da proporção das partículas de tama-
nho pequeno que o solo contém. Muitas das reações químicas e
físicas ocorrem na superfície das partículas pequenas, de gran-
de interesse para as Engenharias Aquática, Agronômica e Civil.
72 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
3.9.2.1. Composi~ãotextural do solo
Várias classificações texturais dos solos já foram idea-
lizadas com a facilidade de atender a um maior número de
especialistas em pedologia. Pelo Departamento de Agricultu-
ra dos Estados Unidos, foi apresentada para as frações areia,
silte e argila as classificações granulo métricas americanas e a
internacional (tabela 3).
A determinação da textura do solo é feita através da aná-
lise granulométrica, conhecida também como análise mecâni-
ca, física, físico-mecânica e textural.
A análise granulométrica, para os trabalhos de aquacul-
tura, pode ser feita por peneiramento, à obtenção da terra fina
seca ao ar - TFSA (8 < 0,002mm).
O procedimento para se obter a terra fina seca ao ar
(TFSA) é o seguinte:
• Aamostra natural deve ser seca ao ar ou em estufa 50°C;
Pesa-se para se obter a massa total de solo;
Destorroa-se com cuidado, usando-se rolo de borra-
cha ou de madeira, sem quebrar os minerais;
Passa-se na peneira 10 (malha de zrnm) obtendo-se
a TFSA.
O diagrama da figura 11 foi modificado pela Sociedade
Brasileira de Ciência do Solo, a qual introduziu mais uma
classe textural, denominada argila pesada, bem como a modi-
ficação da palavra barro para franco (KIEHL, 1979).
Vieira et al (1988) apresentaram o triângulo guia (figura
12) para o agrupamento de classes texturais que facilita a com-
preensão mais rápida sobre o tamanho das partículas do solo.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 73
Tabela 3. Classificação granulométrica dos solos pro-
posta pelo Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (Os nomes em maiúsculas correspondem a
classificação internacional).
Limites (mm)
Fração Americana Internacional
Areia muito grossa 2,00 a 1,00
AREIA GROSSA 1,00 a 1,50 2,00 a 0,02
Areia mediana 0,50 a 0,25
AREIA FINA 0,25 a 0,10 0,20 a 0,02
Areia muito fina 0,10 a 0,05
SILTE 0,05 a 0,002 0,02 a 0,002
ARGILA < 0,002 < 0,002
- .. --~~-- -- -Fonte. Viena (1975).
3.9.2.2. Ensaios de campo para determinar a textura do solo
A construção de um viveiro terá menor permeabilidade
no fundo e em suas paredes laterais se o solo usado para sua
edificação possuir uma boa quantidade de silte e argila. Na
determinação dos quantitativos desses elementos usa-se mé-
todos práticos de campo:
1°)Método da bola lançada ao ar:
Tomar uma amostra de solo, umedecê-Ia e formar
uma bola de uns 5 em de diâmetro;
Lançá-Ia para cima a uma altura de ± 50 em, Se ao cair
na mão ocorrer fragmentação, o solo é arenoso. Por-
tanto, inadequado à construção de diques de viveiros.
74 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
20) Método da compressão
Tomar uma amostra de solo e umedecê-Ia uniforme-
mente;
• Apertá-Ia entre os dedos; se ao abrir a mão a amostra
indicar a forma dos dedos, o solo é argiloso. Portan-
to, apto à construção de diques de viveiros.
100
% de areia
Figura 11.Triângulo para classificação das clas-
ses texturais do solo, adotado pela Sociedade
Brasileira de Ciência do Solo.
Fonte: Vieira et al (988).
3.9.2.3. Determinação das proporções de areia, silte e argila
Através de um método simples determína-se as propor-
cões aproximadas da areia, do silte e da argila

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