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PASTEURELOSE AVIÁRIA ● Infecções causadas por bactérias do gênero Pasteurella ● Avicultura: termo comum => Cólera Aviária (enfermidade septicêmica causada por P. multocida), alguns artigos nomeiam como cólera doença bastante septicêmica a bactéria se dissemina com grande disseminação pelo organismo da ave causando lesões em diversos órgãos e tecidos ● Fowl Cholera ● Doença infecto-contagiosa: transmissível de ave para ave ● Afeta aves domésticas e silvestres ● Septicemia e alta morbi-mortalidade ● Pode cronificar - quando as aves se infectam com cepas menos virulentas ou quando a ave tem uma certa imunidade, ou quando ela se recupera parcialmente de uma forma aguda a doença pode de tornar crônica Importância econômica ● Caráter agudo ● Alta mortalidade ● Letalidade elevada (pode chegar a 100% em apenas algumas horas) ● Aves que conseguem sobreviver: portadoras (comprometem a produtividade do lote) Faz parte da lista da OIE ● Doenças transmissíveis de importância socioeconômica e de saúde pública ● Doenças significativas para o comércio internacional de animais ou produtos de origem animal ● Notificação compulsória Etiologia ● Cólera: P. multocida subsp. multocida sorovar A ● Temos várias espécies que podem infectar as aves e causar a pasteurelose mas a mais importante é a P. multocida sendo o sorovar a o mais virulento ● Outras espécies: Mannheimia haemolytica (ex-P. haemolytica); P. gallinarum; P. ureae; P. pneumotropica; P. aerogenes; P. anatipestifer Pasteurella multocida ● Bastonete Gram negativo, imóvel, não esporulado ● Cresce em meios de cultura convencionais ● Bastonetes individuais ou aos pares ● Coloração por Giemsa: coloração bipolar típica Muito importante guardarmos isso: que ela possui coloração bipolar típica, onde nas extremidades do bacilo ela fica mais escura e no centro da bactéria fica mais clara, lembrando as cápsulas de medicamento - muito sugestivo de pasteurelose Patogenicidade está relacionada com: ● Morfologia das colônias ● Liberação de endotoxina (LPS) - por se tratar de uma bactéria gram negativa sendo um fator de virulência que quando liberado essas substância no corpo do animal gera uma vasculite, gerando um quadro endotóxico severo ● Presença do antígeno capsular (A,B,D,E ou F) => confere proteção contra fagocitose, dificultando a resposta imune do tipo celular ● Sensível à maioria dos desinfetantes, calor e luz solar ● Baixa resistência fora do hospedeiro ● Matéria orgânica, umidade, pH, temperatura: podem favorecer permanência do agente no ambiente ● Distribuição mundial ● Maior prevalência em regiões de climas temperados ● Normas de biosseguridade auxiliaram no controle da doença em plantéis brasileiros - favorecem o controle de pasteurelose nos plantéis ● Felinos, roedores e lagomorfos podem albergar o agente na orofaringe – fonte de infecção para as aves - por isso é importante que outros animais assim como aves silvestres não tenham acesso aos criatórios ● Galinhas domésticas e aves silvestres – disseminadoras da bactéria no ambiente ● Perus são mais suscetíveis (normalmente não atuam como portadores, pois adoecem facilmente e morrem) ● Faisões, gansos e patos também são bastante sensíveis ● Causa doença em aves mais velhas com 20 a 24 semanas de idade, sendo raras em aves jovens - logo vai acometer aves de ciclo mais longos como perus e aves de postura Transmissão ● Horizontal: contaminação de água e alimentos com secreções ● Processo rápido de transmissão, dificulta ações de controle ● Porta de entrada: mucosa da orofaringe, conjuntiva ou lesões em tecido subcutâneo lesado (canibalismo) atuando como porta de entrada ● Não há evidências de transmissão transovariana - porém imagina-se que pelo caráter septicêmico da doença é bem provável que uma ave infectada vá transmitir a bactéria para seus descendentes ● Período de incubação: 8h a 3 dias ● Galinhas: infecção natural pode causar até 20% de mortalidade ● Outras espécies de aves – 80 a 100%, dependendo da virulência do agente Patogenia ● Não está totalmente esclarecida (alguns autores sugerem como sendo um agente considerado oportunista) por isso quando há pasteurelose no plantel esses autores sugerem que há alguma outra doença de base como uma doença viral imunossupressora ou algum fator estressante associado que esteja diminuindo a imunidade dessas aves ● Infecção => orofaringe onde se multiplicam => multiplicação => organismo via corrente sanguínea => pulmões - depois aos demais órgãos e tecidos ● Bactérias mais virulentas se multiplicam no fígado e no baço => levando a um choque endotóxico (onde há vasculite devido a deposição de LPS das bactérias na parede dos vasos, isso gera uma reação imunomediada também, essas lesões vão fazer com que tenha hemorragia, sofra perdas plasmáticas gerando um quadro exsudativo) ● Morte súbita sem lesões (septicemia em quadro agudo) - quando há quadros agudos assim podem morrer rápido sem ao menos apresentar lesões ● Aves que se recuperam => portadoras (eliminam a bactéria no ambiente por tempo indeterminado) e as aves portadoras são de difícil identificação pois ou elas são subclínicas ou elas são assintomáticas ● Aves convalescentes se tornam imunes à infecção por Pasteurella do mesmo sorotipo - não existe imunidade cruzada entre diferentes os diferentes tipos de pasteurella, por isso é necessário que na vacina tenhamos diferentes sorotipos ● Choque endotóxico: ○ Febre ○ Hipotensão arterial ○ Hemorragias ○ Extravasamento de líquidos para a cavidade peritoneal e pericárdica ○ Edemas ○ CID ○ Infartos e óbito Sinais Clínicos ● Forma aguda: doença fulminantes ○ Febre, fraqueza, sonolência, inapetência, cianose de crista e barbela, estertores, secreção oral e nasal ○ Algumas aves podem apresentar diarreia profusa com conteúdo mucoso e esverdeado ● Forma crônica: evolução da fase aguda ou resultado de infecção por amostras menos virulentas ● Período de incubação mais longo (semanas a meses) ○ Fraqueza, diminuição da postura (formação de abscessos no oviduto) ○ Macho: comum edema de barbela ○ Artrite, osteomielite, otite, torcicolo (meningite), sinusite, aerossaculite e pneumonia - todas as ites que podemos imaginar devido a disseminação da bactéria pelo organismo da ave Aqui vamos ter a síndrome da cabeça inchada que é muito comum em doenças bacterianas devido ao LPs que é liberado na corrente sanguínea do animal - que envolve edema de crista e barbela, conjuntivite, edema de pálpebra, sinusite então realmente fica com a cabeça inchada Essa segunda foto é um quadro de otite Alterações Macroscópicas ● Fase Aguda: Distúrbios vasculares ○ Exsudato serofibrinoso na cavidade peritoneal e pericárdica ○ Hiperemia das vísceras abdominais ○ Petéquias e hemorragias no pericárdio, serosa, pulmão, gordura e mucosa intestinal ○ Pneumonia ○ Hepatoesplenomegalia e áreas de necrose focal ○ Folículos ovarianos flácidos => postura abdominal com peritonite fibrinosa Alterações Microscópicas ● Fase aguda ○ Grande número de bactérias no interior de vasos sanguíneos ○ Formação de trombos ○ Órgãos parenquimatosos com infiltração heterofílica ○ Áreas de necrose de coagulação no fígado Mostrando uma hepatomegalia com vários focos necróticos e com microabscessos por todo o parênquima do órgão Só que aqui a postura ocorre dentro do abdômen aí temos um quadro de peritonite com bastante edema e fibrina Algumas aves acabam morrendo por infarto devido ao exsudato presente no pericárdio Alterações Macroscópicas ● Fase crônica: lesões fibrinosas, supurativas e necrosantes ○ Exsudato catarral nas vias respiratórias ○ Pneumonias ○ Exsudato ou massa caseosa nas articulações ○ Edema de face ○ Meningite Alterações Microscópicas ● Fase crônica: ○ Infiltrado inflamatório heterofílico ○ Intensa deposição de fibrina ○ Áreas de necrose tecidual no fígado, pulmão e oviduto, circundada por heterófilos e células gigantes, formando microabscessosDiagnóstico ● Presuntivo: ○ Sinais clínicos ○ Altos índices de letalidade (forma aguda) ○ Lesões de caráter exsudativo, hemorrágico, fibrinoso, supurativo e necrosante (verificadas à necropsia) mais na fase crônica ● Imprint/coloração: ○ Giemsa, Wright ou azul de metileno - onde vamos ver a morfologia bipolar na coloração ○ Fígado, baço ou sangue ○ Visualização das bactérias, com morfologia típica e coloração bipolar característica ● Definitivo: isolamento e identificação do agente ● Cultura de fígado, baço, coração, medula óssea, meninges (casos agudos) e lesões exsudativas (casos crônicos) - vamos diretamente nos órgãos mais acometidos para podermos aumentar as chances de diagnóstico Isolamento ● Ágar sangue bovino ou ovino a 5% (temos outros meios de cultura mas o ágar sangue já é o suficiente) com colônias de aspecto bastante mucóide, geralmente hemolíticas ● Ágar triptona de soja (TSA) ● Ágar amido-dextrose (AAD) ● MacConkey => diferencia P. multocida (não cresce) da Mannheimia haemolytica (cresce) - vai fazer essa diferenciação pois a multocida não cresce Ágar sangue ● Colônias não hemolíticas, com 2-3 mm de diâmetro ● Superfície lisa ● Aspecto mucóide ● Coloração acinzentada Outras Formas de Diagnóstico ● Imunofluorescência direta de tecidos - é interessante mas é usada mais para título de pesquisa, mais para ensino, em rotina não é tão comum ● PCR - nos ajuda muito na caracterização da virulência do agente, da espécie que está acometendo o plantel, auxiliando até mesmo a criação de vacinas mais eficientes ● Diagnóstico sorológico tem valor limitado (método de isolamento é facilmente executado) ○ ELISA é utilizado para monitoramento vacinal e não como diagnóstico, pois as aves podem apresentar título sem ter doença assim como podem não ter título mesmo tendo a doença, então não vamos usar para fins de diagnóstico, iremos usar para fins de monitoramento de títulos de anticorpos de aves que foram vacinas para sabermos se a vacina está induzindo ou não a produção adequada de Ac Diagnóstico Diferencial ● Demais infecções bacterianas de caráter septicêmico ○ Salmonelose ○ Colibacilose ○ Listeriose ○ Pseudotuberculose ○ Clamidiose ○ Erisipelose ● Intoxicação por sulfonamidas Tratamento: quando for economicamente viável ● Penicilina ● Estreptomicina ● Eritromicina ● Cloranfenicol ● Clortetraciclina ● Oxitetraciclina ● Sulfonamidas (cuidado!) - mas como as aves acabam tendo lesões hepáticas por conta da doença, a sulfa também tem um componente hepatotóxico e isso pode agravar o quadro clínico das aves ● Melhor prognóstico se tratar na fase inicial da doença ● Oxitetraciclina na ração na dose de 500 g/ton durante 2 semanas => redução da mortalidade ● Eliminação do estado crônico/portador: tratamento prolongado (6-8 semanas) => recomenda-se antibiograma Profilaxia e Controle ● Vacinação (granjas de poedeiras e matrizes pesadas, com histórico da doença) ● Bacterinas (bactéria inativas/mortas) induzem resposta protetora sorotipoespecífica => vacinas polivalentes (sorotipos somáticos 1, 3 e 4) é importante ela ser polivalente contendo mais de um sorotipos ou pelo menos os sorotipos que são mais presentes naquela região, para que a gente possa aumentar a qualidade daquela vacina ● Resposta de curta duração - pois as bacterinas são de curta duração, então precisamos ficar fazendo revacinação para poder manter os títulos vacinais das aves dentro de um nível aceitável para a proteção Vacinação ● EUA: vacinas vivas, cepas: ○ C4 (alta virulência) ○ PM-1 (virulência intermediária) ○ M-9 (baixa virulência) ● As vacinas vivas variam de virulência e isso pode gerar uma imunidade mais persistente e mais duradoura - Imunidade mais duradoura, mas possibilidade de desenvolvimento da forma crônica da doença - aí está um certo risco que devemos avaliar se seria bom ou não O que se recomenda: ● Duas doses entre 10-12 e 18-20 semanas de idade (bem quando as aves estão entrando no período reprodutivo) ○ Opções: • ■ Bacterina (2 doses SC) ■ Vacina viva (2 doses membrana da asa) ■ 1 dose bacterina + 1 dose vacina viva (combinada) O que temos que tomar cuidado: ● Problemas de reação pós-vacinal são bastante frequentes ● Vacinas vivas: granulomas (aplicação indevida no músculo da asa) ● Condições de estresse: desenvolvimento da forma crônica ● Bacterinas: inflamação grave no ponto de inoculação, por ser oleosa ● Pessoas sem prática: Administração parcial ou em locais inadequados pode resultar em falha vacinal Essa marquinha nas aves é chamado de “pega” vacinal, igual a nossa marca da vacina da ABCG no nosso braço, mostrando que a vacina teve efeito e foi aplicada corretamente. No caso da vacina da pasteurella fica esse pequeno nodulozinho no local da vacinação. Se verificarmos o plantel para saber se houve uma vacinação adequada 80% das aves deve ter essa marquinha para sabermos que as aves vão desenvolver uma resposta imune adequada A segunda foto é flebite por vacinação inadequada, na maioria dos casos os produtores descartam essas aves pois há custo de revacinação, custo para tratar... ● Não se limitar à vacinação ● Biosseguridade ● Evitar aves silvestres, roedores, gatos ● Limpeza periódica e desinfecção de equipamentos e instalações ● Evitar canibalismo, situações de estresse e doenças imunossupressoras ● Destinar corretamente carcaças de aves mortas ● Respeitar período de vazio sanitário Importância em saúde pública ● Zoonose? - discutível ● Pasteurelas apresentam certo grau de especificidade de hospedeiro ● Relatos em humanos: osteomielite por mordedura de roedores ou gatos portadores ● PCR: permitiu identificar similaridade de cepas de sinusite / problemas respiratórios em humanos com cepas isoladas de suínos ● Doença ocupacional: médicos veterinários, tratadores, magarefes Atividade Leia as sentenças abaixo: I- A Pasteurelose aviária pode apresentar-se na forma aguda (hemorrágica/exsudativa) ou crônica (supurativa, fibrinosa, necrosante). II- A Pasteurelose é uma doença que acomete principalmente aves jovens. III- O diagnóstico pode ser realizado pelo imprint de fígado, corado com Giemsa, e as pasteurelas serão visualizadas com coloração bipolar típica. Cite qual das sentenças acima está incorreta e explique resumidamente o porquê. Sentença II está incorreta, pois a Pasteurella multocida irá causar doença em aves entre 20-24 semanas de idade, por conta disso é rara em aves jovens, comprometendo aves de ciclos mais longos. As demais estão corretas.