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REVISTA OBSERVATORIO DE LA ECONOMIA LATINOAMERICANA 
 
ISSN: 1696-8352 
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REVISTA OBSERVATORIO DE LA ECONOMIA LATINOAMERICANA, Curitiba, v.22, n.6, p. 01-19. 2024. 
Cryptococcus neoformans: um fungo patogênico oportunista 
 
Cryptococcus neoformans: an opportunistic fungal pathogen 
 
Cryptococcus neoformans: hongo oportunista patógeno 
 
DOI: 10.55905/oelv22n6-161 
 
Receipt of originals: 05/17/2024 
Acceptance for publication: 06/07/2024 
 
Anna Alyce do Amaral Levino 
Técnica em Química 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) – 
campus Porto Velho Calama 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: alycelevino13@gmail.com 
 
Maria Clara Camilo da Silva 
Graduanda em Engenharia Química 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) – 
campus Porto Velho Calama 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: mclaracamilo.s@gmail.com 
 
Sophia Nunes Alves 
Graduanda Engenharia Química 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) – 
campus Porto Velho Calama 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: sophianunes175@gmail.com 
 
Nathália Kelly de Araújo 
Doutora em Biotecnologia 
Instituição: Laboratório de Microbiologia e Biotecnologia do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) – campus Porto Velho Calama 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: araujo.nathalia@ifro.edu.br 
 
mailto:alycelevino13@gmail.com
mailto:mclaracamilo.s@gmail.com
mailto:sophianunes175@gmail.com
mailto:araujo.nathalia@ifro.edu.br
 
 
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ISSN: 1696-8352 
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Jeane do Nascimento Moraes 
Doutra em Biologia Experimental 
Instituição: Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde da Fundação 
Oswaldo Cruz (CEBIO - FIOCRUZ) 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: jeanemoraes2009@gmail.com 
 
Leonardo de Azevedo Calderon 
Doutor em Ciências Biológicas área de concentração em Biologia Molecular 
Instituição: Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde da Fundação 
Oswaldo Cruz (CEBIO - FIOCRUZ) 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: leonardo.calderon@fiocruz.br 
 
Edailson de Alcântara Corrêa 
Doutor em Biodiversidade e Biotecnologia 
Instituição: Laboratório de Microbiologia e Biotecnologia do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) – campus Porto Velho Calama 
Endereço: Porto Velho, Rondônia, Brasil 
E-mail: edailson.correa@ifro.edu.br 
 
RESUMO 
Cryptococcus neoformans é um fungo patogênico encapsulado que desempenha um papel 
significativo em infecções oportunistas, em especial a criptococose, em indivíduos 
imunocomprometidos, devido às suas propriedades antifagocíticas. Mais de 130 anos de 
pesquisa sobre o gênero Cryptococcus spp. levaram à identificação bioquímica de duas 
variantes de C. neoformans, conhecidas como neoformans e grubii, com sorotipos D, A 
e AD. Estas variantes são notáveis por seus fatores de virulência, como a cápsula 
polissacarídica e a produção de melanina e urease. A análise e caracterização das cepas 
de C. neoformans são essenciais para acumular dados que auxiliem na compreensão de 
sua bioquímica e mecanismos de patogenicidade, contribuindo assim para avanços 
significativos na medicina 
 
Palavras-chave: Tremellaceae, Cryptococcus, Levedura, Imunodeficiência, 
Criptococose. 
 
ABSTRACT 
Cryptococcus neoformans is an encapsulated pathogenic fungus that plays a significant 
role in opportunistic infections, particularly cryptococcosis, in immunocompromised 
individuals due to its antiphagocytic properties. Over 130 years of research on the 
Cryptococcus spp. genus have led to the biochemical identification of two variants of C. 
neoformans, known as neoformans and grubii, with serotypes D, A, and AD. These 
variants are notable for their virulence factors, such as the polysaccharide capsule and the 
production of melanin and urease. The analysis and characterization of C. neoformans 
mailto:jeanemoraes2009@gmail.com
mailto:leonardo.calderon@fiocruz.br
mailto:edailson.correa@ifro.edu.br
 
 
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strains are essential for accumulating data that assist in understanding its biochemistry 
and pathogenic mechanisms, thus contributing to significant advances in medicine. 
 
Keywords: Tremellaceae, Cryptococcus, Yeast, Immunodeficiency, Cryptococcosis. 
 
RESUMEN 
Cryptococcus neoformans es un hongo patógeno encapsulado que desempeña un papel 
significativo en infecciones oportunistas, especialmente criptococosis, en individuos 
inmunocomprometidos debido a sus propiedades antifagocíticas. Más de 130 años de 
investigación sobre el género Cryptococcus spp. han permitido la identificación 
bioquímica de dos variantes de C. neoformans, conocidas como neoformans y grubii, con 
los serotipos D, A y AD. Estas variantes son notables por sus factores de virulencia, como 
la cápsula de polisacáridos y la producción de melanina y ureasa. El análisis y la 
caracterización de las cepas de C. neoformans son esenciales para acumular datos que 
ayuden a comprender sus mecanismos bioquímicos y de patogenicidad, contribuyendo 
así a avances significativos en medicina 
 
Palabras clave: Tremellaceae, Cryptococcus, Levadura, Inmunodeficiencia, 
Criptococosis. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O Cryptococcus neoformans é um fungo leveduriforme encapsulado, 
predominantemente haploide, o qual apresenta um ciclo reprodutivo definido (Nielsen et 
al., 2005; Zhao & Lin, 2021) e apresentando como fase teleomórfica o basidiomiceto 
Filobasidiella neoformans. Representa um patógeno importante na área médica por ser o 
causador da criptococose, um patógeno fúngico oportunista (Filiú et al., 2002; Yamamura 
et al., 2013). 
Inicialmente, o Cryptococcus neoformans era classificado em 3 variedades e 
quatro sorotipos, os quais eram: C. neoformans var. neoformans (D), C. neoformans var. 
grubbi (A) (Franzot, Salkin, Casadevall, 1999; Boekhout et al., 2001) e C. neoformans 
var. gattii (B e C), a partir de análises da genética molecular, as leveduras foram 
reclassificadas nas espécies C. neoformans e C. gattii, aderindo assim à nomenclatura 
revisada por Kwon-Chung e colaboradores em 2002 (Yamamura, et al., 2013). Dessa 
forma, em conjunto com outras pesquisas e, para o período, o agente oportunista C. 
 
 
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neoformans foi fracionado em duas variedades: var. neoformans (D), var. grubbi (A) e o 
sorotipo híbrido AD, enquanto a espécie Cryptococcus gattii continua com seus sorotipos 
anteriores, além dos híbridos AB e BD (Franzot, Salkin, Casadevall, 1999; Boekhout et 
al., 2001; Nielsen et al., 2005; Bovers, Hagen, Boekhout, 2008; Colombo et al., 2015). 
Em relação à taxonomia, o gênero Cryptococcus é um eucarioto do Reino Fungi, 
pertencente à classe Tremellomicetes, família Tremellaceae (Aguiar, 2016). Quanto aos 
aspectos morfológicos, a variedade C. neoformans caracteriza-se por apresentar formato 
esférico ou ovalado, medindo de 2 a 8 µm de diâmetro, apresentando uma cápsula 
mucopolissacarídica, composta majoritariamente (90%) pela glucuronoxilomanana - 
GXM, medindo entre 5 a 30 µm (Zaragoza, Fries, Casadevall, 2003; Leal, 2006; Aguiar, 
2016; Moretti, 2023). Além de sua cápsula, entre seus principais fatores de virulência 
estão a atividade urease, a produção de melanina e o desenvolvimento a 37 °C (Gomes et 
al., 2010; Kwon-Chung et al., 2014). Cresce, normalmente,em cultura de ágar Sabourad 
à temperatura de 25 a 37 ºC, formando colônias de cor creme, brilhosas e mucoides 
(Reolon, Perez, Mezzari, 2004). 
Seu principal meio de contágio em humanos são os excrementos de pombos 
(Columba spp.). Com a potencialidade de colonizar a mucosa dos pombos sem lhes 
transmitir a doença, é um hospedeiro natural dessas aves (Reolon, Perez, Mezzari, 2004). 
Além das excretas, essa estirpe pode ser observada nas madeiras em decomposição, e até 
mesmo nas árvores, associadas ao contato dos pombos em seus troncos e galhos, 
propondo um novo habitat natural (Ribeiro, 2017). 
Quanto ao processo de contágio em humanos, o C. neoformans isolado deve 
crescer, normalmente a 37 ºC, em uma atmosfera com aproximadamente 5% de CO2 e 
com um pH de 7,3 a 7,4 (Buchanan & Murphy, 1998). Naturalmente, o contágio por C. 
neoformans é ocasionado através da inalação de propágulos, caracterizados por leveduras 
desidratadas ou basidiósporos de diâmetro menor que 2 µm. Esse agente, classificado 
como oportunista, infecta o Sistema Nervoso Central - SNC podendo causar 
meningoencefalite, a qual é fatal se não tratada (Buchanan & Murphy, 1998; Nielsen et 
al., 2005; Leal, 2006). Adicionalmente, acomete em maior proporção hospedeiros 
imunocomprometidos (Perfect, 2015; Ribeiro, 2017), indivíduos com imunodepressão, 
 
 
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portadores de câncer ou HIV, transplantados (Filiú, 2002) ou até mesmo pessoas com 
imunossupressão que tem como a causa o uso de medicamentos (Ribeiro, 2017). 
Diante da relevância para a saúde humana, este estudo objetivou realizar o 
levantamento e caracterização de cepas do fungo C. neoformans por meio de uma revisão 
integrativa. Assim, este artigo apresenta recentes discussões acerca de características da 
cápsula de C. neoformans, bem como são discutidos aspectos epidemiológicos. 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
2.1 HISTÓRICO 
 
O Cryptococcus neoformans foi isolado inicialmente por Francesco Sanfelice em 
1894, por meio de um extrato de pêssego na Itália, e foi nomeado como Saccharomyces 
neoformans, devido ao seu aspecto de colônia única. No mesmo ano, Otto Busse e 
Abraham Buschek descreveram esse fungo como um patógeno humano, relatando o qual 
seria o primeiro caso de criptococose, em que foi isolado um fungo parecido com 
Saccharomyces da infecção óssea de uma mulher jovem. Por fim, em 1901, Vuillemin 
reclassificou as leveduras encontradas como C. neoformans, uma vez que estas não 
possuíam a fermentação de açúcar e a criação de ascósporos que são características do 
gênero Saccharomyces (Kwon-Chung et al., 2014; Srikanta, Santiago‐Tirado, Doering, 
2014). 
Por meio dos estudos relacionados à cápsula polissacarídica do fungo, o cientista 
Evans, em 1950, a partir de antissoros de coelho, definiu 3 sorotipos do fungo (A, B e C). 
O sorotipo D foi descoberto mais tarde, em 1968. Diversas outras observações e pesquisas 
foram realizadas desde então, resultando no descobrimento de sua fonte ambiental, ciclo 
de vida, características bioquímicas como a produção de urease e melanina, sua tipagem 
molecular e até uma reclassificação, separando-o em duas espécies e duas variações, 
sucedendo a classificação atual como: C. neoformans var. neoformans: Sorotipo D; C. 
neoformans var. grubii: Sorotipo A; e a segunda espécie descoberta em 1986 por Curtis, 
de nomenclatura Cryptococcus gattii sugerido por Kwon-Chung et al. (2002): Sorotipo 
 
 
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B e C (Kwon-Chung et al., 2014; Srikanta, Santiago‐Tirado, Doering, 2014; Colombo et 
al., 2015; Wirth, Azevedo, Goldani, 2018). 
 
2.2 ASPECTOS MORFOLÓGICOS E QUÍMICOS 
 
As leveduras isoladas do gênero C. neoformans apresentam-se de forma esférica 
ou ovalada, medindo geralmente 2 a 8 µm de diâmetro e possuindo brotamento múltiplo 
ou único (Figura 1). No crescimento in vitro, em um meio de cultivo o qual não contenha 
antifúngicos (ex: cicloheximida), como no caso do meio Ágar Sabourad, demonstra 
colônias de coloração branca a creme, textura mucoide com aspecto brilhoso e uma 
margem inteira e lisa, seu processo de incubação leva 48 a 72 horas, crescendo a 
temperaturas de 25 a 37 °C. As leveduras obtêm um crescimento melhor a 30 °C, 
enquanto sua termotolerância máxima é de 40 °C (Silva, 2020; Moretti, 2023). 
 
Figura 1: Representação macro das características estruturais do Cryptococcus neoformans
 
Fonte: Modificado de Fernandes (2010). Banco de Imagens dos autores (2023). Imagem produzida 
utilizando o aplicativo Krita versão 5.2.2. 
 
 
 
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Dados de sua biologia citam que o Cryptococcus pode manifestar dois modos de 
reprodução em seu ciclo de vida, a reprodução assexuada, realizada pelo brotamento de 
células haploides, representa a fase anamórfica a qual geralmente é isolada de pacientes 
e do meio ambiente, e a reprodução sexuada, a qual a autora não encontrou registro da 
observação na natureza. No entanto, historicamente, já fora demonstrada em condições 
laboratoriais por Kwon-Chung & Bennet em 1992, a fase teleomórfica do fungo como 
Filobasidiella neoformans (condizente a C. neoformans) e F. bacillispora (condizente a 
C. gattii). Para esse meio de reprodução, é necessária a compatibilidade bipolar, desse 
modo, apresenta os alelos MAT - α e MAT- a e, ao se tratar de uma transição dimórfica, 
segue por duas vias distintas: Mating e Frutificação monocariótica (Idnurm, 2005; 
Furtado, 2012; Aguiar, 2016). 
Entre suas características mais evidentes, as quais também são classificadas como 
os principais fatores de virulência, estão a cápsula polissacarídica, o crescimento a 37 °C, 
a produção de melanina e a atividade de urease (Gomes et al., 2010). Adicionalmente, 
quanto a um dos mecanismos de patogenicidade, a termotolerância torna-se crucial, pois 
permite o crescimento do patógeno em tecidos de mamíferos (Silva, 2020). Entretanto, 
esse crescimento só é possível na presença da calcineurina, uma proteína fosfatase 
(regulada pela calmodulina Ca2
+) a qual desfosforila um conjunto de proteínas, 
permitindo a proliferação do C. neoformans nessa temperatura (Olszewski, Zhang, 
Huffnagle, 2010). 
 
2.3 CARACTERÍSTICAS DA CÁPSULA 
 
Embora seja difícil realizar estudos sobre a cápsula criptocócica, dados revelam 
que ela é composta principalmente de água (Maxson et al., 2007; Casadevall et al., 2019). 
Além disso, o envoltório capsular é uma estrutura constituída por 90% - 95% de 
glucuronoxilomanana (GXM), 5% de galactoxilomanana (GalXM) e manoproteínas 
(Thammasit et al., 2018; Mukaremera, 2023). No que se refere ao mecanismo de 
crescimento da cápsula, este permanece indefinido. No entanto, os tamanhos podem 
 
 
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variar dentro das populações clonais e entre as espécies criptocócicas, bem como podem 
ser afetados pelas condições de cultura (Zaragoza & Casadevall, 2004). 
Dentre as funções, pode ser utilizada na defesa contra amebas (Casadevall et al., 
2019), e também protege o fungo contra fatores de estresse, como a desidratação e 
radicais livres. Referente à interação do fungo com o hospedeiro, a infecção do paciente, 
os polissacarídeos da cápsula desempenham diversas funções como: impedir a fagocitose, 
a migração de neutrófilos, a apresentação de antígenos, a produção de anticorpos, a saída 
de leucócitos (atravésde propriedades quimioatrativas); diminuir a expressão de 
receptores de quimiocinas, além de induzir a apoptose das células (Zaragoza, 2019). 
Ademais, de acordo com McClelland, Bernhardt, Casadevall (2006) e Mukaremera 
(2023), a cápsula representa um dos fatores de virulência mais importante de C. 
neoformans, contribuindo com, aproximadamente, 25% do composto de virulência total. 
Dos componentes moleculares constituintes nos C. neoformans, associados a 
adesão, estão as manoproteínas – MPs as quais correspondem a menos de 1% do peso da 
cápsula criptocócica e são relacionadas como antígenos imunogênicos de hospedeiros 
(Rodrigues & Nimrichter, 2012). Dados associados a interação do C. neoformans, que 
são inalados e aderidos as células epiteliais pulmonares hospedeiras, registram um 
aumento a partir de moléculas relacionadas à adesão, como a fosfolipase B1 e a 
manoproteína (MP) 84 (Teixeira et al., 2014; Evans et al., 2015; Lee et al., 2023; 
Mukaremera, 2023). 
 
2.4 PRODUÇÃO DE MELANINA 
 
Dados presentes na literatura científica revelam que a produção da melanina está 
relacionada ao mecanismo de evasão ao sistema imunológico do paciente, dificultando a 
fagocitose dos fungos, além de agravar a infecção, promovendo o neurotropismo (Gomes 
et al., 2010; Baker et al., 2022). A melanina tem sido reportada na proteção das células 
do C. neoformans de vários componentes como a radiação eletromagnética, estresse por 
temperatura no meio ambiente, também protege do engolfamento e morte pelos 
macrófagos do hospedeiro durante a infecção, além de oxidantes e a anfotericina B. É 
 
 
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produzida a partir da biossíntese da lacase na presença de compostos fenólicos como L-
dihidroxifenilalanina (L-DOPA) e catecolaminas residentes no corpo do paciente, as 
quais podem promover o aumento da virulência, além da disseminação cerebral, 
destacando-se a dopamina, a principal responsável pela contaminação no cérebro. 
(Nosanchuk et al., 1999; Olszewski, Zhang, Huffnagle, 2010; Baker et al., 2022). 
 
2.5 ATIVIDADE DA UREASE 
 
No teste de urease, a reação possibilita transformar a ureia não assimilada em uma 
fonte útil de nitrogênio para o metabolismo celular desse fungo, além disso, facilita a 
invasão cerebral e pulmonar do C. neoformans e induz respostas Th2 (Silva, 2020; Chen 
et al., 2022). 
Além das características da cápsula, a produção de melanina, e a atividade da 
urease, há outras enzimas apontadas pela literatura que participam ativamente da 
patogenicidade do C. neoformans, como a lacase que regula a oxocitose não-lítica do 
fungo nos macrófagos, além de distorcer as respostas das células T helper, Th1 e Th17 
para o Th2; A quitina (fragmentos de quitina) que é responsável por promover respostas 
Th2 e inibir o influxo de neutrófilos; a enzima PLB1 (Fosfolipase B1) que promove a 
disseminação e inibe a morte dos macrófagos e, por fim, a CPL1 (C-terminal domain 
phosphatase-like 1) que promove a produção da arginase-1 e molda a polarização M2 
(Chen et al., 2022). 
A atuação dos fatores de virulência, entre outras enzimas do Cryptococcus 
neoformans, pode ser vista na Figura 2, a seguir. 
 
 
 
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Figura 2: Representação micro da estrutura do C. neoformans e seus fatores de virulência 
 
Fonte: Modificado de Chen et al., (2022). Banco de Imagens dos autores (2023). Imagem produzida 
utilizando o aplicativo Krita versão 5.2.2. 
*GXM: glucuronoxilomanana; L-DOPA: L-dihidroxifenilalanina; PBL1: Fosfolipase B; CPL1: C-
terminal domain phosphatase-like 1. 
 
2.6 AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA E SOROTIPOS 
 
Nos protocolos convencionais, a identificação e caracterização bioquímica das 
leveduras de C. neoformans dá-se pela produção de fenol-oxidase, que é realizada em 
meio ágar Níger (Guizotia abyssinica) com incubação por 5 dias a 35 °C, responsável por 
determinar a produção de melanina através da coloração da colônia (Andrade-Silva et al., 
2010). A detecção de urease é executada no meio ureia-ágar-base de Christensen, entre 
25 °C a 35 °C por no máximo 5 dias, a tonalidade rosa intenso no meio indica a presença 
do patógeno. Visto que ambas as espécies de Cryptococcus (gattii e neoformans) 
sobrevivem nessas condições, a diferenciação de ambas pode ser realizada por meio do 
cultivo em meio CGB (canavanina-glicina-azul de bromotimol) a 25 – 35 °C por até 5 
dias, a permanência da coloração do meio indica a presença de Cryptococcus neoformans 
(Araújo Júnior et al., 2015; Janeck-Araujo, 2020). 
 
 
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Com base em análises moleculares como PCR – fingerprinting [primers M13, 
(GACA)4 e (GTG)5], RFLP (genes CAP59, CAP10, PLB1, URA5 e GEF1), AFLP, além 
de estudos sorológicos que utilizam anticorpos contra a cápsula fúngica, entre outros 
testes, o complexo C. neoformans e C.gattii podem ser divididos em 4 sorotipos, 9 
genótipos e 4 híbridos (Bovers, Hagen, Boekhout, 2008; Da Silva et al., 2012; Hagen et 
al., 2015; Silva, 2020; Moretti, 2023), assim passando por uma nova classificação, como 
demonstrado na Quadro 1, a seguir. 
 
Quadro 1: Classificação atual do complexo C. neoformans / C. gattii 
Nomenclatura atual Sorotipos1 AFLP 
PCR-fingerprinting / 
RFLP 
Nomenclatura proposta 
C. neoformans var. grubii A 
AFLP1 VNI 
C. neoformans AFLP1A VNII/VNB2 
AFLP1B VNII 
C. neoformans var. neoformans D AFLP2 VNIV C. deneoformans 
C. neoformans híbrido3 AD AFLP3 VNIII 
C. neoformans x C. deneo-
formans híbrido 
C. gattii 
B AFLP4 VGI C. gattii 
C AFLP5 VGIII C. bacillisporus 
B AFLP6 VGII C. deuterogattii 
C AFLP7 VGIV C. tetragattii 
B AFLP10 VGIV/ VGIIIc C. decagattii 
C. neoformans var. neoformans x C. gat-
tii AFLP4/VGI híbrido 
BD AFLP8 - 
C. deneoformans x C. gat-
tii híbrido 
C. neoformans var. grubii x C. gattii 
AFLP4/VGI híbrido 
AB AFLP9 - 
C. neoformans x C. gattii 
híbrido 
C. neoformans var. grubii x C. gattii 
AFLP6/VGII híbrido 
AB AFLP11 - 
C. neoformans x C. deute-
rogattii híbrido 
1Baseado nos artigos de Bovers, Hagen, Boekhout, (2008); Da Silva et al. (2012) e Hagen et al. (2015). 
2 Baseado nos artigos de Moretti (2023) e Hagen et al. (2015). 
3 Origem a partir de duas espécies diferentes. 
Fonte: Modificado de Hagen et al. (2015). 
 
2.7 ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DE IMPORTÂNCIA À SAÚDE 
 
De acordo com o levantamento bibliográfico, o C. neoformans é encontrado 
mundialmente, consistindo em seu sorotipo A (VNI), a predominância nos isolamentos 
clínicos e ambientais. Na América Latina este sorotipo corresponde a 76,01% em 
pacientes de HIV, e 68,60% no meio ambiente, além disso, já foram relatados 4560 casos 
de criptococose na América Latina, dos quais 2038 foram só no Brasil. A taxa de 
 
 
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mortalidade da criptococose, no mundo, é de 41% - 61%, sendo de 30% – 60% na 
América Latina e chegando a 73% no Brasil (Firacative, Meyer, Casteñeda, 2021; 
Lizarazo & Casteñeda, 2022; Zhao et al., 2023). Apresenta como seu principal meio de 
propagação os excrementos de pombos (Columba livia), além de áreas como o solo e 
árvores frequentados por pombos, galinhas, perus, canários entre outras espécies de 
pássaros, não há uma relação definida entre o fungo e seu transmissor, além de que os 
pombos, por apresentarem uma temperatura corporal de 42 °C, são raramente infectados 
pelopatógeno (Buchanan & Murphy, 1998; Kwon-Chung et al., 2014; Aguiar, 2016; 
Rathore et al., 2022). 
O contágio por C. neoformans, como mencionado, afeta prioritariamente pessoas 
imunocomprometidas, dentre elas transplantados, pacientes com câncer ou 
imunossupressão e, especialmente, pacientes com HIV/AIDS, sendo o principal grupo 
afetado homens imunocomprometidos com infecção por HIV como principal fator de 
risco (Firacative, Meyer, Casteñeda, 2021). Causa o acometimento através da inalação de 
propágulos com diâmetros aproximados de 1 – 10 µm dispersos no ambiente, infectando 
o pulmão, e ficando nele alojado até que por um desequilíbrio na relação agente-
hospedeiro, possa evoluir para o caso clínico de criptococose pulmonar, ou infecte o SNC, 
ocasionando a meningite criptococócica, o modo de infecção mais comum, que pode ser 
fatal se não tratado corretamente. Além disso, o C. neoformans também pode causar a 
criptococose cutânea (Filiú, 2002; Nielsen et al., 2005; Marques & Camargo, 2010; 
Rathore et al., 2022). 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Os dados presentes na literatura científica revelam que desde a descoberta em 
1894 do fungo Cryptococcus neoformans, diversas pesquisas e testes foram realizados a 
fim de caracterizar melhor essa estirpe, incluída a descoberta de 2 sorotipos, 4 genótipos 
e 1 híbrido dentro da espécie, além da identificação de suas características fundamentais, 
como seus aspectos morfológicos, bioquímicos e de seus principais fatores de virulência 
como, a produção de melanina e urease, o crescimento a 37 °C e envoltório capsular 
 
 
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polissacarídico, os quais são considerados relevantes para a sobrevivência e contágio do 
fungo. 
Os dados levantados são relevantes e abordam as características do C. neoformans 
e dos sorotipos, visto que suas propriedades específicas são de grande influência para a 
bioquímica, microbiologia, além da medicina, dado que esse patógeno causa infecções 
que podem resultar na meningite criptococócica, a qual pode ser fatal e atinge 
principalmente pessoas imunocomprometidas. 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Ao Instituto Federal de Rondônia –IFRO, Campus Porto Velho Calama, aos membros do 
Laboratório de Microbiologia e Biotecnologia –Microbiotec e ao Centro de Estudo de 
Biomoléculas - CEBio/ Fiocruz, pelo apoio e colaboração. 
 
 
 
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