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2009
ArquiteturA
Prof.ª Keila Tyciana Peixer 
Prof.ª Luciana Budag
Copyright © UNIASSELVI 2009
Elaboração:
Prof.ª Keila Tyciana Peixer 
Prof.ª Luciana Budag
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 720 
 P379c Peixer, Keila Tyciana.
 Caderno de estudos : arquitetura / Keila Tyciana 
 Peixer [e] Luciana Budag, Centro Universitário Leonardo
 da Vinci. – Indaial : Grupo UNIASSELVI, 2009.
 
 x ; 152 p. : il.
 Inclui bibliografia.
 ISBN 978-85-7830-144-6
 1. Arquitetura. I. Budag, Luciana. II. Centro Universitário
 Leonardo da Vinci. Núcleo de Ensino a Distância. III. Título.
 
Impresso por:
III
ApresentAção
Prezado(a) acadêmico(a)!
Estamos iniciando os estudos de Arquitetura! A disciplina que se 
inicia apresenta conceitos fundamentais de arquitetura, para que o tecnólogo 
em Negócios Imobiliários possa caracterizar as obras de arquitetura e 
compreender os projetos arquitetônicos.
A atuação no mercado imobiliário, através da identificação de 
oportunidades e da realização de atividades de comercialização de imóveis, 
exige o conhecimento da obra arquitetônica, no que se refere à identificação 
dos elementos que a compõem, a sua caracterização e compreensão da 
sua relação com o homem e seu contexto; e o conhecimento do projeto 
arquitetônico, no entendimento do seu processo de elaboração, dos elementos 
que o compõem e da sua forma de representação.
Neste Caderno de Estudos, abordaremos, na Unidade 1, os conceitos 
fundamentais de arquitetura, caracterizando os elementos que a definem: 
forma, tecnologia, programa e contexto, e apresentando um panorama da 
arquitetura brasileira contemporânea. Na Unidade 2, apresentaremos a 
profissão do arquiteto urbanista, incluindo a regulamentação e as atribuições 
profissionais. A Unidade 3 contempla a representação dos projetos de 
arquitetura, compreendendo as fases e os elementos do projeto arquitetônico 
e as convenções do desenho arquitetônico.
Esperamos que esses estudos contribuam para a sua formação 
profissional, e que os conteúdos apresentados neste caderno de ensino 
possibilitem a aprendizagem de conceitos de arquitetura que enriqueçam a 
sua atuação no mercado imobiliário.
Vamos ao estudo do nosso caderno?
 Prof.ª Keila Tyciana Peixer 
 Prof.ª Luciana Budag
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui 
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
sumário
UNIDADE 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA .................................... 1
TÓPICO 1 – ARQUITETURA: INTRODUZINDO CONCEITOS .............................................. 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3
2 ARQUITETURA: ORIGEM E EVOLUÇÃO ................................................................................. 3
2.1 ARQUITETURA NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA ..................................................... 4
2.2 ARQUITETURA MEDIEVAL .............................................................................................. 4
2.3 ARQUITETURA NO RENASCIMENTO ........................................................................ 5
2.4 ARQUITETURA NO SÉCULO XIX.................................................................................... 6
2.5 ARQUITETURA MODERNA .............................................................................................. 7
3 SIGNIFICADO DA ARQUITETURA ............................................................................................ 9
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 11
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 12
TÓPICO 2 – FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA ................................................................ 13
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 13
2 FORMA ................................................................................................................................................ 13
3 FORMA E ESPAÇO ........................................................................................................................... 14
4 ORGANIZAÇÕES ESPACIAIS ...................................................................................................... 16
4.1 ORGANIZAÇÃO CENTRALIZADA ................................................................................ 16
4.2 ORGANIZAÇÃO LINEAR .................................................................................................... 17
4.3 ORGANIZAÇÃO RADIAL .................................................................................................. 18
4.4 ORGANIZAÇÃO AGLOMERADA .................................................................................... 19
4.5 ORGANIZAÇÃO EM MALHA ............................................................................................ 19
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 21
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 22
TÓPICO 3 – ARQUITETURA E TECNOLOGIA ............................................................................ 23
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 23
2 TECNOLOGIA DA ARQUITETURA ............................................................................................ 23
3 SISTEMAS ESTRUTURAIS ........................................................................................................... 24
4 CONFORTO AMBIENTAL .............................................................................................................. 26
5 ARQUITETURA SUSTENTÁVEL .................................................................................................. 27
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 29
AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................................30
TÓPICO 4 – PROGRAMA ARQUITETÔNICO ............................................................................ 31
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 31
2 EXIGÊNCIAS DO TEMA ................................................................................................................. 31
3 NECESSIDADES E ASPIRAÇÕES DOS USUÁRIOS ............................................................... 32
4 FATORES SOCIOCULTURAIS ...................................................................................................... 32
5 FATORES ECONÔMICOS .............................................................................................................. 32
6 RESTRIÇÕES LEGAIS ..................................................................................................................... 32
7 FLEXIBILIDADE E PERMANÊNCIA DO PROGRAMA ARQUITETÔNICO ..................... 33
VIII
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 35
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 39
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 40
TÓPICO 5 – ARQUITETURA E CONTEXTO ................................................................................. 41
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 41
2 CONTEXTO NATURAL ................................................................................................................... 41
3 CONTEXTO CULTURAL ................................................................................................................. 42
RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 44
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 45
TÓPICO 6 – ARQUITETURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA .......................................... 47
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 47
2 A FORMAÇÃO DA ARQUITETURA MODERNA NO BRASIL............................................. 47
2.1 O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE NO RIO DE JANEIRO .................... 48
2.2 O PAVILHÃO DO BRASIL NA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE NOVA 
IORQUE ....................................................................................................................................... 48
2.3 O CONJUNTO DA PAMPULHA........................................................................................ 49
2.4 A NOVA ARQUITETURA BRASILEIRA ........................................................................ 50
3 A MATURIDADE DA ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA ...................................... 51
4 ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL ................................................................. 52
4.1 RECICLAGEM DE EDIFÍCIOS DE INTERESSE HISTÓRICO ............................... 52
4.2 EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS ................................................................................................. 54
4.3 EDIFÍCIOS COMERCIAIS .................................................................................................... 56
4.4 EDIFÍCIOS INDUSTRIAIS .................................................................................................. 57
4.5 EQUIPAMENTOS CULTURAIS ........................................................................................ 58
4.6 EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER ................................................................... 60
4.7 EDIFÍCIOS EDUCACIONAIS ............................................................................................. 61
4.8 EDIFÍCIOS HOSPITALARES .............................................................................................. 63
4.9 TERMINAIS DE TRANSPORTE ....................................................................................... 64
4.10 INTERVENÇÕES URBANAS ............................................................................................. 65
RESUMO DO TÓPICO 6..................................................................................................................... 67
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 68
UNIDADE 2 – A PROFISSÃO DO ARQUITETO E URBANISTA ............................................. 69
TÓPICO 1 – REGULAMENTAÇÃO DO PROFISSIONAL .......................................................... 71
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 71
2 A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO.................................................................................. 72
3 LEGISLAÇÃO .................................................................................................................................... 73
3.1 EXERCÍCIO E O REGISTRO PROFISSIONAL ............................................................. 73
3.2 EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO ............................................................................ 73
3.3 ACOMPANHAMENTO DA OBRA ................................................................................... 75
3.4 REGISTRO DE EMPRESAS .................................................................................................. 75
3.5 ÉTICA PROFISSIONAL ......................................................................................................... 76
4 O SISTEMA CONFEA/CREAS ....................................................................................................... 77
4.1 CONFEA – CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E 
AGRONOMIA ........................................................................................................................... 77
4.2 CREA – CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E 
AGRONOMIA ........................................................................................................................... 78
4.2.1 ART – Anotação de Responsabilidade Técnica ............................................................... 79
IX
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 80
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 81
TÓPICO 2 – ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS.............................................................................. 83
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 83
2 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS .................................................................................................. 83
3 RESPONSABILIDADES PROFISSIONAIS ................................................................................. 85
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 89
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 91
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 92
UNIDADE 3 – REPRESENTAÇÃO DE PROJETOS DE ARQUITETURA ................................ 93
TÓPICO 1 – FASES DO PROJETO ARQUITETÔNICO ..............................................................95
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 95
2 ESTUDOS PRELIMINARES ........................................................................................................... 95
3 ANTEPROJETO.................................................................................................................................. 96
4 PROJETO ARQUITETÔNICO EXECUTIVO ............................................................................... 96
4.1 MEMORIAL DESCRITIVO E PLANILHA QUANTITATIVA 
 DE MATERIAIS ........................................................................................................................ 97
5 PROJETOS COMPLEMENTARES ................................................................................................. 97
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 99
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 100
TÓPICO 2 – ELEMENTOS DO PROJETO ARQUITETÔNICO .................................................. 101
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 101
2 PLANTA BAIXA ................................................................................................................................. 102
2.1 GRAFISMO ................................................................................................................................. 103
2.2 PLANTA BAIXA HUMANIZADA .................................................................................... 104
2.3 PLANTA BAIXA EXECUTIVA ........................................................................................... 104
3 CORTES ............................................................................................................................................... 107
4 ELEVAÇÕES/FACHADAS ............................................................................................................... 109
4.1 GRAFISMO ................................................................................................................................. 111
5 PLANTA DE SITUAÇÃO ................................................................................................................. 112
6 PLANTA DE LOCALIZAÇÃO/IMPLANTAÇÃO ....................................................................... 113
7 PLANTA DE COBERTURA ............................................................................................................. 114
8 PROJETOS COMPLEMENTARES ................................................................................................. 115
8.1 PROJETO ESTRUTURAL ...................................................................................................... 115
8.2 PROJETO DE INSTALAÇÕES HIDROSANITÁRIAS ................................................ 116
8.3 PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ................................................................... 118
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 120
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 123
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 124
TÓPICO 3 – CONVENÇÕES DO DESENHO ARQUITETÔNICO............................................ 125
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 125
2 PADRONIZAÇÃO DOS DESENHOS TÉCNICOS .................................................................... 125
3 FORMATOS DO PAPEL (NBR 10068) ........................................................................................... 126
4 DOBRADURA DAS PRANCHAS (NBR 13142) .......................................................................... 128
5 CALIGRAFIA TÉCNICA (NBR 8402) ............................................................................................ 129
6 TIPOS DE PAPEL ............................................................................................................................... 129
7 APLICAÇÃO DE LINHAS EM DESENHOS (NBR 8403) .......................................................... 130
X
8 ESCALAS ............................................................................................................................................. 131
8.1 ESCALA NATURAL ............................................................................................................... 131
8.2 ESCALA DE AMPLIAÇÃO ................................................................................................... 132
8.3 ESCALA DE REDUÇÃO ........................................................................................................ 133
8.4 ESCALAS GRÁFICAS ............................................................................................................ 133
9 LINHAS DE COTA ............................................................................................................................ 134
9.1 COTAS DE NÍVEL .................................................................................................................... 135
10 SÍMBOLOS GRÁFICOS ................................................................................................................. 135
10.1 REPRESENTAÇÃO DE PAREDES ................................................................................... 135
10.2 REPRESENTAÇÃO DE PORTAS ...................................................................................... 136
10.3 REPRESENTAÇÃO DE JANELAS ................................................................................... 141
10.4 REPRESENTAÇÃO DE PEÇAS SANITÁRIAS ............................................................ 144
10.5 TEXTURAS ............................................................................................................................... 146
10.6 REPRESENTAÇÃO DA VEGETAÇÃO ........................................................................... 147
10.7 REPRESENTAÇÃO DE AUTOMÓVEIS ......................................................................... 148
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 149
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 150
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 151
1
UNIDADE 1
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
ARQUITETURA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você estará apto(a) a:
• compreender os elementos fundamentais envolvidos no conceito de 
arquitetura;
• caracterizar a forma arquitetônica;
• compreender o significado da tecnologia na arquitetura;
• identificar os elementos que definem o programa arquitetônico e sua 
influência na arquitetura;
• analisar a inserção da obra arquitetônica no seu contexto natural e 
cultural;
• reconhecer o panorama atual da arquitetura brasileira.
Esta unidade está dividida em seis tópicos. Ao final de cada um deles, você 
encontrará atividades que o(a) ajudarão a fixar os conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – ARQUITETURA: INTRODUZINDO CONCEITOS
TÓPICO 2 – FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA
TÓPICO 3 – ARQUITETURA E TECNOLOGIA
TÓPICO 4 – PROGRAMA ARQUITETÔNICO
TÓPICO 5 – ARQUITETURA E CONTEXTO
TÓPICO 6 – ARQUITETURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
ARQUITETURA: INTRODUZINDOCONCEITOS
1 INTRODUÇÃO
Arquitetura, em uma conceituação mais ampla, pode ser entendida como a 
arte e a técnica de organizar e configurar os espaços a fim de construir o ambiente 
propício à vida humana. 
Entretanto, em um mundo complexo e sujeito a mudanças tão aceleradas, 
o conceito de arquitetura, assim como o das demais artes, técnicas e ciências está 
sempre em contínua reelaboração.
Etimologicamente, o termo “arquitetura” vem da junção das palavras 
gregas arché, que significa “primeiro” ou “principal”, e tékton, que possui o 
significado de “construção”.
Ao longo da história, a arquitetura apresentou diversos significados, 
considerando os aspectos culturais, sociais, econômicos e tecnológicos de cada 
período histórico.
UNI
Caro(a) estudante, veremos agora a evolução do conceito de arquitetura desde 
a sua origem até os dias atuais, identificando os elementos essenciais envolvidos no seu 
significado.
2 ARQUITETURA: ORIGEM E EVOLUÇÃO
A seguir, estudaremos a arquitetura desde sua origem e evolução; da 
Antiguidade clássica, medieval, no Renascimento, século XIX, até a arquitetura 
moderna.
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
4
2.1 ARQUITETURA NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
Os estudos sobre arquitetura têm origem já no século IV a.C. Vários 
arquitetos gregos e romanos escreveram livros sobre arquitetura em anos 
anteriores ao nascimento de Cristo. Dentre eles, o mais importante é o engenheiro 
e arquiteto romano Marcos Vitrúvio Polião, que viveu no século I a.C. e deixou 
como legado os “Dez Livros de Arquitetura” (De Architectura Libri Decem), em 
aproximadamente 40 a.C.
Vitrúvio definiu a arquitetura através de três grandes sistemas: “a 
arquitetura deve proporcionar solidez, utilidade e beleza” (em latim, língua do 
texto original, firmitas, utilitas, venustas). 
A solidez se refere aos sistemas estruturais, às tecnologias, à qualidade dos 
materiais utilizados. Segundo Vitrúvio, “solidez pode ser conseguida quando as 
fundações são plantadas em solo firme e os materiais são sabiamente escolhidos”. 
A utilidade aborda a condição dos espaços criados para atender aos 
objetivos dos usuários, e a maneira como estes espaços se relacionam. Para 
Vitrúvio, a condição é atendida “quando o arranjo dos ambientes é correto e 
não apresenta obstáculos ao uso, e a cada categoria do edifício é assegurada sua 
adequação e propriedade”. 
A beleza se refere às questões estéticas envolvidas na construção, que 
nos instigam à contemplação e à fruição. Beleza significava, para o arquiteto 
romano, que “a aparência da obra é agradável e de bom gosto, e seus elementos 
são proporcionados de acordo com os princípios da simetria”. 
Os “Dez Livros de Arquitetura” consistem no único tratado europeu do 
período grego-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fundamentação a 
diversos textos sobre construções e arquitetura desde a Antiguidade. Essa obra 
serviu de inspiração dos arquitetos, principalmente durante o Renascimento.
2.2 ARQUITETURA MEDIEVAL
A Idade Média, período entre os anos de 450 e 1450, fez pouco uso dos 
escritos de Vitrúvio. Os construtores dessa época abandonaram desde o princípio 
as referências aos padrões tradicionais e evitaram associar a arquitetura a 
considerações teóricas absolutas. A atividade de projeto era considerada de 
um modo estritamente empírico, como uma sucessão de escolhas entre muitas 
possibilidades igualmente incertas. 
A análise construtiva era a essência da prática arquitetônica, que era 
atributo de profissionais que mantinham os conhecimentos interdisciplinares nos 
segredos das corporações, confundindo-se a figura do arquiteto com a do mestre 
de obras. 
TÓPICO 1 | ARQUITETURA: INTRODUZINDO CONCEITOS
5
Segundo Benevolo (1987), o projeto de um edifício concluía-se 
espontaneamente durante a execução, não havendo uma definição antecipada 
do efeito de cada solução. Por outro lado, a continuidade da tradição assegurava 
a concordância das sucessivas intervenções e o entendimento entre as várias 
pessoas responsáveis por elas. Não existia, portanto, uma distinção exata entre 
projetistas e executantes, mas, sim, uma hierarquia entre pessoas que tinham a 
seu cargo uma maior ou menor responsabilidade: o mestre ocupava-se de todo 
o organismo, mas definindo durante a execução, até certo ponto tinha liberdade 
para inventar.
2.3 ARQUITETURA NO RENASCIMENTO 
Por volta de 1420, o Renascimento surgiu na Itália através de um grupo 
de artistas florentinos (Donatello, Brunelleschi, Paolo Ucello e Masaccio) que 
buscaram a substituição de uma orientação particular, recebida em herança, por 
uma escolha geral e consciente. Os elementos da arte receberam uma formulação 
universal, baseada no conhecimento da natureza (em sentido filosófico: essentia 
vel natura, isto é, a realidade universal e inteligível das coisas) e da Antiguidade 
clássica concebida como uma segunda natureza.
O Renascimento fez ressurgir a estética de Vitrúvio e todas as demais lições 
de seus “Dez Livros de Arquitetura” através de Leon Battista Alberti (1404-1472), 
o teórico do Renascimento. Para os arquitetos renascentistas, a redescoberta da 
Antiguidade significou imitação das formas antigas em busca de regularidade 
formal.
Segundo Benevolo (1987), a nova orientação metodológica faz com que 
a personalidade individual seja reavaliada. A substituição dos hábitos variáveis 
dos construtores medievais, de uma tradição recebida em herança para uma 
tradição construída racionalmente, coloca os projetistas perante uma nova 
responsabilidade. Antes a sua relação com a tradição era um ato coletivo de gosto 
e de formação, comum a todos aqueles que tinham sido educados em determinado 
lugar e em determinada época, e a nova cultura se apresenta como um sistema 
de formas universais, independentes dos lugares e das épocas, e os projetistas 
participam nela com uma atitude de decisão individual.
O projeto transita entre dois lados, deve transferir valores intelectuais 
ao mundo sensível e adaptar-se à evidência racional das regras e aplicá-las 
livremente. Tem, portanto, um aspecto universal igual para todos, e um aspecto 
particular, sempre diferente, e que está a cargo da escolha do artista. 
O Renascimento apresenta um método peculiar de projeto, que é o 
desenho em perspectiva, permitindo que cada particularidade do edifício 
seja definida previamente e proporcionando também um meio para controlar 
antecipadamente os resultados finais. A idealização do projeto cabe ao arquiteto, 
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
6
que desenha o projeto completo do edifício, enquanto o mestre construtor executa 
a realização manual dos trabalhos definidos em projeto. Passa a consolidar-se o 
afastamento entre o projeto e a execução.
Os períodos que se seguiram, Maneirismo, Barroco e Neoclássico, 
apresentaram-se como a interpretação das regras pelas quais, a partir do 
Renascimento, regula-se a experiência arquitetônica. O vocabulário clássico 
subsistiu através de outras maneiras de compor espaços.
2.4 ARQUITETURA NO SÉCULO XIX
Ao final do século XVIII, a Revolução Industrial provocou sucessivas 
alterações no modo de vida e na arte, agora ao alcance de um número crescente 
de pessoas. O que era antes restrito aos intelectuais e aos mais ricos, passou a ser 
de domínio de todos. 
O período neoclássico é caracterizado pela pluralidade de estilos, 
motivado pelo desejo de manter a continuidade com o passado. As referências 
aos estilos do passado podem aplicar-se indiferentemente em todos os lugares, 
porque se baseiam em informações que estão à disposição de qualquer um.
O progresso advindo dessa época se refletiu nas construções. A máquina 
passou a adquirir importância no campo da construção e da decoração, mas 
é utilizada como simples meio de fabricar, em grandes quantidades, objetos 
semelhantes aos que, antigamente, eram realizados de maneira artesanal. Segundo 
Benevolo (1987), essa mudança leva a uma nítida separação entre a técnica e a 
composiçãoarquitetônica e a uma distinção entre os conceitos de construção, que 
apresenta um caráter utilitário, e a arquietura, com um maior valor artístico. 
A técnica baseia-se em regras científicas próprias e não pode acompanhar 
a pluralidade de estilos. O conceito de estilo fica assim limitado, sendo 
considerado um revestimento decorativo que muitas vezes se aplica a uma 
determinada estrutura de suporte. É a partir deste período que se definiu uma 
clara diferenciação entre o arquiteto e o engenheiro, ao arquiteto cabe a ação 
decorativa e ao engenheiro às demais atividades.
A possibilidade de ampla divulgação das ideias permitiu o conhecimento 
de diversas definições de arquitetura, que sugerem visões românticas comparadas 
com a música. Goethe (1749-1832), por exemplo, dizia que “a arquitetura é música 
petrificada”, enquanto Schelling (1775-1854) enunciava que a “arquitetura é a 
forma artística inorgânica da música plástica.” (LEMOS,1995).
Na França, dois pensadores arquitetos expuseram suas teorias, antevendo 
a teorização da arquitetura moderna. Eungéne Emmanuel Viollet-Le-Duc (1814-
1879), o grande esteta de seu tempo, afastou a presença até então obrigatória de 
Vitrúvio. Segundo Lemos (1995), a natureza da teoria de Viollet-Le-Duc foi a 
TÓPICO 1 | ARQUITETURA: INTRODUZINDO CONCEITOS
7
objetividade. O arquiteto francês foi buscar a beleza nas relações geométricas e 
graficamente determinava, ou comprovava, as leis da harmonia que engrandeciam 
a composição arquitetônica. Sua “teoria do triângulo” foi uma inovação e, para ele, 
naquela figura geométrica estava a “chave do mistério”. Outro arquiteto francês, 
Leonce Raymond, no seu Traité d’architecture, de 1860, procurava a “verdade” na 
arquitetura, através da frase “o bom é o fundamento do belo e as formas de arte 
devem ser sempre verdadeiras”.
IMPORTANT
E
Ao final do século XVIII, vimos que o progresso advindo com a Revolução 
Industrial provocou mudanças na arquitetura. Ao estudar o período moderno, veremos 
surgir um novo elemento significativo na definição de arquitetura: o espaço.
2.5 ARQUITETURA MODERNA
No final do século século XIX e início do século XX, as definições de 
arquitetura assumiram posturas diversas, fazendo surgir o espaço como um 
elemento significativo. Para Lemos (1995), foi Auguste Perret (1874-1954) o 
primeiro a dizer que “arquitetura é a arte de organizar o espaço e é pela construção 
que ela se expressa”. E ainda, que “móvel ou imóvel, tudo aquilo que ocupa o 
espaço pertence ao domínio da arquitetura”.
Durante o século XX, especialmente entre as décadas de dez e cinquenta 
se consolidou a arquitetura moderna, inserida no contexto artístico e cultural 
do Modernismo. Não existe, entretanto, um ideário moderno único, suas 
características podem ser encontradas em origens diversas como a Bauhaus, 
na Alemanha; em Le Corbusier, na França; em Frank Lloyd Wright, nos EUA 
ou nos construtivistas russos, alguns ligados à escola Vuthemas, entre muitos 
outros. Foi nos CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna) que 
essas referências encontraram um instrumento de convergência, produzindo 
um ideário de aparência homogênea, resultando no estabelecimento de alguns 
princípios que foram seguidos por inúmeros arquitetos.
Uma das principais características dos arquitetos modernos é a recusa 
dos estilos históricos, principalmente no que se refere ao uso de ornamentos. 
Produzir uma arquitetura sem ornamentos tornou-se regra para alguns. Outra 
característica importante eram os conceitos de industrialização, economia e design. 
Acreditava-se que o arquiteto era um profissional responsável pela construção do 
ambientes econômicos, limpos e úteis.
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
8
Duas frases se tornaram a síntese do ideário moderno: menos é mais (“less 
is more”, do arquiteto Mies Van der Rohe) e a forma segue a função (“form follows 
function”, do arquiteto protomoderno Louis Sullivan). 
Os novos materiais – o ferro, o vidro e o concreto armado – apresentam 
aos arquitetos novas possibilidades de projeto: paredes ou coberturas 
inteiramente transparentes, apoios delicados e arrojadas estruturas suspensas. 
Ao mesmo tempo, são apresentados novos temas - estações ferroviárias, pontes, 
estabelecimentos industriais e prédios para escritórios - completamente distintos 
dos monumentos do passado e, consequentemente, propícios a uma nova 
interpretação arquitetônica desligada dos estilos históricos.
Em “Por uma arquitetura”, Le Corbusier define que: 
A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos 
sob a luz. [...] Utilizamos a pedra, a madeira, o cimento; com eles 
fazemos casas, palácios; é a construção. [...] Mas, de repente, você me 
interessa fortemente, você me faz bem, sou feliz, digo é belo. Eis aí a 
arquitetura. A arte está aqui. Minha casa é prática. Obrigado, assim 
como obrigado aos engenheiros das estradas de ferro e à Companhia 
Telefônica. Vocês não tocaram meu coração. Mas as paredes se elevam 
no céu em uma ordem tal que fico comovido. Sinto suas intenções. 
Vocês são delicados, brutais, encantadores ou dignos. Suas pedras me 
dizem. Vocês me prendem a esse lugar e meus olhos contemplam. 
Meus olhos contemplam algo que enuncia um pensamento. Um 
pensamento que se ilumina sem palavras nem sons, porém unicamente 
com prismas que mantêm relações entre si. Esses prismas são tais que a 
luz os detalha claramente. Essas relações nada têm de necessariamente 
prático ou descritivo. São a linguagem da arquitetura. Com materiais 
brutos, sobre um programa mais ou menos utilitário que vocês 
ultrapassam, vocês estabeleceram relações que me comoveram. É a 
‘arquitetura’. (LE CORBUSIER, 1998).
No texto escrito em 1952, “Considerações sobre arte contemporânea”, o 
arquiteto brasileiro Lucio Costa apresenta a influência de Le Corbusier sobre sua 
obra e define o que entende por arquitetura:
Arquitetura é, antes de qualquer coisa, construção; mas construção 
concebida com o propósito primordial de ordenar o espaço para 
determinada finalidade e visando determinada intenção. E nesse 
processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela 
igualmente arte plástica, porquanto nos inúmeros problemas com que 
se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão 
efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem 
final de opção entre os limites máximo e mínimo determinados 
pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, 
reclamados pela função ou impostos pelo programa, cabendo, então, 
ao sentimento individual do arquiteto (ao artista, portanto) escolher, na 
escala dos valores contidos entre tais limites extremos, a forma plástica 
apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra 
idealizada. A intenção plástica que semelhante escolha subentende é 
precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção. Por 
outro lado, a arquitetura depende ainda, necessariamente, da época 
da sua ocorrência, do meio físico e social a que pertence, da técnica 
TÓPICO 1 | ARQUITETURA: INTRODUZINDO CONCEITOS
9
decorrente dos materiais empregados e, finalmente, dos objetivos 
visados e dos recursos financeiros disponíveis para a realização 
da obra, ou seja, do programa proposto. Pode-se, então, definir a 
arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar 
plasticamente o espaço em função de uma determinada época, de um 
determinado meio, de uma determinada técnica, de um determinado 
programa e de uma determinada intenção. (COSTA, 1997).
A trajetória do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer segue um caminho 
até certo ponto balizado pelas convicções de seus mestres, Lucio Costa e Le 
Corbusier, mas não deixa de ter suas peculiaridades. Reconhecido pelas formas 
revolucionárias de seu estilo arquitetônico, Oscar Niemeyer vê a arquitetura 
de forma única: “De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria 
surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nívelsuperior de uma obra 
de arte.” (NIEMEYER, 1993).
NOTA
Para aprofundar seus estudos sobre a história da arquitetura, sugerimos a leitura 
do livro “Introdução à Arquitetura”, de Leonardo Benevolo.
3 SIGNIFICADO DA ARQUITETURA
As definições de arquitetura, ao longo do tempo, apresentam uma clara 
imprecisão de seu significado. Muitas vezes poéticos, os termos são duplamente 
enganosos, primeiro porque não definem a arquitetura e, segundo, porque não 
definem a si mesmos.
Somente no final do século século XIX e início do século XX, as definições 
de arquitetura incorporaram um elemento significativo: o espaço. Até então, 
todos relacionavam a arquitetura com a construção e a beleza. 
Para Zevi (1996), o espaço interior é protagonista do fato arquitetônico, e 
completa: “a definição mais precisa que se pode dar atualmente da arquitetura é 
a que leva em conta o espaço interior. E é o homem que, movendo-se no edifício, 
dá ao espaço a sua realidade integral”.
O espaço constitui o caráter essencial da arquitetura, mas não é o suficiente 
para defini-la. Cada edifício caracteriza-se por uma pluralidade de elementos 
que podem ser aqui definidos como forma, tecnologia, programa e contexto. 
Segundo Ching (2002), alguns desses elementos podem dominar enquanto outros 
desempenham um papel secundário na organização de um edifício. Entretanto, 
esses elementos devem estar inter-relacionados para formarem um todo integrado 
que contenha uma estrutura unificadora e coerente.
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
10
ESTUDOS FU
TUROS
Os próximos tópicos abordarão os elementos que compõem a arquitetura: 
forma, tecnologia, programa e contexto.
11
Neste tópico, buscamos construir conceitos sobre arquitetura. Você 
pôde perceber que:
• Ao longo da história, a arquitetura apresentou diversos significados, 
considerando os aspectos culturais, sociais, econômicos e tecnológicos de cada 
período histórico. Somente no final do século XIX e início do século XX, as 
definições de arquitetura incorporaram o espaço como elemento essencial. Até 
então, todos relacionavam a arquitetura com a construção e a beleza. 
• O espaço vivenciado constitui a essência da arquitetura, mas não é o suficiente 
para defini-la. A forma, a tecnologia, o programa e o contexto são elementos que 
compõem a obra arquitetônica. Todos esses elementos devem ser percebidos e 
experimentados. 
RESUMO DO TÓPICO 1
12
Caro(a) acadêmico(a), para melhor fixar o conteúdo apresentado neste 
tópico, sugerimos que você efetue seguinte atividade: 
1 A partir da sua compreensão do texto até agora estudado (Tópico 1) e da visão 
dos vários autores apresentados, componha um conceito de arquitetura.
AUTOATIVIDADE
13
TÓPICO 2
FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A arquitetura começa a existir à medida que o espaço passa a ser 
organizado por elementos materiais. O espaço é material e sua forma visual 
depende da organização dos limites espaciais definidos pela forma.
Os espaços são dotados de características formais que interferem nas 
condições físicas e psicológicas dos usuários. Torna-se importante, então, a 
disponibilidade de um referencial de análise que possibilite o entendimento da 
forma espacial. Esse instrumental implica o conhecimento das características 
de composição, isto é, nas diversas maneiras de organização dos espaços 
arquitetônicos.
UNI
Cabe-nos, agora, estudar o conceito e o referencial de análise da forma 
arquitetônica.
2 FORMA
Forma é um termo abrangente que comporta e admite diferentes 
significados. Segundo o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004), a forma se refere 
aos limites exteriores da matéria de que é constituído um corpo, em que se 
conferem a este feitio uma configuração, um aspecto particular.
Em arte e projeto, frequentemente, o termo é utilizado para expressar a 
estrutura formal de um trabalho, ou seja, a maneira de dispor e coordenar os 
elementos e partes de uma composição de maneira a produzir uma imagem 
coerente. (CHING, 2002).
A forma nos informa sobre a natureza da aparência externa do objeto. 
Tudo que se vê possui forma. A percepção da forma é o resultado de uma interação 
entre o objeto físico e o meio de luz ainda como transmissor de informação, e as 
condições e imagens que prevalecem no sistema nervoso do observador, que é, 
em parte, determinado pela própria experiência visual. 
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
14
Para perceber a forma, é necessário que existam variações, ou seja, 
diferenças no campo visual. As diferenças acontecem por variações de estímulos 
visuais, em função dos contrastes dos elementos que configuram um determinado 
objeto ou coisa.
Para Ching (2002), as formas apresentam propriedades visuais de tamanho, 
cor e textura. O tamanho refere-se às dimensões físicas de comprimento, largura 
e profundidade de uma forma. As dimensões determinam as proporções de uma 
forma, mas sua escala é determinada por seu tamanho em relação a outras formas 
de seu contexto.
A cor é um fenômeno de luz e percepção visual que pode ser descrito em 
termos da percepção que um indivíduo tem de matiz, saturação e valor total. Cor 
é o atributo que mais claramente distingue uma forma de seu ambiente. Também 
afeta a atração visual de uma forma.
A textura é a qualidade visual e especialmente tátil conferida a uma 
superfície pelo seu tamanho, formato, disposição e proporção das partes. A 
textura também determina o grau em que as superfícies de uma forma refletem 
ou absorvem a luz incidente.
3 FORMA E ESPAÇO
O espaço é definido, segundo Ching (2002), por elementos horizontais e 
verticais.
O plano de base é um elemento horizontal que define um campo de 
espaço simples. O plano superior é um elemento horizontal localizado acima da 
cabeça, definindo um volume de espaço entre ele e o plano do solo.
Os planos verticais têm uma presença maior no campo visual do que 
os planos horizontais e são, portanto, mais eficazes para definir um volume 
isolado de espaço e proporcionar um sentido de fechamento e privacidade para 
seus usuários. Além disso, têm a competência de separar um espaço de outro e 
estabelecer um limite comum entre os ambientes interno e externo.
FONTE: CHING, 2002
FIGURA 1 – PLANO DE BASE, PLANO SUPERIOR E PLANOS VERTICAIS
TÓPICO 2 | FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA
15
A forma como se configuram os elementos horizontais e verticais gera e 
define tipos específicos de espaços.
O plano de base pode ser elevado, estabelecendo uma separação visual 
entre seu campo e aquele do solo circundante, ou rebaixado, descrevendo uma 
depressão no plano do solo e utilizando as superfícies verticais da área rebaixada 
para definir um volume no espaço.
O plano superior é representado nos edifícios pela sua cobertura, que 
não somente abriga os espaços interiores das intempéries como também exerce 
impacto sobre a forma geral do edifício. A forma do plano superior é determinada 
pelo material, pela geometria e pelo seu sistema estrutural.
Os elementos verticais, segundo Ching (2002), também desempenham 
papéis importantes na construção de formas e espaços arquitetônicos.
FONTE: As autoras FONTE: As autoras
FONTE: As autoras FONTE: As autoras
FIGURA 2 – PLANO DE BASE ELEVADO, FÓ-
RUM ROMANO, ROMA, ITÁLIA
FIGURA 3 – PLANO DE BASE REBAIXADO, JAR-
DIM DE VERSAILLES, FRANÇA
FIGURA 4 – PLANO SUPERIOR EM ABÓ-
BADA, GALLERIA VITTORIO EMANUELLE, 
MILÃO, ITÁLIA
FIGURA 5 – PLANO SUPERIOR HORIZON-
TAL, PALÁCIO DA ALVORADA, BRASÍLIA/DF
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
16
FONTE: As autoras FONTE: As autoras FONTE: Google earth, 2008
FIGURA 6 – PLANO VERTICAL 
ÚNICO, ARCO DE TITO NO 
FÓRUM ROMANO, ROMA, 
ITÁLIA
FIGURA 7 – PLANOS VER-
TICAIS PARALELOS, UFIZZI, 
FLORENÇA, ITÁLIA
FIGURA 8 – FECHAMENTO, 
PLACE DES VOSGES, PARIS, 
FRANÇA
4 ORGANIZAÇÕES ESPACIAIS
IMPORTANT
E
Agora apresentaremos as formas básicas em que se organizam os espaços de 
um edifício.
4.1 ORGANIZAÇÃO CENTRALIZADA
A organização dosespaços depende de condições específicas referentes 
ao programa arquitetônico, como proximidades funcionais, necessidades 
dimensionais, classificação hierárquica de espaços e requisitos indispensáveis 
para acesso, iluminação ou vista, e ao terreno, que possam limitar ou incentivar 
a forma ou o tipo de organização. Para Ching (2002), as organizações espaciais 
podem ser centralizada, linear, radial, aglomerada, em malha.
A organização centralizada consiste em um espaço central dominante 
ao redor do qual uma série de espaços secundários é agrupada. Esse tipo de 
organização apresenta um caráter geométrico.
TÓPICO 2 | FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA
17
FONTE: Ching (2002)
O espaço central, unificador da organização, tem, geralmente, uma forma 
regular e apresenta dimensões suficientes para reunir um número de espaços 
secundários ao redor de seu perímetro. Os espaços secundários da organização 
podem ser equivalentes entre si, em termos de função, forma e tamanho, e criar 
uma configuração global geometricamente regular e simétrica em relação a 
um ou dois eixos, ou podem diferir entre si, a fim de responder às exigências 
individuais de função, hierarquia ou entorno, resultando em uma configuração 
global, geometricamente irregular e até assimétrica. (CHING, 2002).
A organização centralizada permite o crescimento e possibilita uma série 
de variações e complexidades.
FIGURA 9 – TIPOS DE ORGANIZAÇÃO CENTRALIZADA 
4.2 ORGANIZAÇÃO LINEAR
A organização linear consiste em uma sequência linear de espaços 
repetitivos. Esses espaços podem estar diretamente relacionados um ao outro ou 
ligados através de um espaço linear separado. (CHING, 2002).
FONTE: Ching (2002)
Esse tipo de organização pode realizar-se através da repetição de espaços 
semelhantes em termos de tamanho, forma e função, ou diferentes entre si.
FONTE: Ching (2002)
FIGURA 10 – ORGANIZAÇÃO LINEAR COM ESPAÇOS DIRETAMENTE RELACIONADOS E SEPARADOS
FIGURA 11 – ORGANIZAÇÃO LINEAR POR REPETIÇÃO DE ELEMENTOS SEMELHANTES E DIFE-
RENTES ENTRE SI
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
18
A organização linear pode ser reta, segmentada ou curvilínea.
FONTE: Ching (2002)
É possível hierarquizar a organização, destacando a importância de 
determinados espaços através de sua forma, tamanho ou pela sua localização.
FONTE: Ching (2002)
A organização linear proporciona flexibilidade, podendo adaptar-se às 
diferentes condições de terreno, permitindo realizar adições ao longo dos eixos.
FIGURA 12 – ORGANIZAÇÃO LINEAR POR RETA, SEGMENTADA E CURVILÍNEA
FIGURA 13 – ORGANIZAÇÃO LINEAR COM ESPAÇOS HIERARQUIZADOS
4.3 ORGANIZAÇÃO RADIAL 
A organização radial consiste em um espaço central dominante, a partir 
do qual organizações lineares de espaço se estendem de maneira radial. (CHING, 
2002).
Nesse tipo de organização, assim como nas organizações centralizadas, 
o espaço central tem geralmente forma regular. Os eixos lineares para os quais 
o espaço central se estende podem ser semelhantes um ao outro em termos de 
forma e comprimento e manter a regularidade da forma global da organização. 
Mas podem também diferir um do outro para atender às necessidades individuais 
de função e contexto. (CHING, 2002).
TÓPICO 2 | FORMA E ESPAÇO NA ARQUITETURA
19
FONTE: Ching (2002)
FIGURA 14 – ORGANIZAÇÃO RADIAL
4.4 ORGANIZAÇÃO AGLOMERADA
A organização aglomerada se baseia em espaços agrupados pela 
proximidade ou pelo fato de compartilharem uma característica ou relação visual. 
Os espaços apresentam, frequentemente, funções semelhantes e uma característica 
visual comum, como o formato ou a orientação, mas podem também apresentar 
diferenças em termos de tamanho, forma e função, porém relacionados um ao 
outro pela proximidade ou por um recurso de ordenação como a simetria ou um 
eixo. (CHING, 2002).
Essa organização não se origina de um conceito geométrico rígido, 
apresentando um caráter flexível, pode aceitar crescimento e mudança sem afetar 
a sua identidade.
FONTE: Ching (2002)
FIGURA 15 – ORGANIZAÇÃO AGLOMERADA
4.5 ORGANIZAÇÃO EM MALHA
A organização em malha consiste em espaços relacionados entre si, 
regulados por um padrão ou malha tridimensional. Uma malha é configurada por 
dois conjuntos de retas paralelas, geralmente perpendiculares, que estabelecem 
um padrão regular de pontos em suas interseções. (CHING, 2002).
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
20
FONTE: Ching (2002)
Na arquitetura, uma malha, geralmente, é estabelecida por um sistema 
estrutural composto por colunas e vigas.
A organização em malha é caracterizada pela regularidade e continuidade 
de seu padrão, que estabelece um conjunto estável de referência no espaço.
Uma malha pode sofrer transformações para melhor atender ao programa, 
adaptar-se às condições do terreno, criar uma hierarquia ou possibilitar seu 
crescimento e expansão, e ainda assim, manter sua identidade como malha 
na organização dos espaços. Uma parte da malha pode ser subtraída ou 
acrescentada. É possível tornar uma malha irregular em uma ou mais direções, 
criando um conjunto de módulos hierárquicos diferenciados pelo tamanho, 
proporção e localização. Também porções da malha podem deslizar para alterar 
a continuidade visual e espacial através de seu campo (CHING, 2002).
FONTE: Ching (2002)
FIGURA 16 – ORGANIZAÇÃO EM MALHA
FIGURA 17 – TRANSFORMAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO EM MALHA
NOTA
Para aprofundar os seus conhecimentos sobre forma e espaço, sugerimos 
a leitura do livro Forma, Espaço e Ordem. Francis D. K. Ching. São Paulo: Editora Martis 
Fontes, 2002.
21
RESUMO DO TÓPICO 2
Nos estudos referentes à forma e ao espaço na arquitetura, destacamos 
os seguintes conteúdos, que foram estudados no presente tópico:
• A palavra forma apresenta diferentes significados. Em arte e projeto, refere-se 
à maneira de dispor e coordenar os elementos e partes de uma composição de 
maneira a produzir uma imagem coerente.
• O espaço é definido por elementos horizontais e verticais: plano de base, plano 
superior e planos verticais. As diferentes maneiras, como esses elementos se 
configuram, geram e definem tipos específicos de espaços.
• O modo de organização dos espaços é incentivado ou limitado por condições 
específicas referentes ao programa arquitetônico e ao terreno. As organizações 
espaciais podem ser: centralizada, linear, radial, aglomerada, em malha. Cada 
tipo de organização apresenta um resultado formal e espacial.
22
Estudamos que as organizações espaciais podem apresentar 
configuração centralizada, linear, radial, aglomerada e em malha. A partir do 
referencial de análise apresentado, identifique o modo de organização espacial 
dominante nas edificações que você conhece: sua casa, local de trabalho, igreja, 
escola, hospital, prefeitura, centro cultural etc.
AUTOATIVIDADE
23
TÓPICO 3
ARQUITETURA E TECNOLOGIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
As inovações tecnológicas têm espaço também na construção civil, 
transformando o canteiro de obras em canteiro de montagem, gerando vantagens 
como diminuição na geração de entulhos e maior rapidez de execução. 
A estes conceitos acrescentam-se fatores relativos ao conforto do usuário 
e ao meio ambiente. Um edifício, além de bem executado, deve apresentar 
desempenho adequado, de modo a proporcionar conforto aos seus usuários 
(térmico, acústico e luminotécnico), resistência estrutural, entre outros. E toda a 
tecnologia utilizada para isso deve gerar o mínimo impacto ambiental, buscando 
a sustentabilidade na construção de edifícios.
UNI
Tentemos, agora, compreender o significado da tecnologia na arquitetura. 
Abordaremos questões referentes ao sistema estrutural do edifício e ao conforto ambiental 
que este deve proporcionar aos seus usuários, com base em princípios sustentáveis.
2 TECNOLOGIA DA ARQUITETURA
A tecnologia (do grego, tékhné, refere-se à arte e logo a tratado) consiste 
em um conjunto de conhecimentos aplicados à produção de bens, incluindo as 
técnicas que permitem a organização e a eficiênciado processo produtivo. É 
entendida como conjunto doutrinário e instrumental para organizar os processos 
de modificação e de transformação da matéria, da energia, do habitat do homem, 
portanto capaz de modificar as próprias condições de existência dos grupos 
humanos. (VIANNA, 1990).
A tecnologia da arquitetura refere-se ao tratamento sistemático de todos 
os fenômenos de transformação artificial do habitat do homem, vistos pela ótica 
da utilidade social e no respeito aos acontecimentos naturais.
24
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
Na visão conservadora que caracterizou a tecnologia da arquitetura até 
pouco tempo atrás, concebia-se a tecnologia como o saber-fazer técnico como o 
elo entre os dois momentos da arquitetura: o de projeto e a construção, tecnologia 
confundida com técnica da construção, simples superposição instrumental a 
um momento de concepção do espaço. Mas Vianna (1990) define que o enfoque 
tecnológico da arquitetura não mais coincide só com as medidas físicas da 
construção, mas com o conjunto das operações programáveis para se construir 
uma outra natureza, alternativa àquela tradicional, correspondente ao mundo 
físico do conhecido.
Tecnologia, neste sentido, é entendida como um modo ou um método de 
projetação que faz dos dois momentos, da idealização e da realização, não mais 
uma relação estática de causa e efeito, mas um processo interativo, do influenciar-
se recíproco até se chegar a uma nova concepção do próprio espaço. Tecnologia 
entendida como uma tentativa de se substituir os modelos estáticos e definidos 
por processos abertos e dinâmicos, individualizando, mais que o tipo funcional 
da forma arquitetônica, os parâmetros estruturais de transformação e construção 
do ambiente. (VIANNA, 1990).
Na atual sociedade de informação, vivemos um período de grande 
transformação, em que um novo tipo de construção emerge, quebrando barreiras 
entre disciplinas profissionais antes separadas e especializadas. Nos projetos 
atualmente pensados e executados de uma forma totalmente digital, a concepção, 
a análise estrutural e a escolha material fundem-se e resultam na produção do 
projeto diretamente através de máquinas de controle numérico. 
Atualmente, um novo tipo de construção emerge. Vivemos um período 
de reestruturação produtiva em que os projetos são pensados e executados de 
uma forma totalmente digital, em um processo de integração entre a concepção, 
a análise estrutural e a escolha material.
A integração entre concepção e construção digital é recente. Ainda 
é necessária uma investigação multidisciplinar, que permita aprofundar o 
conhecimento das vantagens, limitações e oportunidades, pois constituem uma 
grande transformação no processo de construção tradicional, introduzindo novos 
desafios em todo o processo produtivo.
3 SISTEMAS ESTRUTURAIS 
O sistema estrutural é formado por elementos estruturais responsáveis 
por absorver e transmitir os esforços de uma edificação. Caracteriza-se por ser 
a parte mais resistente de uma construção, sendo essencial para sua segurança e 
solidez.
Podemos citar diferentes sistemas estruturais que podem ser adotados 
durante a concepção do projeto de uma edificação. A escolha do sistema adequado 
ocorre em função do uso da edificação, de custos e recursos disponíveis.
TÓPICO 3 | ARQUITETURA E TECNOLOGIA
25
Antigamente, nas construções egípcias e na Idade Média, tinha-se o 
uso da pedra e, no século XVIII, os vãos foram sendo incrementados com o uso 
da madeira. A partir da Revolução Industrial, começaram a ser utilizadas as 
estruturas metálicas, que apresentavam vantagens em relação ao uso da madeira, 
devido à relação entre o peso próprio e as dimensões das peças estruturais, à 
escassez da madeira e pela suposição de que o ferro fundido fosse mais resistente 
a incêndios, elevando a segurança das edificações. Posteriormente, com o uso 
do aço e a invenção do concreto, estes materiais foram tendo suas propriedades 
melhoradas e o uso cada vez mais difundido.
O aço é obtido do carvão mineral ou do minério de ferro, com retirada de 
impurezas e promoção de adições pela siderurgia. Tem elevada resistência, tanto 
à compressão quanto à tração. Uma estrutura constituída por materiais metálicos 
apresenta como principais características: qualidade homogênea, esbelteza das 
peças resistentes, precisão na fabricação e montagem, necessidade de proteção 
contra corrosão e incêndios.
O concreto é uma mistura de aglomerante com água e agregrados (areia e 
pedra), que desde o patenteamento do cimento Portland por Joseph Aspdin, em 
1824, vem sofrendo sucessivos incrementos de resistência.
Associados às armaduras passivas (barras de aço de construção) formam 
o concreto armado, moldado in loco ou pré-moldado. Atualmente, é o material 
estrutural mais aplicado em obras civis no mundo, devido à facilidade de criação 
de qualquer seção, mão de obra barata e não especializada para a confecção e 
materiais. As principais características do uso do concreto armado são: obtenção 
de peças monolíticas, alta resistência a choques e vibrações, durabilidade, bom 
condutor de calor e som, necessidade de escoramentos durante a fabricação, 
dificuldade de adaptações e reformas.
Com o advento do concreto protendido, pôde-se extrair o máximo de 
eficiência dos materiais de concreto e aço. O concreto protendido é obtido com 
a utilização de cabos de aço de alta resistência, que são tracionados e fixados no 
próprio concreto. Os cabos de protensão têm resistência em média quatro vezes 
maior do que os aços utilizados no concreto armado. Dentro das vantagens que 
esta técnica pode oferecer, temos a redução na incidência de fissuras, diminuição 
na dimensão das peças devido à maior resistência dos materiais empregados, 
possibilidade de vencer vãos maiores do que o concreto armado convencional.
A evolução dos materiais permitiu a liberação da função estrutural das 
paredes. Anteriormente, estas tinham o duplo papel de suportar as cargas dos 
pavimentos e coberturas e vedar o edifício, isto é, separar o interior do exterior. 
Apresentavam a função portante, vedante e divisória. Com as estruturas 
independentes de metal e concreto, as paredes ganharam maior liberdade, 
dispensando-se a função portante.
26
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
A prévia escolha da tipologia estrutural fornece subsídios ao partido 
arquitetônico, por meio da definição de formas, vãos e alturas livres. Por outro 
lado, pode-se tirar proveito da linguagem estrutural para a estética da arquitetura.
4 CONFORTO AMBIENTAL
O conforto ambiental e a eficiência energética das edificações são 
condições fundamentais para garantir uma edificação de qualidade que apresente 
como objetivo principal a satisfação do homem. As principais formas de conforto 
no ambiente construído que os homens buscam são: conforto térmico, conforto 
acústico e conforto luminotécnico. 
O conforto térmico na arquitetura pode ser alcançado através do 
correto posicionamento do edifício no lote e do partido arquitetônico adotado, 
considerando as questões específicas locais de orientação solar e o direcionamento 
dos ventos dominantes. Brises, fachadas ventiladas ou ventilação cruzada 
são também alguns dos recursos que a própria arquitetura pode utilizar para 
minimizar a carga térmica no interior dos edifícios.
O uso de materiais transparentes em fachadas de edificações, adotado sem 
o necessário cuidado com a entrada de energia solar no ambiente interno, tem se 
revelado um dos grandes causadores de desconforto térmico, principalmente em 
climas quentes como o do Brasil. É também um dos grandes fatores responsáveis 
pelo consumo excessivo de energia para refrigeração e condicionamento do ar.
IMPORTANT
E
Brise, em português, é a abreviação da expressão francesa brise-soleil, cuja 
tradução literal seria quebra-sol. É um dispositivo arquitetônico utilizado para impedir a 
incidência direta de radiação solar nos interiores de um edifício. É também um importanteelemento compositivo que foi muito utilizado na arquitetura moderna.
O conforto acústico é uma condição importante para alcançar o bem-
estar nos ambientes. A ausência de conforto acústico condiciona a nossa saúde e 
a nossa produtividade. Observa-se que, nas cidades, a qualidade dos ambientes 
vem sendo comprometida significativamente pelos ruídos urbanos. Além disso, 
as novas tecnologias da construção vêm tornando o edifício e seus ambientes mais 
vulneráveis aos ruídos, tanto àqueles vindos do exterior como do interior. As 
aberturas, por menores que sejam, permitem a propagação do som e a vibração 
dos materiais. Dessa forma, o tratamento acústico de uma edificação deve ser 
realizado ainda na fase de projeto.
TÓPICO 3 | ARQUITETURA E TECNOLOGIA
27
5 ARQUITETURA SUSTENTÁVEL
Contra os ruídos externos, pode-se adotar como meio de proteção a 
distância da fonte de ruído, a utilização de barreiras sonoras, o posicionamento 
das aberturas e a utilização de materiais isolantes. Para os ruídos gerados dentro 
do edifício, as seguintes medidas podem ser consideradas: redução na fonte de 
ruído, isolamento da fonte através de barreiras absorventes, zoneamento das 
atividades, redução dos ruídos produzidos por impactos, utilização de superfícies 
absorventes, utilização de construções herméticas com isolamento acústico, 
redução da transmissão sônica pelas estruturas mediante descontinuidades.
O conforto luminotécnico é necessário para a adequada realização das 
atividades visuais em ambientes internos, com o máximo de precisão visual, com 
o menor esforço, com menor risco de prejuízos à vista e com reduzidos riscos de 
acidentes.
A arquitetura apresenta uma série de variáveis que contribuem na 
iluminação dos ambientes internos como a posição e o dimensionamento 
das aberturas, o tipo de fechamento utilizado na construção, as características 
reflexivas dos materiais de revestimento, as cores utilizadas e o uso de sistemas 
artificiais de iluminação.
Entende-se como desenvolvimento sustentável aquele capaz de atender 
às necessidades das atuais gerações, sem comprometer os direitos das futuras 
gerações. É na forma como arquitetos e engenheiros se inter-relacionam com as 
questões ambientais e a escassez de recursos energéticos que se dá a contribuição 
da arquitetura na sustentabilidade.
Segundo a arquiteta Roberta Kronka Mülfarth (Laboratório do 
Departamento de Tecnologia da FAU-USP), a arquitetura sustentável “é uma 
forma de promover a busca pela igualdade social, valorização dos aspectos 
culturais, maior eficiência econômica e menor impacto ambiental nas soluções 
adotadas nas fases de projeto, construção, utilização, reutilização e reciclagem 
da edificação, visando à distribuição equitativa da matéria-prima e garantindo a 
competitividade do homem e das cidades.” (CORBIOLI, 2003).
Os conceitos de arquitetura sustentável baseiam-se na utilização de 
sistemas construtivos e de materiais de acabamento recicláveis, que não causem 
grande impacto ambiental, que não comprometam o meio ambiente nem a saúde 
do ser humano que trabalhará na obra ou fará uso da edificação. Na lista destes 
materiais, incluem-se, por exemplo, produtos como madeira de reflorestamento, 
cimento, concreto, derivados de petróleo, tintas e vernizes insolúveis em água 
ou com grande concentração de metal, para citar apenas alguns exemplos. O 
aço e vidro, embora tenham muita energia incorporada, devido ao processo de 
fabricação do material, têm seu uso justificado pela possibilidade de reciclagem.
28
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
A arquitetura sustentável baseia-se também em conceitos de conforto 
ambiental, através de uma adaptação ao clima, considerando aspectos como 
insolação, ventos dominantes, características do entorno, para definir o 
posicionamento no lote, a espessura das paredes, a dimensão das aberturas e os 
materiais a serem utilizados.
O conceito de arquitetura sustentável que está se difundindo no Brasil 
estabelece o ato projetual consciente que pode ser aplicado tanto em edificações 
novas como na adaptação de edificações existentes (retrofits). Mas há, ainda, 
no país um longo caminho a percorrer, principalmente na elaboração de uma 
legislação que interfira diretamente na sustentabilidade da arquitetura. 
Vários países no mundo já têm ou estão produzindo leis e incentivos para 
edificações que sejam projetadas de forma ambientalmente responsável e com alto 
desempenho. Em muitos deles, existem sistemas de certificação ambiental para 
edificações. Essa forma de incentivo iniciou na Europa e se difundiu por outros 
continentes. Entre os principais sistemas de avaliação ambiental de edificações 
podem-se destacar: LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, USA); 
REEAM e ECOHOMES (BRE Environmental Assessment Method, Reino Unido); 
CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency, 
Japão); HQE (Haute Qualité Environnementale dês Batiments, França) e GREEN 
STAR, Austrália.
29
RESUMO DO TÓPICO 3
Esse tópico abordou vários conteúdos relacionados à tecnologia da 
arquitetura. Resumidamente, apresentamos tais conteúdos a seguir:
• A tecnologia da arquitetura se refere ao conjunto de ações envolvidas no 
processo de transformação artificial do habitat humano, consideradas sob o 
aspecto social e ambiental. 
• Tecnologia não é mais entendida somente como o elo entre o projeto e a 
construção, mas como um método de projetação que faz dos dois momentos, 
da idealização e da realização, não mais uma relação estática de causa e efeito, 
mas um processo interativo, do influenciar-se recíproco até se chegar a uma 
nova concepção do próprio espaço.
• O conceito de sustentabilidade na arquitetura busca a igualdade social, 
a valorização dos aspectos culturais, a maior eficiência econômica e menor 
impacto ambiental nas soluções adotadas nas fases de projeto, construção, 
utilização, reutilização e reciclagem da edificação. 
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Considerando que a arquitetura sustentável se baseia na utilização 
de materiais construtivos e de acabamento que não causem grande impacto 
ambiental e no emprego de conceitos de conforto ambiental, analise a 
sustentabilidade de um edifício que constitui referência arquitetônica em sua 
cidade.
AUTOATIVIDADE
31
TÓPICO 4
PROGRAMA ARQUITETÔNICO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
O projeto de arquitetura tem como principal objetivo a geração de 
soluções físico-espaciais que atendam às necessidades e anseios de um indivíduo 
ou grupo, para a realização das atividades humanas que precisam de espaços 
adequados para se realizarem plenamente. 
A intenção do projeto se resume no programa arquitetônico que apresenta 
as exigências do tema, necessidades e as aspirações funcionais, sociais, culturais, 
econômicas e legais.
O programa arquitetônico envolve as relações entre indivíduo ou grupo 
social e o edifício, evidenciando a sua adequação às necessidades dos usuários.
UNI
Neste tópico, estudaremos os elementos que definem o programa 
arquitetônico, com vistas a compreender a sua influência na arquitetura.
2 EXIGÊNCIAS DO TEMA
Os diferentes temas de projeto arquitetônico, como edifícios residenciais, 
comerciais, industriais, educacionais, hospitalares, equipamentos culturais 
e terminais de transporte, por exemplo, apresentam exigências específicas 
de programa, que são relacionadas à adequação do espaço para a adequada 
realização da atividade a que se destinam.
As questões a serem consideradas são: a compartimentação e o 
dimensionamento dos ambientes, as relações espaciais, a população fixa e variável 
e os fluxos de pessoas, veículos e materiais.
32
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
3 NECESSIDADES E ASPIRAÇÕES DOS USUÁRIOS
4 FATORES SOCIOCULTURAIS
5 FATORES ECONÔMICOS
6 RESTRIÇÕES LEGAIS
O programa arquitetônico compõe um registro das necessidades e 
expectativas que os usuários esperam sejam atendidas pelo projeto arquitetônico, 
almejando que venha a ser o novo edifício capaz, então,de exercer a função para 
qual foi planejado. 
O projeto arquitetônico apresenta a espacialização do programa de 
necessidades estabelecidas pelo cliente.
Os fatores sociais e culturais interferem no programa arquitetônico. Os 
programas são mutáveis no tempo e dependem das características sociais e 
culturais. O progresso constante, os novos modos de planejar, o desenvolvimento 
das atividades em geral estão sempre a exigir alterações nos programas dos 
edifícios.
O programa arquitetônico possui interferência também da disponibilidade 
de recursos e dos prazos exigidos para o projeto e a execução. Esses fatores 
podem determinar a forma espacial e a tecnologia a ser utilizada, dependendo da 
flexibilidade dos custos e da disponibilidade de tempo, permitindo que o projeto 
e a obra sejam executados em curto ou longo prazo, ou ainda que sejam divididos 
em etapas.
As restrições legais limitam o projeto e controlam as edificações, 
principalmente as urbanas. As restrições podem ser referentes ao código de 
zoneamento de uso e ocupação do solo, que define o uso permitido, adequado 
ou restrito para as diversas áreas da cidade, além das dimensões espaciais dos 
edifícios através de índices urbanísticos como a taxa de ocupação, o coeficiente de 
aproveitamento, gabarito, recuos entre outros.
TÓPICO 4 | PROGRAMA ARQUITETÔNICO
33
IMPORTANT
E
Antes de continuar, procuraremos entender o que são estes índices urbanísticos:
- taxa de ocupação: corresponde ao índice urbanístico que limita a máxima projeção 
ortogonal possível da área construída sobre um lote; 
- coeficiente de aproveitamento: é o índice urbanístico que define o potencial construtivo 
do lote, através do produto entre este e a área do lote;
- gabarito: é o índice urbanístico que indica, geralmente, a altura máxima permitida das 
edificações, podendo ser indicado pelo número de pavimentos ou pela altura em metros;
- recuos: corresponde ao índice urbanístico que define a distância que separa as divisas do 
lote da projeção horizontal da edificação, podendo ser frontal, lateral ou de fundos.
O código de obras de um município pode determinar o número de 
vagas de garagem em função do tipo de uso e do porte da edificação, os vãos 
de iluminação e ventilação, as dimensões mínimas de certos compartimentos e 
exigências relativas a tipos específicos de edificação.
Outras exigências arquitetônicas também podem ser definidas pelas 
Prefeituras Municipais, Corpo de Bombeiros, Concessionárias de Serviços 
Públicos, Ministérios da Marinha, Aeronáutica, Trabalho e Saúde e Órgãos de 
Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, entre outros.
Essas leis surgiram principalmente para se alcançar condições mínimas 
de higiene, segurança, estabilidade e conforto das edificações. 
As restrições legais podem apresentar flexibilidade, possibilitando uma 
gama de soluções arquitetônicas ou podem ser rígidas, determinando o partido 
arquitetônico.
7 FLEXIBILIDADE E PERMANÊNCIA DO PROGRAMA 
ARQUITETÔNICO
O programa compõe a obra arquitetônica e constitui um elemento 
importante para que esta se configure em um ambiente propício para o 
desenvolvimento das atividades humanas individuais e coletivas. 
Entretanto, não se deve elevar a importância funcional na composição 
dos edifícios. A arquitetura deve constituir uma ordem espacial que possibilite a 
realização efetiva de uma multiplicidade de atividades, entendendo que os usos 
mudam e as construções muitas vezes vão se acomodando.
Rossi (1995), quando aborda a permanência histórica dos fatos urbanos, 
afirma que a função é insuficiente para definir a sua continuidade e, se a origem 
34
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
da constituição tipológica dos fatos urbanos é simplesmente a função, não se pode 
explicar nenhum fenômeno de sobrevivência: uma função é sempre caracterizada 
no tempo e na sociedade e o que dela depende intimamente não pode deixar de 
estar ligado ao seu desenvolvimento.
Em antigas construções, as sucessivas adaptações podem, aos poucos, 
transformar as velhas estruturas em novos programas. Para que essa realidade 
ocorra, o edifício deve ser maleável, permitindo reformulações. Mas sempre há 
um limite para as adaptações sucessivas e daí a necessidade da previsão de uma 
solução para o crescimento planejado.
TÓPICO 4 | PROGRAMA ARQUITETÔNICO
35
LEITURA COMPLEMENTAR
ARQUITETURA, PROJETO E CONCEITO
Carlos Alberto Maciel
O texto a seguir faz parte do artigo “Arquitetura, projeto e conceito”, 
do arquiteto urbanista Carlos Alberto Maciel. Para o autor, a realização de um 
projeto de arquitetura tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser 
atendido, há um lugar em que se implantará o edifício e há um modo de construir 
a ser determinado. Esse conjunto de premissas é elaborado graficamente em 
um desenho que opera como mediador entre a ideia do projeto e sua realização 
concreta. Esperamos que o texto a seguir lhe proporcione reflexões sobre a 
dimensão do programa no projeto arquitetônico. (MACIEL).
Acreditava que um navio, de algum modo, deveria ser criado pelo 
conhecimento do mar, como que moldado pela própria onda!... 
Mas, na verdade, esse conhecimento consiste em substituir o mar, 
em nossos raciocínios, pelas ações que ele exerce sobre um corpo, - 
como se tratasse, para nós, de descobrir as outras ações que a essas se 
opõem, defrontando-nos tão somente com um equilíbrio de poderes, 
uns e outros extraídos da natureza, onde não se combatiam utilmente. 
(VALÉRY, 1996).
Os usos e atividades que geralmente dão origem à demanda por um edifício 
são em geral colocados no início do processo de projeto. Também são colocadas 
as restrições relativas à economia, um aspecto geralmente desconsiderado ou 
subestimado pelos arquitetos.
Desconsiderar as definições relativas às limitações econômicas ou 
entendê-las como uma restrição à criação é recorrer à exclusão do problema 
para buscar uma solução mais simples e fácil. A consideração das questões de 
economia, quando se opera com recursos limitados, característica recorrente no 
contexto brasileiro, é, antes de tudo, uma premissa que pressupõe a viabilidade da 
construção. Sendo assim, ignorar as restrições e limitações de ordem econômica 
representa em um contexto de escassez um ato de irresponsabilidade em relação 
ao usuário, no caso de uma relação particular entre arquiteto e cliente, ou em 
relação à sociedade, no caso em que o cliente se trate de uma instituição pública. 
Representa ainda um descompromisso do arquiteto com a realização concreta 
de sua obra. A necessidade da atenção à economia remete à questão do decoro, 
apontada por Vitruvio: “o decoro é o aspecto correto da obra, que resulta da 
perfeita adequação do edifício, no qual não haja nada que não esteja fundado em 
alguma razão”. (VITRUVIO, 1955).
36
UNIDADE 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA
Mesmo em situações em que a escassez não é condição para a realização 
da arquitetura, o dispêndio excessivo e supérfluo implica em última instância a 
inserção direta do trabalho do arquiteto no mundo do consumo desenfreado, a 
promover a não preservação dos recursos naturais disponíveis para o homem no 
planeta. Como aponta Moneo,
A construção de um edifício requer um empenho enorme e um 
grande investimento. Arquitetura em princípio, quase por princípio 
econômico, deve ser durável. Os materiais devem assegurar vida longa 
aos edifícios. Antes um edifício era construído para durar para sempre 
ou, pelo menos, certamente não esperávamos que desaparecesse. 
(MONEO, 1985).
Ao se estabelecer um programa, surge a necessidade da determinação 
de dimensões dos espaços a fim de acomodar as diversas atividades propostas 
para o edifício. Esse dimensionamento se constitui em parte fundamental da 
interpretação do programa. Como aponta Le Corbusier, a noção da dimensão 
deve ser algo que ultrapassa a abstração da reprodução de padrões métricos 
universalmente aceitos, considerando as dimensões e a escala do homem como 
referência

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