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Sistema Tegumentar Visão geral: O tegumento comum é composto por pele, pêlos, glândulas sebáceas e sudoríparas, unhas e receptores sensitivos. O tegumento comum ajuda a manter uma temperatura corporal constante, protege o corpo e fornece informações sensitivas a respeito do ambiente ao redor. De todos os órgãos do corpo, nenhum é mais facilmente inspecionado ou está mais exposto a infecções, doenças e lesões do que a pele. Embora sua localização a deixe vulnerável a danos causados por traumatismo, luz solar, microrganismos e poluentes no ambiente, as características protetoras da pele a defendem desses danos. Por causa de sua visibilidade, a pele reflete nossas emoções (franzir as sobrancelhas, rubor) e alguns aspectos da fisiologia normal (como o suor). Mudanças na cor da pele também podem indicar desequilíbrios homeostáticos no corpo. Por exemplo, a cor azulada na pele associada à hipóxia (deficiência de oxigênio no nível tecidual) é um sinal de insuficiência cardíaca, bem como de outros distúrbios. Erupções ou rupturas cutâneas anormais, como catapora, aftas ou sarampo podem revelar infecções sistêmicas ou doenças de órgãos internos, enquanto outras condições, como verrugas, manchas senis (melanose solar) ou espinhas, podem envolver apenas a pele. Tegumento comum inclui pele, pelos, glândulas sebáceas e sudoríferas e receptores sensitivos. Funções do tegumento comum: Regula a temperatura corporal. Armazena sangue. Protege o corpo do ambiente externo. Detecta sensações cutâneas. Excreta e absorve substâncias. Sintetiza a vitamina D. Epiderme: A epiderme é composta por epitélio pavimentoso estratificado queratinizado. Ela contém quatro tipos principais de células: queratinócitos, melanócitos, macrófagos intra epidérmicos e células táteis epiteliais. Cerca de 90% das células epidérmicas são queratinócitos, que são organizados em quatro ou cinco camadas e que produzem a proteína queratina. (Lembre-se que a queratina é uma proteína fibrosa rígida que ajuda a proteger a pele e os tecidos subjacentes de abrasões, calor, microrganismos e substâncias químicas.) Os queratinócitos também produzem grânulos lamelares, que liberam uma substância que repele a água, diminuindo a entrada e a perda de água e inibindo a entrada de material estranho. Cerca de 8% das células epidérmicas são melanócitos, que se desenvolvem a partir do ectoderma do embrião em desenvolvimento e que produzem o pigmento melanina. Suas projeções longas e delgadas se estendem entre os queratinócitos e transferem grânulos de melanina para eles. A melanina é um pigmento amarelo avermelhado ou castanho-escuro que contribui para a cor da pele e absorve os raios ultravioleta (UV) perigosa. Uma vez dentro dos queratinócitos, os grânulos de melanina se agrupam, formando um véu protetor sobre o núcleo, no lado voltado para a superfície da pele. Desse modo, eles protegem o DNA nuclear do dano causado pelos raios UV. Embora seus grânulos de melanina protejam efetivamente os queratinócitos, os melanócitos em si são particularmente suscetíveis aos danos causados pelos raios UV. Os macrófagos intraepidérmicos ou células de Langerhans surgem da medula óssea vermelha e migram para a epiderme, onde constituem uma pequena fração das células epidérmicas. Eles participam das respostas imunes contra microrganismos que invadem a pele e são facilmente danificados pela luz UV. Seu papel na resposta imunológica é ajudar outras células do sistema imunológico a reconhecer o microrganismo invasor e destruí-lo. As células epiteliais táteis, ou células de Merkel, são as células epidérmicas menos numerosas. Elas se localizam na camada mais profunda da epiderme, onde entram em contato com os processos achatados de um neurônio sensorial (célula nervosa), uma estrutura chamada de disco tátil ou disco de Merkel. As células epiteliais táteis e seus discos táteis associados detectam as sensações de toque. Camada Basal: A camada mais profunda da epiderme é a camada basal, composta por um único conjunto de queratinócitos cúbicos ou colunares. Algumas células dessa camada são células-tronco, que sofrem divisão celular para produzir continuamente novos queratinócitos Camada Espinhosa:Abaixo da camada basal se encontra a camada espinhosa. Essa camada é composta principalmente por numerosos queratinócitos organizados em 8 a 10 camadas. As células nas camadas mais superficiais se tornam achatadas. Os queratinócitos na camada espinhosa, que são produzidos pelas células-tronco na camada basal, possuem as mesmas organelas das células da camada basal e algumas delas conservam a capacidade de se dividir. Semelhante a um espinho, feixes de filamentos intermediários de queratina se inserem nos desmossomos, que unem firmemente as células umas às outras. Essa organização confere força e flexibilidade à pele. Também estão presentes na camada espinhosa macrófagos intra epidérmicos e projeções de melanócitos Camada Granulosa:Aproximadamente no meio da epiderme se encontra a camada granulosa, que consiste entre três a cinco camadas de queratinócitos achatados sofrendo apoptose. Os núcleos e outras organelas dessas células começam a se degenerar conforme elas se afastam da fonte de nutrição. Também estão presentes nos queratinócitos os grânulos lamelares revestidos por membrana, que se fundem com a membrana plasmática e liberam uma secreção rica em lipídios. Essa secreção é depositada nos espaços entre as células da camada granulosa, da camada lúcida e da camada córnea. A secreção rica em lipídios age como impermeabilizante que repele a água, retardando a perda e a entrada de água e de material estranho. Camada Lúcida:A camada lúcida está presente apenas na pele espessa de áreas como as pontas dos dedos, as palmas das mãos e as plantas dos pés. Ele consiste entre quatro a seis camadas de queratinócitos achatados, claros e mortos, que contêm muita queratina e membranas plasmáticas espessas. Isso possivelmente fornece um nível adicional de rigidez a essa região da pele espessa. Camada Córnea: Nessa camada mais externa da epiderme, as células são continuamente perdidas e repostas por outras das camadas mais profundas. Suas múltiplas camadas de células mortas ajudam a camada córnea a proteger as camadas mais profundas contra lesões e invasões microbianas. A exposição constante da pele ao atrito estimula o aumento da produção celular e da produção de queratina, resultando na formação de um calo, um espessamento anormal da camada córnea. Derme: A segunda porção mais profunda da pele, a derme, é composta por um tecido conjuntivo denso não modelado contendo fibras elásticas e colágenas. Essa rede enovelada de fibras possui grande resistência elástica (resiste às forças de tração ou de estiramento). A derme também tem a capacidade de se esticar e de retornar ao estado original facilmente. s. As poucas células presentes na derme incluem predominantemente fibroblastos, com alguns macrófagos e pouco adipócitos próximos à fronteira com a tela subcutânea. Vasos sanguíneos, nervos, glândulas e folículos pilosos (invaginações epiteliais da epiderme) se encontram inseridos na camada dérmica. A derme é essencial para a sobrevivência da epiderme e essas camadas adjacentes formam muitas relações funcionais e estruturais importantes. Com base em sua estrutura tecidual, a derme pode ser dividida em uma região papilar superficial e fina e em uma região reticular profunda e espessa. Curiosidade: Por causa da estrutura vascular colagenosa da derme, as estrias, um tipo de cicatriz interna, podem ocorrer por causa de danos internos a essa camada quando a pele é estirada demais. Quando a pele é estirada demais, as ligações laterais entre as ͅbras colágenas adjacentes são rompidas e pequenos vasos sanguíneos dérmicos se rompem. É por esse motivo que as estrias aparecem inicialmente como marcas avermelhadas nesses locais. Mais tarde, após a cicatrização tecidual (tecido esse que é pouco vascularizado) nesses locais de rompimento da derme, as estrias aparecem como linhas brancas ou prateadas. As estriasfrequentemente ocorrem na pele abdominal durante a gestação, na pele de halteroͅlistas, onde a pele é estirada por aumento rápido de massa muscular, e no estiramento da pele que acompanha a obesidade. Cor da pele: Melanina, hemoglobina e caroteno são os três pigmentos que contribuem para uma grande variedade de tons de pele. A quantidade de melanina faz com que a cor da pele varie de amarelo claro até vermelho-amarronzado e preto. Em algumas pessoas que são predispostas geneticamente, a melanina se acumula na forma de sardas (efélides). As sardas tipicamente são avermelhadas ou amarronzadas e tendem a ser mais visíveis no verão do que no inverno. Conforme as pessoas envelhecem, podem aparecer manchas senis (melanose solar). Elas se parecem com sardas e sua cor varia desde marrom claro até preto. Assim como as sardas, as manchas senis são acúmulos de melanina. Elas são mais escuras do que as sardas e se formam ao longo do tempo por causa da exposição à luz solar. Os melanócitos sintetizam melanina a partir do aminoácido tirosina na presença de uma enzima chamada de tirosinase. A síntese ocorre em uma organela chamada de melanossomo. A exposição aos raios ultravioleta (UV) aumenta a atividade enzimática dentro dos melanossomos, aumentando a produção de melanina. Tanto a quantidade quanto a cor da melanina aumentam com a exposição à luz UV, dando à pele uma aparência bronzeada e ajudando a proteger o corpo contra radiações UV adicionais. A melanina absorve os raios UV, evita danos ao DNA nas células epidérmicas e neutraliza radicais livres que se formam na pele após os danos causados pelos raios UV. Desse modo, dentro de limites, a melanina desempenha uma função protetora. Em resposta a danos ao DNA, a produção de melanina aumenta. Como você verá adiante, a exposição discreta da pele a aos raios UV é, na realidade, necessária para que a pele comece o processo de síntese de vitamina D. Entretanto, a exposição repetida e exagerada da pele aos raios UV pode causar câncer de pele. O bronzeado é perdido quando os queratinócitos contendo melanina se soltam da camada córnea. Curiosidade: O albinismo é a incapacidade hereditária da produção de melanina. A maior parte dos albinos, as pessoas afetadas pelo albinismo, possui melanócitos incapazes de sintetizar tirosinase. Não há melanina nos pelos, nos olhos e na pele. Isso causa problemas de visão e tendência para que a pele se queime facilmente com a superexposição à luz do sol. Em outra condição chamada de vitiligo a perda parcial ou completa de melanócitos em partes da pele resulta em manchas brancas irregulares. A perda de melanócitos pode estar relacionada com um problema no sistema imune em que anticorpos atacam os melanócitos. Acessórios da pele: Pelos: Cada pelo é composto por colunas de células epidérmicas queratinizadas mortas unidas por proteínas extracelulares. A haste é a porção superficial que se projeta acima da superfície da pele. A raiz é a porção do pelo que penetra na derme e, algumas vezes, na tela subcutânea. O pelo e a raiz consistem em três camadas concêntricas de células: medula, córtex e cutícula do pelo. A medula interna, que pode estar ausente nos pelos mais finos, é composta por duas ou três camadas de células com formatos irregulares ricas em grânulos de pigmento no pelo escuro, pequenas quantidades de grânulos de pigmento no pelo cinza e ausência de grânulos de pigmento com presença de bolhas de ar no pelo branco. Glândulas sebáceas: As glândulas sebáceas são glândulas acinares (redondas) simples ramificadas. Com algumas exceções, elas estão conectadas aos folículos pilosos. A porção secretora de uma glândula sebácea se encontra na derme e, em geral, se abre em um folículo piloso. Em alguns locais, como nos lábios, na glande peniana, nos lábios menores do pudendo e nas glândulas do tarso das pálpebras, as glândulas sebáceas se abrem diretamente na superfície da pele. Inexistentes nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, as glândulas sebáceas são pequenas na maior parte das áreas do tronco e dos membros, mas são grandes na pele do tórax, da face, do pescoço e da parte ântero superior do tórax. Glândulas sudoríparas: Há entre três a quatro milhões de glândulas sudoríparas no corpo. As células dessas glândulas liberam suor, ou respiração, nos folículos pilosos ou na superfície da pele através de poros. As glândulas sudoríparas são divididas em dois tipos principais: écrinas e apócrinas, com base em sua estrutura e tipo de secreção (As écrinas são aquelas que liberam sua secreção sem que haja perda do citoplasma da célula secretora. Já as apócrinas eliminam secreção com porções do citoplasma.) Glândulas ceruminosas: Glândulas sudoríparas modificadas na orelha externa chamadas glândulas ceruminosas produzem uma secreção lubrificante serosa. As porções secretoras das glândulas ceruminosas se encontram na tela subcutânea, abaixo das glândulas sebáceas. Cicatrização Epidérmica: Embora a porção central de uma ferida epidérmica possa se estender até a derme, as margens da ferida em geral envolvem apenas um dano leve às células epidérmicas superficiais. Tipos comuns de feridas epidérmicas incluem abrasões, em que uma porção da pele foi removida, e queimaduras pequenas. Em resposta a uma lesão epidérmica, as células basais da epiderme ao redor da ferida perdem o contato com a membrana basal. As células então aumentam e migram pela ferida. As células parecem migrar como uma camada até que as células avançando a partir de lados opostos da ferida se encontrem. Quando as células epidérmicas se encontram, elas param de migrar por causa de uma resposta celular chamada de inibição por contato. A migração das células epidérmicas para completamente quando cada uma se encontra em contato finalmente com células epidérmicas em toda a extensão da lesão. Conforme as células epidérmicas basais migram, um hormônio chamado de fator de crescimento epidérmico estimula as células-tronco basais a se dividirem e substitui aquelas que se moveram para a ferida. As células epidérmicas basais realocadas se dividem, formando uma nova camada, tornando desse modo a nova epiderme mais espessa. Cicatrização Profunda: Durante a fase inflamatória, um coágulo sanguíneo se forma na ferida e une frouxamente os seus limites. Como seu nome implica, essa fase da cicatrização profunda envolve inflamação, uma resposta vascular e celular que ajuda a eliminar microrganismos, material estranho e tecido morto em uma preparação para o reparo. A vasodilatação e o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos associados à inflamação aumentam a chegada de células úteis. Elas incluem leucócitos fagocíticos chamados de neutrófilos; monócitos, que se desenvolvem em macrófagos que fagocitam microrganismos; e células mesenquimais, que se desenvolvem em fibroblastos. Os fibroblastos migram ao longo das redes de fibrina e começam a sintetizar tecido cicatricial (fibras colágenas e glicoproteínas) e os vasos sanguíneos danificados começam a crescer novamente. Durante essa fase, o tecido que preenche a ferida é chamado de tecido de granulação. A fase proliferativa é caracterizada pelo crescimento extenso de células epiteliais abaixo da crosta, pelo depósito de fibras colágenas pelos fibroblastos em padrão aleatório e a continuação do crescimento dos vasos sanguíneos. Finalmente, durante a fase de maturação, a crosta se solta uma vez que a epiderme tenha retornado à sua espessura normal. As fibras colágenas se tornam mais organizadas, o número de fibroblastos diminui e os vasos sanguíneos retornam ao normal. Vitamina D: https://www.scielo.br/pdf/abem/v55n8/10.pdf https://www.scielo.br/pdf/abem/v55n8/10.pdf