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Processos inflamatórios da mama - Resumo

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Processos inflamatórios da mama
9 pág.

Ginecologia Universidade Federal da ParaíbaUniversidade Federal da Paraíba

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## Resumo sobre Processos Inflamatórios da MamaOs processos inflamatórios que acometem a glândula mamária podem ser infecciosos ou não, incluindo causas autoimunes. Nem toda mastite é causada por infecção, o que torna essencial o diagnóstico diferencial, principalmente para afastar neoplasias malignas. As doenças inflamatórias e infecciosas da mama têm maior incidência em populações com assistência básica de saúde precária, e seu acometimento no período gravídico-puerperal traz repercussões socioeconômicas e culturais importantes, pois a amamentação é fundamental para o vínculo mãe-filho e para a nutrição do recém-nascido.### Anatomia e ClassificaçãoO mamilo, localizado no centro da aréola, possui de 15 a 20 ductos que se abrem em sua superfície, revestidos por epitélio colunar, enquanto a parte externa do mamilo é revestida por epitélio pavimentoso estratificado. Entre esses epitélios há uma zona de transição. Os ductos principais se ramificam formando uma rede complexa, e durante a lactação, a unidade funcional da mama é responsável pela secreção e armazenamento do leite.As mastites são classificadas quanto ao tempo de evolução (aguda ou crônica) e quanto ao período de ocorrência (gravídico-puerperal ou fora desse ciclo). Entre as mastites agudas, destacam-se a mastite lactacional (ou puerperal), a mastite e abscesso não-lactacional e a mastite neonatorum, esta última rara e acometendo recém-nascidos.### Mastite Lactacional ou PuerperalA mastite lactacional ocorre em 3 a 33% das lactantes, principalmente entre a segunda e terceira semana pós-parto, sendo mais comum em primíparas (61,5%). Fatores de risco incluem inexperiência, fadiga, estresse, higiene inadequada, fissuras mamilares, mamilos planos ou invertidos e estase láctea. O agente etiológico predominante é o *Staphylococcus aureus* (95%), com formas mistas envolvendo *E. coli*, *Pseudomonas*, *Haemophilus*, *Serratia* e *Streptococcus* sendo menos comuns.A infecção geralmente inicia-se por fissuras nos mamilos, que funcionam como porta de entrada para bactérias, principalmente o *S. aureus*, presente na pele da mulher e na orofaringe do recém-nascido. A mastite pode evoluir para abscesso, necrose e fístulas. Além das fissuras, orifícios ductais dilatados também podem facilitar a entrada bacteriana, com disseminação pelo sistema ductal. A infecção por via extra mamária é rara e geralmente associada a sepse.### Quadro Clínico e DiagnósticoClinicamente, a mastite puerperal apresenta-se com história recente de gravidez ou parto, dificuldade de esvaziamento da mama, mal-estar, febre, cefaleia, calafrios, taquicardia e inapetência. A mama apresenta sinais flogísticos, edema, retração mamilar e, em fases avançadas, abscessos, fístulas e ulcerações. A coloração do leite pode ou não se modificar.O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em anamnese e exame físico, complementado por hemograma (leucocitose) e, em casos específicos, cultura e antibiograma. A ultrassonografia é indicada para localizar abscessos profundos e orientar drenagem. O diagnóstico diferencial inclui carcinoma inflamatório e ingurgitamento mamário, sendo que o carcinoma apresenta menos dor e calor local, e a persistência dos sintomas após antibioticoterapia deve levantar suspeita.### TratamentoO tratamento da mastite lactacional é sintomático e antibiótico, com cefalosporinas (cefalexina, cefadroxila), clindamicina ou dicloxacilina como drogas de escolha, por 7 a 14 dias. Casos graves podem requerer internação e antibioticoterapia intravenosa. Medidas gerais incluem uso de sutiã adequado, higiene, estímulo à amamentação (para evitar estase láctea) e orientação sobre técnica correta de amamentação. A inibição da lactação é reservada para casos graves, com uso de cabergolina.A drenagem de abscessos é necessária quando presentes, e deve-se ter cuidado com o uso de compressas para evitar queimaduras. A prevenção baseia-se em orientações pré-natais, higiene adequada, evitar trauma e estase láctea, melhorar condições de saúde materna e diagnóstico precoce.### Mastite Aguda e Abscesso Não-LactacionalFora do período gravídico-puerperal, a mastite aguda e abscesso mamário são mais comuns em mulheres pré-menopáusicas, com quadro clínico semelhante ao lactacional e também causada principalmente por *S. aureus*. O manejo é similar, com antibioticoterapia e tratamento sintomático.### Mastite NeonatorumRara, acomete recém-nascidos na primeira ou segunda semana de vida, geralmente por *S. aureus* ou *E. coli*. Pode ocorrer devido à passagem transplacentária de hormônios maternos que estimulam o broto mamário, evoluindo para infecção. O tratamento é com antibióticos específicos e acompanhamento clínico.### Mastites Crônicas e Não LactacionaisAs mastites crônicas podem ser infecciosas (inclusive virais, como herpes) ou não infecciosas, como as autoimunes. Muitas vezes iniciam como processos inflamatórios com infecção secundária. Entre as mastites não lactacionais, destacam-se:- **Mastite periductal e ectasia ductal**: afeta mulheres multíparas entre 50-60 anos, com etiologia desconhecida e flora bacteriana mista. Caracteriza-se por dilatação e inflamação dos ductos, secreção papilar amarelada ou sanguinolenta, dor acíclica, retração mamilar e episódios recorrentes. O diagnóstico é clínico, com ultrassonografia para identificar ectasia e mamografia para excluir neoplasia. O tratamento é conservador, com anti-inflamatórios e antibióticos, podendo necessitar cirurgia em casos de abscesso ou retração mamilar.- **Abscesso subareolar recidivante e fístulas mamárias**: ocorre em mulheres entre 40-49 anos, especialmente tabagistas, com flora bacteriana mista. A nicotina causa metaplasia escamosa do epitélio ductal, formando rolhas de queratina que obstruem os ductos, levando a inflamação, infecção, abscesso e fístula. O quadro clínico é de infecção recorrente com drenagem espontânea por fístulas subareolares. O tratamento inclui antibióticos, anti-inflamatórios, irrigação e ressecção cirúrgica da fístula, além da cessação do tabagismo para evitar recidivas.### Tuberculose MamáriaRara, mas com incidência maior em países em desenvolvimento, acomete mulheres entre 20-50 anos, principalmente negras. Pode ser primária (inoculação direta) ou secundária (via linfática, hematogênica ou por contiguidade). Apresenta formas nodular, difusa e esclerosante, com granuloma caseoso característico. O diagnóstico envolve pesquisa microbiológica, teste tuberculínico, mamografia e raio X de tórax. O tratamento é medicamentoso, com esquema padrão de rifampicina, isoniazida e pirazinamida, e cirurgia em casos especiais.### Outras Condições Inflamatórias- **Mastite por micobactéria atípica**: causada por *Mycobacterium avium*, ocorre em imunossuprimidas e usuárias de prótese de silicone, com secreção serosa e sintomas sistêmicos. O tratamento depende do antibiograma, geralmente com claritromicina, azitromicina, etambutol e rifampicina.- **Mastite granulomatosa idiopática**: rara, simula carcinoma, é uma resposta granulomatosa não caseosa a dano epitelial, com microabscessos confinados ao lóbulo mamário. Diagnóstico de exclusão após afastar TB, sarcoidose e fungos. Tratamento com corticoterapia e imunossupressores.- **Micoses (Intertrigo)**: causada por *Candida albicans*, comum em diabéticas e mamas volumosas, com lesão pruriginosa e eritematosa. Tratamento com antifúngicos locais ou sistêmicos e controle glicêmico.- **Síndrome de Mondor**: tromboflebite superficial da parede toracoabdominal, com cordão fibroso doloroso e retração da pele, autolimitada, tratada com anti-inflamatórios.- **Mastopatia diabética**: acomete diabéticas insulinodependentes com mal controle glicêmico, caracterizada por tumoração palpável, inflamatória e recorrente, com fibrose estromal e infiltração linfocitária. Tratamento com controle glicêmico e tratamento de infecção secundária.- **Necrose gordurosa**: processo benigno pós-trauma, comum em mulheres obesas e acima de 50 anos, com área endurecida e retração cutânea, podendo simular câncer
em imagem. Diagnóstico por imagem e, se necessário, biópsia.- **Eczema**: processo inflamatório não infeccioso, com lesão descamativa, eritematosa e pruriginosa na aréola e mamilo, diferencial com doença de Paget. Tratamento com corticoide tópico.### Caso ClínicoPaciente de 64 anos com dor mamária após trauma, apresentando nódulo endurecido e retração cutânea, com mamografia e ultrassonografia que indicaram lesão suspeita (categoria 5). Biópsia revelou fibrose, hialinização e infiltrado inflamatório periductal crônico, confirmando diagnóstico de mastopatia diabética, destacando a importância do diagnóstico diferencial e da investigação histológica em casos de lesões mamárias inflamatórias.---## Destaques- A mastite pode ser infecciosa ou não, com causas autoimunes e necessidade de diagnóstico diferencial com câncer.- A mastite lactacional é comum em primíparas, causada principalmente por *Staphylococcus aureus*, e tratada com antibióticos e medidas de suporte.- Mastites crônicas e não lactacionais incluem mastite periductal, abscessos recidivantes, tuberculose mamária e mastite granulomatosa idiopática, cada uma com características clínicas e tratamentos específicos.- Condições inflamatórias não infecciosas, como eczema e mastopatia diabética, também afetam a mama e podem simular neoplasias.- O diagnóstico correto depende de avaliação clínica, exames de imagem e, quando necessário, biópsia para orientar o tratamento adequado.

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