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PRÉ-MODERNISMO POESIA Budismo Moderno AUGUSTO DOS ANJOS ANÁLISE

Análise do poema 'Budismo Moderno' de Augusto dos Anjos: inclui o poema, vocabulário (diatomáceas, criptógama, esbroa etc.) e comentário sobre temas (morte, desapego, fragilidade corporal), imagens simbólicas (urubu, diatomáceas, cápsula) e tom coloquial.

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Budismo Moderno Augusto dos Anjos 
 
O budismo é a doutrina fixada na crença do desapego material e 
disseminada por Buda. Já o budismo moderno enfatiza a meditação, a 
leitura e a compreensão racionalista dos textos sagrados. 
 
Tome, Dr., esta tesoura, e... corte 
Minha singularíssima pessoa. 
Que importaria a mim que a bicharia roa Desapego ao corpo 
Todo o meu coração, depois da morte?! 
 
Ah! Um urubu pousou na minha sorte! 
Também, das diatomáceas da lagoa Linguagem científica 
A criptógama cápsula se esbroa Tanto as algas e sua cápsula de 
Ao contato de bronca destra forte! proteção quanto o corpo e 
 o sentimento do eu lírico são 
 mínimos, insignificantes. 
Dissolva-se, portanto, minha vida 
Igualmente a uma célula caída 
Na aberração de um óvulo infecundo; 
 
Mas o agregado abstrato das saudades Melancolia 
Fique batendo nas perpétuas grades 
Do último verso que eu fizer no mundo! 
 
 
VOCABULÁRIO 
Diatomáceas: algas unicelulares providas de concha sílica. 
Criptógama: algas com órgãos reprodutores diminutos. 
Esbroa: (esboroar) reduzir-se a pó; desfazer-se. 
Bronca: áspera; dura. 
Destra: a mão direita. 
Agregado: reunido num todo. 
 
Tirando o véu da poesia 
 
O poeta Augusto dos Anjos tem como temática principal a morte. A 
angústia diante do tema da finitude da vida, a fragilidade do corpo. 
Mas também a coragem diante de um pedido por uma cirurgia, 
dizendo não se importar que os bichos roam seu coração, depois de 
sua morte. 
 
 
Estamos diante de um texto figurativo. Várias palavras e expressões 
representam a morte como: tesoura, bicharia, coração, urubu, célula 
caída, óvulo infecundo. 
 
 “Ah! Um urubu pousou na minha sorte!” Neste verso, temos a ideia 
de que o poeta está sendo devorado, visto que o urubu é um pássaro 
que se alimenta de restos podres e atrai má sorte. Podemos perceber 
também o tom coloquial da expressão em oposição ao restante do 
poema. 
 
As “diatomáceas da lagoa” são destruídas de repente por uma mão 
direita bruta, áspera. A “lagoa” representa o mundo e as 
“diatomáceas”, os homens. A “criptógama cápsula” simboliza os meios 
que protegem a vida. E “o contato de bronca destra forte” são os 
acontecimentos dos quais ninguém escapa.

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