Logo Passei Direto
Buscar
Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

3GE REDAÇÃO 2016 
O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro-
vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos 
que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer 
em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem 
diferente dos demais vestibulares.
arrow COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda-
deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre 
todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas 
edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem 
cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não 
tem o costume de ler jornais nem revistas.
Um plano para 
os seus estudos
Este GUIA DO ESTUDANTE REDAÇÃO oferece uma ajuda e tanto para as 
provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária 
para o Enem e os demais vestibulares.
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações 
que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. 
O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de 
nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.
O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza 
a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o 
grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso 
maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos 
para obter bons resultados.
arrow COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os 
cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac-
terísticas de mais de 260 carreiras e ainda indica as instituições que 
oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking 
de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC.
Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos 
mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você 
pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. 
Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício 
para praticar.
arrow COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE REDAÇÃO, que você já tem 
em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio: 
GE HISTÓRIA, Geografia, Português, Idiomas, Biologia, Física, 
Química e Matemática. Todos reúnem os temas que mais caem nas 
provas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma 
linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho.
Os guias ficam um ano nas bancas – 
com exceção do ATUALIDADES, que é 
semestral. Você pode comprá-los também 
nas lojas on-line das livrarias Saraiva e 
Cultura. 
CAPA: NELSON PROVAZI
1 Decida o que vai prestar
2 Revise as matérias-chave
3 Mantenha-se atualizado
FALE COM A GENTE: 
Av. das Nações Unidas, 7221, 15º andar, 
CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: 
guiadoestudante.abril@atleitor.com.br
CALENDÁRIO GE 2015
Veja quando são lançadas 
as nossas publicações
MÊS PUBLICAÇÃO
Janeiro
Fevereiro GE HISTÓRIA
Março GE ATUALIDADES 1
Abril
GE GEOGRAFIA
GE QUÍMICA
Maio
GE BIOLOGIA
GE FUVEST
Junho
GE ENEM
GE PORTUGUÊS
Julho GE REDAÇÃO 
GE IDIOMAS
Agosto GE ATUALIDADES 2
Setembro
GE MATEMÁTICA
GE FÍSICA
Outubro GE PROFISSÕES
Novembro
Dezembro
APRESENTAÇÃO
4 GE REDAÇÃO 2016
CARTA AO LEITOR
8 EM CADA 10
APROVADOS NA 
USP USARAM
O selo de qualidade acima é resultado de uma pes-
quisa realizada com 351 estudantes aprovados em 
três dos principais cursos da Universidade de São 
Paulo no vestibular 2015. São eles:
� DIREITO, DA FACULDADE DO LARGO 
SÃO FRANCISCO;
� ENGENHARIA, DA ESCOLA POLITÉCNICA; e
� MEDICINA, DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP
dot 8 em cada 10 entrevistados na 
pesquisa usaram algum conteúdo do 
GUIA DO ESTUDANTE durante sua 
preparação para o vestibular 
dot Entre os que utilizaram versões 
impressas do GUIA DO ESTUDANTE:     
88% disseram que os guias ajudaram 
na preparação. 
97% recomendaram os guias para 
outros estudantes.
TESTADO E APROVADO!
A pesquisa quantitativa por meio de entrevista 
pessoal foi realizada nos dias 11 e 12 de 
fevereiro de 2015, nos campi de matrícula dos 
cursos de Direito, Medicina e Engenharia da 
Universidade de São Paulo (USP).
� Universo total de estudantes aprovados nesses 
cursos: 1.725 alunos.
� Amostra utilizada na pesquisa: 351 entrevistados.
� Margem de erro amostral: 4,7 pontos percentuais.
SEL O D E Q UA L IDA D E 
G U I A D O E S T U D A N T E
Na hora H pode dar branco? Para 280.903 candidatos do Enem 2014 parece que sim. Eles entregaram a folha da prova de redação em branco. Treineiros ou não, pode-se especular se foi o tema da 
Publicidade Infantil que os pegou de surpresa, ou se foi demais para esses 
candidatos a soma desse desafio com a prova de Matemática, na mesma 
tarde. Nosso Guia se propõe a ajudar os leitores a não passarem por esse 
impasse e enfrentar o desafio até o fim para alcançar seu objetivo.
O GUIA DO ESTUDANTE REDAÇÃO chega a seu nono ano aprimorado 
em muitos aspectos, e com algo exclusivo que contribui para isso: a par-
ticipação direta dos nossos potenciais leitores, por meio das quase duas 
dezenas de redações que publicamos a cada edição. Podemos afirmar que 
essa participação é única entre as publicações jornalísticas de educação. 
A maioria das redações que publicamos são bons textos, de acordo com 
a avaliação das próprias universidades. 
Porém, mesmo nessas redações bem avaliadas, o leitor encontra pequenos 
erros ou escorregões – como a falta de um acento, ou um adjetivo usado 
como advérbio, por exemplo –, que às vezes sugerem apenas nervosismo 
do candidato ou candidata. Outros erros e desvios são aqueles que são 
cometidos porque convivemos com duas línguas diferentes – a que falamos 
e a que escrevemos e lemos –, infelizmente dentro da mesma cabeça. São 
os pequenos contrabandos da fala para a escrita.
Com esses pequenos erros, e seus acertos, essas redações têm papel 
fundamental no conjunto da publicação. Elas exemplificam ao leitor 
tudo o que tentamos relembrar, sugerir e contribuir, como jornalistas e 
consultores, em nossas reportagens e textos. Essas redações – as muito 
boas, as não tão boas e mesmo as zeradas – também trazem em comum 
uma mensagem afirmativa: esses candidatos tentaram e conseguiram 
enfrentar a proposta da redação e a folha em branco. Nesse sentido, são 
todos um exemplo de determinação a ser seguido. Esperamos ajudar todos 
os nossos leitores a enfrentar os desafios das provas de redação até o fim.
Paulo Montoia, Editor – paulo.montoia@abril.com.br
AGRADECIMENTOS 
Agradecemos a colaboração da Universidade de Brasília, Universidade de 
Campinas, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul e Colégio Nossa Senhora do Rosário (São Paulo). 
Encare o desafio 
até o final
6 GE REDAÇÃO 2016
SUMÁRIO
Avaliação
Veja os critérios utilizados na avaliação das redações, as formas como são corrigidas 
e seu valor na prova do Enem 2014 e alguns dos principais vestibulares do país. 
Guia prático
Um roteiro passo a passo para você se dar bem na “hora H”, superar o nervosismo 
e construir sua redação, da leitura da proposta à revisão final.
Tipos e gêneros de texto
Conheça as principais características dos diferentes tipos e gêneros textuais, com 
exemplos reais de cada um no tema A mobilidade urbana e a adoção de ciclovias.
Elementos de qualidade
Fique por dentro de virtudes essenciais que seu texto precisa ter para ser facil-
mente compreendido pelos corretores.
Argumentação
Descubra as técnicas jornalísticas para usar nas dissertações, em uma análise 
de editorial de jornal.
Temas das provas
As estratégias para sair-se bem conforme o tipo de tema. O que caiu nos anos 
recentes e uma seleção
de assuntos quentes que podem cair na prova. Com su-
gestões de filmes para atualizar-se.
Linguagem não verbal
Veja como interpretar charges, fotografias, cartazes e anúncios que já caíram 
em provas importantes.
Gramática
Relembre alguns dos pontos mais importantes para evitar deslizes comuns: os 
diferentes “porques”, colocação pronominal, plural de adjetivos compostos, uso 
correto de “melhor”, “onde” e “aonde”, entre outros.
Desafios
Teste a sua gramática, em aspectos como concordância e regência verbal, o em-
prego de crase e de vírgulas, e em coesão. 
Caderno de redação
Análises completas das propostas e de redações bem avaliadas nos principais 
vestibulares dos dois últimos anos e no Enem 2014. E veja também alguns textos 
que foram considerados abaixo da média esperada. 
Ponto final 
Snoopy em O Desafio da Folha em Branco. 
8
14
18
22
26
28
34
38
44
49
98
8 GE REDAÇÃO 2016
AVALIAÇÃO
E
V
E
LS
O
N
 D
E
 F
R
E
IT
A
S/
E
ST
A
D
Ã
O
 C
O
N
TE
Ú
D
O
9GE REDAÇÃO 2016 
Saiba informações relevantes sobre 
os critérios dos avaliadores da sua 
redação, as formas como elas são 
corrigidas e seu peso na nota geral, 
na prova do Enem e nas de quatro 
destacadas universidades
Como a sua 
redação 
é avaliada
Candidatos prestam 
a prova do Enem 
na Faculdade de 
Tecnologia de São 
Paulo (Fatec-SP)
10 GE REDAÇÃO 2016
AVALIAÇÃO
A prova de redação da Fundação Uni-
versitária para o Vestibular (Fuvest) 
sempre pode surpreender o candidato 
em sua proposta para o ingresso na 
Universidade de São Paulo (USP) e no 
curso de Medicina da Santa Casa de 
Misericórdia de São Paulo. Em 2013, 
por exemplo, após três vestibulares 
seguidos com uma pergunta na prova 
de redação, a Fuvest voltou a colocar 
um texto não verbal. Na prova de 2014, 
o estudante não encontrou uma coisa 
nem outra: um texto de jornal convocou 
à construção de um texto dissertativo 
para ser publicado em jornal, revista 
ou meio eletrônico.
A redação só é solicitada na primeira 
prova da segunda fase, junto com as 
questões de português, que está agen-
dada para 10 de janeiro de 2016. 
Critérios de avaliação
O vestibular da Fuvest até 2015 valo-
rizou três critérios na avaliação: 
1 Tipo de texto e abordagem: os 
avaliadores verificam se o texto 
configura-se como uma disserta-
ção e se atende ao tema proposto. O 
candidato deve demonstrar a habi-
lidade de compreender a proposta 
de redação e, quando esta contiver 
uma coletânea, que ele se revele ca-
paz de ler e de relacionar adequa-
damente os trechos que a integram. 
É analisada a abordagem, a efetiva 
progressão de desenvolvimento do 
Fuvest-USP 
sempre pode 
surpreender
tema e a capacidade do candidato 
de criticar e de argumentar. 
2 Estrutura: é o componente de ferra-
mentas que foi utilizado: a paragra-
fação, a coesão textual (composição 
de frases, períodos e parágrafos), a 
coerência das ideias. O grau de coe-
rência reflete a capacidade do candi-
dato para relacionar os argumentos e 
organizá-los de forma a deles extrair 
conclusões apropriadas e, também, 
sua habilidade para planejar e cons-
truir um texto significativo. 
3 Expressividade: é a clareza ao ex-
primir as ideias. São examinados as-
pectos gramaticais como ortografia 
(a grafia e a escolha do vocabulário), 
morfologia, sintaxe e pontuação. 
Espera-se que o candidato revele 
competência para expor com pre-
cisão os argumentos selecionados 
para defender seu ponto de vista. 
No primeiro semestre 2015, porém, a 
direção da USP estudava possíveis mu-
danças. Essas seriam ou não adotadas 
em meados do ano e poderiam alterar 
diferentes pontos do vestibular ou das 
formas de ingresso na instituição, o que 
pode incluir a prova de redação e seus 
critérios de avaliação.
Como é feita a avaliação
A Fuvest não exige que seus avaliado-
res sejam professores da USP, mas eles 
não podem lecionar no terceiro ano do 
Ensino Médio. Os corretores cumprem 
um dia inteiro de treinamento prévio. 
Cerca de 70 avaliadores de redação, em 
média, trabalham em cada vestibular. 
Todas as redações são digitalizadas, 
e cópias não identificadas de cada uma 
são encaminhadas a dois corretores. 
Cada avaliador lê, em média, cem reda-
ções por dia. Eles não podem conversar 
entre si sobre as provas. São atribuídas 
notas de 0 a 4 às três características, que 
depois são convertidas para a base 100, 
proporcionalmente ao valor máximo 
dessa prova (50 pontos). Quando há 
discrepância de notas, a redação recebe 
nota final de auditores ou da diretoria 
da fundação. 
Quanto vale
A redação vale 50 pontos, e as ques-
tões de português também 50. Assim, 
uma redação nota 9 vale 37,5 pontos. As 
duas provas seguintes também valem 
100 pontos cada uma: no segundo dia, 
questões das disciplinas do Ensino Mé-
dio; e no terceiro dia, duas disciplinas 
que variam conforme o curso escolhido. 
Assim, até o vestibular de 2015, a reda-
ção valeu 1/6 da nota da segunda fase 
(50 pontos em 300). 
Zera a nota
Fugir ao tema proposto ou ao tipo de 
texto (dissertação) anula e zera a nota, 
mas não elimina o candidato, pois vale 
a nota da prova, que reúne também as 
questões de português. Zerar a nota na 
prova inteira desclassifica o candidato.
11GE REDAÇÃO 2016 
A prova de redação do Enem é, em 
todos os anos, reportada pela imprensa 
e TV, discutida nos cursinhos e acom-
panhada de perto pelas escolas. Sua 
relevância é notória, pela importância 
e abrangência do exame e por ser a 
única das provas do Enem que vale 
1.000 pontos, o que pode fazer a di-
ferença para conseguir uma vaga nas 
universidades federais pelo Sistema 
de Seleção Unificada (Sisu). 
A prova de redação dos vestibulares é 
a única em que o candidato expressa seu 
potencial, o quanto ele evoluiu durante 
o Ensino Básico em sua capacidade 
de leitura, compreensão, análise e ex-
pressão. No caso do Enem, destaca-se 
também a avaliação, pela redação, de 
sua compreensão de questões e pro-
blemas sociais e de sua capacidade de 
elaborar soluções, entendida como sua 
formação em cidadania. 
Segundo a instituição federal que 
realiza o Enem, o Instituto Nacional 
de Estudos e Pesquisas Educacionais 
Anísio Teixeira, 8,7 milhões de candi-
datos se inscreveram para o Enem 2014, 
dos quais 6,1 milhões prestaram a prova 
de redação. É importante lembrar que 
muitos não disputam vaga em curso 
superior, pois há os candidatos com 
mais de 18 anos da Educação de Jovens e 
Adultos (EJA), tentando obter o diploma 
do Ensino Médio, e os treineiros, que 
prestam o exame para praticar. A prova 
de redação do Enem 2015 acontecerá no 
segundo dia, o domingo 25 de outubro. 
Critérios de avaliação 
No Enem são avaliadas, com nota, 
cinco competências na prova de reda-
ção. São elas:
1 Se o candidato demonstra domínio 
da norma-padrão da língua escrita.
2 Se compreende a proposta de re-
dação e aplica conceitos das várias 
áreas de conhecimento para desen-
volver o tema, dentro dos limites 
estruturais do texto dissertativo- 
argumentativo. 
3 Se consegue selecionar, relacionar, 
organizar e interpretar informações, 
fatos, opiniões e argumentos em de-
fesa de um ponto de vista. 
4 Se demonstra conhecimento dos 
mecanismos linguísticos necessários 
para a construção da argumentação.
5 Se consegue elaborar proposta de 
solução para o problema abordado, 
respeitando os valores humanos e 
considerando a diversidade socio-
cultural. 
Na redação do Enem, a dissertação 
argumentativa deve terminar com uma 
proposta para solucionar a questão 
colocada. Na avaliação, pesa mais para 
a composição da nota a capacidade 
de argumentar e defender um pon-
to de vista do que o chamado estilo, 
ou seja, o conjunto de elementos
de 
qualidade (veja na página 22) e a orto-
grafia. Os textos e imagens motivado-
ras geralmente oferecem argumentos 
suficientes para desenvolver o tema. 
Uma redação bem avaliada no Enem 
exige boa conexão ao tema, aderência 
a ele e uma seleção boa e articulada 
de argumentos. O autor pode agregar 
argumentos próprios aos apresentados 
nos textos motivadores, desde que bem 
articulados à sua tese. 
Como são dadas as notas
A redação do Enem é corrigida por 
dois professores, que avaliam as cinco 
competências. Cada competência vale 
200 pontos e é subdividida em dife-
rentes aspectos que valem 40 pontos. 
Desde a prova de 2013, a discrepância 
aceitável entre a nota final dos dois 
corretores é de 100 pontos. A diferen-
ça aceitável entre a nota de cada uma 
das cinco competências foi mantida 
Redação é 
valorizada 
no Enem
em 80 pontos. Assim, quando a dife-
rença das duas notas gerais for igual 
ou maior que 101 pontos, ou quando 
a diferença na nota de uma das cinco 
competências for de 81 pontos ou mais, 
a prova passará por um terceiro corretor 
e, se necessário, por uma banca de 3 
examinadores. Quando as diferenças 
não são discrepantes, a nota final em 
cada competência e a nota geral serão 
a média das notas recebidas dos dois 
corretores iniciais. Nos casos em que 
há a terceira correção, a nota final é a 
média das duas notas mais próximas, 
entre as três. Se a prova é enviada para 
a banca examinadora, todas as notas 
anteriores são descartadas. 
Como é feita a avaliação
As provas de 2013, por exemplo, fo-
ram avaliadas por mais de 5 mil corre-
tores. A avaliação envolveu mais de 200 
supervisores, mais de 400 auxiliares 
e subcoordenadores pedagógicos. De 
acordo com o Inep, os avaliadores são 
indicados pela reitoria das universida-
des públicas do país e são, forçosamen-
te, já formados em graduação. Quando 
os avaliadores não são indicados dessa 
forma, é exigida cópia do diploma, e a 
graduação é confirmada pelo instituto. 
Os avaliadores trabalham remotamente, 
ou seja, espalhados pelo país. Segun-
do o Inep, eles recebem treinamentos 
presenciais ou remotos em um período 
prévio de 100 dias. A correção dura cer-
ca de um mês, e cada corretor recebe, 
diariamente, um pacote eletrônico con-
tendo 50 redações, organizadas por um 
sistema que mistura textos de alunos 
das escolas públicas e das privadas, e 
de diferentes estados do país. Só após 
entregar um lote corrigido de redações, 
o corretor recebe outro. 
Zera a nota
Fugir ao tema ou ao tipo textual pro-
posto (a dissertação argumentativa), 
escrever menos de oito linhas originais 
(são excluídas as linhas copiadas da co-
letânea). Também zeram a nota inserir 
trechos propositadamente desconecta-
dos do resto da argumentação, desenhos 
e palavras ofensivas, impropérios, pro-
testos e afirmações que desrespeitem os 
direitos humanos, como as de racismo, 
xenofobia e homofobia.
12 GE REDAÇÃO 2016
AVALIAÇÃO
A prova de redação da Universidade 
de Campinas (Unicamp), tradicional-
mente realizada na primeira fase de 
classificação, a partir do vestibular de 
2015 passou a ser feita no primeiro dia 
da segunda fase. Em 2016, ela ocorrerá 
em 17 de janeiro, juntamente com a 
prova de língua portuguesa e literatura. 
Ela continuará a solicitar dois textos de 
tipos distintos.
Critérios de avaliação 
Segundo a Comissão Permanente 
para os Vestibulares (Comvest) da 
Unicamp, são dadas notas para quatro 
aspectos de cada texto. 
1 O tipo de texto e a interlocução: 
o texto elaborado em cada uma das 
tarefas deve ser representativo do 
tipo de texto solicitado e considerar 
os interlocutores nele implicados.
2 O propósito: o candidato deve 
cumprir o propósito da tarefa que 
é solicitada, observando o tema, a 
motivação e as instruções de elabo-
ração do texto.
3 A leitura: espera-se que o candidato 
estabeleça pontos de contato com 
os textos fornecidos em cada tarefa. 
Ele deve mostrar a relevância desses 
pontos para o seu projeto de escrita, 
e não simplesmente reproduzir os 
textos ou partes deles em forma de 
colagem direta.
Unicamp muda 
redação para a 
segunda fase
4 A articulação da escrita: os textos 
devem propiciar uma leitura fluida 
e envolvente, ter uma articulação 
sintática e semântica ancorada no 
emprego adequado de elementos 
coesivos e de outros recursos neces-
sários à organização dos enunciados. 
O candidato também deve demons-
trar habilidade na seleção de itens 
lexicais apropriados ao estilo dos 
tipos solicitados (carta, crônica, dis-
curso, comentário etc.) e no emprego 
de regras gramaticais e ortográficas 
que atendem a modalidade culta 
(padrão) da língua portuguesa.
Quem avalia e como 
Na Unicamp, a banca tem sido for-
mada por 130 corretores, em média, 
todos professores ou alunos da pós- 
graduação, não necessariamente dessa 
universidade. 
Os avaliadores trabalham dentro 
de um mesmo local e são treinados 
depois da realização do vestibular, já 
com textos reais produzidos na prova. 
Cada texto do candidato é corrigido por 
dois professores. 
Como é dada a nota
Os dois textos valem 24 pontos cada 
um, totalizando 48 pontos, e a discre-
pância máxima de nota para cada texto 
é de 2 pontos. A partir de 3 pontos em 
um texto, ele é repassado a um terceiro 
corretor, que define a nota final.
Quanto vale
A primeira fase do vestibular, agora 
com 90 questões, vale 30% da nota fi-
nal para ingressar. Na segunda fase, a 
redação subiu de valor, de 10% para 
20%. As demais questões do primeiro 
dia, e das duas provas seguintes, valem 
os 50% restantes. 
A Unicamp aplica uma fórmula de 
desvio-padrão, que situa o desempenho 
do candidato, por meio de sua nota, ao 
desempenho do conjunto dos candida-
tos na prova.
Zera a nota
Fugir aos gêneros de texto solicitados 
ou ao tema proposto. Zerar a nota em 
um dos textos não elimina o candidato, 
pois vale a soma dos dois textos, mas 
zerar nos dois textos elimina.
A Universidade de Brasília (UnB) 
utiliza o Sisu para ingresso, no primeiro 
semestre do ano, por meio da prova 
do Enem. Porém, mantém vestibular 
próprio para ingresso no meio do ano. 
O cálculo da nota valoriza o conjunto 
da redação do candidato, mas erros de 
norma-padrão da língua tiram pon-
tos de nota. É eliminado do vestibular 
o candidato que obtém nota inferior 
a 4 (até 3,99) na prova de redação. A 
nota de redação também é usada como 
um dos critérios de desempate entre 
candidatos. A redação é solicitada no 
primeiro dos dois dias do exame, e em 
2015 ocorreu em 6 de junho.
 
Critérios de avaliação
A prova avalia os domínios de ha-
bilidade de expressão em prosa (tex-
to descritivo, narrativo, expositivo- 
argumentativo ou de instruções). Na 
prova de 2015 podiam ser solicitados 
os gêneros resumo, carta, propaganda, 
texto informativo ou argumentativo. 
O critério mais abrangente é o de de-
senvolvimento do tema (domínio do 
conteúdo) pelo candidato, juntamente 
com sua expressividade. A banca tam-
bém avalia o domínio da escrita-padrão, 
em aspectos como ortografia, sintaxe 
e propriedade na escolha das palavras.
 
Quem avalia e como
As provas de redação em língua por-
tuguesa de todos os candidatos não 
eliminados são avaliadas por uma banca 
UnB tem prova 
própria no 2o 
semestre 
13GE REDAÇÃO 2016 
Na Universidade Estadual Paulista 
(Unesp), o candidato faz a prova de 
redação no segundo dia da segunda 
fase, que em 2015 será em 14 de dezem-
bro. A partir do vestibular do meio do 
ano aplicado em 2013, a universidade 
adotou um sistema de avaliação online 
das provas.
Critérios de avaliação
Os corretores da Vunesp avaliam 
conforme três critérios: 
1 Abordagem da proposta e do tema da 
prova: o ponto de vista colocado e a 
reflexão feita pelo candidato. 
2
O desenvolvimento da dissertação: 
a introdução, o desenvolvimento 
(argumentação) e a conclusão.
3 O domínio da escrita na norma-pa-
drão, desde a ortografia e a gramática 
até os elementos de coesão (veja na 
pág. 22). 
Quem avalia e como
A banca da prova anual tem sido for-
mada por 74 corretores, todos gradua-
dos em letras, pelo menos. 
As provas são digitalizadas e corrigi-
das on-line, em um sistema computa-
dorizado em rede. Todos os corretores 
trabalham em um mesmo espaço. Um 
treinamento prévio é feito durante dois 
dias e inclui um conjunto de redações 
pré-selecionado.
Como é dada a nota
Cada redação é avaliada por, no míni-
mo, dois corretores. Eles dão nota de 0 a 
3 no primeiro critério; 0 a 4 no segundo; 
e 1 a 4 no terceiro. Um não sabe qual a 
nota dada pelo outro, e é aceita apenas 
uma diferença de 1 ponto entre as no-
tas. Quando há diferença a partir de 2 
pontos, a redação é avaliada por outros 
examinadores da banca, que dão novas 
notas sem conhecer as notas anteriores. 
Caso a diferença de notas se mante-
nha, a prova é avaliada uma quarta vez. 
A nota final é a média das duas notas 
mais próximas, sejam quantas notas 
forem dadas. Ela é convertida para 
uma escala de zero a 28 pontos. Por 
exemplo: uma nota 9 dos corretores 
vale 22,9 pontos.
Quanto vale
A redação vale 28 pontos em 100. 
Os 72 pontos restantes são das ques-
tões discursivas nos dois dias de prova. 
A nota final dessa fase será a soma das 
duas notas. A nota final para ingresso 
será a média aritmética das notas da 
segunda e da primeira fase, que também 
vale 100 pontos.
Zera a nota
Fugir ao tipo textual ou ao tema, es-
crever menos de sete linhas, apresentar 
letra ilegível, identificar a autoria por 
escrito ou por algum sinal. Quem zera 
a nota de redação é desclassificado, o 
que vale também para as demais provas. 
Unesp adota
avaliação online
das provas
de professores especialistas. As pro-
vas são digitalizadas e passam por um 
processo de “desidentificação” para 
que a banca não seja capaz de identifi-
car o autor do texto. Após a análise da 
redação, é feito o preenchimento de 
planilhas, com as informações relativas 
à avaliação, que gerarão a nota. 
Como são dadas as notas
O domínio do conteúdo, que é o con-
junto expressivo da redação em tema 
e desenvolvimento, recebe nota de até 
10,00 pontos. Já o domínio de escrita 
é medido também com um indicador: 
a quantidade de erros cometida (por 
exemplo, 9 erros) é dividida pelo nú-
mero de linhas redigidas (como 20, por 
exemplo), o que resulta 0,45. Da nota 
recebida no domínio de conteúdo é 
então subtraído esse valor multiplicado 
por 2 (0,90). Se o candidato obteve nota 
8,0, por exemplo, terá nota final 7,1.
 
Quanto vale
A prova de redação em língua por-
tuguesa vale 10,00 pontos, conforme 
estabelece o edital do Vestibular 2015 
da UnB e, de modo geral, corresponde 
a cerca de 10% do Argumento Final 
(desempenho final) do candidato.
 
Zera a nota
Fugir ao tema ou ao gênero textual 
proposto e identificar-se de forma inde-
vida na folha do texto resulta em nota 
zero na prova de redação.
14 GE REDAÇÃO 2016
GUIA PRÁTICO
Um roteiro 
para não 
ficar nervoso
1.
Leia a proposta
com atenção
Este é um aspecto absolutamente 
essencial e talvez o mais importante 
da prova: ler atentamente o que é so-
licitado que você faça, de preferência 
mais de uma vez. Leia a proposta de 
redação, as orientações sobre o número 
de linhas exigido, o gênero ou gêneros 
de textos solicitados, as instruções, tex-
tos de apoio e referências bibliográfi-
cas e observe as imagens com atenção. 
É muito importante atentar para as 
orientações quanto ao uso de textos e 
imagens oferecidos na coletânea. 
Muitos candidatos perdem pontos 
por não ter lido a proposta adequada-
mente. Não são raros os casos de alunos 
que fogem do tema – como quando 
a prova pede para escolher uma das 
abordagens apresentadas na coletânea, 
e o candidato refuta todas; ou quando 
o texto pede uma proposta de solução 
para um problema, e a redação é toda 
realizada de forma a mostrar como a 
questão é insolúvel. 
Também é ruim o candidato repetir 
informações já dadas nos textos-base 
ou apresentá-las de forma desencon-
trada – o que pode ser visto, pela banca 
corretora, como incapacidade de inter-
pretação textual ou mesmo descaso. Por 
fim, existem estudantes que deixam 
de contemplar o básico, como fazer 
uma dissertação quando é solicitada 
uma narrativa ou crônica, esquecem- 
se de colocar o título ou de trabalhar 
o número de linhas exigido. Portanto, 
ler a proposta com muita atenção é o 
primeiro passo para uma redação bem- 
feita e com boa nota.
Um passo a passo do que fazer na hora H 
da prova, do momento em que você lê a 
proposta de redação até entregar seu texto. 
Com depoimentos de quem se saiu bem 
com diferentes estratégias
15GE REDAÇÃO 2016 
2.
Construa 
sua tese
Nas dissertações, a construção da tese 
é peça-chave para elaborar o texto. Para 
isso, você deve escolher qual aspecto 
quer abordar, formular sua tese e os 
argumentos que usará. Essa escolha 
é o que chamamos de recorte textual, 
e é esse recorte que diferenciará sua 
redação das dos demais candidatos. Po-
demos dizer que toda a sua dissertação 
será uma defesa dessa tese – os argu-
mentos tentarão prová-la, e a conclusão 
vai reafirmá-la. Algumas universidades 
adotam um tema que perpassa toda a 
prova de língua portuguesa, com textos 
e imagens que podem ser valiosos na 
sua argumentação. 
arrow COMO ENCONTRAR SUA TESE Pense no 
que mais lhe chama a atenção no 
tema proposto e sobre o que, de fato, 
você terá maior capacidade de ar-
gumentar. Por exemplo, o tema “a 
descatracalização da vida” (Fuvest 
2005). O que poderíamos pensar so-
bre ele? Que as catracas representam 
uma barreira de acesso aos espaços 
públicos? Que as pessoas impõem 
limitações aos outros e a si mesmas? 
Que essas barreiras se tornam tão 
comuns no cotidiano que as limita-
ções são aceitas sem contestação? 
Fiquemos com essa ideia. Nossa tese 
poderia ser: “Muitas das barreiras 
existentes na sociedade são constru-
ídas pelos próprios indivíduos, que 
se acostumam com as limitações e 
não se esforçam para livrar-se delas”. 
Pronto, esse já é um fio condutor 
para a redação.
3.
Organize 
suas ideias
Depois de ler e compreender a pro-
posta, você deve preparar a organização 
do texto, o que significa ordenar suas 
ideias. Você pode fazer isso por diferen-
tes meios: esquematizar as ideias, ano-
tar palavras-chave, escrever as princi-
pais frases ou tentar fazer um rascunho 
completo. Organizar as ideias implica 
mudar algo que não esteja bem claro, 
acrescentar informações que reforcem 
os argumentos e retirar aquilo que pre-
judicaria a compreensão do leitor. Por 
mais que as ideias iniciais sejam boas, 
é sempre possível formatá-las melhor.
Não existe uma forma única e con-
sagrada de preparar uma redação. 
O que se recomenda a cada um é testar 
diversas formas e escolher aquela que 
melhor dá resultado. 
arrow RASCUNHO Para pessoas que gostam 
de visualizar um esboço do texto, 
o rascunho tradicional pode ser a 
saída. Porém, ele é pouco indicado 
para aqueles que escrevem devagar 
ou têm problemas ao transportar o 
texto – é preciso lembrar que alguns 
vestibulares não oferecem um espaço 
para rascunho. 
arrow ESQUEMATIZAÇÃO Ela é útil para traba-
lhar consequências ou fatos expostos 
de forma cronológica – as palavras- 
chave são uma saída rápida para 
quem consegue, com elas, construir 
argumentos e referências. Enfim, 
cada um deve utilizar aquilo que 
melhor lhe convém, e só a prática 
poderá orientá-lo.
4.
Selecione os 
argumentos
Com a tese definida, você deve pensar 
na sua argumentação. Defina os argu-
mentos
que utilizará e elimine ideias 
secundárias. Isso é muito importante, 
pois são os argumentos que irão per-
suadir o leitor. 
Normalmente, temos várias ideias 
quando deparamos com um tema, e 
nosso ímpeto é apresentar todas. Po-
rém, geralmente essa não é a melhor 
estratégia para uma redação, pois esta 
oferece um espaço limitado. Dessa for-
ma, um número reduzido de argumen-
tos bem embasados é uma estratégia 
mais adequada que despejar um monte 
deles apenas superficialmente. 
arrow FAÇA ESCOLHAS Selecione dois ou três 
argumentos e trabalhe cada um indi-
vidualmente em parágrafos. Assim, 
você pode desenvolvê-lo, contextu-
alizá-lo com o tema e utilizá-lo para 
defender sua tese. 
Ao escolher os argumentos, sele-
cione os que melhor atendem à tese 
e sejam mais persuasivos. Lembre-se 
de que, além de estarem relacionados 
com a tese, os argumentos têm de ser 
coerentes entre si e levar o leitor a um 
raciocínio lógico e coeso. 
Outro aspecto a ser observado é o 
peso da argumentação em cada pa-
rágrafo. Para não perder a unidade 
textual, tente manter um padrão na 
extensão do texto e, também, no valor 
de cada argumento que apresenta. Ou 
seja, evite concentrar a discussão em 
um parágrafo e deixar outro como 
mero coadjuvante.
16 GE REDAÇÃO 2016
GUIA PRÁTICO
5.
Estruture 
seu texto
Você já viu o esquema tático de um 
time de futebol? Embora o objetivo 
principal seja marcar gols, não é pos-
sível montar um time só de atacantes, 
pois a armação das jogadas, a defesa, 
e mesmo o ataque dependem de uma 
distribuição coesa dos jogadores. Isso 
também ocorre com a dissertação. 
Ela é composta de tese, argumentos, 
exemplos ou conclusões, porém é ne-
cessário que os elementos formem 
um conjunto. 
Boas ideias apenas não garantem o 
êxito de uma redação, é preciso sa-
ber estruturá-las de modo coerente, 
para persuadir o leitor. Dessa forma, 
um texto bem-estruturado valoriza os 
argumentos e facilita a leitura e a assi-
milação das ideias. 
arrow ESTRUTURA BÁSICA Uma dissertação é 
formada por introdução, desenvolvi-
mento e conclusão. Cada uma dessas 
partes tem uma função no conjunto 
e traz elementos e comprimentos 
(extensões) diferentes. Aprender a 
desenvolver assim a sua redação é o 
que ajuda a dar coesão e progressão 
textual a ela – e “enche os olhos” 
dos corretores: a estruturação do 
texto pode ser seu grande diferencial. 
Vamos apreciar cada parte separa-
damente.
6.
Revise sua 
redação
Se você finalizou sua redação como 
um rascunho, vale a pena revisar o que 
fez antes de passar a limpo. 
arrow REVEJA A LINGUAGEM Caso tenha dú-
vida de uma grafia, tente substituir 
a palavra. Verifique os acentos das 
palavras e as vírgulas. 
arrow ELIMINE REPETIÇÕES Quando encon-
trar uma repetição, veja se a palavra 
precisa ser mantida ou se pode ser 
substituída. 
arrow ATENTE PARA EXCESSO DE “QUES” Ele pode 
sinalizar períodos muito longos e 
malconstruídos. Veja se não é o caso 
de eliminar um “que” e abrir uma 
nova oração. Com o verbo ter, utilize 
“ter de” em lugar de “ter que” para 
evitar sua repetição.
arrow ANALISE SEUS ARGUMENTOS Veja se há 
coerência entre as ideias e coesão 
entre os elementos textuais. Observe 
se acertou na escolha de conjunções 
e preposições. 
Procure manter um olhar crítico so-
bre o que escreveu e corrigir eventuais 
problemas. Você trabalhou duro para 
compor seu texto e não é hora de fazer 
corpo mole.
arrow A INTRODUÇÃO Ela apresenta o tema e 
traz o recorte que será feito dele. In-
troduzir não significa simplesmente 
iniciar o texto, mas inserir as ideias, 
torná-las parte da composição. 
É recomendável que ela exponha a 
tese do redator, o que tornará a leitu-
ra direcionada e facilitará a compre-
ensão dos argumentos. Lembre-se: a 
dissertação é um texto argumentati-
vo, que pretende convencer o leitor. 
Assim sendo, deve ser direta e não 
fazer rodeios – por isso, é importante 
que, logo no começo, o leitor já en-
tenda a linha de raciocínio do texto.
arrow O DESENVOLVIMENTO É o que sustentará 
o texto. A tese foi apresentada e nela 
foram expostas as ideias. Agora, é 
hora de ratificá-la, defendendo es-
sas ideias de forma consistente e, se 
possível, provando-as. Embora essa 
parte do texto seja muito importante, 
ela não precisa ser complicada. Deve 
ser clara o suficiente para que o leitor 
a compreenda. Uma boa estratégia 
é reservar um parágrafo para cada 
argumento, analisando cada aspecto.
arrow A CONCLUSÃO Você deve retomar as 
ideias que expôs na introdução e 
conjugar com os argumentos que 
as justificam, para confirmar a tese 
e encerrar o debate. O leitor deve ter 
a sensação de que tudo foi exposto, 
ainda que o tema convide a outras 
reflexões. Por isso, não convém que 
a conclusão traga novos argumentos 
ou deixe a tese em aberto.
17GE REDAÇÃO 2016 
O que fazer antes 
e durante a prova
Sugestões, "truques" e depoimentos de quem se saiu bem
L er e escrever redações regular-mente são as duas principais ferramentas para o estudante 
que quer se preparar em longo prazo 
para enfrentar as provas. Mas elas não 
são as únicas. 
Manter-se bem-informado, lendo jor-
nais e revistas, amplia seu vocabulário, 
seu repertório de temas e argumentos 
e traz familiaridade com modos cor-
retos de organizar as ideias. A prática 
diminui a possibilidade de você ser 
surpreendido pelo tema da prova. Você 
pode também escolher os filmes que 
vai assistir por temas e assuntos que 
valham a pena ou que não conheça, e 
não apenas para se divertir, e discutir 
os filmes com outras pessoas, para ter 
outros pontos de vista.
Aprimorar sua escrita é essencial. 
Pratique redação, sozinho ou com um 
amigo, participe de simulados fora da 
sua escola ou curso e peça uma avalia-
ção de suas redações aos professores. 
Você pode usar as propostas reais do 
Caderno de Redações deste guia e das 
seções Temas da Prova e Linguagem 
não verbal. Escreva a mão, para apri-
morar sua caligrafia.
Autoconfiança
Chegar ao dia da prova com um 
preparo de longo prazo é importante 
para ter tranquilidade e autoconfiança. 
A gaúcha Larissa Freisleben, 18 anos, 
da cidade de Farroupilha, diz que abriu 
mão de várias coisas para poder estudar 
para as provas. 
“Ao longo do ano, busquei escrever 
ao menos uma redação por semana 
(frequentemente duas). Eu procurava 
Gabriela Almeida Costa ingressou em Geografia 
na UFBA. Sua redação está na pág. 52
Larissa Freisleben ingressou em Medicina na 
UFRGS. Você pode conferir sua redação na pág. 54
compreender os critérios de avaliação 
de cada prova e escrever tendo em men-
te esses requisitos. Gosto muito de ler, e 
esse hábito ajuda a escrever bem. Minha 
preparação para a prova de redação foi 
basicamente esta: ler, treinar e entender 
o que é solicitado ao candidato em cada 
prova.” No enfrentamento das provas, 
ela tentava se lembrar de informações 
relacionadas ao tema (dados, citações 
etc.), para definir os argumentos. “Com 
base nisso, eu fazia uma espécie de guia 
para o texto, definindo o que ia dizer em 
cada parágrafo.”. Na prova do Enem, La-
rissa intercalou a redação de parágrafos 
com a solução das questões objetivas. 
Ao final, reviu o texto e passou a limpo. 
Ela recebeu nota 1.000.
Gabriela Almeida Costa, 19 anos, de 
Salvador (BA), também alcançou nota 
1.000 na redação do Enem 2014. 
“Meu Ensino Médio foi técnico, mas 
no último ano eu comecei a praticar 
redação. Fazia várias redações de provas 
que o GUIA DO ESTUDANTE REDA-
ÇÃO trazia, e enviava para as profes-
soras de língua portuguesa e redação.” 
Para fazer as provas de redação, Ga-
briela diz que se inteira do tema e da 
coletânea, mas parte para resolver as 
questões objetivas e deixa a redação 
para o fim. 
“Prefiro ir pensando ao longo da pro-
va, enquanto
estruturo uma ideia em 
tópicos, mentalmente. Quando tenho 
ideia do que vou escrever – proposta, 
argumentos e conclusão – aí eu vou 
para o papel. E sempre leio duas vezes 
o rascunho antes de passar para a fo-
lha definitiva, uma estratégia que uma 
professora me ensinou.”
“Leitura, muita leitura. É fundamental 
para escrever bem e para ter argumentos. 
Eu recomendaria ler não apenas os livros 
para as provas de literatura, mas qualquer 
material de leitura por lazer. Além disso, 
treinar para buscar corrigir erros.” 
Dica de Larissa Freisleben
A
R
Q
U
IV
O
 P
E
SS
O
A
L
A
R
Q
U
IV
O
 P
E
SS
O
A
L
18 GE REDAÇÃO 2016
GÊNEROS TEXTUAIS
Reveja as 
características 
de cada texto
Com exemplos reais publicados que abordaram 
o tema mobilidade urbana e a instalação de 
ciclovias nas cidades em 2014 e em 2015
Ciclofaixa instalada na Praça Júlio Prestes, em São Paulo: mudança em mobilidade que gera polêmica 
O gênero dissertativo e argu-mentativo ainda é dominante nos vestibulares do país. Mas 
parte das universidades solicita do ves-
tibulando também diferentes gêneros 
de texto, como a narração, a carta, o 
discurso, o comentário, o manifesto, o 
editorial. Está nesse grupo a Universi-
dade Estadual de Campinas (Unicamp) 
(veja na pág. 70). Esse modo de prova 
permite ao candidato garantir parte 
da nota em tipos de texto em que se 
sai melhor. Na Unicamp, a nota final é 
a soma das notas de dois textos solici-
tados. O vestibulando só não pode se 
enganar quanto ao gênero solicitado, 
pois isso zera a nota de um dos textos 
ou de ambos.
 Antes de adotar o Enem-Sisu como 
forma de ingresso, em seu vestibular de 
2010 a Universidade Federal da Bahia 
solicitou um texto argumentativo, mas 
no gênero de prosa que o candidato 
preferisse. Além disso, os diferentes 
gêneros textuais invadiram as coletâ-
neas para as redações, como foi o caso 
da Fuvest-USP 2015 (veja na pág. 78). 
A Universidade do Estado de Minas 
Gerais (UEMG), em um de seus vesti-
bulares de 2015, pede um depoimen-
to, gênero pessoal, mas que ao mesmo 
tempo pede objetividade. 
Em todos os casos, é importante que 
você saiba situar socialmente o seu tex-
to: onde estou, para quem escrevo, como 
me dirijo a esse interlocutor ou interlo-
cutores, qual a formalidade necessária?
LU
C
A
S 
LI
M
A
19GE REDAÇÃO 2016 
TIPOS São definidos pela linguagem 
que empregam e são basicamente três. 
A dissertação é a mais solicitada nos 
vestibulares. Ela e a narração são os 
mais importantes, pois se desdobram – 
como você vê a seguir – em uma grande 
quantidade de gêneros textuais. 
Já a descrição acaba sendo apenas 
uma linguagem empregada eventual-
mente no interior de um texto e quase 
nunca como um texto integral, como 
receitas culinárias e bulas de remédio.
GÊNEROS São muitos. Na escola, du-
rante o curso de literatura, estudam-se 
majoritariamente os gêneros cantiga, 
romance, crônica, conto, poesia. Além 
desses, há gêneros solicitados nos ves-
tibulares, como carta, discurso, artigo 
jornalístico, editorial de jornal, verbete 
enciclopédico, entre outros. 
Reveja a seguir as características 
de gêneros e tipos de texto, sempre 
exemplificados com um trecho sobre 
o mesmo tema.
Tipos textuais
Narração
O texto narrativo é aquele que conta uma história, fatos 
que envolvem personagens em um contexto. O autor pode 
seguir alguns passos básicos: descrever determinada situação 
ou ambiente, apresentar um ou mais personagens, introduzir 
um fato ou acontecimento que os envolva ou afete nesse 
ambiente ou situação e pôr um desfecho para a história. 
O narrador pode escolher se participa ou não da ação, escre-
vendo em primeira pessoa do singular ou do plural, como faz 
a cineasta Tata Amaral no exemplo abaixo. Não é necessário 
seguir uma ordem cronológica, mas é importante que a 
narrativa apresente coerência e uma linguagem envolvente. 
A narrativa é um gênero por excelência literário. Confira 
um excerto de narrativa, sobre manifestação em defesa das 
ciclovias, realizada em São Paulo em março de 2015.
VAI TER CICLOVIA!
por Tata Amaral
O povo começou a se reunir na Praça do Ciclista, quase esquina 
com a Rua da Consolação, que, agora, com as obras da ciclovia, abre 
os canteiros e retoma a comunicação com a Avenida Dr. Arnaldo e 
Avenida Angélica, interrompida há várias décadas com a construção 
de um canteiro.
Às 20:30h, partiu a bicicletada que percorreu toda a Avenida Paulista, 
desde a rua da Consolação em direção ao Paraíso, me perdoem o 
trocadilho clássico. Estava enorme, bonita, alto-astral a bicicletada. 
Milhares de pessoas participaram dela. Num dado momento, uma 
parte estava indo e a outra estava vindo. Num dado momento, todos 
se sentaram e assim pudemos perceber a extensão da bicicletada: a 
mais simbólica avenida da maior cidade da América do Sul, locomotiva 
do Brasil, carro-chefe e estação primeira do modelo viário baseado 
nos automóveis, tomada de bicicletas piscantes, conduzidas por 
pessoas com rostos sorridentes.
 Do blog blogs.estadao.com.br/tata-amaral/ 31/3/2015.
Dissertação
É o tipo de texto mais solicitado nas provas. Trata-se de 
expor uma ideia, um problema ou um questionamento, 
desenvolver um raciocínio com base em argumentos e apre-
sentar uma consideração final. É importante que o candidato 
saiba problematizar o tema, colocar argumentos favoráveis 
e contrários para fundamentar cada afirmação. 
Na dissertação, quem escreve quer persuadir o leitor acerca 
da opinião que defende e que deve ser explicitada em uma 
conclusão final. Essa conclusão não precisa fechar a ques-
tão, como quem encontra uma solução para os problemas 
do mundo: se o assunto é complexo, a conclusão pode ser 
a afirmação dessa complexidade. Não faça uma pergunta 
sem ao menos problematizá-la. A dissertação pede o uso da 
norma-padrão da língua, ideias desenvolvidas de forma clara 
e objetiva e boa paragrafação. Espera-se um texto impessoal. 
Evite o texto em primeira pessoa. Isso não é proibido, mas 
é arriscado, pois é mais adequado ao gênero crônica ou ao 
tipo narração. Veja o exemplo de um trecho de dissertação 
argumentativa.
A VEZ DAS CICLOVIAS
Comerciantes protestaram em diversos pontos da cidade; moradores 
de alguns bairros também reclamaram; e até vereadores da base aliada 
do prefeito Fernando Haddad (PT) fizeram críticas à implantação de 
ciclovias pelas ruas e avenidas de São Paulo. 
Embora capazes de chamar a atenção, esses grupos representam 
opinião minoritária entre os moradores da capital. Como pesquisa 
Datafolha publicada neste final de semana deixou claro, a maioria 
expressiva dos paulistanos defende a expansão de vias exclusivas 
para ciclistas. Ainda bem. 
Trata-se, não por acaso, de tendência nas principais metrópoles do 
mundo. A bicicleta é um meio de transporte limpo, que ocupa muito 
menos espaço do que um carro (...) 
 Editorial da Folha de S.Paulo, 22/9/2014.
20 GE REDAÇÃO 2016
GÊNEROS TEXTUAIS
gêneros textuais
Estilos jornalísticos
Reportagens, editoriais e artigos são os principais gê-
neros de texto jornalístico, cada um com suas caracte-
rísticas. Em um jornal ou revista, a reportagem se des-
taca dos demais gêneros: a reportagem procura trazer 
um discurso objetivo, narrativo, descritivo e não opi-
nativo, enquanto os outros dois são textos opinativos. 
A boa reportagem apresenta informações objetivas, faz um 
relato da notícia que não inclui a opinião de quem escreve. 
O artigo assinado traz a opinião de um autor e pode ser es-
crito em primeira pessoa, e o editorial exprime a posição e 
opinião do jornal, que não permite a primeira pessoa. Tanto 
no artigo quanto no editorial, as informações são introdu-
zidas para embasar um ou mais argumentos que procuram 
convencer
o leitor. 
O gênero crônica não apresenta distinções significativas 
em relação à crônica literária. Veja exemplos publicados na 
imprensa sobre a instalação de ciclovias no país.
EDITORIAL
DEBATER AS CICLOVIAS
Após ser pressionada por moradores e comerciantes de alguns 
bairros de São Paulo, a prefeitura decidiu alterar ao menos duas 
ciclovias já implantadas na cidade. Primeiro foi a vez de uma rota 
no Cambuci, na zona sul. Na última quinta-feira (13), apagou-se um 
percurso na Praça Vilaboim, em Higienópolis (zona oeste). (...)
Seja como for, tais readequações indicam que a prefeitura começa 
a fazer agora algo que deveria ter feito desde o começo: ouvir a po-
pulação e aceitar críticas. (...) Mas a opção pelas ciclovias, espera-se, 
é um caminho sem volta. Melhor, assim, que seja amparado num 
planejamento adequado e no diálogo com a população. 
Folha de S.Paulo, 19/11/2014. 
REPORTAGEM
CICLISTAS DO BRASIL E DO MUNDO FARÃO ATO 
PARA APOIAR AS CICLOVIAS DE SÃO PAULO
A defesa das ciclovias de São Paulo chegou a níveis internacionais. 
Nesta sexta-feira (27), estão marcadas manifestações de ciclistas 
em ao menos 17 cidades brasileiras – além da capital – e em outros 
oito países.
O ato, inspirado na Massa Crítica de Portugal (movimento que luta 
por espaço aos ciclistas nas cidades), foi motivado pela recente deci-
são da Justiça paulista em determinar a paralisação da construção 
de ciclovias em andamento. De acordo com o juiz, a interrupção 
foi determinada pela falta de “planejamento” e “estudos prévios”.
Reportagem de Ivan Longo, na Revista Fórum (virtual), 
março de 2015. 
Crônica
Gênero literário que é também utilizado por articulistas da 
imprensa. Assim como o conto, é um gênero por excelência 
narrativo, que aborda situações ou fatos do cotidiano. É mais 
coloquial que o dissertativo, mas não dispensa a norma- 
padrão da língua. 
SOBRE DUAS RODAS
por Cris Guerra 
Em dezembro passado, abordei nesta coluna o caos do trânsito de 
BH, onde a frota de carros praticamente duplica a cada dez anos. 
Cumpri bem o trajeto do início ao meio do texto, mas derrapei na 
linha de chegada e levei um tombo feio. 
Acabei por errar o alvo: a crítica atingiu seus usuários, e não as tais 
vias, gerando dezenas de respostas furiosas. Pela prontidão e vee-
mência de suas reações, entendi que, mais que ciclovias, os ciclistas 
urbanos querem respeito – traduzido na simples atitude de serem 
compreendidos como parte integrante do trânsito.
Veja BH, 13/3/2013.
CICLOVIA, 10. EDUCAÇÃO, ZERO
Por Edgard Catoira
Manhã de sol. Reflexos prateados circulam a marca das ondas nas 
areias na praia de Copacabana. Uma brisa refresca o calor nos rostos 
dos que usam seu tempo matutino para correr no calçadão ou os 
ciclistas de plantão, que tomam a ciclovia. 
O cenário é de filme. Mas vamos enfrentar a realidade com bom 
humor. Afinal, estamos no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. Pre-
cisamente em Copacabana, atravessada por uma excelente ciclovia 
de seis quilômetros, entre Ipanema e Botafogo. (...)
A zona sul do Rio é cortada por ciclovias, todas em ótimo estado. 
É uma das coisas boas que a população pode desfrutar, inclusive 
para ir para ao trabalho. 
Vale uma reflexão como frequentador da ciclovia – já que não me 
considero um ciclista. 
Antes de tudo, precisamos reconhecer que qualquer ciclovia da 
cidade é boa para o ciclismo. O que a prefeitura nunca fez – nem os 
vereadores pensaram nisso – é organizar seu uso. 
Depois de ultrapassar duas quadras brigando com carros ou quase 
atropelando velhinhos inocentes nas calçadas, chego à praia e, devi-
damente paramentado com capacete e luvas, me arrisco na ciclovia. 
Aliás, sou uma das poucas pessoas que usam os acessórios de prote-
ção. Pelo horário, por volta das 7h30, os corredores e pedestres que 
passam por mim estão voltando da caminhada, suados e exaustos, 
prontos para ir para casa e ao trabalho. 
Alguns – ou melhor, muitos deles – se aventuram a correr na ciclovia 
– dizem que a performance é melhor do que correr sobre as pedras 
portuguesas da calçada. Mas eles invadem a pista e não respeitam 
as bicicletas. (...)
Revista CartaCapital, 15/01/2012.
21GE REDAÇÃO 2016 
Carta
O texto em forma de carta pode ser pessoal (para escrever 
a um amigo, por exemplo) ou do campo das relações sociais 
(para reivindicações, apoios, pedidos, reclamações), como 
carta aberta ou carta-convite. Em todos os casos, a carta 
deve ter indicação de local e data no topo da página, seguida 
da identificação do destinatário, uma saudação (vocativo) – 
que depende do grau de intimidade com esse destinatário –, 
referência (o motivo da correspondência, que em um e-mail 
é o assunto e que em cartas abertas pode estar em um título), 
o corpo do texto e a finalização. As propostas mais comuns 
são de cartas argumentativas, mas com uma diferença em 
relação à dissertação: nesta escreve-se a um leitor genérico, 
na carta é preciso adequar a linguagem a um destinatário. 
Não é proibido utilizar a primeira pessoa, mas usar o plural 
majestático pode ser uma alternativa melhor. 
LEITOR CRITICA EDITORIAL SOBRE CICLOVIAS* 
(adaptada) 
Goiânia, 31 de dezembro de 2014
Senhores editores
O editorial “Pedalar pela cidade” (“Opinião”, 29/12) trata de forma 
panfletária um assunto que envolve vidas. O programa cicloviário da 
cidade de São Paulo está sendo implantado sem que exista uma regu-
lamentação para o trânsito dos ciclistas, não existindo um programa 
de orientação para a população de como se comportar nos diversos 
conflitos que irão existir, como nas saídas de garagens. 
Marcos de Luca Rothen (Goiânia, GO), Folha de S.Paulo, 1/1/2015.
*Agregamos local, data e saudação, que não são habitualmente publicados na imprensa
Comentário
Pode-se considerar o comentário uma espécie de subgê-
nero, que reúne características da dissertação e da carta. 
Espera-se do autor que utilize argumentos e, eventualmente, 
que se posicione. Ao contrário da dissertação, aqui a escrita 
em primeira pessoa pode ser utilizada, se a proposta permitir 
isso. Porém, é preciso cuidado redobrado na expressão das 
ideias em primeira pessoa, evitar generalizações, chavões 
etc. Os comentários têm sido solicitados em provas, como 
as da UFPE 2011 e da Unicamp 2012.
Em cada última quinta-feira de cada mês, temos uma volta com 
nossas bicicletas e nossos amigos para passear pela cidade. Desta vez 
queremos nos solidarizar com nossos colegas de São Paulo em sua 
luta por uma cidade mais humana e amigável para com as bicicletas. 
Post do movimento Massa Crítica de Almería, Espanha, 
em apoio à bicicletada de São Paulo, em março de 2015.
Manifesto
Um gênero de natureza dissertativa, de exposição de 
ideias e proposições de uma pessoa ou de um grupo. Em sua 
interlocução, o manifesto é público, com fins e propósitos 
determinados e, quando dirigido ao conjunto da sociedade, 
pode não trazer um vocativo de endereçamento. 
Assim como a dissertação, um manifesto deve ter um 
título, desenvolvimento dos temas abordados, argumen-
tação bem fundamentada e defesa de um ou mais pontos 
de vista. Exige assinatura, local e data de sua divulgação. 
O manifesto assemelha-se à carta-aberta, solicitada em 2015 
pela Universidade de Campinas (veja na pág.70).
E A BICICLETA FEDERALIZOU-SE!
A bicicleta é um típico veículo local. Embora haja quem com ela 
viaje o mundo, sua maior vocação, e aspiração de quase todos que 
a usam, é sua utilidade para o cotidiano nos arredores de casa – 
deslocamentos de até 6 km. Por isso, pode-se pensar que todas as 
intervenções para facilitar seu uso não precisem ir para além do 
gabinete do prefeito.
Os ciclistas brasileiros organizados em entidades – ou irmanados 
somente pela aspiração comum de equidade no trânsito – não pen-
sam assim. Como nas demais áreas da vida social – saúde,
educação, 
esporte etc. –, a mobilidade também necessita de políticas públicas 
transversais e integradas, perpassando a administração pública es-
tadual e alcançando a esfera federal.
Da União de Ciclistas do Brasil, 
divulgado durante a campanha eleitoral de 2014.
Verbete/Síntese 
É o texto que define uma palavra, conceito, tema ou assunto, 
de forma estrita, objetiva, como em dicionários, enciclopé-
dias. Na popular Wikipedia, embora pouco formalizados 
ou rigorosos, os verbetes compõem os artigos. O gênero foi 
solicitado na prova de 2012 da Unicamp.
BIKEÉLEGAL.COM.BR – QUEM SOMOS
O “Bike é Legal” é um portal na internet sobre ciclismo, mobilidade 
urbana e sustentabilidade. Com notícias, vídeos, fotos, artes, ideias, 
questionamentos, discussões e reivindicações, o site reúne ciclistas 
que são referências sobre o tema no Brasil. (...)
Extraído do site bikeelegal.com.
RODAS DA PAZ
A ONG Rodas da Paz foi instituída em 2003 com o objetivo de reagir 
à violência e ao crescente número de acidentes e mortes no trânsito 
do Distrito Federal. Desde então promove ações para a conscientiza-
ção em prol de um trânsito seguro para todos, com especial atenção 
para os usuários da bicicleta. 
Extraído do site da organização não governamental.
22 GE REDAÇÃO 2016
ELEMENTOS DE QUALIDADE
Veja as características que valorizam e 
fazem uma boa redação. Abordamos aqui as 
que consideramos essenciais. Os exemplos 
são sempre de dissertação, que é o tipo de 
texto mais exigido nas provas
Por Davi Fazzolari e Ana Paula Dibbern
Os 
elementos 
que 
distinguem 
o seu 
texto
23GE REDAÇÃO 2016 
Autonomia
 
O texto precisa ser compreendido por si. Ou seja, o autor 
deve imaginar um leitor que não leu a proposta do enun-
ciado da prova. As referências ao material de apoio têm 
de ser acompanhadas de todas as informações necessárias 
para que o leitor as entenda, uma vez que a coletânea não 
faz parte da redação.
 Como a autonomia de um texto também é medida pelo 
nível de atualização e pelo repertório do candidato-autor, é 
importante trazer informações novas, além daquelas presen-
tes no texto-base, desde que sejam pertinentes e contribuam 
para a argumentação e defesa da tese pretendida. O uso de 
argumentos de autoridade pode contribuir nesse sentido, 
mas é preciso muito cuidado porque citações mal inseridas 
podem fazer o efeito contrário e comprometer a redação.
 Como exemplo, suponha uma prova com o tema “O trabalho 
infantil”, que traga um mapa de referência como parte da 
coletânea. 
TEXTO INADEQUADO (sem autonomia): 
“A situação mostrada no mapa é uma vergonha. Mas não é fácil 
de ser enfrentada, pois requer dinheiro e determinação dos 
governantes”.
Note que, no exemplo, o autor faz comentários sobre o mapa 
da coletânea como se ele estivesse na folha de avaliação. Com 
isso, a afirmação é construída com base no senso comum e se 
assemelha mais a uma opinião do que a um argumento.
TEXTO ADEQUADO (com autonomia): 
“O grande número de crianças trabalhadoras no Brasil denuncia a 
precarização do trabalho na faixa adulta da população e a falta de 
políticas públicas atentas ao futuro”.
Um vocabulário adequado também é muito importante 
para garantir a autonomia do texto. Note, em nosso exemplo, 
como as afirmações são mais precisas quando substituímos 
palavras vagas ou genéricas (como “vergonha” e “fácil”) por 
outras mais objetivas (“número”, “denuncia” e “precarização”).
Coerência e clareza
 
Um texto coerente é resultado dos argumentos que você 
utiliza para referendar logicamente seu ponto de vista, que 
é o seu recorte do tema. No desenvolvimento da redação, é 
importante ter como objetivo convencer o leitor da lógica 
de seu texto. O processo básico é o mesmo de uma discussão 
com os amigos sobre um filme ou uma partida de futebol. 
Em uma dissertação, a melhor ideia será aquela sustentada 
por argumentos convincentes, com os quais o autor se faça 
entender. Por isso, o posicionamento diante do tema deve 
ser ponderado e evitar radicalização e panfletagem.
 Em outras palavras, é preciso escrever com clareza para 
que, após ler a redação, ninguém se pergunte: “Mas, afinal, 
o que o autor quis dizer com isso?” Essa é uma pergunta que 
o autor deve se fazer antes de passar o texto a limpo. Seu 
texto estará pronto se responder à pergunta.
TEXTO INADEQUADO (sem coerência nem clareza):
“Quando os bolivianos chegam ao Brasil só encontram emprego na 
indústria têxtil, devido às habilidades características de sua cultura, 
ou trabalham como autônomos através do artesanato. Com isso, o 
Brasil precisa ajudá-los para que também possa ser ajudado por eles.”
Nesse exemplo, o argumento não foi bem construído. Não fica 
claro o motivo e nem a forma pela qual o Brasil precisa ajudar 
os bolivianos (isso sem falar que a escolha do verbo “ajudar” 
não foi feliz). Há, também, uma generalização incorreta das 
atividades citadas. Além disso, o texto pode favorecer uma 
interpretação preconceituosa sobre a cultura e capacidades 
desses imigrantes. Em vez disso, o autor deveria inserir dados 
e argumentos mais densos para conferir coerência ao texto.
TEXTO ADEQUADO (com coerência e clareza): 
“Grande parte dos bolivianos que migram para o Brasil só encontra 
trabalho na indústria têxtil, que muitas vezes não garante seus 
direitos básicos. Constatada essa realidade, conclui-se que é 
preciso oferecer qualificação e construir mecanismos para que os 
estrangeiros sejam realmente inseridos no mercado de trabalho. 
Dessa forma, a vida dessas pessoas – que tanto contribuem para o 
crescimento do país – seria melhor”.
Nesta versão do texto, o problema da generalização foi 
resolvido com a inserção do trecho “Grande parte”. Há argu-
mentos mais claros, especialmente no trecho “é preciso oferecer 
qualificação e construir mecanismos”. Além disso, foi inserida 
uma posição que valoriza o imigrante (“contribuem para o 
crescimento do país”) ao mesmo tempo em que é reforçado o 
argumento de que o Brasil precisa recompensá-los.
24 GE REDAÇÃO 2016
ELEMENTOS DE QUALIDADE
Simplicidade
Escrever de forma simples é o caminho certo para quem 
tem poucas linhas para expressar sua opinião sobre um 
tema. O candidato deve evitar períodos muito longos ou 
o uso de vocabulário rebuscado. Períodos longos servem a 
textos longos, de várias páginas, o que não é o caso de uma 
redação para o vestibular. As palavras difíceis também devem 
ser evitadas. Elas geralmente são utilizadas com a intenção 
de impressionar os avaliadores, mas podem provocar desvio 
de raciocínio. Além disso, é bom evitar inversões no uso 
dos elementos da oração e manter a organização básica: 
sujeito, verbo e complementos. Como falantes da língua, 
nós já fazemos isso intuitivamente. Pôr o adjetivo antes do 
substantivo, por exemplo, aumenta a sua ênfase e, portanto, 
parece intencional para quem lê, e você só deve utilizar se 
tiver mesmo a intenção de ser enfático.
 É bom lembrar que, após a realização do exame, as redações 
serão enviadas para um ou mais avaliadores que têm pouco 
tempo para avaliar cada texto. Nessa situação, o problema das 
inversões nos elementos da oração e da escrita rebuscada é 
agravado, já que a falta de simplicidade atrapalha a fluência 
na leitura. O ideal é que o avaliador nunca tenha de reler o 
parágrafo para entendê-lo.
TEXTO INADEQUADO (prolixo):
“A amizade atual se caracteriza por uma relação direta e virtual 
de maneira mútua. O estabelecimento da coexistência entre 
o tradicional e o moderno representa uma resposta à troca de 
paradigma nas relações interpessoais”.
O leitor precisa ler o texto duas vezes para entendê-lo, quem 
sabe três. Algumas palavras, como “mútua”, “coexistência”, 
“paradigma” e “interpessoais”, apesar de serem razoavelmente 
comuns, colocadas em conjunto tornaram o texto prolixo.
TEXTO ADEQUADO (escrita simples):
“Da mesma forma que o tradicional e o moderno convivem em 
nossa sociedade, as amizades atuais são baseadas em um modelo 
caracterizado pela coexistência das relações direta e virtual”.
O texto ganha melhor organização quando a disposição 
das ideias é invertida. Primeiramente, o autor aponta que o 
tradicional e o moderno convivem na nossa sociedade. Depois 
expande tal coexistência para o campo das amizades, em uma 
dualidade entre o real e o virtual. Tal mudança facilita bastante 
o entendimento. Ao mesmo tempo, o abandono de algumas 
palavras (como “mútua”, “paradigma” e interpessoais”) torna 
o texto mais simples.
Coesão
A coesão é a articulação das partes de um todo. Na gramá-
tica da língua portuguesa aprendemos que as articulações 
são realizadas pelas classes de palavras conhecidas por 
“arredondar” o discurso e tornar mais agradáveis e com-
preensíveis as orações e os períodos. São as preposições e 
as conjunções que exercem essa função de conectivos com 
maior frequência.
 Além da coesão interna em uma oração, também é pre-
ciso haver coesão entre as orações do parágrafo e entre as 
etapas do texto, ou seja, entre os próprios parágrafos. As 
frases devem se suceder numa sequência lógica. O espírito 
é o mesmo para os parágrafos, mas, nesse caso, a atenção 
deve estar voltada para os encontros que se dão no fim de 
um parágrafo e início de outro. Um bom encadeamento gera 
“coesão textual” ou “textualidade” e evita que a redação te-
nha palavras “soltas”, como se uma frase não tivesse relação 
com a outra.
TEXTO INADEQUADO (com problemas de coesão):
“Quando pensamos um tempo melhor para a vida de todos, 
queremos dizer o seguinte: simplesmente que as coisas podem ser 
mais justas para todas as pessoas se beneficiarem disso”.
Neste fragmento, o autor é redundante e formula duas vezes 
a mesma ideia. Constrói a frase como se uma oração fosse a 
conclusão da anterior, mas não traz novas informações e acaba 
por “andar em círculos”. A organização das palavras dentro 
das orações (principalmente a disposição das palavras “sim-
plesmente” e “disso”) não favorece o entendimento, resultando 
em um texto pouco coeso.
TEXTO ADEQUADO (com boa coesão):
“Quando pensamos em um tempo mais justo, imaginamos, 
simplesmente, que a vida pode ser melhor para todos”. 
Temos, aqui, uma construção mais consistente da frase. 
Foi muito positiva a exclusão da expressão “queremos dizer 
o seguinte”, que é uma marca da linguagem oral. Além disso, 
o problema da repetição foi resolvido. Não temos mais os dois 
trechos semelhantes (“um tempo melhor para a vida de todos” 
e “as coisas podem ser mais justas para todas as pessoas se 
beneficiarem disso”), mas sim uma só elaboração da ideia, 
com as palavras bem organizadas e melhor encadeamento. 
25GE REDAÇÃO 2016 
1 TROCAR O TIPO 
OU GÊNERO DE TEXTO
A prova pede uma dissertação e você faz 
uma narração. Essa falta de atenção é con-
siderada incontornável e resulta em nota 
zero. Assim, é necessário estar atento para 
quando a prova solicita três gêneros de tex-
to (ou oferece três a escolher) e você indica 
erroneamente a sua escolha; por exemplo: 
opta pela proposta 2, que pede uma carta, 
mas assinala a 1, que era para dissertação. 
2 FUGIR DO TEMA
Escrever uma redação que foge do tema 
proposto também pode levar à anulação da 
redação. Por isso, leia com bastante atenção a 
coletânea de textos e o enunciado. Tome mui-
to cuidado para não se perder em divagações 
que nada têm a ver com o que foi apresentado 
(veja mais critérios nas págs. 8 a 13).
 
3 USO IMPRÓPRIO DA 
LINGUAGEM ORAL
Nem sempre a linguagem que você usa 
quando está conversando pode ser passa-
da para o texto. Expressões como “né” e 
“ok” não caem bem numa redação. Gírias 
como “se ligar” e “irado” também não são 
adequadas. 
4 REBUSCAR DEMAIS 
Abusar de palavras rebuscadas também 
pode prejudicar sua nota. Lembre-se: lin-
guagem formal não é sinônimo de linguagem 
complicada. Ao exceder no uso de um requin-
te desnecessário, é grande a probabilidade 
de seu texto ficar sem fluência nem clareza. 
5 COMETER ERROS DE 
LÍNGUA PORTUGUESA 
Erros básicos da língua portuguesa não têm 
perdão na prova. “Fazem muitos anos”, “há 
nove anos atrás” e “para mim levar” são des-
lizes graves numa redação. Na dúvida quanto 
à grafia correta ou à aplicação de uma regra 
gramatical, substitua a palavra por outra ou 
organize novamente a frase.
Os dez erros mais comuns
Os deslizes que podem tirar pontos preciosos da sua nota
6 USAR CLICHÊS 
E PROVÉRBIOS
Evite o uso de clichês, que são aque-
las expressões muito conhecidas, como 
“colocar tudo em pratos limpos”, “fechar 
com chave de ouro”, “água mole em pe-
dra dura tanto bate até que fura”. O uso de 
provérbios e frases, geralmente construí- 
das com base em ideias estereotipadas, re-
vela falta de originalidade do autor. 
7 PANFLETAR E 
RADICALIZAR
As redações que instruem o leitor com frases 
como “Devemos nos unir!” ou “Vamos reciclar 
o planeta!” são consideradas frágeis. No lugar 
do discurso politicamente panfletário, é me-
lhor organizar argumentos que permitam ao 
leitor chegar às próprias conclusões. 
8 USAR CITAÇÕES 
SEM CUIDADO
As citações devem ser utilizadas com bas-
tante critério. Evite expressões batidas, como 
“Só sei que nada sei”, de Sócrates. Outros 
erros comuns são o uso de citações fora 
do contexto, sem que tenham uma relação 
efetiva com o texto ou argumentação, e ci-
tações de autoridade incompletas ou com a 
grafia errada do nome do autor. Se não tem 
certeza da grafia de filósofos como Friedrich 
Nietzsche, Erich Fromm, Immanuel Kant, não 
utilize essa citação. 
9 EXAGERAR EM 
INFORMAÇÕES
Você não precisa despejar tudo o que sabe 
na redação. O excesso de informações pode 
prejudicar a coesão do texto, pois dados de-
mais podem confundir, ao invés de esclarecer. 
Seja seletivo. 
10 CAIR EM REDUNDÂNCIA
A redundância revela falta de repertório 
do autor-candidato. Numa boa dissertação, 
a argumentação avança progressivamente, 
e não fica andando em círculo.
Essa é uma falha 
extra que não se 
deve cometer. Isso 
porque você pode 
perceber algo não 
tão perfeito quanto 
gostaria tarde 
demais, quando já 
escreveu na versão 
final. Há candidatos 
que esquecem, 
por exemplo, de 
colocar um título 
em sua redação 
da Fuvest, o que é 
uma das exigências 
explícitas da prova.
Nos últimos textos 
divulgados, das 
provas de 2012 e 
2013, há redações 
com essa falha. 
Os avaliadores 
da Fuvest 
reconhecem as 
boas dissertações, 
mas eventualmente 
isso pode ser 
entendido como 
falta de atenção ao 
enunciado da prova 
e reduzir pontos da 
nota.
NÃO ESQUEÇA 
DE REVISAR 
SEU TEXTO
26 GE REDAÇÃO 2016
ARGUMENTAÇÃO
Aprenda com 
os jornais 
estratégias 
para persuadir
A leitura cotidiana dos editoriais jornalísticos 
amplia sua capacidade de interpretar fatos e de 
organizar argumentos 
Por Alan Nicoliche
A argumentação é a prin-cipal ferramenta para os candidatos que preten-dem uma boa colocação nas redações dos vesti-
bulares. Evidentemente, a linguagem e 
a estrutura dos textos são importantes 
– é a chamada coesão textual –, mas são 
mais facilmente assimilados com estu-
dos e prática do que a argumentação. 
A capacidade de argumentar extrapola 
os limites das salas de aula. Ela será 
necessária ao longo de toda a vida acadê-
mica e profissional daqueles que agora 
adentrarão em uma faculdade. Não é à 
toa que a maioria dos vestibulares exige 
a redação de um texto argumentativo 
em seus processos de seleção.
E como adquirir essa capacidade ar-
gumentativa? Primeiramente, colocan-
do-se a par das questões que o cercam, 
sejam políticas, sociais, econômicas, 
filosóficas, técnicas ou culturais, elas 
poderão compor
o chamado repertório 
pessoal. Em seguida, entender os lados 
divergentes que podem estar em cada 
questão para criar uma opinião e argu-
mentar a favor dela. Parece trabalhoso, 
mas a experiência de se interessar pe-
los assuntos e interagir com eles torna 
a prática corriqueira e até prazerosa. 
Dessa forma, informar-se e conhecer 
os diversos pontos de vista é funda-
mental, o que exige a leitura de bons 
textos sobre os assuntos que poderão 
ser explorados. 
Textos para persuadir 
Uma das formas textuais mais inte-
ressantes para esse exercício é a leitura 
do editorial dos jornais. Os editoriais 
trazem o posicionamento ideológico 
do veículo de comunicação a que per-
tencem, ou seja, são também textos 
argumentativos, que têm a função de 
informar e persuadir o leitor. Desse 
modo, a leitura de um editorial, para 
candidatos a vestibulares, serve para 
informar sobre diferentes assuntos, e 
pode ser uma grande fonte de apren-
dizado sobre argumentação.
Textualmente, os editoriais são habi-
tualmente mais longos do que o solici-
tado nas dissertações dos vestibulares. 
Também apresentam múltiplos pará-
grafos e, eventualmente, são finaliza-
dos com frases de efeito. No vestibular, 
usamos menos parágrafos e não usamos 
frases de efeito. Em uma dissertação 
para o vestibular, o ideal é limitar os 
parágrafos a quatro ou cinco, um para 
introduzir sua tese, dois ou três para 
argumentar e um para concluir.
Para esta edição do guia, selecio-
namos um editorial do jornal Folha 
de S.Paulo, publicado em 27 de abril 
de 2015, que trata do regime prisio-
nal utilizado com os jovens infratores. 
Como você poderá perceber na leitura 
do editorial e em sua análise, o texto 
é construído de maneira a não só in-
formar o leitor, mas persuadi-lo, fazer 
com que ele compartilhe da ideia ali 
exposta. Para tanto, não há vacilos na 
argumentação, e as informações são 
apresentadas como afirmações e em-
basadas em dados. 
Observe que a simples exposição das 
informações não é suficiente para ga-
rantir a veracidade do discurso. Isso 
porque dados podem ser lidos de dife-
rentes formas e as conclusões podem 
ser diferentes, dependendo da linha de 
pensamento de cada um. 
27GE REDAÇÃO 2016 
EDITORIAL
1 Paradoxo perverso 
Adolescentes infratores têm, na prática, menos acesso que os adultos ao 
regime semiaberto, numa inversão da lógica do sistema penal.
2 A notícia em si já seria chocante. Mas, na conjuntura atual, em que se discute 
a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos, a reportagem publicada 
por esta Folha na quinta-feira (23) tem conotação perversa. 
Dos 23 mil menores infratores que cumprem algum tipo de punição no Brasil, 
só 10% têm acesso ao regime de semiliberdade, pelo qual podem sair das insti-
tuições durante o dia para estudar ou trabalhar. 
Em alguns estados, como Paraíba e Maranhão, menos de 3% dos infratores 
têm atendido esse direito; em Mato Grosso, não se registra caso de menor nessa 
situação. 
3 Seriam, talvez, infratores de alta periculosidade? A realidade é bem diferente 
disso. Uma minoria bastante limitada dos internos responde por crimes hediondos. 
Em São Paulo, por exemplo, somente 2,6% dos adolescentes foram punidos 
por tal tipo de transgressão. Mesmo assim, 93% deles permanecem confinados 
dia e noite. 
4 Configura-se situação de rigor punitivo ainda maior – e este o paradoxo do 
caso – do que se vê entre infratores adultos. Destes, cerca de 35% estão, no país 
inteiro, no sistema semiaberto. 
Não se trata de regalia ou concessão motivada por alguma atitude sentimental. 
Tal regime se fundamenta na ideia de que, a não ser em casos de grande perigo 
para a sociedade, há mais vantagem em ter o delinquente dedicado a atividade 
produtiva do que em mantê-lo preso na companhia de personalidades já defor-
madas pelo banditismo e pelas práticas da cadeia. 
O raciocínio tem maior pertinência no caso dos adolescentes, mais capazes 
de absorver novas condições de trabalho e estudo. O inverso do que se verifica, 
portanto. 
5 Se alguém quisesse fazer blague com um assunto de máxima importância e 
seriedade, tantas vezes tratado com a demagogia dos que vociferam em favor do 
máximo rigor penal, poderia inverter as opiniões correntes. Os que defendem 
penas mais elevadas, vingança social extrema, dureza com o jovem infrator de-
veriam apoiar a atual legislação.
Quanto aos que advogam teses mais flexíveis e maior cuidado na punição aos 
adolescentes, talvez devessem apostar na diminuição da maioridade penal para 16 
anos: haveria de ser, bizarramente, o modo de lhes oferecer mais ocasiões de cumprir 
sua pena no regime semiaberto, de forma mais produtiva. 
Não se trata disso, por certo.
Mas é de notar o quão fora da realidade estão os que, julgando necessário mais 
rigor contra o jovem delinquente, desconhecem as péssimas condições hoje 
oferecidas para que se reintegrem à sociedade, e o quão distante está a máquina 
punitiva de proporcionar real aumento da segurança geral dos cidadãos. 
Folha de S.Paulo, 27/4/2015.
1 O título deve refletir o conteúdo do texto 
e a linha argumentativa de quem redige. 
A escolha do título, neste caso, além de 
ser adequada ao editorial que seguirá, 
provavelmente chamou a atenção dos 
leitores do jornal.
2 A chamada deste editorial e seus primeiros 
parágrafos apresentam o assunto que será 
abordado – no caso, o baixo número de 
menores infratores que cumprem pena em 
regime semiaberto. O tema é retomado 
de uma reportagem de quatro dias antes 
da própria Folha de S.Paulo, cujo título era 
“Só 1 em cada 10 menores infratores pode 
sair para estudar ou trabalhar”. Repare 
como os números são utilizados nesta 
parte, e ao longo do texto, para impactar 
o leitor.
3 Nestas duas orações, o jornal ressalta o 
contraste entre o rigor da pena e o teor 
das infrações. Novamente são utilizados 
números para tornar o quadro mais visual 
ao leitor.
4 Neste ponto o editorial faz a discussão 
mais importante, que retoma o título e a 
chamada. A comparação com a situação 
dos menores infratores e a dos adultos 
toma maiores proporções, uma vez que o 
regime semiaberto parece ser mesmo mais 
adequado aos jovens. Repare como o texto 
se utiliza de um raciocínio lógico, muito 
eficaz na persuasão do leitor.
5 Os parágrafos finais servem de conclusão 
ao editorial – o que é feito inicialmente 
com certa ironia, mas termina com 
um tom grave. O texto aponta que 
o atual regime parece punir mais o 
jovem, privando-o de possibilidades de 
reintegração social, do que aconteceria 
com a redução da maioridade penal – já 
que, uma vez tratados como adultos, 
teriam maior chance de cumprir a pena 
no regime semiaberto. Dessa forma, não 
só demonstra como o sistema funciona 
de forma errônea, como sugere uma 
ignorância do público acerca desse 
assunto. Observe que há uma dupla 
crítica: uma à máquina punitiva, mal 
gerida e estruturada; e outra dirigida 
àqueles que pedem mais rigor na punição 
aos jovens, que desconheceriam a 
realidade do sistema existente no país.
ANÁLISE DO EDITORIAL
28 GE REDAÇÃO 2016
TEMAS DAS PROVAS
A redação é uma parte diferenciada dos vesti-bulares, e a expectativa quanto ao tema da re-dação costuma resul-
tar em uma dose extra de ansiedade. 
Enquanto as demais provas avaliam 
basicamente os conteúdos que você 
aprendeu no Ensino Básico, a prova 
de redação é a única que tenta medir 
se você consegue elaborar conteúdos a 
partir do que aprendeu e, eventualmen-
te, fazer propostas. Por isso mesmo, a 
prova de redação é a “estrela”, digamos, 
de muitos vestibulares. 
Um bom início é observar quais tipos 
de temas são solicitados nas provas 
do Exame Nacional do Ensino Médio 
(Enem) e da universidade em que você 
quer estudar, pois cada uma habitual-
mente adota uma linha, pelo menos nos 
anos recentes.
Algumas universidades, 
por exemplo, preferem solicitar a dis-
sertação sobre temas subjetivos, para 
tentar evitar temas abordados pelos 
cursinhos, que geram redações pré- 
formatadas.
Os temas recentes propostos em 
alguns dos maiores vestibulares dão 
uma boa pista de sua tendência, e ela-
boramos para você uma lista com os 
mais recentes de alguns dos maiores 
vestibulares (veja na pág. 33).
Além disso, um bom recurso ao can-
didato é buscar e consultar na internet 
as provas vestibulares da faculdade ou 
universidade que ambiciona, o que aju-
da a se inteirar e a praticar. Descobre- 
se, por exemplo, se a prova costuma 
trazer apenas um ou dois elementos 
de coletânea, se traz textos não verbais, 
ou se a prova inteira é uma coletânea, 
o que pode ajudar muito o candidato.
Evolução da prova
“A importância e a forma da redação 
como conhecemos hoje surgiu com 
os avanços nas teorias da educação. 
O estudante era visto e avaliado como 
um reprodutor de conhecimentos. Mas 
com o passar do tempo passou-se à 
compreensão de que ele deve ser vis-
to também como um produtor desse 
conhecimento, como protagonista do 
Tenha 
interesse 
pelos 
assuntos 
da prova
Veja o que 
especialistas 
falam dos temas, 
abordagens e 
expectativas da 
redação. Com 
sugestões de 
assuntos atuais e 
retrospectiva dos 
mais recentes Por Paulo 
Montoia
[1]
[3]
[5] [6] [7]
[8]
[2]
[4]
[9]
[1] e [7] REPRODUÇÃO [2] VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL [3] PETE SOUZA/ OFFICIAL WHITE HOUSE PHOTO [4] e [5] FERNANDA CARVALHO/FOTOS PUBLICAS 
[6] WORLD ARMIES - FRENCH POLICE [8] FRANCE DIPLOMATIE [9] LUIS MOURA/ FOLHAPRESS
29GE REDAÇÃO 2016 
processo”, explica Luciano Segura, do 
Curso Intergraus, em São Paulo. 
Eclícia Pereira, professora de redação 
do Cursinho Politécnico, de São Paulo, 
afirma que as universidades buscam 
“estudantes que, por meio da escrita, 
expressem sua visão de mundo, em 
um texto pleno em forma e conteúdo”. 
Em sua avaliação, se em outros tempos 
a forma se sobrepunha ao conteúdo, 
hoje eles caminham lado a lado, o que 
torna mais desafiadora a produção de 
texto. “A prova de redação objetiva não 
apenas avaliar as condições de escrita 
dos candidatos, mas também sua leitura 
interpretativa dos dados da prova e 
também do mundo”, diz. 
Os orientadores que entrevistamos 
concordam em um ponto: em qualquer 
tema dissertativo o candidato precisa 
expressar reflexão sobre o tema e um 
ponto de vista. Filipe Couto, vice-dire-
tor e coordenador de língua portuguesa, 
literatura e redação do Colégio e Curso 
pH, do Rio de Janeiro, orienta os alunos 
que, em todos os casos, é fundamental 
que eles consigam relacionar fatos e 
opinião para criar um ou mais argu-
mentos que sustentem um ponto de 
vista. “Sempre que pedem um texto 
argumentativo, o candidato tem de se 
posicionar. Se o tema for colocado sob 
a forma de uma pergunta, ele deve se 
assegurar de que seu texto oferece uma 
resposta. Se o tema for uma afirmação, 
deve problematizar essa afirmação.”
Tipos de temas e recorte
Os temas da prova podem ser aglu-
tinados em três áreas básicas que de-
talhamos a seguir.
� Temas com foco inicial no pró-
prio indivíduo Como felicidade, 
sofrimento, altruísmo – Fuvest 
2011 e 2012, PUC-Rio 2015, PUC-
-Minas 2015, UnB 2014 2º Semestre e 
UFRGS 2015 (veja na pág. 64). 
� A relação do indivíduo com os ou-
tros Temas sociais como direitos 
civis, violência, imigração, pobreza, 
trabalho, corrupção, consumismo, 
inclusão social. São uma diretriz das 
provas do Enem (veja a prova 2014, 
pág. 50 e a prova 2013, pág. 82. E tam-
bém Fuvest 2015, pág. 78; Unesp 2015, 
pág. 58, e 2014, pág. 94; Unicamp 2015, 
pág. 70, e 2014, pág. 88).
� A relação humana com o ambiente 
natural Assuntos como desmatamen-
to, biodiversidade, sustentabilidade 
ambiental, efeito estufa, desastres. 
(veja na pág. 33 Uneb 2015, UFSC 2011 
e Unicamp 2011).
Qualquer que seja o tema, ele deve 
ser abordado objetivamente em uma 
dissertação ou outro gênero de texto 
com interlocução semelhante, como a 
carta aberta, o manifesto e outros (veja 
na pág. 18). Francisco Platão Savioli, su-
pervisor de Língua Portuguesa do Curso 
Anglo Vestibulares de São Paulo exem-
plifica: “Se o tema for amizade (UFRGS 
2015 e PUC-Rio 2015), o candidato deve 
trabalhá-lo como um objeto de investi-
gação. Não é para escrever coisas como 
‘sem amizade a minha vida seria vazia’, 
isso não é dissertação”, diz ele.
Outra orientação é quanto à neces-
sidade de estabelecer um recorte para 
o tema. Por exemplo, se o tema é o 
trabalho em geral, pode-se escolher 
o trabalho terceirizado, o escravo, o 
infantil. Se o tema já traz um recorte, 
como o trabalho infantil (Enem 2005), 
pode-se escolher um recorte menor, 
como o trabalho da criança em família. 
É importante também não extrapolar 
um tema ou acompanhá-lo pela metade. 
Ou seja, se a proposta é dissertar sobre 
o legado da escravidão e o preconceito 
contra negros no Brasil (veja Unesp 2015, 
na pág. 58), o candidato não pode discor-
rer apenas sobre a escravidão ou mesmo 
a exclusão econômica e social atual dos 
negros no país e esquecer a segunda 
parte do enunciado: o preconceito.
Savioli alerta para o que chama de 
“o ladrão de cena”, a saber, quando o 
assunto da prova se mistura com um 
daqueles que o vestibulando traba-
lhou muito. Daí que o assunto estu-
dado “pode roubar a cena” do tema da 
prova. O candidato se tranquiliza, mas 
acaba escrevendo sobre o assunto que 
estudou, e não sobre o que foi solici-
tado. Exemplos: o tema “a violência 
provocada pelas diferenças sociais” 
não é sobre a violência em geral, e su-
gere polemizar as diferenças sociais; 
o tema “a mobilização pela internet” 
não coloca o foco na internet, e sim na 
mobilização humana que ela possibilita. 
 
Temas que pedem proposta
Algumas provas podem pedir propos-
tas para um problema colocado como 
tema. A mais conhecida nesse senti-
do é a do Enem, na qual é obrigatório 
apresentar uma ou mais propostas de 
intervenção para um problema social, 
respeitando os direitos humanos. 
Todos os entrevistados lembram que 
a proposta pede uma intervenção, não 
uma solução. Uma orientação de Yeso 
Osawa, professor do Curso Positivo, 
em Curitiba (PR), é que “a proposta 
não precisa ser aquilo que está por ser 
feito. É possível mencionar um proce-
dimento já existente como aquilo que 
pode balizar sua sugestão”. 
Filipe Couto destaca que a proposta 
precisa resultar de uma tese e argumen-
tação claras, e conter três elementos 
para ser bem fundamentada: “a pro-
posta explicitada (informando como 
ela pode atenuar o problema colocado 
no tema), como ela seria implementada, 
e por qual agente social: pode ser um 
dos governos, a família, a comunidade, 
uma ONG”.
Luciano Segura também destaca a 
importância de a proposta ser vincu-
lada à argumentação. “Se o estudante 
discute a superlotação dos presídios, 
por exemplo, não é esperado que ele 
proponha mais educação como pro-
posta de intervenção”. 
NÃO SE ESQUEÇA: Não fuja do tema da prova e 
evite radicalismos. Isso tira pontos e pode até 
zerar sua nota. 
30 GE REDAÇÃO 2016
TEMAS DAS PROVAS
MEIO AMBIENTE E ECONOMIA 
Seca severa 
atinge as áreas 
urbanas 
Após uma seca recorde no Nordeste 
em 2013, a maior e mais grave em 50 
anos, desde 2014 a estiagem atinge tam-
bém a região mais urbanizada do país, 
o Sudeste. A redução das chuvas e a 
queda dos volumes de água disponíveis 
generalizaram-se em São Paulo, Minas 
Gerais e Rio de Janeiro. Em janeiro de 
2015, a seca já afetava cinco das dez 
maiores regiões metropolitanas do 
país: Belo Horizonte, Campinas (SP), 
Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 
curto e médio prazo, a situação pode 
se agravar caso seja necessário racio-
nar eletricidade
por falta de água em 
represas hidrelétricas integradas ao 
sistema nacional, como as do sistema 
Furnas ou Paulo Afonso. 
Na Região Metropolitana de São 
Paulo (RMSP), o Sistema Cantareira 
quase secou, afetando 9 milhões de 
paulistas. A gravidade da situação le-
vou a população atingida a armazenar 
água, o que foi indicado como uma das 
causas da maior epidemia de dengue 
da história paulista. 
A situação a que foi exposta a maior 
metrópole do Hemisfério Sul levou a 
inúmeros questionamentos de falta de 
planejamento da empresa responsável, 
a Sabesp, e ao governo paulista na im-
prensa, uma vez que foram registrados 
anos seguidos com redução de chu-
vas. Além disso, a RMSP é cortada por 
rios e abrange duas grandes represas, 
mas todo esse manancial é usado para 
despejo de esgoto, o entorno das duas 
represas foi ocupado irregularmente e 
a mata original foi destruída. 
A escassez já gerou uma pergunta no 
vestibular da Fuvest 2015: o que seria 
correto afirmar em relação à crise da 
água em São Paulo? A resposta certa: 
“ela é ecológica e política, posto que a 
reposição de água dos reservatórios de-
pende de fatores naturais, assim como 
do planejamento governamental sobre 
o uso desse recurso”. Por sua impor-
tância, a água é tema permanente dos 
vestibulares.
PARA IR ALÉM Aspectos sociais, econômicos 
e políticos da água estão em Ouro Azul: As 
Guerras pela Água (Blue Gold: Water Wars, 
2008, de Sam Bozzo), disponível na internet; 
o vídeo Entre Rios (2009, de Caio Silva 
Ferraz) conta a história da urbanização de 
São Paulo e do destino dado a seus rios.
INTOLERÂNCIA & PRECONCEITO
Desrespeito 
às diferenças
Em 27 de abril de 2014, o jogador 
brasileiro Daniel Alves surpreendeu a 
torcida, ao pegar e comer uma banana 
atirada no gramado por um torcedor 
racista, em jogo na Espanha. Em 25 de 
março de 2015, uma mulher tentou des-
truir a golpes de enxada uma imagem 
de Nossa Senhora da Piedade em igreja 
da cidade mineira de Belo Oriente. Em 
junho, o programa de televisão CQC 
repercutiu o vídeo em que um gaúcho 
humilhou um imigrante haitiano que 
trabalha como frentista e postou a gra-
vação na internet. 
Exemplos de racismo, preconceito 
e intolerância religiosa como esses 
podem ser somados a outros tantos. 
A intolerância a raça, cor, nacionalida-
de, gênero, classe social, religião, clube 
de futebol, opinião e mesmo a partido 
político até pode ser rotulada como 
traço social, porém, é inaceitável. Nas 
redes sociais, chega-se a tal nível de 
antagonismo e agressão que conversas 
viram brigas; alguns preferem desistir 
de acompanhar e cometem “facebooki-
cídio” (sair da rede). 
Questões para dissertar: Por que 
conflitos sociais e guerras se reves-
tem de caráter étnico ou religioso? 
Educar ou punir são as únicas for-
mas conhecidas de combater ra-
cismo, xenofobia e preconceito? 
PARA IR ALÉM Doze Anos de Escravidão 
(2013, Steve McQueen) mostra a que nível 
de ausência de direitos chegou a escravidão 
dos negros nos Estados Unidos. 
Território Restrito (2009, Wayne Kramer) 
mostra abusos e discriminação a imigrantes 
e refugiados nos EUA. 
Construa seu
repertório
Selecionamos para você fatos atuais 
que podem ser tema nas provas de 
redação deste ano
Bombas improvisadas 
captam água do fundo 
da represa Jaguari-
Jacareí, que abastece 
São Paulo, em 2014
LA
LO
 D
E
 A
LM
E
ID
A
/F
O
LH
A
P
R
E
SS
31GE REDAÇÃO 2016 
TERRORISMO
A violência 
como coerção
O atentado ao jornal francês Charlie 
Hebdo, em Paris, em 7 janeiro de 2015, 
recolocou o terrorismo no noticiário e 
nas preocupações dos governos euro-
peus. Doze pessoas foram assassinadas 
pelos irmãos Said e Chérif Kouachi, 
na sede do jornal, e outras quatro, no 
dia 9, por um amigo dos Kouachi, em 
um ataque com reféns em um pequeno 
mercado de produtos judaicos. Os ata-
cantes seriam ligados à rede terrorista 
Al Qaeda do Iêmen. 
Não é simples conceituar o que é 
terrorismo. Pode-se afirmar, mini-
mamente, que é o uso sistemático de 
violência, que gera um ambiente de 
medo para alcançar objetivos políti-
cos. Mas a palavra pode ser utilizada 
para colocar um rótulo negativo para 
criminalizar um adversário ou inimigo. 
O governo de Israel, por exemplo, de-
fine como terroristas diversos grupos 
palestinos que lutam com armas por 
sua independência. Estes respondem 
acusando o governo de Israel de pra-
ticar terrorismo de Estado. 
Historicamente, atos que seriam en-
quadrados como terroristas foram con-
siderados heroicos e legítimos, como 
a Resistência Francesa, que lutou com 
atos terroristas e de guerrilha contra a 
ocupação nazista durante a II Guerra 
Mundial (1939-1945). 
O terrorismo foi marcante no mundo 
nas décadas passadas, durante a Guer-
ra Fria (1949-1991), que opôs países 
comunistas e capitalistas. Na Europa 
ocidental, grupos terroristas de es-
querda atuaram contra o capitalismo 
na Alemanha (Baader-Meinhof ) e na 
Itália (Brigadas Vermelhas).
Atualmente, causam espanto e in-
dignação internacional os horrores 
praticados pela organização Estado 
Islâmico, que pretende criar um novo 
país ocupando e isolando áreas do Ira-
que e da Síria. A organização leva o 
terrorismo a um nível não imaginado: 
degola e decapita seus reféns, arremessa 
homossexuais de edifícios, destrói o 
patrimônio histórico da Mesopotâmia.
Questões para refletir: a legitimidade 
de uma causa humana pode legitimar o 
uso da violência? O terrorismo contra 
a opressão se diferencia eticamente do 
terrorismo por outras causas?
 
 PARA IR ALÉM Munique (2005, ficção de 
Steven Spielberg); Homens-Bomba (Suicide 
Killers, 2006, de Pierre Rehov) e Valsa com 
Bashir (2008, Ari Folman) são documentários 
sobre o terrorismo.
AQUECIMENTO GLOBAL 
China e EUA 
anunciam um 
acordo bilateral
Em novembro de 2014, os governos 
da China e dos Estados Unidos (EUA) 
anunciaram um acordo mútuo, e com 
metas próprias, para reduzir suas emis-
sões de gases que agravam o efeito es-
tufa e o chamado aquecimento global. 
China e EUA são os dois maiores emis-
sores desses gases, nessa ordem. Os 
EUA se comprometeram a reduzir suas 
emissões em 28% até 2025, e a China, a 
não aumentar suas emissões a partir de 
2030. Juntos eles respondem por mais 
de 40% do total emitido anualmente. 
O anúncio traz boas perspectivas 
de que seja adotado um novo acordo 
mundial, após o fracasso do Protocolo 
de Kyoto das Nações Unidas. Este foi 
prorrogado e os participantes tenta-
rão fechar um novo protocolo na 21ª 
Conferência das Partes da Convenção 
sobre a Mudança do Clima (COP-21), 
em Paris, de 30 de novembro a 11 de 
dezembro de 2015.
Muitos são os aspectos envolvendo 
a dificuldade em conseguir um acordo 
global. Os países em desenvolvimento e 
pobres argumentam que os gases cau-
sadores do aquecimento, acumulados 
na atmosfera, têm dono: os países de-
senvolvidos que os geraram enquanto 
industrializavam suas economias de-
vem ser responsabilizados. Os países 
desenvolvidos, por sua vez, argumen-
tam que o esforço deve ser de todos.
 
PARA IR ALÉM O documentário Refugiados 
do Aquecimento Global (2010, Climate Refu-
gees, Michael Nash) investiga as migrações 
causadas por mudanças do clima. 
Cena chocante: os 
irmãos Kouachi 
assassinam friamente 
um policial que se 
rendera, em Paris 
 JO
R
D
I M
IR
/A
FP
Os temas sociais têm 
predomínio nas provas 
de redação, tanto em 
dissertações quanto 
em outros gêneros
32 GE REDAÇÃO 2016
TEMAS DAS PROVAS
CIDADANIA E MOBILIDADE
Qual o 
significado das 
manifestações?
Os protestos que eclodiram no país 
em 2013 passaram a tomar novos rumos. 
Primeiramente, eram contra o aumento 
de tarifas de transporte público. A essa 
bandeira foram acrescentados protes-
tos contra gastos na Copa do Mundo, 
melhorias na saúde pública e, princi-
palmente, o fim da corrupção no país. 
É evidente o aumento da ocupação e 
posse do espaço público para protestar. 
Outro aspecto é a concomitância dos 
protestos no país com os da Europa e 
Estados Unidos em meio à crise eco-
nômica provocada pela globalização. 
A violência dos protestos de 2013, que 
incluía a depredação por black blocs, não 
se registrou mais com aquela frequência. 
Porém, os protestos adentraram o ano 
de 2015, com duas manifestações nacio-
nais contra o governo, dos que pedem 
o impeachment da presidente recém-
-reeleita, Dilma Rousseff – associando 
o governo à corrupção revelada nas 
investigações da Polícia Federal na ope-
ração Lava Jato –, e uma de desagravo 
ao governo, todas envolvendo partidos 
políticos e outras entidades civis. 
Nessa nova onda de manifestações, 
um outro tipo de comportamento sur-
giu. Uma guerra de lá e cá foi deflagrada 
nas redes sociais. Quem apoia o governo 
é “petralha”, quem protesta é “coxinha” 
e quer fazer um terceiro turno eleitoral.
Em resposta aos panelaços de opo-
sição e às faixas e gritos de “Vai pra 
Cuba”, pipocam nas redes sociais posts 
dos que seriam os “coxinhas” dando 
maus exemplos, como estacionar carro 
de luxo em vaga de deficiente físico e 
outros exemplos da chamada “lei de 
Gerson” – dos que querem levar van-
tagem em tudo. 
O uso dos espaços públicos, das ruas 
ao mundo público virtual, e o questiona-
mento do que é corrupção, tornaram-se 
temas das provas. Unesp 2014 (veja na 
pág. 94); PUC-SP 2015. 
Questões para dissertar: os protestos 
estão virando desobediência civil aberta 
no Brasil? As manifestações em 2015 
refletem apenas as mudanças políticas e 
econômicas mais recentes, ou também 
as ocorridas ao longo dos últimos anos? 
PARA IR ALÉM O filme Junho – O Mês Que 
Abalou o Brasil (2014, de João Wainer), 
produzido pela TV Folha, registra e analisa 
os protestos no país em 2013.
É essencial atualizar-se sobre gran-
des temas atuais, como os apresenta-
dos nesta reportagem. Para entender 
cada assunto é importante saber dos 
antecedentes históricos de cada um, 
acompanhar seu desenvolvimento 
na imprensa semanalmente e o des-
fecho, quando há, com diferentes 
análises sobre seus significados e 
consequências. Isso não é tarefa sim-
ples para quem está no terceiro ano 
do Ensino Médio ou fazendo cursinho. 
Uma publicação que pode ajudar 
nessa tarefa é o GUIA DO ESTUDANTE 
ATUALIDADES, publicado em duas 
edições, em março e agosto. O guia 
traz fatos do Brasil e do mundo, ana-
lisados em uma linguagem acessível, 
ideal para quem não tem o costume 
de ler jornais e revistas. 
Acompanhe 
os temas 
da atualidade
Protesto contra o 
aumento das tarifas 
de transporte público, 
em São Paulo, em 
junho de 2013
D
IE
G
O
 R
IN
A
LD
I/
FO
TO
A
R
E
N
A
33GE REDAÇÃO 2016 
MOBILIDADE URBANA
Busão, carro, 
bike... Cabe 
tudo na rua?
O crescimento da população mun-
dial, da urbanizacão e do inchaço das 
cidades tornaram a mobilidade urbana 
um tema de alcance mundial, embora 
de relevância recente em nosso país. 
O Brasil passou a ter uma Política Na-
cional de Mobilidade Urbana apenas 
em 2012, com a lei 12.587. 
Melhorar a mobilidade urbana é im-
portante para garantir menor tempo 
no deslocamento das pessoas, maiores 
períodos de sono e saúde, acesso a lazer 
e a bens culturais e mesmo de atendi-
mento em saúde. Importante lembrar 
que o tema abrange a mobilidade de 
pedestres, cadeirantes, deficientes vi-
suais, idosos e obesos.
Veja alguns aspectos importantes: 
Polêmica A adoção de ciclovias ex-
clusivas em larga escala em São Paulo 
gera críticas de motoristas e comer-
ciantes, mas segundo pesquisas tem 
apoio da maioria da população (veja 
Gêneros, na pág. 18).
Argumentos favoráveis Os auto-
móveis são poluentes e seu uso deve 
ser mais seletivo. As ciclovias ajudam 
a proteger fisicamente os ciclistas. 
Argumentos contrários É um equí-
voco apoiar outro meio de transporte 
individual; as ciclovias podem coibir o 
aumento de faixas exclusivas para ônibus.
 
PARA IR ALÉM Mobilidade Urbana e Direito 
à Cidade (Instituto Favelarte), série de 
documentários ultracurtos sobre o sistema 
de transporte público do Rio de Janeiro. 
Massa Crítica I e II (2012, Helena Krausz) 
discute o uso de bicicletas nas cidades. 
Retrospectiva 
de temas
Veja os temas de alguns dos 
principais vestibulares e do Enem 
nos últimos exames 
ENEM
2014 Publicidade infantil em questão no 
Brasil (veja na pág. 50) 
2013 Efeitos da implantação da Lei Seca no 
Brasil (veja na pág. 82)
2012 O movimento imigratório para o Brasil 
no século XXI
2011 Viver em rede no século XXI: os limites 
entre o público e o privado
2010 O trabalho na construção da 
dignidade humana
2009 O indivíduo frente à ética nacional
FUVEST
2015 “Camarotização” da sociedade 
brasileira: a segregação das classes 
sociais e a democracia (veja na pág. 78)
2014 Os idosos e o direito à assistência 
pública em meio ao liberalismo 
econômico
2013 Aproveite o melhor que o mundo tem 
a oferecer com o cartão de crédito
2012 Participação política: indispensável ou 
superada?
2011 O altruísmo e o pensamento de 
longo prazo ainda têm lugar no 
mundo contemporâneo?
UNICAMP
2015 Síntese de leituras sobre 
Humanização da Saúde/Carta-convite 
à comunidade escolar para resolução 
de conflitos (veja na pág. 70)
2014 Relatório de um projeto de uma 
oficina cultural/Carta à prefeitura 
exigindo ações consistentes de 
mobilidade urbana. (Veja na pág. 88)
2013 Otimismo e pessimismo/ 
Álcool na adolescência
2012 Pesquisas e espaços de opinião/ 
Educação, redes sociais, o espaço 
público e o privado/Computação em 
nuvem, segurança de acesso à internet
2011 Desejos e valores da juventude/ 
Problemas e propostas para o curso 
de ciências da escola/As enchentes e o 
poder público
UFRGS
2015 Na sua opinião, o que é a amizade nos 
dias de hoje? (veja na pág. 64)
2014 Qual o livro clássico da sua vida?
2013 O papel e os limites do humor na 
sociedade
2012 Língua portuguesa: herança, 
memória, criação
2011 Por que o magistério está 
desprestigiado?
MAIS PROVAS DE 2015
ESPM No Brasil, a tecnologia de livro 
digital favoreceria o aumento de leitores 
em relação ao existente hoje, no meio 
impresso?/Quais são os impactos da 
Economia Colaborativa ou Compartilhada 
[Uber, Lifty e Airbnb] na Economia Formal? 
Isso é apenas um modismo ou irá se 
consolidar? 
FATEC A importância da leitura para a 
inclusão social.
ITA Brasil importa haitianos/Brasil é sonho 
internacional de migrantes 
MACKENZIE Autopromover-se, selfies e o 
significado simbólico da fotografia 
PUC-MINAS Carta solicitando bolsa de 
estudos
PUC-RS Moradores de rua versus circulação 
pública – a instalação de estruturas 
antimoradores de rua em espaços públicos/
Dar esmola não é ajuda?/Comportamentos 
inadequados em espaços públicos. 
UEMG Obra de Machado de Assis é reescrita 
para facilitar leitura dos jovens: posicione-
se a respeito com um depoimento.
UNB 2014 2º SEMESTRE Viagem a Marte sem 
volta: possíveis motivos que levam pessoas 
a querer participar dessa viagem.
UNEB Turismo: preservação da cultura local 
versus necessidades de negócios
UNIFESP O financiamento de campanhas 
eleitorais por empresas deve ser proibido?
UFSM Juventude conectada ‒ evolução ou 
problema social?
UFSC Diferentes concepções de viajar/ 
A Velhice
34 GE REDAÇÃO 2016
LINGUAGEM NÃO VERBAL
FUVEST 2013
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Esta é a reprodução (aqui, sem as marcas normais dos anunciantes, que foram 
substituídas por X) de um anúncio publicitário real, colhido em uma revista, pu-
blicada no ano de 2012. 
Como toda
mensagem, esse anúncio, formado pela relação entre imagem e texto, 
carrega pressupostos e implicações: se o observarmos bem, veremos que ele expressa 
uma determinada mentalidade, projeta uma dada visão de mundo, manifesta uma 
certa escolha de valores e assim por diante. 
Redija uma dissertação em prosa, na qual você interprete e discuta a mensagem 
contida nesse anúncio, considerando os aspectos mencionados no parágrafo anterior 
e, se quiser, também outros aspectos que julgue relevantes. Procure argumentar de 
modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o assunto.
Consumo e cidadania
Observe que o texto de abertura enfatiza ao candidato interpretar a mensagem 
contida no anúncio, associar a imagem a seu texto e problematizar aspectos como 
valores humanos, visão de mundo, mentalidade.
Pessoas tranquilas observando o vão central, ou sentadas conversando, suge-
rem que a segurança do espaço privado é uma das coisas que o cartão de crédito 
oferece e distingue esses consumidores dos não consumidores. 
Alguns candidatos exploraram a ideia de que os shopping centers são os tem-
plos de consumo deste século, em contraposição aos grandes templos católicos 
da Idade Média europeia, e que o consumo é uma nova forma de religião a ditar 
valores sociais e morais. 
Outros aspectos importantes são a substituição dos valores sociais por valores 
de mercado, e do conceito de cidadania pelo de consumidor.
O que 
dizem as 
imagens
Fotografias, 
charges, mapas, 
infografias e 
outras formas de 
linguagens visuais 
e não verbais estão 
definitivamente 
incorporadas 
às propostas 
de redação dos 
vestibulares e do 
Exame Nacional 
do Ensino Médio 
(Enem). É preciso 
habituar-se a 
interpretar essas 
imagens e associá-
las aos textos. 
Aqui você vê 
possibilidades de 
abordagens de 
propostas recentes 
das provas 
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
35GE REDAÇÃO 2016 
PUC-SP 2015
PROPOSTA DE REDAÇÃO (ADAPTADA)
A prova da PUC-SP trouxe o texto Pequenas Corrupções 
- Contra a 'Lei de Gérson', assinado por Ygor Salles, que re-
gistrava o sucesso de compartilhamento, nas redes sociais, 
de uma campanha publicitária feita pela Controladoria Geral 
da União (CGU) contra o “jeitinho brasileiro”. A proposta 
trouxe a pergunta do autor:
 
Por qual motivo a campanha é tão compartilhada?
Com base na sua experiência, quer seja com amigos, colegas, 
vizinhos ou parentes, construa um texto dissertativo-argu-
mentativo, concordando ou não com as ideias apresentadas 
e responda à pergunta feita pelo jornalista.
Desenvolva de forma clara e coesa os argumentos que ex-
ponham o seu ponto de vista sobre este assunto. 
Dê um título ao seu texto.
Uma discussão ética
A corrupção tornou-se um tema do momento, e já fora 
colocada na prova da Unesp 2014 (veja na pág. 94). Aqui, a 
abordagem é ética, um dos componentes da Moral, área de 
estudo da Filosofia e do Direito. 
A prova pergunta por que a campanha foi muito comparti-
lhada nas redes sociais. A imagem de maior destaque procura 
responder a isso e poderia ser usada como elemento central 
da argumentação: um estudante singelamente tenta colar de 
uma colega de sala. Ou seja, os compartilhadores – também 
estudantes e candidatos – teriam se identificado com o tema 
e por isso compartilharam. Essa poderia ser uma resposta. 
Outro aspecto: esse estudante está sendo desonesto e pouco 
ético em relação à colega. Isso é uma situação bem diferente 
da que aparece na charge ao alto. Nela, não se pode saber 
quem é o corruptor ou o corrompido, numa operação que 
traz até máquina online de pagamento. A ideia, de grande 
força, poderia ser explorada na redação: o compartilhamento 
bem-sucedido da campanha é um sintoma de que a ideia 
expressa foi aceita como exemplar e definidora desse mal 
social, sugerindo que ele está generalizado e institucionaliza-
do a ponto de parecer uma espécie de atividade econômica.
As demais citações poderiam ser usadas para ilustrar a 
redação, inclusive apontando essas duas situações: quando 
o ato antiético é autônomo (falsificar a carteira de estudante, 
colar na prova) e quando é um ato de cumplicidade (comprar 
produto falsificado, bater ponto pelo colega e conseguir 
subornar o guarda). Também o texto da imagem, poderia 
ser usado para a argumentação:
“A mudança por um Brasil mais ético começa em cada 
um de nós. Maus hábitos cotidianos muitas vezes são, na 
verdade, práticas antiéticas e até ilegais, que devem sim ser 
combatidas. Diga não às 'corrupções' do dia a dia e faça sua 
parte na luta #contracorrupção.”
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
36 GE REDAÇÃO 2016
LINGUAGEM NÃO VERBAL
ENEM 2014
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos moti-
vadores (...) redija texto dissertativo- 
argumentativo em norma-padrão da 
língua portuguesa sobre o tema Publi-
cidade infantil em questão no Brasil, 
apresentando proposta de intervenção 
que respeite os direitos humanos.(...) 
Limites à publicidade infantil
A infografia do texto I da última prova 
de redação do Enem trazia, ela própria, 
fortes elementos de argumentação, re-
corte temático e defesa de tese para o 
candidato. O olhar atento perceberá 
que o crédito de fontes de informação 
era a Organização Mundial da Saúde 
(OMS), o que remetia à questão da ali-
mentação, saúde e obesidade infantil. 
Isso era reforçado pelo segundo indi-
cador de legendas: Alerta – mensagens 
advertindo para o consumo moderado e 
alimentação saudável. Logicamente, a 
coletânea sugeria abordar a publicidade 
de doces e alimentos calóricos, porém 
pouco nutritivos, por exemplo. Uma 
listagem de amostra dos dados apresen-
tados revelava que apenas três países 
deixavam toda a liberdade às empresas 
(EUA, Brasil e Austrália), enquanto 
oito fazem proibição parcial e dois são 
exemplos de proibição total: a Noruega 
(no país) e Quebec (parte do Canadá), 
sugerindo afirmar na argumentação a 
necessidade de medidas de controle. 
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos 
apresentados.
Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos 
textos da coletânea.
Vaidade e individualismo 
A prova da Universidade Presbiteriana Mackenzie 2015 foi um duro teste para 
o candidato acostumado a fazer selfies descontraidamente, sem refletir muito 
a respeito do que faz. Provavelmente o candidato riu ao ver o pôster à venda na 
Amazon online, uma releitura da obra de arte mais fotografada pelos visitantes 
do Museu do Louvre, em Paris: La Gioconda (Monalisa), de Leonardo da Vinci. 
Porém, o sorriso meio sem graça da Monalisa pode ter se mudado para o rosto 
do candidato ao ler os textos seguintes. 
O antropólogo Egon Vieira afirma, no texto II: “nos divulgar [-mos] parece ser 
o ponto principal do momento empobrecedor em que vivemos, no qual as expe-
riências humanas estão limitadas a nossa própria imagem em nosso esplendor”. 
A psicóloga Joana Cruso de Alencar dá uma força ao candidato, afirmando não 
ver os selfies como negativos, e que eles podem ser lidos como um exemplo “de 
que somos capazes de ter elevada autoestima”. 
Porém, o texto do filósofo e semiólogo francês Roland Barthes, que finaliza a 
série, chega atropelando o leitor: “O que a fotografia reproduz ao infinito só ocorreu 
uma vez (...)” e “nunca mais poderá repetir-se existencialmente (...). Seja o que for o 
que ela nos dê a ver e qualquer que seja a maneira, uma foto é sempre invisível: não 
é ela que vemos”. Ao voltar à proposta, o candidato pode ter se desesperado diante 
da dificuldade de estabelecer a relação entre os textos da coletânea.
Uma vez que a Monalisa é a imagem mais divulgada no mundo, sua selfie pode 
ser entendida como um supremo vangloriar-se, sugere uma individualidade 
exacerbada. Uma abordagem possível é a do fenômeno do
individualismo numa 
sociedade em constante urbanização e aumento da densidade demográfica. Ou-
tro viés de argumentação poderia ser a necessidade de autoafirmação e a busca 
incessante da felicidade. 
Finalmene, um caminho mais sofisticado seria abordar a prática às vezes ridícula 
dos autorretratos, sempre sorridentes, diante de peças de arte em exposições, 
associando-a ao sorriso indecifrável da Monalisa. 
MACKENZIE 2015
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
37GE REDAÇÃO 2016 
FGV-Direito 2014 UFBA 2012
Laerte. Folha de S.Paulo, 10 de junho de 2014
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Os textos acima apresentam, de maneira enfática, diferentes 
opiniões sobre a questão da regulação da imprensa em socieda-
des democráticas. Tendo em vista as sugestões neles contidas, 
redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha o seu 
ponto de vista sobre o tema Imprensa e democracia: a regulação 
da imprensa nas sociedades democráticas.
Liberdade de imprensa e de expressão 
A prova de Direito da Fundação Getulio Vargas trouxe 
aos calouros um tema espinhoso: a difícil intersecção en-
tre os conceitos de liberdade de imprensa e liberdade de 
expressão. Primeiro texto da proposta, a charge do cartu-
nista Laerte, propositadamente irônica, sugere que algum 
controle já existe, ao perguntar se existe controle e quem o 
exerce. Observe que o silêncio, no segundo quadro, sugere 
a necessidade de reflexão.
Um caminho para a argumentação, é situar a liberdade de 
expressão como direito do cidadão que se reflete e amplia 
como direito de todos os cidadãos. Torna-se, assim, um 
direito social sujeito a ser legislado, como todos os demais 
direitos, pela representação política do povo, que é o governo 
como um todo.
No Brasil, por exemplo, a Lei 7.716 de 1989, que define 
crimes de preconceito, tem sido atualizada pelo Congresso. 
Em seu artigo 20, emendado em 1997, a lei define os crimes 
de incitação à discriminação, com penas de um a três anos 
de prisão com penas e multa para o indivíduo que a praticar. 
Porém, essa pena é agravada para dois a cinco anos de prisão 
e multa para os veículos de comunicação que a divulgarem, 
pois o veículo está vinculado mais diretamente ao direito 
social e coletivo. Outros textos escritos polemizavam o tema, 
permitindo discutir a afirmação da imprensa como Quarto 
Poder e, assim como o poder financeiro, o militar e outros, 
merece legislação de regulamentação e controle.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Você está diante de uma coletânea de textos diversificados 
sobre a temática das novas tecnologias, automação e robótica. 
Com base nessa coletânea, produza um texto dissertativo-
argumentativo sobre o tema: O avanço das tecnologias no 
mundo contemporâneo e seus benefícios e/ou prejuízos para 
o Homem, para a sociedade.
A globalização e a automação do trabalho
A proposta dessa prova favoreceu o candidato com um 
excelente texto de abertura da coletânea, Adeus, Trabalho 
Velho, Bem-Vindos, Robôs, de José Odair da Silva. Este já 
citava questões significativas e polêmicas da automação do 
trabalho e seu papel na globalização. A coletânea era com-
plementada com o poema Ladainha, de Cassiano Ricardo, e 
a letra da canção Cérebro Eletrônico, de Gilberto Gil (todos 
disponíveis na internet). 
A imagem de um aperto de mão entre um homem e um robô 
sugere uma divisão da importância de papéis, entre homens 
e máquinas, em partes iguais no mundo do trabalho, e uma 
abordagem sobre a irreversibilidade do processo humano de 
criar ferramentas para seu uso. Esse processo também apa-
rece na charge do texto 3, que aborda o aspecto ininterrupto 
das inovações. Porém, ao apresentar um paradoxo, o texto 
3 também sugere que talvez devamos fazer análises mais 
estruturadas e realistas quando utilizamos fatos presentes 
para fazer projeções. 
A charge A Mão, de Laerte (texto 2), mais provocativa, 
sugere uma fusão da tecnologia mecânica com a biologia, a 
qual de fato já está ocorrendo. A charge permite problemati-
zar o avanço das tecnologias, dos benefícios e dos prejuízos 
humanos e sociais que pode provocar, que se devem evitar 
conclusões simplistas, e que são desafios humanos sempre 
presentes garantir o favorecimento e o bem-estar em lugar 
de prejuízos e perdas. 
Te
xt
o 
1
Te
xt
o 
3
Te
xt
o 
2
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
R
E
P
R
O
D
U
Ç
Ã
O
38 GE REDAÇÃO 2016
GRAMÁTICA
Reveja algumas regras de pontuação, do uso 
de pronomes e de suas colocações, de crase e 
plural dos adjetivos compostos, entre outros 
pontos gramaticais, para não errar na redação. 
O governo federal adiou a entrada em vigor 
plena da nova ortografia para 1o/1/2016; assim, 
as mudanças não serão exigidas nas provas do 
fim de 2015, mas poderão ser nas de segunda 
fase no início de 2016, se o prazo não for adiado
escreva bem 
evitando erros 
comuns
39GE REDAÇÃO 2016 
Advinda da fusão de dois “as”, uma preposição e, nor-
malmente, um artigo, a crase causa dúvidas em estudantes, 
vestibulandos e, até mesmo, em profissionais formados.
A crase só ocorre diante de palavras femininas. Assim 
sendo, uma das regras mais simples para descobrir se ela 
ocorre ou não em uma frase é substituir o termo seguinte 
ao a por um equivalente masculino – se o resultado gerar a 
contração ao antes da palavra substituída, há crase.
 Estava ansioso para ir à prova.
Estava ansioso para ir ao vestibular.
 Acabou perdendo a prova.
Acabou perdendo o vestibular.
Embora útil, a dica não dá conta de todos os casos. Muitas 
vezes, há dúvida no uso da crase, também, diante do nome 
de lugares – cidades, estados, países etc. –, principalmente 
quando utilizamos o verbo ir. Ir a Manaus ou à Manaus? A 
Alemanha ou à Alemanha? Nesses casos, o truque é trocar 
o verbo ir por voltar junto da preposição de – se houver 
artigo, há crase.
Volto de Manaus.
Vou a Manaus.
Volto da Alemanha.
Vou à Alemanha.
Locuções adverbiais, ou que usam conjunções e prepo-
sições com palavras femininas, também apresentam crase. 
Exemplos desses casos são: à noite, às vezes, à direita, à 
frente, às escondidas, à moda de, à esquerda de, à volta de, 
à medida que, à altura de etc.
Não raro, encontramos textos que confundem os pronomes 
demonstrativos este e esse e suas variações (esta, isto, desse, 
nesse etc.). Afinal, qual é o certo?
Este deve ser utilizado para demonstrar proximidade 
com o enunciador, enquanto esse serve para os casos em 
que aquilo a que se refere está afastado do enunciador e 
mais próximo do receptor.
Este meu coração teme o que passa nessa sua cabeça.
A ideia de proximidade também pode ser utilizada na 
localização temporal. Este é utilizado para indicar o tempo 
em que estamos: este ano, este dia, esta hora. Ainda no que 
se refere ao tempo, usamos esse para o tempo passado e 
este para o futuro.
Prestei vestibular nessa semana.
Prestarei vestibular nesta semana.
Tal raciocínio também é utilizado para a localização dos 
elementos indicados no texto. Usamos esse para elementos 
já citados e este para os que serão anunciados.
Não perco mais meu tempo com baladas, isso faz parte do passado!
Só o que desejo é isto: uma boa balada!
LEMBRE-SE: em contraposição a aquele, usamos sempre 
este para indicar o elemento mais próximo.
Eis a maior diferença entre meu trabalho anterior e o atual: este 
me dá mais tempo livre, aquele me tomava até os fins de semana.
No caso acima, este se refere ao trabalho atual, mais pró-
ximo no texto, e aquele ao trabalho anterior.
Uso da crase Este ou esse
40 GE REDAÇÃO 2016
GRAMÁTICA
É de conhecimento geral que, quando 
fazemos comparações, o uso da forma 
sintética melhor é obrigatória no lugar 
de mais bem e mais bom.
O Fazer uma graduação é melhor do que 
parar no Ensino Médio.
X Fazer
uma graduação é mais bom do 
que parar no Ensino Médio.
O Um profissional formado ganha melhor 
que um estagiário.
X Um profissional formado ganha mais 
bem que um estagiário.
No entanto, diante de particípio, o uso 
da forma sintética melhor não é corre-
to, já que o mais não intensifica apenas 
o advérbio bem, mas toda a expressão 
formada por bem + particípio. Veja:
O Com uma especialização estarei mais 
bem preparado para o mercado de 
trabalho.
X Com uma especialização estarei melhor 
preparado para o mercado de trabalho.
Escreve-se por que separado em pergunta quando trata-se da preposição por 
+ pronome interrogativo que, na função de advérbio de interrogação. Veja um 
exemplo com uma substituição: 
Por que motivo eu deveria pagar essa conta?
Por qual razão eu deveria pagar essa conta?
Quando usada no fim da oração, com a mesma função interrogativa, deve ter 
o pronome acentuado:
Eu devo pagar essa conta por quê?
Quando é empregada a conjunção explicativa ou causal porque, equivalente 
a pois ou já que, a grafia é de uma palavra só:
Porque foi você quem fez o pedido... 
Pois foi você quem fez o pedido...
Já que foi você quem fez o pedido...
Finalmente, grafamos porquê, em uma palavra com acento, quando se trata 
de um substantivo, com sentido de um motivo ou uma razão. Veja exemplos de 
certo e errado e analise:
X Não soubemos porque a estação de trem USP Leste desistiu da certificação ambiental.
O Não soubemos por que a estação de trem USP Leste desistiu da certificação ambiental.
O A estação de trem USP Leste desistiu da certificação, mas não se sabe o porquê disso.
X Não houve a certificação ambiental da estação de trem USP Leste por que?
O Não houve a certificação ambiental da estação de trem USP Leste por quê? 
O A certificação da estação seria importante porque serviria de parâmetro para outras 
instituições.
Porque – Por que 
Por quê – Porquê 
O emprego 
correto de 
melhor
41GE REDAÇÃO 2016 
Raramente utilizado corretamente, o 
ponto e vírgula é, muitas vezes, evitado 
nas redações. Melhor do que fugir dessa 
pontuação é saber usá-la corretamente 
e, possivelmente, ganhar uns pontos a 
mais dos corretores.
Um dos empregos do ponto e vírgula 
é separar partes de períodos que já são 
divididos por vírgulas. Observe:
 O Tinha feito um bom texto: uma 
introdução clara, uma argumentação 
pertinente, uma conclusão perfeita; o 
título, no entanto, estava difícil.
Outro uso é na separação de itens de 
enunciados enumerativos. 
 O A prova de Matemática, muito temida, 
acontecerá no primeiro dia; as de 
humanas, no segundo; as de exatas e 
biológicas no terceiro; a de linguagem e a 
redação, no quarto.
Além disso, utilizamos o ponto e vír-
gula na separação de orações coorde-
nadas extensas. Veja:
O Ela sabia a maratona que seriam as 
provas; por isso, preparou tudo: canetas 
testadas e lápis apontado, um bom 
lanche, muita água, roupas e tênis bem 
confortáveis.
 Na norma padrão da língua, o advér-
bio onde, indicador de lugar, deverá 
ser acompanhado da preposição a se 
houver a presença de um verbo que a 
exija. Na gramática normativa o verbo 
ir “rege” o emprego da preposição a: 
Quem vai, vai a algum lugar. Logo: Aon-
de você vai? Analise outros exemplos:
O Aonde você quer chegar? 
X Onde você quer ir?
O O bairro onde moro não recebeu 
investimentos públicos.
X A cidade aonde ocorreram as inundações 
pediu ajuda. 
Outra dica importante: onde, de 
acordo com a gramática normativa, 
deve ser empregado somente quando 
remete a lugares, espaços. É incorreto 
ser usado em substituição a outro ele-
mento gramatical:
X A situação econômica onde estamos tem 
resultados frágeis (em lugar de na qual).
X Vou treinar a dissertação onde sempre 
cai nas provas (em lugar de que).
X Essa foi a redação onde demorei a 
encontrar a argumentação (em lugar de 
na qual).
Os adjetivos compostos vêm, salvo 
exceções, separados por hífen, e apenas 
o último elemento sofre modificação 
para concordar com o substantivo.
O Jogadores franco-argentinos.
O Reuniões político-partidárias.
O Políticas econômico-sociais.
O Medidas social-humanitárias. 
Exceção: Surdo-mudo flexiona 
em número e gênero (surdos-mudos, 
surdas-mudas).
O caso é diferente quando um dos 
elementos do adjetivo composto é um 
substantivo. Nesse caso, usa-se o hífen, 
mas nenhum dos dois elementos varia.
O Bandeiras vermelho-cereja. 
O Uniformes verde-abacate. 
O Mísseis terra-ar. 
Não se confunda quando o elemento 
composto que você sempre vê como 
adjetivo muda de função e é usado como 
substantivo. Exemplo: Os verdes-abaca-
te e os vermelhos-cereja da moda deste 
ano não são bonitos. Também são aceitos 
verdes-abacates e vermelhos-cerejas.
Onde 
e aonde
Plural dos 
adjetivos 
compostos
O ponto 
e vírgula
42 GE REDAÇÃO 2016
GRAMÁTICA
Não adianta apenas saber para que 
servem os sinais de pontuação, deve-se 
saber quando utilizá-los. Em determi-
nados tipos de texto, algumas pontua-
ções podem não ser adequadas.
Enquanto em uma narrativa é comum 
o emprego de interrogações, excla-
mações e reticências, em uma disser-
tação esse uso não é recomendado. É 
até possível que o candidato insira uma 
pergunta nesse tipo de texto, desde que 
ela seja respondida na própria redação, 
mas frases exclamativas e ideias em 
aberto estão fora de questão. 
Também se deve evitar o uso de aspas 
e parênteses em um texto dissertativo 
– no caso de textos intercalados, por 
exemplo, pode-se utilizar vírgulas ou 
travessão. As aspas devem ser em-
pregadas exclusivamente em casos de 
citações, desde que pertinentes, e em 
palavras estrangeiras imprescindíveis 
ao contexto. Gírias e neologismos tam-
bém não devem ser usados nos textos 
vestibulares.
Enfim, a pontuação deve ser utilizada 
com critério, para que possa auxiliar a 
compreensão do leitor. Não há lugar 
para deslizes, brincadeiras nem inven-
cionices nesse aspecto.
Entre os elementos gramaticais mais negligenciados em redações escolares e 
de vestibulares estão os pronomes relativos. A função dos pronomes relativos é 
substituir um termo da oração anterior e estabelecer relações ente duas orações 
dentro de um mesmo período. Veja:
Prefiro fazer dissertações. Eu já conheço a estrutura das dissertações.
Prefiro fazer dissertações, cuja estrutura eu já conheço.
O desvio no uso dos pronomes relativos compromete a coesão textual e pre-
judica, até mesmo, a coerência dos textos. Um dos pronomes relativos usados 
equivocadamente na construção dos textos é cujo. 
X Esta é a prova cuja farei.
O Esta é a prova que farei
X A redação é a parte da prova cujo tenho mais medo.
O A redação é a parte da prova de que tenho mais medo.
O pronome relativo cujo, e suas flexões, tem valor possessivo, ou seja, só pode 
ser utilizado quando a segunda oração apresentar elementos possuídos pelo 
termo retomado.
O Não confio em instituições cujos cursos não são aprovados pelo MEC.
No exemplo acima, os cursos pertencem às instituições, por isso o uso de cujos 
está correto. Vale ressaltar que, embora o cujo e suas flexões retomem o termo 
anterior, eles não concordam com esse termo, mas com os elementos possuídos. 
Veja:
O Procuro um curso cuja licenciatura seja integrada ao bacharelado. 
(cuja, no feminino, retoma curso e concorda com licenciatura)
O Quero uma instituição cujos alunos saiam preparados para o mercado de trabalho. 
(cujos, no masculino plural, retoma instituição e concorda com alunos)
Acerte os 
pontos na 
dissertação
Uso de 
pronomes 
relativos
43GE REDAÇÃO 2016 
A colocação pronominal incorreta é uma das falhas mais 
recorrentes nas redações. O motivo é simples: no uso oral da 
língua, costumamos negligenciar a norma-padrão
no uso dos 
pronomes oblíquos átonos – é comum aos falantes da língua 
portuguesa nascidos no Brasil colocar o pronome antes do 
verbo, ou seja, privilegiar a próclise quando fala, por exemplo.
Recordando, a colocação pronominal é a posição que os 
pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, o, os, a, as, 
lhe, lhes, nos e vos) ocupam na frase em relação ao verbo a 
que se referem. 
Os pronomes oblíquos átonos podem assumir três posições 
na oração em relação ao verbo:
1. Próclise: o pronome vem antes do verbo;
2. Ênclise: o pronome vem depois do verbo; 
3. Mesóclise: o pronome vem no meio do verbo.
PRÓCLISE A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: 
PALAVRAS COM SENTIDO NEGATIVO: 
Não me inscrevi para o vestibular. 
Ninguém me auxiliou na escolha da carreira. 
ADVÉRBIOS: 
Aqui se testam os candidatos. 
 Naquela sala se fazem as inscrições. 
PRONOMES RELATIVOS: 
O professor que te auxiliou era competente. 
Percebi o que te atrapalhava. 
PRONOMES INDEFINIDOS: 
Quem nos auxiliou? 
Todos nos auxiliaram. 
PRONOMES DEMONSTRATIVOS: 
Isso lhe atrapalhou. 
Aquilo lhe pareceu certo. 
PREPOSIÇÃO SEGUIDA DE GERÚNDIO: 
Em se tratando do vestibular, estou confiante.
Salvo ficar se lamentando, ele não faz mais nada.
CONJUNÇÃO SUBORDINATIVA: 
Fizemos a redação, conforme nos indicaram. 
Preenchemos a ficha, como nos pediram.
ÊNCLISE A ênclise é empregada depois do verbo quando temos: 
O VERBO NO IMPERATIVO AFIRMATIVO: 
Matricule-se já. 
Inscreva-se ali. 
O VERBO INICIANDO A ORAÇÃO: 
Inspirei-me no professor. 
Matriculei-me hoje. 
O VERBO NO INFINITIVO: 
Procure acalmar-se. 
Será preciso empenhar-se. 
O VERBO NO GERÚNDIO: 
 Dedicando-me, irei passar. 
Permaneci esforçando-me. 
VÍRGULA OU PAUSA ANTES DO VERBO: 
Acabando a prova, entreguei-me ao cansaço. 
 Quando passei, senti-me realizado. 
MESÓCLISE A mesóclise acontece quando o verbo for 
flexionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito: 
A prova realizar-se-á nas dependências da faculdade. 
 Ajudar-te-ei a estudar. 
Colocação pronominal. 
Próclise, ênclise e mesóclise
RRRRRR
Análises completas das propostas e dos textos de redação de candi-
datos bem avaliados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e 
nos principais vestibulares do país nos dois últimos anos. Conheça 
os pontos fortes e fracos das redações campeãs e evite os erros 
daquelas que não foram tão bem avaliadas na prova.
Redações campeãs
50 Enem 2014
58 Unesp 2015
64 UFRGS 2015
70 Unicamp 2015
78 Fuvest 2015
82 Enem 2013
88 Unicamp 2014
94 Unesp 2014
Redações abaixo 
da média
76 Unicamp 2015
ANÁLISES DE:
ALAN NICOLICHE, consultor da 
Educon Consultoria Educacional; 
ANA PAULA DIBBERN, professora e 
coordenadora do Cursinho Henfil; 
DAVI FAZZOLARI, professor do 
Colégio Visconde de Porto Seguro; e 
NATHÁLIA MACRI NAHAS, professora 
dos colégios Poliedro e I.L.Peretz.
ILUSTRAÇÕES DE:
MILENA GALLI (vestibulares)
VITOR INOUE (capa)
Caderno 
de
redaçoes
arrow
arrow
SUMÁRIO
50 GE REDAÇÃO 2016
A proposta de redação da prova de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 
desafiou muitos secundaristas a refletir pela primeira vez sobre um tema que foi 
considerado uma surpresa: a recomendação de proibição de publicidade dirigida a crianças 
no país, adotada no mesmo ano. Ao contrário do tema da prova de 2013, a chamada Lei Seca, 
essa proibição não mereceu tanta repercussão, mas um mapa ajudou o estudante a perceber 
que essa questão já foi enfrentada em diferentes países. Veja a proposta e algumas redações 
bem avaliadas. As análises são do professor Alan Nicoliche
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base 
nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija 
texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua por-
tuguesa sobre o tema Publicidade infantil em questão no Brasil, 
apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos 
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e 
coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
A aprovação, em abril de 2014, de uma resolução que considera 
abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conselho Nacional 
de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), deu início a 
um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos 
direitos das crianças e setores interessados na continuidade das 
propagandas dirigidas a esse público.
Elogiada por pais, ativistas e entidades, a resolução estabelece 
como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem “a 
intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto 
ou serviço” e que utilize aspectos como desenhos animados, 
bonecos, linguagem infantil, trilhas sonoras com temas infantis, 
oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis que tenham 
apelo às crianças.
Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação prática 
da resolução. E associações de anunciantes, emissoras, revistas e 
de empresas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis 
criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade consti-
tucional do Conanda para legislar sobre publicidade e para impor 
a resolução tanto às famílias quanto ao mercado publicitário. 
Além disso, defendem que a autorregulamentação pelo Conselho 
Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já seria 
uma forma de controlar e evitar abusos.
IDOETA, P. A.; BARBA, M. D. A Publicidade Infantil Deve Ser Proibida? 
Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 23 maio 2014. Adaptado.
PROTEÇÃO À CRIANÇA E 
LIBERDADE PUBLICITÁRIA
-
ENEM 2014
51GE REDAÇÃO 2016
INSTRUÇÕES
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em 
até 30 linhas.
3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de 
Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas 
copiadas desconsiderado para efeito de correção.
RECEBERÁ NOTA ZERO, EM QUALQUER DAS SITUAÇÕES EXPRESSAS 
A SEGUIR, A REDAÇÃO QUE:
box tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada insuficiente.
box fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argu-
mentativo.
box apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos 
humanos.
box apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com 
o tema proposto.
TEXTO II
A PUBLICIDADE PARA CRIANÇAS NO MUNDO
Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 24 jun. 2014. Adaptado.
TEXTO III
Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber 
as informações do mundo exterior, para compreender o que está 
por trás da divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o 
consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e por 
que comprar, ciente de suas reais necessidades e consciente de 
suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo.
SILVA, A. M. D.; VASCONCELOS, L. R. A Criança e o Marketing: Informações Es-
senciais para Proteger as Crianças dos Apelos do Marketing Infantil. São Paulo: 
Summus, 2012. Adaptado.
52 GE REDAÇÃO 2016
A HORA DE OPINAR
O propósito da redação do Enem é avaliar os candidatos não 
apenas nos aspectos técnicos – gramática e estrutura textual –, 
mas principalmente no aspecto argumentativo, na capacidade 
de refletir sobre uma situação-problema e propor intervenções 
razoáveis. A proposta de 2014 trouxe os elementos essenciais 
para que o redator pudesse mostrar suas capacidades discursivas 
e expor suas ideias como cidadão.
O tema proposto não era novidade – a regulamentação da 
publicidade voltada ao público infantil é pauta de discussão há 
muito tempo, tanto no Brasil, quanto em diversas outras nações. 
Mas ainda que não fosse algo novo, o assunto não vinha ganhando
muito destaque pela mídia, o que acabou surpreendendo aqueles 
que realizaram a prova. Dessa forma, os textos de apoio foram 
fundamentais para ambientar os candidatos e ajudá-los a escolher 
um direcionamento em suas composições.
Os três textos-base apresentaram a questão da publicidade in-
fantil e sua regulamentação. No primeiro, é apresentado o impasse 
no caso nacional, resultado da decisão do Conanda de considerar 
a publicidade direcionada às crianças como abusiva. No segundo 
texto, um mapa mostra como o assunto é tratado em diferentes 
países. O último texto traz uma abordagem mais pedagógica, tra-
tando da necessidade de orientar os jovens quanto à publicidade 
e seu poder persuasivo. Obviamente, dada a proposta, o maior 
diálogo da redação deveria ser realizado com o texto I, servindo 
os demais como base para a linha argumentativa.
Afinal, proibir, liberar ou moderar? Qualquer uma das possibi-
lidades poderia ser abordada na redação. Mais importante que a 
opinião do candidato era sua capacidade de argumentar. Aqueles 
que optassem pela proibição deveriam ter em mente que, para 
defender essa colocação, mais radical, teriam não apenas de con-
cordar com a proposta do Conanda, mas apresentar informações 
que sustentassem a necessidade de proibir os anúncios. Para quem 
defendesse a liberação, seria necessário convencer o leitor de que 
a publicidade não é maléfica, ou que as agências e anunciantes têm 
capacidade e responsabilidade para se autorregularem. A saída 
moderada deveria explicar como se daria a regulação: horários 
e produtos pré-definidos, mensagens de advertência, formatos 
distintos em diferentes mídias etc. 
Enfim, a proposta de Redação do Enem 2014 conseguiu cumprir 
o objetivo de apresentar um tema no qual os jovens cidadãos 
pudessem dar sua opinião e apresentar propostas de intervenção 
reais. O candidato, por mais que não estivesse familiarizado com o 
tema, teve subsídio para escrever e trabalhar sua argumentação. 
anÁlise 
DA PROPOSTA
ENEM 2014 - Redação 1-
Sem título*
Desde o início da expansão da rede dos meios de 
comunicação, em especial o rádio e a televisão, a mídia 
publicitária tem veiculado propagandas destinadas ao 
público infantil, mesmo que os produtos ou serviços 
mencionados não sejam destinados a este. Na década de 
1970, por exemplo, era transmitida no rádio a propaganda 
de um banco utilizando personagens folclóricos, chamando 
a atenção das crianças que, assim, persuadiam os pais a 
consumir.
É sabido que, no período da infância, o ser humano ainda 
não desenvolveu claramente seu senso crítico, e assim 
é facilmente influenciado por personagens de desenhos 
animados, filmes, gibis, ou simplesmente pela combinação 
de sons e cores de que a publicidade dispõe. Os adolescentes 
também são alvo, numa fase em que o consumo poder ser 
sinônimo de autoafirmação. Ciente deste fato, a mídia cria 
os mais diversos produtos, fazendo uso desses atributos, 
como brindes em lanches, produtos de higiene com imagens 
de personagens e até mesmo utilizando atores e modelos 
mirins nos comerciais.
Muitos pais têm então se queixado do comportamento 
consumista de seus filhos, apelando para organizações 
de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Em 
abril de 2014, foi aprovada uma resolução que julga 
abusiva essa publicidade infantil, gerando conflito entre 
as empresas, organizações publicitárias e os defensores 
dos direitos deste público-alvo. Entretanto, tal resolução 
configura um importante passo dado pelo Brasil com 
relação ao marketing infantil. Alguns países cujo índice de 
escolaridade é maior que o brasileiro já possuem legislação 
que limita os conteúdos e horários de exibição dos 
comerciais destinados às crianças. Outros, como a Noruega, 
proibiram completamente qualquer publicidade infantil.
A legislação brasileira necessita, portanto, continuar 
a romper com as barreiras impostas pela indústria 
publicitária, a fim de garantir que o público supracitado 
não seja alvo de interesses comerciais por sua inocência e 
fácil persuasão. No âmbito educacional, as escolas devem 
auxiliar na formação de cidadãos com discernimento e 
capacidade crítica. Desta forma, é importante que sejam 
ensinados e discutidos nas salas de aula os conceitos de 
cidadania, consumismo, publicidade e etc., adequando-os a 
cada faixa etária. 
*Redação de Gabriela Almeida Costa, de Salvador (BA), que recebeu nota 
1000 na prova do Enem 2014. Gabriela foi aprovada para ingresso no curso de 
Geografia na Universidade Federal da Bahia (Veja seu depoimento na pág. 17).
53GE REDAÇÃO 2016
QUATRO REQUISITOS COMPLETOS
A redação do Enem deve seguir quatro premissas básicas: uti-
lizar a estrutura clássica do texto dissertativo, com introdução, 
desenvolvimento e conclusão; manter-se no tema proposto – quase 
sempre amparando-se nos textos de apoio –; cometer o mínimo 
possível de desvios de linguagem; e apresentar e desenvolver uma 
proposta de intervenção passível de ser acatada. É o que o texto 
desta candidata faz.
Bebendo na fonte dos textos de apoio, a candidata contextualiza 
o leitor enquanto desenvolve seu raciocínio. A construção acontece 
de maneira tão clara e progressiva, que, ainda que não traga muitas 
novidades em sua argumentação, cumpre bem a proposta. Vale a 
pena ressaltar a maneira como as informações dos textos-base são 
aproveitadas no texto, inclusive as do gráfico: não se trata de um 
remendo de informações, antes disso, elas são bem costuradas – 
servindo de base para os argumentos apresentados. 
Quanto à linguagem, os desvios gramaticais e coesivos são poucos, 
mantendo a produção dentro da margem de erros aceitáveis pela 
grade de correção. Vale lembrar que o Enem trabalha com faixas de 
notas, ou seja, a nota máxima pode ser alcançada ainda que a redação 
apresente alguns deslizes quanto à norma e à construção textual.
Por fim, uma proposta de intervenção totalmente plausível e bem 
desenvolvida fecha os requisitos do texto. Aqui um ponto importan-
te: a sugestão não se restringe a um único campo. É reconhecida a 
necessidade de haver uma legislação ativa quanto à publicidade e 
ainda se propõe uma ação dentro das escolas – esta última ideia, 
principalmente, muito bem desenvolvida.
Ressalvando-se a ausência de título, esta dissertação é um exemplo 
de como uma redação não precisa ser mirabolante para alcançar 
uma boa nota no exame. Candidatos que fazem uma boa leitura 
da proposta, e que conseguem desenvolver suas ideias de forma 
coerente, têm grande chance de emplacar um bom resultado. 
análise
Persuasão
Veja como o texto 
utiliza um conjunto 
progressivo de ideias 
para convencer o leitor. 
Os argumentos são 
expostos como verdade, 
sem vacilo. Essa firmeza 
é importante para 
persuadir o leitor
Uso da coletânea
A candidata soube 
traduzir o gráfico e 
não cometeu o erro de 
tentar utilizar todas 
as informações; trouxe 
apenas os dados que lhe 
pareceram coerentes com 
seu discurso
Completude
A proposta de 
intervenção não deve ser 
simplesmente uma ideia 
mencionada. Perceba 
como a candidata explica 
sua proposta e como ela 
deveria ser aplicada nas 
escolas
Etcetera
Etc. é a abreviação do 
termo latino “et cetera”, 
que significa e outras 
coisas. Portanto, o “e” já 
está presente e “e etc” 
torna-se redundante 
e incorreto
54 GE REDAÇÃO 2016
ENEM 2014 Redação 2--
Publicidade Infantil: 
perigoso artifício*
Uma criança imitando os sons emitidos por porcos já foi atitude considerada 
como falta de educação. No entanto, após a popularização do programa infantil 
“Peppa Pig”, essa passou a ser uma cena comum no Brasil. O desenho animado 
sobre uma família de
porcos falantes não apenas mudou o comportamento 
dos pequenos como também aumentou o lucro de uma série de marcas que se 
utilizaram do encantamento infantil para impulsionar a venda de produtos 
relacionados ao tema. Peppa é apenas mais um exemplo do poder que a 
publicidade exerce sobre as crianças. 
Os nazistas já conheciam os efeitos de uma boa publicidade: são inúmeros os 
casos de pais delatados pelos próprios filhos – o que mostra a facilidade com 
que as crianças são influenciadas. Essa vulnerabilidade é maior até os sete anos 
de idade, quando a personalidade ainda não está formada. Muitas redes de 
lanchonetes, por exemplo, valem-se disso para persuadir seus jovens clientes: 
seus produtos vêm acompanhados por brindes e brinquedos. Assim, muitas vezes 
a criança acaba se alimentando de maneira inadequada na ânsia de ganhar um 
brinquedo. 
A publicidade interfere no julgamento das crianças. No entanto, censurar todas 
as propagandas não é a solução. É preciso, sim, que haja uma regulamentação 
para evitar a apelação abusiva – tarefa destinada aos órgãos responsáveis. No 
caso da alimentação, a questão é especialmente grave, uma vez que pesquisas 
mostram que os hábitos alimentares mantidos até os dez anos de idade são 
cruciais para definir o estilo de vida que o indivíduo terá quando adulto. 
 Uma boa solução, nesse caso, seria criar propagandas enaltecendo o consumo de 
frutas, verduras e legumes. Os próprios programas infantis poderiam contribuir 
nesse sentido, apresentando personagens com hábitos saudáveis. Assim, os 
pequenos iriam tentar imitar os bons comportamentos. 
Contudo, nenhum controle publicitário ou bom exemplo sob a forma de um 
desenho animado é suficiente sem a participação ativa da família. É essencial 
ensinar as crianças a diferenciar bons produtos de meros golpes publicitários. 
Portanto, em se tratando de propaganda infantil, assim como em tantos outros 
casos, a educação vinda de casa é a melhor solução. 
*Redação de Larissa Freisleben, que recebeu nota 1000 na prova do Enem 2014. Larissa ingressou em 
Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. (Veja depoimento dela na pág.17).
Contextualização 
Trazer elementos do 
cotidiano, do universo 
pop ou de programas 
de televisão não é 
necessariamente falta 
de cultura; se bem 
contextualizado, 
pode refletir uma boa 
capacidade de leitura do 
mundo ao redor
Repertório
A passagem do desenho 
infantil a uma inesperada 
citação histórica do 
nazismo surpreende o 
leitor, mostra amplo 
repertório e tem forte 
efeito persuasivo
Variação de estilo
A proposta de 
intervenção não 
precisa se restringir à 
conclusão da dissertação. 
Ela pode aparecer 
já nos parágrafos 
argumentativos
55GE REDAÇÃO 2016
SAINDO DO QUADRADO
As melhores redações são, sem dúvida, 
aquelas cujos argumentos e exemplos fo-
gem do lugar-comum. Aqueles que almejam 
as melhores notas, seja no Enem ou em 
exames vestibulares, devem surpreender a 
banca examinadora, demonstrando um bom 
repertório cultural e capacidade de articular 
informações de diversas fontes dentro de 
um contexto coerente. Este texto, que ficou 
famoso na mídia, traz alguns desses traços.
Quando dizemos que o candidato deve 
ousar na escolha do repertório que utili-
zará em seu texto, isso não quer dizer que 
ele deva demonstrar profunda erudição, 
citar grandes autores ou mostrar-se um 
ser multimídia. De nada vale qualquer 
informação no texto se estiver descontex-
tualizada. A ousadia deve residir na falta 
de medo de trabalhar exemplos menos 
convencionais e na capacidade argumen-
tativa para extrapolar essas informações. 
Fazer uma boa intertextualidade, perceber 
conceitos filosóficos, sociológicos ou polí-
ticos em produções midiáticas, intercam-
biar visões artísticas clássicas com outras 
mais alternativas, ou seja, perceber as 
relações evidentes ou subjetivas presentes 
no mundo e amarrá-las em um texto são as 
características de um bom escritor.
A redação de Larissa Freisleben certamen-
te chamou a atenção de todos pela citação 
do desenho animado Peppa Pig; no entanto, 
outras referências ao longo do texto deram 
consistência à tese apresentada na introdu-
ção, como as crianças que denunciavam os 
pais durante o nazismo, o caso das lancho-
netes e os hábitos alimentares infantis, que 
se complementam. Claramente, nenhum 
elemento está ali apenas para fazer graça 
ou, como popularmente se diz, “encher lin-
guiça”. Os programas infantis, por exemplo, 
são retomados na proposta de intervenção.
Se na argumentação e na escolha dos 
exemplos a ação da candidata foi acertada, 
na estruturação não foi diferente. A intro-
dução utiliza a animação da porquinha para 
análise
ilustrar o poder da mídia e da publicidade. Na 
sequência, os demais exemplos demonstram 
como a propaganda interfere no comporta-
mento das crianças. No terceiro parágrafo, 
a dissertação trabalha especificamente o 
caso da veiculação da publicidade infantil, 
cerne da proposta do Enem. Ali a redatora 
demonstra sua opinião, favorável a uma 
regulamentação responsável, diferente de 
uma proibição total. Também nesse ponto é 
iniciada a proposta de intervenção, já que há 
a sugestão de inclusão de hábitos saudáveis 
nas propagandas e nas personagens dos 
desenhos animados. Por fim, a redação é 
concluída com mais propostas interventivas, 
dessa vez colocando a família como respon-
sável por guiar o jovem no discernimento 
da publicidade.
Dessa forma, a candidata conseguiu um 
texto que cumpriu todas as exigências da 
proposta e agradou os avaliadores. Uma 
quantidade medida de ousadia fez com que 
o texto se destacasse e atingisse a nota má-
xima no exame. Um exemplo a ser seguido!
56 GE REDAÇÃO 2016
ENEM 2014 Redação 3--
Publicidade infantil: 
o processo de reificação 
e suas consequências*
Com o advento do capitalismo, o consumismo tornou-se um princípio social 
básico do cotidiano de muitos brasileiros. A publicidade infantil, principal meio 
pelo qual o capitalismo cresce, inicialmente destinada à população adulta, agora 
possui foco em faixas etárias cada vez menores, já apresentando fortes impactos 
na porção infante do país.
A publicidade destinada às crianças utiliza-se de diversos artifícios, como 
utilizar personagens populares e linguagem especificamente infantil para 
atingirem seu principal objetivo de gerar mais um consumidor. Ocorre uma 
manipulação psicológica indireta da criança, que leva esta a consumir o produto 
em questão não por necessidade, mas sim porque nela foi induzido o desejo de 
consumo. Acontece, portanto, um covarde processo de reificação da criança, em 
que ela torna-se o meio necessário para o lucro de grandes empresas.
Contudo, os danos não se estendem somente à área psicológica da criança. 
Através do oferecimento de brindes e/ou artigos colecionáveis, redes de fast-food 
estão criando uma geração viciada em alimentos não-saudáveis. Já pode ser 
notado no Brasil as consequências: três a cada dez crianças estão acima do peso e 
apresentam grandes chances de desenvolverem doenças crônicas no futuro.
Apesar de estes fatores estarem inseridos tão profundamente na sociedade 
brasileira a ponto de parecerem comuns, é possível erradicá-los. Além de 
colocar em prática o básico, que no caso trata-se da proibição de elementos 
especialmente infantis em publicidades, a criação de programas de 
educação nutricional em escolas públicas e privadas, assim como desde cedo 
conscientizarem a criança e seus responsáveis sobre os danos causados pelo 
consumismo são algumas das possíveis medidas para que, no futuro, não 
tenhamos uma sociedade regida pelos cruéis e frios princípios consumistas. 
*Redação de Lucas Pagliúca Martins, de São
Paulo, que prestou a prova do Enem 2014 como treineiro. 
Seu texto recebeu nota 960. 
Escorregão 
O autor não 
queria dizer 
“a publicidade 
infantil”, mas 
sim a publicidade 
em geral. É 
importante 
revisar o texto
Reificação 
Em Filosofia, 
o processo de 
alienação do 
indivíduo pelo 
qual uma ideia 
abstrata se 
impõe a ele, 
transforma-
se em objeto, 
coisa real 
para ele. É a 
coisificação do 
indivíduo
Construção 
inadequada
Bastaria 
colocar dois 
pontos depois 
de “objetivo:” e 
eliminar “de”; ou 
inserir o artigo 
“o” (“objetivo: o 
de gerar”)
Evite 
repetições
Mesmo a de 
um verbo em 
diferentes 
flexões
Pronome
Para referir-se 
a elementos já 
citados, utilize 
esse, essa
Concordância
Fique atento, 
principalmente 
quando inverter a 
ordem da oração
Conjunção
Evite começar 
os parágrafos 
com conjunções 
adversativas. 
Elas são usadas 
para contrastar 
o que foi dito 
imediatamente 
antes - algo 
impossível no 
início de um 
parágrafo
57GE REDAÇÃO 2016
UMA BOA 
ARTICULAÇÃO 
Os temas de redação do Enem costumam 
tratar de questões atuais da sociedade bra-
sileira. Essa configuração da prova faz com 
que, na maioria dos casos, os candidatos te-
nham de assumir um posicionamento sobre 
o assunto, para que possam desenvolver sua 
argumentação. Esta dissertação é um bom 
exemplo disso.
O texto começa contextualizando a pu-
blicidade e seus objetivos, chegando à pu-
blicidade infantil e em seus efeitos. Logo no 
início, já fica clara a posição do candidato, 
que percebe efeitos danosos no discurso 
publicitário, principalmente nos jovens e 
nas crianças. É importante ressaltar que 
os argumentos apresentados no texto não 
trazem novidades, são, em geral, retirados 
do senso comum e presentes na própria cole-
tânea; mas a forma como são apresentados, 
mostrando os efeitos no consumismo e nas 
práticas de alimentação, tornam-nos mais 
amplos – mostrando uma capacidade de 
articulação acima da média.
Já no segundo parágrafo, o candidato 
apresenta o argumento da reificação, so-
fisticado conteúdo de Filosofia que ele usa 
para abrilhantar o argumento e a análise. 
Nesse parágrafo, e no seguinte, associa duas 
diferentes consequências em saúde mental 
e do corpo, dando completude ao título que 
escolheu. O candidato opta por não usar os 
diferentes exemplos de legislação presentes 
no texto não verbal da prova. Porém, o enfo-
que em saúde mostra vínculo com o crédito 
da imagem dado à Organização Mundial da 
Saúde (OMS). Na conclusão, a opção por divi-
dir a proposta de intervenção em três eixos 
foi escolha acertada. Ainda que as propostas 
sejam bastante simples, elas são coerentes 
e complementares, o que deve ter agradado 
aos avaliadores e contribuído para garantir 
a boa nota para a redação.
Dessa forma, um texto simples, mas que 
deixou clara a opinião de seu redator e suas 
propostas, conseguiu satisfazer os anseios 
da proposta. Um aspecto que deve ser con-
siderado são os problemas coesivos (como 
os que grifamos no texto) – a maioria fruto 
da inabilidade no uso dos pronomes – e que 
provavelmente foram os responsáveis pelo 
desconto na nota. É possível especular que, 
por estar prestando a prova como treineiro, 
tenha faltado ao candidato a revisão no uso 
dos pronomes, matéria normalmente vista 
no terceiro ano do Ensino Médio. Apesar 
desses problemas coesivos, não é difícil ao 
leitor dessa redação entender os argumentos 
e a análise apresentada. Sendo esse o texto 
de um candidato que ainda não completou 
o Ensino Médio, as expectativas para as 
próximas produções são excelentes!
análise
78 GE REDAÇÃO 2016
CIDADANIA EM 
CATEGORIAS PAGAS
A proposta de redação da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) na prova de 2015 da 
Universidade de São Paulo voltou a revisitar a filosofia, ao abordar aspectos de exclusão social. 
Veja aqui a proposta e uma análise do professor Davi Fazzolari. Nas páginas seguintes, um exemplo de 
redação bem avaliada, selecionada entre estudantes, analisada pela professora Nathália Macri Nahas.
Proposta 
de redação
Na verdade, durante a maior parte do século XX, os estádios 
eram lugares onde os executivos empresariais sentavam-se lado 
a lado com os operários, todo mundo entrava nas mesmas filas 
para comprar sanduíches e cerveja, e ricos e pobres igualmente se 
molhavam se chovesse. Nas últimas décadas, contudo, isso está 
mudando. O advento de camarotes especiais, em geral, acima do 
campo, separam os abastados e privilegiados das pessoas comuns 
nas arquibancadas mais embaixo. (...) O desaparecimento do 
convívio entre classes sociais diferentes, outrora vivenciado nos 
estádios, representa uma perda não só para os que olham de baixo 
para cima, mas também para os que olham de cima para baixo. 
Os estádios são um caso exemplar, mas não único. Algo semelhan-
te vem acontecendo na sociedade americana como um todo, assim 
como em outros países. Numa época de crescente desigualdade, a 
“camarotização” de tudo significa que as pessoas abastadas e as 
de poucos recursos levam vidas cada vez mais separadas. Vivemos, 
trabalhamos, compramos e nos distraímos em lugares diferentes. 
Nossos filhos vão a escolas diferentes. Estamos falando de uma 
espécie de “camarotização” da vida social. Não é bom para a de-
mocracia nem sequer é uma maneira satisfatória de levar a vida. 
Democracia não quer dizer igualdade perfeita, mas de fato exige 
que os cidadãos compartilhem uma vida comum. O importante é que 
pessoas de contextos e posições sociais diferentes encontrem-se e 
convivam na vida cotidiana, pois é assim que aprendemos a negociar 
e a respeitar as diferenças ao cuidar do bem comum. 
Michael J. Sandel. Professor da Universidade Harvard. O Que o Dinheiro Não 
Compra. Adaptado.
Comentário do Prof. Michael J. Sandel referente à afirmação 
de que, no Brasil, se teria produzido uma sociedade ainda mais 
segregada do que a norte- americana. 
 O maior erro é pensar que serviços públicos são apenas para 
quem não pode pagar por coisa melhor. Esse é o início da destrui-
ção da ideia do bem comum. Parques, praças e transporte público 
precisam ser tão bons a ponto de que todos queiram usá-los, até 
os mais ricos. Se a escola pública é boa, quem pode pagar uma 
particular vai preferir que seu filho fique na pública, e assim 
teremos uma base política para defender a qualidade da escola 
pública. Seria uma tragédia se nossos espaços públicos fossem 
shopping centers, algo que acontece em vários países, não só 
no Brasil. Nossa identidade ali é de consumidor, não de cidadão. 
Entrevista. Folha de S.Paulo, 28/04/2014. Adaptado.
FUVEST 2015
79GE REDAÇÃO 2016
Os três primeiros textos aqui reproduzidos referem-se à “camaroti-
zação” da sociedade – nome dado à tendência a manter segregados 
os diferentes estratos sociais. Em contraponto, encontra-se também 
reproduzido um testemunho, no qual se recupera a experiência de 
um período em que, no Brasil, a tendência era outra. 
Tendo em conta as sugestões desses textos, além de outras informa-
ções que julgue relevantes, redija uma dissertação em prosa, na qual 
você exponha seu ponto de vista sobre o tema “Camarotização” da 
sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia. 
INSTRUÇÕES
A versão final do seu texto deve:
1. A redação deve ser uma dissertação, escrita de acordo com a 
norma-padrão da língua portuguesa. 
2. Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível. Não ultrapasse 
o espaço de 30 linhas da folha de redação.
3. Dê um título a sua redação. 
[No Brasil, com o aumento da presença de classes populares em 
centros de compras, aeroportos, lugares turísticos etc., é crescente 
a tendência dos mais ricos a segregar-se em espaços exclusivos, que 
marquem sua distinção e superioridade.] (...) Pode ser que o fenôme-
no “camarotização”, isto é, a separação física entre classes sociais, 
prospere para muitos outros setores. De repente, os supermercados 
poderão ter ala VIP, com entrada independente, cuja acessibilidade, 
tacitamente, seja decidida pelo limite do cartão de crédito. 
Renato de P. Pereira. www.gazetadigital.com.br, 06/05/2014. Resumido e 
Adaptado
Até os anos de 1960, a escola pública que eu conheci, embora 
existisse em menor número, tinha boa qualidade e era um espaço 
animado de convívio de classes sociais diferentes. Aprendíamos muito, 
uns com os outros, sobre nossas diferentes experiências de vida, 
mas, em geral, nos sentíamos pertencentes a uma só sociedade, 
a um mesmo país e a uma mesma cultura, que era de todos. Por isso, 
acreditávamos que teríamos, também, um futuro em comum. Vejo 
com tristeza que hoje se estabeleceu o contrário: as escolas passaram 
a segregar os diferentes estratos sociais. Acho que a perda cultural 
foi imensa e as consequências, para a vida social, desastrosas.
Trecho do testemunho de um professor universitário sobre a Escola Funda-
mental e Média em que estudou.
SEGREGAÇÃO SOCIAL
A apresentação do pensamento de Michael Sandel na coletânea 
motivadora poderia provocar o estudante atualizado a recuperar 
fatos de uma cultura recente que foi se acomodando cada vez mais 
em nossos ambientes coletivos: atendimento diferenciado nos 
bancos e em estacionamentos, mesas em restaurantes e camarotes 
exclusivos de carnaval com a chancela Very Important Person – VIP. 
Seguindo os passos do pensador, que citou a mudança nos está-
dios, o exemplo mais à mão do estudante brasileiro era a Copa do 
Mundo de futebol de 2014, na qual os ingressos para as partidas 
chegaram a preços viáveis apenas a certa elite econômica. Assim, 
os estádios destinados ao esporte mais popular entre nós, nor-
malmente frequentados pelas camadas populares da sociedade, 
foram se ajustando a uma certa segregação institucionalizada. 
Em poucas linhas, o terceiro texto da antologia, assinado pelo 
empresário Renato de Paiva Pereira, associou a “camarotização” 
a exclusividade, distinção, superioridade, independência e acessi-
bilidade. A semântica desses substantivos poderia ser explorada 
pelo estudante, para estabelecer um questionamento crítico acerca 
do recorte temático: 1) Até que ponto a “distinção” favorece a 
coletividade?; 2) A “exclusividade” pode em algum momento ser 
benéfica à sociedade?; 3) Em quais circunstâncias a “superioridade” 
pode servir de motivação ou de modelo?; 4) Quando a “acessibili-
dade” garante a “independência”, negar o acesso não premedita 
a desigualdade social com toda a sua gama de sequelas? 
Apontado pelo enunciado da prova como “contraponto [...] no 
qual se recupera a experiência de um período em que, no Brasil, 
a tendência era outra”, o último texto da antologia oferecia ao 
candidato uma possibilidade de refletir e de desenvolver compa-
rações históricas. Eram considerações pessoais de um professor 
universitário acerca de suas experiências de estudante nas escolas 
de 1º e de 2º graus. Há um tempo perdido no passado quando a 
sociedade pertencia a todos e promovia um futuro comum. Hoje, 
a segregação de “estratos sociais” gera “consequências desas-
trosas”. Terreno fértil para investigações no entorno do próprio 
estudante que se via frente a frente com uma prova de seleção 
para uma das universidades de mais difícil acesso em nosso país. 
 A antologia, como pudemos ver, não se apresenta ao candi-
dato apenas como instrumento de aquecimento ou de amparo ao 
tema. É também a grande oportunidade de questionamento do 
tema. Uma “leitura ativa” dos textos oferecidos pela prova pode, 
de fato, consolidar o ponto de vista e estabelecer argumentação 
consistente para sua sustentação. 
anÁlise 
DA PROPOSTA
Redação -FUVEST 2015 -
Ops ops!
Quando 
perceber, 
evite o eco 
entre palavras 
substituindo os 
termos
Esse 
ou este?
Utilize “essa, 
esse” para 
retomar algo 
que já citou. 
Nestes dois 
casos o exigido 
na norma 
padrão seria 
“esta” e “este”.
Cada 
vez mais
Use a expressão 
com cautela, 
quando, de 
fato, houver 
a ideia de 
crescimento, de 
progressão.
Concordância
Ao usar um 
sujeito composto 
coloque o verbo 
no plural
Vocabulário
Atenção ao 
escolher as 
palavras: em 1, 
“irrisório” quer 
dizer “pequeno”, 
“insignificante”. 
Em 2, 
“Inconscientemente” 
não foi uma boa 
escolha 
Evite 
repetições
Mesmo que 
sejam termos 
apenas 
semelhantes
Camarote individual *
 Quando se pensa em democracia, deve-se pensar principalmente em 
isonomia. No entanto, ao abarcar a prática desse tipo de governo na vida social, 
essa comparação se torna irrisória1. O real significado da palavra “democracia” 
vem se perdendo na história brasileira, e essa perda não é recente. O que se criou 
e foi imposto inconscientemente2 foi a segregação da sociedade em patamares 
que se distanciam e se fragmentam cada vez mais. Esse distanciamento e essa 
fragmentação põem em risco a verdadeira democracia, pois, além da perda de seu 
significado, perde-se também a unidade e o poder social.
 A “camarotização” da sociedade exibe essa falta de união. A partir daí, 
a divisão entre classes torna-se ainda mais acentuada e mais perceptível 
ao bom observador crítico. Cria-se também uma situação que vai além da 
“camarotização”: a separação dentro de uma classe já formada e moldada, uma 
separação que busca a privatização e a exclusividade de um espaço já privado 
e exclusivo. Buscando esse excesso, a pessoa privatiza sua vida e sua vivência, 
conquistando o caráter individualista, totalmente oposto ao que se espera do 
caráter democrático de uma sociedade.
 Essa característica segregacionista e individualista dificilmente 
desaparecerá em uma sociedade que apresenta e prega tal característica como 
panorama normal a suas crianças. As escolas são apenas um exemplo que ilustra 
a “camarotização” social: há a pública e há a privada. A interação praticamente 
inexistente entre ambas e a questão individualista também se apresenta de 
modo bastante intenso no comportamento dos pequenos grupos que se formam, 
desejando cada qual conquistar o seu próprio espaço privado. Assim, a escola não 
se mostra à sociedade como um modelo de democracia.
 Se as escolas não vivem o real significado democrático, a criança e a 
futura nação se tornam apenas vítimas do que já foi deixado para trás há muito 
tempo. Com o aprendizado precoce de que para viver em sociedade é necessário 
“camarotizar”, não há como esperar grandes mudanças sociais para um bem 
maior no futuro da nação.
*Redação de Nicole Lopes Reginato, estudante secundarista que prestou a prova em simulado
Clareza
“Um bem maior 
à nação no 
futuro” seria 
mais adequado 
para a ideia 
sugerida
81GE REDAÇÃO 2016
UMA ABORDAGEM 
QUE PEDE 
APROFUNDAMENTO 
O texto em questão apresentou uma 
visão adequada ao tema proposto pela 
Fuvest para o ingresso em 2015. O redator, 
a partir do conceito de “camarotização”, 
aborda a intensa contradição entre a se-
gregação social e a democracia, conforme 
solicitava a proposta. Observamos que o 
autor mantém um posicionamento críti-
co sobre o assunto, o que é fundamental 
para a adequação ao gênero pedido pelos 
avaliadores. Porém,
há alguns pontos que 
merecem atenção. 
A introdução elaborada é eficaz: ela 
apresenta o assunto a ser abordado no 
texto. Em seguida, é feito um recorte desse 
tema: o contexto brasileiro. O parágrafo 
é finalizado com a tese do texto, ou seja, 
o ponto de vista que será defendido pelo 
redator ao longo de sua redação. Note 
que é uma estratégia muito eficiente ao 
candidato indicar concisamente sua tese 
no final da introdução. Apesar disso, o au-
tor poderia elaborar seu parágrafo inicial 
de uma forma mais sucinta, pois ele não 
deve ter uma extensão tão longa quanto 
os parágrafos intermediários, onde desen-
volvemos nossa opinião. 
No segundo parágrafo, observa-se que 
o candidato começa a elaborar seu ponto 
de vista, o que é uma estratégia correta. 
Porém, o argumento utilizado – a falta de 
união e a camarotização – está apenas 
citado, não está explicado. O conceito de 
camarotização deveria ser mais bem traba-
lhado, explorando, por exemplo, o viés de 
segregação nele contido. Assim, o trecho 
ficaria mais coerente e aprofundado: a se-
gregação elucidaria a falta de união citada, 
afinal os dois termos não são sinônimos. 
O candidato deveria explicar a relação 
entre esses conceitos para fortalecer seu 
argumento e poderia colocar um exemplo 
para ilustrar a ideia central do trecho. 
Em seguida, o autor apresenta um novo 
argumento, porém em tom de previsão, o 
que não é recomendável em uma disserta-
ção. É muito difícil sustentar um argumen-
to tendo como base uma previsão ou uma 
hipótese, o que fragiliza a argumentação. 
A melhor estratégia é manter argumentos 
concretos e evitar hipóteses. Para manter 
sua ideia, o candidato poderia apresentar a 
relação contraditória entre o individualis-
mo exacerbado e a democracia na formação 
de crianças e jovens, evitando a previsão. 
O exemplo trazido pelo candidato é eficaz: 
a estrutura escolar reproduz a segregação 
social que temos na sociedade, opção que 
deu pontos para o texto.
A conclusão poderia ser mais eficiente: o 
candidato centrou-se na questão da escola, 
sem retomar seu primeiro argumento sobre 
o individualismo exacerbado trabalhado 
anteriormente. Ademais, temos novamen-
te uma previsão, o que deve ser evitado 
também na conclusão, espaço no qual se 
devem retomar objetivamente as principais 
ideias do texto com o objetivo de finalizar e 
fortalecer os argumentos discutidos. Assim, 
o caráter de convencimento da dissertação 
torna-se mais intenso, o que garante uma 
boa nota pelos avaliadores.
análise
58 GE REDAÇÃO 2016
unesp 2015
UM RECORTE 
SOBRE DISCRIMINAÇÃO
A prova da Unesp 2015 cobrou ao candidato dissertar sobre um aspecto específico das questões do negro no 
Brasil, que é o preconceito racial. É a segunda prova da universidade que traz um tema social atual. 
Em 2014, o tema foi a corrupção na política (veja na pág. 94). Acompanhe aqui a proposta e, 
nas páginas seguintes, exemplos de redações bem avaliadas. As análises são do professor Alan Nicoliche
Proposta 
de redação
TEXTO 1
O Brasil era o último país do mundo 
ocidental a eliminar a escravidão! Para a 
maioria dos parlamentares, que se tinham 
empenhado pela abolição, a questão estava 
encerrada. Os ex-escravos foram abandona-
dos à sua própria sorte. Caberia a eles, daí 
por diante, converter sua emancipação em 
realidade. Se a lei lhes garantia o status jurí-
dico de homens livres, ela não lhes fornecia 
meios para tornar sua liberdade efetiva. 
A igualdade jurídica não era suficiente para 
eliminar as enormes distâncias sociais e os 
preconceitos que mais de trezentos anos de 
cativeiro haviam criado. A Lei Áurea abolia 
a escravidão mas não seu legado. Trezentos 
anos de opressão não se eliminam com uma 
penada. A abolição foi apenas o primeiro 
passo na direção da emancipação do negro. 
Nem por isso deixou de ser uma conquista, 
se bem que de efeito limitado.
Emília Viotti da Costa. A Abolição, 2008.
TEXTO 2
O Instituto Ethos, em parceria com outras 
entidades, divulgou um estudo sobre a parti-
cipação do negro nas 500 maiores empresas 
do país. E lamentou, com os jornais, o fato 
de que 27% delas não souberam responder 
quantos negros havia em cada nível funcio-
nal. Esse dado foi divulgado como indício de 
que, no Brasil, existe racismo. Um paradoxo. 
Quase um terço das empresas demonstra a 
entidades seríssimas que “cor” ou “raça” não 
são filtros em seus departamentos de RH 
e, exatamente por essa razão, as empresas 
passam a ser suspeitas de racismo. Elas são 
acusadas por aquilo que as absolve. Tempos 
perigosos, em que pessoas, com ótimas in-
tenções, não percebem que talvez estejam 
jogando no lixo o nosso maior patrimônio: 
a ausência de ódio racial.
Há toda uma gama de historiadores sérios, 
dedicados e igualmente bem-intencionados, 
que estudam a escravidão e se deparam com 
esta mesma constatação: nossa riqueza 
é esta, a tolerância. Nada escamoteiam: 
bem documentados, mostram os horrores 
da escravidão, mas atestam que, não a cor, 
mas a condição econômica é que explica a 
manutenção de um indivíduo na pobreza. 
[...]. Hoje, se a maior parte dos pobres é de 
negros, isso não se deve à cor da pele. Com 
uma melhor distribuição de renda, a condi-
ção do negro vai melhorar acentuadamente. 
Porque, aqui, cor não é uma questão. 
Ali Kamel. “Não Somos Racistas”. 
www.oglobo.com.br, 09.12.2003.
TEXTO 3
Qualquer estudo sobre o racismo no 
Brasil deve começar por notar que, aqui, 
o racismo é um tabu. De fato, os brasilei-
ros imaginam que vivem numa sociedade 
onde não há discriminação racial. Essa é 
uma fonte de orgulho nacional, e serve, 
no nosso confronto e comparação com 
outras nações, como prova inconteste de 
nosso status. 
Antonio Sérgio Alfredo Guimarães. Racismo e 
Antiracismo no Brasil, 1999. Adaptado.
59GE REDAÇÃO 2016
O PRECONCEITO 
DOS OUTROS
A redação do vestibular da Unesp 2015 
trouxe um recorte específico da questão 
do negro no Brasil, que é o preconceito. Por 
meio de uma coletânea extensa, a proposta 
abordou desde as consequências diretas da 
escravatura até o momento atual, no qual 
a admissão do preconceito na sociedade 
é tabu. Ao candidato ficou a tarefa de dis-
sertar sobre o que salta aos olhos e sobre 
o que a maioria insiste em não ver. O leitor 
atento observou que, dos quatro textos 
da coletânea, três afirmam a existência 
do preconceito.
A escravatura é uma chaga na história 
nacional, e dificilmente o candidato te-
ria dificuldades de discorrer sobre suas 
atrocidades. No entanto, nenhuma dessas 
abordagens era esperada pela banca de 
correção – o enunciado deixou bem claro 
que se esperava uma dissertação sobre o 
legado da escravidão, ou seja, o que nos 
restou desse período; o preconceito especifi-
camente contra os negros e, evidentemente, 
no Brasil, e não no exterior.
O primeiro texto da coletânea sinalizou 
ao leitor o aspecto histórico do tema e 
tratou de como a Lei Áurea modificou os 
direitos civis dos ex-escravos, mas não 
lhes garantiu uma integração à sociedade 
de fato, além de não extinguir as relações 
de preconceito existentes. 
anÁlise 
DA PROPOSTA
TEXTO 4
Na ausência de uma política discriminató-
ria oficial, estamos envoltos no país de uma 
“boa consciência”, que nega o preconceito 
ou o reconhece como mais brando. Afirma-se 
de modo genérico e sem questionamento 
uma certa harmonia racial e joga-se para o 
plano pessoal os possíveis conflitos. Essa é 
sem dúvida uma maneira problemática de 
lidar com o tema: ora ele se torna inexisten-
te, ora aparece na roupa de alguém outro.
É só dessa maneira que podemos explicar 
os resultados de uma pesquisa realizada em 
1988, em São Paulo, na qual 97% dos entre-
vistados afirmaram não ter preconceito e 
98% dos mesmos entrevistados disseram 
conhecer outras pessoas que tinham, sim, 
preconceito. Ao mesmo tempo, quando 
inquiridos sobre o grau de relação com 
aqueles que consideravam racistas, os en-
trevistados apontavam com frequência 
parentes próximos, namorados e amigos 
íntimos. Todo brasileiro parece se sentir, 
portanto, como uma ilha de democracia ra-
cial, cercado de racistas por todos os lados.
Lilia Moritz Schwarcz. Nem Preto Nem Branco, 
Muito Pelo Contrário, 2012. Adaptado.
Com base nos textos apresentados e em 
seus próprios conhecimentos, escreva uma 
redação de gênero dissertativo, empregan-
do a norma-padrão da língua portuguesa, 
sobre o tema:
O legado da escravidão e o preconceito 
contra negros no Brasil
O segundo é o único texto da coletânea 
a negar o preconceito afirmado nos três 
demais textos. Ele traz leituras ambíguas 
sobre a relação das empresas com o contin-
gente negro, assim como a relação entre a 
condição social e a cor da pele – abordagem 
que, se não é equivocada, é pelo menos 
confusa. Inicialmente, nega existir aqui o 
“ódio racial”, para finalizar generalizando 
não haver questão alguma a ser tratada 
pela cor como um fator no país. 
O terceiro texto dialoga com o ante-
rior, ao tocar em uma questão bastante 
particular: a negação do preconceito em 
território nacional interpretada como um 
sinônimo ou afirmação de nossa civilida-
de. Enquanto o último texto escancara a 
versão paradoxal do brasileiro como moço 
bom e solitário – que se diz um ser despro-
vido de preconceitos, mas vivendo numa 
sociedade em que praticamente todos à 
sua volta são preconceituosos.
O candidato teria duas possibilidades: 
aderir ao discurso míope de uma nação que 
se diferencia pela tolerância e igualdade 
de oportunidades ou enfrentar a tarefa de 
escancarar o preconceito velado e trazer 
à tona os aspectos amargos da herança 
de nosso tempo escravocrata. O mergu-
lho poderia ser raso ou profundo. Uma 
redação com uma boa análise crítica em 
seus argumentos poderia render um bom 
resultado no vestibular e um universitário 
mais consciente.
60 GE REDAÇÃO 2016
unesp 2015 - Redação 1
Racismo invisível
O racismo não existe no Brasil. Essa é a frase que ecoa em uma sociedade que 
crê cegamente na harmonia entre as etnias de um país multirracial. Porém, 
embora não haja placas que determinem onde brancos e negros podem se sentar 
– como houvera outrora nos Estados Unidos e na África do Sul – existe aqui uma 
linha invisível que segrega cores e se torna tão mais visível quanto mais escura 
é a cor da pele. É isso que o Mito da Democracia Racial reserva aos negros: 
um racismo velado, que eles próprios sentem, mas a sociedade insiste em não 
enxergar. 
A abolição da escravidão no Brasil, além de tardia, se deu num período 
determinista em que prevaleciam teorias como o “darwinismo social” que 
defendia a superioridade do homem branco. Dessa forma, a Lei Áurea propiciou 
aos negros igualdade de direitos, mas não igualdade de condições. Eles estavam 
excluídos de um plano social que privilegiava a mão de obra imigrante branca, 
relegando-os à tarefas inferiores e à marginalização social. Não obstante a 
condição excludente de ex-escravos, o sociólogo Gilberto Freyre, comparando 
a realidade do negro brasileiro à do norte-americano, cria a concepção de 
harmonia das raças e ausência de preconceito no Brasil, teoria que fundamenta 
a mentalidade até os dias de hoje. É evidente que os índices muito maiores de 
negros entre os pobres e a população carcerária são um legado da escravidão. 
Contudo, tais índices não têm validade para uma sociedade que trata o 
preconceito como tabu. Aos negros, então, foi reservado a face mais cruel da 
discriminação, aquela que os responsabiliza por esses índices sociais, como se 
fossem incapazes ou inferiores e não historicamente prejudicados. 
O filósofo Hegel defendia que a realidade muda quando o pensamento das 
pessoas se transforma, sendo este condicionante da mudança. Logo, através da 
dialética hegeliana constata-se o cerne do preconceito no país: o pensamento 
coletivo. Apenas pouco mais de um século depois da abolição da escravatura 
(que perdurou três séculos) é complexa a transformação do pensamento. 
Embora sociólogos e intelectuais diversos tenham discutido a posição do 
negro na sociedade de maneira crítica, o pensamento predominante ainda é 
o da inferioridade. Sobretudo, a população brasileira não se reconhece como 
preconceituosa, uma vez que,1 associa o preconceito a práticas explícitas como 
a política africana do Apartheid, o que contribuiu para que ele cresça sob a 
invisibilidade lhe dada.
O legado da escravidão no Brasil foi, portanto, a marginalização do negro que 
obteve direitos jurídicos2 mas não igualdade substantiva, ou seja, igualdade de 
oportunidades. Hoje, por ser um tabu, o preconceito não é discutido da forma 
que deveria, perpetuando ideias falhas como a de não existência de segregação 
racial e culpabilização do negro pelas condições sociais desfavoráveis. 
A realidade do negro brasileiro é a de alguém que sofre as implicações do 
racismo2 mas se vê impotente, devido a sua invisibilidade. 
Crase 
indevida
Não há artigo 
para se unir à 
preposição
Citação 
incompleta
O correto seria 
sul-africana
Se lembrar, 
evite
Não use 
“através” no 
lugar de “por 
meio de”
Gênero
O correto seria 
reservada
Pontuação
1) vírgula 
indevida
2) faltou 
vírgula antes 
de oração 
adversativa
61GE REDAÇÃO 2016
análise
UMA BOA 
COMPREENSÃO 
DO TEMA
Muitas vezes, uma boa capacidade de 
leitura e desenvolvimento do tema é sufi-
ciente para que o candidato possa produzir 
uma boa dissertação – é o que aconteceu 
com esta redação. Sem argumentos mi-
rabolantes ou exemplos impactantes, o 
candidato conseguiu apresentar ao leitor 
ideias bastante claras e coerentes, total-
mente em acordo com a proposta dada 
pelo vestibular.
O texto parte do conceito utópico de que 
não existe racismo no Brasil e explica que 
o fato de não convivermos com uma intole-
rância racial escancarada não faz com que 
a discriminação não exista. Na verdade, 
os argumentos explicam que os negros 
sofrem uma discriminação velada, que os 
levam a ter uma participação desigual na 
sociedade e, além disso, são culpados por 
essa situação – como se fossem de fato 
inferiores ou menos capazes. Ou seja, o 
preconceito velado é tão ou mais cruel 
quanto sua versão explícita.
Podemos perceber, ao longo do texto, 
que o candidato possui um bom repertório, 
o que torna seu texto mais interessante e 
persuasivo. Uma simples análise dos argu-
mentos e informações citadas mostra que 
tal repertório é oriundo do conteúdo rece-
bido no Ensino Médio. Dessa forma, pode-se 
concluir que um aluno atento às aulas de 
História e Atualidades pode contar com 
uma boa bagagem para trabalhar seu texto.
Outro ponto importante desta redação 
foi a estruturação dos argumentos. Pode-
mos perceber que o candidato divide o 
tema proposto em duas partes: “o legado 
da escravidão” (que está no primeiro trecho 
que grifamos) e “o preconceito contra os 
negros no Brasil” (componente do tema, no 
segundo trecho grifado), cada uma delas 
desenvolvida em um parágrafo argumen-
tativo. Tal divisão não tem o propósito de 
distinguir um ponto do outro, como se eles 
não tivessem ligação, mas trabalhá-los de 
maneira individualizada, evidenciando
suas relações.
Na conclusão, o candidato sintetiza as 
ideias apresentadas e deixa clara a situação 
daqueles que sofrem o preconceito, impo-
tentes diante de um problema real, mas não 
reconhecido pela sociedade. O fim do texto 
não traz uma solução ao problema, nem um 
lamento indignado; antes disso mostra um 
pensamento consciente e um vestibulando 
que sabe fazer o uso da leitura e da escrita. 
Não à toa, foi aprovado pela banca.
62 GE REDAÇÃO 2016
unesp 2015 - Redação 2
Introdução
O candidato 
sintetiza as 
raízes da 
discriminação 
racial e sua 
presença na 
sociedade 
brasileira. A 
estratégia foi 
importante 
para assegurar 
o texto dentro 
do tema e para 
articular a 
argumentação
Coesão 
Ao iniciar a 
argumentação, 
o candidato 
retoma as 
informações 
da introdução, 
mantendo o 
diálogo entre 
as partes
Rigor 
O candidato 
mantém a 
neutralidade 
do sujeito da 
dissertação e 
acerta no uso 
das conjunções, 
apesar de 
repetir o verbo 
perceber
Pronominal 
O correto seria 
oferecer-lhes
Atenção à 
proposta
Neste segundo 
parágrafo 
argumentativo, 
o candidato 
retoma a 
segunda parte 
da tese de 
introdução 
e apresenta 
o legado da 
escravidão 
solicitado
Discriminação 
racial velada
Sabe-se que, durante a expansão marítima do século XVI e o neocolonialismo do 
século XIX, teses racistas, como o darwinismo social, que pregava a superioridade 
do branco europeu e via o negro como uma raça inferior e destinada à escravidão, 
foram amplamente difundidas. Essas teorias mascaravam o real objetivo das 
potências europeias, que era dominar e explorar os povos africanos. Contudo, 
mesmo com a abolição da escravidão, percebe-se que resquícios desse pensamento 
discriminatório e infundado estão presentes no mundo, em especial na sociedade 
brasileira. Assim, nota-se que os negros no Brasil convivem com uma difícil 
realidade, permeada pelo preconceito e opressão velados.
Nesse contexto, deve-se recordar que milhares de negros foram trazidos da 
África para o Brasil na condição de escravos, desde as primeiras décadas de 
colonização do país. Dessa forma, observa-se que os negros africanos trabalharam 
arduamente para a sociedade brasileira por mais de trezentos anos. Além disso, o 
processo de miscigenação fez dos africanos uma das bases da etnia brasileira. No 
entanto, após a abolição da escravatura, nenhum amparo foi dado aos escravos 
libertos, que foram substituídos na lavoura e, posteriormente, na indústria, pelos 
imigrantes europeus. Assim, os negros, sem formação, sem emprego e abandonados 
pelo Estado passaram a viver numa situação de miséria e ausência de direitos 
básicos e, atualmente, representam a grande parte da classe baixa brasileira.
Deve-se verificar também que, embora os negros sejam a maioria da 
população brasileira, sua presença é absurdamente menor que a dos brancos 
nas universidades e em posições de chefia nas empresas. Além disso, pesquisas 
mostram que indivíduos negros recebem menos que brancos ao exercerem a 
mesma função e que as mulheres negras compreendem a maior parte das vítimas 
de violência sexual. Desse modo, percebe-se que a equidade racial ainda é uma 
realidade distante no Brasil. Paradoxalmente, muitos brasileiros orgulham-se de 
viverem em uma nação em que não existe discriminação contra os negros. 
Portanto, percebe-se que a igualdade jurídica não foi suficiente para 
emancipação do negro no país. Assim, é fundamental que, primeiramente, 
a sociedade brasileira reconheça a existência dessa segregação econômica e 
ideológica do negro. Diante dessa constatação, deve-se criar e ampliar políticas de 
inclusão dos negros no Brasil, a fim de oferecê-los oportunidades para que tenham 
uma vida digna e escapem da condição histórica de marginalização e exploração.
63GE REDAÇÃO 2016
análise
O HISTÓRICO 
DO PRECONCEITO
De maneira muito clara, o candidato 
soube traçar um histórico do preconceito 
racial, de suas origens à realidade atual 
no Brasil. Com um texto bem-estruturado, 
fica fácil ao leitor acompanhar o raciocínio 
apresentado pelo autor.
Ao apontar as origens do preconceito 
contra os negros na expansão europeia 
sobre a África e o novo mundo, o candidato 
deixou clara a ideia que dominou aquele 
momento – a desvalorização dos africanos 
com o intuito de subjugá-los. Esse conceito 
é fundamental para o desenvolvimento do 
texto, pois os argumentos irão demonstrar 
que o mesmo pensamento persiste na 
sociedade atual, embora de forma velada. 
De fato, a dissertação divide o preconcei-
to em três momentos: a já citada expansão 
marítima; o século XIX, no qual diversas 
teses racistas tentavam demonstrar uma 
superioridade caucasiana e a atualidade. 
O texto faz o percurso histórico de for-
ma sintética precisa, concentrando seus 
exemplos nos dias atuais – no início a 
desculpa do preconceito seria a civilida-
de do homem europeu diante dos povos 
menos desenvolvidos; no século XIX, as 
teses serviam para manter o status quo 
dos brancos que dominavam a economia 
e os meios intelectuais; hoje, no Brasil, o 
preconceito é negado e execrado por todos, 
mas existe nas entranhas da sociedade, 
nas oportunidades desiguais oferecidas 
às pessoas de pele mais escura.
É importante ressaltar que o candidato 
demonstra um bom conhecimento do as-
sunto, provavelmente oriundo das aulas 
de História – o que ressalta a importância 
de usar os conhecimentos escolares de 
outras matérias, além das de Linguagens 
e Códigos, na composição da redação.
Por fim, a estruturação do texto e o di-
álogo entre as partes fizeram com que 
a leitura fluísse bem e deixasse os argu-
mentos e a contextualização bem claros 
para quem lê. Isso certamente agradou os 
professores de avaliação, que concederam 
uma boa nota ao texto.
64 GE REDAÇÃO 2016
AMIZADES 
SAO CONEXÕES?
A prova de 2015 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul propôs aos candidatos 
dissertar sobre o significado da amizade. Ou seja, produzir um texto de análise e reflexão 
sobre um tema de natureza subjetiva, mas bastante atual. Veja a proposta e redações bem 
avaliadas, com análises da professora Ana Paula Dibbern
A música Canção da América, composta por Milton Nascimento 
e Fernando Brant, de onde foi extraída a passagem acima, fala da - 
quela amizade capaz de resistir à distância e ao tempo, caracte-
rística de uma época em que o contato físico entre amigos era 
a forma mais usual de aproximação. Era um tempo em que se 
valorizavam os poucos e verdadeiros amigos.
Atualmente, com a conectividade das redes sociais, a realida-
de é outra. Hoje é possível manter-se em contato contínuo com 
pessoas que estejam em qualquer lugar do planeta, o que permite 
multiplicar de modo expressivo o número de amizades. Parado-
xalmente, o apego ao mundo virtual parece estar promovendo um 
outro tipo de distanciamento, já que não é incomum, hoje em dia, 
ver amigos reunidos em um mesmo ambiente físico, mas isolados 
uns dos outros pela força atrativa dos tablets e dos smartphones.
Levando em conta esse cenário, reflita sobre o tema a seguir.
Na sua opinião, o que é a amizade nos dias de hoje?
Para tanto, você deve:
box expressar a sua opinião sobre o que caracteriza a amizade nos 
dias atuais;
box apresentar argumentos que justifiquem o ponto de vista as-
sumido; e
box organizar esses argumentos em um texto dissertativo.
INSTRUÇÕES
A versão final do seu texto deve:
1. conter um título na linha destinada a esse fim;
2. ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém 
disso, seu texto não será avaliado –, e máxima de 50 linhas.
Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas 
em branco terão esses espaços descontados do cômputo total 
de linhas;
3. ser escrita, na folha definitiva, à caneta e com letra legível, de 
tamanho regular.
( ... )
Amigo é coisa para se guardar
no lado esquerdo do peito,
mesmo que o tempo e a distância digam não,
mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração,
pois, seja o que vier, venha o que vier,
qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar.
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Proposta 
de redação
UFRGS 2015
65GE REDAÇÃO 2016
UM CONVITE 
À REFLEXÃO 
No vestibular 2015, assim como nos dois 
vestibulares anteriores, a UFRGS propôs ao 
concorrente, na redação, um tema subje-
tivo. Segundo a Universidade, tal escolha 
visa garantir maior liberdade de expressão 
e ultrapassar os debates já exaustivamente 
tratados pela mídia. 
Dessa forma, a proposta de redação fa-
voreceu o aluno reflexivo em detrimento 
daqueles que tentam utilizar fórmulas ou 
argumentos prontos para os temas discu-
tidos no cursinho ou na escola. Apesar de a 
Fuvest ter apresentado, em 2007, uma pro-
posta de redação muito parecida com essa, 
é bastante improvável que os estudantes 
que procuram “decorar” argumentos te-
nham se destacado nessa redação, pois 
ela exige muito mais do que isso.
Esse foi o primeiro ano em que 30% das 
vagas da UFRGS foram reservadas para 
preenchimento utilizando a prova do Enem 
anÁlise 
DA PROPOSTA
e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). 
Em meio às discussões acaloradas, no Rio 
Grande do Sul, sobre o preenchimento des-
sas vagas por alunos de outros estados 
(que teoricamente pode aumentar com a 
adesão ao Enem), o tema “amizade” parece 
muito oportuno para ser abordado pelo 
vestibular tradicional.
O trecho da música dos compositores 
Milton Nascimento e Fernando Brant 
(9/10/1946 - 12/6/2015), inserido na pro-
posta de redação, funciona como uma 
apresentação sobre o que era a amizade 
antigamente. O comando da redação pro-
põe uma nova leitura, atualizada, sobre o 
que é a amizade num momento em que a 
comunicação e relações pessoais estão per-
meadas pelo aspecto virtual. É importante 
observar que o trecho da música não fecha 
a argumentação na linha de que agora a 
amizade é, necessariamente, diferente. É 
possível argumentar que os meios virtuais 
servem, nos momentos de distância (nos 
momentos em que o amigo está guardado 
do lado esquerdo do peito), para atenuar a 
saudade e que, como diz a música, um dia 
esses verdadeiros amigos irão se encontrar.
O tema permite duas possibilidades 
principais de abordagem. A primeira linha 
argumentativa seria a de demonstrar como 
os dispositivos virtuais e as redes sociais 
atrapalham a amizade. Nesse caso, seria 
importante demonstrar situações que in-
diquem o empobrecimento das relações 
de amizade nos dias de hoje. Essa seria 
uma postura mais crítica, ou pessimista, 
sobre a modernidade virtual. A segunda 
opção seria mostrar que há, sim, amizade 
verdadeira nos dias de hoje. Para isso, o 
aluno poderia argumentar que o mundo 
virtual é somente um dos meios de esta-
belecer e realizar o contato com os ami-
gos, da mesma forma que anteriormente 
eram utilizados o telefone e as cartas, por 
exemplo. Nesse modelo, a nova forma de 
contato, virtual, caminharia junto com a 
forma tradicional de se relacionar, sem 
prejuízo de nenhuma delas. Há, ainda, 
uma terceira abordagem, como seguir um 
caminho intermediário entre essas duas 
linhas antagônicas, apontando que há, 
hoje, amizade tal qual antigamente, mas 
exemplificando como o mundo virtual pode 
interferir nessas relações. 
66 GE REDAÇÃO 2016
Redação 1-UFRGS 2015 -
Repertório
O vestibulando 
mostra que 
sabe relacionar 
seu repertório 
à situação 
apresentada
Gadgets, 
com G
Na dúvida, 
substitua a 
palavra por 
outra que você 
saiba. 
Prefira 
palavras em 
português
Ditados 
populares 
Apesar de o 
uso de ditados 
não ser 
recomendado, 
nesse caso 
ele aparece 
relacionado com 
consistência à 
argumentação 
e ao título
Fidelidade 
à proposta
Nestes trechos, 
o estudante 
responde à 
indagação 
motivadora da 
redação
Argumento 
de 
autoridade
Além de muito 
pertinente, 
tal referência 
será reforçada 
em todos os 
parágrafos da 
redação
Contando nos dedos
Como sabiamente analisa o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos, 
na atual conjectura, em um mundo e entre uma sociedade caracterizados por 
relações sociais e interpessoais cada vez mais “líquidas”. Diante de tal contexto, 
as amizades, antigamente baseadas no contato e na presença, desejando-
se a proximidade do outro, hoje são distantes, virtuais e frágeis, unidas por 
falsas pontes de “kilo, mega e gigabytes”. Com certeza, o conceito “amizade” 
transfigurou-se e já não é mais o mesmo.
A partir das Revoluções Industriais (da Terceira, especialmente) e da criação 
das novas tecnologias e das modernidades que transformaram a vida do ser 
humano, o modo do mesmo relacionar-se e interagir em sociedade ganhou 
diferentes e mais dinâmicas – e não melhores – configurações. Ao mesmo passo 
que proporcionaram facilidade, comodidade e infinitos outros benefícios ao 
homem, as inovações tornaram-no um moderno Narciso, egoísta e individualista. 
O “parecer” sobrepõe-se ao “ser” e mais valem milhões de admiradores, 
virtualmente chamados de “amigos”, e suas “curtidas”, do que poucas e 
verdadeiras amizades. Ainda que seja um ditado popular e possa parecer 
clichê, “amigos de verdade se contam nos dedos”, e não aos milhões. A amizade, 
infelizmente, torna-se muito mais uma relação de troca de favores, escolhida 
segundo os possíveis benefícios e ganhos obtidos, do que de cumplicidade, 
fidelidade, carinho e amor. Não há contato físico, abraços, beijos ou troca de 
confidências; ao se procurar o ombro que consola, encontra-se a nuvem líquida de 
dados e de falsos relacionamentos.
Não somente, o advento de smartphones, tablets e gadjets tem levado também 
a um distanciamento da atenção e do foco, uma transferência de importância 
e uma modificação na “hierarquia sociodigital”: mais valem horas nas redes 
(teoricamente) sociais a um encontro entre amigos. Até mesmo quando em 
presença de outros, diante de um ambiente de convício social, figuram-se como 
mais importantes as telas touchscreen e a navegação nas incontáveis utilidades 
dos aparelhos eletrônicos. Atualmente, apresenta-se como comum a cena de, por 
exemplo, namorados em um restaurante não trocarem uma palavra, um toque 
de afeto, um sorriso ou um olhar entre si, apenas vidrados em seus smartphones. 
Pode parecer absurdo e impensável para demais gerações as quais, até pouco 
tempo, faziam de tudo, com o pouco que lhes dispunha, para o maior convívio e 
contato possível. Essa, porém, é a modernidade líquida de Bauman, presente e 
consolidada em nosso contemporâneo.
As amizades, nos dias de hoje, portanto, viram, antes de mais nada, uma 
relação de interesses, na qual até mesmo aquelas em que a aproximação e o 
contato físico permanecem são interferidas e pautadas pela liquidez virtual. 
Gradativamente vão se extinguindo os amigos verdadeiros e a parceria 
inseparável, ao mesmo tempo que o homem precisa cada vez mais deles diante 
de sua solidão “tapada pela peneira” dos milhões de usuários. Fica, infelizmente, 
mais fácil de se contar os amigos nos dedos (sobram dedos), e mais difícil de se 
contar os “amigos” nas redes ( falta conhecê-los).
67GE REDAÇÃO 2016
REDAÇÃO QUE 
IMPRESSIONA 
O AVALIADOR
Foi uma excelente opção recorrer ao so-
ciólogo Zygmunt Bauman para abrir uma 
redação cujo tema é a amizade nos dias de 
hoje. A citação de autoridade não poderia 
ser mais oportuna, já que Bauman é, se não 
o principal, um dos principais teóricos sobre 
as relações sociais na pós-modernidade. Em 
suas obras, aponta para a fluidez das rela-
ções pessoais, seja entre casais, familiares 
ou amigos, como a grande marca da atuali-
dade. Nessa sociedade líquida, segundo o 
autor, traços importantes são a insatisfação 
permanente e a baixa tendência ao com-
prometimento com o outro. Essas caracte-
rísticas são muito visíveis nas relações de 
amizade intermediadas pelos dispositivos 
virtuais, como coloca a proposta de redação. 
Dessa forma, a relação dessa referência com 
o tema indicado é muito precisa.
Ao longo de toda a redação, o vestibulan-
do retoma as ideias da citação, conectan-
do-as aos seus argumentos e à sua resposta 
para a pergunta presente na proposta de 
redação (“Em sua opinião, o que é a amiza-
de nos dias de hoje?”), o que confere ainda 
maior qualidade ao texto.
O texto traz dois parágrafos argumen-
tativos. No primeiro deles (o segundo da 
redação), além de fazer um breve resgate 
sobre como a configuração das relações 
pessoais se alterou do passado para a 
atualidade, o concorrente antecipa sua 
posição quanto ao que é a amizade hoje: 
uma troca de favores. No parágrafo seguin-
te, ele utiliza argumentos semelhantes 
àqueles presentes no texto da proposta 
(sem copiá-los) e traz um novo exemplo, o 
do casal de namorados num restaurante.
Na conclusão, o estudante volta a respon-
der, agora de forma mais definitiva, o questio-
namento da proposta. Afirma que a amizade 
é, hoje, uma relação de interesses e que essa 
relação é pautada, mesmo nas amizades em 
que o contato físico permanece, pela liquidez 
virtual da nossa sociedade. Dessa forma, 
além de direcionar seus argumentos do 2° e 
3° parágrafos para uma resposta à pergunta 
do enunciado, o autor elabora essa resposta 
de modo a mostrar o quanto sua referência a 
Bauman, na introdução, foi acertada.
A redação impressiona o avaliador. 
Atende, muito bem, a todos os aspectos 
avaliados. Cumpre integralmente o tema 
apresentado pela proposta, respondendo 
ao questionamento sobre o que é amizade 
nos dias de hoje, com qualidade textual 
notável. Apresenta coerência na argumen-
tação, coesão entre as partes do texto e 
simplicidade ao redigir, deixando de lado 
o uso desnecessário de vocabulário difícil. 
A qualidade do texto faz com que passe 
em branco o pequeno deslize do concorren-
te ao escrever gadgets com “j” e enumerar 
smartphones, tablets e gadgets como três 
elementos diferentes, sendo que os dois pri-
meiros são também considerados gadgets. 
análise
68 GE REDAÇÃO 2016
UFRGS 2015 Redação 2--
Amigos ou conexões?
Amizade é um relacionamento que envolve pré-requisitos para se concretizar 
com sucesso, como o afeto, a lealdade, a parceria e a convivência. Na era da 
conectividade, a relação entre amigos é quase um desafio, já que os encontros 
presenciais são menos frequentes e reduzem o convívio. Além disso, a 
comodidade no uso de aplicativos e redes sociais, apesar de encurtar distâncias, 
permite um contato constante, porém, muitas vezes, superficial.
Para que um relacionamento possa perdurar, deve ser construído e mantido 
através de convivência, empatia e cumplicidade. Essas condições valem para 
relações amorosas, familiares e de amizade. Atualmente, a sociedade vive uma 
rotina acelerada, de tempo escasso e acúmulo de atividades. Essa sobrecarga de 
compromissos impacta diretamente em suas interações sociais. A utilização da 
tecnologia, para encurtar as distâncias, acaba sendo adotada como medida para 
driblar a falta de tempo e manter contato. Grupos no “Whatsapp” e conversas no 
“Facebook” são soluções criadas para minimizar e manter amizades importantes 
e leais. 
Entretanto, a utilização de recursos digitais deve servir como meio agregador, 
e não como substituto, para os encontros presenciais. Havendo essa substituição, 
a amizade ficará fadada à superficialidade e não se sustentará. Ocorrerá, nesse 
caso, a banalização da amizade, em que as interações não se aprofundam e 
perdem significado. Um amigo deixará de ter fundamental importância na vida 
de alguém, transformando-se em uma mera conexão na rede social. Os diálogos, 
aos poucos, poderão perder a profundidade, que só um relacionamento forte 
proporciona, além de se tornarem cada vez mais escassos.
Portanto, a amizade nos dias de hoje não difere da de outros tempos. O que 
muda são as maneiras de preservá-la em função das mudanças tecnológicas que 
influenciam a rotina da sociedade atual. Investir tempo, dedicação e interesse, 
conciliando os espaços “online” e “offline” é a grande solução para ter sempre por 
perto os grandes e verdadeiros amigos.
Oração mal 
construída
O verbo 
“reduzem” foi 
mal inserido 
na oração. O 
trecho final 
poderia ser 
substituído 
por “(...) e as 
situações de 
convivência 
são reduzidas” 
ou ainda por 
“e o convívio é 
reduzido”
Ênclise 
correta
Há uma vírgula 
antes do verbo 
e ele aparece 
em gerúndio
Atenção
Uso incorreto 
da vírgula.
Evite fórmulas mágicas
O emprego da expressão “grande 
solução” pode soar ingênuo, um 
pouco pretensioso ou clichê
Repetição 
dos 
pronomes 
relativos
Não chega a 
prejudicar o 
texto, mas 
torna a 
leitura menos 
agradável
Bom posicionamento 
O autor responde diretamente 
ao questionamento motivador 
da redação
69GE REDAÇÃO 2016
ADEQUAÇÃO AO TEMA 
E BOA CONSTRUÇÃO
A redação é muito bem construída. Há 
uma organização e divisão adequada entre 
as partes que compõem o texto (parágrafos 
e frases), conferindo boa progressão, ou 
encadeamento, até a conclusão. Há, ainda, 
o uso adequado de conectores, como “além 
disso”, “entretanto” e “portanto”, o que 
também concorre para uma redação coesa.
A introdução, apesar de um pequeno 
deslize na segunda frase, foi bem feita 
e mostra que houve uma compreensão 
adequada da proposta de redação. O autor 
apresenta de forma leve e clara o tema da 
amizade nos dias de hoje, e faz uso das 
informações presentes na proposta de 
redação utilizando uma nova formulação.
No segundo parágrafo, visando contex-
tualizar o assunto (que é um dos critérios 
avaliados pela UFRGS), o autor traça um 
panorama das relações pessoais no mundo 
“maluco” de hoje e os motivos pelos quais 
as relações pessoais acabam mediadas 
pelas soluções virtuais. 
O candidato lança seu principal argu-
mento e começa a construir o seu posicio-
namento no terceiro parágrafo. Ele aponta, 
nesse momento, que os dispositivos virtu-
ais são instrumentos a serem utilizados 
de maneira agregadora à amizade, e não 
substitutiva. Utilizando algumas informa-
ções da proposta, mostra como as amizades 
podem ser prejudicadas caso tais meios 
virtuais não funcionem da forma ideal, ou 
seja, como agregadores. 
A elaboração da conclusão é bastante 
interessante. As ideias tratadas ao longo 
do texto culminam num posicionamento 
que agora aparece de forma mais direta. 
No parágrafo final fica claro o que é, para 
o estudante, a amizade nos dias de hoje. 
Seu posicionamento é de que o significado 
da amizade não é diferente do de outros 
tempos, mas que a forma de preservá-la 
mudou. Não é uma visão radical, mas pon-
derada, sobre a influência do mundo virtual 
nos relacionamentos pessoais.
Apesar de não ter trazido reflexões muito 
profundas ou elementos novos em relação 
ao cenário descrito na coletânea, o con-
corrente teve o mérito de organizar
muito 
bem o texto e construir uma redação coesa, 
como já dito, e também de demonstrar boa 
expressão linguística. Há boa seleção do 
vocabulário, bom domínio dos processos de 
construção das orações e razoável uso dos 
recursos de pontuação e das convenções 
ortográficas. Com esse conjunto de quali-
dades, a redação provavelmente obteve 
uma das maiores notas do exame.
análise
70 GE REDAÇÃO 2016
Unicamp 2015
TEXTO 1
Você integra um grupo de estudos for-
mado por estudantes universitários. Pe-
riodicamente, cada membro apresenta 
resultados de leituras realizadas sobre 
temas diversos. Você ficou responsável 
por elaborar uma síntese sobre o tema 
humanização no atendimento à saúde, 
que deverá ser escrita em registro formal. 
As fontes para escrever a síntese são um 
trecho de um artigo científico (excerto A) 
e um trecho de um ensaio (excerto B). Seu 
texto deverá contemplar:
a) o conceito de humanização no atendi-
mento à saúde;
b) o ponto de vista de cada texto sobre 
o conceito, assim como as principais 
informações que sustentam esses pon-
tos de vista;
c) as relações possíveis entre os dois pon-
tos de vista.
O DIÁLOGO NA MEDICINA 
E NA SOLUÇÃO DE CONFLITOS
A prova de 2015 da Universidade de Campinas manteve a exigência de apenas dois textos e testou a 
capacidade de síntese e de interlocução. Veja aqui as duas propostas e, nas páginas seguintes, redações bem 
avaliadas ou consideradas abaixo da média. As análises são da professora Nathália Macri Nahas 
Excerto A
A humanização é vista como a capacida-
de de oferecer atendimento de qualidade, 
articulando os avanços tecnológicos com 
o bom relacionamento.
O Programa Nacional de Humanização 
da Assistência Hospitalar (PNHAH) destaca 
a importância da conjugação do binômio 
“tecnologia” e “fator humano e de rela-
cionamento”. Há um diagnóstico sobre o 
divórcio entre dispor de alta tecnologia e 
nem sempre dispor da delicadeza do cuida-
do, o que desumaniza a assistência.
Por outro lado, reconhece-se que não ter 
recursos tecnológicos, quando estes são 
necessários, pode ser um fator de estresse 
e conflito entre profissionais e usuários, 
igualmente desumanizando o cuidado. 
Assim, embora se afirme que ambos os itens 
constituem a qualidade do sistema, o “fator 
humano” é considerado o mais estratégico 
pelo documento do PNHAH, que afirma:
 (...) as tecnologias e os dispositivos orga-
nizacionais, sobretudo numa área como 
a da saúde, não funcionam sozinhos – 
sua eficácia é fortemente influenciada 
pela qualidade do fator humano e do 
relacionamento que se estabelece entre 
profissionais e usuários no processo de 
atendimento. (Ministério da Saúde, 2000). 
Adaptado de Suely F. Deslandes, Análise do Dis-
curso Oficial Sobre a Humanização da Assistência 
Hospitalar. Ciência & saúde coletiva. Vol. 9, n. 1, p. 
9-10. Rio de Janeiro, 2004.
Excerto B
A famosa Faculdade para Médicos e Cirur-
giões da Escola de Medicina da Columbia 
University, em Nova York, formou recente-
mente um Programa de Medicina Narrativa 
que se ocupa daquilo que veio a se chamar 
“ética narrativa”. Ele foi organizado em 
resposta à percepção recrudescente do 
sofrimento – e até das mortes – que podia 
ser atribuído parcial ou totalmente à ati-
tude dos médicos de ignorarem o que os 
pacientes contavam sobre suas doenças, 
sobre aquilo com que tinham que lidar, 
sobre a sensação de serem negligenciados e 
até mesmo abandonados. Não é que os mé-
dicos não acompanhassem seus casos, pois 
eles seguiam meticulosamente os pron-
tuários de seus pacientes: ritmo cardíaco, 
hemogramas, temperatura e resultados 
dos exames especializados. Mas, para pa-
rafrasear uma das médicas comprometidas 
com o programa, eles simplesmente não 
ouviam o que os pacientes lhes contavam: 
as histórias dos pacientes. Na sua visão, eles 
eram médicos “que se atinham aos fatos”. 
“Uma vida”, para citar a mesma médica, 
“não é um registro em um prontuário”. Se 
um paciente está na expectativa de um 
grande e rápido efeito por parte de uma 
intervenção ou medicação e nada disso 
acontece, a queda ladeira abaixo tem tanto 
o seu lado biológico como psíquico.
“O que é, então, a medicina narrativa?”, 
perguntei*. “Sua responsabilidade é ouvir 
o que o paciente tem a dizer, e só depois 
decidir o que fazer a respeito. Afinal de 
Proposta 
de redação
71GE REDAÇÃO 2016
contas, quem é o dono da vida, você ou 
ele?”. O programa de medicina narrativa 
já começou a reduzir o número de mortes 
causadas por incompetências narrativas 
na Faculdade para Médicos e Cirurgiões.
*A pergunta é feita por Jerome Bruner a Rita Charon, 
idealizadora do Programa de Medicina Narrativa.
Adaptado de Jerome Bruner, Fabricando Histó-
rias: Direito, Literatura, Vida. São Paulo: Letra e 
Voz, 2014, p. 115-116.
TEXTO 2
Em busca de soluções para os inúmeros 
incidentes de violência ocorridos na escola 
em que estudam, um grupo de alunos, 
inspirados pela matéria “Conversar para 
resolver conflitos”, resolveu fazer uma 
primeira reunião para discutir o assunto. 
Você ficou responsável pela elaboração 
da carta-convite dessa reunião, a ser en-
dereçada pelo grupo à comunidade esco-
lar – alunos, professores, pais, gestores e 
funcionários.
A carta deverá convencer os membros 
da comunidade escolar a participarem da 
reunião, justificando a importância desse 
espaço para a discussão de ações concretas 
de enfrentamento do problema da violência 
na escola. Utilize as informações da matéria 
abaixo para construir seus argumentos e 
mostrar possibilidades de solução.
Lembre-se de que o grupo deverá assinar 
a carta e também informar o dia, o horário 
e o local da reunião.
CONVERSAR PARA RESOLVER CONFLITOS
Quando a escuta e o diálogo são as regras, 
surgem soluções pacíficas para as brigas
Alunos que brigam com colegas, pro-
fessores que desrespeitam funcionários, 
pais que ofendem os diretores. Casos de 
violência na escola não faltam. A pesquisa 
O Que Pensam os Jovens de Baixa Renda 
sobre a Escola, realizada pelo Centro Bra-
sileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) 
sob encomenda da Fundação Victor Civita 
(FVC), ambos de São Paulo, revelou que 11% 
dos estudantes se envolveram em conflitos 
com seus pares nos últimos seis meses e 
pouco mais de 8% com professores, co-
ordenadores e diretores. Poucas escolas 
refletem sobre essas situações e elaboram 
estratégias para construir uma cultura da 
paz. A maioria aplica punições que, em vez 
de acabarem com o enfrentamento, estimu-
lam esse tipo de atitude e tiram dos jovens 
a autonomia para resolver problemas.
Segundo Telma Vinha, professora de Psico-
logia Educacional da Universidade Estadual 
de Campinas (Unicamp) e colunista da revista 
NOVA ESCOLA, implementar um projeto ins-
titucional de mediação de conflitos é funda-
mental para implantar espaços de diálogo 
sobre a qualidade das relações e os proble-
mas de convivência e propor maneiras não 
violentas de resolvê-los. Assim, os próprios 
envolvidos em uma briga podem chegar a uma 
solução pacífica. Por essa razão, é importante 
que, ao longo do processo de implantação, 
alunos, professores, gestores e funcionários 
sejam capacitados para atuar como mediado-
res. Esses, por sua vez, precisam ter algumas 
habilidades como saber se colocar no lugar do 
outro, manter a imparcialidade, ter cuidado 
com as palavras e se dispor a escutar.
O projeto inclui a realização de um levan-
tamento sobre a natureza dos conflitos e 
um trabalho preventivo para evitar a agres-
são como resposta
para essas situações. 
Além disso, ao sensibilizar os professores 
e funcionários, é possível identificar as vio-
lências sofridas pelos diferentes segmentos 
e atuar para acabar com elas.
Pessoas capacitadas atuam em 
encontros individuais e coletivos
Há duas formas principais de a media-
ção acontecer, segundo explica Lívia Maria 
Silva Licciardi, doutoranda em Psicologia 
Educacional, Desenvolvimento Humano e 
Educação pela Universidade Estadual de 
Campinas (Unicamp). A primeira é quando há 
duas partes envolvidas. Nesse caso, ambos 
os lados se apresentam ou são chamados 
para conversar com os mediadores – nor-
malmente eles atuam em dupla para que 
a imparcialidade no encaminhamento do 
caso seja garantida – em uma sala reservada 
para esse fim. Eles ouvem as diversas ver-
sões, dirigem a conversa para tentar fazer 
com que todos entendam os sentimentos 
colocados em jogo e ajudam na resolução 
do episódio, deixando que os envolvidos 
proponham caminhos para a decisão final.
A segunda forma é utilizada quando 
acontece um problema coletivo – um alu-
no é excluído pela turma, por exemplo. 
Diante disso, o ideal é organizar mediações 
coletivas, como uma assembleia. Nelas, um 
gestor ou um professor pauta o encontro 
e conduz a discussão, sem expor a vítima 
nem os agressores. “O objetivo é fazer com 
que todos falem, escutem e proponham 
saídas para o impasse. Assim, a solução 
72 GE REDAÇÃO 2016
deixa de ser punitiva e passa a ser forma-
tiva, levando à corresponsabilização pelos 
resultados”, diz Ana Lucia Catão, mestre 
em Psicologia Social pela Pontifícia Uni-
versidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 
Ela ressalta que o debate é enriquecido 
quando se usam outros recursos: filmes, 
peças de teatro e músicas ajudam na con-
textualização e compreensão do problema.
No Colégio Estadual Federal (CEF) 602, 
no Recanto das Emas, subdistrito de Bra-
sília, o Projeto Estudar em Paz, realizado 
desde 2011 em parceria com o Núcleo de 
Estudos para a Paz e os Direitos Humanos 
da Universidade de Brasília (NEP/UnB), tem 
16 alunos mediadores formados e outros 
30 sendo capacitados.
A instituição conta ainda com 28 profes-
sores habilitados e, desde o começo deste 
ano, o projeto faz parte da formação conti-
nuada. “Os casos de violência diminuíram. 
Recebo menos alunos na minha sala e as 
depredações do patrimônio praticamente 
deixaram de existir. Ao virarem protagonis-
tas das decisões, os estudantes passam 
a se responsabilizar por suas atitudes”, 
conta Silvani dos Santos, diretora. (...) “Es-
sas propostas trazem um retorno muito 
grande para as instituições, que conseguem 
resultados satisfatórios. É preciso, porém, 
planejá-las criteriosamente”, afirma Suzana 
Menin, professora da Universidade Estadual 
Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).
Adaptado de Karina Padial, Conversar Para Re-
solver. Gestão Escolar. São Paulo, no. 27, ago/set 
2013. http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/
conversar-resolver-conflitos-brigas-dialogo-762845.
shtml?page=1. Acessado em 02/10/2014.
INSTRUÇÕES
 
Neste caderno, na prova de Redação, de-
verão ser elaborados 2 textos (Texto 1 e Tex-
to 2). Os textos são de execução obrigatória. 
Não deverá haver nenhuma identificação 
pessoal (nome, sobrenome etc.) nos textos.
A prova deve ser feita a caneta esfero-
gráfica preta. Utilize apenas o espaço re-
servado (página pautada com 24 linhas).
anÁlise 
DA PROPOSTA
FORMAS DIFERENTES 
DE INTERLOCUÇÃO 
COLETIVA
Na prova de redação, o vestibular da 
Unicamp 2015 apresentou, como no ano 
anterior, duas propostas baseadas em 
tipos textuais distintos, em diálogo com 
a interpretação de uma coletânea de ou-
tras formas textuais. Nesse exame, para 
se obter um bom resultado, era essencial 
atentar-se às orientações oferecidas em 
relação a cada texto a ser desenvolvido, 
pois cada tipo textual possui suas parti-
cularidades e suas exigências. Assim, era 
preciso considerar também o contexto em 
que cada redação seria inserida. O can-
didato deveria ter claro seu papel como 
emissor da mensagem, o interlocutor (a 
quem o texto se destina), o conteúdo que 
a redação deveria contemplar e o canal 
pelo qual o texto seria criado. O candidato 
deveria ainda atentar-se às informações 
suscitadas pela coletânea das propostas. 
A primeira proposta solicitava uma sínte-
se sobre a humanização no atendimento à 
saúde, a partir das informações de dois tex-
tos-base: um artigo científico e um ensaio. 
A síntese reúne informações de diferentes 
fontes em uma só produção, ressaltando 
os aspectos importantes dos textos-base. 
Não é um simples resumo, pois a síntese 
traz as possíveis relações entre os textos 
principais, criando um único discurso. 
O candidato, então, deveria colocar-se 
como um estudante universitário que 
participa de um grupo de estudos, o qual 
seria seu interlocutor. Era fundamental 
expor nessa redação o conceito de huma-
nização no atendimento à saúde – dado 
no primeiro texto–, o posicionamento de 
cada texto-base e a relação possível entre 
eles em linguagem formal. Para o êxito 
dessa proposta, o candidato precisava ler 
atentamente a coletânea, destacando os 
principais conceitos e o ponto de vista de 
cada um dos textos da coletânea. 
A segunda proposta, a carta-convite, 
exigia do candidato um contexto mais 
elaborado. Esse tipo textual implica que 
o redator traga argumentos para persuadir 
o leitor a realizar o que se espera – no caso, 
comparecer ao encontro da comunidade 
escolar. O candidato deveria citar os obs-
táculos e soluções, o que indicaria ao leitor 
objetivos palpáveis para serem discutidos. 
Para isso, o candidato deveria utilizar-se 
da reportagem sobre o tema, contendo 
estatísticas e opiniões, alguns exemplos e 
soluções. O candidato também não poderia 
esquecer-se de assinar em nome de um 
grupo fictício, e principalmente de indicar 
o local, o dia e o horário da reunião, o que 
provavelmente zeraria a nota desse texto.
Unicamp 2015
73GE REDAÇÃO 2016
Humanização no 
atendimento à saúde
O ato de somar os avanços tecnológicos ao bom relacionamento, a fim de 
proporcionar um atendimento de qualidade, é o que entende-se por humanização.
No trecho do artigo científico “Análise do discurso oficial sobre a humanização 
da assistência hospitalar” de Suely Deslandes, a humanização no atendimento à 
saúde é importante pois, se houver tecnologia sem bom relacionamento, segundo 
o artigo, “desumaniza a assistência”, e, se houver atendimento sem tecnologia, 
quando esta é necessária, acaba “desumanizando o cuidado”. Entretanto, apesar 
de tecnologia e relacionamento serem importantes, o “fator humano” tem maior 
relevância, de acordo com o Programa Nacional de Humanização da Assistência 
Hospitalar (PNHAH).
O trecho do ensaio de Jerome Bruner, “Fabricando histórias: direito, literatura, 
vida”, trata da importância do médico escutar o que o paciente tem a dizer, antes 
de tratá-lo. Para isso, toma como base um Programa de Medicina Narrativa 
desenvolvido na Faculdade para Médicos e Cirurgiões da Escola de Medicina da 
Columbia University, cujo objetivo é atentar-se para o que o paciente tem a dizer, 
antes de intervir em seu caso clínico. Segundo os organizadores do programa, 
o número de mortes por incompetências narrativas já começou a diminuir na 
Faculdade da Columbia University.
Ambos os trechos, artigo científico e ensaio, ressaltam a importância do bom 
relacionamento entre profissionais e usuários e a necessidade de se atentar ao 
papel do profissional, seja para controlar os equipamentos tecnológicos, seja para
bem atender pessoalmente.
Redação 1
análise
SÍNTESE PRECISA E 
CONCISA DOS TEXTOS 
DA COLETÂNEA
O texto em questão apresenta uma boa 
adequação ao gênero solicitado, o que lhe 
garantiu a avaliação acima da média pela 
banca examinadora. Podemos observar 
que o candidato elabora de forma concisa 
e completa uma síntese sobre a humaniza-
ção no atendimento à saúde a partir de uma 
leitura aprofundada dos textos oferecidos 
pela coletânea. 
O vestibulando acerta em oferecer ao inter-
locutor, que seria o grupo de estudos do qual 
supostamente faria parte, a definição sobre 
quis defender. Ressalta-se em sua síntese 
a citação das pesquisas que permitiram ao 
autor do ensaio elaborar seu ponto de vista 
sobre o tema. 
A conclusão da redação apresenta ao 
leitor, de forma resumida, a relação entre 
ambos os textos da coletânea, encerrando 
o assunto de maneira objetiva e concisa. 
O diálogo entre o artigo de opinião e o ensaio 
indicado na conclusão ratifica a importância 
da humanização no atendimento à saúde, 
correspondendo àquilo que os examinadores 
esperavam do gênero proposto. 
O candidato ainda acerta ao elaborar seu 
texto em uma linguagem clara, objetiva, 
respeitando o registro formal, apesar da 
ocorrência de alguns pequenos desvios gra-
maticais. Seu texto indica a leitura atenta e 
eficaz da coletânea e uma interpretação bem 
elaborada, apresenta os principais aspectos 
dos textos-base, trazidos em um discurso 
conciso e objetivo. Sua avaliação foi consi-
derada muito positiva pela banca. 
a humanização relativa à saúde. Essa estra-
tégia é eficaz, pois o redator deveria trazer 
esse conceito conforme solicitava a proposta. 
Dessa maneira, apresentar a informação 
logo no começo da introdução permitiu ao 
autor do texto iniciar objetivamente sua 
síntese nos parágrafos seguintes, deixando 
seus interlocutores cientes do que se trata 
a humanização no atendimento à saúde. 
Em seguida, o candidato cita explicitamen-
te o primeiro texto do qual fala, uma estra-
tégia permitida pelo tipo textual. A partir de 
uma leitura atenta, o redator apresenta os 
principais pontos do primeiro texto sintetiza-
do, o artigo de opinião. Ele evidencia em sua 
síntese a importância do caráter humano no 
atendimento à saúde, informando de forma 
clara seus interlocutores. 
A mesma estratégia é mantida no texto 
em relação ao ensaio sobre humanização. 
O candidato expõe os pontos centrais de 
sua leitura, explicando suscintamente o que 
o autor do texto oferecido pela coletânea 
Próclise
O pronome 
relativo 
“que” atrai o 
pronome “se”: o 
que se entende
Sujeito, 
não objeto
Seria “do 
médico” se 
fosse objeto, 
como se trata 
de sujeito do 
verbo escutar, 
o correto seria 
“a importância 
de o médico 
escutar...”
Vírgula
Aqui, “pois” é 
uma conjunção 
que articula 
uma oração 
coordenada 
explicativa, 
devendo ser 
antecedido por 
vírgula
Faltou 
apostar
O nome da 
autora deveria 
estar apostado, 
entre vírgulas
Elegância e 
domínio
Evite a 
repetição tão 
próxima de 
palavras
74 GE REDAÇÃO 2016
Campinas, 11 de Janeiro de 2015
Prezados pais, alunos, professores, gestores e funcionários da escola
Acreditamos que seja do conhecimento de todos vocês a ocorrência de um 
grande número de incidentes de violência em nossa escola. Após percebermos 
um aumento constante no número dessas ocorrências e pouca reflexão e 
elaboração de estratégias por parte da comunidade escolar para solucionar 
os problemas, nós, alunos de variadas séries, nos reunimos em um grupo 
e desejamos convidá-los a se reunir conosco para debatermos o assunto e 
pensarmos possíveis soluções.
A participação de todos vocês nessa reunião é de extrema importância para 
que consigamos contemplar a opinião dos mais variados grupos, ao mesmo 
tempo em que será possível dialogar sobre os acontecimentos. Procurando fontes 
para nos auxiliar na busca por soluções, encontramos a matéria “conversar 
para resolver conflitos”, no site “Gestão Escolar”, e estamos convencidos de que 
soluções pacíficas são possíveis de serem conseguidas por meio do dialogo, o que 
reduz, ou até mesmo extingue a violência que permeia as discussões e agressões.
A partir de nossas pesquisas, chegamos a conclusão de que é preciso, 
sobretudo, realizarmos um trabalho preventivo, com fomento de debates e 
elaboração de palestras. Acreditamos, ainda, na formação de pais, professores, 
alunos e funcionários como mediadores, para que sejam capazes de auxiliar nos 
conflitos e de se colocarem no lugar dos outros, o que educará a todos contra os 
malefícios da violência. Essas medidas contribuirão para melhoria das relações 
interpessoais e para o rendimento dos alunos, o que trará inúmeros benefícios 
para a comunidade escolar. Aguardamos a todos no ginásio esportivo da escola, 
no dia 16 de Fevereiro, às 20:00 horas, para darmos continuidade à conversa. 
Obrigado.
Grupo de alunos da escola
Unicamp 2015 Redação 2-
Acerto formal
O candidato coloca 
local e data na carta, 
e faz a saudação no 
endereçamento. Uma 
vírgula após “escola” faria 
parte dessa saudação 
Faltou crase
“Conclusão” é um 
substantivo antecedido 
pelo artigo feminino “a”, 
e quem chega, chega a 
algum lugar 
Fiel à solicitação
O autor registra 
precisamente o local do 
evento, agradece a todos 
e assina
75GE REDAÇÃO 2016
análise
BOA FUNDAMENTAÇÃO 
E ESTRUTURA 
ADEQUADA 
O texto apresenta de forma clara e ob-
jetiva os elementos esperados de uma 
carta-convite. Desde o cabeçalho, o candi-
dato respeita a estrutura clássica do tipo 
textual solicitado, embora ele pudesse ter 
apresentado um fechamento mais formal. 
A introdução é também eficaz, pois o au-
tor logo indica o assunto do qual se trata a 
carta e faz o convite para a participação da 
comunidade escolar na reunião em que se 
discutiria a questão da violência, conforme 
demandava a proposta. 
O candidato segue uma estratégia inte-
ressante: apresenta, no desenvolvimen-
tecimentos que envolvem a violência e a 
formação de pais, funcionários e professores 
para o auxílio daqueles que sofrem com o 
problema. O redator, assim, corresponde 
às demandas da proposta no que tange à 
argumentação, mostrando propostas de 
intervenção concretas e bem relacionadas 
entre si. A carta-convite solicitada pela banca 
é um texto argumentativo, pois se esperava 
que o candidato fosse capaz de convencer 
o leitor a participar da reunião. Nesse tipo 
de texto, é fundamental que os argumentos 
apresentados sejam bem articulados, afinal 
eles são parte da mesma situação-problema 
abordada. Ao finalizar o parágrafo mostran-
do que as medidas contribuirão para a dimi-
nuição da violência, o candidato encerra a 
argumentação mantendo a coesão do texto. 
O término da carta, também eficaz, reitera 
o convite à comunidade escolar e indica ain-
da o local do encontro. A assinatura também 
está coerente com a proposta. O candidato 
mostrou-se atento às instruções da prova, 
assim como aos aspectos exigidos pelo tipo 
textual, sobressaindo-se no exame. 
to da carta, uma justificativa do convite. 
A presença de todos é solicitada para que 
soluções para o entrave discutido sejam 
debatidas. Dessa maneira, o autor do texto 
consegue indicar que o convite pressupõe 
a adesão de todos para combater algo que 
também atinge a todos. Em seguida, é feito 
explicitamente o diálogo com o texto da 
coletânea – uma estratégia permitida nesse 
gênero – funcionando bem como uma base 
para as soluções que seriam discutidas no 
encontro. A proposta instruía
o candidato a 
apoiar-se no texto oferecido para elaborar 
possíveis soluções ao entrave da violência. 
O modo como o candidato vale-se desse 
recurso foi muito eficiente, pois ele, dessa 
maneira, fundamenta as soluções pensadas, 
dando uma credibilidade maior aos seus 
argumentos. Nesse caso, ele também acerta 
ao indicar a fonte de onde teria extraído o 
texto, reforçando a credibilidade. 
Ainda no desenvolvimento, o candidato 
acerta novamente ao apresentar ao leitor 
quais soluções foram imaginadas: o tra-
balho preventivo, o debate sobre os acon-
76 GE REDAÇÃO 2016
notas 
baixas 
A prender com os erros também pode ajudá-lo. Aqui, damos alguns exemplos de textos 
considerados pelos avaliadores 
como abaixo da média espera-
da. As redações foram divulga-
das pela Unicamp em seu portal 
do vestibular (www.comvest.
unicamp.br). 
A partir de 2015, a prova de 
redação da Unicamp passou a 
ser realizada na segunda fase. 
Como em 2014, pediu dois tex-
tos. A nota final de redação é a 
soma das notas de ambos, e ze-
rar a nota em um dos gêneros de 
texto não elimina o candidato.
gêgêgg nenen rororo
OO OO cocoorrrrrretetetettoooo oo sesesseeririririaaa 
g
“aa hhhumumumumananannizizizzaçaçaççãoãoãoão 
éé é dededed fififiininininnidadadad ”
ErErErErrorororro ssutututiliilil 
AAA cococoonjnjnjjjununununçãçãçãççãçç oooooo
“eeeee” nnãnãooo o dedddeveveev sserererr 
j ç
seeseepapapapp rarar dadada pppppppporrororor 
vívívívíív rgrgrgrgrggululuuululaaa ququuquququananananannddododododo 
eleleellaaaaaa a lilililil gagagaggagg dddddduauauauau sss 
oroororaçaççççõeõeõess cococoommm m oooo
memmem smmmmoooo susuuujejejej ititittittoooooo
UsUsUU eee esese sesee,,,,
dededesse.e.e.......
.....p.p.pparaarraa see rrrefefererririrr 
aaaa alaalallgogogogo cccitititadadadooo
ananaanteteeteririririoroorormementtnteeee
ErErErrrrororoross dedede 
acacaceneentuttuaçaçççãoãoo
(1(1)) méémédiddicocoos,s,s,, 
nenececessárárárioioioio; ;
(2(2))) crcrrasase e 
inindededevivividadada
Grupo, aqui estão os meus resultados de leituras 
realizadas sobre o tema “humanização no atendimento 
à saúde”. 
No artigo científico lido “humanização” é definido 
como a capacidade de atrelar bom atendimento médico 
e bom relacionamento. O artigo diz, posteriormente, que 
há um programa nacional que destaca a importância 
da humanização da saúde, e usa deste programa para 
sustentar o seu ponto de vista de que, embora o fator 
humano não resolva nada sozinho, ele é o de maior 
importância.
No trecho de um ensaio lido é dito que a Faculdade de 
Medicina da Columbia University criou um “Programa 
de Medicina narrativa” que se dedica a treinar os 
medicos(1) para ouvirem mais os pacientes. Segundo o 
texto, esse programa foi criado em resposta à percepção 
de que muitos pacientes sofriam e até mesmo morriam 
simplesmente porque os médicos não lhes ouviam. No final 
do texto é dito que o programa criado já reduziu o número 
de mortes, e isto é usado para defender o ponto de vista do 
autor de que é necessario (1) “humanizar” à (2) saúde.
Por fim, é possível relacionar os pontos de vista dos dois 
textos como sendo complementares, já que ambos utilizam 
argumentos diferentes para defender uma mesma ideia: é 
necessário humanizar o atendimento médico. 
Apesar de adequar-se ao gênero textual solicitado em seu conjunto, 
a redação não foi bem avaliada. A síntese não informa suficientemen-
te o leitor sobre os principais aspectos de cada texto da coletânea. 
Além disso, a estrutura elaborada também não foi eficiente e há 
desvios de linguagem. 
Note no trecho que grifamos, já na introdução, que ao decidir 
saudar os membros do grupo o autor acabou por narrar que faria 
a síntese, uma estratégia que não é adequada ao gênero textual. 
A proposta pedia uma síntese da leitura, e não uma narrativa dela, 
embora o candidato tenha concluído que a síntese seria lida. 
análise
Tanto em sua síntese para definir “humanização”, quanto para 
as ideias colocadas na reportagem dada na coletânea, o candidato 
é breve, incompleto ou pouco claro. 
O intuito da síntese é oferecer ao interlocutor os aspectos mais 
relevantes de um texto de forma concisa e objetiva. Para concluir a 
produção, o autor foi pouco eficiente ao apresentar a relação entre 
os dois textos-base. 
O texto ainda apresenta desvios de linguagem ligados à pontua-
ção, à acentuação, à escolha lexical e à repetição, que prejudicam 
a compreensão. Assim, mesmo que tenha produzido uma síntese, 
esses aspectos comprometeram a adequação ao gênero textual, sua 
expressão e, naturalmente, sua avaliação. 
SÍNTESE POUCO INFORMATIVA
Unicamp 2015
Redação I - Síntese / Abaixo da Média
77GE REDAÇÃO 2016
REdação 2 - Carta / Abaixo da Média-
São Paulo, 11 de janeiro de 2015.
Caros alunos, pais, funcionarios, professores e gestores, membros da comunidade vinculada a 
Escola Estadual I. H.
Eu M.A.S., membro do grupo escolar, venho por meio desta carta convidar você a 
participar da assembleia que abordara os conflitos gerados na escola com assuntos de suma 
importância como: brigas, desrespeito, ofenças, lazer e melhorias para o convívio na escola, 
juntos buscaremos soluções pacíficas e eficazes, bem como sabem à escola passa por diversas 
ocorrências de violência e depredação e que posteriormente reflete no rendimento escolar, diga-
se de passagem a marginalização da comunidade escolar e evasão dos alunos.
O objetivo da reunião é pautar esses problemas com a ajuda da comunidade escutando e 
buscando soluções.
A assembleia será realizada na Escola Estadual I. H. no dia, 17, de janeiro de 2015 às 10:00 
horas. Sua participação é de exprema importância 
M.A.S comunicação social, J.A. assistência social. 
Falhas na 
acentuação
AA rerer grgrgrg aa pepepp dede aacecentnttooo
ç
ememm ffunununcicicionononárárrioioios ee e ememm 
ababbororordadad rárár .. AA A crcrrasa ee e éé é 
ininindededevivividadada
ErErrrororos dede ggggrarar fifiaa ee 
atatenençãçãooo
Ofensas, extrema
DESVIOS DA PROPOSTA 
COMPROMETEM O TEXTO
O texto foi considerado adequado ao tema, no entanto, devido a 
desvios importantes, não recebeu uma boa nota. O redator elabora 
uma carta-convite, mas não atende plenamente aos elementos 
solicitados pela proposta. Ele acerta no cabeçalho, mas, desde a 
introdução, a carta deixa a desejar. 
Na introdução, o objetivo da carta não é evidenciado de forma 
clara e coerente: ainda que haja o convite, não está bem elaborado 
o motivo da reunião. O candidato não especifica o assunto logo de 
início e ainda apresenta questões ligadas a lazer e a melhorias gené-
ricas na escola como pautas para o encontro. A proposta solicitava 
ao candidato a elaboração de uma carta em que o tema “violência” 
fosse bem trabalhado e fosse a motivação para o encontro. Ao mis-
turar outros temas, o redator distancia-se das instruções pedidas, 
o que prejudica sua nota. 
análise
No parágrafo seguinte, o candidato indica de forma pouco apro-
fundada qual seria a intenção da reunião e não mostra nenhuma 
possibilidade de solução, algo solicitado pela proposta. É funda-
mental perceber que fora solicitada uma carta argumentativa, que 
deveria convencer o leitor a participar da suposta reunião por meio 
de argumentos concretos sobre os conflitos ligados à violência. 
Mas, nessa redação, o candidato não desenvolve seu ponto de vista 
sobre o assunto e não indica nenhuma intervenção, deixando ainda 
de lado o diálogo com o artigo dado na coletânea. A finalização da 
carta está dentro do esperado, entretanto o candidato assina como 
alguém que faz parte da “comunicação social de assistência social” 
e, novamente, ele se distancia da proposta.
Além dos aspectos
ligados à estrutura da carta e à argumentação, 
o texto apresenta problemas de ortografia, acentuação, regência e 
pontuação, o que prejudica a compreensão do texto e compromete 
a sua avaliação. 
82 GE REDAÇÃO 2016
enem 2013
A proposta de redação da prova de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 
voltou a abordar uma questão social e sua dimensão em políticas públicas. Desta vez o tema foi a adoção 
da Lei Seca no país. Veja aqui a proposta e, nas páginas seguintes, redações que receberam excelentes 
avaliações e ficaram entre os 0,9% que obtiveram nota de 900 a mil. Das 5.049.248 redações realizadas, 
apenas 481 receberam nota mil nessa prova. As análises são do professor Davi Fazzolari
©WWW.OPERACAOLEISECARJ.RJ.GOV.BR/A-LEI-SECA/
Proposta 
de redação
 A ação do poder público 
sobre o indivíduo 
A partir da leitura dos textos motiva-
dores seguintes e com base nos conhe-
cimentos construídos ao longo de sua 
formação, redija texto dissertativo- 
argumentativo na modalidade escrita for-
mal da língua portuguesa sobre o tema 
“Efeitos da implantação da Lei Seca no 
Brasil”, apresentando proposta de inter-
venção que respeite os direitos humanos. 
Selecione, organize e relacione, de forma 
coerente e coesa, argumentos e fatos para 
defesa de seu ponto de vista.
QUAL O OBJETIVO DA 
“LEI SECA AO VOLANTE”?
De acordo com a Associação Brasileira de 
Medicina de Tráfego (Abramet), a utilização 
de bebidas alcoólicas é responsável por 
30% dos acidentes de trânsito. E metade 
das mortes, segundo o Ministério da Saúde, 
está relacionada a uso de álcool por moto-
ristas. Diante deste cenário preocupante, 
a Lei 11.705/2008 surgiu com uma enorme 
missão: alertar a sociedade para os perigos 
do álcool associado à direção. Para estancar 
a tendência de crescimento de mortes no 
trânsito, era necessária uma ação enérgica. 
E coube ao Governo Federal o primeiro pas-
so, desde a proposta da nova legislação à 
aquisição de milhares de etilômetros. Mas, 
para que todos ganhem, é indispensável 
a participação de estados, municípios e 
sociedade em geral. Porque, para atingir 
o bem comum, o desafio deve ser de todos.
Disponível em: www.dprf.gov.br. 
Acesso em: 20 jun. 2013.
REPULSÃO MAGNÉTICA A BEBER E DIRIGIR
A lei da física que comprova que dois po-
los opostos se atraem em um campo mag-
nético é um dos conceitos mais populares 
desse ramo do conhecimento. Tulipas de 
chope e bolachas de papelão não servem, 
em condições normais, como objetivos de 
experimento para confirmar essa proposta. 
A ideia de uma agência de comunicação 
em Belo Horizonte foi bem simples. Ímãs 
foram inseridos em bolachas utilizadas para 
83GE REDAÇÃO 2016
descansar os copos, de forma imperceptível 
para o consumidor. Em cada lado, há uma 
opcão para o cliente: dirigir ou chamar um 
táxi depois de beber. Ao mesmo tempo, tuli-
pas de chope também receberam pequenos 
pedaços de metal mascarados com uma 
pequena rodela de papel na base do copo. 
Durante um fim de semana, todas as bebi-
das servidas passaram a pregar uma peça 
no cliente. Ao tentar descansar seu copo 
com a opção dirigir virada para cima, os 
ímãs apresentavam a mesma polaridade e, 
portanto, causando repulsão, fazendo com 
que o descanso fugisse do copo; se estivesse 
virada mostrando o lado com o desenho de 
um táxi, ela rapidamente grudava na base 
do copo. A ideia surgiu da necessidade de 
passar a mensagem de uma forma leve e no 
exato momento do consumo.
Disponível em: www.operacaoleisecarj.rj.gov.br.
Acesso em: 20 jun. 2013. (adaptado).
Instruções:
* O rascunho da redação deve ser feito no 
espaço apropriado.
* O texto definitivo deve ser escrito à tinta, 
na folha própria, em até 30 linhas.
* A redação que apresentar cópia dos 
textos da Proposta de Redação ou do 
Caderno de Questões terá número de 
linhas copiadas desconsiderado para 
efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situ-
ações expressas a seguir, a redação que:
* tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo 
considerada “insuficiente”.
* fugir ao tema ou que não atender ao tipo 
dissertativo-argumentativo.
* apresentar proposta de intervenção que 
desrespeite os direitos humanos.
* apresentar parte do texto deliberadamen-
te desconectada com o tema proposto.
O tema de redação do Enem 2013 aque-
ce, por escrito, discussão acerca de uma 
contundente questão nacional: o ato de 
dirigir veículos, caminhões, motocicletas 
etc. após ter ingerido bebida alco ólica. 
O Enem manteve, assim, sua tradição de 
abordar uma questão social de grande 
penetração social e em todo o território, 
uma situação cultural bastante significa-
tiva (e polêmica!). 
Um breve texto descritivo da Polícia 
Rodoviária Federal introduzia a lei e sua 
motivação ao estudante, ilustrado por um 
cartaz do governo federal e por um conjun-
to de dados numéricos sobre a adoção da 
Lei Seca. Esses dados foram selecionados 
de um portal do Governo do Rio de Janeiro 
e tinham como fonte o próprio governo, o 
Ministério da Saúde, a prefeitura da capital 
carioca e um instituto privado de pesquisa. 
Completava a antologia uma descrição em 
prosa de uma iniciativa publicitária em 
Belo Horizonte, talvez sugerindo ao candi-
dato que o caminho das campanhas seria 
conveniente para a sua argumentação. 
Dados advindos do Rio de Janeiro, de 
Belo Horizonte e de Brasília podem ter 
levado um estudante atento a considerar 
situações mais próximas de sua realidade, 
e a propor modificações e medidas aplicá-
veis tanto nos hábitos brasileiros como 
NOVA INSTRUÇÃO DA PROVA 
A partir da prova de 2013, zeram a 
nota da redação desvios do tema, 
como receitas culinárias, hinos, 
tentativas de estabelecer conversas com 
o avaliador ou brincadeiras. 
Essa nova instrução tende a ser mantida 
nas próximas edições.
anÁlise 
DA PROPOSTA
nas leis e nos métodos utilizados em seu 
estado ou em sua cidade. Dentro dessa 
perspectiva, espelhando-se no sucesso da 
lei federal, os candidatos a uma vaga em 
nossas universidades públicas poderiam 
sugerir aos poderes estaduais e munici-
pais, mais habilitados, em tese, a consi-
derar situações específicas de sua região, 
a formular leis mais íntimas às realidades 
locais. A necessidade de colaboração de 
governos, de prefeituras e da sociedade, 
que aparece ao final do texto da Polícia 
Rodoviária Federal, poderia ser utilizada 
pelo autor para a proposta de intervenção 
social, exigida e valorizada pelo Enem em 
sua 5ª competência, responsável por 20% 
do universo avaliativo da prova. 
PROBLEMATIZAÇÃO E ARGUMENTAÇÃO
Mesmo diante de um tema aparentemen-
te árido, o estudante deveria garantir uma 
análise isenta. Para tanto, era necessário 
manter distanciamento crítico, abordar 
situações factuais de modo mais panorâ-
mico e evitar argumentos exemplificativos 
muito particulares. Em outras palavras, 
era preciso acolher o tema em uma pers-
pectiva social e desenvolver um ponto de 
vista que problematizasse a necessidade 
de modificar hábitos culturais. 
Um bom caminho poderia ser estabeleci-
do por reflexões acerca das causas sociais 
que têm produzido os trágicos dados ofe-
recidos pela proposta. Além disso, ques-
tionar e discorrer sobre as consequências 
da conjugação de álcool e direção não só 
individuais, mas também sociais, traria 
universalização a esse tema normalmente 
tratado sob um ponto de vista subjetivo 
e moralista. O desafio maior estava em se 
descolar de situações pontuais e produzir 
argumentos a partir da observação crítica 
de certos aspectos
da cultura nacional. 
84 GE REDAÇÃO 2016
enem 2013 Redação 1-
Conclusão
Traz uma proposta 
de intervenção social 
coerente e adequada 
ao tema
Introdução
Define que 
a abordagem 
será cultural e 
comportamental
Retrospectiva
Uma breve 
retrospectiva 
da lei antecipa 
o contraponto 
Conectivo
O conectivo 
adversativo 
mas introduz 
o contraponto
Sem álcool
Ao se falar em momento de diversão é impossível para muitas pessoas 
desvincular a imagem de boas risadas de uma lata de cerveja ou um copo 
de caipirinha. Um churrasco na casa de amigos não é verdadeiramente um 
churrasco se não for acompanhado por algumas tulipas de chope. E como 
“homem que é homem não se deixa derrubar por um pouco de cerveja”, lá se vão 
os casais, famílias e grupos de conhecidos sendo guiados por aqueles que não 
admitem que ninguém encoste em seus preciosos carros.
A lei seca, ao entrar em vigor, foi um exemplo de rigor e motivo de orgulho. 
Policiais munidos de bafômetros por todas as partes, motoristas que se 
preocupavam até mesmo com o fato de seu enxaguante bucal ter álcool em sua 
fórmula ou não. As ruas ficaram mais seguras, menos pessoas morreram e os 
taxistas – diga-se de passagem – ficaram eternamente gratos pela lei.
E fora das ruas a campanha de conscientização também teve lugar, 
apresentando-se de forma bem-humorada ou mostrando as possíveis 
consequências sangrentas da imprudência. 
Mas depois de poucos meses o rigor não era mais tão grande e encontrar 
motoristas exalando álcool por todos os seus poros também não era mais tão 
difícil. O número de pessoas conscientes dos riscos aos quais estavam se expondo 
aumentou significativamente, porém, ainda há aqueles que confiam em sua sorte.
Para que todo o esforço feito não seja perdido é imprescindível que a 
fiscalização – tanto policial quanto das pessoas físicas – continue, assim como 
é importante mostrar às crianças que carros e álcool só podem estar juntos se 
o último estiver na forma de combustível. Assim, são criados futuros adultos 
responsáveis e atuais fiscalizadores mirins, tão ou mais eficazes do que pontos 
na carteira e um bolso menos cheio. 
85GE REDAÇÃO 2016
análise
O Enem estabelece uma banca corretora 
composta de, no mínimo, dois avaliadores. 
Levando em consideração que a pontuação 
é distribuída em cinco níveis, dentro de 
cada uma de suas cinco competências, e 
que cada um desses nívieis vale 40 pontos 
quando bem avaliado, a redação Sem álcool 
recebeu de um avaliador a nota 1000 e de 
outro, a nota 960. Essa faixa de nota foi 
obtida apenas por 0,9% dos participantes 
da prova de 2013.
Trata-se de uma nota oferecida a um tex-
to que contempla todas as orientações 
escolares de clareza e adequação vocabular, 
objetividade, perspectiva crítica, constru-
ção de um ponto de vista nítido e coerência 
na argumentação. 
Apesar do respeito à norma culta, o uso 
de uma linguagem mais simples, e em al-
guns momentos até despojada, garantiu a 
fluidez da leitura, aspecto fundamental na 
recepção do texto pelo avaliador.
 
DESENVOLVIMENTO TEXTUAL
A autora abre sua dissertação estabe-
lecendo claramente para o leitor que sua 
abordagem do tema se dará a partir de uma 
abordagem cultural, e cita claramente os 
elementos do tema proposto, a tulipa de 
chope (presente no texto mais comporta-
mental da coletânea) e os carros, adjetiva-
dos como valiosos aos proprietários. 
O segundo e o terceiro parágrafos reto-
mam o tema, trazem uma citação ao texto 
da coletânea e preparam para o desenvol-
vimento de um contraponto, no parágrafo 
seguinte, garantindo a coesão do texto.
O conectivo de introdução no quarto pa-
rágrafo – a conjunção adversativa “mas” – 
concretizou o ponto de vista e introduziu o 
contundente contraponto que o sustentou: 
mesmo com o aumento da conscientização, 
alguns insistem nas práticas combatidas 
pelas campanhas espalhadas pelo país.
A conclusão ofereceu uma proposta de 
intervenção social coerente e adequada 
ao tema, ao ponto de vista apresentado e 
à argumentação desenvolvida. Apesar de 
ter projetado qualquer mudança efetiva 
apenas para o futuro, a ação apresentada – 
a educação sistemática das novas gerações 
– vislumbrou o tempo presente. 
EXCELENTE DESEMPENHO
VEJA AS COMPETÊNCIAS
AVALIADAS NA PROVA
E a forma como é recebida por cada participante
COMPETÊNCIA 1
Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da 
língua portuguesa.
NOTA: 200,0 (100%)
O participante demonstra excelente domínio da modali-
dade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de 
registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita, 
neste nível, são aceitos somente como excepcionalidade 
e quando não caracterizam reincidência.
COMPETÊNCIA 2
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos 
das várias áreas de conhecimento para desenvolver o 
tema, dentro dos limites estruturais do texto disserta-
tivo-argumentativo em prosa.
NOTA: 200,0 (100%)
O participante desenvolve o tema por meio de argumen-
tação consistente, a partir de um repertório sociocultu-
ral produtivo e apresenta excelente domínio do texto 
dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema 
é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do 
acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão 
fluente e articulada ao projeto do texto.
COMPETÊNCIA 3
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar infor-
mações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de 
um ponto de vista.
NOTA: 200,0 (100%)
Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta infor-
mações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, 
de forma consistente e organizada, configurando autoria, 
ou seja, os argumentos selecionados estão organizados 
e relacionados de forma consistente com o ponto de 
vista defendido e com o tema proposto, configurando-se 
independência de pensamento e autoria.
COMPETÊNCIA 4
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos 
necessários para a construção da argumentação.
NOTA: 200,0 (100%)
O participante articula bem as ideias, os argumentos, as 
partes do texto e apresenta repertório diversificado de 
recursos coesivos, sem inadequações.
COMPETÊNCIA 5
Elaborar proposta de intervenção para o problema 
abordado, respeitando os direitos humanos.
NOTA: 180,0 (90%)
O participante elabora excelente proposta de intervenção, 
detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão 
desenvolvida no texto. Trata-se de redação cuja proposta 
de intervenção seja muito bem elaborada, relacionada 
ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, 
abrangente e bem detalhada.
86 GE REDAÇÃO 2016
Direcionando o Brasil
Bebida e direção são incompatíveis. Juntando-se a cultura hedonista e 
irresponsável do brasileiro com a histórica preferência por rodovias e incentivo à 
compra de carros, ficou evidente esse problema nos grandes números de acidentes 
por conta do álcool. Nesse contexto, a criação da Lei Seca cumpre um papel 
fundamental de tentar conter a situação, mas não conseguirá resolvê-la por si só. 
Junto a ela, é preciso mudar a consciência do povo que aqui reside. 
Em primeiro lugar, é importante ressaltar quão benéfico foi o efeito da Lei 
Seca nos últimos 5 anos. Apesar de inicialmente ter encontrado certa resistência 
da população, a redução expressiva no número de mortos e de acidentes foi 
suficiente para convencer a sociedade de sua eficiência. Devido a isso, já se 
observa uma reflexão antes de beber em muitos indivíduos.
Entretanto, vale também dizer que essa medida não pode ser a única, por 
não se tratar de uma ação preventiva. Depois de alguns anos em uso, já ficam 
claros os limites e os defeitos
da lei. Muitos dos policiais que deveriam fiscalizar 
cobram propinas para não punir os criminosos e diversas pessoas já procuram 
na internet onde acontecem as patrulhas e trocam para rotas alternativas, 
escapando impunes. 
Outro problema é o fato de existir um transporte público caro e insuficiente. 
A falta de opções como o metrô e o preço das passagens deixam a população 
insatisfeita, como se viu nas manifestações deste ano, e pior, tornam-na refém do 
carro. Isso não pode ser ignorado quando o objetivo é reduzir as taxas de acidentes.
Desse modo, fica clara a importância da Lei Seca no atual contexto, mas 
expõe-se também seu limite no futuro. O problema da direção alcoolizada será 
verdadeiramente resolvido com mudanças nos hábitos da população. Para tal, 
é necessário que o governo faça campanhas de conscientização dos perigos 
do álcool na direção, com ajuda de escolas e da iniciativa privada, por meio de 
palestras em salas de aula e programas no rádio e na televisão. Deve-se, do 
mesmo modo, direcionar mais investimentos ao transporte público, efetivando o 
passe livre e construindo linhas de metrô mais complexas nos centros urbanos. 
Essas atitudes levarão o país a um futuro mais seguro.
enem 2013 Redação 2-
Bom título
O autor explora a 
semântica do verbo 
dirigir e, de certa 
forma, já apresenta um 
posicionamento crítico
Falta de autonomia 
Não generalize ou coloque 
8šID8¡x<J�J<D�;8;FJ�
que as corroborem. 
O leitor não deve ter 
de deduzir
Excelente 
argumento
Ele fundamenta a 
8šID8¡iF�;8�E<:<JJ@;8;<�
de outras medidas
Virgulação
Uma vírgula deveria 
anteceder a nova 
sentença “e diversas...”
Conectores 
excelentes
Introduzem 
adequadamente 
parágrafos e 
frases, sem erros 
de virgulação
Atenção à coesão
A coesão pede a mesma ordem 
de elementos, para caro e 
@EJLš:@<EK<�J<>L@I^J<^@8D�GI<¡F�
<�=8CK8�;<�FG¡x<J
87GE REDAÇÃO 2016
análise
Uma ótima redação! O autor apresentou 
um conjunto de ações que, associadas, 
poderiam atenuar os principais proble-
mas que ele levanta em seu texto. Não há 
nada de mirabolante, algo que, de fato, não 
pudesse ser realizado em nossos tempos. 
Além disso, ao apresentar sua proposta 
de intervenção social ele retomou pon-
tos importantes de sua própria argumen-
tação ao longo da redação – “mudança 
de hábitos promovida por campanhas e 
palestras visando à conscientização em 
escolas, programas no rádio e na televi-
são; maiores investimentos no transporte 
público, efetivação do passe livre” – o que 
contemplou bem a proposta de intervenção 
social exigida na competência 5 da prova.
Destaca-se no texto o uso de conecto-
res variados e bem empregados, que dão 
coesão ao texto. Há uma boa distribuição 
de articuladores do discurso, na abertura 
dos parágrafos e das frases dentro deles: 
“devido a isso”, “entretanto”, “outro pro-
blema é”, “desse modo”, “para tal”, “por 
meio de”. Isso costuma ser considerado 
um bom desempenho na competência 4 
(uso dos mecanismos linguísticos para a 
argumentação), sinal de estrutura bem 
resolvida. 
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO 
DETALHADA E REALIZÁVEL
ARGUMENTAÇÃO
Com o título que escolheu, o candidato 
dá um exemplo de oportunidade bem apro-
veitada. Ele explora a semântica do verbo 
dirigir e, de certa forma, já apresenta um 
posicionamento crítico ante o tema. 
O primeiro parágrafo atua como síntese. 
O posicionamento crítico do autor dá-se de 
modo direto e nítido: “Bebida e direção são 
incompatíveis”. Em seguida, problematiza 
o tema, a partir de clara contextualização, 
oferecendo circunstâncias culturais e eco-
nômicas como responsáveis pela situação 
atual: “cultura hedonista e irresponsável 
do brasileiro e incentivo à compra de car-
ros”. Além disso, incorpora o tema ao ponto 
de vista – “a criação da lei seca cumpre um 
papel fundamental” – e anuncia a proposta 
de intervenção social – “é preciso mudar 
a consciência do povo que aqui reside”. 
Porém, aqui o candidato cometeu seu prin-
cipal deslize, ao fazer uma generalização 
do perfil do brasileiro como irresponsável 
para a qual não oferece subsídio concreto. 
Também arrisca uma perigosa implicitude 
na introdução, ao deixar aos corretores a 
tarefa de decidirem se a cultura hedonista a 
que ele se refere seria a do status da posse 
de veículos ou, de alguma forma, ligada ao 
consumo de bebidas alcoólicas. 
Os parágrafos 2, 3 e 4 ponderam e sus-
tentam o ponto de vista apresentado no 
início, garantindo no parágrafo 2 razoável 
progressão temática. Nele, o autor confir-
ma os benefícios da implantação da Lei 
Seca pelos números oferecidos na prova. 
A seguir, pondera que a lei não é eficiente 
sozinha e elenca razões. No parágrafo final, 
apresenta diferentes propostas de inter-
venção social, ancoradas nos elementos 
da sua argumentação.
88 GE REDAÇÃO 2016
prático, com o objetivo de proporcionar oportunidades de aquisição 
de novos conhecimentos e novas vivências, de experimentação 
e de contato com os mais diversos tipos de linguagens, técnicas 
e ideias. As Oficinas Culturais atuam nas áreas de artes plásticas, 
cinema, circo, cultura geral, dança, design, folclore, fotografia, 
história em quadrinhos, literatura, meio ambiente, multimídia, 
música, ópera, rádio, teatro e vídeo.
O público a ser atingido depende do objetivo de cada atividade, 
podendo variar do iniciante ao profissional. As Oficinas Culturais 
visam à formação cultural e não à educação formal do cidadão. 
Pretendem mostrar caminhos, sugerir ideias, ampliar o campo 
de visão.
Adaptado de Oficina Cultural Regional Sérgio Buarque de Holanda. Dispo-
nível em http://www.guiasaocarlos.com.br/oficina_cultural/conceito.asp. 
Acessado em 07/10/2013.
TEXTO 2
Em virtude dos problemas de trânsito, uma associação de mo-
radores de uma grande cidade se mobilizou, buscou informações 
em textos e documentos variados e optou por elaborar uma carta 
aberta. Você, como membro da associação, ficou responsável por 
redigir a carta a ser divulgada nas redes sociais. Essa carta tem 
o objetivo de reivindicar, junto às autoridades municipais, ações 
consistentes para a melhoria da mobilidade urbana na sua cidade. 
Para estruturar a sua argumentação, utilize também informações 
apresentadas nos trechos abaixo, que foram lidos pelos membros 
da associação.
Atenção: assine a carta usando apenas as iniciais do remetente.
Proposta 
de redação
A prova da Unicamp de 2014 solicitou do candidato saber se expressar em nome de um grupo. 
Trata-se de uma proposta de texto cada vez mais presente nas provas. Aqui você vê as propostas 
analisadas e, nas páginas seguintes, exemplos de textos bem avaliados pela universidade. 
As análises são da professora Nathália Macri Nahas
Você é o porta-voz 
de um grupo
TEXTO 1
Você e um grupo de colegas ganharam um concurso que vai 
financiar a realização de uma oficina cultural na sua escola.
Após o desenvolvimento do projeto, você, como membro do gru-
po, ficou responsável por escrever um relatório sobre as atividades 
realizadas na oficina, informando o que foi feito. O relatório será 
avaliado por uma comissão composta de professores da escola. 
A aprovação do relatório permitirá que você e seu grupo voltem 
a concorrer ao prêmio no ano seguinte.
O relatório deverá contemplar a apresentação do projeto 
(público-alvo, objetivos e justificativa), o relato das atividades 
desenvolvidas e comentário(s) sobre os impactos das atividades 
na comunidade.
Na abertura do concurso, os grupos concorrentes receberam o 
seguinte texto de orientação geral:
As Oficinas Culturais são espaços que procuram oferecer aos 
interessados
atividades gratuitas, especialmente as de caráter 
Unicamp 2014
89GE REDAÇÃO 2016
I
“A boa cidade, do ponto de vista da mobilidade, é a que possui 
mais opções”, explica o planejador urbano Jeff Risom, do escritório 
dinamarquês Gehl Architects. E Londres está entre os melhores 
exemplos práticos dessa ideia aplicada às grandes metrópoles.
A capital inglesa adotou o pedágio urbano em 2003, diminuindo o 
número de automóveis em circulação e gerando uma receita anual 
que passou a ser reaplicada em melhorias no seu já consolidado 
sistema de transporte público. Com menos carros e com a redu-
ção da velocidade máxima permitida, as ruas tornaram-se mais 
seguras para que fossem adotadas políticas que priorizassem a 
bicicleta como meio de transporte. Em 2010, Londres importou o 
modelo criado em 2005 em Lyon, na França, de bikes públicas de 
aluguel. Em paralelo, começou a construir uma rede de ciclovias e 
determinou que as faixas de ônibus fossem compartilhadas com 
ciclistas, com um programa de educação massiva dos motoristas 
de coletivos. Percorrer as ruas usando o meio de transporte mais 
conveniente – e não sempre o mesmo – ajuda a resolver o pro-
blema do trânsito e ainda contribui com a saúde e a qualidade 
de vida das pessoas.
Natália Garcia, 8 Iniciativas Urbanas Inspiradoras, em Red Report, fev. 2013, 
p. 63. Disponível em http://cidadesparapessoas.com/2013/06/29/pedalando- 
por-cidades-inspiradorass/. Acessado em 06/09/2013.
II
Mas, afinal, qual é o custo da morosidade dos deslocamentos 
urbanos na região metropolitana de São Paulo? Não é muito difícil 
fazer um cálculo aproximado.
Podemos aceitar como tempo normal, com muita boa vontade, 
uma hora diária. Assim, o tempo médio perdido com os conges-
tionamentos em São Paulo é superior a uma hora por dia. Sendo 
a jornada de trabalho igual a oito horas, é fácil verificar que o 
tempo perdido é de cerca de 12,5% da jornada de trabalho. O 
valor monetário do tempo perdido é de R$ 62,5 bilhões por ano.
Esse é o custo social anual da lentidão do trânsito em São Paulo.
Adaptado de André Franco Montoro Filho, O custo da (falta de) mobilidade ur-
bana, Folha de S.Paulo, Caderno Opinião, São Paulo, 04 ago. 2013. Disponível em 
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/08/1321280-andre-francomontoro- 
filho-o-custo-da-falta-de-mobilidade-urbana.shtml. Acessado em 09/09/2013.
III
Torna-se cada vez mais evidente que não há como escapar da 
progressiva limitação das viagens motorizadas, seja aproximando 
os locais de moradia dos locais de trabalho ou de acesso aos serviços 
essenciais, seja ampliando o modo coletivo e os meios não motori-
zados de transporte. Evidentemente que não se pode reconstruir 
as cidades, porém são possíveis e necessárias a formação e a con-
solidação de novas centralidades urbanas, com a descentralização 
de equipamentos sociais, a informatização e descentralização de 
serviços públicos e, sobretudo, com a ocupação dos vazios urbanos, 
modificando-se, assim, os fatores geradores de viagens e diminuindo- 
se as necessidades de deslocamentos, principalmente motorizados.
BRASIL. Ministério das Cidades. Caderno para a Elaboração de Plano Diretor 
de Transporte e da Mobilidade. Secretaria Nacional de Transportes e de 
Mobilidade Urbana [SeMob], 2007, p. 22-23. Disponível em http://www.antp.
org.br/_5dotSystem/download/dcmDocument/2013/03/21/79121770-A746-
45A0-BD32-850391F983B5.pdf. Acessado em 06/09/2013.
90 GE REDAÇÃO 2016
PRÁTICAS DE 
INTERLOCUÇÃO
A prova de redação do vestibular da 
Unicamp 2014 trouxe duas propostas que 
pediam ao candidato um desafio interes-
sante: ser o emissor de textos represen-
tando um grupo. 
Para elaborar um texto adequado às 
propostas pedidas pela Unicamp, é funda-
mental que o candidato atente-se às orien-
tações oferecidas, não somente ao gênero 
de texto, mas também ao contexto no qual 
ele está inserido. Assim, é importante notar 
o emissor da mensagem, o interlocutor, ou 
seja, a quem o texto se destina, o conteúdo 
que será exposto e o canal pelo qual o texto 
será criado. Para que tudo seja coerente e 
bem fundamentado, é preciso também que 
o candidato baseie-se no texto oferecido 
como coletânea. 
A proposta 1 solicitava um relatório, um 
gênero textual que demanda a impessoali-
dade. Logo, o texto deveria ser apresentado 
preferencialmente na terceira pessoa. O 
candidato deveria evitar o uso da primeira 
pessoa do singular (eu), mas a primeira 
pessoa do plural também caberia ao gê-
nero de texto. Como a finalidade do texto 
era apresentar detalhadamente o projeto, 
descrever as atividades desempenhadas 
e indicar seus impactos na comunidade 
onde se inseria a escola, o candidato deve-
ria prezar pela objetividade e clareza das 
ideias. Nesse sentido, era importante evitar 
pontos de vistas subjetivos (nós achamos, 
parece-nos ou nos parece, nós pensamos). 
Ainda de acordo com a proposta, o rela-
tório seria analisado para que o grupo em 
questão pudesse concorrer novamente ao 
concurso. Sendo assim, o candidato preci-
anÁlise 
DA PROPOSTA
sava apresentar as atividades exercidas 
de forma coerente aos objetivos trazidos 
na apresentação, de forma adequada ao 
público-alvo. 
A proposta 2 pedia ao candidato que 
redigisse uma carta aberta, gênero de tex-
to de caráter argumentativo, no qual se 
expressa em público uma reivindicação, 
uma opinião ou uma proposta acerca de 
determinado assunto de interesse coleti-
vo. O autor da carta (o emissor) falaria em 
nome da associação de moradores de uma 
grande cidade, e os destinatários seriam as 
autoridades municipais, como secretários e 
o prefeito. O emissor da carta poderia, por-
tanto, falar em primeira pessoa do singular 
ao apresentar-se como o representante e, 
em seguida, utilizar-se da terceira pessoa 
(a associação) e a primeira do plural (nós). 
O objetivo do texto é reivindicar ações 
urbanas para amenizar os problemas de 
trânsito na cidade. Para ser adequado ao 
gênero solicitado, o texto deveria apre-
sentar a estrutura básica de uma carta: 
um cabeçalho, indicando a data e o local de 
emissão da carta e um vocativo de introdu-
ção (por exemplo, Prezados Senhores, Ex-
celentíssimo Senhor Prefeito e Secretários) 
No texto, a autoapresentação do remetente, 
introdução e desenvolvimento da situação-
problema. Os argumentos deveriam ser dis-
cutidos de forma pertinente ao tema e bem 
fundamentados com informações e dados. 
Após a conclusão das ideias, o candidato 
deveria finalizar a carta com uma saudação 
formal, e assinar apenas com as iniciais do 
remetente. Seguindo essa estrutura formal, 
o candidato poderia se preocupar somente 
em expor um ponto de vista pautado em 
argumentos pertinentes, indicando como 
o problema em questão é de preocupação 
de todos os moradores da cidade. 
91GE REDAÇÃO 2016
Unicamp 2014 Redação 1-
Relatório de atividades da Oficina de Música Clássica do Colégio Vestibulando
Introdução: durante todo o segundo trimestre do ano de 2013, os alunos do segundo ano, 
turma A, do Ensino Médio do Colégio Vestibulando, organizaram uma oficina cultural sobre 
música clássica. O projeto teve como público-alvo os alunos do Ensino Fundamental da escola, 
bem como pais, professores e funcionários. Os objetivos da oficina consistiam em incentivar 
o interesse e a apreciação pela música clássica através de palestras, recitais (ao vivo ou por 
mídia digital) e aulas práticas. Dessa forma, a Oficina de Música Clássica se justificava pelo 
intuito de combater a tradicional elitização desse estilo musical e desmistificar a noção de que 
a prática desses instrumentos é retrógrada
ou tediosa.
Atividades realizadas: a oficina funcionou de abril a junho de 2013, todas as sextas e 
sábados, das 14 às 18 horas, no auditório do Colégio Vestibulando. As duas primeiras horas 
eram sempre reservadas a palestras abordando grandes compositores e o contexto histórico 
da criação dos instrumentos. Ao final da exposição teórica, os organizadores executavam um 
recital relacionado ao tema da aula. Durante a última hora, os participantes eram convidados 
a manusear e aprender técnicas básicas de violino, violoncelo, piano ou flauta transversal. Ao 
longo do trimestre, foram comentados os compositores Beethoven, Mozart, Chopin, Debussy, 
Rachmaninoff, Tchaikovsky e Paganini. A aula de encerramento durou uma hora a mais e 
tratou a respeito da harmonização e formação das orquestras sinfônicas e filarmônicas.
Impacto da oficina na comunidade: o principal objetivo do projeto foi derrubar o rótulo 
de música clássica como erudita e ultrapassada – e, de modo geral, a oficina obteve êxito nisso. 
Os alunos do Ensino Fundamental foram incentivados a fundar um clube de música na escola 
e conseguiram patrocínio dos pais para comprar instrumentos e contratar um instrutor. Diante 
de tamanho sucesso, os alunos do segundo ano, turma A, esperam poder recriar essa oficina em 
2014; para isso, pretendem contar com o financiamento do próximo Prêmio Oficina Cultural.
Sutileza
Na norma-padrão, a 
locução adverbial 
através de é usada, 
preferencialmente, com 
substantivos que podem 
ser “atravessados”: 
através das nuvens, da 
janela, da rua. Nos demais 
casos recomenda-se usar 
por meio de ou pelo/pela
Na mosca
O candidato acerta 
ao elencar nomes 
reconhecidos para 
alicerçar seu 
conhecimento sobre o 
tema e dar pertinência 
à sua defesa. E não 
errou nenhuma grafia
análise
Texto I > Relatório
ADEQUAÇÃO AO TEMA 
E LINGUAGEM EFICAZ
O texto em questão apresenta um bom di-
álogo com a situação proposta, conseguindo 
expressar um ponto de vista e utilizar uma 
estrutura que respeita o gênero de texto 
solicitado. A linguagem é eficaz, o que faci-
lita a compreensão das ideias, e o texto traz 
todos os elementos pedidos nas instruções. 
O candidato acertou ao organizar o texto 
pelas indicações da prova: introdução, ati-
vidades e impactos. Dessa maneira, pôde 
equilibrar uma apresentação mais expositiva 
das ideias, a parte mais descritiva e factual 
do texto, ao seu posicionamento como autor, 
ou seja, sua análise dos resultados da oficina. 
sões da oficina, como horários, descrição das 
atividades e do conteúdo. Além disso, o autor 
fundamenta esse conteúdo com exemplos 
dos artistas trabalhados, o que oferece mais 
pertinência à defesa do projeto. 
Na conclusão, o candidato oferece à co-
missão suas considerações finais. Esse tre-
cho é essencial para adequação à proposta, 
pois é aqui que o autor consegue defender 
seu projeto, afirmando os impactos positi-
vos das atividades em relação aos objetivos 
pretendidos, ao conteúdo trabalhado e à 
metodologia aplicada. Temos, assim, a parte 
mais argumentativa do relatório. De forma 
concisa, o candidato retoma sua tese – afir-
mando que o mito da música clássica fora 
derrubado – em diálogo com a descrição 
dos métodos e conteúdos trabalhados – 
oferecendo ao leitor uma fundamentação 
do ponto de vista dos autores do projeto. 
Dessa maneira, o texto apresenta uma ex-
plicação pertinente das ideias expostas à 
comissão avaliadora.
Já na introdução, o vestibulando expôs as 
informações necessárias ao leitor para que 
compreendesse do que se tratava o projeto 
e os objetivos pretendidos. É interessante 
observar que são descritos os métodos pelos 
quais as atividades foram exercidas, o que 
tornou a redação bem adequada ao gêne-
ro solicitado. Ao apresentar a justificativa 
do projeto elaborado, o autor expressou o 
posicionamento que ele busca elaborar e 
defender nas partes posteriores à introdução 
(desmistificar a ideia de que a música clássica 
pertença somente a um âmbito erudito).
No segundo parágrafo, o candidato co-
locou informações relativas à execução do 
projeto, descrevendo de forma eficaz o seu 
andamento. De acordo com as orientações 
da proposta, o relatório seria analisado 
por uma comissão de professores, os quais 
decidiriam se a oficina poderia ou não ser 
mantida. Observe que o autor traz detalhes 
fundamentais que constroem a pertinência 
do projeto desenvolvido: detalhes das ses-
92 GE REDAÇÃO 2016
Unicamp 2014 Redação 2-
Belo Horizonte, 10 de Novembro de 2013, 
Carta aberta à prefeitura de Belo Horizonte
Venho, por meio desta carta, apresentar reivindicações da Associação de 
Moradores de Belo Horizonte concernentes à mobilidade em nossa cidade.
Diante de congestionamentos cada vez maiores, do atraso provocado 
pelo trânsito de veículos em horários de ápice e do consequente estresse que 
acomete os belo-horizontinos diariamente, quando precisam se locomover, 
nossa Associação se comprometeu a estudar as principais causas e elaborar as 
melhores propostas para a melhoria da mobilidade em nossa cidade. Chegamos 
portanto, à conclusão de que o principal problema do trânsito de Belo Horizonte 
é a dimensão exorbitante de sua frota de veículos, quando analisa-se o que a 
infraestrutura da cidade é capaz de suportar. Com base nisso, criamos propostas 
de intervenção que visam reduzir a frota de automóveis, dinamizar a locomoção 
urbana e aumentar a qualidade de vida dos habitantes.
A primeira proposta se refere à implantação do pedágio urbano, que está em 
voga em Londres desde 2003 e se mostrou muito bem-sucedido. Esse pedágio 
consiste em uma tarifa, cobrada em diversos pontos da cidade, para motoristas 
de automóveis. O efeito imediato dessa proposta é o desencorajamento do uso 
de automóveis pelos cidadãos. Além disso, o dinheiro dos pedágios torna-se um 
fundo para investimento em transporte público.
A segunda proposta relaciona-se, justamente, ao transporte público. Sugere-
se a ampliação da frota e das linhas de ônibus, além da criação de ciclovias por 
toda a cidade. Paralelamente a isso, convém implantar o serviço de aluguel de 
bicicletas públicas, sucesso na França. Com essas propostas, esperamos uma 
melhoria significativa na mobilidade em Belo Horizonte, portanto exortamos à 
prefeitura que elas sejam postas em prática.
Atenciosamente,
T.M.G.
Formalização 
perfeita
O candidato acerta 
ao começar por local e 
data, endereçamento, 
identificação do gênero 
textual e ao apresentar-
se, na primeira pessoa 
(venho) e no plural 
majestático (nossa)
Conjunção
Quando intercaladas 
na oração as conjunções 
devem ser isoladas por 
vírgulas: “Chegamos, 
portanto, à”
Evite se repetir
Procure substituir a 
palavra por outra. Por 
exemplo, “essa medida”
Texto II > Carta aberta 
93GE REDAÇÃO 2016
análise
ARGUMENTAÇÃO 
FUNDAMENTADA 
E ESTRUTURA 
ADEQUADA 
O texto apresenta de forma clara e obje-
tiva os elementos esperados de uma carta 
aberta. O candidato respeita a estrutura 
clássica do gênero textual solicitado, desde 
o cabeçalho indicando o local e a data, 
até o fechamento formal. Apresenta-se 
em primeira pessoa como representante, 
para justificar a assinatura final com suas 
iniciais, e a partir daí adota corretamente a 
primeira pessoa do plural. Ele elabora tam-
bém um posicionamento crítico diante do 
problema observado, atendendo ao aspec-
to argumentativo também esperado. Além 
disso, mantém um diálogo eficiente com os 
textos da coletânea, dando às sugestões 
que faz uma fundamentação pertinente. 
Na introdução, o candidato segue um 
percurso argumentativo eficaz: após apre-
sentar
o objetivo da carta aberta, ele indica 
o assunto a ser abordado (o problema dos 
abordada. Dessa forma, o caráter crítico 
das ideias torna-se mais aprofundado, 
favorecendo o convencimento do leitor. 
No texto em questão, o candidato mantém 
essa relação e traz uma terceira proposta 
– sobre as ciclovias – para finalizar suas 
sugestões. Novamente, ele se utiliza de 
forma eficiente dos textos oferecidos 
pela coletânea, mostrando que suas 
propostas são viáveis e benéficas, haja 
vista os efeitos positivos nos países que 
já as aplicaram. 
A carta é finalizada com o apelo à prefei-
tura pela aplicação das sugestões elabora-
das. Isso poderia ser feito em um parágrafo 
distinto, mas da forma como o candidato 
fez também foi eficaz. A linguagem tam-
bém é eficiente: o autor mantém o registro 
formal sem valer-se de termos rebuscados 
e eruditos, que poderiam comprometer a 
clareza das ideias. A escolha lexical é acer-
tada: termos como exortar (persuadir, es-
timular, induzir) conferem à carta um viés 
de petição. Assim, o candidato conseguiu 
elaborar suas ideias de forma adequada 
ao tipo textual solicitado, obtendo uma 
boa nota dos avaliadores.
congestionamentos) e seu contexto. Diante 
dessas questões, o autor – em nome da 
Associação – expõe o ponto de vista que 
busca defender nos parágrafos seguintes: 
o problema e as sugestões de interven-
ção. Quando trabalhamos com propostas 
de intervenção, é preciso que elas sejam 
indicadas de forma completa e bem funda-
mentadas na realidade, permitindo – em 
uma situação real – sua aplicação.
O segundo parágrafo já apresenta a 
primeira proposta de intervenção, cuja 
fundamentação é feita com o texto I da co-
letânea. O parágrafo é elaborado de modo 
progressivo, isto é, o candidato apresen-
ta a proposta, explicando-a nos períodos 
seguintes por meio dos efeitos benéficos 
que a mudança proporcionaria. Nesse 
sentido, o autor garante credibilidade às 
suas intervenções, o que é essencial para 
o convencimento do leitor. 
O último parágrafo indica a segunda 
proposta de forma bem articulada à ante-
rior. Em um texto argumentativo, é funda-
mental que os argumentos apresentados 
sejam bem articulados entre si, afinal eles 
são parte da mesma situação-problema 
94 GE REDAÇÃO 2016
TEXTO 2
Nossa tradição cultural, por diversas ra-
zões, criou um ideal de cidadania política 
sem vínculos com a efetiva vida social dos 
brasileiros. Na teoria, aprendemos que de-
vemos ser cidadãos; na prática, que não é 
possível, nem desejável, comportarmo-nos 
como cidadãos. A face política do modelo 
de identidade nacional é permanentemente 
corroída pelo desrespeito aos nossos ideais 
de conduta.
Idealmente, ser brasileiro significa herdar 
a tradição democrática na qual somos todos 
iguais perante a lei e onde o direito à vida, 
à liberdade e à busca da felicidade é uma 
propriedade inalienável de cada um de nós; 
na realidade, ser brasileiro significa viver 
em um sistema socioeconômico injusto, 
onde a lei só existe para os pobres e para 
os inimigos e onde os direitos individuais 
são monopólio dos poucos que têm muito.
Preso nesse impasse, o brasileiro vem sen-
do coagido a reagir de duas maneiras. Na 
primeira, com apatia e desesperança. É o caso 
dos que continuam acreditando nos valores 
ideais da cultura e não querem converter-se 
ao cinismo das classes dominantes e de seus 
seguidores. Essas pessoas experimentam uma 
notável diminuição da autoestima na identi-
dade de cidadão, pois não aceitam conviver 
com o baixo padrão de moralidade vigente, 
mas tampouco sabem como agir honrada-
mente sem se tornarem vítimas de abusos e 
humilhações de toda ordem. Deixam-se assim 
contagiar pela inércia ou sonham em renun-
ciar à identidade nacional, abandonando o 
país. Na segunda maneira, a mais nociva, o 
indivíduo adere à ética da sobrevivência ou à 
lei do vale-tudo: pensa escapar à delinquência, 
tornando-se delinquente.
Jurandir Freire Costa. http://super.abril.com.br. 
Adaptado.
Proposta 
de redação
A proposta da prova de 2014 da Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual 
Paulista (Vunesp) colocou aos candidatos o desafio de apreciar os aspectos morais da 
corrupção no governo e na sociedade. Um tema atual, com uma abordagem compatível à 
inclusão da filosofia como disciplina no Ensino Médio. Veja a proposta e uma redação bem 
avaliada pela universidade, com análises do professor Alan Nicoliche
Análise ética na vida 
pública e privada
TEXTO 1
Dos 594 deputados e senadores em exer-
cício no Congresso Nacional, 190 (32%) já 
foram condenados na Justiça e/ou nos Tri-
bunais de Contas.
As ocorrências se encaixam em quatro 
grandes áreas: irregularidades em contas 
e processos administrativos no âmbito 
dos Tribunais de Contas (como fraudes em 
licitações); citações na Justiça Eleitoral 
(contas de campanha rejeitadas, compra 
de votos, por exemplo); condenações na 
Justiça referentes à lida com o bem público 
no exercício da função (enriquecimento 
ilícito, peculato etc.); e outros (homicídio 
culposo, trabalho degradante etc.).
Natália Paiva. www.transparencia.org.br. 
Adaptado.
unesp 2014
95GE REDAÇÃO 2016
TEXTO 3
Se o eleitorado tem bastante clareza quanto à falta de hones-
tidade dos políticos brasileiros, não se pode dizer o mesmo em 
relação à sua própria imagem como “povo brasileiro”. Isto pode 
ser um reflexo do aclamado “jeitinho brasileiro”, ora motivo de 
orgulho, ora de vergonha.
De qualquer forma, fica claro que há problemas tanto quando 
se fala de honestidade de uma forma genérica, como quando há 
abordagem específica de comportamentos antiéticos, alguns 
ilegais: a “caixinha” para o guarda não multar, a sonegação de im-
postos, a compra de produtos piratas, as fraudes no seguro, entre 
outros. A questão que está posta aqui é que a população parece 
não relacionar seus “pequenos desvios” com o comportamento 
desonesto atribuído aos políticos.
Silvia Cervellini. www.ibope.com.br. Adaptado.
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conheci-
mentos, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando 
a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?
A proposta de redação da Unesp 2014 trouxe um tema bastante 
interessante e, infelizmente, corriqueiro no cotidiano dos bra-
sileiros: a corrupção. Em uma época tomada por manifestações 
e discussões acaloradas contrárias às realizações dos políticos 
do país, o candidato foi conduzido a esmiuçar o assunto mais a 
fundo, e questionado se os desvios observados no Congresso não 
teriam origem na conduta da própria sociedade.
Como apoio para a produção textual, foram apresentados três 
textos. O primeiro informa e explica as condenações, na Justiça e 
no Tribunal de Contas, de 32% dos atuais senadores e deputados 
federais em exercício. No segundo, são discutidas as dificuldades 
de viver em um país (Brasil) em que ser honesto e compromissado 
com as questões de cidadania torna a vida quase impraticável, 
forçando os desiludidos a desistir, e até abandonar sua terra, ou 
render-se ao lado obscuro e ser mais uma peça de uma sociedade 
sem salvação. Por fim, o terceiro texto escancara a desonestidade 
existente na sociedade brasileira, presente em pequenos desvios 
cotidianos, fazendo um paralelo entre essas condutas e aquelas 
tão criticadas no mundo político.
Com a leitura dos textos-base e o tema apresentado em forma 
de pergunta, coube ao candidato escolher entre dois caminhos, 
negar tal reflexo ou percebê-lo como real.
Se negasse, o texto 
deveria apontar sinais de que a sociedade não compactua com 
os desvios de conduta e os favorecimentos ilícitos – possíveis 
exemplos poderiam ser retirados das atuais manifestações em 
busca de uma política mais decente e transparente, ou de casos 
individuais de superação e manutenção de valores sociais. Caso 
concordasse, os argumentos, provavelmente, citariam situações 
em que a vantagem e a lei do menor esforço imperam na sociedade, 
o famoso “jeitinho brasileiro” de facilitar a vida. 
Outra saída no caminho do reconhecimento seria apontar um 
efeito “segredo de Tostines”, no qual não se sabe se os políticos são 
corruptos por reflexo da sociedade, ou se a sociedade se corrompe 
por causa de um cenário político que não permite opções. Final-
mente, a pergunta também permitiria uma problematização mais 
filosófica e ética na afirmação desse reflexo, na qual a constatação 
de que existem valores e práticas morais e imorais na sociedade, 
seja em indivíduos, seja em grupos humanos e políticos, não deve 
ser confundida com a aceitação passiva desses valores e práticas 
imorais. Qual fosse a escolha do candidato, traria bons textos 
quem soubesse trabalhar os argumentos com exemplos histó-
ricos e contemporâneos que fossem coerentes com a sociedade 
brasileira, evitando meros clichês ou um ar de reclamação, que 
poderia transformar a redação em um texto-manifesto.
anÁlise 
DA PROPOSTA
A RAZÃO OU A CULPA, EM TODOS NÓS
96 GE REDAÇÃO 2016
unesp 2014 Redação-
Raízes do Brasil e 
de suas Corrupções
As raízes da corrupção brasileira podem ser atribuídas a diversos 
fatores históricos, como o coronelismo e o clientelismo que dominaram 
nossa sociedade por tanto tempo, ou o poder oligárquico e excludente que 
acompanhou nossa história até o século XX. A manutenção da corrupção 
até os dias de hoje, entretanto, traz um novo panorama, que resulta de uma 
sociedade acomodada e passiva, que comete delitos e sai impune.
A Democracia Indireta e Representativa que vigora no Brasil atualmente 
nos traz um ótimo reflexo de tal sociedade. Ou seja, a corrupção que rege a 
moral de muitos políticos nada mais é que a exposição, a nível nacional, de 
facetas individuais que montam a cultura brasileira. 
Tal cultura pode ser vista como a união de características do homem 
cordial de Sérgio Buarque de Holanda – alienado e sem engajamento socio-
político – com o atual “jeitinho brasileiro”, que prega a tolerância a delitos e a 
contornos da conduta ética e moral para se obter algum benefício individual.
Ao se construir, portanto, uma sociedade com ínfima cidadania política e que 
não respeita leis, torna-se inevitável que o Congresso Nacional tenha quase um 
terço de seus membros já condenados na justiça e/ou Tribunal de Contas.
Além disso, a apatia e a desesperança políticas tornam-se parte do legado 
cultural do brasileiro e parte constante da herança deixada ao longo de 
gerações. Isso reforça um ciclo em que a hipocrisia da população é vista 
como algo quase necessário à vida social, ou seja, permanece na sociedade 
a aceitação de comportamentos antiéticos no âmbito familiar, enquanto as 
ações da esfera pública são criticadas. Inevitavelmente, esse pensamento 
se adapta e se transpõe à máquina estatal, que critica uma corrupção 
amplamente praticada e impune.
A corrupção no Congresso Nacional é, portanto, óbvio reflexo da 
conivência, da passividade e da falta de rigor ético da sociedade brasileira, 
e isso acontece justamente porque o governo é a própria representação da 
sociedade, em seus aspectos positivos ou negativos.
Incorreção
Não há razão para o 
uso de maiúsculas, o que 
poderia ser penalizado. 
Lembre-se: suas palavras 
não ganham maior 
importância por serem 
escritas em maiúsculas
Ponto positivo!
Um conceito apenas 
citado e não explicado 
aparenta ser um clichê. 
Neste caso, o autor 
explicou-os clara e 
sucintamente 
Adequação
Evite o uso de “e/ou” 
em uma dissertação. 
Nesse caso, o candidato 
poderia optar por uma 
das conjunções sem 
prejuízo de sentido
97GE REDAÇÃO 2016
análise
USO ADEQUADO 
DA COLETÂNEA
Nesta redação, o candidato procurou 
apontar as raízes históricas da corrupção 
na formação da sociedade brasileira e no 
Congresso Nacional, afirmando-a na intro-
dução. Ao longo da argumentação, ele agre-
ga uma importante citação de autoridade 
e faz uso adequado da coletânea. Segundo 
o texto, os desvios têm origens históricas, 
mas sua manutenção é responsabilidade 
da cultura da sociedade atual, que convive 
com situações análogas em seu cotidiano. 
Assim sendo, ele afirma que o que vemos 
na esfera pública é a ramificação do que é 
cultivado pelo brasileiro comum.
De forma sucinta, o texto desenha um 
panorama nacional desanimador: a so-
ciedade acostumou-se com as condutas 
irregulares de favorecimento e os desvios 
da lei e da própria moral. Os argumentos 
presentes na redação apontam para uma 
questão simples: a população brasileira 
não só convive com as irregularidades, mas 
também faz uso delas para seu próprio 
favorecimento – e o que os representantes 
públicos fazem é apenas reproduzir isso 
na esfera política.
Fica claro perceber que o candidato 
respondeu sim à questão da proposta: 
“Corrupção no Congresso Nacional: re-
flexo da sociedade brasileira?” Mais do 
que isso, articulou bem suas ideias com 
aquelas apresentadas nos textos-base. 
O candidato agrega aos textos da coletânea 
uma adequada citação de autoridade, ao 
utilizar um postulado clássico do historia-
dor Sérgio Buarque de Holanda em Raízes 
do Brasil, obra que utiliza no título de seu 
texto. Além disso, com a simples citação de 
“apatia e desesperança”, e da releitura da 
quantidade de parlamentares condenados 
(32% – “quase um terço”), ele remete aos 
textos da coletânea, sem fazer o uso não 
recomendado da cópia pura e simples.
Mas é importante perceber que o re-
dator foi além. Enquanto no segundo 
texto de apoio a população é dividida 
entre aqueles que sofrem e desistem 
e aqueles que aderem à delinquên- 
cia, para não serem vítimas dela, no ter-
ceiro aponta-se para um eleitorado que 
não enxerga relação entre seus desvios e 
os dos políticos que critica; na redação, a 
população e os políticos têm uma relação 
de desdobramento clara, agindo consciente-
mente de maneira antiética, apenas, talvez, 
em diferentes escalas.
É verdade que a argumentação presente 
na dissertação não traz novidades, mas 
trabalha bem com o que expõe. Das refe-
rências históricas à citação do “homem 
cordial” e do “jeitinho brasileiro”, tudo 
é bem articulado em favor do projeto de 
texto do candidato e de sua tese. Ainda que 
sua visão do tema não seja animadora, a 
forma como as ideias foram apresentadas 
teve boa aceitação dos avaliadores, o que 
levou o texto a obter uma boa nota.
98 GE REDAÇÃO 2016
PONTO FINAL
O adorável beagle Snoopy pro-tagoniza um dilema perma-nente nos quadrinhos Peanuts: 
o que escrever na folha em branco? 
O norte-americano Charles M. Schulz 
desenhou e publicou os quadrinhos da 
turma Charlie Brown durante 49 anos. 
Neles, Snoopy quer escrever um conto, 
um romance, qualquer coisa. Mas não 
sabe o quê. Snoopy inventa um jeito 
muito particular de enfrentar a folha 
em branco. Ele datilografa sempre a 
mesma frase introdutória do seu texto: 
“Era uma noite escura e tempestuosa” 
(It was a dark and stormy night). Apa-
rentemente, Snoopy acha que, tendo já 
escrito uma frase, era melhor enfrentar 
uma segunda frase do que ter fracassado 
logo de cara na primeira. Isso dava um 
clima de “mãos à obra” e aquecer os 
motores. Mas, em inúmeras tirinhas, 
ele não passa dessa frase. Em outras é
pior: ele apenas olha fixamente para a 
folha em branco. 
Charles M. Schulz escolheu essa 
frase para acentuar um tipo de humor 
inocente que se vale de um clichê (um 
lugar-comum). Consta tratar-se da 
abertura de um romance de um escri-
tor inglês (Edward Bulwer-Lytton, do 
século XIX), que ganhou a fama de ser 
considerada a pior introdução da histó-
Snoopy em 
O Desafio da Folha em Branco
ria da literatura inglesa, a mais piegas, 
previsível e oportunista: o autor tenta 
criar um clima introdutório soturno, 
dramático, como forma de prender o 
leitor. Fácil demais! E pior: depois dela 
pode vir qualquer coisa.
Ok, você já entendeu aonde queremos 
chegar. É o mesmo desafio colocado na 
prova de redação do Enem e dos vesti-
bulares. Sabemos que não é fácil. O que 
dizer de uma janela com um mundo de 
vidro voando? (Fuvest 2010) ou da per-
gunta “Racionalidade previsível ou sur-
presas que emocionam?” (UFRGS 2007). 
Veja uma lista de temas na página 33.
Mas você não pode ficar paralisa-
do. Então, se for preciso, faça como o 
Snoopy: use o seu jeitinho ou muleta. 
Talvez a mais batida das muletas de 
introdução na redação do vestibular 
em dissertações, seja “Desde a anti-
guidade...” e variações como “Desde o 
início, a humanidade...”. 
Bem, se isso servir para ajudar você a 
organizar as suas ideias, vá em frente. 
É melhor que ficar travado diante da 
folha em branco. Mas não se esqueça de 
eliminar seu clichê na hora de passar a 
limpo. Aliás, no caso acima, geralmente 
a primeira parte da frase é desnecessá-
ria, a dissertação pode perfeitamente 
começar do que você escreveu a seguir.
Fundada em 1950
 VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA
 (1907-1990) (1936-2013)
Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), 
Thomaz Souto Côrrea(Vice-Presidente), Eurípedes Alcântara, 
Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo
Presidente Abril Mídia: Giancarlo Civita
Presidente Editora Abril: Alexandre Caldini
Diretor-Superintendente de Assinaturas: Dimas Mietto
Diretor de Marketing Corporativo: Ricardo Packness de Almeida
Diretora de Mobilidade: Sandra Carvalho
Diretora de Publicidade Corporativa: Ivanilda Gadioli 
Diretor de Apoio Editorial: Edward Pimenta
Diretora-Superintendente: Dulce Pickersgill
Diretor de Redação: Fabio Volpe
Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Fábio Akio Sasaki, Lisandra 
Matias, Paulo Montoia, Paulo Zocchi Repórter: Giovana Moraes Suzin 
Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de 
Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: André 
Tietzmann, Dânue Falcão Atendimento ao Leitor: Carolina Garofalo, Sandra 
Hadich, Sonia Santos, Walkiria Giorgino CTI Eduardo Blanco (Supervisor)
NÚCLEO DIGITAL Redator Chefe: Frederico Di Giacomo Editora: Mariana 
Nadai Repórter: Ana Carolina Prado Editor de Arte: Abraaão Corazza 
Designers: Juliana Moreira e Laura Rittmeister Animação: Felipe Thiroux 
Webmasters: Allyson Kitamura, Cah Felix, Leonam Pereira Analista de 
redes sociais: Lorena Dana e Lucas Baranyi
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Texto: Alan Nicoliche, Ana Paula 
Dibbern, Davi Fazzolari, João Jonas Veiga Sobral, Nathália Macri Nahas 
Arte: Vitor Inoue (estagiário) Ilustração: Milena Galli, Rodrigo Maroja 
(capa) Revisão: Bia Mendes e Zé Vicente
www.guiadoestudante.com.br
PUBLICIDADE UN HOMEM & LIFESTYLE Gerente: Raquel Ienaga 
Executivos de negócios: Adriana Mendes Dos Santos, Claudia Galdino 
Luisiane Ferreira, Felipe Sintra Santana, Leandro Thales Freire De Oliveira, 
Luisiane Ferreira, Marcello Almeida, Marta Veloso, Mauricio Ortiz, Mayara 
Brigano Lopes, Michele Brito, Vera Reis MARKETING Diretora: Carolina 
Melo Catto CIRCULAÇÃO Gerente: Cezar Almeida EVENTOS Gerente: 
Marcella Bognar MARKETING PUBLICITÁRIO Gerente: Ana Laura 
Tonin PUBLICIDADE REGIONAL Diretor: Jacques Ricardo Gerentes: 
Grasiele Pantuzo, Ivan Rizental, Kiko Neto, Sonia Paula, Vania Passolongo 
PUBLICIDADE RJ Andréa Veiga PUBLICIDADE INTERNACIONAL Alex Stevens 
APOIO – PLANEJAMENTO, CONTROLE E OPERAÇÕES – Gerente: Camila 
Lima PROCESSOS – Gerente: Ricardo Carvalho DEDOC ABRIL PRESS: 
Elenice Ferrari PESQUISA E INTELIGÊNCIA DE MERCADO: Andrea Costa 
CIRCULAÇÃO: Andrea Abelleira RECURSOS HUMANOS Camila Morena, 
Marizete Ambran e Regina Cordeiro (Consultoria Interna), Alessandra de 
Castro (Desenvolvimento Organizacional), Ana Kohl (Saúde e Serviços), 
Márcio Nascimento (Remuneração e Benefícios) 
Redação e Correspondência: Av. das Nações Unidas, 7221, 15º andar, 
Pinheiros, São Paulo, SP, CEP 05425-902, tel. (11) 3037-2000. 
Publicidade São Paulo e informações sobre representantes de 
publicidade no Brasil e no Exterior: www.publiabril.com.br
PUBLICAÇÕES DA EDITORA ABRIL: Almanaque Abril, Ana Maria, 
Arquitetura e Construção, Boa Forma, Capricho, Casa Claudia, Casa Claudia 
Luxo, Claudia, Claudia Filhos, Contigo! , Elle, Estilo, Exame, Exame PME, 
Guia do Estudante, Guia Quatro Rodas, Info, Men’s Health, Mundo Estranho, 
National Geographic, Nova, Placar, Playboy, Publicações Disney, Quatro 
Rodas, Saúde, Superinteressante, Tititi, Veja, Veja Rio, Veja São Paulo, Vejas 
Regionais, Viagem e Turismo, VIP, Você RH, Você S.A., Women’s Health 
Fundação Victor Civita: Gestão Escolar, Nova Escola
GE REDAÇÃO ed.9 2016 (EAN 789-3614-099873), é uma publicação 
da Editora Abril. Edições anteriores: Venda exclusiva em bancas, pelo 
preço da última edição em banca mais despesa de remessa. Solicite ao 
seu jornaleiro. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora 
Nacional de Publicações, São Paulo. 
A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional.
Para adquirir os direitos de reprodução de textos e imagens do Guia 
do Estudante, acesse www.abrilconteudo.com.br ou ligue para (11) 
3990-1381.
SERVIÇO AO ASSINANTE: Grande São Paulo: (11) 5087-2112 
Demais localidades: 08007752112 www.abrilsac.com 
PARA ASSINAR: Grande São Paulo: (11) 3347-2121 
Demais localidades: 08007752828 www.assineabril.com.br
IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, 
CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - São Paulo - SP
Presidente: Giancarlo Civita
Diretor de Finanças e Gestão: Fábio Petrossi Gallo
Diretor Superintendente da Gráfica: Eduardo Costa
Diretora Corporativa de RH: Claudia Ribeiro
Diretor Corporativo de TI: Claudio Prado
Conselho de Administração: Giancarlo Civita (Presidente), Andre 
Coetzee, Hein Brand, Roberta Anamaria Civita, Victor Civita Neto
www.abril.com.br
44 GE REDAÇÃO 2016
DESAFIOS
CRASE
box 1 As propostas encaminhadas pela Secretaria da Saúde nesse novo governo 
eleito são semelhantes as encaminhadas pela oposição na gestão anterior. 
Ambas pouco eficientes.
box 2 O árbitro assistente não estava em uma noite inspirada. Extremamente 
distraído, assistia à partida em vez de assistir a arbitragem.
box 3 Não havia espaço para folga naquela oficina que abrigava imigrantes 
ilegais. Trabalhava-se de segunda à segunda, doze horas por dia, com 
apenas uma folga quinzenal.
box 4 Nas regiões mais afastadas do país, grande parte da população prefere o 
rádio à TV.
REGÊNCIA 
box 5 Os funcionários do museu obedeceram os regulamentos.
box 6 Viu as inúmeras exposições disponíveis nos museus da cidade e ficou 
encantado com a possibilidade de acompanhar de perto. Lembrou-se que 
levaria a namorada à Bienal na cidade de São Paulo.
box 7 As velhas práticas de compadrio não foram totalmente abolidas na 
empresa. É muito comum a promoção de funcionário que o gestor superior 
gosta.
box 8 O couro está sendo gradualmente substituído por produtos recicláveis ou 
sintéticos. Sofás e jaquetas em couro custam muito mais caro do que seus 
similares em produtos sintéticos.
CONJUGAÇÃO
box 9 A polícia suspeita que deputados investigados na operação “Lava Jato” 
são na maioria de um só partido.
box 10 Quando houver mais acesso à escola pública de
qualidade, sem dúvida 
haverá menos ocorrências policiais que envolvam jovens e menores de 
idade.
box 11 A polícia, percebendo que o grupo de manifestantes se aglomerava 
próximo à sede do governo, interviu rapidamente com bombas de efeito 
moral e balas de borracha.
box 12 Se você for ao clube, observar as pessoas e supor que todos respeitam 
as regras, ficará escandalizado com tanta gente reservando cadeiras na 
piscina. 
box 13 Eu queria falar com você mais tarde, tudo bem? 
box 14 Se eu fosse você, só comprava produtos orgânicos.
box 15 Não se preocupe com sua falta, amanhã requero o pedido de abono para 
você.
CONCORDÂNCIA
box 16 Aécio ou Dilma tomará posse do Governo após eleição acirrada.
box 17 Aécio ou Dilma são candidatos fortes para vencer a eleição.
box 18 Ódio e rancor formava o caráter daquele homem.
box 19 Um grito, uma palavra, um gesto modifica a vida de quem ama.
box 20 Meus sonhos é aquela mulher.
VÍRGULA
box 21 As empresas do setor de calçados apresentaram ao governo uma 
nova proposta de isenção de impostos para os técnicos do Ministério 
analisarem.
box 22 Tremores de terra no Haiti, causaram a destruição no país em 2010.
box 23 Em momentos de desassossego, esperamos que as pessoas 
compreendam nossa necessidade de isolamento.
Desafios 
em 
gramática
Nesta seção, encare 
questões de gramática 
habituais nos 
vestibulares e no Enem. 
Na seção seguinte, 
desafios reais em coesão 
retirados das provas. 
O professor João 
Jonas Veiga Sobral* 
elaborou as questões de 
gramática e as respostas 
das duas seções.
C/E
Marque C nas orações corretas e coerentes 
quanto ao emprego das regras da gramática 
normativa e vírgulas e E nas que estiverem 
erradas, ou seja, fora da norma-padrão, 
também chamada de norma culta.
* Professor de Língua Portuguesa e Orientador Educacional 
no Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo
45GE REDAÇÃO 2016 
CRASE
1 Errada A palavra “semelhantes” pede a preposição “a”. Assim, há a fusão dessa preposição com o artigo: 
às encaminhadas.
2 Certa O verbo assistir, no sentido de ver ou de apreciar, é transitivo indireto e pede preposição “a”; na 
acepção de dar assistência é apenas verbo transitivo direto.
3 Errada Temos apenas as preposições “de” e “a” em “de segunda a segunda”. 
4 Certa O verbo preferir é verbo transitivo direto e indireto. Pede tanto objeto direto quanto indireto: o 
rádio à TV. Na norma culta deve-se dizer “prefiro uma coisa a outra”.
 
REGÊNCIA 
5 Errada De acordo com a norma culta o verbo obedecer é transitivo indireto e pede objeto indireto. Quem 
obedece, obedece a alguma coisa ou a alguém (aos regulamentos). 
6 Errada Lembrou-se de que. O verbo lembrar, quando usado com o pronome se pede a preposição de. 
Quem lembra, lembra algo ou alguém. Quem se lembra, se lembra de algo.
7 Errada Quem gosta, gosta de algo ou de alguém. O verbo gostar é transitivo indireto, solicita preposição 
de (de que o gestor gosta). 
8 Errada A preposição em não é empregada no sentido de material ou de matéria. Deve-se substituir pela 
preposição de: sofá e blusa de couro.
CONJUGAÇÃO
9 Errada O verbo suspeitar apresenta sentido de hipótese e pede correlação no modo subjuntivo (sejam). 
10 Certa A conjugação dos verbos está adequada. O verbo haver empregado no futuro do subjuntivo e no 
futuro do presente do indicativo tornam a frase coesa e correlata.
11 Errada O verbo intervir é derivado do verbo vir e tem a mesma conjugação. A polícia interveio, e não a 
polícia interviu.
12 Errada O verbo irregular supor foi flexionado de forma errada, o certo é supuser no futuro do 
subjuntivo
13 Errada O verbo querer foi flexionado equivocadamente, no futuro do pretérito do indicativo a flexão 
correta é quereria.
14 Errada O verbo comprar deveria ser flexionado no futuro do pretérito (compraria) para fazer a 
correlação adequada com o pretérito perfeito do indicativo.
15 Errada O verbo requerer não segue a conjugação do verbo querer no presente do indicativo e nos 
tempos derivados (presente do subjuntivo e imperativo afirmativo). O correto é eu requeiro. Melhor 
seria “amanhã eu requererei o pedido de abono”.
CONCORDÂNCIA
16 Certa O sujeito composto pede verbo no singular, pois é excludente: apenas um dos dois candidatos 
pode tomar posse. 
17 Certa Aplica-se a concordância no plural, pois ambos podem ser bons candidatos. 
18 Certa Há um sujeito composto ligado por “e”, porém o verbo fica no singular, pois são sinônimos e 
mantêm a mesma ideia. É o mesmo que estivesse escrito “um ódio rancoroso formava o caráter”. 
19 Certa O sujeito é composto e gradativo, o que pede concordância no singular, por manter basicamente 
a mesma ideia. 
20 Certa O verbo ser pode concordar com o sujeito ou com o predicativo, mas a preferência é pelo sujeito 
quando é uma pessoa. Exemplos: Minhas filhas são minha vida. Fernado Pessoa é vários poetas.
VÍRGULA
O emprego da vírgula está vinculado às relações sintáticas entre os termos de um período. A regra básica é que 
não devemos separar o sujeito do verbo e o verbo de seu complemento. Mas há exceções, por exemplo, quando 
uma ideia, explicativa ou complemento está em aposto (entre vírgulas). Veja: “Dentro de um mês, salvo engano, 
eu viajarei”. Note que a frase em sua ordem natural é “Eu viajarei dentro de um mês, salvo engano!”
 
21 Certa Não ocorre vírgula, uma vez que os termos estabelecem entre si relações de complemento. 
22 Errada A vírgula está separando o sujeito da oração do verbo.
23 Certa A vírgula separa corretamente um adjunto adverbial longo no início da oração.
r
e
s
p
o
s
ta
s
46 GE REDAÇÃO 2016
DESAFIOS
cheque 
sua 
coesão
Usando bem os recursos 
de coesão, você favorece a 
coerência e a compreensão 
de seu texto por quem o lê. 
Aqui você encara 6 exercícios, 
de diferentes aspectos. 
Experimente!
I. 
Pronomes 
Utilize os pronomes para retomar ou 
introduzir referentes no texto
1 Ibmec/RJ 2009 
O texto a seguir foi retirado da obra de Graciliano Ramos, Vidas Se-
cas. Esse romance completou, em agosto de 2008, 70 anos de sua 
primeira publicação. É narrado em 3a pessoa (ao contrário das obras 
anteriores de Graciliano) e pertence a um gênero intermediário entre 
romance e livro de contos.
1 Fabiano, uma coisa da fazenda, um triste, seria despedido quando 
menos esperasse. Ao ser contratado, recebera o cavalo de fábrica, 
peneiras, gibão, guarda-peito e sapatões de couro, mas ao sair lar-
garia tudo ao vaqueiro que o substituísse.
2 Sinhá Vitória desejava possuir uma cama igual à de seu Tomás da 
bolandeira. Doidice.
3 Não dizia nada para não contrariá-la, mas sabia que era doidice. 
Cambembes podiam ter luxo? E estavam ali de passagem.
4 Qualquer dia o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, 
sem rumo, nem teria meio de conduzir os cacarecos. Viviam de 
trouxa amarrada, dormiriam bem debaixo de um pau.
5 Olhou a caatinga amarela, que o poente avermelhava. Se a seca 
chegasse, não ficaria planta verde. Arrepiou-se. Chegaria, natu-
ralmente. Sempre tinha sido assim, desde que ele se entendera.
6 E antes de se entender, antes de nascer, sucedera o mesmo – anos 
bons, misturados com anos ruins. A desgraça estava em caminho, 
talvez andasse perto. Nem valia a pena trabalhar. Ele marchando 
para casa, trepando a ladeira, espalhando seixos com as alpercatas 
– ela se avizinhando a galope, com vontade de matá-lo. 
Vidas Secas, Graciliano Ramos 
No texto, o autor usa recursos coesivos para retomar termos citados 
anteriormente, dando, com isso, coesão ao mesmo. Assinale a alter-
nativa na qual o antecedente listado à esquerda NÃO corresponde 
ao termo destacado ao lado. 
a) “... que O substituísse.” (parágrafo 1) – Fabiano. 
b) “... para não contrariá-LA”
(parágrafo 3) – Sinhá Vitória. 
c) “... e ELES ganhariam o mundo...” (parágrafo 4) – Fabiano e Sinhá 
Vitória.
d) “... sucedera O MESMO...” (parágrafo 6) – anos bons misturados com 
anos ruins. 
e) “... ELA se avizinhando a galope...” (parágrafo 6) – Sinhá Vitória. 
47GE REDAÇÃO 2016 
II. 
Conectivos de sentido 
O bom uso de conectivos permite ao leitor estabelecer relações 
de sentidos entre partes do texto.
1 Uerj 2013 adaptada
Entretanto, quantas dores, quantas angústias! Vivo aqui só, isto é, 
sem relações intelectuais de qualquer ordem. Cercam-me dois ou três 
bacharéis idiotas e um médico mezinheiro, 1 repletos de orgulho 
de suas cartas que sabe Deus como tiraram. (...) Entretanto, se eu 
amanhã lhes fosse falar neste livro – que espanto! que sarcasmo! que 
crítica desanimadora não fariam. Depois que se foi o doutor Graciliano, 
excepcionalmente simples e esquecido de sua carta apergaminhada, 
nada digo das minhas leituras, não falo das minhas lucubrações inte-
lectuais a ninguém, e minha mulher, quando me demoro escrevendo 
pela noite afora, grita-me do quarto:
– Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã!
De forma que não tenho por onde aferir se as minhas Recordações 
preenchem o fim a que as destino; se a minha inabilidade literária 
está prejudicando completamente o seu pensamento. Que tortura! E 
não é só isso: envergonho-me por esta ou aquela passagem em que 
me acho, em que 2 me dispo em frente de desconhecidos, como 
uma mulher pública... 3 Sofro assim de tantos modos, por causa 
desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às vezes acordo, 
vem dela, unicamente dela. Quero abandoná-la; mas não posso ab-
solutamente. De manhã, ao almoço, na coletoria, na botica, jantando, 
banhando-me, só penso nela. À noite, quando todos em casa se vão 
recolhendo, insensivelmente aproximo-me da mesa e escrevo furiosa-
mente. Estou no sexto capítulo e ainda não me preocupei em fazê-la 
pública, anunciar e arranjar um bom recebimento dos detentores da 
opinião nacional. 4 Que ela tenha a sorte que merecer, mas que 
possa também, amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor 
mais hábil que a refaça e que diga o que não pude nem soube dizer.
(...) Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti lá 
dentro. Eu que sofri e pensei não o sei narrar. Já por duas vezes, tentei 
escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, e, sobretudo, 
pouco expressiva do que eu de fato tinha sentido.
Lima Barreto
Recordações do Escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010.
Na descrição de sua situação e de seus sentimentos, o narrador utiliza 
diversos recursos coesivos, dentre eles o da adição. O fragmento do 
texto que exemplifica o recurso da adição está em:
a) repletos de orgulho de suas cartas que sabe Deus como tiraram. 
b) me dispo em frente de desconhecidos, como uma mulher pública...
c) Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que 
esse mal-estar, com que às vezes acordo, vem dela, unicamente dela.
d) Que ela tenha a sorte que merecer, mas que possa também, amanhã 
ou daqui a séculos, despertar um escritor mais hábil... 
2 Uemg 2010 adaptada 
COMO LER BEM
 O bom repórter deve ser imparcial, diz a lição número 1 do jornalis-
mo. 1 Mas o bom leitor 2 também tem sua regra de ouro. Ele deve 
4 sempre, 4 sempre, manter a cabeça aberta. O bom leitor sabe se 
distanciar das paixões. Está sempre disposto a ouvir uma ideia nova – 
5 ainda que ela coloque abaixo suas ideias antigas. 3 Posto assim, 
ler bem parece um desafio fácil. Não é, como também não é simples 
ser imparcial.
Superinteressante, ed. nº 269, ano 23, nº 9 – Seção Escuta – texto adaptado 
Constatando a presença dos elementos de coesão como fatores da 
construção de sentido no texto acima, qual a afirmação que não 
está correta? 
a) o articulador mas (ref. 1) relaciona-se semanticamente com o arti-
culador também (ref. 2) introduzindo, respectivamente, ideias de 
contraste e inclusão, no sentido do texto. 
b) o termo posto assim (ref. 3) refere-se às atitudes recomendadas ao 
bom leitor, anteriormente indicadas. 
c) a repetição do termo sempre (ref. 4) reforça a ideia de contradição 
entre a “lição número 1” do repórter e a “regra de ouro” do leitor. 
d) o articulador representado por ainda que (ref. 5) introduz o sentido de 
concessão, conectando as expressões “ideia nova” e “ideias antigas”. 
3 Mackenzie 2009 adaptada
 
Histórica e sociologicamente, os jogos em geral têm um papel muito 
3 importante: são elementos essencialmente reveladores de carac-
terísticas civilizatórias, 4 isto é, através da história do jogo podemos 
conhecer muito da sociedade em que é praticado. O filósofo Platão 
(...) observa que só se pode admitir a mudança de regras para crianças 
de até seis anos.
5 A partir daí, as regras deveriam permanecer fixas, inalteradas, 
pois caso se habituassem às mudanças nas leis do jogo, os jovens 
desejariam experimentar alterações também nas leis da cidade, 
1 o que, segundo Platão, 2 seria muito perigoso para a democracia.
Fátima Cabral
Assinale a alternativa correta. 
a) “o que” (ref. 1) estabelece coesão textual ao se referir antecipada-
mente ao trecho “seria muito perigoso para a democracia” (ref. 2). 
b) Os dois pontos (ref. 3) podem ser substituídos, sem prejuízo do sen-
tido original do texto, pela conjunção “contudo”. 
c) “isto é” (ref. 4) introduz frase que retifica afirmação feita na oração 
imediatamente anterior. 
d) “A partir daí” (ref. 5) relaciona-se com o período imediatamente 
anterior, expressando sentido equivalente a “desse ponto em diante”. 
48 GE REDAÇÃO 2016
DESAFIOS
III. 
Conectivos temporais
O bom uso dos conectivos temporais ajuda a 
estabelecer uma sequência lógica para quem lê
1 Uema 2015 
O texto a seguir foi transcrito integralmente da obra Quarto de Despejo: 
Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus. Leia-o com atenção 
e observe o mecanismo de coesão entre as frases no último parágrafo.
30 DE OUTUBRO 
(...) 
Eu comecei a fazer as contas quando levar os filhos na cidade quanto 
eu vou gastar de bonde. 3 filhos e eu, 24 cruzeiros ida e volta. Pensei 
no arroz a 30 o quilo.
Uma senhora chamou-me para dar-me papéis. Disse-lhe que devido 
ao aumento da condução a polícia estava nas ruas. Ela ficou triste. 
Percebi que a notícia do aumento entristece todos. Ela disse-me: 
– Eles gastam nas eleições e depois aumentam qualquer coisa. O 
Auro perdeu, aumentou a carne. O Adhemar perdeu, aumentou as 
passagens. Um pouquinho de cada um, eles vão recuperando o que 
gastam. Quem paga as despesas das eleições é o povo!
São Paulo: Ática, 2007. 
O discurso direto, reproduzido no fragmento em destaque, é marcado 
por um encadeamento semântico-discursivo que resulta na sequência 
narrativa. A expressão coesiva responsável por essa sequência é
a) “qualquer coisa”. b) “das eleições”. c) “de cada um”. 
d) “e depois”. e) “o que”. 
2 Uepb 2014 
Leia o texto a seguir.
GUARDIÃO DA BRASILIDADE NA AMÉRICA 
Na primeira vez em que esteve no Brasil, o historiador Thomas Cohen 
não estava entendendo nada. Logo ao chegar, tinha um encontro com 
um renomado professor de história da Universidade de São Paulo. O 
professor chegou uma hora e meia atrasado e anunciou que precisava 
viajar em seguida. Convidou o jovem Cohen, então com 25 anos, para 
acompanhá-lo à cidade de Franca, onde passaria o fim de semana dando 
palestras. Cohen pensou que o professor fizera o convite apenas para 
compensá-lo pelo desencontro e, polidamente, recusou. “Só depois 
descobri que os brasileiros são assim mesmo, disponíveis, espontâ-
neos”, diz. Cohen acabou encantando-se com a informalidade dos 
intelectuais brasileiros, e hoje, passados trinta anos, entende muito 
do Brasil. Já visitou o
país dezenas de vezes, é fluente em português, 
especialista na obra do padre Antônio Vieira (1608-1697) e guardião 
de uma preciosidade: a única biblioteca dedicada exclusivamente 
às coisas do Brasil e de Portugal em solo americano – a The Oliveira 
Lima Library. (...) 
André Petry. Revista Veja São Paulo, Abril. Edição 2317. Ano 46. N° 16. 17 de abril de 2013, p. 93. 
Na primeira linha, a expressão “Na primeira vez”, pode ser enten-
dida como 
a) Forma nominalizante que remete a argumentos da oração subse-
quente. 
b) Elemento não referencial, pois não faz referência a nenhum elemento 
do grupo nominal. 
c) Elo de coesão que remete a todo um contexto anterior. 
d) Elemento referencial que tem função localizadora. 
e) Forma remissiva que faz referência temporal a um constituinte do 
universo textual.
I.
1 Resposta E. Na letra E, o termo “ela” corresponde à “desgraça” e 
não a Sinhá Vitória.
II.
1 Resposta D. A coesão garante a articulação clara e organizada entre 
as diferentes partes e elementos de um texto. O uso de conjunções 
ajuda a manter os períodos coesos. No trecho “Que ela tenha a sorte 
que merecer, mas que possa também, amanhã ou daqui a séculos, 
despertar um escritor mais hábil”, o emprego da conjunção “mas” 
em paralelo com o termo “também” configura a relação de adição. 
 
2 Resposta C. A repetição de “sempre” não tem nenhuma relação 
com gerar contradição, mas possui, sim, a função de enfatizar e 
intensificar a regra de ouro do leitor: manter a cabeça aberta.  
3 Resposta D. Em A, “o que” faz alusão ao que foi dito anteriormente. 
Em B, os dois pontos não assinalam uma ideia contrária como pro-
põe o conectivo “contudo”. Em C, a expressão “isto é” não retifica, 
e sim ratifica.
III. 
1 Resposta D. No discurso da senhora, apenas a expressão “e depois” 
é responsável por encadeamento de orações. Todas as orações que 
ela produz em seguida seguem a noção de temporalidade, sem que 
o elemento coesivo seja repetido.
 
2 Resposta E. A expressão “Na primeira vez” faz remissão a outro(s) 
elemento(s) do universo textual, constituindo elemento que antecipa 
algo que vai ser dito posteriormente. 
R e s p o s t a s

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina