Prévia do material em texto
Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 1 Doenças que acometem o esqueleto axial, ou seja, a coluna: Espondilite anquilosante Artrite reativa Artrite psoriásica Enteroartropatia (associada a DII/ Doença de Chron) → Dor lombar inflamatória 4/5: Início antes dos 50 anos, início insidioso. Melhora com exercício e não melhora com o repouso. Dor a noite que melhora ao amanhecer (paciente sente dor ao ficar parado, ao amanhecer e começar a se movimentar, a dor vai melhorando). Sacroiliíte – inflamação da articulação sacrilíaca: Para evidenciar essa dor: Testes de Patrick e Gaenslen RX – incidência de Ferguson: Sacroiliaca- início da inflamação ocorre um pseudoalargamento da sacroiliaca. Com o tempo passa a haver irregularidades da borda da sacroilíaca e esclerose periarticular. Nesse RX, não consegue ver a sacroiliaca, porque anquilosou. Após a fase inflamatória, ocorre um estímulo à produção óssea que fecha essa articulação e não existe mais cartilagem – osso batendo no osso, paciente perede mobilididade da sacroilíaca. A osteoesclerose também se perde e é transformada em osteopenia (desgaste ósseo em região de sacroilíaca). No entanto, RX só mostra alterações tardias (1 ano após início dos sintomas). Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 2 RNM: mostra alteração na articulação sacroilíaca mais precocemente. Líquido ao redor da sacroilíaca, evidenciando inflamação. (Inicial). Artrite periférica: paciente com espodiloartrite também podem cursar com artrite periférica: Médias e grandes articulações; Membros inferiores; Oligoarticular (< 4 articulações). Entesites: inflamação das enteses (local onde os tendões se inserem no osso). Entesite de aquileu. Essa entesite pode causar calcificação nesse local (esporão no RX). Entesite no local que a fáscia plantar se insere no osso. Fasceíte plantar, que levou a calcificação no local da entese inflamada, causando esse esporação. Dactilite: (Dedo em salsicha) – paciente tem artrite que se estende para o tecido mole ao redor. Uveíte anterior: Irite ou idociclite – se essa inflamação não for tratada, pode ocorrer sinéquia da irís e cristalino (pupila pode perder capacidade que midríase e miose; e perde aspecto esférico). Paciente refere dor, hiperemia, fotofobia. Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 3 GENE HLAB27 Apresenta antígenos intracelulares para o LTCD8. Critérios diagnóstico: espondiloartrite →Sacroiliíte evidenciada no RX ou RNM + 1 característica clínica. OU →HLA B27 + 2 características clínicas. Características clínicas: Dor lombar inflamatória, artrite, entesite, dactlite, uveíte, psoríase, DII, história familiar positiva (parente de pirmeiro grau que tenha espondilite anquilosante, ou psoríase ou DII). PCR aumentada, HLA B27+, RX ou RNM. Se paciente tiver critérios diagnósticos positivos: sensibilidade de 82,9%; especificidade de 84,4%. -Espondilite anquilosante -Artrite reativa -Artrite psoriásica -Entereoartropatia Espondilite anquilosante: É a forma mais grave de espondiloartrite. Prevalência: 0,3-1,9%. O HLAB27 é presente em 90% dos pacientes. No entanto, 2% dos indivíduos HLAB27+ desenvolvem espondilite anquilosente. Início na adolescência tardia ou adultos jovens e é incomum após os 45 anos. É 3x mais comum em homens. A clínica é mais branda em mulheres. Coluna em bambu Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 4 Inflamação ocorre inicialmente na entese (ligamento longitudinal anterior da coluna e o local que ele insere é o primeiro local que irá inflamar). Começa uma osteosclerose no ângulo da vértebra, depois essa vértebra vai ficando mais retificada (enquadradamento do corpo vertebral). Depois surgem os osteófitos que vai culminar com sindesmófitos. Enquadradamento dos corpos vertebrais – shiny corner. Inflamações do anel fibroso. Ossificação gradual do anel fibroso e ligamento longitudinal. Sindesmófitos. Sindesmófitos na coluna cervical do paciente. Paciente em estágio final, que já anquilosou completamente – coluna em bambu. Observe que é de curso ascendente e simétrico. Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 5 Clínica: cifose torácica, abdome protuberante e respiração diafragmática. Avaliação e Progressão: Teste de Schober – avaliação da progressão (avalia o quanto paciente perde a mobilidade da coluna: Deve haver um aumento de pelo menos 15 cm. Paciente com espondilite anquilosante perde progressivamente essa distância. Teste occipto-parede: Com a retificação da lordose vertebral, paciente vai ficando com o pescoço para frente. Mede a distância entre o occipto e a parede para avaliar essa evolução Avaliação da expansibilidade torácica. Mede circunferência torácica (a nível do mamilo) durante a inspiração e expiração máximas; Circunferência insp – circunferência exp = 2,5cm de diferença em uma pessoa normal. Em paciente, esse valor pode estar diminuído. Tratamento: Todo paciente deve fazer alongamento (sob supervisão é o ideal), pois diminui perda de mobilidade de coluna e caixa torácica. Artrite periférica: AINE, MTX, Sulfassalazina. Artrite axial: AINE, anti-TNF, Anti-IL-17. Entesites: AINE, Anti-TNF. Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 6 Uveíte: corticoide tópico, midriático, corticoide sistêmico, MTX/Sulfassalazina, anti-TNF. Artrite reativa É a artropatia associada a psoríase, que combina: -alterações da artrite reumatoide; -alterações das espondiloartrites. Variedade de formas: 1) artrite oligoarticular > 50% - acomete mais articulações média/grandes de MMII. 2) artrite poliarticular 15-25% - pequenas articulações (mãos e pés) e aspecto simétrico. 3) artrite distal 5-10% - acomete interfalangianas distais; alterações psoriáticas das unhas. 4) artrite mutilante 5% - extremamente grave, com grandes deformidades. 5) artrite em esqueleto axial 20-40% - sintomas semelhantes a espondiloartrites (dor lombar inflamatória, sacroiliítes, entesites). Prevalência de psoríase é de 1,2%; a prevalência da artrite psoriática acomete 5-7% dos pacientes com psoríase. Idade do início: psoríase – 5-15 anos; artrite psoriática: 3—55 anos. A prevalência da AP é semelhante para homens e mulheres. A etiologia da psoríase e AP são desconhecidas. Dactilite (observe descamações da psoríase) e acometimento ungueal. Comprometimento ungueal associado a artrite com acometimento de interfalangiana distal. Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 7 Unha em dedal do paciente com psoríase. Raio X –paciente com forma mutilante: Deformidade em ponta de lápis: erosão articular com afilamento da falange proximal e proliferação óssea da falange distal. Destruição das IF com alargamento do espaço articular. Tratamento: semelhante ao tratamento da espondilite anquilosante. Artrite reativa: Artrite estéril que segue uma infecção (resposta imune contra patógeno causa a artrite). Trato gênito-urinário: Chlamydia trachomatis; Trato gastrointestinal: Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter. Tem início de 2-4 semanas após a infecção. Síndrome de Reiter: uretrite, conjuntivite, artrite. Manifestações extrarticulares: Ceratoderma blenorrágico: Reumatologia – FMBM Pamela Barbieri – T23 Profª Dra. Letícia Faleiros 8 Balanite carcinada: Lesões eritematosas descamantes na glande do pênis. Curso clínico da doença: autolimitado de 3-12 semanas, na maioria dos pacientes. Pode haver reativação em cerca de 15% dos pacientes. Doença cronifica em 15% dos pacientes, geralmente destrutiva – associada ao HLA B27. Tratamento: semelhante à espondilite anquilosante. Se uretrite/diarreia: antibióticos. Prevenir reinfecção: preservativos, ATB se diarreia. Lesões de pele: corticoide tópico. Artrites enteropáticas: Doenças associada a Retocolite ulcerativa ou Doença de Chron. Doença de Chron: artrite periférica (20%); sacroiliíte (15%). Colite ulcerativa: artrite periférica (10%); sacroiliíte (15%). A artrite periférica sempre reflete doença inflamatória intestinal. O envolvimento axial é independente da doença intestinal: o curso é crônico e progressivo; sacroiliíte é simétrica. Tratamento: AINE – usar com cuidado, pois pode agudizar a doença inflamatória intestinal, levando a sangramentos intestinais. Sulfassalazina. Anti-TNF Semelhante ao tto da espondilite anquilosante. Conclusão: Espondiloartrites – dor lombar inflamatória; sacroilíacas. Gene HLAB27. Artrite oligoarticular. Dactilite, entesites. Uveíte. O tratamento da manifestação axial reduz a progressão da doença, mas não cura.