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1 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI DOENÇA RENAL CRÔNICA CONCEITO Define-se como lesão renal por tempo igual ou maior que três meses, caracterizada por anormalidades estruturais ou funcionais dos rins, manifestada por alterações histopatológicas ou por anormalidades nos testes de imagens ou na composição da urina e do sangue, ainda que tenha preservação da TFG. Inclui desde a presença isolada de fatores de risco (HAS, DM), passando por alterações que denotam injúria renal (microalbuminúria) até a redução mais grave da função renal. Definição de acordo com a KDIGO: Marcadores de dano renal: albuminúria ≥ 30 mg/dia (relação albumina/creatinina ≥ 30 mg/g), anormalidades no sedimento urinário, distúrbios eletrolíticos e outras anormalidades por desordens tubulares, alterações detectadas na histologia, anormalidades estruturais detectadas por exame de imagem, história de transplante renal. Marcador de função reduzida: Taxa de Filtração Glomerular (TFG) < 60 ml/min/1,73 m². Diferente da IRA, a DRC não ocorre regeneração do parênquima renal, e por isso a perda de néfrons é irreversível. EPIDEMIOLOGIA Segundo dados da SBN, a prevalência da doença renal crônica no mundo é de 7,2% para indivíduos acima de 30 anos e 28% a 46% em indivíduos acima de 64 anos. No Brasil, a estimativa é de que mais de 10 milhões de pessoas tenham a doença. Desses, 90 mil estão em diálise, número que cresceu mais de 100% nos últimos 10 anos. No Brasil, estimativas da prevalência dessa enfermidade são incertas, contudo, de acordo com a caderneta de saúde coletiva de 2017 mais de 100 mil pacientes recebiam terapia dialítica no país, com uma taxa de internação hospitalar de 4,6% ao mês e uma taxa de mortalidade de 17% ao ano. O mesmo estudo detectou maior predominância no sexo masculino com taxa de crescimento anual de 2,2% e, de 2% para o sexo feminino, raça/cor predominante é a branca (39,6%) em relação às raças/cor amarela (1,2%), indígena (0,1%), parda (36,1%) e negra (11,4%). As principais causas de perda da função renal no nosso meio são a HAS (35% das causas), DM (28,5%) seguidas das glomerulonefrites (11,5%). A morbimortalidade de paciente é maior em pacientes diabéticos do que nos demais pacientes não diabéticos, sendo as DCVs e as infecções as principais causas de morte. Ou seja, a diabetes mellitus permanece como a principal causa de doença renal crônica no mundo, acima da doença hipertensiva. FATORES DE RISCO HAS: pode ocorrer em mais de 75% dos pacientes, independentemente da idade. DM IDOSOS DOENÇA CARDIOVASCULAR HISTÓRICO FAMILIAR: apresentam prevalência aumentada de HAS, DM, proteinúria e doença renal. NEFROTOXICIDADE: medicações nefrotóxicas devem ser evitas ou otimizadas em pacientes com DRC, principalmente quando o ritmo de filtração glomerular é menor que 60 ml/min/1,73 m². ETIOLOGIA As principais etiologias são a nefropatia diabética e nefrosclerose hipertensiva, principalmente em pacientes terminais. Outras etiologias: doença glomerular- glomerulonefrite, amiloidose, lúpus eritomatoso sistêmico, granulomatose de Wegener; doença túbulo intersticial- pielonefrite crônica, nefropatia por analgésicos, nefropatia obstrutivas, rim de mieloma; doença vascular- esclerodermia, vasculite, nefropatia isquêmica, doença 2 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI ateroembólico; doença cística- doença renal policística autossômica dominante, doença renal cística medular. FISIOPATOLOGIA A fisiopatologia caracteriza-se por dois amplos grupos gerais de mecanismos lesivos: Mecanismos desencadeantes específicos da etiologia subjacente (insulto inicial) Conjunto de mecanismos progressivos que envolvem hiperfiltração e hipertrofia dos néfrons viáveis. Independentemente da causa, tudo começa por uma agressão renal que vai levando à perda irreversível de néfrons. Por conta disso, aqueles que sobrevivem sofrem mudanças em busca de uma readaptação. Essas mudanças são marcadas por redução progressiva de massa renal, com hipertrofia funcional e estrutural dos néfrons remanescentes, que sofrem mudanças adaptativas na hemodinâmica glomerular. Esta hipertrofia compensatória é mediada por moléculas vasoativas, citocinas e fatores de crescimento e decorre inicialmente da hiperfiltração adaptativa, ou seja, o fluxo é direcionado para os glomérulos que sobraram e estes são obrigados a suportar uma maior pressão de filtração. Entretanto, os néfrons sobrecarregados começam a sofrer, aos poucos esclerose e a perda de função. Com isso, perde-se a “reserva renal”. Explicando um pouco a teoria hemodinâmica: a hipertensão intracapilar e a hipertrofia glomerular são causas da agressão mecânica ao glomérulo ➔ a tensão mecânica constante sob a parede capilar gera dano glomerular progressivo, com lesão de podócitos, aumento da permeabilidade e perda da seletividade glomerular. O estiramento mecânico de células mesangiais e endoteliais gera alterações fenotípicas celulares ➔ síntese aumentada de TGF-beta (fator de crescimento transformador) ➔ componentes da matriz extracelular e angiotensinogênio ➔ produção aumentada de angiotensina II ➔ aumento da atividade intrarrenal do SRAA. A histopatologia renal perde as características específicas da nefropatia inicial, apresentando uma alteração universal: fibrose glomerular e intersticial, aliada à atrofia dos túbulos. O paciente, então, apresenta os diversos sinais e sintomas que compõem a síndrome urêmica (uremia). MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS: Acúmulo de toxinas nitrogenadas dialisáveis; Acúmulo de peptídeos; Retenção de líquido (hipervolemia, HAS, hiponatremia dilucional); Retenção de eletrólitos (sódio, potássio, fosfato); Retenção de ácido úrico, homocisteína; Acidose metabólica; Inflamação sistêmica/aterosclerose acelerada; Deficiência de eritropoietina (anemia); Deficiência de calcitriol (vitamina D ativa); Hiperparatireoidismo secundário ou terciário; OBS: Toxinas nitrogenadas: o O ácido guanidinosuccínico inibe a atividade plaquetária, sendo, portanto, um dos fatores implicados no sangramento urêmico. o Os fenóis e os indóis têm semelhança com neurotransmissores, o que torna 3 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI provável sua contribuição na gênese dos sintomas neurológicos. o A trimetilamina é um dos responsáveis pelo hálito urêmico, semelhante ao de peixe podre. Distúrbios hormonais: vários sinais e sintomas da síndrome urêmica são causados por desequilíbrios hormonais. O principal parece ser a elevação dos níveis de Paratormônio (PTH), devido ao hiperparatireoidismo secundário. A manifestação mais dependente dos efeitos do PTH é a osteodistrofia renal. o ATENÇÃO! O rim possui função endócrina, produzindo Eritropoietina e Calcitriol. A deficiência de eritropoietina é o principal fator patogênico da anemia urêmica. A deficiência de calcitriol, por sua vez, está implicada na osteodistrofia renal e na miopatia urêmica, sendo ainda uma das causas do hiperparatireoidismo secundário. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Que respondem a diálise: 1. DISTÚRBIOS ELETROLÍTICOS: o BALANÇO DE SÓDIO: a retenção de sódio é universal quando a filtração glomerular está abaixo de 10 ml/min, na ausência de uma restrição adequada na dieta. A consequência é o estado hipervolêmico. Sintomas HAS e edema generalizado. OBS: O tratamento da retenção de sódio (hipervolemia) é a retirada de sódio e água na diálise. RETENÇÃO DE SÓDIO ➔ HIPERVOLEMIA. o BALANÇO DE ÁGUA: quando TFG está < 10 ml/min, um consumo de água acima de 2-3 L/dia pode ser suficiente para promoverretenção de água, diluindo o sódio plasmático – hiponatremia. RETENÇÃO DE ÁGUA ➔ HIPONATREMIA. o BALANÇO DE POTÁSSIO: quanto mais oligúrico for o paciente, maior sua propensão a reter potássio. Os pacientes renais crônicos demoram mais para reter potássio devido a um aumento da fração excretória de potássio por néfron, estimulada pela hipercalemia (efeito direto) e pelo hormônio aldosterona. Além disso, há um aumento da excreção de potássio pelo cólon (perda fecal de potássio). OBS: A uremia inibe a entrada de potássio nas células, devido à queda na atividade da enzima NaK-ATPase da membrana celular, um fenômeno que antecede a retenção renal de potássio. Por esta razão, o paciente urêmico não tolera uma carga aguda de potássio, pois perdeu a principal defesa imediata contra a hipercalemia – o “tamponamento celular”. RETENÇÃO DE POTÁSSIO ➔ HIPERCALEMIA. 2. DESEQUILIBRIO ACIDOBÁSICO: a excreção do H+ proveniente desses ácidos é realizada no néfron distal, por secreção tubular, regenerando no plasma 1 HCO3 para cada 1 H+ secretado no lúmen. Para que o H+ seja de fato excretado na urina, ele precisa se ligar a uma base urinária. Cerca de 2/3 do H+ é eliminado ligado à amônia (NH3), formando o íon amônio (NH4+). O 1/3 restante sai ligado a outras bases, principalmente ao fosfato. o Na insuficiência renal crônica, quando a filtração glomerular está abaixo de 20 ml/min, a produção renal de amônia começa a cair. Com isso, a eliminação urinária de H+ torna-se prejudicada. Nesse momento, começa a surgir uma acidose metabólica hiperclorêmica (ânion-gap normal). O aumento do cloreto é para compensar a queda do bicarbonato. o Quando a TGF < 5-10 ml/min, especialmente durante uma exacerbação aguda da insuficiência renal, surge uma acidose com ânion-gap aumentado. Neste caso, o cloreto sérico está normal. O aumento do ânion-gap é decorrente da retenção do ânion sulfato, proveniente da dissociação do ácido sulfúrico (ácido sulfúrico → H+ + sulfato). 3. GASTROINTESTINAIS: a anorexia é o sintoma mais precoce. Seguem-se náuseas, plenitude abdominal e vômitos (intolerância gástrica). Estes podem ser explicados por dois fatores: gastrite urêmica e gastroparesia urêmica. A disgeusia (gosto amargo na boca) é decorrente da transformação da ureia, por bactérias presentes na saliva, em amônia. 4. NEUROLÓGICAS: os sintomas mais graves costumam ocorrer quando a filtração glomerular está abaixo de 10 ml/min. A fisiopatologia envolve acúmulo de toxinas nitrogenadas dialisáveis. Na uremia crônica, o distúrbio mental tende a ser insidioso e mais sutil nas fases iniciais – a encefalopatia urêmica crônica. 4 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI 5. HAS: o rim participa do controle da pressão arterial através do mecanismo de natriurese pressórica. Em indivíduos normais, aumentos iniciais da PA atuam diretamente no rim induzindo natriurese (eliminação de sódio e água), de modo a reduzir a PA. Na doença renal parenquimatosa, a alteração pode ser ainda maior, levando a uma maior retenção de sódio e água. Além disso, as nefropatias parenquimatosas podem levar à ativação do SRAA e maior produção de renina. 6. CARDÍACAS E PERICÁRDICAS: a retenção volêmica sobrecarrega o coração já doente, justificando sintomas clássicos de insuficiência cardíaca congestiva – dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, hepatomegalia, etc. 7. PULMONARES E PLEURAIS: pulmões do paciente urêmico estão geralmente com aumento do conteúdo líquido – edema pulmonar crônico. 8. DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA: síndrome urêmica (aguda ou crônica) cursa com tendência ao sangramento, devido a um distúrbio da hemostasia primária. A uremia inibe todas as funções plaquetárias (adesão, ativação e agregação). Toxinas dialisáveis estão implicadas na disfunção plaquetária urêmica, com destaque para o ácido guanidinosuccínico. Que não respondem a diálise: 1. ANEMIA: é uma das primeiras manifestações da síndrome urêmica. É normocítica e normocrômica e responsável por uma série de sintomas atribuídos à síndrome urêmica, tais como astenia, indisposição física e mental, depressão, deficit cognitivo, insônia, cefaleia, etc. o O principal fator implicado na gênese da anemia urêmica é a deficiência relativa de eritropoietina, hormônio produzido por uma subpopulação de fibroblastos no interstício renal, em reposta à hipóxia tecidual, e que age na medula óssea estimulando a diferenciação de células-tronco em células progenitoras da série eritroide. 2. OSTEODISTROFIA RENAL: é um distúrbio da síndrome urêmica que leva à alteração da matriz do osso e sua desmineralização, predispondo o paciente à dor óssea, fraturas patológicas e deformidade esquelética. Existem dois tipos principais de doença óssea na DRC: osteopatia de alto metabolismo, também chamada de osteíte fibrosa cística; e osteopatia de baixo metabolismo, também chamada de doença óssea adinâmica. Pode ocorrer também a osteomalácia. o OSTEÍTE FIBROSA CÍSTICA: decorrente do hiperparatireoidismo secundário. O PTH estimula a reabsorção do osso, o que, por sua vez, ativa a neoformação óssea. O osso neoformado perde sua arquitetura composta por lâminas paralelas de colágeno mineralizado – osso lamelar – e ganha uma nova arquitetura, caracterizada pela desorganização das fibras colágenas mineralizadas – o chamado osso “trançado” ou “entrelaçado” ➔ propenso a fraturas e deformidades. → Por que o PTH aumenta na uremia? A produção de PTH pelas paratireoides é controlada por calcitriol (forma ativa da vitamina D), através de um mecanismo de “feedback” negativo; níveis séricos de fosfato; e níveis séricos de cálcio ionizado. O fosfato, neste caso, é o grande vilão. Em fases precoces da DRC, quando a filtração glomerular está abaixo de 40 ml/min, o fosfato começa a ser retido e precisa ser filtrado em excesso pelos néfrons remanescentes, um fenômeno inibitório da produção de calcitriol pelas células tubulares proximais. A queda na produção de calcitriol estimula a secreção de PTH pela perda do feedback negativo. → Achados clínicos: dor óssea, fraturas patológicas, deformidades ósseas e, em crianças, raquitismo renal. → Exames de sangue: hiperfosfatemia grave (P > 6,5 mg/dl); PTH-intacto muito elevado (> 450 pg/ml); fosfatase alcalina sérica elevada; achados radiológicos. → Achados radiológicos: depósitos teciduais e vasculares de cálcio; reabsorção subperiosteal das falanges da mão (achado mais característico); crânio em “sal e pimenta”; coluna em camisa “rugger jersey” (em referência a 5 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI um tipo de camisa americana listrada); “tumor marrom”. o DOENÇA ÓSSEA ADINÂMICA: envolve uma influência negativa do estado inflamatório crônico associado à DRC (excesso de citocinas pró-inflamatórias diminui a atividade metabólica do osso). O diagnóstico é suspeitado por um PTH-intacto < 150 pg/dl e confirmado pela biópsia óssea. o OSTEOMALÁCIA: osteopatia de baixo turn over que, diferentemente da doença óssea adinâmica, apresenta no histopatológico aumento do volume de osteoide (proteína óssea) não mineralizado. O diagnóstico é confirmado pela biópsia. Atualmente vem sendo também associada à toxicidade pelo alumínio. → Intoxicação por alumínio: encefalopatia pelo alumínio, demência; anemia microcítica refratária; osteomalácia. 3. MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS: pele do paciente urêmico costuma ser seca (xerose urêmica) e hiperpigmentada (principalmente em áreas expostas ao sol), devido à redução da vitamina A cutânea e ao acúmulo de urocromos (escórias pigmentadas). Outra manifestação que pode ocorrer é o prurido urêmico, que pode melhorar com a diálise, sugerindo correlação com toxinas urêmicas.Cabelos tornam-se quebradiçoes e unhas podem demonstrar alterações como “unha meio a meio” - discromia bem demarcada de tom marrom ou róseo na metade distal da unha. 4. MANIFESTAÇÕES CARDÍACAS E CORONARIANAS: causas mais comuns de óbito no doente renal crônico, através do desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva, infarto agudo do miocárdio ou morte súbita arrítmica. 5. DISLIPIDEMIA: a mais comum é a hipertrigliceridemia isolada (tipo IV) e decorre da inibição de diversas enzimas do catabolismo lipídico. Há uma queda do HDL, enquanto o LDL e o colesterol total encontram-se normais. 6. ESTADO HIPERCATABÓLICO: paciente urêmico costuma ter catabolismo proteico acelerado, ao mesmo tempo em que ingere pouca quantidade de proteína, devido à anorexia. A consequência é a desnutrição proteico-calórica. 7. DISTÚRBIO IMUNOLÓGICO: a uremia leva a uma série de alterações do sistema imunológico, levando a um estado de imunodeficiência moderada. DIAGNÓSTICO Quando o paciente não dá sinais evidentes de nefropatia, a abordagem começa pela suspeição em um paciente de risco. Os exames recomendados para essa investigação seriam: Dosagem da creatinina para estimar TFG; Relação albumina/creatinina em amostra aleatória; exame do sedimento urinário ou fita reagente para leucócitos e hemácias: indicados para todos sob risco ou com DRC estabelecida. EAS: procurar marcadores de dano renal parenquimatoso (Albuminúria > 30 mg/24 horas ou RAC > 30 mg/g, hematúria, leucócitos cilindrúria). Exame de imagem (USG geralmente): indicado para aqueles pacientes com sintomas obstrutivos Infecção; nefrolitíase; HF de doença renal policística. Eletrólitos (Na, K, Cl, bicarbonato): em casos de HAS, DM, toxicidade por droga e doenças edematosas. Concentração ou diluição urinária (densidade ou osmolalidade): em casos de poliúria e hiper/hiponatremia. pH urinário: em casos de alcalose metabólica, acidose metabólica e hipo/hipercalemia. USG: um grande achado é a “perda da dissociação corticomedular renal”, uma vez que passa a existir uma diferença de ecogenicidade entre o parênquima e o tecido sinusa (o parênquima renal fica mais ecogênico, assemelhando-se ao sinusal). BIÓPSIA RENAL: deve ser feita apenas na presença de rins de tamanho próximo ao normal, em que outros exames menos invasivos não foram suficientes para definir o diagnóstico e quando existe a suspeita de uma causa potencialmente tratável. 6 GABRIELA M. D. FARIAS MEDICINA FIPGUANAMBI TRATAMENTO ABORDAGEM INICIAL: A estratégia terapêutica deve iniciar pelo diagnóstico e tratamento dos fatores de risco. 1. HAS: IECA e BRA. 2. DM: preconiza-se controle glicêmico rigoroso em pacientes diabéticos. O objetivo é manter a glicemia capilar pré-prandial entre 90 e 130 mg/dL, pico pós-prandial < 180 e hemoglobina glicada < 7,0%. Uma das medidas mais importantes de prevenção da nefropatia diabética é a mensuração anual da microalbuminúria. 3. OUTROS: incluem-se, ainda, dislipidemias, obesidade e cessação do tabagismo, além de uma nutrição com ingesta proteica reduzida (0,8g/kg/dia). COMPLICAÇÕES: 1. ANEMIA: diagnóstico se dá quando valores de Hb < 13 g/dl em homens e < 12 g/dl em mulheres. A recomendação é manter um nível alvo de hemoglobina (Hb) entre 11 e 12 g/dL, com cautela para valores de hemoglobina acima de 13 g/dL. → Eritropoetina recombinante humana: mais conhecido dos agentes estimuladores da eritropoiese. → Devem ser identificados, ainda, deficiência de ferro (a mais comum), deficiências de vitamina B12 e de ácido fólico, processos infecciosos ou inflamatórios, intoxicação por alumínio, osteíte fibrosa, etc. 2. DOENÇAS ÓSSEAS: restrição de fosfato na dieta ➔ quelantes orais de fosfato ➔ calcitriol ➔ calciomimético. 3. HIPERVOLEMIA: dieta hipossódica, furosemida. Se refratária ➔ diálise. 4. HIPONATREMIA: restrição de água e furosemida. 5. ACIDOSE METABÓLICA: reposição de bicarbonato. 6. HIPERCALEMIA: usa-se o cálcio endovenoso (altera rapidamente a atividade despolarizante elevando o limiar do potencial de membrana em repouso tornando as células cardíacas menos excitáveis), glicoinsulina (ativa a bomba de sódio e potássio), βagonistas adrenérgicos (deslocam o potássio para o meio intracelular também por ativação da bomba), bicarbonato de sódio e diuréticos de alça (nibem o cotransportador Na+/K+/2Cl-, o que promove o estímulo à natriurese e caliurese, eliminando o excesso de potássio através da excreção renal). → Não passa pra restrição proteica em G4 e G5, porque já está hipercatabolizando. Desnutrição seria pior. 7. TRANSPLANTE RENAL: pacientes com DRC devem ser encaminhados para os serviços especializados em transplante, desde o estágio 5-ND. REFERÊNCIAS: Clínica Médica –USP, VOLUME 3. Medicina Interna – Harrison.