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DUMBA-NENGUE
SINOPSE DO LIVRO - A expressão popular moçambicana corresponde, aproximadamente, ao nosso "pernas pra que te quero". E é exatamente por indicar algum tipo de fuga que ela se tornou hoje o nome de uma vasta área do sul do Moçambique, abandonada por sua população e devastada por aquilo que a imprensa ocidental chama de "guerra civil" - mas que, como a autora denuncia neste seu livro, não passa de um "genocídio praticado por homens armados contra populações indefesas".
Jornalista de formação, Lina Magaia, começa sua carreira como escritora com o livro Dumba Nengue: Histórias Trágicas do Banditismo (1986). Nesta obra a autora apresenta as mazelas causadas pela guerra civil em Moçambique, que ocorreu entre 1975-1992, registrando as vozes daqueles que viveram a guerra, sentiram seus efeitos e a viram suas consequências. 
AS RECORDAÇÕES DA VOVÓ MARTA
Este livro, publicado em 2011, ano de morte da escritora, é resultado de uma conversa informal e troca de conhecimentos e experiências de um tempo que passou mas a vida não apagou com Marta Mbocota Guebuza – mãe do chefe de Estado, Armando Emílio Guebuza. O livro é um compilado de memórias e experiências decorridas da guerra civil em Moçambique.
Lina Magaia tinha a intenção de escrever mais volumes na mesma temática, coisa que, infelizmente, não pode ser concluída pois a morte roubou-lhe os planos.
DELEHTA : PULOS NA VIDA
Nesse romance, a autora retrata as consequências da guerra civil, através da voz de Delehta, uma enfermeira que presencia e expressa a destruição do país.
Na obra, assim como em outros trabalhos de Magaia, a voz central da história é a mulher. No entanto a questão de gênero na obra surge como um sub-tema, algo que acontece por simplesmente existir, a mulher existe, e fala, independente do contexto histórico no qual a narrativa se desenvolve.
Lina mescla a escrita ficcional com a narrativa histórica, onde por meio da ficção ela retoma valores historicamente concretos na sociedade, aponta as hipocrisias, mitos e explorações e com as personagens femininas, a autora também cita a forte opressão dos portugueses em relação a cultura africana, citando como exemplo a mudança de nomes pertencentes a cultura africana para nomes europeus. Vemos isso no trecho de seu livro em que ela fala sobre Monasse, uma idosa que morre no hospital em que a enfermeira Delehta trabalha:
· Como se chama esse rapariga?
Ouvida a pergunta, o pai, que se fazia acompanhar das suas mulheres e de todos os filhos, respondeu:
· Monasse
· Mo quê? Que raio de nome é esse? Uma rapariga tão bonita com um nome tão estúpido? Ela vai chamar-se Joana
Dito e feito, de Monasse passou a Joana nos papéis que o administrador escreveu. Foi crescendo assim, Monasse em casa e Joana nos papéis. (MAGAIA, 1994, p.162)
Usando da mesma personagem, Lina retrata a violação que Monasse sofreu de seu patrão-dono quando trabalhava em um lar português. Com Monasse nos deparamos com a violação do corpo da mulher, a objetificação que a mulher negra sofre. Para fechar o capítulo sobre a personagem, a narradora, Delehta, diz: “Houve quem dissesse que Monasse era a vergonha de muitos homens que não conseguiam aquilo que ela fazia” (MAGAIA, 1994, p. 172)
Para concluir, vemos que toda a escrita de Lina Magaia possui uma linha temática sobre a realidade da guerra civil que vitimou Moçambique, trabalho que resulta de sua vívida como combatente pela FRELIMO e sua experiência de toda essa exploração. Ao lermos suas obras vemos que a fronteira entre história-realidade e ficção se torna ainda mais tênue.

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