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10a. Aula

PROCESSO LEGISLATIVO

Conceito: seria uma sequencia de atos a serem realizados pelos órgãos legislativos, visando à formação das espécies normativas previstas no art. 59, CF.

* Corresponde a função típica do legislativo, é regido pelos arts. 59 e seguintes, da CF, pela LC 9598 (alterada pela LC 107/01) e especialmente, pelo regimento interno das casas.

O Poder Legislativo não detém o monopólio desta função, uma vez que cabe ao Poder Executivo a elaboração de medidas provisórias e decretos autônomos e cabe ao Judiciário a elaboração de seu regimento interno

A CF determina as regras básicas do processo legislativo, as quais devem ser seguidas sob pena de acarretar a inconstitucionalidade das leis no sentido formal. Isto possibilita pleno controle repressivo pelo Poder Judiciário.

Espécies: O processo legislativo tem duas espécies de rito:

a) comum, subdividido em ordinário e sumário (sumário significa rito de urgência, que pode ser empregado pelos parlamentares ou pelo presidente da republica em seus projetos, não se aplicando a projetos de códigos – prazo 45 dias em cada casa, mais o prazo de sanção ou veto – 15 dias úteis-).

b) rito especial – apenas a lei ordinária se submete ao rito ordinário, pois até mesmo as LC estão submetidas ao rito especial (embora a única diferença seja a maioria absoluta).

OBS: a produção de projetos de MP e de decretos regulamentares é regida pelo decreto 4176/02.

Rito Ordinário – utilizado para elaboração da lei ordinária. Quando se fala apenas em lei refere-se à ordinária, quando se quiser referir à complementar será feito de maneira expressa.

O rito ordinário é composto de três partes: iniciativa, constitutiva e fase complementar.

Fase de Iniciativa - iniciadora –

Inicia-se com a apresentação de projeto articulado a mesa da casa competente. O projeto de iniciativa popular não precisa ser articulado (não pode ser rejeitado por este vício).

Em princípio todos os projetos são apresentados à Câmara – o que lhe dá preferência em caso de divergência com o Senado.

* A discussão e a votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da Republica, do STF, dos Tribunais Superiores e dos cidadãos (extra parlamentar), terão inicio na Camara dos Deputados – art. 61, p. 2o., e 64, caput), assim como os de iniciativa dos deputados federais.

No senado iniciam-se os projetos apresentados:

pelos senadores;

 e os projetos de emenda constitucional. O projeto de emenda constitucional apresentados pelas assembléias legislativas – art. 60, III, CF.

O art. 61, CF determina quem tem poder de iniciativa das leis:

* De forma genérica = significa tem poder de propor a criação ou extinção de qualquer lei:

parlamentares: qualquer membro ou comissão da camara ou do senado.

Presidente da Republica – art. 61, p. 1o., CF.

Cidadãos - Iniciativa popular de lei: art. 61, p. 2o., CF – a CF consagrou como instrumento de soberania popular a iniciativa de lei popular. O projeto de lei poderá ser apresentado à Camara dos Deputados subscrito por no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuídos por no mínimo 5 Estados, sendo que em cada um destes exige-se 3/10 (0,3) do eleitorado desse Estado.

Também é possível iniciativa popular de lei no Estado, desde que haja previsão na CE. Isto também vale para lei municipal – art. 29, XIII, da CF (5% de manifestação do eleitorado).

* De forma especifica ou adstrita ou extra parlamentar = tem poder para propor algumas leis, é restrito:

a) Poder Judiciário: “compete privativamente ao STF, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça, propor ao Legislativo respectivo, a criação e a extinção de cargos e a remuneração de seus servidores, fixação de seus subsídios etc”.

O STF tem poder de iniciativa do Estatuto da Magistratura, já os tribunais superiores restringem-se à iniciativa de leis que regulam seus serviços auxiliares.

b) o Ministério Publico também tem iniciativa conforme art. 127, p. 2o., CF e 128, p. 5o.,CF (propor a criação/extinção de cargos, de serviços auxiliares etc).

Apresentado o projeto, inicia-se o tramite.

2. Fase Constitutiva/ Deliberativa –

É integrada de três etapas:
Fase Instrutória – o projeto de lei seguira na respectiva Casa Legislativa, para a fase de instrução, nas comissões – art. 58, p. 2o., CF.

Cabe as Comissões de Constitucionalidade e Justiça e Comissões Temáticas examinarem a constitucionalidade do projeto e seu mérito. Será elaborado um parecer que instrui o projeto.

A analise de constitucionalidade será realizada tanto na Camara dos Deputados por suas comissões, quanto no Senado por suas comissões.

Aprovado o projeto de lei nas comissões, o projeto seguira para o plenário da Casa deliberativa principal, onde será discutido e votado.

b) Discussão e Votação - em regra os projetos são votados pelo Plenário da Casa em sessões separadas. O art. 58, p. 2º., I, CF, prevê que o regimento interno pode autorizar as comissões a votarem os projetos sem submete-los ao Plenário.

Tendo em vista que a composição das comissões é proporcional aos partidos e blocos parlamentares e considerando a fidelidade partidária em princípio a votação pelas comissões é no mesmo sentido da votação pelo plenário.

* 1/10 dos membros da casa podem recorrer das votações da comissão levando o projeto para votação em plenário.

Plenário: o projeto é discutido e posto em votação na casa iniciadora, em regra, na Camara dos Deputados.

Uma vez aprovado pela Casa Primitiva, seguira para outra, que exercera o papel de Casa Revisora – art. 65, CF.

Na casa revisora, passara pelas comissões de constitucionalidade e mérito, apos plenário.

Se o projeto foi aprovado por ambas as Casas, seguira para sanção do Presidente da Republica.

Se ele for rejeitado, será arquivado.

É possível que a Casa Revisora rejeite o projeto, a matéria nele constante poderá constituir objeto de novo projeto na sessão seguinte. Exceto nos moldes do art. 67, CF, ou seja, caso o projeto seja representado pela maioria absoluta de deputados ou senadores.

Caso o projeto seja aprovado com alterações (emendas), haverá retorno dessas alterações à Casa Inicial para analise e votação em único turno. (não ha possibilidade de subemenda por esta).

OBS:

Em suma: em face do principio do bicameralismo, qualquer emenda a projeto aprovado por uma das casas, haverá, obrigatoriamente, de retornar a outra, para que se pronuncie sobre este ponto, para aprova-lo ou rejeita-lo, de forma definitiva.

* E se a casa iniciadora não concordar com a emenda feita? Aplica-se o principio da primazia da deliberação principal, pela qual prevalece a redação da casa iniciadora. Veja, com relação ao ponto divergente prevalece o entendimento da casa iniciadora, no tocante ao resto do projeto, ambas as casas aprovaram.

Poder de Emenda – é possível emendar projetos de lei, ainda que de competência exclusiva.

Qualquer emenda devera voltar para a casa de origem do projeto? Não, é preciso que a emenda resulte alteração do sentido jurídico da proposição. Assim, por exemplo, as emendas que apenas corrigem erros gramaticais ou que ensejam apenas técnicas legislativas, sem alterar seu sentido, não serão reapreciadas pela Casa iniciadora.

A fase de deliberação parlamentar se encerra com o autografo do projeto, que consiste num instrumento formal consubstanciado do texto definitivamente aprovado pelo CN.

c) Fase de Deliberação do Executivo –

Apos o termino da deliberação parlamentar, o projeto de lei aprovado pelo CN é remetido para deliberação do Presidente da Republica, podendo este veta-lo ou sanciona-lo.

* A separação dos poderes exige que o legislativo seja controlado por outros poderes. A sanção e o veto são instrumentos pelos quais o chefe do executivo controla os atos normativos produzidos pelo legislativo. São privativos e indelegáveis do chefe do executivo (ninguém mais sanciona ou veta).

Sanção – é a aquiescência do Presidente da Republica aos termos do projeto de lei aprovado pelo CN. Pode ser:

Expressa ou tácita (pelo decurso do prazo de 15 dias