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7a. Aula

COMPETENCIA: é o elemento essencial da construção federal; equivale ao poder de praticar atos jurídicos.

Na organização federativa, atribuir competência à União e aos Estados significa capacita-los para o exercício dos poderes que a cada um incumbe nos termos da CF.

Competência é a faculdade juridicamente atribuída a uma entidade, ou a um órgão ou agente do Poder Publico para emitir decisões.

Competências são as diversas modalidades de poder de que se servem os órgãos ou entidades estatais para realizar suas funções. (Jose Afonso da Silva)

REPARTIÇAO DAS COMPETENCIAS

1. Conceito: a autonomia das entidades federativas pressupõe repartição de competências legislativas, administrativas e tributarias, sendo, pois, um dos pontos caracterizadores e asseguradores do convívio no Estado Federal.

A própria CF estabelecera as matérias próprias de cada um dos entes federativos, União, Estados-membros, DF e municípios, e a partir disso poderá acentuar a centralização do poder.

TECNICAS DE REPARTIÇAO DE COMPETENCIAS

1. Repartição Horizontal: consiste em separar radicalmente a competência dos entes federativos, por meio da atribuição a cada um deles de uma área própria, consistente em toda uma matéria, a ele privativamente, com exclusão absoluta da participação, no seu exercício, por parte de outro ente.

Exemplo: a Constituição dos EUA elencou no art. 1o. os poderes de competência do governo central, tais como: defesa nacional, ao sistema monetário, à nacionalidade etc.

Quanto aos Estados, seus poderes não foram previstos na Constituição, cabendo a seguinte interpretação: os poderes não delegados aos EUA pelo Constituição nem por ela negados aos Estados, são reservados aos Estados e ao povo.

2. Repartição Vertical de Competências: consiste em dividir uma mesma matéria, em diferentes níveis, entre diversos entes federativos. Assim, uma mesma matéria é atribuída concorrentemente a entes federativos diversos, sempre porem em níveis diferentes: a um atribui-se o estabelecimentos de normas gerais, a outro, das normas particulares e especificas.

A atual Constituição Federal Brasileira de 1988 estruturou-se, com efeito, em um sistema complexo em que convivem competências privativas, repartidas horizontalmente, com competências concorrentes, repartidas verticalmente, ainda, se pode constatar a possibilidade da participação de ordens parciais na esfera de competências próprias da ordem central, mediante delegação.

TIPOS DE COMPETENCIAS

Competência Privativa ou Exclusiva: diz respeito às competências próprias de cada pessoa política. Também leva-se em consideração o principio da preponderância do interesse, ou seja, se é interesse nacional, regional e local.

Competência Remanescente:é a competência que compreende toda a matéria não expressamente incluída numa enumeração, ou seja, competência que sobra a uma entidade apos enumeração da competência de outra.

Art. 25, p. 1o., CF: “São reservados aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição”.

Este artigo permite a seguinte conclusão: se chega aos poderes dos Estados depois de se separar as matérias de competência privativa da União (art. 21, CF) e dos Municípios – art. 30, CF (assuntos de interesse local).

Competência Comum ou Concorrente:
O constituinte demarcou uma área de competências exercitáveis conjuntamente, em parceria, pelos integrantes da federação.

Chama-se competência concorrente porque relativa a uma só matéria concorre a competência de mais de um ente político.

Objetivo: o que o constituinte desejou é que os poderes públicos em geral, cooperem na execução das tarefas e objetivos enunciados.

Na competência concorrente ou comum, ocorre um descentralização de encargos em matérias de grande relevância social, que não podem ser prejudicadas por questões de limites e espaços de competência.

Por fim, convocam-se todos os entes políticos para uma ação conjunta e permanente. São eles chamados à responsabilidade diante de obrigações que cabem a todos. (zelar, cuidar proteger etc)

Art. 23, CF: “é competência comum da União, dos Estados, do DF e dos Municípios:...”.

P.U.: Leis Complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o DF, e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.

OBS: nessa hipótese de competência comum veremos a chamada repartição vertical de competências, ou seja, diferentes entes irão cuidar da mesma matéria, no entanto, em níveis diferentes.

O que significa dizer que a atividade poderá ser exercida pelas diferentes esferas políticas, porem, estará sujeita à disciplina legislativa hierarquizada.

Competência Legislativa Concorrente: art. 24, CF.

“Compete à União, aos Estados, e ao DF legislar concorrentemente sobre: ...

P. 1o.: No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

P. 2o.: A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.

OBS: Neste caso, o legislador quis dizer que, os Estados e o DF e também os Municípios (quando houver interesse local) exercerão competência complementar, ou seja, poderão pormenorizar as normas gerais, estabelecer condições para sua aplicação.

Exemplo: Cabe à União legislar sobre o Código de Transito Nacional (art. 20, XI, CF), mas em São Paulo existe uma peculiaridade no transito (excesso de carros), então o Município legislou sobre o rodízio municipal (há interesse local – art. 30, I, CF), o que não foi considerado inconstitucional.

P. 3o.: Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.

OBS: Neste caso, trata-se de competência supletiva, ou seja, na ausência de normas gerais da União, os Estados e DF suprirão a falta, legislando.

P. 4o.: A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual no que lhe for contraria.

No conflito entre a lei federal e a estadual, qual das duas prevalece? Depende, se a hipótese é de competência exclusiva, prevalece a lei do ente que não extrapolou sua competência. Já se a hipótese é de competência concorrente, há uma relação de hierarquia e prevalece a lei federal.

Vejamos, o art. 24, CF permite à União editar normas gerais e aos Estados normas especificas sobre os seguintes temas: Dir. Tributário, financeiro, orçamento, custos de serviços forenses, educação, desporto, previdência social, proteção e defesa da saúde.

Caberá aos Estados, observadas as normas gerais federais, desenvolver toda uma legislação especifica sobre temas da maior importância, podendo equacionar problemas sociais graves que apresentam peculiaridades regionais. (atendem as carências locais.

OBS: há um espaço bem maior a ser explorado pela legislação estadual suplementar (complementar), dependendo da vontade política dos Estados ocupar esse lugar.

Pode-se dizer também:

* Caberá à União as matérias de interesse geral; ao passo que aos Estados-membros as matérias de interesse regional e aos municípios concernem os assuntos de interesse local.

2. Repartição em matéria administrativa – Quadro -

	
	Exclusiva
	Poderes enumerados
	União – art. 21

Municípios art.30

	
	
	Poderes Reservados/remanescentes
	Estados – art. 25, p. 1o.

	Competência Administrativa
	
	
	

	
	Comum
	 art. 23
	União, Estados. DF e Municípios

OBS: Competências Administrativas dos Estado Federativos – art. 25, p. 1o., “são reservados aos Estados as competências que não lhe sejam vedadas por esta Constituição”.

Pode se dizer também que, cabem aos Estados todas as competências que não forem da União – art. 21, nem dos Municípios – art. 30. É a chamada competência remanescente dos Estados-membros.

OBS2: Competência Comum – art. 23, CF. Neste ponto a CF prevê a edição de leis complementares que fixarão normas para a cooperação entre União e os Estados, o DF e os municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.