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Sumário 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 2 FUNDAMENTOS DO COMERCIO INTERNACIONAL ............................ 4 2.1 O que é o GATT? ................................................................................. 6 2.2 A História do GATT .............................................................................. 7 2.3 O Acordo Geral de Tarifas e Comércio ................................................ 7 2.4 Qual a importância para o Comex (operação de comercio exterior)? .. 7 2.5 As Rodadas de Negócios ..................................................................... 8 2.6 Tratamento Nacional ............................................................................ 8 2.7 Fundamentos para a gestão eficaz do comércio internacional ............. 9 3 ESTRATÉGIA VOLTADAS AO COMERCIO INTERNACIONAL ........... 11 3.1 Estratégia, inteligência comercial e marketing ................................... 11 3.2 Inteligência comercial ......................................................................... 12 3.3 Estratégia ........................................................................................... 15 3.4 Marketing ............................................................................................ 16 4 AÇÕES CRÍTICAS PARA A EFICÁCIA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL ................................................................................................... 18 4.1 Relações comercias ........................................................................... 19 4.2 Habilidades demandadas pelo comercio internacional ...................... 19 4.3 Gestão de relacionamentos com clientes ........................................... 21 4.4 Conduzindo negociações ................................................................... 22 4.5 Eventos internacionais ....................................................................... 23 4.6 Viagens de negócios .......................................................................... 24 4.7 Centros Regionais de Negócios (business hubs) ............................... 25 4.8 Contratos comerciais .......................................................................... 27 4.9 A norma .............................................................................................. 27 5 MÉTODOS PARA SOLUÇÃO DE CONFLITOS .................................... 29 5.1 Arbitragem internacional- método eficaz ............................................ 31 5.2 Contratos comerciais internacionais mais utilizados .......................... 32 5.3 Operações financeiras internacionais ................................................ 35 5.4 Pagamento antecipado (cash in advance) ......................................... 35 5.5 Cobrança internacional (documentary collection) ............................... 36 5.6 Confiança (open account) .................................................................. 36 5.7 Carta de crédito (documentar credit) .................................................. 37 6 LOGÍSTICA INTERNACIONAL (MOVIMENTAÇÃO INTERNACIONAL DE CARGAS) .......................................................................................................... 37 7 A carga .................................................................................................. 38 7.1 Modais a serem considerados ............................................................ 38 7.2 Procedimentos aduaneiros ................................................................. 40 7.3 Protecionismo ..................................................................................... 40 8 SISTEMAS DE ADUANAS INTERNACIONAIS ..................................... 41 8.1 GATT/OMC ........................................................................................ 41 8.2 OMC (organização mundial do comércio) .......................................... 41 8.3 Procedimentos aduaneiros de exportação no Brasil .......................... 42 8.4 Procedimentos aduaneiros de importação no Brasil .......................... 44 8.5 Documentação básica do comercio internacional .............................. 47 9 SERVIÇOS ESSÊNCIAIS ...................................................................... 48 9.1 Despachantes aduaneiros .................................................................. 48 9.2 Agenciadores de cargas ..................................................................... 49 9.3 Corretoras de câmbio/bancos ............................................................ 49 9.4 Seguradoras ....................................................................................... 49 9.5 Certificadoras ..................................................................................... 49 9.6 Courier ................................................................................................ 50 9.7 Agentes e viagem ............................................................................... 50 10 PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS ............................................. 50 10.1 Atividades de exportação ................................................................ 50 10.2 Atividades de importação ................................................................ 51 10.3 Formalização do negócio ................................................................ 53 10.4 Incoterms ........................................................................................ 54 10.5 Documentação operacional ............................................................. 56 11 CONCLUSÃO ........................................................................................ 56 12 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 57 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 FUNDAMENTOS DO COMERCIO INTERNACIONAL Figura 1: negócios, economia global e comércio Fonte: comércio internacional- pixabay O comercio internacional como temos conhecimento, surgiu em uma época conhecida como mercantilismo, onde as nações dominantes seguiam rumo as índias visando a compra de especiarias e mercadorias de maior valor e com adjetivos de raridade destas. Aplicavam se todo o conhecimento em navegação e terrestre na busca pelos os melhores produtos, onde estes eram adquiridos a preços acessíveis, sendo vendidos na Europa a preços exorbitantes, adquirindo assim alto valor lucrativo, identificando os setores de escassez de produtos na região e buscando-os na índia onde eram encontrados em abundância. Desta forma surgia a ferramenta que colocaria em movimento uma reação em cadeia que se transformaria no comércio internacional que é conhecido nos dias atuais. As plantações das Índias Ocidentais, onde os escravos eram arrebanhados,forneciam o grosso do algodão para a indústria britânica, e em troca os plantadores compravam tecidos de algodão de Manchester em apreciáveis quantidades. Até pouco antes da “partida”, quase o total das exportações de algodão da região de Lancashire ia para os mercados americano e africano (HOBSBAWM, 1996, p. 50). Historicamente outros momentos comtemplaram ainda mais para a efetivação do comercio internacional, como o monopólio em que as colônias eram sujeitadas aos 5 europeus, a revolução industrial, a primeira guerra, o protecionismo sobre as fabricas no novo mundo que fortaleciam os países recém independentes até o final da segunda grande guerra mundial, onde uma Europa destruída necessitava de reconstrução, surgindo assim em 1948 o primeiro tratado internacional multilateral com a intenção de promover a integração comercial entre os países, este foi chamado de GATT - General Agreement on Trade and Tariff (Acordo Geral de Tarifas e Comércio Internacional) que foi peça fundamental para a elaboração de uma estrutura de códigos de mais de 40 mil mercadorias como de identificar e harmonizar as mesmas, controlando assim os exageros cometidos em prol do “protecionismo” dos países em favor de suas indústrias, acelerando assim o processo de integração mundial há muito iniciado, atualmente denominado globalização. A onda de transnacionalização produtiva do pós-guerra foi promovida pela concorrência entre as grandes empresas multinacionais lideradas pela expansão das grandes empresas de origem americana. Apesar da hegemonia do dólar, essa “transnacionalização” não deu lugar a uma liberalização comercial e financeira do tipo da ocorrida sob o padrão-ouro. Ao contrário, a maior expansão comercial ocorreu entre matrizes e filiais que saltaram as barreiras protecionistas nacionais e regionais, como ocorreu na América Latina e no Mercado Comum Europeu (TAVARES, 1997, p. 23). Tal integração se fez facilitada através de várias organizações internacionais surgidas com meios e ferramentas que facilitaram esse processo, onde podemos citar GATT / WTO (Organização Mundial do Comércio); ICC (Câmara de Comércio Internacional); UNCTAD – (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento); UNCITRAL (Conferência das Nações Unidas sobre Direito Comercial Internacional); WCO (Organização Mundial de Aduanas); IMO (Organização Marítima Internacional); IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo); entre outras. De acordo com Bobik Braga, um dos pontos que se deve levar em consideração para qualificar o que é a globalização, “é a intensificação dos fluxos comerciais entre os países, um processo, aliás, experimentado pelo mundo no final do século XIX”. Observando o processo histórico do surgimento do comercio internacional e seu desenvolvimento ao longo do tempo, podemos entender que as operações de exportações somente podem ter sucesso se respeitados as seguintes ações: a) Estratégia, inteligência comercial e marketing. b) Relações comerciais 6 c) Contratos internacionais e respectivas normas d) Operações financeiras e) Operações logísticas f) Procedimentos aduaneiros g) Contratação de serviços essenciais h) Procedimentos administrativos Estes oito pontos citados acima devem estar alinhados objetivando a geração de negócios internacionais, garantia no cumprimento dos termos e condições pactuados, promovendo sua manutenção e progresso contínuo. 2.1 O que é o GATT? Figura 2: porto, navegação, transporte e comércio Fonte: comércio internacional- pixabay GATT significa General Agreement on Tariffs and trade (o Acordo Geral de Tarifas e Comércio.). Representando uma série de acordo comerciais envolvendo diversos países, com o intuito de reduzir os obstáculos comerciais em particular as tarifas e taxas aduaneiras entre os membros do GATT. Situado em Genebra, na Suíça até os anos de 1995, quando este foi substituído pela OMC (organização mundial do comércio) consiste em um sistema de normas e concessões tarifárias que visam incentivar o livre comércio entre os países membros, buscando assim combater o protecionismo e evitar as chamadas guerras comerciais. O GATT ainda continua em vigor funcionando com um grupo de regras responsáveis de organização do comércio entre os participantes da OMC. 7 2.2 A História do GATT Após o fim da segunda guerra mundial, alguns países aliados se reuniram em busca de alcançar um objetivo de estabelecer regras econômicas internacionais, sendo chamado este momento de acordo de Bretton Woods, que focou em criar três instituições, sendo elas: 1. Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, também conhecido como Banco Mundial), 2. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e 3. A OIC (Organização Internacional do Comércio). Apesar de serem planejadas, somente duas das três instituições foram criadas, a OIC que deveria ser a Organização Internacional do Comércio, não foi criada, sendo estabelecida no lugar desta o acordo geral de tarifas e comércio, mais conhecido como GATT que figurou dos anos de 1944 a 1994. Até o presente momento, as regras estabelecidas e firmadas, continuam em vigor e assim facilitando as negociações entre os países membros. É importante dizer que o GATT não é um órgão internacional e sim um acordo. 2.3 O Acordo Geral de Tarifas e Comércio O GATT representa uma forma de chegar a um objetivo maior do país; ou seja, através dele é possível o crescimento econômico dos países pertencentes ao Acordo, sobretudo daqueles considerados menos desenvolvidos, subdesenvolvidos e/ou em vias de desenvolvimento. (...) propunham a harmonização das ações do Estado e do mercado para administrar a economia e promover o desenvolvimento, no âmbito interno, levando para esfera internacional o tema de redistribuição de riqueza em função de critérios de justiça e equidade (FAFER, 1998 apud RAMOS, 2004). 2.4 Qual a importância para o Comex (operação de comercio exterior)? A criação do GATT, que hoje é regido pelo OMC, veio para facilitar que negociações entre um país e outro aconteçam. 8 Estima-se que os custos aduaneiros aplicados sob produtos industriais tenham caído de 40% para 5% e isso em 1993, então, podemos compreender os benefícios desse acordo é amplo e impactam as negociações realizadas. Sendo assim, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio é responsável por promover a cooperação entre os países na área comercial, levando a um maior desenvolvimento econômico para todas as partes. [...]entender quais são os mecanismos de proteção e subsídio do mundo desenvolvido que mais afetam a posição competitiva [...] no mercado internacional. (JANK, 1999-2000, p.73). Sua importância também está atrelada ao fato de que é nos encontros do OMC que são debatidos assuntos importantes para o mundo, como a situação dos produtos agrícolas e serviços em geral incluídos nos debates. 2.5 As Rodadas de Negócios As rodadas de negócios são extensas reuniões, onde representantes dos países se reúnem com o intuito de encontrar um consenso sobre os assuntos em pauta. As rodadas de negócios mais conhecidas estão: Rodada Kennedy entre os anos de 1964-1967; Rodada Tóquio, 1973-1979; e Rodada Uruguai nos anos de 1986 até 1993. Durante as rodadas de negociações, existem algumas normas que devem ser seguidas e aplicadas a todos os países participantes do grupo seleto, ou seja, se um membro ceder um benefício a determinada nação, este mesmo deverá beneficiar a todos os participantes. 2.6 Tratamento Nacional Outro ponto importante é o Tratamento Nacional, que veio para reforçar que o produto ou serviço que ingressar no país mediante importação deverá ser tratado da mesma forma que aquele produzido internamente. De forma resumida, o GATT, é um grande Acordo Geral de Tarifas e Comércio que é regido por condiçõesespeciais https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodada_Uruguai 9 entre países. Essas circunstâncias, normalmente são diferenciadas e que abordam os processos de Importação das nações. Nesta era de crescente interdependência mundial, o comércio internacional é uma avenida que cada vez mais tem mais importância para o crescimento econômico de todos os países. O comércio internacional não é somente do domínio das grandes companhias multinacionais, de fato, as pequenas e as médias empresas estão descobrindo que o mercado mundial oferece enormes oportunidades de sucesso. (CORREIA & ROSA, 2006, p. 3) 2.7 Fundamentos para a gestão eficaz do comércio internacional Quando citamos o tema gestão, devemos estar buscando sempre uma eficácia, mesmo tendo que sacrificar a eficiência do processo, pois quando em determinado momento a empresa reunir a diretoria, acionistas e outros grupos de empresários que confiaram a nós a gestão dos negócios, estes não questionarão sobre o processo, mas sim seus resultados. Assim, a proposta desta obra é promover a gestão sinérgica de uma série de atividades críticas que influenciam diretamente a conquista dos resultados esperados. Nossa visão une o conceito de “eficácia” com o conceito de “sinergia” (literalmente: concentrar a energia proveniente de várias fontes para um foco único). Apresentamos abaixo as ações acima mencionadas, com seus objetivos imediatos: a) Estratégia, Inteligência Comercial e Marketing Elaboração de planos de ação voltados para o aumento de vendas b) Relações Comerciais Conquista e manutenção de clientes c) Contratos Internacionais e Respectivas Normas Garantir a segurança dos negócios realizados d) Operações Financeiras Neutralização de riscos financeiros decorrentes dos negócios e) Operações Logísticas Movimentação de mercadorias pela melhor relação custo x benefício f) Procedimentos Aduaneiros Evitar entraves na aduana de origem ou destino g) Contratação de Serviços Essenciais 10 Utilizar conhecimentos e habilidades alheios em processos específicos h) Procedimentos Administrativos Traçar planos operacionais que concretizem os negócios fechados Observe que as atividades citadas acima possuem um objetivo imediato distinto que visa assegurar que as ações sobre o comercio internacional sejam eficazes na geração de negócios internacionais, garantia no cumprimento dos termos e condições pactuados, promovendo sua manutenção e progresso contínuo. Em geral, as habilidades são consideradas como algo menos amplo do que as competências. Assim, a competência estaria constituída por várias habilidades. Entretanto, uma habilidade não "pertence" a determinada competência, uma vez que uma mesma habilidade pode contribuir para competências diferentes (GARCIA, 2005 p. 23). Apesar das ações possuírem seu objetivo distinto e distinto, estas devem estar focadas para um objetivo maior e único sendo o foco central. Os preços, prazos, a qualidade e os serviços de pós-vendas são pontos que fazem parte que fazem parte deste objetivo maior, guiando todas as atividades específicas de cada atividade crítica. Se assim não agirmos, teremos oito atividades autônomas dentro da empresa, com oito equipes trabalhando visando exclusivamente seus próprios objetivos imediatos. A isso chamamos “eficiência”, ou seja, o foco das ações é o processo e não a geração de negócios. 11 3 ESTRATÉGIA VOLTADAS AO COMERCIO INTERNACIONAL 3.1 Estratégia, inteligência comercial e marketing Figura 3: globalização, pessoas e comércio Fonte: comércio internacional- pixabay Entendemos que estratégia é processo de elaboração de planos de ação aplicados à conquista de objetivos, fundamentados em dados e conclusões oriundos da construção de nossa inteligência comercial. Já a inteligência comercial entendemos que é o processo de determinação, coleta e análise de dados específicos que permitam a elaboração de planos de ação que aproveitem as oportunidades do mercado-alvo e neutralizem os obstáculos nele existentes. E por último o marketing tem por objetivo a promoção do aumento de negócios relativos a determinado produto, o que é realizado por meio de ações previamente traçadas de acordo com nossa estratégia, a qual foi elaborada considerando as conclusões de nossa inteligência comercial. Só uma empresa dotada de um sistema de planejamento estratégico pode: a) antecipar-se aos concorrentes nas mudanças bruscas de mercado; b) desenvolver estratégias de competição adequadas a essas novas circunstâncias com tempo suficiente para garantir o sucesso (GRACIOSO, 2005, p. 26) Como observamos a inteligência comercial possibilita a construção de uma estratégia, um plano que mais a frente será elaborada pelo marketing, ou seja, esses três elementos compõe uma única ação continua que é responsável pelas realizações em busca da conquista dos nossos objetivos. 12 3.2 Inteligência comercial Realizado através do levantamento de dados mercadológicos, aduaneiros, econômicos, políticos e sociais relativos aos países alvos de nossas ações. Esses dados são originados segundo a segmentação dos produtos que se pretender comercializar. Essas informações são analisadas e utilizadas para a elaboração dos planos de ação que aproveitem as vantagens disponíveis e neutralizem as barreiras existentes, tornando-os eficazes para a conquista dos alvos. A formação da inteligência comercial tem início na escolha do pais em que se pretende trabalhar, definindo este inicia- se o levantamento de informações que serão analisadas. As empresas sabem que não podem servir de forma lucrativa todos os clientes em determinado mercado, no mínimo, a todos consumidores da mesma maneira. Há muitos tipos diferentes de clientes com muitos tipos diferentes de necessidades, e muitas empresas estão em uma posição em que atendem a determinados segmentos do mercado melhor do que a outros. Assim, cada empresa deve dividir o mercado total, escolher os melhores segmentos e desenvolver estratégias para servir lucrativamente aos segmentos escolhidos. Esse processo envolve segmentação do mercado, definição do mercado alvo, diferenciação e posicionamento de mercado (KOTLER; ARMSTRONG, 2007, p. 40). a) Segmentação de mercado Definir os produtos que se pesquisará e fundamental para que a inteligência comercial seja eficaz, a empresa concentrará esforços de forma a identificar seus produtos mais representativos, classificando-os em unidades de negócio e NCM correspondente. b) Conhecimento do mercado Após a segmentação de mercado criaremos uma estrutura voltada para o escopo de informações relevantes para nossos intentos. O resultado desse trabalho se vê abaixo: Conhecimento do Mercado (por segmento) Volume de Importações Participação brasileira Principais concorrentes externos 13 Definido a segmentação de produtos (e consequentemente, de mercado) elaboramos o escopo acima de forma a obter informações concretas sobre o tamanho do mercado em questão, a participação brasileira e os principais concorrentes externos. Tais informações nos possibilitam uma visão geral quanto ao potencial do mercado. c) Dados macroeconômicos Após verificadas as primeiras informações por segmento de mercado, nossa atenção se volta para informações macroeconômicas a respeito do mercado. “A qualidade é um fator crítico para a sobrevivência das organizações. Qualidade significa entender, aceitar, atender e exceder continuamente os desejos e expectativas dos clientes” (HRONEC, 1994, P.126) Segue estrutura abaixo: Características econômicas e culturais População Faixa Etária Mortalidade PIB Composição do PIB População economicamente ativa Renda per capita Desemprego Crescimento econômico Inflação Exportações Produtos Parceiros Importações Produtos Parceiros Moeda e câmbio Principais cidades Características culturais Idioma Grupos étnicos Religião Alfabetização Forma de Governo Panorama econômico 14 d) Economia setorial A informação acima será utilizada para a orientação da estratégia a ser adotada para a aproximação com o mercado em questão. Porém, em virtude da especificidade do produto ao qual a empresa se dedique, há outro grupo de informações de alta importância a ser considerada: Economia setorial Estrutura do setor Investimentos no setor Demais informações específicas do setor Principais Grupos Indicadores do setor Através dos dados relativos a economia setorial, podemos verificar dados específicos quanto a evolução do mercado, a demanda potencial e a expectativa de investimentos. Na concepção de Gil (1993): “O desempenho e a produtividade organizacional necessitam, a todo momento de medição, quer em nível de benchmarking, ou seja, contra outras entidades, quer um nível histórico, ou seja, contra o passado empresarial, ou ainda, em termos futuros, via arbítrio ou projeções das séries históricas apuradas”. Uma vez que temos conhecimento sobre as informações dos itens 1, 2 e 3, teremos uma visão geral apropriada sobre o mercado com o qual estamos trabalhando, sendo que a esta altura já podemos considerar a importância do mercado. e) Ameaças e oportunidades Nesta etapa iremos identificar barreiras e oportunidades. Para isso usamos o seguinte escopo: Barreiras Tarifárias e Não Tarifárias (Certificações, Quotas, etc.) Acesso ao mercado Benefícios Acordos internacionais com o Brasil ou MERCOSUL Canais de distribuição Feiras e eventos 15 Órgãos de apoio Essas informações são críticas para a eficácia de nossa estratégia e consequente plano de ação por meio desta poderemos traçar ações que efetivamente aproveitem as oportunidades oferecidas pelo mercado ao mesmo tempo em que identificamos as barreiras que deverão ser neutralizadas. f) Parceiros comerciais Sem o parceiro comercial o trabalho jamais estaria completo se não trouxesse o elemento principal de todo mercado: Distribuidores Esse ponto do nosso trabalho de construção de inteligência comercial veio para coroar nossos esforços com aquilo que as empresas mais prezam: resultados. Uma vez que levantadas todas as informações detalhadas acima os gestores têm em suas mãos, um informativo mercadológico que nos permitirá uma análise específica, expondo de forma clara as oportunidades de negócios presentes. 3.3 Estratégia Com o resultado de nossa construção de inteligência comercial em mãos, elaboramos o plano de ação para a aproximação e conquista do mercado-alvo. Possuímos informações claras sobre as forças econômicas que regem o mercado em questão; detalhes setoriais quanto ao nosso produto; volume e importância do mercado; barreiras e benefícios para o acesso. Restando nos apenas interpretar os dados capturados de forma a identificar as ameaças e oportunidades nele existentes. [...]multiplicadores das exportações, sobre o mercado interno depende de fatores como a existência de capacidade ociosa na economia, do estoque de mão-de-obra, da disponibilidade de capacitação empresarial, da dotação de infraestrutura de transporte; e do envolvimento do insumo-produto das exportações com o setor de mercado interno. (SOUZA, 1999, p. 355). Dessa forma, o plano de ação deverá buscar o aproveitamento máximo das oportunidades oferecidas pelo mercado, ao mesmo tempo em que busca alternativas que neutralizem as barreiras existentes. 16 3.4 Marketing De posse do plano de ação, passamos à criação de ações de marketing eficazes, sendo este formado por quatro elementos fundamentais, que são: Produto, Preço, Praça, Propaganda. De acordo com Kotler (1998), o marketing não deve ser apenas compreendido como “dizer e vender”, mas também, e especialmente, satisfazer as necessidades dos clientes. Se o profissional de marketing souber identificar essas necessidades, desenvolver produtos de valor superior, definir bem seus preços e realizar uma boa distribuição e promoção, esses produtos serão vendidos com facilidade (KOTLER; ARMSTRONG, 1998). Traçaremos, sugestões objetivas para demonstrar em como construir um método eficaz de aplicação desta ferramenta: a) Produto Devemos conhecer bem o produto a ser oferecido, sem esse conhecimento coloca se em risco a estratégia de promoção e então criar uma apresentação do mesmo que será utilizada em catálogos físicos e eletrônicos, apresentações institucionais, propagandas, materiais de divulgação, banners, cartazes, etc. A apresentação deverá conter elementos que permitam visualizar o produto de forma clara e objetiva, sendo assim devemos nos atentar a estas três situações: 1) Sua imediata identificação por parte de seus consumidores; 2) Sua função ou aplicação de forma objetiva; 3) A exaltação de seus diferenciais e vantagens sobre seus concorrentes; as demais características inerentes ao produto, ainda que óbvias. b) Preço É o valor econômico que o produto recebe, sendo que este item deve ser composto tomando-se por base seu preço de mercado. Quando entramos no assunto em relação a preços de exportação, não basta utilizar a lista de preços do mercado nacional, retirar os impostos, somar despesas de despacho aduaneiro, fretes e comissões de agente. Deverá verificar o preço de seu produto no mercado-alvo. Uma vez 17 conhecido tal valor, deve-se aplicar a operação de “cálculo inverso”, ou seja, o valor de mercado menos o transporte interno desde o porto de destino até o armazém de seu cliente menos as despesas de desembaraço de importação no destino menos as despesas de transporte internacional menos as despesas de desembaraço de exportação no Brasil menos as despesas de transporte interno entre sua fábrica e o porto de embarque menos embalagens especiais para exportação menos custo variável e fixo de fabricação menos sua expectativa de lucros. Cobra (1992, p. 43) ressalta que, Para satisfazer às necessidades dos consumidores, é preciso que os produtos ou serviços a serem ofertados tenham boa qualidade, que as características atendam aos gostos dos consumidores, com boas ações de modelos e estilos, com nome atraente de marca, acondicionados em embalagens sedutoras, em variados tamanhos de produtos, com serviços e quantias aos usuários que proporcionem adequados retornos financeiros à organização. c) Praça Conhecer o mercado alvo a que se quer atingir e a definição das formas de distribuição a serem aplicadas definem se como praça. O exportado irá levantar os detalhes relativos ao mercado em questão. Números, barreiras, oportunidades, concorrentes, etc. Com essas informações, realiza-se uma análise sobre a viabilidade do mercado e traçando o plano de ação que aproveitará suas vantagens e neutralizando as barreiras, chamamos esse procedimento de “Inteligência de Mercado”. Feitas as atividades acima a comercialização do produto no mercado alvo deverá ser o máximo efetiva, visando atingir ao comprador final ou por intermédio de representantes de venda que receberão comissão e distribuidores que garantirão um volume alto de negócios e um baixo custo de administração, demandando em questão um contrato claro de estabelecimento de responsabilidades e uma menor margem de lucros para a empresa. Após definidos os meios de distribuição e potenciais clientes, deverá ser realizada visitas e estabelecimento de negócios. As feiras internacionais e as missões comerciais são oportunidades perfeitas para realizar visitas e buscar novos parceiros em negócios presentes e futuros.18 d) Propaganda Visa consolidar a imagem de sua empresa e produto no mercado-alvo através de campanhas publicitarias que deverão ser criadas de forma a exaltar a qualidade, as vantagens e a competitividade do produto no mercado internacional. Os veículos difusores de propagandas são aqueles que seu cliente direto consulta diariamente sendo que esse conhecimento dos meios que são difusores dependerá de sua estratégia de distribuição. A propaganda pode ser usada para informar e persuadir determinada audiência. São utilizadas geralmente mídias de massa, como jornais, televisão, revistas e outdoors. É a que recebe a maior verba orçamentária e pode atingir vários receptores ao mesmo tempo, em nível regional e nacional (LAS CASAS, 2010, p. 380) A eficácia das ações de comércio internacional apenas será alcançada se o objetivo imediato da atividade abordada estiver alinhado ao objetivo maior da gestão, visando a geração de negócios internacionais, o cumprimento dos termos, condições pactuadas, e a promoção para sua manutenção e progresso contínuo. 4 AÇÕES CRÍTICAS PARA A EFICÁCIA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Figura 4: vista aérea do navio de carga em trânsito Fonte: comércio internacional- pixabay 19 4.1 Relações comercias O objetivo das ações voltadas as relações comerciais é a conquista e manutenção de clientes sendo que o foco dentro desta atividade repousa especificamente no relacionamento com clientes internacionais. A negociação é um processo por meio do qual duas ou mais partes, com um propósito comum, mediante emprego de técnicas de comunicação interpessoal, buscam obter um resultado de acordo com seus objetivos, necessidades e aspirações. (LUDOVICO, 2009, p.40) Dessa forma, dividimos nossa atenção sobre cinco aspectos fundamentais: Habilidades pessoais para o relacionamento comercial internacional Relacionamento com clientes Condução de negociações Eventos internacionais Centros regionais de negócios Viagens de negócios 4.2 Habilidades demandadas pelo comercio internacional O comercio internacional é uma das atividades mais dinâmicas do mundo dos negócios, estando sujeito a influências dos cinco continentes e mesmo assim mantendo sua harmonia, compensando as diversas forças emanadas por interesse que divergem e convergem. [...], para quem está inserido nesse meio de negociações ou pretende se inserir no mercado internacional, tanto no ramo pessoal como profissional, o conhecimento de uma segunda língua se torna uma prioridade que deve ser, obrigatoriamente, cumprida e não vista como apenas uma opção de conhecimento extra (SANDRI apud PILATTI; SANTOS, 2011, p. 28). Esta atividade implica em conhecimentos sobre os fundamentos de direito, economia, geografia, história, politica, antropologia, e filosofia, além destes conhecimentos esta atividade requer do profissional um conjunto de habilidades pessoais fundamentais ao seu bom desempenho e consequente sucesso. São elas: a) visão global 20 Interpretar de forma clara as novas maneiras de realizar ações no cotidiano não rejeitando os pensamentos contrários sem antes buscar compreende-los sendo receptivo para aquilo que aparentemente não faça sentido em um primeiro momento, agindo assim adquirirmos uma visão global. É nesse momento que atingimos a capacidade de ver os padrões estruturais únicos e simples dos relacionamentos e atividades humanas através da complexidade dos padrões especiais de cada povo e nação. Em essência, todos os povos seguem padrões únicos de conduta para os negócios apesar de, à primeira vista, sermos diferentes. A visão global permite-nos avançar, pois não mais vemos as diferenças e distâncias globais como barreiras, mas sim como oportunidades. b) Tolerância cultural Respeito a cultura de determinada nação, onde cultura é a expressão de um povo quanto às suas tradições, costumes, crenças e práticas cotidianas. Quando praticamos o comércio internacional, nos deparamos com novas culturas, as quais diferem da nossa em algumas vezes são pequenas e não causam tanto desconforto. As questões culturais e técnicas são fatores muito influentes sobre as diferenças, mal entendidos e perspectivas diversas entre as pessoas. Acredita-se que por volta de 30% das negociações internacionais não se realizam em razão da falta de conhecimento cultural e técnico. (LUDOVICO, 2009, p.42) Todavia, existirão oportunidades nas quais as diferenças serão extremas, e é nesses momentos que devemos entender a nação que nos recebe, tendo respeito pelas tradições, costumes, crenças e práticas cotidianas. c) Dedicação Se nossas tarefas não forem realizadas com dedicação estas com certeza não terão sucesso. A dedicação faz com que mantenhamos o foco no objetivo traçado. d) Persistência Esta caminha junto com a dedicação fazendo com possamos repetir a ação após uma falha. e) Domínio de idioma 21 Esta habilidade é obrigatória ao profissional que deseja dedicar se ao comércio internacional, a capacidade de comunicação é essencial, sem esta não podemos expressar os objetivos propostas e interesses. 4.3 Gestão de relacionamentos com clientes a) Identificando os clientes potenciais Devemos compreender as características de nossos clientes potenciais, uma vez compreendida, a tarefa de encontrar possíveis clientes se torna mais fácil passando assim para a próxima etapa do processo. Dessa maneira, Schiffman e Kanuk (2000, p. 07) citam que: À medida que pesquisadores de mercado começaram a estudar o comportamento de compra dos consumidores, logo entenderam que, apesar de uma abordagem de identificação em relação a produtos da onda e da moda, muitos consumidores se rebelavam contra o uso de produtos idênticos aos que todo mundo usava. Ao contrário, preferiam produtos diferenciados que eles sentiam refletir suas necessidades próprias e especiais, personalidades e estilos de vida. b) Conquistando novos clientes Identificado o cliente damos início a conquista deste usando do todo conhecimento e das ações do marketing, inteligência e estratégia e nos apresentado ao potencial cliente. Percebendo que este novo cliente faz uso de produtos semelhantes ao nosso, a meta para o processo de conquista deverá ser a identificação de suas necessidades. Com esse conhecimento poderemos fornecer ao cliente nossos produtos sempre elogiando as características e que estes possam atender as necessidades identificadas de cada cliente em questão pela empresa. Sem dúvida esse processo é muito lento e requer paciência, persistência e conscientização. Este último nos permite determinar o momento exato quando nossa chance de ganhar o cliente é favorável (falha do fornecedor concorrente, aumento inesperado da demanda, os produtos fornecidos pela empresa antiga não atendem mais aos clientes, etc.). Se fizermos isso definitivamente conquistaremos novos clientes. Depois de confirmado esse fato deveremos procurar manter os mesmos. c) Manutenção de clientes 22 Estando conquistado os novos clientes estes nunca deverão ser ignorados porque nossos concorrentes devem tê-los identificado e concentraram suas atenções na tentativa de conquista-los (semelhante ao que fizemos no passado). Portanto manter os clientes ainda é uma tarefa que precisa ser concluída com maior responsabilidade, porque isso exigirá nossa total atenção. Segue algumas sugestões sobre manutenção de clientes: Canais de comunicação Qualidade no cumprimento das obrigações assumidas no pós-venda. Atenção ao mercado e suas inovações. 4.4 Conduzindo negociações O ato de negociar permeia nossa vida cotidiana, em uma negociação o relacionamento e a comunicação são essenciais, já que geralmente os negócios envolvem compromissos em longo prazo e poderão surgir novos parceiros. O processo de negociação é extremamente complexo, visto que envolve pessoas ecomportamento humano. Trata-se não apenas de estabelecer as diferenças entre pessoas, no que se refere a valores, objetivos, maneiras de pensar e de se conduzir numa negociação, mas também de estruturar um quadro de pensamento e tomada de decisão para diferentes partes envolvidas no processo. (MARTINELLI et. al, 2004, p.40) Aqui estão algumas sugestões sobre como proceder em relação ao processo de negociação, que é muito importante nas relações comerciais: a) O princípio Os processos envolvendo negociação não deve ser considerado um jogo com apenas um vencedor, devemos vê-lo como um processo mutuamente benéfico, no qual ambos os lados são vencedores e cada um atende suas necessidades e obtenha benefícios nos acordos de negociação firmados. b) Preparação Liste os objetivos e divida-os em ideal, realidade e requisitos mínimos. De acordo com o seu objetivo questione-se em: Porque o objetivo é importante? Você terá satisfação ao conquistar se objetivo? Sua necessidade foi satisfeita? 23 Tente antecipar alguns objetivos do cliente, faça as mesmas perguntas e considere as alternativas em que os objetivos dele complementará os seus. c) A negociação Pergunte ao seu cliente seus objetivos, ouça-os e aplique as perguntas da etapa anterior (porque o objetivo importa? Quais necessidades serão atendidas após a conquista?), não continue esse processo até entender a motivação do cliente, na sequencia forneça soluções, alternativas para atender ás duas necessidades, a sua e de seu cliente. No próximo passo use padrões, indicadores, taxas, princípios e regras gerais isso certamente mostrará seus desejos em encontrar soluções justas para os objetivos. Seguindo a linha de negociação certamente você precisará ceder alguns de seus objetivos, procure começar no final da lista que você criou durante a fase de preparação. E por último no próximo passo, caso não tenha atingido sua meta mínima aceitável procure estar preparado para dizer “nada feito”, agradeça a seu cliente o tempo disponibilizado, como dizem “ nenhum acordo é melhor que um mal acordo”. Segundo Cohen (1980, p. 13): A negociação é o campo de conhecimento e empenho que visa à conquista de pessoas de quem se deseja alguma coisa. [...] Desejamos inúmeras coisas: prestigio liberdade, dinheiro, justiça, status, amor, segurança e reconhecimento. 4.5 Eventos internacionais São grandes oportunidades que a empresa tem para expor sua imagem no mundo globalizado pois definitivamente irão contar com uma infraestrutura mínima que servirá para dar o passo inicial para atingir os objetivos da internacionalização da marca. [...]o comércio internacional não levaria a um fluxo contínuo de países desenvolvendo-se em função dos ganhos do comércio ou pela difusão do progresso técnico dos países mais avançados para os mais atrasados: ao contrário, a integração das economias periféricas em escala mundial levou à modernização sob condições de heterogeneidade estrutural”. (GONÇALVES et al., 1998, p.70) 24 As atividades internacionais então divididas em feiras internacionais e missões comerciais. a) Missões comerciais Depois de todo trabalho descrito na inteligência comercial e depois da tomada de decisões sobre a implementação de medidas eficazes buscando a aproximação com o novo mercado, realize missão comercial (deve ser empresas do mesmo setor), uma vez que melhora se o aproveitamento nos negócios quando as missões são lideradas por entidades de classes e câmara de comércio. Criando assim oportunidades de negócios, venda da imagem da empresa, parceiros para eventos, visitas técnicas, comercialização de produtos, locais de eventos, divulgação de produtos e marcas, identificação de oportunidades e ameaças. b) Feiras internacionais Diferente das missões as feiras ocorrem anualmente em certa localidade, possuindo uma publicidade global e são visitadas por interessados em um campo econômico específico (roupas, alimentos, produtos, químicos, automóveis, equipamentos médicos e odontológicos, etc.) Para aproveitar melhor esse tipo de evento, deve-se atentar a alguns pontos, em como escolher o melhor evento para participação, como organizar, como anunciar, como expor. Dessa maneira, Giglio (1996, p. 31) resume que: A vida é escolher entre opções de ordem e superação dos limites; que as escolhas dependem dos nossos planos ou expectativas de vida; que percebemos os estímulos do mundo, conforme se relacionem com nossos planos; que dessa seleção surgem às alternativas de comportamento; que entre os comportamentos possíveis está o consumo. 4.6 Viagens de negócios A empresa através dos representantes realiza viagens ao país que pretende estabelecer as relações de comercio, sendo necessário obedecer determinados elementos para que a viagem seja bem-sucedida. São eles: Agenda (objetivo da viagem, empresas a serem contatadas, agenda de atividades, reuniões de negócios, hotel e embaixada, companhias aéreas.). Logística (voos, hotéis.). 25 Apoio local e material de trabalho, despesas, e cuidados especiais (conforto, saúde e segurança.). 4.7 Centros Regionais de Negócios (business hubs) A eficácia do Comercio internacional deve ser traduzida em alcançar competitividade global, isto é, os produtos produzidos devem ter garantia de qualidade e preço final competitivo. Isso garante a manutenção e os progresso dos negócios produzidos pela empresa em um ambiente global. Considere que a indústria nacional está em uma busca louca pela melhoria da competitividade devido a situação do real em relação ao dólar, diante disso as empresas brasileiras precisam se reinventar para buscar competitividade. O plano de negócios descreve a ideia de um novo empreendimento e projeta aspectos mercadológicos, operacionais, e financeiros dos negócios propostos para os três a cinco primeiros anos. Seu preparo permite a análise da proposta e ajuda o futuro empreendedor a evitar uma trajetória decadente que leva do entusiasmo a desilusão e ao fracasso (LONGENECKER; MOORE; PETTY, 2004, p. 161). Com base nessa demanda, considere os canais mais tradicionais utilizados por fabricantes brasileiros, que é a exportação para distribuidores. O papel do distribuidor é começar a construir a base do negócio de internacionalização da marca da empresa, mas a um preço alto. O emissor paga por ele o conhecimento de mercado e sua compreensão dos canais de distribuição, em torno de 30% do valor dos bens. Tal salario reduz a competitividade do produtor com relação ao mercado em que está atendendo. O fato é que quando uma empresa fabricante vende seus produtos para distribuidores, o preço que se aplica ao produto é preço final de mercado, todas as taxas e impostos relacionados são considerados no processo aduaneiro. Portanto nossas diretrizes são para os fabricantes estabelecerem para melhores propósitos suas subsidiarias em outros países desenvolvendo assim suas relações comerciais. Dessa forma, ela gerenciará seu relacionamento com o cliente final, garantindo maior competitividade ao começar a eliminar intermediários na cadeia de produtos fornecidos. Em vista disso, a composição da empresa subsidiária do fabricante garantirá um grande aumento de competitividade, porque, além de trazer benefícios obtidos 26 anteriormente pelo intermediário, também realizará operações “Inter companhia” (sede/subsidiária) empresas multinacionais sediadas em países desenvolvidos. Essas operações permitem o uso dos chamados preços de transferências, evitando a figura do dumping e obstáculos que surgem porque geralmente permite a venda de mercadorias somada a um pequeno aumento no preço de custo. As empresas internacionalizadas por consequência diversificam mercados, com a experiência obtida aperfeiçoam estratégias mercadológicas e modelosde produção. Além dessas vantagens as empresas desenvolvem novas culturas, adquirem novos planos de marketing e o mais importante que é o Knowhow internacional (LOPEZ; GAMA, 2005). Sob esse modelo, a subsidiária obterá o produto no país importador e realizará os procedimentos aduaneiro e procedendo com o pagamento do valor de importação e outros impostos calculados gerando assim, uma grande economia. Acrescentando assim uma economia de custos das operações entre empresas, custos intermediários e obtendo um preço competitivo no produto comercializado. Observe que essas ações não devem ser executadas em um especifico país, com vistas de atender a necessidade do mesmo, mas, pelo contrário, pretendemos fortalecer os resultados dessas ações empresariais, estabelecendo essas subsidiárias em países estratégicos pela sua localização geográfica e condições de gestão de negócios em todos os países vizinhos. Essas subsidiárias atuarão como centros de negócios regionais, projetado para promover os negócios da empresa em certas regiões globais. Com base nessa visão, acreditamos que podemos expandir o impacto de tais ações da empresa estabelecendo-se em centros no seguinte formato: Identificando países e condições para implementação de centro de negócios regionais (escritório e operações) e promovendo e mantendo negócios internacionais em certas áreas geográficas. Para estabelecer as subsidiárias, deverá ser identificada determinadas infraestruturas, como localização estratégica, ambiente financeiro sistema tributário, estrutura física e logística favoráveis para as atividades de comercio internacional. 27 4.8 Contratos comerciais Antes de lidarmos efetivamente com contratos comerciais internacionais, definiremos que contrato é uma manifestação clara de “duas ou mais partes interessadas em seus, direitos, interesses e obrigações comuns, após a declaração de aceitação correspondente, através de sua assinatura, faz lei entre as partes”. Quando usamos normas em nossos procedimentos, processos ou contratos destinados a estabelecer padrões e princípios pré-estabelecidos, afirmamos claramente que pretendemos adotar tal norma e está passa a ter força de lei sobre os que a adotam. Em contratos de negócios internacionais são usados uma série de normas para padronização do sistema organizacional comprometidas em promover e desenvolver as organizações internacionais e a integração do comércio internacional. Conforme Chiavenato (2007, p. 135), Todo novo empreendimento deve ser visualizado do ponto de vista de um plano de negócio completo e que contenha todos os elementos importantes para caracterizá-lo adequadamente. O plano deve trazer a descrição do setor, a natureza jurídica do negócio, a estrutura organizacional da empresa, os relatórios financeiros simulados, um plano estratégico e um plano operacional. Definimos assim o contrato de comércio internacional com uma manifestação clara de duas ou mais partes interessadas com localização em países diferentes com interesse em seus, direitos, interesses e obrigações comuns, estabelecidos de acordo com os padrões reconhecidos internacionalmente, sua declaração de aceitação e manifestada através de sua assinatura, fazendo assim a lei entre as partes. 4.9 A norma Como discutimos nos capítulos anteriores, a negociação geralmente usa critérios objetivos aceitos e reconhecidos, o mesmo valendo para a norma de comercio internacional que é constituída de forma uniforme, sistemática e de hábitos adotados pelos operadores do comercio internacional. Condição de pagamento, prazo de entrega, qualidade, responsabilidade e resolução de conflitos são algumas práticas padronizadas através das normas. Esse padrão de normas e geralmente chamado de “ a lei do comercio”. 28 Para que esta seja formada, contamos com a contribuição de várias organizações internacionais que são as fontes das normas internacionais de comercio. Sendo assim, negociação é um processo de troca onde às partes, que com autonomia e decisão buscam um acordo satisfatório, mesmo que num primeiro momento tenham interesses desalinhados. (LEITE, 2006). Exemplos de organizações internacionais: GATT/WTO- World trade organization: responsável por regular as relações entre as nações, sendo utilizada como foro de negociações e fiscalizadora das práticas comerciais. ICC – International Chamber of Commerce: as execuções das atividades comerciais internacionais, soluções de conflitos internacionais seguem as normas unificadas pela ICC. UNCTAD – united nations conference on trade and development: visa o desenvolvimento dos países na questão de integração comercial, propondo estudos e propostas. UNCITRAL – United Nations Conference on International Trade Law: os princípios de direito comercial internacional que regulam as atividades de comercio, são oferecidas pela UNCITRAL. WCO – World Customs Organization: padrões e procedimentos alfandegários são estabelecidos pela WCO. IMO – International Maritime Organization: reguladora do transporte marítimo envolvendo mercadorias e pessoas. IATA – International Air Transport Association: reguladora do transporte aéreo envolvendo mercadorias e pessoas. A convenção das nações unidas sobre os contratos de venda internacional de mercadorias e a principal norma utilizada pelos operadores do comércio internacional (também conhecida como convenção de Viena de 1980) seguindo os princípios dos organismos internacionais acima falados, a mesma e flexível e adequada ao padrão global da atualidade. Compreendemos que a única ferramenta de valor que garante a satisfação de nossos interesses e nos impõe situações para honrarmos nossos deveres para com as partes envolvidas é o contrato. 29 5 MÉTODOS PARA SOLUÇÃO DE CONFLITOS Figura 5: aperto de mão dos homens de negócios no escritório Fonte: comércio internacional- pixabay Todo o contrato teve um bom começo. Os contratantes cumprem suas obrigações e veem seus direitos com satisfação no presente contrato assinado, até o momento em que uma das partes não pode cumprir as promessas assinadas, sendo por uma ação consciente ou através de algumas razões que estão fora do controle. Quando isso acontece, a parte lesada solicitará de imediato a satisfação dos direitos especificados no contrato, no entanto, a parte infratora nem sempre pode fazer isso devida a várias razões. Foi nesse momento que o conflito foi estabelecido chamamos a esse de processo de conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. Sendo assim Souza (2015, p. 146) [...] a intervenção do mediador nas relações empresariais é fundamental. Ao aportar o questionamento da inter-relação existente entre os empresários, sejam decorrentes de crédito/débito, transações comerciais, financeiras ou imobiliárias, empreitadas, relações de franquia [...] operações com seguros, questões societárias, fornecedor/cliente, prestador de serviço/ usuário, quer contratuais, quer informais sem a existência de um contrato que a regule, o mediador o faz oferecendo elementos de reflexão baseados em fatos daquela relação no passado e no presente, com vistas a construir um futuro seja com a continuidade daquela relação, seja com o fim. Para solucionar determinado conflito utilizamos os seguintes métodos: 30 a) Amigável É indispensável a boa vontade das partes para a resolução do conflito, principalmente da parte causadora, dispensando o envolvimento de pessoas alheias ao processo ou utilizando mediador imparcial da associação comercial. Possui também outra situação que pode ser utilizada no conflito, que seria a contratação do serviço de mediação da câmara de comercio internacional chamado de ADR (regulamento de resolução amigável de conflitos- Amicable Dispute Resolution, para que possa ser usada esta situação é necessário que no contratoser especificado em cláusula. Através do mediador e a boa vontade das partes, a chance de resolução do conflito se torna potencializado no alcance de uma solução desejada. A resolução dos conflitos por meio da negociação, mediação, arbitragem e outros métodos do mesmo jaez é defendida como uma boa alternativa, por ser capaz de alijar os tribunais da excessiva carga que lhes é imposta, tornando-se uma estratégia governamental fundamental para garantir que as disputas sejam resolvidas de modo mais justo, rápido e eficiente, sem a necessidade de submissão às etapas de um processo judicial (ALMEIDA; PANTOJA; PELAJO, 2015, p. 1). b) Judicial Lembre-se, que estamos lidando com contratos internacionais, ambas as partes estão localizadas em diferentes países e estão sujeitas a sistemas jurídicos diferentes e um não se sujeita ao outro sistema. Para facilitar vamos considerar para resolução de conflitos, o processo brasileiro de determinação de forma de solução de conflito onde se verificou a existência de elementos das relações internacionais (contrato internacional é um deles). Segundo o artigo 9º da lei de introdução ao código civil brasileiro, as obrigações estão ligadas as regras do país onde foram geradas (não havendo contrato quanto a sujeição ao uma norma internacional), ou seja, não havendo norma especifica citada no contrato internacional, este se sujeita ao pais onde foi assinado. Consideremos que a parte ofensora está no Brasil a sentença fica sujeita a seguinte norma legal da lei de introdução ao código civil em seu artigo 15 será executada no Brasil determinada sentença proferida no estrangeiro, reunindo os seguintes requisitos: foi proferida por juiz competente, as partes foram citadas, ter 31 passado em julgado e estando revestida das formalidades para a execução no local em que foi proferida, traduzida por intérprete autorizado, e tenha sido homologada pelo STF( supremo tribunal federal). Acrescentando a sentença deverá passar por mais uma verificação: Artigo 17. Quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes, as leis atos e sentenças de outro país assim como declarações de vontade não possuirão eficácia no Brasil. c) Arbitragem Em vista do exposto, quase um século atrás surgiu uma forma de resolução de conflitos para superar obstáculos melhorando a integração dos sistemas jurídicos internacionais visando basear seu método na forma de processos judiciais, além disso a imparcialidade dos mediadores envolvidos e eficácia na execução das sentenças proferidas e executadas em seus próprios países surgiu o instituto da arbitragem internacional. De acordo com Pucci (1997, p. 248): As diferentes legislações, as diversas formas de interpretação da lei, a diversidade de formação dos profissionais faz com que a arbitragem se torne um caminho interessante, visto que, como um meio idôneo para solucionar conflitos, seria utilizado na hora da elaboração de contratos em que estejam envolvidas pessoas de diferentes nacionalidades e domicílios, ou em que a execução do contrato envolva diversas legislações e foros. 5.1 Arbitragem internacional- método eficaz A arbitragem é o método mais eficaz para solucionar conflitos e também o mais utilizado no mundo. Abaixo alguns pontos que comprovam a eficácia: Decisões definitivas que se tornam títulos executivos. Através do processo de arbitragem, dentro de alguns meses uma decisão final e irrecorrível que faz título executivo será alcançada garantindo a satisfação do direito do prejudicado pouco tempo depois. Se a parte vencida não estiver disposta a cumprir a decisão emitida pelo tribunal arbitral, através do laudo arbitral poderá ser executado no país do devedor sem qualquer questionamento sobre os direitos que a constituiu. Segundo carmona (1998, pg.7): “ a arbitragem é uma técnica para a solução de controvérsias através da intervenção de uma ou mais pessoas que recebem seus 32 poderes de uma convecção privada, decidindo com base nesta convenção sem intervenção do estado, sendo a decisão destinada a assumir eficácia de sentença judicial. ” Elementos que tornam o processo arbitral eficaz: a) Reconhecimento internacional quanto ao processo arbitral: os sistemas jurídicos do mundo reconhecem o processo arbitral. b) Neutralidade: pode ser promovida a arbitragem em qualquer país, estando em igualdade as partes através dos aspectos do, local de arbitragem, idioma utilizado e regras legais aplicáveis. c) Árbitros especializados na matéria: são designados árbitros especializados no tema. d) Velocidade e economia: mais rápido e econômico para as partes envolvidas. e) Confidencialidade: há uma confidencialidade no procedimento arbitral. f) Cláusula padrão: nos contratos internacionais devem conter a seguinte cláusula informando que todos os litígios do presente contrato deverão ser resolvidos segundo o regulamento de arbitragem da câmara de comercio internacional, sem a mesma as partes não poderão resolver os litígios no tribunal arbitral. 5.2 Contratos comerciais internacionais mais utilizados a) Compra e venda internacional Os contratos internacionais de compra e venda são os mais amplamente utilizados em relação aos contratos no âmbito de negócios internacionais, estando presente no cotidiano das empresas exportadoras, embora muitas não percebam isso. O contrato internacional de compra e venda visa determinar direitos e obrigações mútuos entre importadores e exportadores. Neste particular Strenger ressalta: Na verdade, o contrato internacional é consequência do intercâmbio entre Estado e pessoas, no sentido amplo, cujas características são diversificadas dos mecanismos conhecidos e, usualmente, utilizados pelos comerciantes circunscritos a um único território e pelos transterritoriais. (1998, p. 31). 33 Como mencionado anteriormente, muitas empresas usam esse contrato, mas as mesmas não percebem ou não se dão conta disso por meio da apresentação de suas faturas proformas, que nada mais é que o instrumento que definem direitos e obrigações mútuos com relação aos importadores e exportadores. Os contratos internacionais de compra e venda são estabelecidos pelos seguintes elementos: Objetivo: mercadoria que foi comercializada. Preço: valor pago pelo importador ao exportador. Condições: obrigações e direitos mútuos. A fatura proforma deve apresentar os seguintes critérios com relação ao modelo prático: número de ordem, número de pedido, nome do importador, nome do exportador, descrição do produto, quantidade do produto, preço unitário e total, condição de pagamento, prazo de entrega/embarque, reponsabilidade quanto ao transporte (incoterms), modalidade de transporte, local de embarque, local de desembarque, documentos para despacho aduaneiro no destino, norma internacional que regerá o negócio e arbitragem para solução de eventuais conflitos. Como vimos trata-se de documento rotineiro usado em importação e exportação, caracterizando a celebração de um contrato. b) Distribuição de mercadorias Possuindo a mesma finalidade dos contratos de compra e venda, o contrato de distribuição de mercadorias é muito usado por empresas com médio e alto grau de internacionalização, contudo não se aplica os direitos e obrigações mutuas entre o fabricante e o distribuidor (de países diferentes) decidido em firma parcerias em determinados países. Uma característica desse contrato é a concessão de exclusividade mútua entre distribuidor e fabricante. Segundo Novaes (2007), os valores de lugar, de tempo, de qualidade e de informação são importantes ferramentas estratégicas no entendimento dos valores agregados pela logística. O fabricante fica comprometido em não constituir outro distribuidor em determinado território e o distribuidor fica comprometido a não comercializar produtos semelhantesoriundos de outros fornecedores, ficando assim o fabricante com acesso 34 especializado não região em questão, bem como a manutenção de e fidelização de clientes. Sem a atuação do distribuidor seria demandado pelo fabricante uma série de despesas no país em que se vende, contudo, o conhecimento oferecido pelo distribuidor não é gratuito, sendo que o estabelecimento do contrato, com certeza garante ao distribuidor um valor que atingirá 70% do preço de mercado da mercadoria, sendo vantajoso para o fabricante que conquista e matem a manutenção de novos mercados. As cláusulas para a confecção de um contrato de distribuição são as seguintes: nome do fabricante, endereço, representante legal, nome do distribuidor, endereço, representante legal, declaração expressa sobre o objetivo do contrato, especificando a região geográfica sobre a qual o mesmo é estabelecido, descrição da mercadoria a ser distribuída, garantia de exclusividade mútua (plena ou limitada), condições das operações de compra e venda, autorização expressa ao distribuidor para a utilização da marca do fabricante (licença para o uso da marca, vedado seu registro na região por parte do distribuidor), limites de crédito, metas comerciais (anuais), a norma internacional que regerá o negócio, arbitragem para solução de eventuais conflitos. c) Representação comercial Geralmente, o tipo de contrato a ser usado para conquistar um mercado especifico estará diretamente relacionado ao tipo de mercadoria a ser vendida e a estratégia do fabricante em relação a conquista desse mercado. Alguns produtos irão ser vendidos apenas para alguns consumidores em certos países, sendo conveniente fazê-lo através do distribuidor em vista do consumo e quantidade de consumidores; haverá outras situações onde o estabelecimento preferirá evitar a parceria com o distribuidor (devido a margem de lucro do produto por exemplo) preferindo o fabricante ingressar no mercado por meio de um representante comercial, este em questão promoverá a venda de forma direta ao consumidor em troca de comissões nas vendas. Conforme Secretara da Receita Federal (2006, p 1) pode-se afirmar que: O importador, exportador ou fabricante de certo produto, deve, em princípio, determinar ele próprio, ou através de um profissional por ele contratado, a respectiva classificação fiscal, o que requer que esteja familiarizado com o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias e as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, através de 35 pesquisa efetuada na TEC ou TIPI, nas Notas Explicativas de Sistema Harmonizado e em ementas de Pareceres e Soluções de Consulta publicada no D.O.U. As cláusulas de um contrato de representação são as seguintes: nome do fabricante, nome do representante, descrição do produto a ser promovido, comissão de vendas, condições para o pagamento das comissões, política de vendas do fabricante, responsabilidades do representante, vigência do contrato, condições para a rescisão, a norma internacional que regerá o negócio, e a arbitragem para soluções de eventuais conflitos. As ações no comercio internacional só terão eficácia se o objetivo da atividade estiver em alinhamento com o objetivo maior da gestão, que são a geração de negócios internacionais, garantias de cumprimento dos termos assinados, promovendo a manutenção e progresso continuo deste. 5.3 Operações financeiras internacionais Busca-se neutralizar os riscos financeiros que decorrem dos negócios internacionais, assegurando o recebimento do pagamento pelo negócio realizado, para isso, o gestor deverá conhecer os quatro procedimentos que neutralizam os riscos e que assegura um processo de negociação onde as partes são beneficiadas. "Vivemos numa economia global que se caracteriza não apenas pelo livre comércio de bens e serviços, mas, principalmente, pelo livre movimento de capitais. As taxas de juros, as taxas de câmbio e os preços das ações em vários países estão intimamente inter-relacionados e os mercados financeiros globais exercem uma tremenda influência sobre as condições econômicas. Em face do papel decisivo que o capital financeiro internacional desempenha no destino dos países individuais, não me parece inadequado falar de um sistema capitalista global" (SOROS, 1998, p.149) Veja abaixo os procedimentos e os meios de eliminar os riscos que impostos ao exportador: 5.4 Pagamento antecipado (cash in advance) Esse é o procedimento que melhor beneficia e protege o vendedor, porque o comprador conclui o pagamento antecipado pelo negócio concluído. 36 O único risco nesse processo para o vendedor que recebeu seu pagamento é em não cumprir com sua parte no negócio, atrasando assim o embarque dos produtos ou fazendo a entrega diferente da combinada. Fazendo assim que o comprador tome a postura de finalizar as relações comerciais e até uma possível medida para a reparação dos danos, buscando os meios de solução de conflitos relativos ao contrato. 5.5 Cobrança internacional (documentary collection) Após o embarque das mercadorias para o exterior é realizada a cobrança internacional, concretizado esse procedimento, o vendedor anexará a fatura comercial, lista de embalagens, o conhecimento de transporte, certificado de origem e fará a emissão de uma letra de cambio, sendo entregue ao banco com o qual opera o câmbio junto com um documento que detalhará as instruções sobre a forma de cobrança a ser conduzida. Os termos da cobrança variam porem o básico deve constar, nome e endereço do devedor, endereço do banco devedor, valor e prazo para o pagamento, orientação para a entrega dos originais mediante pagamento do valor devido ou o compromisso de pagamento no vencimento e instrução de protesto em caso de não pagamento (esse válido apenas para os países que aceitam o procedimento.). Entenda que os documentos originais são apenas essências para que a mercadoria possa ser retirada da alfândega em casos de transporte marítimo. Caso utilize outra forma de transporte procure consignar o conhecimento de transporte ao banco responsável pela cobrança, com esta situação o comprador ficará obrigado a ter endosso do banco no documento, sendo somente dado ao comprador apenas com o pagamento da cobrança ou assunção do compromisso de fazê-lo sob pena de protesto (só vale para países onde a existência do protesto.). 5.6 Confiança (open account) Esse procedimento se dará da seguinte forma: A mercadoria e embarcada pelo vendedor e o os documentos originais para o comprador através do serviço courier, emitindo uma nota de debito contra o comprador e esperando o pagamento desta. 37 Esta modalidade se observada com relação a primeira, beneficia de forma integral o comprador, igualmente também se houver a falha por parte do comprador com a honra de seus compromissos o mesmo sofrerá as medidas cabíveis de ressarcimento pelos meios de solução de conflitos escolhidos no contrato original. 5.7 Carta de crédito (documentar credit) A carta de credito nada mais é que um documento emitido pelo banco comprador e garantido por este, sendo transmitido a um banco no país do vendedor contendo os termos e condições do negócio assumidos por ambas as partes. O vendedor cumprirá os termos nele contidos e coletará todos os documentos exigidos os pelo documento enviando todos esses documentos ao banco que recebeu a carta de crédito, sendo estes verificados e havendo o cumprimento dos termos acordados, liberará o pagamento da transação. A carta de crédito é o procedimento mais comum, se o vendedor (beneficiário) não cumprir totalmente os termos da carta de crédito, toda as garantias que concedeu caíram por terra, tornando um procedimento que chamamos de “open accountt”. Portanto ao aceitar o uso de uma carta de credito nos negócios certifique-se você e sua equipe tenhamcapacidade técnica para interpretar e seguir os termos referentes a carta de crédito. Como vimos o gestor deverá conhecer essas quatro modalidades que existem no pagamento internacional, evitando toda e qualquer hipótese referentes ao não cumprimento das obrigações. 6 LOGÍSTICA INTERNACIONAL (MOVIMENTAÇÃO INTERNACIONAL DE CARGAS) Como observamos no decorrer do material as operações logísticas tem como principal objetivo a movimentação internacional de produtos visando a melhor relação custo x benefícios. Para Rosa (2007 p. 18) a definição de logística pode ser apresentada como: A parte integrante do processo da cadeia de suprimento que planeja, programa e controla o eficiente e efetivo fluxo produtivo, estoca os bens, 38 dimensiona serviços e informações relacionadas e finalmente transporta mediante tarifações (fretes) do ponto de origem ao ponto de consumo, visando sempre atender aos requisitos dos consumidores se revela um recurso da maior importância às empresas, atribuindo-lhes diferenciais de qualidade e maior contribuição para os seus lucros. O termo “logística” possui um significado muito amplo, considerando variáveis direcionadas a movimentação e estocagem de matérias, nosso foco neste momento será a movimentação internacional de mercadorias, considerando os elementos de carga e custo do transporte como pontos que irão direcionar para uma melhor analise e decisão sobre custo x benefício. 7 A CARGA A carga é o elemento a ser movimentado, observaremos assim a forma como a mesma se apresenta. Tipo de carga, valor, apresentação, modal aplicável e volumes mínimos são elementos essenciais para a tomada. Tipo Valor Apresentação Unidade Modal Volume mínimo Geral Variável Unitizada Container Todos 1TB, 1 Cx, 1 Sc, 1 Pallet Granel Baixo Líquida/sólida Bulk/ tanque Mar Terra 1 navio 1 carreta 1 vagão Através da tabela acima vemos uma relação direta entre carga a ser movimentada e o modal que será utilizado. Logo abaixo veremos outras situações. 7.1 Modais a serem considerados Pode-se considerar que existem alguns modais importantes dentro da logística internacional, e em cada modal existe vantagens e desvantagens para o percurso a ser percorrido. Todavia é necessário analisar a viabilidade de cada modal dependendo da urgência da entrega da carga, pois existem modais mais caros, neste caso o aéreo, e modais mais baratos, como o ferroviário, logo feita a análise do modal mais viável a decisão deve ser tomada (ROCHA, 2001). 39 Logo abaixo a tabela nos apresenta os modais existentes, características e uso: Modal Custo Tempo Risco Condição Ferroviário Baixo ($ 100/ton.) Médio Baixo Rede ferroviária entre origem e destino Rodoviário Médio ($ 200/ton.) Médio Alto Rede viária Marítimo Baixo ($ 100/ton.) Médio/alto Baixo Infraestrutura portuária Aéreo Baixo ($ 1000/ton.) Baixo Baixo Aeroporto Multimodal Variável Variável Variável Adaptado a qualquer condição Custos da cadeia logística Após analisada as variáveis envolvendo cargas e modais, falta-nos acrescentar a próxima e última variável que influência na tomada de decisões, quais sejam os custos envolvidos na cadeia logística. O Instituto dos contadores Gerenciais (IMA) (1992 apud FARIA; COSTA, 2007 p.69) afirmou em um documento sobre gerenciamento que: Os custos logísticos são os custos de planejar, implementar e controlar todo o inventário de entrada (inbound), em processo e de saída (outbound), desde o ponto de origem até o ponto de consumo. a) Custos diretos: embalagem, mão de obra e equipamentos para movimentação, armazenagem, frete, seguro. b) Custos indiretos: administração do processo de transportes envolvendo exportador e importador, relação entre o tempo de transporte e o capital investido pelo exportador em se tratando de pagamento contra documentos ou a prazo, relação entre o tempo de transporte e o capital investido pelo importador em se tratando de pagamento antecipado. Tomada de decisão pelo modal mais adequado. Após analisadas a variáveis que formam o processo de transporte internacional, iremos proceder com relação ao melhor modal aplicável a nossa necessidade: 40 Devemos observar os elementos que compõe a decisão: a) Características da carga transportada: geral, granel. b) Objetivo do transporte: custo, tempo, custo + tempo. c) Existência das condições para utilização do modal: vide item 6.1. d) Custos da cadeia logística: diretos e indiretos. A melhor decisão a ser tomada deverá observar critérios como a melhor relação custo x benefício para o comprador e também para o vendedor, pois os benefícios da decisão escolhida refletem diretamente nos custos incorridos sempre que atenderem as necessidades do comprador e as condições do contrato. As ações envolvendo o comercio internacional somente terão eficácia se atendidas o objetivo da gestão, garantido assim o cumprimento dos contratos assinados, promovendo assim manutenção e progresso continuo para futuras negociações. 7.2 Procedimentos aduaneiros Controlam a entrada e saída de mercadorias para o exterior e dele proveniente, realizando em harmonia com a política de comercio exterior os procedimentos aplicáveis pelo governo. Esta política visa proteger as indústrias nacionais (protecionismo), evitando a entrada sem controle de mercadorias importadas, o que coloca em risco a economia do país, sendo aplicada na aduana ou alfândega local. Segundo Wemeck (2005): Encontra-se o contingenciamento, a proibição, a restrição e o incentivo a. importação ou exportação de certos produtos, os regimes aduaneiros especiais, os procedimentos administrativos internos. 7.3 Protecionismo Visa proteger a indústria local através de atos unilaterais que introduzidos por meio de barreiras tarifarias, sanitárias, quantitativas impostas contra a importação, tendo como aumentar a produção nacional, fortalecer o mercado interno, melhorar a capacidade aquisitiva, proteger os empregos nacionais, aumentar o rendimento e evitando assim o desequilíbrio na balança comercial. 41 O protecionismo de aplicado de forma incorreta causa perda de competitividade das indústrias nacionais em relação a economia global deixando as empresas locais com um cenário desfavorável em relação as concorrentes internacionais. 8 SISTEMAS DE ADUANAS INTERNACIONAIS 8.1 GATT/OMC O GATT nada mais e que o acordo criado que visa regular de forma provisória as relações internacionais de comércio, funcionando por mais de quatro décadas. Para sair do impasse foi negociado um Acordo Provisório, em 1947, entre 23 países, ou partes contratantes, que adotava apenas um segmento da Carta de Havana, aquela relativa às negociações de tarifas e regras sobre o comércio. [...] este segmento era denominado Política Comercial e passou a ser chamado General Agreement on Tariffs na Trade (Acordo sobre Tarifas e Comércio) ou GATT (THORSTENSEN, 2001, p. 30). Este regulamento introduziu os seguintes princípios: 1. Não discriminação, igualdade entre os países. 2. Proteção transparente por meio de tarifa. 3. Estabilidade no comércio, promovendo uma concorrência leal, proibindo as restrições quantitativas a importação. 4. Adoção de medidas que visam reverter possíveis desequilíbrios momentâneos no comércio. 8.2 OMC (organização mundial do comércio) A organização mundial do comércio em primeiro de janeiro de 1995 iniciou seu funcionamento, levando o GATT a ser um organismo internacional com objetivos que visam, elevar os níveis de vida, melhorar a geração de empregos, expandir o comércio de bens e serviços, proteção do meio ambiente, otimização dos recursos naturais sustentáveis e assegurar uma maior participação dos países em desenvolvimentono âmbito do comércio internacional. 42 Temendo a repetição da guerra comercial dos anos 30 (que contribuíram para deflagrar) e conscientes que de que negociações bilaterais por si só não seriam suficientes para garantir a cooperação em nível mundial nem os mercados para seus produtos manufaturados assumirão então a liderança da liberalização multilateral do comercio (RÊGO, 1996, p.4) As funções da OMC vão desde administrar e aplicar acordos comerciais multilaterais e plurilaterais configurando assim o novo sistema de comércio, foro de negociações multilaterais, coordenar o entendimento em relação às normas e procedimentos reguladores das soluções de controvérsias, supervisionar as políticas comerciais nacionais e cooperação junto as instituições que fomentam as políticas econômicas em nível global (FMI, BIRD e organismos conexos.). Vale dizer que o GATT/OMC criou um sistema de códigos que permitem a implementação dos seus princípios sua consequente fiscalização. Surgi assim o sistema harmonizado que gerou o sistema que serve como base para as estruturas das alfândegas do mundo. "Há evidências empíricas abundantes de intervenções estratégicas bem sucedidas promovidas pelos respectivos Estado nactonats para alcançar elevado crescimento e rápidas transformações estruturais." (PRESSER, 1996: pg. 243) 2 Esse sistema permite a identificação e a classificação das mercadorias comercializadas, e a coerência na aplicação dos princípios envolvendo o protecionismo, objetivando que os países possam traçar políticas de comércio exterior que sejam cumpridas por suas aduanas. 8.3 Procedimentos aduaneiros de exportação no Brasil a) Escopo As mercadorias nacionais ou nacionalizadas com destino ao exterior ficam sujeitas a despacho de exportação. b) Registro de exportação Este é processado através do SISCOMEX (sistema integrado de comércio exterior.). c) Presença de carga Somente é aceito os documentos após a confirmação através do sistema, da presença de carga. 43 d) Declaração para despacho de exportação Possui como base formulada a declaração do exportador ou mandatário, assim entendido o despachante aduaneiro. e) DDE (Documentos) Os documentos que instruem o despacho de exportação são os seguintes: primeira via da nota fiscal, via original do conhecimento e do manifesto internacional de cargas, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre e outros indicados em legislação especifica. f) Apresentação do despacho de exportação à fiscalização Este documento deverá ser entregue a unidade da secretaria da receita federal (SRF) de despacho em um prazo máximo de quinze dias que será contado a partir da data início do despacho de exportação. g) Parametrização É atribuído a DDE pela SISCOMEX a verificação da fiscalização através de um dos seguintes canais: Verde (desembaraço imediato) Laranja (conferência de documentos) Vermelho (conferencia de mercadorias e documentos) h) Verificação da mercadoria Consiste na identificação e quantificação (devem constar no despacho) que averiguada pelo analista fiscal do tesouro nacional sobre a presença do exportador. i) Desembaraço aduaneiro de exportação Consequente autorização para o embarque, transito ou transposição das fronteiras. j) Embarque/ transposição de fronteira Somente vigilância aduaneira é que ocorrerá o embarque ou a transposição das fronteiras. Para Vazquez (1998): O conhecimento de embarque é também o recibo da mercadoria entregue para transporte, podendo, ainda, constituir prova do embarque da mercadoria, e confere ao consignatário o direito à posse da mercadoria após o transporte. 44 k) averbação É a confirmação por parte da fiscalização aduaneira do embarque ou transposição de fronteira. l) Comprovante de exportação É fornecido ao exportador após concluída as operações um documento emitido pelo fisco como forma de comprovação. 8.4 Procedimentos aduaneiros de importação no Brasil Segundo Vazquez (2009, p. 141-142), Para uniformizar o tratamento de informações do comércio exterior: Com a nova política econômica e a abertura do comércio internacional, o Governo Federal determinou o desenvolvimento de um sistema de informações que integrasse as atividades dos principais órgãos públicos envolvidos com o Comércio Exterior: DECEX, BACEN e SRF, de modo a uniformizar o tratamento dado ao fluxo de informações de importação e de exportação. Para Vazquez (1998, p.83) O despacho aduaneiro de importação é o procedimento fiscal mediante o qual é verificada e exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e a legislação vigente, com vistas a seu desembaraço aduaneiro, e será processado por meio do SISCOMEX. a) Escopo Mercadorias que chegam ao Brasil sujeitas ao despacho aduaneiro de importação, processado com base em declaração do SISCOMEX, com exceções que estejam previstas em instrução normativa ou norma especifica. b) Presença de carga Deverá ser informado de imediato à secretaria da receita federal (SRF) pelo depositário de mercadoria sob controle aduaneiro na no momento da importação, sobre a presença de carga recolhida sob sua custódia em recinto alfandegário, de zona primaria ou secundaria mediante numeração do indicador correspondente. c) Declaração de importação A DI (declaração de importação) consiste na prestação de informação de acordo com tipo de declaração e modalidade de despacho, sendo esta formulada pelo importador no SISCOMEX. 45 d) Pagamento de taxas/tributos Será feito o pagamento de tributos federais, valores exigidos em decorrência do antidumping e compensatórios no momento em que acontece o registro da DI de forma debitada em conta corrente bancária, sendo a agência com habilitação para arrecadação pela receita federal. e) Documentos que cientificam o despacho de importação Os documentos que instruem o despacho de importação são os seguintes: via original da fatura comercial e do conhecimento de carga oi documentos equivalentes, e outros exigidos devido a legislação especifica e acordos internacionais. A Licença de Importação é um documento eletrônico processado pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior, utilizado para licenciar as importações de produtos cuja natureza ou tipo de operação está sujeita a controles de órgãos governamentais. (VIEIRA, 2007, p. 33) Ainda segundo, 2002: [...] fatura preliminar emitida com a maior exatidão possível, para fins de comprovação antecipada e confirmação dos termos e condições de uma operação comercial em andamento, especialmente destinada a cumprir formalidades requeridas pelas autoridades em caso de licenças, guias ou autorização de importação (LUNA, 2002, p. 159). f) Apresentação do despacho à fiscalização São entregues na SRF pelo importador os documentos e o extrato da DI em envelope onde irá conter a indicação do número atribuído à declaração no caso de seleção para conferencia aduaneira de mercadoria importada, informada através do SISCOMEX. Conforme descrito pela Receita Federal: Os regimes aduaneiros especiais, em suas mais variadas espécies, apresentam como característica comum a exceção à regra geral de aplicação de impostos exigidos na importação de bens estrangeiros ou na exportação de bens nacionais (regimes comuns de importação e de exportação), além da possibilidade de tratamento diferenciado nos controles aduaneiros. g) Parametrização Depois de registrada a DI, está é submetida a uma análise fiscal sendo direcionada para um dos seguintes canais aduaneiros: Verde: dispensa a verificação da mercadoria e o exame documental após ser registrado o desembaraço automático da mesma. 46 Amarelo: constatando-se que não há irregularidade no exame documental é dispensa a verificação, efetuando assim o desembaraçoaduaneiro. Vermelho: somente acontece o desembaraço aduaneiro depois de ser feitos os exames documental e de verificação de mercadoria. Cinza: há verificação se não existem elementos que indicam fraude inclusive em preço declarado da mercadoria, está verificação ocorre através do exame documental, verificação de mercadoria e aplicação de procedimentos aduaneiros. h) Canais A/V/C de conferência de documentos O procedimento fiscal para a conferência das declarações selecionadas verifica-se os seguintes itens: integridade dos documentos, uma exata correspondência entre os documentos que instruem a DI (inclusive a origem e ao valor aduaneiro da mercadoria.), o cumprimento dos requisitos legais em relação aos regimes aduaneiros e de tributação, o mérito de benefício fiscal pleiteado e a descrição correta dos elementos da mercadoria na declaração para que esta seja classificada corretamente. i) Canais v/c de conferência da mercadoria É realizado mediante agendamento a verificação da mercadoria, sendo que a verificação física busca identificara quantidade de mercadoria que foi submetida a despacho aduaneiro, confirmando assim a origem e a classificação fiscal. Para que seja feito esta verificação, o importador deverá prestar as informações e a assistência necessária para que seja identificada a mercadoria e se necessário a fiscalização poderá solicitar um assistente de técnico credenciado para que este proceda na identificação da mercadoria. A verificação da mercadoria irá ser realizada de forma exclusiva por AFRF (auditor fiscal da receita federal) ou por TRF (técnico da receita federal) sob sua supervisão, sendo que a verificação ocorrerá na presença do importador ou seu representante legal. j) Desembaraço Ocorre o desembaraço da mercadoria após ser concluída a conferência aduaneira. K) comprovante de importação 47 Este comprovante é emitido mediante transação do SISCOMEX pelo importador da mercadoria, sendo que este não substitui o documento fiscal que é exigido na legislação (nota fiscal de entrada.). 8.5 Documentação básica do comercio internacional Observamos nos itens acima que os procedimentos de exportação e importação são simples e objetivos, sendo que os documentos analisados no Brasil ou em outro país, visam sempre a integridade, exatidão e expressão do negócio realizado. Apresentaremos logo abaixo os documentos que são de responsabilidade do exportador (fatura comercial e a lista de embalagens.). A Fatura Comercial ou Commercial Invoice é “[...] o documento que representa o faturamento ou cobrança de uma exportação [...]” (KEEDI 2007, p.122). FATURA COMERCIAL (COMMERCIAL INVOICE) Número de ordem do documento Número do pedido do importador Tipo de negocio Nome do importador com endereço Condições de pagamento Nome do exportador com endereço Meio de transporte Termo de responsabilidade pelo transporte (INCOTERMS) Local de embarque e desembarque País de origem da mercadoria Descrição da mercadoria Quantidade de mercadoria Valor unitário e total Valor do frete (se for pago pelo vendedor) Valor do seguro (se pago pelo vendedor) Peso líquido/peso bruto da mercadoria LISTA DE EMBALAGENS (PACKING LIST) Número de ordem do documento Número do pedido do importador 48 Nome do importador com endereço Nome do exportador com endereço Descrição da mercadoria Tipo de embalagem utilizada Quantidade de volumes Peso unitário dos volumes Peso líquido total Peso bruto total A fatura comercial e a lista de embalagens são de extrema importância no andar das verificações aduaneiras, complementando junto a eficácia das ações voltadas para o comércio internacional, cumprimento dos termos e condições acordados, promovendo assim a manutenção e continuidade dos negócios. 9 SERVIÇOS ESSÊNCIAIS Os negócios feitos no comercio internacional exigem a utilização de conhecimento e habilidades alheias em processos específicos, sendo assim se faz necessário a contratação de serviços essenciais como veremos logo abaixo: 9.1 Despachantes aduaneiros Representam a empresa em relação a receita federal garantindo o andamento dos procedimentos aduaneiros e atendendo a possíveis exigências fiscais. Estes são preparados para antever problemas que podem acontecer dentro do processo, fazendo assim a correção destes, o que garante uma maior agilidade no momento de liberar as mercadorias. Vieira (2005) apresenta que o despacho aduaneiro é um conjunto de atos praticados pelo fiscal da Receita Federal que tem por finalidade o desembaraço aduaneiro, onde confere-se a exatidão das informações declaradas tanto pelo importador quanto ao exportador em relação as mercadorias e aos documentos apresentados. O art. 542 do Regulamento Aduaneiro define o despacho aduaneiro de importação: “Art.542. Despacho de importação é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica 49 9.2 Agenciadores de cargas Os agenciadores de cargas são empresas com especialização em transportes de cargas internacionais realizando procedimentos como reservas, planejamentos de logística e cotações. 9.3 Corretoras de câmbio/bancos Os bancos podem ser excelentes parceiros comerciais, pois realizam operações de fechamento de câmbio e remessa de cobranças internacionais, devendo a empresa atentar-se a bancos com profissionais treinados em operações internacionais e que possuam boas taxas para operações e até a isenção de multa delas. 9.4 Seguradoras Ligadas diretamente aos agentes de carga, esta deverá ser contratada quando as condições estabelecidas no contrato de venda possuam uma atribuição a contratação do transporte à sua empresa. Certifique que a seguradora com que a sua empresa busca trabalha possua condições de corresponder às suas necessidades. 9.5 Certificadoras Diversas operações realizadas no mercado internacional necessitam previamente ao embarque de mercadorias os certificados de inspeção assegurando ao comprador as condições da mesma no decorrer do embarque. Ocorrendo a situação em que a mercadoria que foi recebida não seja correspondente com a originais certificadas, assume o prejuízo nesta situação a certificadora. Sendo este serviço muito realizado em comercialização de commodities. 50 9.6 Courier Estas empresas possuem uma logística muitos precisa e são muito utilizadas no envio de documentos e pequenas remessas garantindo que a entrega seja feita em dois ou três dias em outro país. 9.7 Agentes e viagem Responsáveis por escolher o melhor roteiro de viagens, como hotéis de qualidade e orçamento com preços acessíveis. 10 PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS Os procedimentos visam garantir os negócios realizados com importação e exportação de mercadorias, garantindo o pagamento e o recebimento destas. O sistema SISCOMEX propicia redução de prazo de desembaraço de mercadorias, redução de burocracia e por consequência redução de custos e transito físico dos documentos entre os órgãos intervenientes no processo de importação. As implantações do sistema foram harmonizar conceitos, códigos e nomenclaturas, tornando possível um fluxo único de informações, que elimina diversos documentos (VIEIRA, 2013). Logo abaixo veremos as atividades administrativas responsáveis por cada um dos processos e dessa forma traçamos o planejamento operacional da empresa: 10.1 Atividades de exportação Atividades de exportação 1.Operação em negociação 8.Procedimento aduaneiro concluído 2.Negócio fechado 9.Produto liberado para embarque 3.Pagamento garantido 10.Produto embarcado 4.Pedido em produção 11.Pagamento recebido 5.Produto pronto 6.Documentação pronta 51 7.Produtos disponíveis paraos procedimentos aduaneiros. Formulário para acompanhamento dos processos de planejamento operacional. Exportação 10.2 Atividades de importação Atividades de importação 1.Operação em negociação 9.mercadoria sob custódia da aduana 2.Negócio fechado 10. procedimentos aduaneiros iniciados 3.Pagamento garantido 11.Pagamento de tributos realizados Acompanhamento de exportação Processo nº Data início / / Importador Condição de pagamento Valor total da operação Data prometida para embarque Data efetiva do embarque Etapa Situação 1. Operação em negociação 2. Negócio fechado 3. Pagamento garantido 4. Pedido em produção 5. Produto pronto 6. Documentação pronta 7. Produto entregue na aduana 8. Procedimento aduaneiro concluído 9. Produto liberado para embarque 10. Produto embarcado 11. Pagamento recebido Observações especiais 52 4.Recebimento garantido 12.Procedimento aduaneiro concluído 5.Verificação das condições aduaneiras especiais 13.Mercadoria liberada 6.Embarque confirmado 14.Mercadoria recebida no armazém 7.Copias de documentos recebidos 15.Pagamento de mercadoria ao fornecedor 8.Documentos enviados para despachante Formulário para acompanhamento dos processos de planejamento operacional. Importação Acompanhamento de importação Processo nº Data início / / Fornecedor Condição de pagamento Valor total da operação Data prometida para embarque Data efetiva do embarque Despachante Transportador Banco Etapa Situação 1.Operação em negociação 2.Negócio fechado 3.Pagamento garantido 4.Recebimento garantido 5.Verificação das condições aduaneiras especiais 6.Embarque confirmado 7.Copias de documentos recebidos 8.Documentos enviados para despachante 9.mercadoria sob custódia da aduana 10. procedimentos aduaneiros iniciados 11.Pagamento de tributos realizados 12.Procedimento aduaneiro concluído 13.Mercadoria liberada 14.Mercadoria recebida no armazém 15.Pagamento de mercadoria ao fornecedor Observações especiais 53 10.3 Formalização do negócio Já havíamos falado mais acima do assunto voltado aos contratos comerciais, todavia voltaremos a este tema visa demonstrar o ponto de vista administrativo. Ocorre através da FATURA PROFORMA a formalização de um negócio internacional entre o vendedor e o comprador. A Fatura Proforma é, segundo Keedi (2007), um dos documentos com os quais se pode concretizar uma compra ou venda de mercadorias. Está deverá conter os seguintes pontos administrativos: 1. Número de ordem 2. Número de pedido 3. Nome do importador 4. Nome do exportador 5.Descrição do produto 6.Quantidade do produto 7. Preço unitário total 8. Condição de pagamento 9. Prazo de entrega/embarque 10.Responsabilidade quanto ao transporte (INCOTERMS) 11.Modalidade de transporte 12. Local de embarque 13.Local de desembarque 14.Documentos necessários ao despache aduaneiro 15.A norma internacional que regerá o negócio 16.Arbitragem para solução de eventuais conflitos Observa-se que se trata de documentos usado no dia a dia pelos exportadores e importadores ocorrendo raramente por estes que tal instrumento é uma celebração de contrato internacional e dessa forma ambas as partes devem estar sujeitas as normas internacionais e aos tribunais arbitrais da câmara de comércio internacional. Exemplo de formulário utilizado no comercio internacional PROFORMA INVOICE NR. . PURCHASE ORDER NR. IMPORTER EXPORTER 54 PAYMENT TERMS INCOTERMS PLACE OF DEPARTURE PLACE OF ARRIVAL SHIPPED BY SHIPMENT DATE QUANTITY DESCRIPTION OF UNIT PRICE TOTAL GOODS PRICE U$$ U$$ TOTAL PAYMENT INSTRUCTIONS: REMARKS: THIS CONTRACT OF SALE WILL BE GOVERNED BY THESE SPECIFIC CONDITIONS AND BY THE INTERNATIONAL CHAMBER OF COMMERCE GENERAL CONDITIONS OF SALE DISPUTES RESOLUTION SHALL BE BY ARBITRATION UNDER THE ICC RULES APPLICABLE LAW: THE UNCITRAL´S PRINCIPLES __________________________ BUYERS ACCEPTANCE ______________________________ SELLER 10.4 Incoterms Os INCOTERMS visam estabelecer uma variedade de condições relativas aos seguintes itens no negócio internacional: A transferência da propriedade da mercadoria, o momento em que ocorre a transferência da responsabilidade sobre a mercadoria e a responsabilidade sobre a contratação do transporte e do seguro. Neste particular Strenger ressalta: O objeto fundamental dos Incoterms, em inglês conhecido como International Rules for interpretation of trade terms, ou, em português, “Regras internacionais para a interpretação de termos comerciais”, é disciplinar regras internacionais, de natureza facultativa, precisando a interpretação dos principais termos utilizados nos contratos de venda com o estrangeiro. (1998, p. 282). Segue logo abaixo os escopos mais utilizados dos INCOTERMS: Grupo E 55 EXW – Ex Works .... Local (qualquer modal) Grupo F FCA – Free Carrier .... Local (qualquer modal) FAS – Free Alongside Ship.... Local (só marítimo) FOB – Free On Board.... Local (só marítimo) Grupo C CFR – Cost and Freight.... Local (só marítimo) CIF – Cost, Insurance and Freight.... Local (só marítimo) CPT – Carriage Paid To.... Local (qualquer modal) Grupo D DAF – Delivered at Frontier.... Local (qualquer modal) DEQ – Delivered Ex Quay.... Local (só marítimo) DDU – Delivered Duty Unpaid.... Local (qualquer modal) DDP – Delivered Duty Paid... local (qualquer modal) Atente-se a seguir ao quadro comparativo de responsabilidade de cada parte em cada um dos INCOTERMS citados: INCOTERM Transporte até Porto Embarque Aduana de Origem Transporte Internacional Seguro Aduana de Destino Transporte até Armazém Comprador EXW I I I I I I FCA E E I I I I FAS E E I I I I FOB E E I I I I CFR E E E I I I CIF E E E E I I CPT E E E E I I DAF E E E E I I DEQ E E E E I I DDU E E E E I E DDP E E E E E E E= Responsabilidade do exportador I= Responsabilidade do importador 56 10.5 Documentação operacional Utilizamos os seguintes documentos para a operacionalização dos procedimentos de comércio internacional: 1. Fatura Proforma ou Proforma Invoice. 2. Fatura Comercial ou Commercial Invoice (equivalente a nota fiscal). 3. Lista de Embalagens, Lista de Embarque ou Packing List (volumes relativos a operação). 4. Certificado de Origem (beneficia o importador em algum acordo internacional) 5. Borderô de Entrega de Documentos e Instruções para o Transportador (protocolo/carta de documentos mencionados) 6. Conhecimento de Embarque (reconhece a obrigação do transportador) 7. Borderô de Entrega de Documentos e Instruções para o Banco (carta de instruções ou protocolo de recebimento de documentos dirigidos ao banco responsável pelas obrigações cambiais) 11 CONCLUSÃO Nesta apostila visamos demonstrar de forma prática o que é a administração dos negócios internacionais, baseando-se em dois pilares básicos que são a eficácia e a sinergia. Demonstramos que utilizando da eficácia nos negócios facilitaa busca pelo maior objetivo da gestão do comércio internacional, que seriam a geração de negócios, garantias do cumprimento dos termos e condições pactuados, promoção e manutenção progresso contínuo. Estar atento ao mercado é indispensável, uma vez que a concorrência domina as mesmas formas de trabalho, nesse sentido faz necessário um domínio nos pontos principais do comércio internacional, bom relacionamento com os parceiros de mercado e atenção as oportunidades e negociações futuras. 57 12 BIBLIOGRAFIA ICC, Guide to Export-Import Basics ICC Publishing Nova Iorque 2003 BRAKE, Terence Managing Globally Dorling Kingsley Londres 2002 BERGSTRAND, Jeffrey H. 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