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Lei penal - aplicação no tempo, espaço e em relação às pessoas

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e parlamentares.
· Imunidades diplomáticas 
 – Estas imunidades se baseiam no princípio da reciprocidade, ou seja, o Brasil 
concede imunidade a estas pessoas, enquanto os Países que representam 
conferem imunidades aos nossos representantes.
Estas imunidades diplomáticas estão previstas na Convenção de Viena, 
incorporada ao nosso ordenamento jurídico através do Decreto 56.435/65, que 
prevê imunidade total (em relação a qualquer crime) aos Diplomatas, que estão 
sujeitos apenas à Jurisdição de seu país. Esta imunidade se estende aos 
funcionários dos órgãos internacionais (quando em serviço) e aos seus familiares, 
bem como aos Chefes de Governo e Ministros das Relações Exteriores de outros 
países.
Essa imunidade é IRRENUNCIÁVEL, exatamente por não pertencer à 
pessoa, mas ao cargo que ocupa! Essa é a posição do STF! 
Com relação aos cônsules (diferentes dos Diplomatas) a imunidade só é 
conferida aos atos praticados em razão do ofício, não a qualquer crime.
IMUNIDADE TOTAL DE JURISDIÇÃO PENAL
– Agentes diplomáticos e seus familiares, bem como os membros do pessoal 
administrativo e técnico da missão, assim como os membros de suas famílias que 
com eles vivam, desde que não sejam nacionais do estado acreditado (no caso, o 
Brasil) nem nele tenham residência permanente.
IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO PENAL EM RELAÇÃO AOS ATOS PRATICADOS 
NO EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES 
– Cônsules e membros do pessoal de serviço da missão diplomática que não 
sejam nacionais do Estado acreditado nem nele tenham residência permanente.
· Imunidades parlamentares
 – Trata-se de prerrogativas dos parlamentares, com vistas a se preservar a Instituição (Poder Legislativo) de ingerências externas. 
São duas as hipóteses de imunidades parlamentares: 
a) material (conhecida como real, ou ainda, inviolabilidade); 
b) formal (ou processual ou ainda, adjetiva).
Estão previstas na Constituição Federal.
1. Imunidade material
Art. 53, CF/88: os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer 
de suas opiniões, palavras e votos.
Assim, o parlamentar não comete crime quando pratica estas condutas em razão do cargo 
(exercício da função). Entretanto, não é necessário que o parlamentar tenha proferido as 
palavras dentro do recinto (Congresso, Assembleia Legislativa, etc.), bastando que tenha 
relação com sua função (pode ser numa entrevista a um jornal local, etc.). Essa é a 
posição do STF a respeito do tema.
Se trata de fato atípico, ou seja, a conduta do parlamentar não chega sequer a ter 
enquadramento na lei penal (Essa é a posição que vem sendo adotada pelo STF).
# Imunidade material dos vereadores
Art. 29, CF: o Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, 
com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da 
Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta 
Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
(…)
VIII – inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do 
mandato e na circunscrição do Município.
Informativo 775 do STF 
“Nos limites da circunscrição do Município e havendo pertinência com o exercício 
do mandato, garante-se a imunidade prevista no art. 29, VIII, da CF aos vereadores 
(…) O Colegiado reputou que, embora as manifestações fossem ofensivas, teriam 
sido proferidas durante a sessão da Câmara dos Vereadores — portanto na 
circunscrição do Município — e teriam como motivação questão de cunho político, 
tendo em conta a existência de representação contra o prefeito formulada junto ao 
Ministério Público — portanto no exercício do mandato.” 
 (RE 600063/SP, rel. orig. 
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto 
Barroso,25.2.2015.(RE- 
600063).
2. Imunidade Formal
- Esta imunidade não está relacionada à caracterização ou não de uma conduta 
como crime. Está relacionada a questões processuais, como possibilidade de 
prisão e seguimento de processo penal. Está prevista no art. 53, §§ 1° a 5° da CF.
A imunidade se inicia com a diplomação do parlamentar e se encerra com o fim do 
mandato.
I. A primeira das hipóteses é a imunidade formal para a prisão.
Art. 53, § 2°, CF/88: Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso 
Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. 
Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa 
respectiva, para que, pelo voto da maioria de 
seus membros, resolva sobre a 
prisão.
O STF entende que essa impossibilidade de prisão se refere a qualquer tipo de 
prisão, inclusive as de caráter provisório, decretadas pelo Juiz. A única ressalva é a 
prisão em flagrante pela prática de crime inafiançável.
Entretanto, recentemente, o STF decidiu que os parlamentares podem ser 
presos, além desta hipótese, no caso de sentença penal condenatória 
transitada em julgado.
II. Outra hipótese é a unidade formal para o processo
Art. 53, § 3º, CF/88: recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime 
ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa 
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da 
maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da 
ação.
Apenas partido político que possua algum representante na respectiva casa 
(Câmara ou Senado) a que pertence o parlamentar processado é que pode 
tomar a iniciativa para pedir a sustação da ação penal. 
A sustação deve ser decidida no prazo de 45 dias a contar do recebimento do 
pedido pela Mesa Diretora da Casa. Caso o processo seja suspenso, suspende-se 
também a prescrição, para evitar que o Parlamentar deixe de ser julgado ao 
término do mandato.
Havendo a sustação da ação penal em relação ao parlamentar, e tendo o processo 
outros réus que não sejam parlamentares, o processo deve ser desmembrado, e 
os demais réus serão processados normalmente.
OBSERVAÇÕES
Essas regras (referentes a ambas as espécies de imunidades) são aplicáveis 
aos parlamentares estaduais (Deputados estaduais), por força do art. 27, § 1° da 
Constituição. Entretanto, aos parlamentares municipais (vereadores) só se aplicam 
as imunidades materiais. Em qualquer caso, não abrangem os suplentes.
As imunidades parlamentares permanecem ainda que o país se encontre em 
estado de sítio. Entretanto, por decisão de 2/3 dos membros da Casa, estas 
imunidades poderão ser suspensas, durante o estado de sítio, em razão de ato 
praticado pelo parlamentar fora do recinto. 
Assim, em hipótese nenhuma (nem no estado de sítio), o parlamentar poderá ser 
responsabilizado por ato praticado no recinto.
A Doutrina e a Jurisprudência entendem que o parlamentar afastado para exercer 
cargo de Ministro ou Secretário de Estado NÃO mantém as imunidades, ou seja, 
ele perde a imunidade parlamentar (A súmula nº 04 do STF fora revogada). INQ 
725-RJ, rel. Ministra Ellen Gracie, 8.5.2002.(INQ-725) – Informativo 267 do STF.
· Sujeito Passivo
- O sujeito passivo nada mais é que aquele que sofre a ofensa causada pelo sujeito 
ativo.
Pode ser de duas espécies: 
1) Sujeito passivo mediato ou formal: é o Estado, pois a ele pertence o dever de 
manter a ordem pública e punir aqueles que cometem crimes. Todo crime possui o 
Estado como sujeito passivo mediato, pois todo crime é uma ofensa ao Estado, à 
ordem estatuída;
2) Sujeito passivo imediato ou material: é o titular do bem jurídico efetivamente 
lesado.
O Estado também pode ser sujeito passivo imediato ou material, nos crimes 
em que for o titular do bem jurídico especificamente violado, como nos 
crimes contra a administração pública, por exemplo.
As pessoas jurídicas também podem ser sujeitos passivos de crimes. Já os mortos 
e os animais não podem ser sujeitos passivos de crimes pois não são sujeitos de 
direito. 
Mas, e o crime de vilipêndio a cadáver e os crimes contra a fauna? 
Nesse caso, não são os mortos e os animais os sujeitos passivos e sim, no 
primeiro caso, a família do morto,
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