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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS ESCOLA DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CURSO: MEDICINA VETERINÁRIA CURSO: ZOOTECNIA Disciplina: Parasitologia e Entomologia ROTEIRO DE AULAS TEÓRICAS – PARTE I Profa. Dra. Helcileia Dias Santos Araguaína-TO 2018 2 1. RELAÇÕES ENTRE OS SERES VIVOS RELAÇÕES INTRAESPECÍFICAS Colônias (reprodução por brotamento) Sociedades (indivíduos unidos pelo instinto de associação) Canibalismo (uma espécie se alimenta de outra da mesma espécie) RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS a) Simbiose: não ocorre prejuízo para nenhuma das espécies a. Mutualismo: vantagens recíprocas, indispensáveis para ambas as espécies Ex. protozoários do rúmen b. Comensalismo: apenas uma espécie é beneficiada. Ex. peixe-piolho c. Inquilinismo: uma espécie vive no interior de outra, onde encontra abrigo. Peixe Fierasfer x pepino-do-mar. b) Parasitismo: um ser que se alimenta de outro. O hospedeiro é indispensável ao parasito a que dele se alimenta. c) Predação: uma espécie ataca e devora a outra. d) Competição: disputa por melhores condições entre espécies diferentes que ocupam o mesmo habitat. 2. CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITAS DE ACORDO COM O COMPORTAMENTO BIOLÓGICO. EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE HOSPEDEIROS Monoxeno ou direto: necessita apenas um hospedeiro para completar o ciclo. Heteroxeno ou indireto: necessita mais de um hospedeiro para completar o ciclo EM RELAÇÃO AO TEMPO DE PERMANÊNCIA NO HOSPEDEIRO: Periódico: é parasita em apenas uma fase da vida. Ex. Cochliomyia hominivorax Temporário: procura o hospedeiro apenas para se alimentar. Ex.: Mosquitos; piolho. Permanente: permanece no hospedeiro durante todas as fases da vida. Ex.: Piolhos, protozoários. EM RELAÇÃO A ESPECIFICIDADE PARASITÁRIA: Estenoxeno: apresenta uma especificidade parasitária restrita Eurixeno: especificidade parasitária ampla Oligoxeno: especificidade parasitária limitada a famílias ou gêneros EM RELAÇÃO À EXIGÊNCIA DE PARASITISMO Obrigatório: pelo menos uma fase de vida necessita de hospedeiro. Facultativo: organismo que podem ou não viver parasitando. Ex. Moscas da família Calliphoridae (miíase secundária) Acidental: organismo saprófita que acidentalmente entra em contato com um hospedeiro e pode tornar-se parasito. Ex. Naegleria fowleri (ameba de vida livre que acidentalmente parasita o homem). Organismo que pode tornar-se parasito de uma espécie acidentalmente. Ex. Dipylidium caninum parasitando o homem. 3 EM RELAÇÃO À NUTRIÇÃO: Estenotrófico (steno=estreito, trophe= nutrir): exige um único tipo de alimento. Ex. Carrapatos Euritrófico (eurys=amplo): nutre-se de diversas substâncias. EM RELAÇÃO À LOCALIZAÇÃO Ectoparasita: localiza-se na superfície externa do corpo, como pele, pêlo e cavidades naturais. Endoparasita: localiza-se no sistema circulatório, respiratório, digestivo, urinário, genital, nervoso e musculatura. Hiperparasita: Parasita que desenvolve-se em outro parasito. EM RELAÇÃO AO HABITAT Normal: hospedeiro que oferece melhores condições para a subsistência e evolução do parasita. Errático: mesmo vivendo no hospedeiro normal, não atinge o órgão adequado. Extraviado: parasita habitual de um determinado hospedeiro que se implanta em outro EM RELAÇÃO AO TIPO DE HOSPEDEIRO Definitivo: alberga o parasita no estágio adulto ou no qual este realiza reprodução sexuada. Ex. Homem é o hospedeiro definitivo de Taenia solium Intermediário: alberga o parasita no seu estágio larval ou no qual este se reproduz assexuadamente. Ex. Suíno como hospedeiro intermediário de Taenia solium Vetor: artrópode que transmite o parasita entre dois hospedeiros. Vetor biológico: o parasita evolui no vetor. Ex. Carrapatos para a Babesia spp. Vetor mecânico: o parasita não evolui, funcionam apenas como transportadores do agente entre dois hospedeiros. Ex. Stomoxys calcitrans para o Trypanosoma vivax. Hospedeiro paratênico: ser vivo onde o parasito permanece infectante, mas sem evoluir. Atua como transportador, facilitando a transmissão do parasito. Ex. Minhoca para o Heterakis galinarum Reservatório natural: hospedeiro que é responsável pela disseminação do parasita para as espécies de importância econômica. 3. NOMENCLATURA ZOOLÓGICA 3.1 SISTEMÁTICA Identificar: comparar os seres vivos com os já conhecidos Denominar: dar nomes adequados (taxonomia). Classificar: reunir em grupos. 3.2 CATEGORIAS ZOOLÓGICAS Caráter biológico: detalhes morfológicos e fisiológicos que caracterizam os seres vivos. Espécie: são semelhantes entre si e com os seus ascendentes e descendentes. Férteis e geram prole fértil. Subespécie ou raça: grupo de indivíduos de uma espécie que apresenta característica particular que se transmite por herança às gerações seguintes. Variedade: grupo de indivíduos que apresenta dentro da espécie uma característica particular não estável. Gênero: grupo formado por várias espécies que possuem caracteres comuns. 4 Subgênero: grupos de espécies de um mesmo gênero, mas que apresentam certas características que permitem agrupá-los numa categoria intermediária entre gênero e espécie. TRIBO Subfamília FAMÍLIA Superfamília Subordem ORDEM Subclasse CLASSE Subphylum FILO Sub-reino REINO 3.3 REGRAS INTERNACIONAIS DE NOMENCLATURA ZOOLÓGICA SUPERFAMÍLIA: oidea FAMÍLIA: idae SUBFAMÍLIA: inae TRIBO: ini GÊNERO: substantivo latinizado, uninominal, iniciado com letra maiúscula e grifado. Ex. Rhipicephalus SUBGÊNERO: substantivo latinizado, escrito com inicial maiúscula e grifado e deve ser colocado entre parêntese e entre o nome do gênero e da espécie. Ex. Laelaps (Echinolaelaps) echidninus Rhipicephalus (Boophilus) microplus ESPÉCIE: nome latino ou latinizado, binominal, grifado e escrito com letra minúscula. Ex. Rhipicephalus (Boophilus) microplus SUBESPÉCIE: latino ou latinizado, trinominal, grifado, escrito com letra minúscula e seguindo imediatamente o nome da espécie. Ex. Leishmania infantum chagasi Leishmania infantum infantum Uma espécie mencionada e não denominada: sp. Ex. Dermacentor sp. Mais de uma espécie: spp. Ex. Amblyomma spp. O nome do autor que primeiro descreveu a espécie deve ser escrito logo após o nome científico e sem interposição de qualquer sinal de pontuação, seguido pelo ano de descrição, separado por virgula. Ex. Trypanosoma cruzi Chagas, 1909. 5 Filo: Arthropoda Classe: Arachnida Sub-Classe: Acari Superordem: Parasitiformes Ordem: Ixodida (= Metastigmata) MORFOLOGIA GERAL 6 FAMÍLIA: IXODIDAE Subfamília: Rhipicephalinae • Olhos presentes • Rostro curto • Presença de placas adanais no macho • Escudo não decorado Rhipicephalus (Boophilus) microplus • Machos com 02 pares de placas adanais • Apêndice caudal • Ausência de festões • Palpos curtos • Peritrema arredondado Hospedeiros: Bovinos, ovinos, caprinos e outros mamíferos Ciclo evolutivo: Monoxeno Importância: transmissão da Babesia bigemina e B. bovis; depreciação do couro, diminui produção de leite. Subfamília: Amblyominae Amblyomma spp. (102 espécies) Hospedeiros: mamíferos, aves, répteis, anfíbios A. cajennense (carrapato estrela do cavalo) • Rostro longo • Macho sem placas adanais • Festões presentes • Escudo ornamentado Biologia Carrapato de 03 hospedeiro Postura: 5000 ovos Eurixeno Importância: transmissão de patógenos aos animais (Ex.: Babesia equi), reação inflamatória, transmissão da febre maculosa e doença de Lyme-símile ao homem. Dermacentor nitens • Rostro longo e com olhos • Escudo sem ornamentação • 07 festões • Peritremas ovais e com fossetas (forma de disco de telefone)Hospedeiros: eqüinos, asininos, bovinos e caprinos 7 Biologia: Carrapato de um hospedeiro (monoxeno) Importância: • Obstrução do conduto auditivo • Invasão bacteriana • Vetor da Babesia equi e B. caballi Ciclo evolutivo dos ixodideos: Carrapato de 01 hospedeiro (Monoxeno) Postura: 15 dias Eclosão: 15 dias Infestação: 4 dias Desenvolvimento no hospedeiro: 21 dias (R. microplus) Ciclos biológicos: Monoxeno Heteroxeno Carrapato de 03 hospedeiros Pré-postura: 10 dias a 15 dias Oviposição:10 a 30 dias Eclosão: 10 a 30 dias Larva no hospedeiro: 4 a 6 dias Pré-muda: 1 a 2 semanas Acasalamento: no hospedeiro 8 Família Argasidae • Ausência de escudo • Tegumento granular, mamilonado ou enrugado • Gnatossoma ventral Argas spp. (52 espécies) A. miniatus (Brasil) • Margem do corpo achatada, possuindo uma linha sutural bem demarcada (retículos) • Capítulo terminal nas larvas e ventral em ninfas e adultos Biologia • Hospedeiro: galinhas, pombos e pássaros silvestres • Hábitos noturnos • Heteroxeno • Habitat: regiões semi-áridas, toca de animais, ninhos de aves silvestres, galinheiros, pocilgas, habitações rústicas. Ciclo biológico Ovo: 30 dias de incubação Larva: (fixa-se no hospedeiro por 4 a 10 dias) Vários estágios ninfais (alimentam-se 10 a 20 min.) Adulto macho e fêmea: alimentam-se rapidamente (30 a 40 minutos) Acasalamento fora do hospedeiro Postura: 400 a 800 ovos parcelados (8 a 10 posturas) Em condições favoráveis o ciclo é completado com 30 dias Esquematize o ciclo biológico de Argas spp. 9 SUB-CLASSE: ACARI SUPERORDEM: PARASITIFORMES ORDEM: GAMASIDA (= MESOSTIGMATA) Características morfológicas: • Estigmas entre o 2º e 3º ou 3º e 4º pares de patas • Peritrema alongado, tubuliforme • Presença de tritosterno • Escudo dorsal alongado • Placas ventrais escrerotizadas FAMÍLIAS DE INTERESSE Família: Dermanyssidae Espécie: Dermanyssus gallinae Nome vulgar: piolhinho, piolho de galinha, pichilinga Hospedeiros: aves domésticas e silvestres Biologia • Colônias em frestas, ninhos e sujeira • Hábito noturno • Oviposição: 02 dias após repasto – 02 a 08 ovos/fêmea Importância • Diminui postura • Morte de aves • Irritação Distribuição geográfica: cosmopolita Ciclo biológico Ovo Larva Protoninfa Deutoninfa Adulto 7 dias 2 a 3d 1d 1 a 2d 1 a 2d 2d 10 Família: Macronyssidae • Contorno oval • Quelíceras alongadas e terminando em pinças • Peritrema alongado • Placa esternal com 2 ou 3 cerdas • Ânus na metade anterior da placa anal • Escudo dorsal estreito posteriormente Gênero: Ornithonyssus spp. Espécies: O. bursa (aves domésticas e silvestres) O. sylviarum (aves domésticas e silvestres) O. bacoti (roedores) Biologia • Em aves concentram-se ao redor da cloaca, no ventre, bico e olhos. • Ocasionalmente atacam o homem • Não sobrevivem por longos períodos fora do hospedeiro • O. sylviarum pode sobreviver até 06 semanas na ausência do hospedeiro. • Presentes nos ninhos ou sobre as aves. • Ciclo biológico semelhante a Dermanyssus sp. Família Varroidae Varroa spp. Varroa jacobsoni (Varroa destructor) • Ácaro marrom escuro, mais largos do que longos. • Patas bem desenvolvidas com ventosas. • Ectoparasitas de abelhas. 11 FILO: ARTHROPODA CLASSE: ARACHNIDA SUB-CLASSE: ACARI (ACARINA) ORDEM: SACORPTIFORMES (ASTIGMATA, ACARIDIDA) Família: Sarcoptidae - Ausência de estigma respiratório - Patas curtas - Corpo pouco quitinizado, estriado e arredondado - Produtores de sarnas profundas - Machos sem ventosas genitais Sarcoptes scabiei Características morfológicas: - Corpo estriado e com escamas triangulares na face dorsal - Machos com ventosas nas patas I, II e IV - Fêmeas com ventosas nas patas I e II e cerdas longas nas patas III e IV - Gnatossoma cônico Biologia Hospedeiros: Suínos, bovinos, ovinos, caprinos, cães, eqüinos e homem. Alimentação: fluidos dos tecidos Ciclo evolutivo: Período de desenvolvimento: 17 a 21 dias Fêmea Ovo Larva Protoninfa Deutoninfa Adulto Fêmeas sobrevivem até 8 semanas Sinais clínicos: - Borda da orelha geralmente acometida - Prurido intenso e vermelhidão - Altamente contagiosa - Papulas foliculares, vesiculares e posteriormente pústulas - Causam alopecia Importância: Hiperqueratose, crostas e alterações secundárias da pele Zoonose Mortal quando generalizada FAMÍLIA: KNEMIDOCOPTIDAE Knemidocoptes spp. K. mutans (patas) K. gallinae ( corpo) K. pilae (face de periquitos) K. jamaicensis (patas de canários) Morfologia: 12 ▪ Corpo circular, com escamas rombas na superfície dorsal ▪ Patas curtas e grossas ▪ Fêmeas sem ventosas nas patas ▪ Machos com ventosas em todas as patas Ciclo biológico Semelhante a Sarcoptes sp. Importância: ▪ Espessamento da pele das pernas das aves ▪ Pernas deformadas e perda de dígitos ou falanges ▪ Prurido intenso ▪ Penas enfraquecidas e quebradiças, sendo retiradas pelas aves ▪ Perda da plumagem em regiões do corpo CICLO BIOLÓGICO DE SARNAS ESCAVADORAS 13 Família: Psoroptidae - Ácaros não escavadores - Corpo oval e alongado, estriado e sem espinhos dorsais - Patas longas - Machos com ventosas copulatórias e tubérculos abdominais. - Patas III e IV das fêmeas inseridas laterais ou ventralmente. Psoroptes spp. P. ovis (ovinos e bovinos) P. equi (eqüinos) P. cuniculi (eqüinos e coelhos) Morfologia: - 0,2 a 0,4mm - Peças bucais pontiagudas - Patas com pedicelo longo e trisegmentado - Tubérculos abdominais arredondados no macho - Escamas dorsais ausentes Biologia Hospedeiros: Bovinos, ovinos, eqüinos e coelhos Alimentação: líquidos tissulares Ciclo evolutivo: 10 dias (14 a 19 dias) Fêmeas depositam até 80 ovos Fêmea Ovo Larva Protoninfa Deutoninfa Adulto Importância: - Inquietação (mordida e prurido no corpo) - Perda de lã - Perda de peso - Lesões crostosas Chorioptes bovis Hospedeiros: bovino, ovino, eqüino, coelhos Morfologia: ▪ Peças bucais adaptadas para mastigação ▪ Pedicelo não segmentado ▪ Tubérculos abdominais truncados Ciclo evolutivo ▪ 3 a 4 semanas ▪ Ovo, larva, protoninfa, deutoninfa, adulto http://4.bp.blogspot.com/-3jtNj8xRVkc/TnE3qX9RxTI/AAAAAAAAAJI/-CL1CEGfqNA/s1600/coelho-coelho-para-colorir-.jpg http://4.bp.blogspot.com/-3jtNj8xRVkc/TnE3qX9RxTI/AAAAAAAAAJI/-CL1CEGfqNA/s1600/coelho-coelho-para-colorir-.jpg 14 Sinais clínicos: ▪ Lesões na base da cauda, patas, períneo e úbere ▪ Prurido ▪ Lesão nas partes inferiores dos membros e parte ventral do abdome em ovinos ▪ Pele espessada Esquematize o ciclo biológico de Chorioptes bovis. 15 FILO: ARTHROPODA CLASSE: INSECTA CARACTERÍSTICAS: - 03 pares de patas - Corpo dividido em cabeça tórax e abdome - Presença de antenas Cabeça: - Peças bucais: mastigador, lambedor, picador-sugador. - Elementos: labro, mandíbulas, maxilas, hipofaringe, lábio inferior. - Olhos: simples (ocelos), composto (omátides) - Antenas (escapo, pedicelo, flagelo) Tórax: Pró-tórax Meso-tórax Meta-tórax - 03 pares de patas - 02 pares de asas (mesotórax, metatórax) Tergo ou noto (dorsal) Esterno (ventral) Pleuras (lateral) Abdome: - 11 segmentos - Modificações terminais formando a genitália Desenvolvimento: - Holometabólicos (metamorfose completa) - Hemimetabólicos (metamorfose incompleta). Italiano: 1: labela; 2: labro inferior (labium); 3: palpo ; 4: labro superior (labrum); 5: area subgenal; 6: clipeo; 7: area fronto- orbital; 8: cerda fronto-orbitali; 9: cerda verticale esterna; 10: cerda verticale interna; 11: cerda postocellari; 12: ocelos; 13: cerda ocellari; 14: olho composto; 15: sutura frontal o sutura ptilineal; 16: antena; 17: arista; 18: vibrissa. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Head_morphology_of_Muscomorpha.svg http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Head_morphology_of_Muscomorpha.svg 16 ORDEM: PHTHIRAPTERA - Ectoparasitas obrigatórios - Corpo achatado dorsoventralmente - Ápteros - Hemimetabólicos - Olhos compostos pouco visíveis - Estigma do 2º ao 7º segmentos torácicos. SUB-ORDEM: AMBLYCERA - Antenas escondidas em fossetas antenais e semelhantes nos dois sexos. - Palpos constituídos por 04 artículos Família: Menoponidae - 60 gêneros - Ectoparasitos de aves - Distribuição mundial Menopon gallinae (piolho da haste) Hospedeiros: galinha, perus, patos e galinha-de-angola Localização: - Penas das coxas e peito - Aves de terreiro Morfologia - Pequenos de coloração amarelo clara - Abdomem com uma fileira de cerdas dorsalmente em cada segmento - Tufo de cerdas no 5º segmento Importância: - Danifica as penas - Pouco patogênica - Pode se alimentar de sangue Menacanthus stramineus Morfologia: - Segmentos abdominais com 02 fileiras de cerdas dorsais - Fronte com processo espinhoso recurvado para trás Hospedeiros: - Galinhas, faisões, perus e excepcionalmente pombos. Localização: próximo à cloaca, sobre a pele do peito, embaixo das asas. Importância: - Pele inflamada e coberta de crostas escamosas (severa irritação) - Até mais de 35.000 indivíduos por ave - Perfura a base da penas e alimenta-se de sangue - Fissuras e microhemorragias próximo à cloaca Menopon gallinae Menacanthus stramineus 17 SUB-ORDEM: ISCHNOCERA - Mandíbulas formam um ângulo reto em relação à cabeça - Mesotórax e metatórax fusionados - Antenas filiformes e visíveis com 3 a 5 segmentos Família: Trichodectidae - Antenas triarticuladas - Tarso com uma garra - 21 gêneros (03 de importância) Damalinia spp. Espécies: D. ovis D. bovis D. caprae D. equi Morfologia: - Antenas semelhantes nos dois sexos - Cabeça mais larga do que longa - Região anterior arredondada - Placas pleurais em todos os metâmeros - Face dorsal da cabeça com numerosas setas - Metâmeros abdominais com placas laterais nítidas Importância: - Dermatite crônica - Irritação, prurido, escoriação e alopecia em infestações crônicas - Interrupção da alimentação em ovinos - Depreciação da lã em ovinos Família: Philopteridae Chelopistes meleagridis Hospedeiro: peru doméstico Cabeça com lobos temporais expandidos, com longa cerda Importância - Inquietação - Prurido - Escarificação da pele - Debilidade e má aparência - Queda na postura Damalinia spp, 18 SUB-ORDEM: ANOPLURA • Cabeça mais estreita que o tórax • Aparelho bucal picador-sugador • Antenas com 03 a 05 artículos • Hemimetábolos Aparelho bucal: Lábio em forma de calha (ventral) Maxilas fusionadas (dorsal) Hipofaringe (canal salivar) Tórax: Metâmeros fusionados 01 par de estigmas por metâmero e 01 par de patas Tarso com 01 unha Abdômen: 09 metâmeros Estigmas nos 06 primeiros metâmeros Último metâmero no macho arredondado e na fêmea bifurcado Família: Haematopinidae Haematopinus spp. Espécies: H. suis – suínos H. eurysternus – Bovino – Base do chifre, cauda e pescoço H. asini – Eqüídeos H. quadripertusus – Bovino H. tuberculatus - Búfalo Morfologia - Piolhos grandes (4 a 6 mm) - Cabeça afilada anteriormente - Patas de tamanho semelhante, terminado em uma única garra forte e esporão tibial - Abdome com placas tergais e paratergais - Estigma em protuberâncias laterais Família: Linognathidae Linognathus spp. - 1º par de patas mais fino e com unhas mais delgadas - Abdome com placas ausentes ou tergais reduzidas - Estigmas grandes Espécies: L. vituli – Bovino – pescoço, barbela, espádua e períneo L. pedalis – Ovinos – pernas e pés L. setosus – caprinos/cão – tegumento Haematopinus spp. 19 BIOLOGIA DE PHTHIRAPTERA Hospedeiros: aves e mamíferos Nutrição: produtos epidérmicos/sangue CICLO BIOLÓGICO Ovo, três estágios ninfais e adultos Período: 04 a 06 semanas Não sobrevivem mais que 07 a 15 dias fora do hospedeiro Importância: - Irritação da pele - Prurido - Inquietação - Queda na produção de leite - Anemia - H. suis pode transmitir a peste suína - Escoiceamento e mordedura - Lã amarelada e reduzida Epidemiologia - Parasitas permanentes - Maior freqüência no outono e primavera - Menor freqüência no verão - Transmissão por contato direto, fômites, pasto, pocilgas e estábulos - Susceptibilidade: animais jovens Tratamento: - Tosquia em ovinos (diminui 30 a 50%) - Perda da pelagem de inverno (bovinos e equinos) diminui a infestação - Banhos de imersão e aspersão com acaricidas Profilaxia: - Mudança de pastagem após tratamento por 30 dias (ovinos) - Limpeza e aplicação de acaricidas em estábulos e pocilgas 20 CLASSE: INSECTA ORDEM: SIPHONAPTERA FAMÍLIA: TUNGIDAE Três segmentos torácicos juntos mais estreitos que o primeiro segmento abdominal Importância dos Siphonapteros: Alergias Lesões causadas por Tunga ocasionam lesões diversas através da contaminação por fungos e bactérias Exanguinação, levando animais jovens a anemia Atuam como vetores biológicos de: • Riquétsias: Ricketsia mooseri, agente do tifo murino, transmitida pelas fezes de pulga; Bartonella henselae (doença da arranhadura do gato) • Bactérias: Yersinia pestis, agente da peste bubônica; Salmonella enteritidis e S. Typhimurium (Salmonelose) São Hospedeiros intermediários de protozoários e helmintos Insetos com corpo comprimido lateralmente Ápteros Terceiro par de patas maior, adaptado para o salto Antena em sulcos antenais Olhos simples (ocelos) Abdome dividido em 10segmentos os três últimos modificados Fêmea possui espermateca visível Macho com clásper FAMÍLIA: PULICIDAE Três segmentos torácicos juntos mais largo que primeiro segmento abdominal Ctenocephalides spp. Ctenocephalides felis Ctenocephalides canis Hospedeiros: cães, gatos, bovinos, eqüinos Morfologia: Presença de Ctenídeos genais e pronotais Tunga penetrans Menor espécie de pulga conhecida (1mm) Ctenídeos ausentes, peças bucais com lacínias serrilhadas, cabeça angulosa na fronte. Fêmeas penetrantes, introduzem a cabeça na pele do hospedeiro, penetram e deixam apenas o ápice do abdome em comunicação com o exterior. Abdome desenvolve-se até o tamanho de uma ervilha (fisiogastria) Hospedeiros: homem, boi, cabra, carneiro, porco, cavalo, cão, gato, tatu. Biologia: Fêmea penetra na pele do hospedeiro, em 15 dias elimina os ovos, morre e são expulsas para o exterior. Os ovos são incubados em 02 a 04 dias, desenvolvem apenas 02 estágios larvais, pupa e adulto. O ciclo se completa em 23 a 28 dias. http://parasitology.informatik.uni-wuerzburg.de/login/b/map.php_scriptname=/login/b/me14319.png.php&bx=0&by=0&bw=747&bh=835&vw=800&vh=600&ow=747&oh=835&jp2=0_ http://parasitology.informatik.uni-wuerzburg.de/login/b/map.php_scriptname=/login/b/me14319.png.php&bx=0&by=0&bw=747&bh=835&vw=800&vh=600&ow=747&oh=835&jp2=0_ http://parasitology.informatik.uni-wuerzburg.de/login/b/map.php_scriptname=/login/b/me14319.png.php&bx=0&by=0&bw=747&bh=835&vw=800&vh=600&ow=747&oh=835&jp2=0_ 21 Esquematize o ciclo biológicode um Siphonaptero ORDEM: DIPTERA SUB-ORDEM: BRACHYCERA INFRAORDEM: TABANOMORPHA FAMÍLIA: TABANIDAE - Ectoparasitas obrigatórios temporários intermitentes - Aramadura bucal picadora-sugadora - Holometábolos - Mais de 4.200 espécies Sub-Família: Tabaninae Tribu: Tabanini Escapo antenal inflado e projetado dorsalmente, geralmente mais largo que o flagelo. Olhos com duas faixas verdes. Tíbia posterior sem esporão apical. 22 Sub-Família: Chrysopsinae - Flagelo composto de um segmento basal e quatro a sete flagelômeros menores - Pequenas, antenas longas com terceiro artículo com primeiro anel tão longo quanto os 04 seguintes reunidos, asas coloridas e contrastantes, apresentando faixa preta transverso-mediana. SUB-FAMÍLIA: PANGONINAE Espécies grandes, com labelas largas, palpos tão longo quanto a largura da fronte. Antena geralmente dividida em oito flagelômeros aparentes. Biologia - Nutrição: machos- néctar; fêmeas – néctar, sangue. - Hábitos: silvestres, diurnos - Ciclo evolutivo • 2 meses a 2 anos, dependendo da espécie e região geográfica. • Ovos depositados em ambientes aquáticos ou sub-aquáticos • Fêmeas mais ativas nos dias quentes, ensolarados e sem vento • Predileção por gado de coloração preta • 03 a 04 dias entre cada alimentação sanguínea • Nove estágios larvais, que se desenvolvem geralmente em ambiente úmido • Pupas em ambiente seco (2 semanas a 1 ano) • Adultos sobrevivem um a dois meses Importância - Transmissão mecânica de Trypanosoma evansi - Transmissão mecânica da anemia infecciosa eqüina - Veiculação de ovos de Dermatobia hominis - Espoliação de sangue Profilaxia - Limpeza de cursos de água - Drenagem de campos alagadiços - Uso de inseticidas - INFRAORDEM: MUSCOMORPHA (CYCLORRAPHA) • Calípteros desenvolvidos • Olhos grandes e compostos • Três ocelos • Cicatriz ptilineal (lúnula) • Armadura bucal sem mandíbulas e maxilas • 01 par de estigmas respiratórios no protórax • Aparelho ovopositor na fêmea formado pelos 04 últimos segmentos abdominais • Larvas vermiformes, ápodas, acéfalas e terrestres • Larvas necrófagas, necrobiontófagas ou biontófagas 23 FAMÍLIA: CUTEREBRIDAE GÊNERO: Dermatobia sp. ESPÉCIE: D. hominis - Peças bucais atrofiadas - Arista plumosa na região dorsal - Cabeça e pernas amareladas - Abdome azul metálico recoberto por pêlos - Fêmea com ovopositor não visível - Abdome com reflexos - Larvas parasitas obrigatórios da pele de mamíferos Ciclo Evolutivo - Várias cópulas - Adulto sobrevive 12 dias Importância - Miíases cutâneas furunculosas - Depreciação do couro Figura disponível em http://www.icb.usp.br/~marcelcp/Imagens/musc32.jpg Família: Oestridae Gênero: Oestrus sp. Espécie: Oestrus Ovis - Cabeça larga; antenas curtas; arista nua. - Calipteras grandes - Abdome com pelos longos e finos na face ventral e brilho prateado - Placas estigmáticas em forma de D com um orifício central http://parasitology.informatik.uni-wuerzburg.de/login/b/map.php_scriptname=/login/b/me14315.png.php&bx=0&by=0&bw=359&bh=408&vw=800&vh=600&ow=359&oh=408&jp2=0_ http://parasitology.informatik.uni-wuerzburg.de/login/b/map.php_scriptname=/login/b/me14315.png.php&bx=0&by=0&bw=359&bh=408&vw=800&vh=600&ow=359&oh=408&jp2=0_ 24 Biologia: - Larvas nos seios frontais e seios maxilares de ovinos e caprinos: 25 a 35 dias, podendo durar 9 meses. Podem medir até 20mm - Pupa: 03 a 8 semanas - Adultos ativos nas horas mais quentes do dia, sobrevivem de 05 a 30 dias não se alimetam - Fêmeas depositam 25 ou mais larvas nos seios em cada postura Importância: - Secreção e exsudato seroso ou purulento - Sintomatologia nervosa (marcha cambaleante, vertigem, convulsões, etc.) Profilaxia: - Pulverização das paredes e chão dos estábulos com produtos inseticidas - Não existem medidas profiláticas eficazes Família: Gasterophilidae Gênero: Gasterophilus Sp. Espécies: G. Nasalis G. intestinalis - Peças bucais atrofiadas - Arista nua - Calipteras reduzidas - Tórax piloso - Asas pequenas, claras e transparentes. - Larvas apresentando espinhos nos segmentos Localização: Duodeno, Região Pilórica Ciclo Evolutivo: - Fêmeas depositam 250 a 400 ovos durante a existência(região submandibular), adultos não se alimentam - L1 em galerias entre os dentes molares, onde muda para L2 - L2 é deglutida e muda para L3 no duodeno - L3 permanece 10 a 12 meses no duodeno - Pupa: 20 a 35 dias - 01 geração por ano Importância: - Alterações digestivas - Cólica, palidez de mucosas - Perfuração do trato digestivo. Profilaxia - Eliminar ovos aderidos aos pêlos dos animais utilizando água a 50ºC - Estabular eqüinos durante as horas mais quentes do dia - Inseticidas por pulverização 25 Família: Muscidae Subfamília: Muscinae Subfamília: Stomoxydinae Gênero: Stomoxys Sp. Espécie: S. Calcitrans - Arista plumosa dorsalmente - Probóscida pontiaguda - Palpos maxilares filiformes e curtos Ciclo evolutivo - Adultos hematófagos - Ovipostura em terrenos arenosos e úmidos, detritos e lixos, até 650 ovos - Larvas coprófagas - Ciclo em aproximadamente 30 dias Importância: - Transmissão da anemia infecciosa equina (AIE) - Hospedeiro intermediário de Habronema e Hymenolepis - Vetor mecânico do Bacillus antrachis e Anaplasma sp. - Veiculadores de ovos de Dermatobia. Profilaxia: - Proteção dos animais com capas e pantalonas - Pulverização das paredes dos estábulos - Drenagem de campos alagadiços - Cuidado com o lixo. Gênero: Haematobia Espécie: H.iIrritans - Palpos tão longos quanto a probóscida Localização: - Cabeça e dorso dos animais - Partes mais protegidas do sol nas horas mais quentes - Fêmeas nas partes inferiores do corpo Nutrição: - Machos e fêmeas hematófagos Ciclo Biológico - 10 a 15 dias - Larvas se desenvolvem no bolo fecal Importância: - Veiculação de ovos de Dermatobia sp. - Hematofagismo (+ de 200 moscas/animal) Controle: - Emprego sistemático de inseticidas - Brincos inseticidas - Digitontophagus gasella (Rola bosta) - Higiene com desinfecção de veículos - Controle de trânsito de animais 26 Família: Calliphoridae Gênero: Cochliomyia Espécies: C. hominivorax (mosca da bicheira) C. macellaria - Colorido metálico azul ou verde - Peças bucais funcionais (sugadora) - Arista plumosa - Três faixas longitudinais escuras no mesonoto - Calipteras pilosas - Patas pretas - Larvas com troncos traqueais pigmentados Localização e nutrição - Larvas biontófagas ( C. hominivorax) - Adultos alimentam-se de substâncias vegetais, excrementos, carnes, exsudato de feridas,etc. - Voam até 300Km Ciclo evolutivo - Uma cópula - 2800 ovos - 350 ovos por postura - 21 a 23 dias - Adultos vivem 60 a 70 dias Importância - Dilaceração dos tecidos do hospedeiro - Peritonite, claudicação, cegueira, afecções dentárias, etc. - Morte por hemorragia, infecções secundárias. BIBLIOGRAFIA FORTES, E. Parasitologia Veterinária. 3. ed. São Paulo: Cone, 1997. MARCONDES, C.B. Entomologia Médica e Veterinária. São Paulo: Atheneu, 2001. MONTEIRO, S. G. Parasitologia na Medicina Veterinária. São Paulo: Roca, 2010. URQUHART, G. M. et al. Parasitologia Veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. Cochliomyia hominivorax