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APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nutrição, Saúde e Envelhecimento 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
2 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA (CENC) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Dr. Sandro da Matta 
 
 
 
 
COORDENAÇÃO 
Profª. Drª Glorimar Rosa 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO 
2021 
Nutrição, Saúde e 
Envelhecimento 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
3 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TODO CONTEÚDO DESTA APOSTILA É PROTEGIDO PELA LEI, SENDO 
EXCLUSIVA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA. SOB 
PENA DE RESPONDER, CIVIL E CRIMINALMENTE, PELAS SANÇÕES 
PREVISTAS NA LEI DE DIREITOS AUTORAIS NO 9610/98 E DO ARTIGO 184 DO 
CÓDIGO PENAL
ROSA, Glorimar. 
Nutrição, Saúde e Envelhecimento, Rio de Janeiro, 2021. 
 
 
Série - Nutrição Clínica da teoria à prática baseada em evidências – site: 
www.cenc.com.br, Março de 2021. Páginas 20. 
 
 
 
 Inclui referências. 
ISBN – 978-65-00-16171-7. 
 
1.Nutrição Clínica 2. Idoso 3. Tratamento Nutricional 4. 
Envelhecimento 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
4 
 
Sumário 
 
Introdução ............................................................................................................................ 5 
Considerações gerais sobre o tema .................................................................................... 6 
Conceitos de envelhecimento .............................................................................................. 6 
Definição de termos ...................................................................................................................... 6 
Aspectos epidemiológicos do envelhecimento ............................................................................. 7 
Aspectos biopsicossociais do envelhecimento .............................................................................. 8 
Avaliação Funcional do Idoso .......................................................................................... 10 
Classificação funcional do idoso ................................................................................................. 10 
Avaliação Nutricional do Idoso ........................................................................................ 12 
Avaliação nutricional do idoso.................................................................................................... 12 
Prescrição Nutricional para o idoso ................................................................................ 15 
Aspectos da prescrição nutricional para o idoso ......................................................................... 15 
Considerações finais .......................................................................................................... 16 
Referências bibliográficas ................................................................................................ 17 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
5 
 
Introdução 
 
Sob o ponto de vista dos ciclos da vida, o envelhecimento pode ser visto como o 
início, o meio e o fim. Isto porque ele está presente a partir da concepção do indivíduo. 
Como será visto neste material e no respectivo conteúdo de aula sobre Nutrição no 
Envelhecimento, envelhecer é um processo contínuo e inexorável. 
Sendo assim, é neste ciclo da vida que as heranças dos ciclos que o antecedem são 
acumuladas e se fazem sentir. As habilidades motoras mal desenvolvidas na infância se 
farão sentir sob várias formas, como por exemplo no equilíbrio do idoso mais suscetível 
as quedas. A introdução inadequada dos alimentos na primeira infância também cobrará 
seu preço na vida adulta, e por conseguinte no idoso, que via de regra apresentará uma 
dieta mais restrita, marcada por rejeições e preferências nem sempre saudáveis. 
Diante de um cenário em que a história de vida de cada indivíduo lhe impõe 
incessantes obstáculos ao desenvolvimento máximo de suas potencialidades 
biopsicossociais a nutrição estará presente por toda sua existência, seja promovendo sua 
saúde integral, seja colaborando para a sua recuperação mediante aos vários episódios de 
ataque a sua saúde. 
O conteúdo desta apostila tem a intenção de chamar atenção para aspectos relevantes 
de cada um dos quatro módulos que compõem a aula de Nutrição no Envelhecimento. 
Para cada módulo serão sugeridas leituras que poderão enriquecer aquele que deseja 
abraçar a gerontologia como campo de especialização. Sobre este aspecto fica a 
recomendação de um endereço eletrônico através do qual podem ser acessadas 
oportunidades riquíssimas de formação nesta área (www.ensp.fiocruz.br). 
Desejo a todos e a todas uma boa leitura.
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
6 
 
Considerações gerais sobre o tema 
 
A importância da nutrição no envelhecimento está presente não só no posicionamento de 
organizações internacionais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, mas também 
na percepção dos idosos. O Estudo Global Health Concerns (OMS, 2017) aponta diversos 
aspectos importantes para a adoção de um envelhecimento saudável, dentre os quais a 
nutrição adequada e a atividade física devem ser adotados por toda a vida. Na mesma 
direção, Tavares (2017), em uma revisão integrativa, objetivando compreender o 
envelhecimento saudável sob a perspectiva dos idosos, conclui que não só alimentação 
saudável e atividade física fazem parte das preocupações deste grupo etário, como 
também o não-tabagismo e o não-etilismo. 
 
 
Conceitos de envelhecimento 
 
Definição de termos 
 
Como apresentado nos slides do Módulo I, da aula sobre Nutrição no Envelhecimento, antes 
de abordar o tema propriamente dito, é importante que alguns conceitos sejam revisitados, 
favorecendo a melhor compreensão dos conteúdos subsequentes. 
Entre os conceitos revisitados estão: nutrição, estado nutricional, envelhecimento, 
senescência e senilidade. Cabe neste momento, valorizar a discussão sobre o 
envelhecimento, que como discutido na aula, é um processo, contínuo e inexorável. 
Considerando o exposto no slide 7 do Módulo I, quando foi proposto que o 
envelhecimento pode ser abordado sob diversos aspectos, entre eles o biológico, que por sua 
vez apresenta várias perspectivas, entre elas a molecular, celular, fisiológica, funcional e 
também das doenças crônicas (MARSMAN et al., 2018), talvez a mensagem mais importante 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
7 
 
que deva ficar clara é que os processos biopsicossociais à que o indivíduo é submetido durante 
toda sua existência, é único e lhe impõe um processo de envelhecimento inigualável. 
Na prática da clínica nutricional, o exposto no parágrafo anterior, implica em refutar 
qualquer conduta que se baseie na reprodução de procedimentos que não sejam eleitos 
como resultado de uma avaliação nutricional ampla e o mais profunda possível, 
considerando a complexidade e individualidade de cada idoso. 
Finalizando esta discussão introdutória sobre o envelhecimento, vale destacar que a 
despeito das diversas teorias propostas para explicar este fenômeno, é razoável considerar 
que provavelmente elas sejam complementares. Para um maior aprofundamento nesta 
questão, fica a sugestão de leitura da obra de Spirduso (2005). 
 
 
Aspectos epidemiológicos do envelhecimento 
 
Classicamente são abordadas três transições que afetam a epidemiologia do 
envelhecimento. São elas: a demográfica, a epidemiológica e a nutricional. 
A transição demográfica basicamente nos informa sobre um aumento expressivo na 
proporção deidosos em relação a outros segmentos etários, sobretudo o de crianças e 
adolescentes, além da urbanização da população. Este fenômeno, que ocorre de forma e 
velocidade diferente em cada país, impõe desafios múltiplos, dentre os quais podem ser 
destacados: maior incidência de doenças e agravos não transmissíveis, maior gasto com 
serviços de assistência à saúde em todos os níveis, maior demanda por medidas 
urbanísticas que atendam as especificidades dos idosos, entre outras. Para o 
aprofundamento desta questão são sugeridos os textos de Camarano (2004), Witter 
(2006), Veras & Dutra (2008) e Camarano (2010). 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
8 
 
A transição epidemiológica, caracterizada por uma mudança no perfil de adoecimento 
da população em geral, não só de idosos, em que as doenças infectocontagiosas passam a 
disputar recursos com as doenças e agravos não transmissíveis, passa agora por uma 
necessidade de revisão, imposta por pelo menos dois fatores: a sobrevida de pacientes 
com a síndrome da imunodeficiência adquirida, que atingiu uma expectativa de vida igual 
aos indivíduos não acometidos por esta doença e a atualíssima pandemia do corona vírus, 
com desdobramentos ainda incalculáveis. 
Por fim, a transição nutricional coloca a necessidade de compreensão da mudança no 
perfil alimentar e nutricional da população. Sobre o perfil alimentar, pode ser observada 
a substituição de uma alimentação com o elevado consumo de alimentos minimamente 
processados por outra constituída de alimentos ultraprocessados. Esta substituição pode 
ser explicada, em parte, por uma mudança na estrutura das famílias, em que a mulher 
começa a trabalhar fora de casa e por uma expansão da indústria alimentícia. Sobre estes 
dois aspectos podem ser sugeridos dois textos que retratam bem esta situação. O primeiro 
é um clássico escrito por Sichieri (1998) e o segundo texto é nada menos que o vencedor 
do prêmio Pulitzer de 2010, escrito por Moss (2015). 
 
 
Aspectos biopsicossociais do envelhecimento 
 
Sobre os aspectos biológicos, psicológicos e sociais do envelhecimento é importante 
resgatar os conceitos de senescência e senilidade para estabelecer um contraponto entre 
envelhecimento bem-sucedido e envelhecimento malsucedido (TERRA e DORNELLES, 
2003). 
Enquanto a senescência trará uma perda progressiva da capacidade funcional do 
indivíduo sem lhe impor perdas importantes de autonomia e independência, a senilidade, 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
9 
 
ao contrário, em algum grau compromete a autonomia e ou independência do indivíduo 
na realização das atividades do cotidiano. 
Assim, retomando os aspectos biopsicossociais do envelhecimento, o que se percebe é a 
coexistência de características do envelhecimento bem-sucedido e malsucedido, no nível 
individual. Exemplificando, um indivíduo diabético, que após sofrer um acidente 
vascular cerebral, tenha sua autonomia e independência seriamente prejudicadas, pode 
representar, do ponto de vista biológico e talvez psicológico, o envelhecimento 
malsucedido. Contudo, do ponto de vista social, se este mesmo indivíduo conta com o 
suporte familiar e social adequados a sua condição, poderia se falar em envelhecimento 
bem-sucedido sob estes aspectos. 
Uma mensagem importante sobre este contexto é que os aspectos biopsicossociais 
interagem entre si (ZIMERMAN, 2000), produzindo desafios ímpares ao cuidado 
nutricional no envelhecimento, de tal forma que cada aspecto demanda o conhecimento 
de instrumentos específicos de avaliação que possibilitem um planejamento nutricional 
que atinja o mais próximo possível as necessidades de cada idoso. 
Sendo assim, enquanto o aspecto biológico pode ser avaliado via utilização de 
entrevista, exame físico, antropometria, bioquímica e eventuais exames de imagem, os 
aspectos psicossociais também necessitam ser avaliados via instrumentos próprios, como 
visto no Módulo II. Exemplificando, diante de um idoso com diagnóstico de desnutrição, 
uma dieta hipercalórica pode não surtir nenhum efeito, ainda que bem balanceada, pois 
um aspecto psicológico, por exemplo: depressão, pode estar determinando a inapetência. 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
10 
 
Avaliação Funcional do Idoso 
 
Classificação funcional do idoso 
 
Este módulo inicia com a proposta de discussão sobre o ambiente em que se dá o 
encontro entre o nutricionista e o idoso. Esta discussão torna-se importante pois permite a 
melhor escolha de instrumentos de avaliação e intervenção nutricional, considerando 
possibilidades e limitações de cada espaço. Certamente o atendimento nutricional 
ofertado no ambiente ambulatorial não será o mesmo que na enfermaria, centro de 
tratamento intensivo (CTI) ou mesmo uma instituição de longa permanência para idosos 
(ILPI). 
Basicamente, a mensagem que não pode ser esquecida, é que independente do 
ambiente em que o atendimento nutricional ocorre, devemos conhecer as características 
gerais de saúde que atingem cada grupo em específico, tempo de consulta e recursos 
financeiros do idoso/instituição (SILVA, MARUCCI & ROEDIGER, 2016). 
Uma vez estabelecida a importância do reconhecimento sobre o ambiente em que se 
atende o idoso e suas características, é fácil compreender que os instrumentos de avaliação 
da capacidade funcional dos idosos também variam e devem ser selecionados de acordo 
com a população que se atende. Assim, um instrumento como a Escala de Katz (KATZ, 
FORD, MOSKOWITZ et al., 1963) pode ser de grande utilidade para a avaliação do nível 
de independência do idoso na execução das atividades de vida diária (AVDs) nos ambientes 
ambulatorial, de consultório e ILPI, mas não terá nenhum efeito nos ambientes de 
enfermarias ou CTI. 
As questões que se colocam no Módulo II são: conhecer o conceito de capacidade 
funcional (Brasil, 1999), diferenciar os conceitos de autonomia e independência 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
11 
 
(FIOCRUZ, 2008) e selecionar os melhores instrumentos de avaliação que possam 
contribuir para uma intervenção nutricional apropriada a individualidade de cada idoso. 
Desta forma, busca-se ampliar a percepção do estado de saúde do idoso investigando 
questões relevantes que frequentemente comprometem o estado nutricional destes 
pacientes. 
Retomando os aspectos biopsicossociais do envelhecimento, abordados no Módulo I, é 
natural imaginar que devam existir instrumentos que permitam avaliar cada um desses 
aspectos. O que de fato existe. 
Sobre os instrumentos de avaliação biológica da saúde do idoso, por assim dizer, a 
entrevista, avaliação de sinais vitais, exame físico, eventuais testes e manobras, 
antropometria, exames bioquímicos e de imagem são frequentemente utilizados. Parte 
deles já foram discutidos no módulo um, parte no Módulo II e complementarmente serão 
discutidos no Módulo III. 
O que eventualmente pode soar estranho ao nutricionista é a utilização de 
instrumentos de avaliação da função ou saúde psicológica e social, o que a princípio não 
faria parte do rol de procedimentos deste profissional. 
Ocorre que no campo da gerontologia o exercício da transdisciplinaridade 
(SOMMERMAN, 2006) remonta a implantação do primeiro centro acadêmico do Brasil, 
voltado para o ensino, pesquisa e extensão nas áreas de geriatria e gerontologia. Trata-se 
do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS, implantado em 1973, pelo Prof. Dr. 
Yokio Moriguchi (SOUZA, 2003). 
Sob a perspectiva da transdisciplinaridade as barreiras entre os diferentes campos do saber 
e fazer são mais tênues e procedimentos outrora compreendidos como pertencentes a este 
ou aquele campo tornam-se comum a vários campos, constituindo-se assim um 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
12 
 
novo campo, em que a interação dos saberes e fazeres produzem resultados capazes de 
transcender as disciplinas.Desta forma, um instrumento de avaliação, ainda que preliminar, da saúde psicológica, 
como é o caso da Escala de Depressão Geriátrica (EDG) é de uso comum entre os 
profissionais da gerontologia, e tem como objetivo rastrear pacientes que necessitem de 
avaliação especializada. Assim, a EDG é um instrumento que indica um provável 
diagnóstico de depressão, o que só poderá ser confirmado com a consulta aos especialistas 
da psicologia e psiquiatria (YESAVAGE et al, 1983). 
Surge então a questão: por que o nutricionista deve aplicar a EDG? Por dois motivos 
básicos: primeiro, este profissional estará contribuindo com o rastreio de uma condição 
altamente prevalente entre os idosos (TOY et al., 2015) e segundo porque ainda que o 
resultado da aplicação da EDG não lhe forneça o diagnóstico imediato de depressão, já 
que o mesmo será dado pelo especialista, é possível traçar um planejamento nutricional 
condizente com este quadro, o que certamente aumenta a probabilidade de sucesso do 
acompanhamento nutricional. 
Já sobre a questão social, pode ser aplicado o mesmo raciocínio descrito acima. 
Existem instrumentos que permitem ao nutricionista identificar possíveis barreiras a 
adoção de um planejamento alimentar, de ordem social. É o caso do APGAR de família 
(BRASIL, 2007). Este instrumento é utilizado para avaliar a funcionalidade familiar e o 
resultado obtido com a sua aplicação pode revelar um ambiente estressante, o que 
potencialmente pode repercutir no comportamento alimentar do idoso, seja rejeitando 
refeições, extrapolando a quantidade de alimentos prescrita ou mesmo abandonando o 
planejamento alimentar. 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
12 
 
Existem diversos instrumentos voltados para avaliação da saúde do idoso, sob a 
perspectiva da capacidade funcional. Estes documentos podem ser acessados no endereço 
www.saude.gov.br/dab. 
 
 
Avaliação Nutricional do Idoso 
 
Avaliação nutricional do idoso 
 
Para fins didáticos a avaliação nutricional do idoso pode ser dividida em quatro blocos 
distintos. No primeiro bloco o nutricionista procede o início da entrevista identificando o 
idoso, e frequentemente um acompanhante ou mesmo cuidador. Ainda que este segundo 
personagem não faça parte da consulta é sempre valoroso solicitar nome, contato e relação 
de alguém que possa ser contatado em caso de necessidade. Complementando este 
primeiro bloco, a entrevista continua com a coleta da anamnese (BEVILACQUA et al, 
2003) e aplicação das Escalas de avaliação da capacidade funcional do idoso (BRASIL, 
2007). 
Vale salientar que a anamnese, enquanto componente da entrevista clínica é um 
momento rico de significados tanto para o nutricionista como para o idoso. É nessa hora 
que profissional e paciente iniciam, bem ou mal, uma relação de confiança e mútuo 
respeito. Sobre este aspecto vale a recomendação da leitura da obra de Carrió (2012). 
O segundo bloco da avaliação nutricional pode ser direcionado a aplicação do 
Recordatório de 24 horas, Questionário de Frequência Alimentar, História Alimentar e 
outros instrumentos que sejam apropriados ao ambiente no qual o idoso está sendo 
atendido. Uma leitura valiosa sobre estes instrumentos é a obra de Fisberg et al. (2005). 
http://www.saude.gov.br/dab
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
13 
 
O terceiro bloco da avaliação nutricional, quando o idoso já está mais ambientado com 
a consulta e ainda permanece em repouso, é a avaliação dos sinais vitais e emprego do 
exame físico. 
Quanto aos sinais vitais três aspectos devem receber especial atenção. Primeiro, a 
frequência cardíaca de repouso deve ser medida bilateral e simultaneamente em pulsos 
homólogos, ou seja, pulso radial direito e esquerdo, pulso tibial posterior direito e 
esquerdo e assim por diante (SWARTZ, 2020). Com visto no Módulo III da aula, pulsos 
irregulares devem ser acompanhados de ausculta cardíaca precordial simultânea 
(MALACHIAS et al, 2016). 
O segundo aspecto a considerar, agora em relação a verificação da pressão arterial (PA), 
deve ser a possível ocorrência do hiato auscultatório, frequente nos idosos, e que pode 
mascarar a verdadeira pressão arterial do idoso (PIERIN, 2004). Adicionalmente, 
certifique-se de que no momento da medida da PA o idoso esteja confortavelmente 
sentado, com o tronco na posição ereta, sem cruzar as pernas, pés apoiados no chão, 
bexiga vazia, sem roupas que comprimam o abdome e com o antebraço apoiado sobre 
uma superfície, de tal forma que o cotovelo esteja em flexão de aproximadamente 90 
graus, ombros relaxados e mão aberta (SWARTZ, 2020). 
A verificação da PA nos braços direito e esquerdo é desejável, pelo menos na primeira 
consulta, já que valores discrepantes deverão ser investigados pelo cardiologista 
(MALACHIAS et al, 2016). 
O terceiro aspecto refere-se a temperatura corporal, que no idoso pode mascarar um 
processo infeccioso, já que frequentemente pode não ser encontrado um estado febril 
correspondente (BATES, 2016). 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
14 
 
Finalizando os comentários sobre este terceiro bloco, vale a pena registrar que a 
somatoscopia e a palpação são instrumentos valiosos não só na investigação de sinais e 
sintomas, mas também enquanto demonstração de cuidado, interesse e respeito pelo idoso 
(ROSELLÓ, 2009). 
No quarto e último bloco que compõe a avaliação nutricional do idoso são empregadas as 
medidas antropométricas e definidos os eventuais exames complementares que se 
façam necessários. 
Sobre a antropometria, sempre que possível a medida do peso corporal (PC) e da 
estatura (EST) devem ser complementados com medidas que possam permitir não só a 
avaliação da composição corporal como também a investigação de eventuais 
concentrações de tecido adiposo, sobretudo abdominal, e também de perda de massa 
muscular, notadamente em braços e pernas (NACIF & VIEBIG, 2008). Adicionalmente, 
nas situações em que a medida direta de PC e EST não sejam possíveis, como visto no 
material apresentado na aula, existem diversos recursos (CHUMLEA et al, 1985; 
CHUMLEA et al, 1988; KWOK & WHITELAW, 1991) que permitem estimar estes 
valores com relativa segurança. 
Complementando o conteúdo abordado na aula sobre os aspectos que devem ser 
considerados na avaliação do índice de massa corporal (IMC) de idosos, o tecido adiposo 
deve ser avaliado quanto a sua quantidade e localização. Fisiologicamente, é comum um 
leve aumento generalizado deste tecido entre 60 e 70 anos para em seguida diminuir 
levemente após os 70 anos de idade. Contudo, patologicamente, é frequente um aumento 
de tecido adiposo associado à quadros de hipertensão arterial, diabetes mellitus e outros. 
Vale lembrar que os sítios de deposição do tecido adiposo preferenciais são: subcutâneo, 
intra-abdominal, intramuscular e hepático (THOMAS et al, 2013). 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
15 
 
Em relação aos exames complementares, primeiro devemos ter a convicção de que a 
avaliação clínica bem executada permitirá a solicitação mais acertada de exames que se 
façam necessários para o bom acompanhamento do estado nutricional do idoso. Sobre a 
bioquímica e demais exames complementares diversas obras podem ser consultadas, 
sobretudo aquelas com abordagem teórico-prática e outras no formato de manuais de 
bolso (ROSA et al, 2008; MUSSOI et al, 2014; HINKELMANN et al, 2015). 
 
Prescrição Nutricional para o idoso 
 
Aspectos da prescrição nutricional para o idoso 
 
Antes de abordar alguns aspectos da prescrição nutricional para o idoso, devemos 
estar atentos aos fatores que influenciam a saúde nutricional dos mesmos, conforme visto 
no Módulo IV de nossa aula, quando nos referimos a American Society for Nutrition 
(2017). Isto posto, independente do local de atendimento ao idoso: 
consultório/ambulatório, enfermaria, CTI ou ILPI, parta sempre dos achados obtidos na 
avaliaçãonutricional e tenha em mente os chamados “Gigantes da Geriatria”, que 
frequentemente incluem: hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, anemia, osteoporose, 
Alzheimer, Parkinson entre outros (ADELMAN & DALY, 2001). Em seguida, 
considere as necessidades de macro e micronutrientes, além da adequada ingesta hídrica e 
eventuais interações droga-nutrientes e também nutrientes-nutrientes. 
Entre algumas interações droga-nutriente frequentes entre os idosos podem ser citadas: 
o uso de laxantes, que afetam a absorção de gordura, vitaminas lipossolúveis e níveis 
séricos de beta-caroteno; Cimetidina, que diminui a secreção de ácido graxo e absorção 
de Vitamina D e Neomicina, que induz a má absorção de gordura, proteína, sódio, 
potássio e cálcio (MARIN & Cols., 2018). 
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
16 
 
Considerando a grande prevalência de doenças crônicas não-transmissíveis entre os 
idosos, é bastante interessante a leitura da obra de Philippi & Aquino (2017) para uma 
adequação das recomendações nutricionais de macro e micronutrientes. 
Cada caso irá revelar uma necessidade, que de maneira muito complexa, será o 
resultado da interação das necessidades biológicas do alimento com aspectos psicológicos e 
sociais, captados no processo de avaliação do idoso. Assim, consultar as recomendações 
dietéticas de ingestão diária para o idoso, deve ser visto de forma crítica, considerando o 
estado geral de saúde/doença do mesmo (VOLKERT et al, 2018). 
 
 
Considerações finais 
 
A prática profissional do nutricionista no envelhecimento é desafiadora. Neste ciclo 
da vida, em que as consequências de tudo o que foi vivido nos ciclos anteriores se acumula e 
hábitos se cristalizam, cada aspecto da saúde e da doença adquire um significado ímpar na 
vida do idoso. 
Neste cenário, o profissional deve se manter aberto ao aprendizado de utilização de 
instrumentos de avaliação da saúde do idoso, que tradicionalmente não fariam parte de 
sua prática, mas que tornam-se indispensáveis para a compreensão das necessidades do 
paciente. 
Outrossim, o estabelecimento de uma comunicação fluida com profissionais de outras 
categorias assume caráter decisivo no sucesso de sua intervenção. Médicos, enfermeiros, 
assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, 
educadores físicos e cuidadores de idosos são alguns exemplos de parceiros valiosos para 
o alcance de bons resultados na busca de uma alimentação mais apropriada as 
características de cada idoso.
APOSTILA DE NUTRIÇÃO, SAÚDE E ENVELHECIMENTO 
 
17 
 
Referências bibliográficas 
 
1. ADELMAN, A.M. & DALY, M.P. 20 Common Problems in Geriatrics. New York: 
McGraw-HILL, 2001. 
 
2. American Society for Nutrition. Nutritional Considerations for Healthy Aging and 
Reduction in Age-Related Chronic Disease. Adv. Nutr. 8:17–26, 2107. 
 
3. BATES, B. Bate´s Guide to Physical Examination and History Taking. 12th edition. 
New York: Wolters Kluwer, 2016. 
 
4. BEVILACQUA et Cols. Manual do Exame Clínico. 13ª edição. Rio de Janeiro: Cultura 
Médica, 2003. 
 
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n0 1395, de 9 de dezembro de 1999. Política 
Nacional de Saúde do Idoso. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Poder 
Executivo, Brasília, DF, 13 dez. 1999. n0 237-E, Seção 1, p.20-24. 
 
6. . Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Atenção Básica. Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Brasília: Ministério da 
Saúde, 2007. 
 
7. CAMARANO, A.A. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: 
IPEA, 2004. 
 
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