Prévia do material em texto
Universidade Nove de Julho Maria Lívia Controle da Expressão Gênica Regulação da Exprsão Gênica: • Regulação espacial: ‣ Diferentes tipos celulares em um mesmo organismo; ‣ Determinam a forma da célula. • Regulação temporal: ‣ Genes diferente expressos em tempo diferente em resposta a sinais biológicos ou estímulos ambientais. • Assim se explica como diferentes tipos de células num mesmo organismo diferem dramaticamente entre si. • Todas as células contêm as mesmas informações depositadas no genoma. • Principal ponto de controle que guia o desenvolvimento de eucariotos multicelulares e envolvem diversos tipos de mecanismo regulatório. • A expressão de uma proteína pode ser: ‣ Constitutiva - constantemente expressa; - Gene constitutivo - expresso em todas as células do organismo (GAPDH). Esses genes são chamados housekeeping. ‣ Induzida - expressa quando necessária; - Gene regulável - expresso em alguns tecidos, cuja função está diretamente relacionada à função do órgão/tecido. Níveis de Regulação Gênica: • Regulação transcriocional: ‣ Aspectos funcionais da cromatina; ‣ Metilação do DNA; ‣ Acetilação/Desatilação de histonas; ‣ Proteínas regulatórias. • Regulação pós-transcricional: ‣ “Splicing” alternativo; ‣ Regulação da estabilidade do RNAm. • Regulação traducional: ‣ MicroRNA; ‣ RNA de interferência. • Regulação pós-traducional: ‣ Clivagem; ‣ Modificações químicas - fosforilação; ‣ Conformação proteica tridimensional; ‣ Controle da estabilidade da proteína. Regulação Transcricional: • Eventos antes da transcrição - ocorre no DNA; • É o principal nível em que a expressão dos genes pode ser regulada - mais econômico, pois, se o gene não for transcrito, nenhum dos passos posteriores ocorrerá; • A regulacao da transcrição pode ocorrer através de processos distintos: ‣ Remodelamento da Cromatina: - Acetilação e Desatilação de histonas; - Metilação do DNA. ‣ Ligação de proteínas regulatórias. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • Aspectos funcionais da cromatina: ‣ O DNA de eucariotos está associado a proteínas (histonas), formando estruturas denominadas nucleossomos; ‣ O nível de condensação das diferentes regiões do cromossomo pode ser controlado - regiões que estarão disponíveis para a transcrição em tecido ou estágio de desenvolvimento, do organismo; ‣ A célula controla a disponibilidade de tais regiões através de mecanismos de remodelamento de cromatina. ‣ DNA é encontrado nas células compactado formando a cromatina, isto é, DNA + histonas. - Desta maneira alterações na cromatina implicaria no grau de compactação do DNA e consequentemente def in i r ia se uma determinada região do DNA seria expressa ou não. • Remodelamento da cromatina: ‣ Mecanismos através dos quais a célula controla os níveis de condensação do cromossomo - modificações na estrutura do DNA e das histonas; ‣ Adição, ou remoção, de radicais à molécula de DNA ou às proteínas histonas a ele associadas; ‣ Dentre essas modificações, destacam-se os processos de metilação do DNA, acetilação e desatilação das histonas. • Acetilação e Desatilação de histonas: ‣ Às proteínas histonas centrais do nucleossomo - H2A, H2B, H3 e H4 - possuem longas caudas amino-terminais que se estendem para fora da estrutura; ‣ Tais caudas são o principal alvo para as modificações químicas já citadas; ‣ Essas modificações nas proteínas histonas afetam o acesso de proteínas reguladoras e complexos proteicos à cromatina e, dessa forma, influenciam a expressão gênica. ‣ A acetilação de histonas contribui para a ativação da transcrição: - 1 - Reduz a afinidade da histona pelo DNA - afrouxa o nucleossomo; - 2 - Recrutamento de outros componentes da maquinaria da transcrição; - 3 - Iniciação da remodelagem da cromatina. • Metilação de dna: ‣ Modificação química que se observa pela ligação de um grupo metil ao carbono 5 da citosina em ilhas CpGs; Histona acetiltransferase (HAT) é a enzima capaz de adicionar grupos acetil nas caudas - acetilação; Histona desacetilase (HDAC) faz a remoção dos grupos acetil das caudas - desatilação. Universidade Nove de Julho Maria Lívia ‣ Ilha de CpG: - Região do genoma com pelo menos 200pb que contém mais de 50% de CpGs; - Localizadas em promotores e ou primeiros éxons de genes ativos. ‣ Como a Metilação afeta a Transcrição: - A metilação impede que a RNA polimerase e o fator de transcrição se liguem ao gene, ou seja, silenciado. • As modificações na cromatina são capazes de controlar o início da expressão Gênica: • Proteínas regulatórias: ‣ Transcrição - RNA polimerase II é a responsável pela produção dos RNA mensageiros e se acopla às regiões promotoras dos genes (Caixa TATA e Caixa CAAT) com o auxílio de vários fatores de transcrição. A partir de então, tem início a fase de elongação da transcrição. ‣ O complexo da RNA pol II (incluindo os fatores de transcrição) não é capaz de reconhecer e se acoplar ao promotor de um dado gene sem a ajuda das proteínas reguladoras. ‣ Além da região promotora existem outras regiões que influenciam na regulação da expressão de cada gene. Tais regiões são denominadas “Intensificadores ou Enhancer”; - Os intensificadores correspondem a sítios de ligação de proteínas regulatórias. ‣ Enhancers: - São sequências intensificadoras nos eucariotos superiores. - A localização do enhancer é a montante do gene; - Quando proteínas reguladoras estão ligadas nestas sequências adicionais, aumentam a transcrição dos promotores próximo; DNA metiltransferase (DNMT) é a enzima que faz a metilação do DNA; DNA desmetilase faz a remoção dos grupos metil. Genes Ativos: DNA desmetilado; Histonas acetiladas; Eucromatina. Genes Inativos: DNA metilado; Histonas desacetiladas; Heterocromatina. Apenas os genes cujos promotores estão associados a proteínas reguladoras são reconhecidos e transcritos. Universidade Nove de Julho Maria Lívia - Antes de iniciar a transcrição o DNA se dobra para formar o Complexo Transcricional - formado pela RNA polimerase + fatores de transcrição + proteínas regulatórias. Regulação Pós-Transcricional: • Eventos pós-transcrição - ocorre no RNA; • “Splicing” alternativo: ‣ A retirada de íntrons e a emenda de éxons compõem um passo crucial do processamento do RNA em eucariotos; ‣ As células utilizam o processamento do RNA como uma importante forma de regulação da expressão gênica; ‣ Tal mecanismo é denominado “splicing” alternativo (união) e consiste em selecionar os éxons que serão emendados e rearranjados para compor o RNAm final. ‣ Ele permite que diferentes proteínas sejam produzidas a partir de um mesmo gene, elevando o potencial de codificação de seus genomas - aumento da variabilidade proteica. • Estabilidade do RNAm: ‣ Transcrição, acúmulo do RNAm correspondente no citoplasma da célula – disponibilidade para a tradução. ‣ RNAms possuem “vida útil” - após certo tempo tais moléculas precisam ser eliminadas. ‣ Se os RNAms não fossem degradados, a quantidade no citoplasma atingiria altos níveis, inviabilizando o funcionamento celular. ‣ O controle da estabilidade do RNAm de um dado gene é um importante mecanismo de regulação de sua expressão. ‣ O principal processo de degradação do RNAm, é iniciado pela remoção da cauda poliA e é denominado desadenilação. ‣ Em seguida ao processo de desadenilação, ocorre a remoção do capacete presente na extremidade 5’ do RNAm, realizada por um conjunto de proteínas e fatores. ‣ Após a retirada das estruturas de proteção o transcrito é rapidamente degradado por enzimas denominadas exonucleases. Regulação Traducional: • Ocorre no citoplasma da célula; • A partir do momento em que um RNAm se encontra no citoplasma, seu processo de tradução também pode ser regulado. • Regulação mediada por pequenosRNAs. —> pareamento de uma sequência curta de RNA com uma sequência alvo de um RNAm. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • Mecanismo de repressão da expressão gênica: ‣ Inibição da tradução do RNAm ‣ Degradação do RNAm • Micrornas - definição: ‣ Moléculas pequenas de RNAs não codificantes com aproximadamente 22 nucleotídeos; ‣ Incapazes de codificar proteínas; ‣ Regulam a expressão de 30 a 60% dos RNAs codificantes em humanos; ‣ Identificação de ~ 2694 microRNAs humanos - miRBase 2021.; ‣ Tradução: ‣ Biogênese do MicroRNA: Regulação Pós-Traducional: • São modificações de uma cadeia proteica depois de sua tradução; • Modificações pós-tradicionais - alterações promovidas nas propriedades da proteína: ‣ Clivagem Proteolítica: - Algumas proteínas devem ser clivadas proteoliticamente (cortadas) para se tornarem ativas. - Ex: insulina usada pelos diabéticos. ‣ Modificações Químicas: - Também há mecanismos regulatórios que agem nas proteínas já formadas; - Neste caso, uma “alteração” da proteína - como a adição de uma modificação química - pode levar a uma mudança em suas atividades ou comportamento; - Ex: fosforilação. microRNA - a partir do próprio genoma (endógeno); siRNA - originados de genomas exógenos: virais, transposons ou sintetizados em laboratórios. MicroRNA - miR-146b-5p: uma terapia para câncer de tireoide: Esquema ilustrativo da via TGF-B. A via é ativada pela ligação do TGF-B ao receptor, fora da célula. Dentro da célula o receptor ativa 2 outras proteínas, SMAD2 e 3, as quais associam-se à SMAD4 e dirigem-se ao núcleo. Uma vez no núcleo, este complexo associa-se ao DNA e promove o controle de genes que levam à inibição da multiplicação celular. O efeito da fosforilação varia de proteína para proteína: algumas são ativadas pela fosforilação, enquanto outras são desativadas. Universidade Nove de Julho Maria Lívia ‣ Conformação Proteica Tridimensional: - Para obter sua forma biologicamente ativa, o polipeptídeo deve se dobrar em sua conformação tridimensional própria, o que é chamado enovelamento. - Processamento - ocorre de acordo com o destino final dessas proteínas, que pode ser o interior ou o exterior da célula, no qual elas desempenharão suas funções; - Enovelamento —> endereçamento. ‣ Controle da Estabilidade Proteica: - O final do processo de tradução e o momento da degradação de um polipeptídio define a “longevidade” dessa molécula no citoplasma.; - Mecanismos regulados de degradação de proteínas —> “vias de degradação ubiquitina proteassomo”. Dregulação do Siema e Dnças Aociadas: • Parkinson: ‣ Regulação pós traducional; ‣ Falha do componente de ubiquitinação do sistema de degradação de proteínas - a parkina (gene PRKN - 6q26) liga a ubiquitina às proteínas deformadas - sem ela, não há marcação nem degradação. Chaperonas: • É possível que uma proteína não consiga desempenhar suas funções por erro no enovelamento. • Chaperonas – complexo proteico que utiliza a energia da hidrólise de ATP para desnovelar proteínas, possibilitando novo enovelamento, dessa vez, na forma correta ou no lugar correto. • Encaminham à destruição, caso não seja possível a configuração correta. Ubiquitinação: • As proteínas podem ser marcadas para degradação pela adição de um marcador químico chamado ubiquitina. • Os complexos ubiquitina/proteína são submetidos à degradação pelo proteossomo 26S - por diversas enzimas que possuem função proteolítica. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • Doença de Huntington - hd: ‣ Regulação pós traducional; ‣ Doença neurodegenerativa progressiva causada por repetições excessivas do códon CAG, o que gera poliglutaminas nos terminais N; ‣ Estão associadas com a formação de agregados proteicos tóxicos que se acumulam formando placas - falha na regulação pós traducional; • Alzheimer: ‣ Regulação pós traducional; • HPV: ‣ Regulação pós traducional; • Câncer: ‣ Regulação transcricional e traducional. Epigenética: • Definição: ‣ Qualquer atividade reguladora de genes que não envolve mudanças na sequência do DNA (código genético) e que pode persistir por uma ou mais gerações. • Importância: ‣ Permite que as células tenham características diferentes, mesmo possuindo o mesmo DNA • Drogas epigenéticas: ‣ MG98 - Inibidor de DNMT1: - Cânceres de cabeça e pescoço; - Desmetilação de genes de supressão tumoral que se encontram metilados.