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Gabriel Amaral - 006 Radiologia Introdução Existe um grande número de modalidades diagnósticas disponíveis. A utilização deles vai ser conforme a disponibilidade e a experiência do local responsável. Radiografia simples de abdome O mais comum e mais abundante é a radiografia simples de abdome, que é rápida, amplamente disponível e não utiliza nenhum tipo de contraste. A técnica mais comum de realização desse exame consiste em colocar o paciente em decúbito dorsal e incluir desde as cúpulas diafragmáticas até a sínfise púbica. Principais indicações - Suspeitas de obstrução intestinal; - Localização de objetos que possam ter sido engolidos: como, por exemplo, uma criança que engole uma moeda. - Controle de posição de drenos e tubos; - Litíase renal. Contraindicações - Grávidas; - Em crianças é preciso avaliar o custo- benefício. Exames radiológicos contrastados Basicamente, são exames de raio-x com alguma contraste específico. Meios de contraste Um meio de contraste é um composto que, quando em uma substância orgânica, permite a obtenção de imagens radiológicas com melhor definição. Para isso, são utilizadas substâncias de alto contraste radiológico, que são radiodensas ou radiopacas (que brilham). Vias de administração As vias de administração de contraste vão depender do que deseja ser visualizado. Podem ser: > Oral: utilizada em exames abdominais, para que as alças intestinais sejam preenchidas e permitam melhor visualização de todas as estruturas do sistema digestório. > Parenteral: sua aplicabilidade é o preenchimento de estruturas vasculares, que permitem delimitar a morfologia e analisar a fisiologia das estruturas do corpo. > Retal: utilizada nos estudos pélvicos, finalidade de preencher o cólon sigmóide e ampola retal. > Vaginal e Uretral. Radiologia Abdominal Gabriel Amaral - 006 Radiologia > Intratecal: injetado na espinha do paciente (lombar), utilizado nos estudos do canal medular. Classificação dos meios Os meios de contraste podem ser classificados de acordo com a sua capacidade de absorver radiação. Sendo assim: - Negativos: não absorvem radiação nenhuma, sendo mais escuros que os tecidos adjacentes. Neste caso, podem ser ar e água, que são radiotransparentes. - Positivos: absorvem mais radiação que os tecidos adjacentes. Com isso, se tornam mais brilhantes que todos os outros. Neste caso, podem ser sulfato de bário e iodo. Neste exame: bário é injetado pelo ânus. Utilização de contraste Contraste pode ser utilizado em Raios-X, TCs, Hemodinâmica e RNM. Tipos de Contraste - Sulfato de Bário: utilizado em raio x contrastado de administração oral ou retal, como do sistema gastrointestinal. - Iodado: pode ser iônico ou não iônico. - Gadolínio: utilizado em ressonância magnética. Principais exames de TGI Esofagograma (Esofagografia) Foi um dos primerios exames a ser utilizado na radiografia convencional, por ser um exame rápido, simples e de baixo custo; logo, acessível. Para isso, o paciente ingere sulfato de bário e radiografias vão sendo feitas do esôfago opacificado, permitindo visualização da deglutição. O paciente deve estar em posição ortostática ou sentado, em plano sagital ou frontal. É útil para: avaliação de disfagias, estenoses, doença de Chagas, divertículos, pós- operatórios, etc. Todavia, suas aplicações diminuíram muito com a chegada de endoscopia. Um perigo desse exame é que o paciente corre risco de aspirar o contraste para o pulmão. Por isso, deve ser realizado com muita cautela. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Imagem: esofagografia de bebê com estenose. Imagem: lesões aparentes em esofagografia Seed O SEED tem o mesmo princípio da esofagografia, mas neste caso é uma Seriografia de Esôfago, Estômago e Duodeno. Foi muito tempo utilizado para diagnóstico de doenças gastrointestinais, mas tem perdido espaço para EDA. É muito utilizado na avaliação de possíveis complicações pós-operatórias de cirurgias bariátricas (exemplo) e pesquisa de refluxo GE em crianças. Trânsito intestinal (delgado) O intestino delgado é mais difícil de fazer diagnóstico. Neste exame, é feito um raio x simples e, depois, é administrado bário e radiografias seriadas, com um intervalo entre elas, são realizadas. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Fig.1: Raio-x simples Fig.2: Após 15min de contraste Esse exame é importante por mostras detalhes da mucosa, mas não permite visualização de componentes extraluminais. Tem sido substituído por TC. Enema opaco com duplo contraste É um exame que consiste na administração de contraste oral e também ar por via retal, para distender o cólon. Por isso, é um exame que causa muito incômodo. É útil para a visualização de pólipos, neoplasias e doença diverticular, mas tem sido substituído pela colonoscopia. Principais exames de SI Urografia excretora Uma radiografia, sem contraste, é feita. Depois, com contraste IV, outras radiografia é realizada, buscando observar se o contraste chegou ao sistema pielocalicial e até a bexiga. Importante para verificar presença de cálculo renal. Indicado para cólica renal e hematúria. Está sendo substituído por TC e Ressonância Magnética. Principalmente para casos de urolitíase (cálculo), a TC é padrão ouro. Histerossalpingografia É um exame muito importante, principalmente para a propedêutica de infertilidade, e ainda não possui substituto. Pessoas que desejam engravidar passam por esse exame para ver a permeabilidade das trompas. Neste caso, o contraste é injetado no colo do útero e causa opacificação de toda cavidade endometrial e trompas, até chegar ao peritônio. Com isso, é possível ver se as trompas estão pérvias ou não. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Uretrocistografia miccional É um exame realizado em crianças. Contraste é injetado pela uretra, para que ele chegue à bexiga. Depois, solicita-se que a criança realize força de micção. O objetivo desse exame é visualizar, através da força realizada, se ocorre refluxo de urina para os ureteres. É muito utilizado em avaliação de infecção urinária de repetição ou pacientes com hidronefrose diagnosticada no pré-natal Na imagem: refluxo unilateral Uretrografia retrógrada Utilizada em homens com suspeita de estenose uretral de origem traumática ou inflamatória. Neste caso, é injetado contraste pela uretra e é radiografada a progressão do contraste até a bexiga, com o objetivo de visualizar estenose ou não. Ultrassonografia abdominal É um exame amplamente disponível, sendo rápido, indolor e de baixo custo. Muitas vezes é utilizada na propedêutica por imagem do abdômen, como de rotina. É um exame bom para visualização de órgãos sólidos, para ver vesícula, vias biliares, líquido na cavidade peritoneal (como em casos de trauma) e, claro, na ginecologia e obstetrícia. - Limitações: pacientes obesos, distensão gasosa abdominal e patologias das vísceras ocas. Fig. 1: Ultrassonografia em paciente obeso; Fig.2: Ultrassonografia em paciente magro. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Tomografia Abdominal É muito utilizada em situações de emergência, como abdome agudo, trauma abdominal ou politrauma. Além disso, em pacientes de UTI pouco cooperativos. Ressonância Magnética Praticamente as mesmas indicações de tomografia, mas não é muito boa para emergências, pois é um exame demorado. É ótima para lesões hepáticas focais e difusas, vias biliares (ColangioRM) e patologias pélvicas femininase masculinas (estadiamentos oncológicos). - Desvantagens: exame muito demorado. Pacientes não cooperativos, com dificuldade de realizar apneia, confusos, claustrofóbicos, e com movimentos involuntários não são bons candidatos à RM. - Contraindicações: presença de marca- passo cardíaco, clipe de aneurisma cerebral, corpo estranho metálico intraocular ou próximo de órgão vital, etc. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Raio X de abdômen Relembrando - Tipos de radiação > Transmitida: passa pelo paciente e interage com o receptor (5-15%); > Absorvida: interage com o tecido do paciente. > Espalhada: não é transmitida ou absorvida, mas muda de direção ao passar pelo paciente. É indesejada, pois interfere na imagem. - Escalas de cinza: - Formação de imagens: Ocorre pela sobreposição de vários tecidos de densidades diferentes, sendo uma soma de sombras. > Sinal de silhueta: bordas de uma estrutura são visualizadas se interface com densidades diferentes. Por exemplo, bordas limítrofes formadas a partir de revestimento de gordura. - Posição: o lado da imagem sempre é o contrario da realidade. Ou seja, se na imagem o órgão está do lado esquerdo, é porque ele é do lado direito e vice versa. > Decúbito dorsal: quando o paciente está deitado, o líquido na cavidade se espalha, não permitindo a visualização de um nível hidroaéreo. > Ortostática: neste caso, o líquido se encontra como em um copo de água, permitindo a visualização de nível hidroaéreo. Isso vai ser definido conforme a necessidade de visualização do raio x. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Incidências principais - Incidência Anteroposterior (Dorsal): o raio entra anteriormente e sai posteriormente. Essa é a mais utilizada para a visualização de um panorama geral do abdômen. Permite a visualização de Calcificações, massas, pós- procedimentos, iatrogenia, objetos radiopacos e etc. - Incidência póstero-anterior (ventral): o raio entra posteriormente e sai anteriormente. É utilizada para visualizar gás no retossigmóide, que está localizado na porção posterior. Se não for visualizado gás, indica que não há obstrução. Importante em casos de abdômen agudo. - Incidência ortostática: importante para observar níveis hidroaéreos nas alças intestinais e pneumoperitônio. - Incidência decúbito lateral com raios horizontais: é realizada quando o paciente não é capaz de ficar em pé, mas é necessário visualizar nível hidroaéreo e pneumoperitônio. > DL direito ou esquerdo, a face posterior do abdome encostado na no filme, os braços para cima e as pernas flexionadas. > RC: perpendicular ao filme, na horizontal, na altura da crista ilíaca. Gabriel Amaral - 006 Radiologia > Complemento: de tórax, que permite visualização de ar livre, pneumonia e derrame pleural. Como interpretar É importante ter uma sequência de raciocínio. 1º Bases pulmonares: é possível ver vasos pulmonares se projetando acima do abdome superior. Por exemplo, o pulmão é uma área preta, pois contém ar. Se houver uma pneumonia, será possível ver mais esbranquiçado, pois há líquido nos pulmões, pus obstruindo os alvéolos, etc. 2º Pneumoperitônio: a incidência ortostática é a melhor. Normalmente, não é possível ver a diferença de fígado para diafragma; todavia, em caso de pneumoperitônio, será possível, devido presença de gás entre eles. > Causas mais comuns: ruptura de vísceras ocas (por iatrogenia, úlcera, obstrução, etc) e também por cirurgias prévias. 3º Padrão de gás intestinal: > Estômago: localizado à esquerda ou na linha média, abaixo do diafragma. Quase sempre é visível pela presença de gás. > Intestino delgado: é normal conter ar e nível hidroaéreo. Tem diâmetro máximo de 3cm, mais centralizado e é possível observar as válvulas coniventes. Quando as alças do intestino delgado possuem o lúmen preenchido, são ditas distendidas. Isso é algo normal. Mas se as alças estiverem preenchidas além do tamanho normal, estão dilatadas; isso é anormal. Ou seja, distensão e dilatação são duas coisas diferentes. Apenas distensão é normal. Gabriel Amaral - 006 Radiologia Imagem: válvulas coniventes do intestino delgado, que permitem diferenciação com o grosso. > Intestino grosso: é normal ter gás, mas não é normal observar nível hidroaéreo (se houver, indica que há alguma obstrução ou algo errado). É mais calibroso, com poucas alças, geralmente mais verticais, haustrações e em formato de moldura do abdome. Pode chegar até 6cm de diâmetro, mas ceco e sigmoide podem ir até 9cm. > Acúmulo de fezes: aparência de miolo de pão. > Relembrando anatomia: Gabriel Amaral - 006 Radiologia 4º Órgãos sólidos: > Fígado: quadrante superior direito, encostando no diafragma e ultrapassando a linha média. > Baço: localizado no quadrante superior esquerdo, também encostado no diafragma. Em casos de esplenomegalia, o baço pode ser confundido com o rim. > Músculo Psoas: como se fossem dois triângulos, um de cada lado da coluna. Suas bordas podem ser visíveis pela presença de gordura circundando-os. Não conseguir visualizar esse músculo não significa doença retroperitoneal. > Rins: muitas vzes só é possível observar as porções inferiores. > Bexiga: Gabriel Amaral - 006 Radiologia 5º Massas de partes moles 6º Calcificações, tubos ou corpos estranhos: importante procurar calcificações ou densidades metálicas anormais. Na imagem: calcificação no rim esquerdo. Na imagem: flebólitos (calcificações nos vasos) Na imagem: cálculo na vesícula biliar. Na imagem: cálculo na bexiga. Na imagem: mioma uterino calcificado. Gabriel Amaral - 006 Radiologia 7º Ossos e articulações: coluna vertebral, costelas inferiores, sacro, pelve e cóccix. - Outras condições: > Ascite: aparência sutil, densidade de partes moles por todo o abdômen. > Corpos estranhos deglutidos ou introduzidos em reto, ureta ou vagina. Indicações de Raio X - Avaliação padrão de gás intestinal (obstrução?). - O estudo negativo em alguns pacientes pode evitar a necessidade de TC. - Avaliação de linhas e tubos radiopacos. - Avaliação de corpos estranhos radiopacos. - Avaliação do gás livre pós-procedimento. - Avaliação do gás intestinal no íleo pós- operatório. - O Íleo pós-operatório, uma alteração transitória da motilidade gastrointestinal (causa frequente de atraso no retorno à motilidade intestinal normal após a cirurgia abdominal). Patologias importantes - Obstrução intestinal; - Volvulo sigmóide. Limitações - Baixa sensibilidade e especificidade para patologia intra-abdominal; - A gravidez é uma contraindicação relativa.