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Dor: “Experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano tecidual potencial ou real...” (Internacional Association for the Study of Pain). Otalgia: dor localizada na orelha. Dividida em otalgia 1° (origem da dor é na fenda auditiva) ou secundária (dor referida). Dor referida: teoria da projeção de convergência – “quando múltiplos nervos convergem em uma única via compartilhada, incapacitam o SNC de diferenciar a origem do estímulo”. CAUSAS DE OTALGIA Otalgia Primária: • Processo neoplásico. • Infecciosa: OMA / Otite externa / Mastoidite aguda / Otite externa maligna / Herpes zoster ótico / celulite, pericondrite, condricte. • Inflamatória: otite externa / miringite bolhosa / Policondrite recidivante / Espasmo muscular. • Ocupacional: Trauma / ulceração pelo frio / Queimaduras. Otalgia secundária (referida): • Processo neoplásico. • Disfunção de ATM/ Patologias dentárias. • Síndrome de Eagle. • Arterite Temporal. • RFL. • Neuralgia: trigêmio, geniculado, esfenopalatino, glossofaríngeo. INERVAÇÃO SENSITIVA DA ORELHA 4 nervos cranianos e 2 nervos cervicais superiores: N. Trigêmeo (V), N. Facial (VII), N. Glossofaríngeo (IX), Vago (X), C2 e C3. Nervo trigêmeo: através do ramo auriculotemporal (V3), trágus, hélice, parede anterossuperior do CAE/ MT e ATM. Nervo Facial: porção pósteroinferior do CAE/MT. Nervo Glossofaríngeo: orelha interna e porção interna da MT (N. de Jacobson). Nervo Vago (através do N. de Arnold): concha e O. Interna. C2 e C3: faces medial e lateral do pavilhão, lóbulo e pele anterior e posterior ao CAE. AVALIAÇÃO CLÍNICA Anamnese: localização da dor; irradiação; fatores agravantes; sintomas associados e fatores de risco para neoplasias. Exame Físico: • Inspeção da orelha. • Otoscopia (observar dor a tração da orelha ou pressão no tragus). • Palpação da ATM (observar, dor, rigidez e crepitação ao abrir e fechar a boca). • Rinoscopia anterior. • Oroscopia. • Palpação cervical. • Avaliação de nervos cranianos. Exames complementares: • Audiometria/imitanciometria (paciente com PA ou zumbido). • NFL (excluir neoplasias). • TC/RNM (suspeita OMC/OMCC/ OEM / Trauma de osso temporal). OTALGIA PRIMÁRIA Otite Externa: QC: Dor, prurido, plenitude, pode hipoacusia. Otoscopia: edema e/ou eritema de CAE, otorreia, linfadenite regional, hiperemia de MT, celulite de pavilhão ou pele adjacente. Germes: Pseudomona aeruginosa, Staphylococcus aureus; Candida albicans e Aspergillus. FR: Remoção excessiva de cerume, exposição água/sabão, uso frequentes de gotas otológicas, trauma local, condições dermatológicas. Tratamento: limpeza do CAE, Gota com ATB e analgesia. Otite Externa Maligna: Pseudomonas aeruginosa. Diabéticos e imunossuprimidos. QC: otalgia intensa, otorreia, edema de CAE, tecido de granulação em CAE e febre. Mortalidade até de 70%. Pode paralisia facial, envolvimento osso temporal e base do crânio. TC: pode erosões ósseas e velamento da mastóides e OM. Cintilografia com Ga/Tc- precocemente alteradas. Tratamento: Quinolonas EV (queda da mortalidade), corticoterapia, Internação, limpezas diárias e controle do DM/Imunossupressão. Otite Média Aguda: Infecção bacteriana mais comum da infância. QC: Dor, febre, otorreia (OMA supurada), diminuição do apetite, hipoacusia (transitória) e plenitude. Microrganismos: S pneumoniae, H influenzae e M catarrhalis. Otoscopia: abaulamento de MT, hiperemia de MT, presença de liquido em OM, otorreia. Tratamento: analgesia, antitérmico, ATB (segundo critérios), TVs (OMA recorrente). Miringite Bolhosa: Processo inflamatório envolvendo camada externa da MT e porção medial do CAE. Etiologia: Mycoplasma pneumoniae, adenovírus e EBV. QC: otalgia intensa, otorreia serossanguinolenta, perda auditiva e febre. Otoscopia: bolhas serossanguinolentas na MT. Tratamento: analgesia e ATB/CTC tópicos (eventualmente VO). Mastoidite Aguda: Streptococcus pneumoniae. Complicação de OMA; mais comum entre 1-3 anos. QC: otalgia, febre, deslocamento anterior do pavilhão auricular, edema e eritema com desaparecimento do sulco retroauricular. Otoscopia: abaulamento e hiperemia da MT, perfuração de MT, Otorreia purulenta. Complicações: abscesso subperiosteal, abscesso de Bezold, paralisia facial, síndrome de Gradenigo (paralisia do VI NC), labirintite supurativa, meningite, abscessos intracranianos, tromboflebite de seio lateral. TC: avaliação da extensão do comprometimento da mastóide (ver erosões ósseas). RNM: suspeita de complicações intracranianas. Tratamento: conservador com ATB sistêmico para casos não complicados; miringotomia e TV e mastoidectomia se sinais de complicação. Herpes Zoster Ótico (Síndrome de Ramsay-Hunt): Pela reativação do VVZ no gânglio geniculado. QC: Vesículas em CAE, pavilhão e áreas vizinhas associada a otalgia severa e paralisia facial periférica. Pode: perda paladar, zumbido, PA, vertigem. Tratamento: CTC VO, antiviral e analgesia, cuidados oculares. Neoplasias de CAE e Orelha Média: Tu incomuns: 1 caso/1milhão de pessoas / 1:4000 em portadores de OMC/OMCC. QC: otalgia, otorreia, hipoacusia, prurido, sangramento, paralisia facial, vertigem e lesão expansiva em CAE. CA de células escamosas tipo mais comum. Tratamento: Cx ou Rdt. OTALGIA REFERIDA Pela convergência de vias sensoriais comuns entre ambas orelhas e nervos cranianos que inervam a cabeça e pescoço, sendo o SNC incapaz de localizar corretamente o sítio da patologia. Cavidade oral: Doenças dentárias: estímulo ao ramo auriculotemporal do Trigêmeo. Trauma, abrasão e erosão pela ingestão de substâncias ácidas. Úlceras orais, trauma, infecções virais e bacterianas, neoplasias, deficiência nutricionais e causas autoimunes. Articulação Temporomandibular – DATM: Uma das principais causas de otalgia. Dor e/ou dificuldade à mastigação e a movimentação passiva da mandíbula. 2-9x + comum em mulheres, entre 40-70 anos. QC: Dor, plenitude aural, zumbido, tontura e sensação de perda auditiva. FR: trauma agudo ou crônico e repetitivo (bruxismo, má- oclusões dentárias ou perda de elementos dentários). Dor miofacial com irradiação para diversos sítios da cabeça e pescoço é a forma mais comum. Tratamento: clínico com calor local, massagens e AINEs (melhora em 80% dos casos); se falha, encaminhar ao Buco. Refluxo Laringofaríngeo: “Fluxo retrógrado de conteúdo gástrico do EES para laringe e faringe”. Irritação do epitélio pelo conteúdo ácido gástrico estimula os nervos IX e X produzindo otalgia. Tratamento clínico. Síndrome de Eagle: Otalgia, dor facial, dor de garganta e disfagia secundários ao processo estiloide alongado ou à ossificação do ligamento. Dx: pela palpação da fossa tonsilar e/ou radiografia panorâmica. Tratamento: Cx (resultados controversos). Infecções: IVAS (tonsilites, faringites) abscessos peritonsilar, retro/parafaríngeos – dor reflexa pela estimulação do nervo glossofaríngeo. Arterite Temporal: Dor temporal e rigidez que podem envolver a orelha. QC: Dor temporal e rigidez, associados a mal-estar, perda de peso, febre e anorexia. Incomum abaixo dos 50 anos / VSG geralmente > 50mm/h. Tratamento: corticoide sistêmico. Neuralgias: Dor lancinante na distribuição do nervo afetado, sem causar déficit neurológico. Neuralgia do Trigêmeo a mais comum; outras: neuralgia do geniculado (VII), IX, X. Exames de imagem para excluir outras causas. Neoplasias: Pacientes com Fatores de risco para Neoplasias do trato aerodigestivo superior com otalgia referida devem ser sempre investigados para Neoplasias. Fatores de risco: tabagismo, etilismo, idade > 50 anos, disfagia/ disfonia, perda de peso e exposição à radiação. Sítios mais comuns:base de língua, fossa tonsilar e hipofaringe.