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Nathalya Karen Trauma Trauma Torácico Epidemiologia Responsável por 25% das mortes por trauma; 85-90% dos traumatismos torácicos contusos são tratados por medidas simples (drenagem torácica e intubação); 15-30 dos ferimentos penetrantes de tórax necessitam de cirurgia (toracotomia). Causas Acidentes automobilísticos: - Ausência do dispositivo de segurança expõe o paciente a um trauma direto contra o volante, já que este fixa o corpo através da caixa torácica; - Cima sob: choca contra a região do volante. Quedas de altura (idosos) - Densidade mineral óssea: confere resistência aos arcos costais. Agressões - Principalmente com o uso de instrumentos: barra de ferro, arma branca; Lesões esportivas Mecanismos Temos: Impacto direto sobre o tórax: - Fraturas de costelas, tórax instável, contusões pulmonares e cardíacas; Nathalya Karen Trauma - Geralmente causa desconforto respiratório, dor ao inspirar, Fr alta, porém mantem padrão de superficialidade durante a respiração; Impacto direto sobre o pescoço hiperextendido - Lesões Laringo-traqueais; Impacto direto sobre o tórax com a glote fechada: - Ruptura brônquica (fenômeno do saco de pão); - Dispositivo de segurança: protege cerca de 70-80%, mas pode ser o próprio causador da lesão. Desaceleração rápida - Ruptura aórtica ou brônquica (cisalhamento); - Cisalhamento: estiramento, partição, fissura, devido ao impacto com que os órgãos batem na caixa torácica devido á desaceleração rápida. Desaceleração vertical (queda) - Ruptura aórtica; Flexão espinhal - Ruptura do ducto torácico; Aumento súbito da pressão intra-abdominal - Ruptura diafragmática. Trauma Penetrante Sobrevida depende do tipo de arma, local da lesão e o pronto reconhecimento de lesões graves e encaminhamento aos centros de trauma; Mais comuns: perfuração por disparo de arma de fogo; Projétil: não tem um sentido linear, por isso é difícil limitar as áreas afetadas. Se a perfuração atinge a pleura parietal, 90% terão lesão pulmonar e 50-60% terá hemopneumotórax; A princípio NÃO se deve explorar o ferimento. Avaliação: História clínica detalhada (não deve retardar a assistência); ABC do trauma; *X: exanguinação: já está controlada Priorizar correção de danos que causem morte imediata; Nathalya Karen Trauma Documentar danos menos sérios para correção posterior; A. História clínica Acidente automobilístico: Tempo entre o trauma e a chegada ao hospital; Tipo de impacto (frontal, lateral, traseiro); Local do paciente dentro do veículo (passageiro, condutor); Ex.: condutor (com uso de dispositivo): trauma torácico não é tão comum; Velocidade aproximada (velocidade é muito importante mais ainda que a massa) Ejeção do veículo; Morte de ocupante do veículo; Uso de cinto de segurança; *Ocorre também trauma Quedas Altura Superfície onde o paciente caiu. B. ABC do trauma C. Exame primário: Lesões com risco eminente de vida: Pneumotórax hipertensivo; Pneumotórax aberto; Tórax instável; Hemotórax maciço; Tamponamento cardíaco; Nathalya Karen Trauma Pneumotórax hipertensivo Mecanismo: Escape do ar do pulmão ou pela parede torácica, causando colapso pulmonar (válvula unidirecional); Lesão parenquimatosa, fazendo com que todo ar que eu inspire seja desviado para meu espaço interpleural. Esse escape fora faz com que a capacidade de hematose seja muito diminuída, já que esta ocorre sobre pressão e como há esse escape há diminuição da pressão intraalveolar. Ocorre colapso pulmonar, porque toda vez que ocorre inspiração (aumenta a pressão) ocorre compressão do pulmão em sentido ao mediastino. Essa compressão do pulmão, devido ao aumento da pressão, acaba gerando compressão e deslocamento dos outros órgãos (pulmões e coração). Isso compromete a capacidade de retorno venoso (é diminuída), causando turgência de jugular (importante sinal de que não esta ocorrendo retorno venoso da região da cervical para o coração). Quando ocorre deslocamento da arvore brônquica, dos pulmões e alvéolos, causa também desvio de traqueia, para o lado contrário do afetado. A compressão do coração gera diminuição de débito cardíaco e hipotensão, (mesma clínica do tamponamento cardíaco). Quadro clínico: Dor torácica intensa; Dispneia intensa; Taquipneia e taquicardia; Hipotensão (devido à limitação de entrada de sangue no coração e assim diminui o retorno venoso e assim a P.A); Nathalya KarenTrauma Desvio da traqueia; Ausência de murmúrio vesicular unilateral; Distensão de veias do pescoço (turgência jugular) OBS: diferenciar de tamponamento cardíaco. No PH ocorre timpanismo á percussão (nos espaços intercostais) + ausência de MV Raio-X: Desvio de traqueia; Hipertransparente do lado esquerdo; PH do lado esquerdo; Não é possível ver as árvores brônquicas; Pulmão comprimido pelo mediastino; Tomografia Computadorizada: Desvio do coração Conduta: Inicial: descompressão imediata (cateter Jelco 14 no 5° espaço intercostal, entre a linha media axilar e a axilar anterior); Definitivo: drenagem torácica (dreno tubular no 5° espaço intercostal) Pneumotórax aberto Mecanismo: Causado por ferimentos extensos de parede torácica (>2/3 do diâmetro da traqueia); O ar entra preferencialmente pela lesão, devido a menor resistência; Causa ventilação inefetiva do paciente, levando a hipóxia; Percurssão: timpanismo. Nathalya Karen Trauma Conduta: Inicial: Curativo de três pontas: curativo valvulado, quando o paciente inspirar, o pulmão distende, e o ar que estava na caixa torácica sai através da lesão, no momento que ele expira, o curativo obstrui a lesão, aumenta a resistência, logo o ar vai sair pelo nariz. Definitivo: Sutura da lesão. Tórax Instável Conceito: Múltiplas fraturas consecutivas de costelas (pelo menos quatro arcos costais fraturados em dois locais distintos); Ocorre em 5% dos traumatismos torácicos e em 10-15% das lesões contusas graves; Aumenta a incidência com a idade (aumenta a fragilidade). Mecanismo: Ocorre instabilidade da caixa torácica, e no momento da inspiração e da expiração ocorre dor e alteração da dinâmica de concentração de O2 nos pulmões. A: ao expirar, a pressão intratorácica diminui, ocorre depressão do tórax, e parte do ar é deslocado para o pulmão B, gerando uma ineficiência da expiração total. B: ao inspirar, o pulmão ao encher de ar ultrapassa o limite, já que vai ter uma hiperinsuflação, já que o tórax não esta limitando a expansibilidade do pulmão. E como o ar havia se desviado para o pulmão B, agora volta para o lado A devido ao aumento da distensão. Logo o volume de ar vai ser acumulado nos pulmões, o que causa uma diminuição da área cardíaca por compressão. Nathalya Karen Trauma Quadro clínico: Dor; Contusão pulmonar; Respiração paradoxal: - Inspiração (abaulamento da caixa torácica); - Expiração (retração da caixa torácica); Hipóxia: não há hematose adequada. Compressão da área cardíaca; Lesão do lado direito; Acumulo de ar do lado esquerdo (hipertransparente); Conduta: Observar Fr (taquipneia, porém superficial), Sat O2 (diminuída) e gasometria (Ph, PaCO2, PaO2, relação PF- PaO2/FiO2); Analgesia (cetoprofeno, cloridrato de tramadol; morfina é deplessora do SNC, logo não usa); Suporte ventilatório (Métodos não invasivos: máscara de ventura, bolsa reservatório); Fisioterapia/ broncoscopia; Hidratação cuidadosa (depende da condição respiratória do paciente). Parâmetros para intubação (em caso de não melhora) FR > 30 PaO2 < 60 mmHg PaCO2 > 45 mmHg Indicado ENTUBAÇÃO ! Sinais de desconforto respiratório: Dispneia, tiragem intercostal, batimento de haleta nasal, uso de musculatura acessória. Nathalya Karen Trauma Hemotórax Maciço Conceito: Causado geralmente por ferimentos penetrantes; Decorre por lesão de grandes vasos, intercostais ou pulmonares; Causa mais comum: lesão por arma de fogo (devido ao trajeto irregular do projétil); Percussão: macissez. Mecanismo: Ocorre extravasamento de grande quantidade de líquido para o espaço torácico, levando a compressão do pulmão. Pode causar hipovolemia, devido a grande concentração de sangue; Projétil no lado direito; Alta concentração de sangue no lado direito (hipotransparente); Compressão da área pulmonar por sangue. Conduta: Dreno calibroso (5° EIC, entre a linha média axilar e a axilar anterior) Se possível auto-transfusão (pega o sangue que estava na caixa torácica e devolve para o paciente). OBS: drenagem inicial maior que 1500ML ou drenagem continuada de 200 a 300 ml/L por 2-4 horas + instabilidade hemodinâmica: é necessário avaliação da parte de cirurgia ! possivelmente houve lesão de algum vaso (toracotomia). Nathalya Karen Trauma Tamponamento cardíaco Conceito: Se da geralmente por ferimentos penetrantes (arma de fogo); Diferenciar de pneumotórax hipertensivo: no T.C ocorre abafamento de bulhas; É fator de bom prognósticonos ferimentos cardíacos (ocorre em 80-90% dos ferimentos por arma branca). Quadro clínico: Tríade de Beck: turgência de jugular + hipotensão + abafamento de bulhas* – raramente observada de forma completa. Tríade de Elkin: ferimento precordial + ausência de PA + eliminação de fezes. Diagnóstico e tratamento: Pacientes estáveis: Ecocardiografia (altas taxas de falso negativo e positivo); Tomografia computadorizada; Pericardiocentese (pinção no pericárdio e aspira para verificar se há retorno de sangue, porém 50% são falsos negativos); Janela pericárdica (procedimento cirúrgico, porém é necessário fazer em todos os ferimentos precordiais) Padrão ouro: clínica + tomografia Paciente instável: USG (FAST): se positivo – deve-se fazer pericardiocentese subxifóidea (punção). Após estabilização: encaminhamento para CIRURGIA (toracotomia ou esternotomia, a fim de encontrar o foco hemorrágico para tratar). Toracotomia de emergência: Indicação: pacientes que chegam com ferimento torácico penetrante e sem pulso, porém com atividade elétrica miocárdica (ou apresentam parada cardíaca logo após a chegada); Os resultados são variáveis: - sobrevida de 1% em trabalhos sem critérios específicos em hospitais gerais; - sobrevida de até 30% para pacientes vítimas de ferimentos por arma branca em centros de trauma com equipes experientes; Nathalya Karen Trauma - benefício desprezível em trauma contuso. EXAME SECUNDÁRIO – LESÕES COM RISCO DE VIDA Pneumotórax simples Hemotórax Contusão pulmonar Lesões tráqueo-brônquicas Trauma cardíaco contuso Ferimento transfixante de mediastino Ruptura traumática da aorta Ruptura diafragmática Pneumo/ hemotorax simples (PNEUMO) (HEMO) Nathalya Karen Trauma Tratamento: Drenagem torácica *5° EIC, entre linha axilar anterior e a linha média axilar Contusão pulmonar Conceito: Mortalidade de 22 a 33%. Tratamento: Tratamento de suporte: Suporte ventilatório e acompanhamento do RX. (paciente entubado) *Opacificação de terço médio para base do pulmão *Prevalência ao lado direito *DIFERENCIAR DE ASPIRAÇÃO ! Nathalya Karen Trauma Características: Contusão pulmonar Presente no Rx inicial*; Não respeita segmento; Secreção sanguino-lenta no aspirado traqueal (oriundo do próprio trauma); Aspiração Surgimento após horas do trauma*; Infiltrado pode se localizar em segmentos específicos (da dieta); Secreção de conteúdo particulado; Lesões tráqueo-brônquicas Quadro clínico: Hemoptise, enfisema subcutâneo (escape de ar do brônquio, que desloca a derme do subcutâneo), pneumotórax hipertensivo. Causas: Por trauma, intubação. *Quanto mais protegido pelo tórax, menor as lesões; Quando suspeitar: escape aéreo volumoso por dreno de tórax. Nathalya Karen Trauma Diagnóstico: broncoscopia BPE e BPD (brônquio principal esquerdo e direito) Tratamento: Cirurgia Ferimentos transfixantes de mediastino Conceito: Estruturas que podem ser lesadas: coração, grandes vasos, traqueia / brônquios, coluna vertebral, esôfago; Identificados pelos orifícios de entrada e saída de um projétil em hemitóraces diferentes ou pelo radio-grama de tórax mostrando o projétil no hemitórax contralateral ao da entrada; Conduta: Hemopneumotórax: drenagem; Instabilidade hemodinâmica: cirurgia de urgência (toracotomia). PACIENTE ESTÁVEL - Hematoma mediastinal: comprime o foco de lesão e evita o sangramento: diagnóstico pela TC e angiografia (possível lesão grandes vasos); - Esôfago: endoscopia e Rx contrastado; - Traqueia e brônquios: broncoscopia. SE POSITIVO: CIRURGIA Nathalya Karen Trauma Ruptura diafragmática Conceito: Geralmente ocorre à esquerda (ausência do fígado); Trauma contuso: grandes rupturas com herniação de vísceras abdominais; Trauma penetrante:pequenas perfurações com herniações tardias Diagnóstico: Suspeita inicial = Rx tórax; Passar sonda nasogástrica; Rx contrastado; Tomografia; Toracoscopia. Projeção das alças intestinais Tratamento: CIRURGIA (geralmente por laparotomia). Fraturas de costelas Conceito: Dano torácico mais comum (35-40% das vítimas de trauma de tórax); Diagnóstico: Suspeita clínica (dificuldade de mobilização, respiração limitada, dor ao inspirar); Rx: extensão do dano; TC: fraturas + danos intra-torácicos. 1. Fratura de 1 ou 2 costelas: Dor: diminui movimento de gradil costal – risco de atelectasia (por conta dor, o paciente mantem a respiração mais superficial, diminuindo a expansibilidade pulmonar)/ pneumonia (perde-se alguns estímulos protetores, como por ex.: o estímulo da tosse, o que pode deixar o paciente mais sujeito a broncoaspirar). Conduta: Analgesia (opióides, cateter peridural); Nathalya Karen Trauma Fisioterapia motora + Respiratória Broncoscopia (descartar lesões intraprenquimatosas,etc). 2. Fratura de múltiplas costelas Conduta: Analgesia Prognóstico: Varia segundo: a) Número de costelas b) Idade (quanto maior a idade, pior o prognóstico) c) Status pulmonar basal Mortalidade: idoso 20% e criança 5% Fratura de esterno Conceito: 4% de colisões graves; Idosos e passageiros dos bancos dianteiros; Fratura transversal e de terços médio e superior; Diagnóstico: Exame físico + Rx em perfil TC: avalia órgãos internos Tratamento: Analgesia Observar risco de contusão miocárdica Fratura estável ECG normal: tratamento ambulatorial Fratura instável, dor intratável, ausência de cicatrização Redução aberta + fixação Nathalya Karen Trauma Fratura de alto impacto Conceito: Fraturas da primeira e segunda costelas / escápula: 1° e 2° costela são protegidos pela clavícula; Possibilidade de lesões adicionais; Aortografia (risco de sangramento). Embolia gasosa Conceito: Lesões de vênulas bronquiolares e pulmonares: Pressão endobrônquica deve ficar menor que 60 mmHg– CASO CONTRÁRIO - Risco de embolia para o átrio esquerdo – distribuição para todo o corpo. Diagnóstico: TC: múltiplos focos isquêmicos, alguns com transformação hemorrágica, em ambos hemisférios. Conduta: 1. Oclusão hilar do pulmão afetado; 2. Posicionar em Trendelemburg; 3. Aspirar o ar diretamente do ápice cardíaco e aorta; 4. Massagem cardíaca aberta; 5. Manter pressão diastólica; 6. Uso de adrenalina. Lacerações pulmonares Conceito: Tendem a ser mais periféricas; Conduta: Tratadas com suturas simples, ressecção em cunha, trajetotomia e lobectomia/ pneumonectomia (lesões hilares). Trajetotomia Conceito: Indicada principalmente para ferimentos transfixantes do parênquima; Previne formação de hematoma e posterior abscesso; Previne embolia gasosa; Preserva mais o parênquima que a segmentectomia.