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TÍTULO DO PROGRAMA 
Raquel de Queiroz: Não Me Deixes 
Série: Mestre da Literatura 
 
 
SINOPSE DO PROGRAMA 
 
Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, Rachel 
de Queiroz era uma cronista que soube como poucos retratar e 
comentar o que acontecia no Brasil. Falava do país e falava 
especialmente do Nordeste e do Ceará - lugar onde nasceu e onde 
produziu grande parte da sua obra. O trabalho interdisciplinar sugere a 
criação de uma página de jornal onde os alunos, individualmente, 
elaborarão uma notícia ou uma reportagem e uma crônica sobre 
qualquer assunto que diga respeito a aspectos regionalistas de Norte a 
Sul do Brasil. 
 
CONSULTORES 
 
Gracia Klein – LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA 
Denise Rockenbach Nery – GEOGRAFIA 
 Rosemary Segurado - ANTROPOLOGIA 
 
 
TÍTULO DO PROJETO 
“Tudo Rachel fazia um artigo.” Nós também. 
 
 
 
 
 
 
 MATERIAL NECESSÁRIO PARA REALIZAÇÃO DA ATIVIDADE: 
 
- caderno ou folhas de fichário; 
- lápis, caneta, borracha; 
- lousa e giz ou canetas para lousa branca; 
- pincel atômico ou canetas hidrográficas; 
- equipamento para exibição do documentário; 
- romances utilizados: livro de crônicas de Rachel de Queiroz, ou equipamento para reprodução de 
cópias e jornais para serem usados como modelos; 
- cartolinas para as páginas do jornal; 
- equipamento para acesso à Internet; 
- transparência para retroprojetor e retroprojetor (opcional); 
- imagens variadas da região Nordeste; 
- cópia das ilustrações e mapas sugeridos; 
- livro didático ou reprodução dos trechos sugeridos. 
 
 
 
 PRINCIPAIS CONCEITOS QUE SERÃO TRABALHADOS EM CADA DISCIPLINA 
 
Língua Portuguesa 
Conceitos utilizados no projeto 
• Modernismo; 
• Geração de escritores brasileiros de 30 a 45; 
• Gênero narrativo; 
• Romance regionalista; 
• Notícia, reportagem e crônica; 
• Academia Brasileira de Letras. 
 
 Geografia 
 Conceitos utilizados no projeto 
• Paisagem; 
• Regionalização do Brasil; 
• Migração. 
 
 Antropologia 
 Conceitos utilizados no projeto 
• Questão agrária no Brasil; 
• Reforma agrária; 
• Gênero; 
• Mulher na política; 
 
 
 
 
• Comunismo; 
• Realismo socialista; 
• Classes sociais. 
 
 
 DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE 
Principais etapas e estratégias para trabalho sugerido como base, nas disciplinas – especificados, 
por disciplina. 
 
Língua Portuguesa 
 
1. Para iniciar o trabalho, o professor de Língua Portuguesa pode pôr o nome de Rachel de 
Queiroz na lousa e fazer um levantamento com os alunos do que sabem sobre ela. Registre na 
lousa esses conhecimentos prévios. Logo após, sem cotejar se as informações dos alunos estão 
corretas ou não, distribua um trecho do livro “O Quinze”. Pode ser o trecho reproduzido ao final 
desse trabalho como sugestão ou outro escolhido pelo professor. Leia com os alunos e peça a eles 
para levantarem linguagem, tema, vocabulário, espaço, possível tempo, etc. Depois dessa dupla 
discussão, passe o vídeo. Após passar o vídeo, volte para as anotações da lousa sobre a autora e 
a obra e descarte as proposições incorretas. 
 
2. Neste momento, dê uma aula sobre os escritores modernistas da década de 1930, os 
regionalistas nordestinos, dos quais faz parte Rachel de Queiroz. Eles tiveram como principais 
temas as secas, o cangaço, o conflito de terras e o misticismo do Nordeste brasileiro. Retrataram 
os quadros sociais da época. A obra “A bagaceira”, como diz o vídeo, inicia esse segundo 
momento modernista. Guimarães Rosa refere-se ao seu autor da seguinte forma “José Américo de 
Almeida abriu para todos nós o caminho do moderno romance brasileiro.” Nos anexos, estão 
reproduzidos três trechos. Um de “O Quinze”, um de “A Bagaceira” e outro de “Vidas Secas”, de 
Graciliano Ramos. O professor pode usá-los para retomar este tipo de romance com os alunos, ou 
propor outros trechos de autores como José Lins do Rego e Jorge Amado. 
 
3. O vídeo é um elemento motivador para a leitura integral da obra “O Quinze”. Se puder, proponha 
essa leitura aos alunos. Porém, faça uma leitura orientada. Alguns passos para isso: 
 
1. Proponha algumas questões de pré-leitura para nortear o roteiro de leitura. Essas questões 
podem ser discutidas por você, professor, junto aos alunos. Nessas questões, trabalhe os 
elementos do romance, tais como: enredo, tempo, espaço, personagens. Desafie-os para 
elaborarem, por exemplo, perfis dos principais personagens antes de conhecê-los. 
2. Acompanhe a leitura dos alunos, propondo algumas questões motivadoras durante o prazo 
estipulado para a finalização da obra (30 dias). Durante esse período, leia alguns trechos 
com os alunos em sala de aula. Essa leitura é fundamental. Transcrevo trechos 
significativos que podem ser explorados do ponto de vista semântico, escolhas lexicais e 
características da obra, pondo-se em ênfase a paisagem, a linguagem, o problema da seca 
e o “fatal” destino dos retirantes, pois não há quem olhe por eles e mude-lhes a situação. 
 
 
 
 
 
 
“Depois de se benzer e de beijar duas vezes a medalhinha de São José, dona Inácia concluiu: 
‘Dignai-vos ouvir nossas súplicas, ó castíssimo esposo da Virgem Maria, e alcançai o que 
rogamos. Amém’ (...) Tenha fé em São José que ainda chove! Tem-se visto inverno começar até 
em abril.” (p.11). 
 
“Novamente a cavalo no pedrês, Vicente marchava através da estrada vermelha e pedregosa, 
orlada pela galharia negra da caatinga morta. Os cascos dos animais pareciam tirar fogo dos 
seixos do caminho. Lagartixas davam carreirinhas intermitentes por cima das folhas secas no chão 
que estacavam como papel queimado. 
O céu, transparente que doía, vibrava, tremendo feito uma gaze repuxada. 
Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. 
Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum juazeiro ainda escapo à devastação da 
rama. Mas em geral as pobres árvores apareciam lamentáveis, mostrando os cotos dos galhos 
como membros amputados e a casca toda raspada em grandes zonas brancas. 
E o chão, que em outro tempo a sombra cobria , era uma confusão desolada de galhos secos, cuja 
agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos.” (pp.17,18). 
 
“Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo dos sacos 
vazios, na descarnada nudez das latas raspadas. 
- Mãezinha, cadê a janta? 
- Cala a boca, menino! Já vem! 
- Vem lá o quê!...” (p.52). 
 
“Lá se tinha ficado Josias, na sua cova, à beira da estrada, com uma cruz de dois paus amarrados, 
feita pelo pai. 
Ficou em paz. Não tinha mais que chorar de fome, estrada afora. Não tinha mais alguns anos de 
miséria à frente da vida, para cair depois no mesmo buraco, à sombra da mesma cruz.” p.67 
 
“Conceição, porém, nunca vira o afilhado. Já estava na cidade, ao tempo do batizado.(...) 
E a criança que outro tempo trazia Cordulina tão gorda, era decerto aquela que lhe pendia no colo, 
e que agora a trazia tão magra, tão magra que nem uma visagem, que nem a morte, que só talvez 
um esqueleto fosse tão magro...” (p.95). 
 
“Setembro já se acabara, com seu rude calor e sua aflita miséria; e outubro chegou, com São 
Francisco e sua procissão sem fim, composta quase toda de retirantes, que arrastavam as pernas 
descarnadas, os ventres imensos, os farrapos imundos, atrás do pálio rio do bispo, e da longa 
teoria de frades a entoarem em bels vozes a canção em louvor do santo. ( ... ) E novembro entrou, 
mais seco e mais miserável, afiando mais fina, talvez por ser o mês de finados, a imensa foice da 
morte.” (pp.129 e 130). 
 
“Enfim caiu a primeira chuva de dezembro. ( ... ) O inverno! Senhor São José, o inverno! Benza-o 
Deus!” (p.139). 
 
 
 
 
 
 
3. Se optar por trabalhar “Vidas Secas”, por que não levantar um paralelo entre a cadela 
Baleia e a Limpa Trilhos. O animal de estimação tem caráter relevante para muitas 
crianças e jovens. Baleia humaniza-se na obra “Vidas Secas”, enquanto os retirantes 
humanos assumem posição de bichos, em algumas passagens. Por exemplo, o capítulodedicado à Baleia se reveste de uma humanidade maior que os dos outros personagens, 
chegando até ao aspecto do sonho. Já Rachel não dá tanto destaque a essa personagem, 
tanto que ela desaparece no decorrer da narrativa. 
 
 
4. Trabalhe ou reveja o gênero crônica, no qual se destacou a escritora. Ressalte o que diz o 
vídeo: “De 30 até a década de 90, a história do Brasil está nas crônicas de Rachel”. A crônica está 
entre a reportagem e a Literatura. Geralmente as crônicas são publicadas em jornais diários e o 
autor parte de uma experiência pessoal, quase sempre de um fato cotidiano, para elaborar reflexão 
mais geral, tematizando uma questão. O cronista, diferentemente do repórter, é o “ficcionista do 
cotidiano”. As crônicas tratam de um sem-número de temas. Dentre uma de suas características 
primordiais está a brevidade ao tratar temas corriqueiros, muitas vezes escondidos, esperando o 
cronista, desde um encontro fortuito no elevador do Rio de Janeiro ou de uma beata a rogar por 
chuva em uma minúscula capela nordestina. Textos curtos, portanto. Além disso, o foco narrativo 
geralmente está na primeira pessoa, devido à pessoalidade, pois a visão do cronista é o que mais 
importa; linguagem fácil e direta, no entanto, sem deixar de lado a linguagem metafórica. 
Aproveite este momento para discutir os gêneros notícia e reportagem, a fim de embasar os alunos 
para a proposta interdisciplinar. 
A notícia é um texto narrativo, com a função referencial da linguagem, cujo objetivo é informar um 
fato. Seus elementos de composição são: o fato (o quê), as pessoas (quem), o local (onde), o 
tempo (quando) e, via de regra, como e por que ocorreu o fato. A linguagem é objetiva e direta e 
possui sempre um título e/ou um lead que, na linguagem jornalística, é um resumo prévio à notícia. 
Já a reportagem alarga a notícia, acrescentando versões do fato noticiado. Ou seja, ela informa e 
acrescenta opiniões e diferentes versões por meio de citações, entrevistas, dados estatísticos, 
fotografias e etc. 
 
4. Para finalizar, proponha uma reflexão sobre a qualidade da obra de um autor ou sobre o 
conjunto de sua obra, e pergunte aos alunos se eles conhecem a Academia Brasileira de 
Letras, organização em que se encontram os imortais das letras. Se possível, tendo 
recursos da Internet às mãos, navegue pelo site da Academia, suas 40 cadeiras e os 
membros que as ocuparam, dentre eles Rachel. Faça uma reflexão sobre as poucas 
mulheres que nela estiveram e quão recente foi essa conquista com Rachel de Queiroz. 
Outra reflexão: políticos, médicos, que produziram literatura estão na Academia. Paulo 
Coelho, o tão polêmico escritor. As escolhas são boas? Enfim, há inúmeras possibilidades 
de aproximações. O site está indicado no anexo desta ficha. 
 
 
Geografia 
 
1) A primeira proposta de trabalho na disciplina de Geografia é trabalhar com o estereótipo 
que comumente aparece quando abordamos a região Nordeste. Embora esta região 
 
 
 
 
apresente áreas de desenvolvimento industrial - como o Recôncavo Baiano e a região 
metropolitana de Recife - ainda é lembrada por muitas pessoas apenas como a região da 
seca ou então das belas praias. Para verificarmos se os alunos estão impregnados por 
este estereótipo, propomos duas atividades: 
 
a) Divida os alunos em grupos de 5 ou 6 elementos. A cada grupo apresente um conjunto de 
imagens, todas da região Nordeste. Imagens que incluam desde as típicas paisagens das 
praias e da seca, passando pela agricultura da cana-de-açúcar e pontos turísticos (por 
exemplo, Pelourinho em Salvador e dunas do Rio Grande do Norte), até a exploração de 
petróleo, a agricultura irrigada no vale do Rio São Francisco e as pinturas rupestres da 
Serra da Capivara. 
 
 
Plataforma de Curimâ (Ceará) Cultivo irrigado da uva em Petrolina (Pernambuco) 
 
 
 
 
 
 
 
 Pinturas rupestres na Serra da Capivara (Paraíba) 
 
 
Peça aos alunos que separem aquelas imagens que são da região Nordeste das que não são, 
justificando as escolhas. 
 
b) Apresente para os alunos a imagem abaixo: 
 
 
 
 Peça aos alunos que façam uma leitura da imagem e a associem à frase de Albert 
Einstein: “Triste época a nossa, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que romper um 
preconceito.” 
 
 Após a realização destas atividades, você poderá discutir a questão dos estereótipos que 
levam a uma visão muito simplificada do mundo. De fato, existe seca no Nordeste, com 
consequências dramáticas como aquelas retratadas por Rachel de Queiroz. 
 A seca ainda ocorre periodicamente na região do Nordeste, conhecida como “polígono da 
seca”, e é perpetuada pela denominada “indústria da seca”. Nos períodos de seca prolongada, o 
governo federal socorre os governos locais basicamente de três formas: envio de dinheiro a ser 
aplicado nas áreas afetadas; distribuição de cestas de alimentos à população; perdão total ou 
parcial de dívidas de empréstimos. O dinheiro liberado pelo governo federal destina-se ao 
pagamento de mão-de-obra das frentes de trabalho temporárias, criadas para tentar resolver a 
falta de renda da população atingida. Contudo, o trabalho é voltado à abertura de estradas, à 
construção de açudes e barragens, etc., geralmente em terras pertencentes a grandes 
proprietários rurais. As cestas de alimentos enviadas pelo governo federal são distribuídas à 
população pelos políticos locais, que passam a ser vistos como benfeitores. 
 
 
 
 
 Sem resolver de fato as carências da população afetada pela seca, os governos locais e 
grandes proprietários (às vezes são a mesma pessoa) saem lucrando. Famílias tradicionais destas 
cidades se mantêm no poder há décadas, pois o eleitor é cooptado em troca de pequenos favores 
e grandes promessas (“curral eleitoral”). 
 Mas a região Nordeste não se resume à seca, vale a pena o(a) professor(a) retomar com 
os alunos a divisão da região em quatro zonas (Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte). Mas, 
mesmo reconhecendo o Nordeste para além da seca, algumas pessoas o definem como uma 
região de perdas econômicas e sociais: 
• Perda demográfica representada por fluxos migratórios para o Sudeste e Amazônia, além 
da intensa mobilidade intra-regional para grandes cidades como Salvador, Recife e 
Fortaleza. 
• Importância declinante da agropecuária no contexto nacional, como a cultura canavieira e o 
algodão, sem que surgisse outro produto de expressão nacional. 
• As atividades mais dinâmicas, como a produção de frutas na região irrigada do vale do Rio 
São Francisco, por exemplo, são controladas de fora da região e voltadas para fora dela. 
• Baixo nível de renda da maior parte da população. 
• Pouca quantidade de vias de comunicação, hidrelétricas, cidades, campos agrícolas 
modernos. 
Na verdade, existe uma visão muito simplificada e estereotipada da divisão regional do Brasil. 
O Nordeste simboliza o “Brasil velho ou colonial”, onde houve intenso uso de mão-de-obra escrava 
e ainda predominam latifúndios, e o poder dos usineiros e dos grandes proprietários em geral. O 
Centro-Sul identifica-se com o “Brasil novo” da indústria e da modernização, com grande presença 
de imigrantes italianos, espanhóis, japoneses, alemães, etc. A Amazônia, por sua vez, seria 
potencialmente a “região do futuro”, a área que atualmente conhece grande crescimento 
demográfico, com intensas transformações. 
 É fácil a perpetuação de estereótipos e preconceitos em relação aos nordestinos. Outro 
exemplo é a famosa “preguiça baiana” ou do clima de “eterna festa” na Bahia, quando é 
justamente o contrário, é no período de festas que a maior parte da população, que atua no 
mercado informal, tem oportunidade de trabalho. Quem se diverte é o turista. 
 A imagem de povo preguiçoso se enraizou no próprio Estado, por meio das elites de 
origem europeia, que consideravam os escravos “indolentes”. Depois se espalhou de forma 
acentuada no Sul e no Sudeste,a partir das migrações da década de 40, depreciando os 
trabalhadores sem qualificação. 
 O migrante ou o retirante, como nos retrata Rachel de Queiroz, é outro referencial dos 
cidadãos comuns, quando se fala no Nordeste. Parece estar consolidado um padrão de um 
estereótipo do migrante nordestino, no Rio de Janeiro todos são chamados de “paraibanos”, em 
São Paulo, “baianos”, expressões que procuram igualar os nordestinos, negando a riqueza e 
diversa cultura regional, reduzindo todos ao denominador comum da migração, em condições 
humilhantes. 
 Após estas discussões sugerimos que os alunos apliquem as atividades a) e b) a seus 
familiares, amigos e vizinhos, a fim de pesquisar o quanto os estereótipos estão presentes em 
nossa sociedade. 
 
2) Para entender o processo de migração, seja aquele pelo qual passaram os personagens 
de Rachel de Queiroz, seja o que passaram e passam muitas outras pessoas, em 
 
 
 
 
diferentes épocas, sugerimos um trabalho com a leitura e interpretação de uma sequência 
de mapas sobre as migrações no Brasil (em anexo): 
• Brasil: migrações 1950-1960; 
• Brasil: migrações 1960-1970; 
• Brasil: migrações 1970-1980; 
• Brasil: migrações recentes. 
 
 Em grupos, os alunos deverão observar os mapas, refletir sobre o significado das 
diferentes espessuras das flechas, identificar de que lugares (regiões) as pessoas partem e 
para onde se destinam, assim como as épocas em que os movimentos acontecem. Peça que 
façam um registro escrito e depois apresentem as conclusões para a classe. 
 Em seguida, o(a) professor(a) deve acrescentar informações à descrição dos mapas, feita 
pelos alunos, esclarecer que a migração não é resultado apenas da atração que uma 
determinada área exerce sobre os indivíduos, mas também das dificuldades encontradas pelas 
pessoas em seus lugares de origem. As migrações e a distribuição da população pelo território 
só podem ser compreendidas se analisarmos as condições sociais, econômicas e políticas da 
ocupação do espaço geográfico. 
 A grande seca retratada por Rachel de Queiroz no livro “O Quinze”, ganhou força nos anos 
30 e se intensificou com a aceleração do desenvolvimento industrial do país, principalmente 
após 1956. 
 O mapa 1 (1950-1960) representa um rumo à fronteira agrícola, em que se verificam dois 
grandes fluxos migratórios: do Nordeste para o Centro-Oeste e Paraná, e do Rio Grande do 
Sul e de Santa Catarina em direção ao Paraná e Mato Grosso do Sul. Devemos esclarecer 
para o aluno que fronteira agrícola é o nome que se dá às áreas novas ainda não 
desbravadas, cuja ocupação é estimulada pelo governo por meio de projetos de colonização, 
oficiais ou particulares. Desde 1930, a expansão da fronteira agrícola tem funcionado como 
uma válvula de escape para as grandes tensões sociais geradas em áreas agrícolas 
tradicionais. Isso devido à estagnação econômica, o crescimento demográfico e, 
principalmente, a estrutura fundiária concentradora. 
 Nas décadas de 40 a 60, o Paraná foi a principal fronteira agrícola do país, com a 
expansão da economia cafeeira e amplo programa desenvolvido por empresas colonizadoras, 
baseado no pequeno e médio produtor. 
 No mapa 2 (1960-1970) a industrialização e a rede de transportes foram aperfeiçoadas, o 
desenvolvimento industrial capitalista necessitava tanto de matérias-primas, como também 
enviar seus produtos a outras regiões. Neste período muitas indústrias, muitas delas 
multinacionais, localizadas especialmente em São Paulo, investiram em grandes projetos 
agropecuários no Centro-Oeste e na Amazônia. Grandes correntes migratórias passaram 
então, a se dirigir para essas regiões. Também neste período, o fluxo migratório acompanhou 
a dinâmica desenvolvimentista representada pela construção de Brasília e pelos grandes 
investimentos na construção de estradas. Ao contrário do que se deu no Paraná, o movimento 
de expansão para o Centro-Oeste era formado por contingentes de agricultores de 
subsistência, empurrados pela falta de terra e pela seca. 
 Nas décadas de 60 e 70 a migração para a Amazônia foi estimulada pelo governo por meio 
de projetos oficiais ou particulares, como a abertura de rodovias (Belém-Brasília, 
Transamazônica e Cuiabá-Porto Velho). As áreas de colonização receberam diversas 
categorias de trabalhadores: os que tinham um pedaço de terra no Sul e migraram para 
 
 
 
 
comprar uma área maior; trabalhadores sem-terra que haviam perdido sua propriedade ou que 
nunca tiveram uma (bóias-frias, arrendatários, colonos ou parceiros expulsos dos latifúndios); 
trabalhadores provenientes da cidade, que em geral, depois de passar por fases de 
desemprego, resolvem tentar a sorte no Norte do país. Projetos de colonização na região não 
atendiam às mínimas condições de armazenamento e escoamento dos produtos dos pequenos 
proprietários, além da falta de créditos, assistência médica, estradas, escolas e infra-estrutura 
em geral. Por outro lado, o governo permitiu grandes empresas nacionais e estrangeiras, 
voltadas, sobretudo, para a pecuária e a mineração, o que gerou especulação desenfreada 
sobre a terra. 
 Nas décadas de 70 e 80, Rondônia aparece como um dos destinos mais procurados pelos 
migrantes, motivados principalmente pela implementação do Polonoroeste (1979). 
 Nas migrações mais recentes, é importante observar que os migrantes não partem apenas 
do Nordeste. Essa região continua sendo importante fornecedora de mão-de-obra para os 
grandes investimentos que se tem feito em outras partes do país, aliviando as tensões sociais 
na região e mantendo os privilégios dos grandes latifundiários. No entanto, nas décadas de 70 
e 80, muitos paranaenses, catarinenses e gaúchos também têm migrado para o Centro-Oeste 
e Amazônia. Vemos, portanto, que não são apenas as secas e a indústria da seca que 
continuam mantendo a população em movimento migratório, a migração é um fenômeno 
complexo envolvendo complexos aspectos políticos e econômicos, sociais e pessoais. 
 
3) Ao se aprofundar no estudo da região Nordeste, sugerimos que o(a) professor(a) faça com 
os alunos alguns exercícios de comparação entre trechos do livro “O Quinze” de Rachel de 
Queiroz e o livro didático, buscando semelhanças e diferenças. Os alunos, em grupos, 
podem utilizar o livro didático disponível na escola ou trechos como os que se seguem. 
 
Descrição da paisagem em “O Quinze”.(durante a seca): 
 
 “Novamente a cavalo no pedrês, Vicente marchava através da estrada vermelha e 
pedregosa, orlada pela galharia negra da caatinga morta. Os cascos do animal pareciam tirar fogo 
nos seixos do caminho. Lagartixas davam carreirinhas intermitentes por cima das folhas secas no 
chão que estalavam como papel queimado. 
 O céu, transparente que doía, vibrava, tremendo feito uma gaze repuxada. 
 Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. 
 Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum juazeiro ainda escapo à devastação 
da rama; mas em geral as pobres árvores apareciam lamentáveis, mostrando os cotos dos galhos 
como membros amputados e a casca toda raspada em grandes zonas brancas. 
 E o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão desolada de galhos 
secos, cuja agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos.” (...) (pp. 17 e 18). 
 
 
Descrição da paisagem em “O Quinze” (após as chuvas): 
 
 “Lá adiante, em plena estrada, o pasto se enramava, e uma pelúcia verde, verde e macia, 
se estendia no chão até perder de vista. 
 
 
 
 
 A caatinga despontava toda em grelos verdes; pauis esverdeados, dum sujo tom de 
azinhavre líquido, onde as folhas verdes das pacaviras emergiam, e boiavam os verdes círculos de 
aguapé, enchiam os barreiros que marginavam os caminhos. 
 Insetos cor de folha – esperanças – saltavam sobre a rama. 
 E tudo era verde, e até no céu, periquitos verdes esvoaçavam gritando. 
 O borralho cinzento do verão vestira-se todo de esperança.” (p. 151). 
 
Descrição da paisagem em um livro didático: 
 
“CaatingaVegetação típica do Nordeste semi-árido, a caatinga possui heterogeneidade, 
compreendendo diferentes tipos: caatinga seca não arbórea, com predominância de árvores; 
caatinga seca arbórea, com predominância de árvores (pau-pereiro) e arbustos isolados; caatinga 
arbustiva densa, em forma de bosques com árvores isoladas; caatinga de relevo mais elevado, em 
áreas de maior pluviosidade, onde os bosques são mais densos. 
 A vegetação da caatinga é formada por plantas xerófilas, ou seja, adaptadas a lugares 
secos, entre as quais predominam as cactáceas (mandacaru, facheiro, xiquexique) e as 
bromeliáceas (macambira). 
 Na época das secas, muitas plantas da caatinga perdem suas folhas para diminuir a 
transpiração e evitar, assim, a perda de água armazenada, produzindo uma paisagem seca e 
desolada. Algumas palmeiras e o juazeiro, que possuem raízes bem profundas para absorver água 
do subsolo, não perdem as folhas. Outras plantas possuem um mecanismo fisiológico, o 
xeromorfismo, produção de uma cera que reveste os tecidos e faz com que percam menos água 
na transpiração. Um exemplo é a carnaubeira, que já foi denominada “árvore da vida” ou “árvore 
da providência”, pois tudo dela se aproveita. (...)” (Panorama Geográfico do Brasil. Melhem Adas, 
Editora Moderna, 3ª Ed. 1998, pp.359-360). 
 
 
A migração em “O Quinze”: 
 
 “O pequeno ia no meio da carga, amarrado por um pano aos cabeçotes da cangalha. 
 De vez em quando, levava a mãozinha aos olhos, e fazia rah! rah! ah! ah! numa 
enrouquecida tentativa de choro. 
 Cordulina chegava-se à burra para o consolar, ajeitava-lhe o chapéu de pano na cabeça, 
até que um dos menores gritava: 
 - Olha, mãe! Os pés da zabelinha! Olha o coice! 
 Chico Bento fechava a marcha, com o cacete ao ombro, do qual pendia uma trouxa. 
 Mocinha, de vestido engomado, também levava debaixo do braço, e na mão, os chinelos 
vermelhos de ir à missa. 
 O sol ia esquentando. De cima da cangalha, o menino chorou com mais força, debatendo-
se, até que Cordulina o retirou, com medo de uma queda. 
 Pô-lo no quarto; logo uma briga se armou entre os outros, num assalto aceso ao lugar na 
cangalha; na balbúrdia da disputa, eles se confundiam e só se podia distinguir, de momento a 
momento, um murro, um rasgão, e nuvens de poeira. 
 
 
 
 
 Chico Bento, intervindo, trepou o menor. E os outros, por trás do pai, vingavam-se, 
estirando a língua, com gestos insultuosos mas perdidos porque o cavaleiro não os via, 
mergulhado na alegria de sua vitória. 
 Súbito, sua vozinha estridulou num grito comovido: 
 - Olha a Rendeira! 
 E apontava para uma vaca pintada de preto e branco, que, magra e quieta à beira da 
estrada, parecia esperar a família fugitiva para uma derradeira despedida. 
 Cordulina recomeçou a chorar; o próprio Chico Bento passou rapidamente a manga pelo 
rosto. 
 A Rendeira fitou em todos os seus grandes olhos dolorosos, donde escorria um alista clara 
sobre o focinho escuro, como um caminho de lágrimas. 
 Só Mocinha olhou a rês com indiferença, ajeitou na mão as chinelas, e continuou a andar 
no seu passo macio, tão rápido e leve que mal esmagava os torrões quebradiços do chão.” (...) 
(pp. 40 e 41). 
 
 “Os três dias de caminhada iam humanizando Mocinha. 
 O vestido, amarrotado, sujo, já não parecia toilette de missa. As chinelas baianas dormiam 
no fundo da trouxa, sem mais saracoteios nos dedos da dona. E até levava escanchado ao quadril 
o Duquinha, o caçula, que, assombrado com a burra, chorava e não queria ir na cangalha. 
 Chico Bento troçava: 
 - Heim, minha comadre! Botou o luxo de banda...” (p. 43). 
 
 A migração no livro didático: 
 
 “Grande Região Nordeste: a principal região de repulsão de população no Brasil 
 Até 1872, data do primeiro recenseamento oficial da população brasileira, a Grande Região 
Nordeste era a região mais populosa do Brasil. Possuía, nesse ano, 46,7% do total dos habitantes 
do país. 
 Observando a figura 27.5, podemos notar o declínio relativo dessa população, nos 
recenseamentos e no comportamento populacional das demais Grandes Regiões: 
 
 
 
 
 
 
 
• em 1890, a participação do Nordeste caiu para 41,9% e, a partir desse recenseamento, a 
Grande Região Sudeste passou a ser a mais populosa, com 42,6%, posição que mantém 
até os dias atuais; 
• de 1872em diante, até 1995, a participação da população da Grande Região Nordeste, no 
conjunto da população do Brasil, declinou de 46,7% para 28,9%; 
• o primeiro grande declínio da participação da população do Nordeste, no conjunto da 
população brasileira, ocorreu de 1872 a 1890 e está relacionada às grandes emigrações 
motivadas pela grande seca que se abateu sobre a região, entre 1877 e 1879; o segundo, 
de 1890 a 1900, corresponde à grande emigração em direção à Amazônia, em busca 
principalmente do extrativismo da borracha, e em direção ao Sudeste, que, com a 
expansão da cafeicultura, necessitava de mão-de-obra; e o terceiro, entre 1950 e 1960, é 
explicado pela industrialização do Sudeste.” (...) (Panorama Geográfico do Brasil. Melhem 
Adas, Editora Moderna, 3ª Ed. 1998, pp.520-521). 
 
 O que se pretende com a comparação entre a Literatura e o livro didático não é que seja 
feita uma escolha do melhor livro, mas que sejam levantadas as diferenças entre eles. Os alunos 
devem perceber que o livro didático procura ser mais científico na linguagem e na apresentação de 
dados, por exemplo, revestindo-se de uma aparente neutralidade. Já na Literatura podemos ver 
mais nitidamente a dimensão do ser humano, a paisagem é descrita com a linguagem do homem 
local, e a partir de seu referencial; a migração deixa de ser ter uma conotação estatística e 
apresenta o drama de pessoas comuns revestido da linguagem conotativa e simbólica da 
Literatura. 
 
 
 
 
 
 
Antropologia 
 
1. Para iniciar o trabalho de Antropologia, poderíamos abordar o contexto agrário brasileiro. A 
seca, a imigração e as desigualdades na posse de terra são algumas das questões marcantes 
na história do país. A questão agrária afeta as relações sociais, tornando-se palco de conflitos 
até o presente. A estrutura de grandes proprietários de terra, chamados latifúndios, foi 
consagrada a partir da lei de terras de 1850. Essa lei transformou a terra em mercadoria, 
portanto passível de ser comprada e vendida, e esse é considerado um marco significativo na 
configuração dos latifúndios. 
 O livro “O Quinze” de Rachel de Queiroz, apresenta o contexto regional que tanto 
influenciou a produção literária da escritora, nos oferecendo um bom pano de fundo para 
pensar as origens e o desenvolvimento das desigualdades regionais. 
 Nesse momento, o professor deve dar uma aula retomando alguns dos principais 
momentos do contexto agrário brasileiro. Orientar os alunos a realizarem uma pesquisa nos 
sites ou publicações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) buscando os 
indicadores sociais de cada uma das grandes regiões brasileiras, relacionados com esse tema. 
O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) também é uma referência 
importante, e agrega informações e análises sobre o tema. O MST (Movimento dos Sem Terra) 
possui uma visão que nem sempre se faz presente quando o tema ganha repercussão nos 
meios de comunicação. Muitas vezes a visão que temos sobre a reforma agrária é aquela 
divulgada pelos grandes meios de comunicação, que raramente apresentam a visão dos 
integrantes do movimento. 
A classe pode ser dividida em grupos, cada grupo se responsabilizando pelo levantamento 
de informações sobre a questão agrária de cada região do país. A pesquisa pode ser realizada 
em livros de história, nos sites do INCRA e do IBGE. 
Pesquisar a história do Movimento dos Sem Terra e ver se em sua região existe uma sede 
ou algum representante. Seria interessante entrevistar um desses representantes para que ele 
forneça informações sobre os principais aspectos que orientam a organização do movimento. 
Posteriormente cada grupo deverá organizar as informações em uma espécie depainel e 
expor para os demais grupos da sala. 
 
 
2. Gênero 
A questão de gênero é marcante na vida e na obra da escritora, que cumpriu um papel 
importante na conquista de espaços para outras mulheres expressarem sua produção 
intelectual e participarem da vida política. 
A escrita de Rachel de Queiroz rompeu com a visão de uma literatura feminina e até se 
chegou a acreditar que o romance “O Quinze” havia sido escrito por um homem com 
pseudônimo feminino. 
Rachel de Queiroz foi fundamental para desconstruir esse tipo de estereótipo feminino em 
uma época na qual o papel da mulher na sociedade brasileira ainda era muito marginal no 
campo da política, das artes e no mundo do trabalho. Foi a primeira mulher a entrar para a 
Acadêmica Brasileira de Letras, considerado um espaço masculino. O significado da 
 
 
 
 
participação de uma mulher na ABL foi fundamental para colocá-la em cena na literatura 
brasileira. 
1. A partir desse tópico, é possível o desenvolvimento de uma pesquisa sobre a 
discriminação da mulher na sociedade brasileira, abordando algumas questões específicas, 
conforme as três sugestões abaixo: 
- história dos direitos políticos da mulher, como por exemplo, a legislação que garantiu o 
direito ao voto; 
- levantamento da participação da mulher no mercado de trabalho. O IBGE também é uma 
fonte rica de informações; 
- violência contra a mulher. 
Apesar das grandes conquistas, a mulher ainda sofre com a violência, principalmente a 
violência doméstica. Discutir uma lei aprovada recentemente, conhecida como “Lei Maria da 
Penha” ou a “Lei de Cotas”. 
A pesquisa deve ser conduzida no sentido de estimular os alunos a refletirem sobre os 
preconceitos existentes ainda hoje em relação à mulher. A conclusão do trabalho poderia ser 
um seminário para a apresentação do material levantado, servindo para orientar um debate em 
torno do tema. 
 
3. Participação política 
A escritora foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fundadora do partido no 
Ceará. O PCB teve participação ativa em episódios marcantes do cenário político nacional, 
com uma ideologia baseada na obra de Karl Marx, que propunha uma sociedade comunista. 
Além da presença na história brasileira, o PCB sempre manteve estreita relação com partidos 
comunistas de outros países. 
De maneira geral, poderíamos dizer que entre os ideais comunistas, está a defesa da 
abolição da propriedade privada, pois consideram que as desigualdades existentes na 
sociedade, são fruto da existência da propriedade. Significa dizer que uma determinada fábrica 
ou empresa não teria um único dono, mas seria gerida por seus trabalhadores que se 
apropriariam igualitariamente de toda produção. Como decorrência, teríamos o fim das classes 
sociais e do Estado. 
Trata-se de um partido que tem uma presença na história brasileira, uma história repleta de 
acontecimentos importantes, mas também contraditórios, conforme podemos ver no vídeo, em 
relação à produção literária de Rachel de Queiroz. A escritora deixou o partido após apresentar 
aos dirigentes os originais do romance “João Miguel”, que tem como eixo a história de uma 
empregada de fazenda que se apaixona pelo filho do patrão. 
Os dirigentes do partido não gostaram da história e pediram que a escritora a modificasse, 
mas ela não aceita e deixa o partido. Há uma concepção de arte presente entre os comunistas 
do início do século chamada realismo socialista, que tem como objetivo utilizar a arte para 
realizar uma propaganda das ideias comunistas. 
1. A atividade seria a realização de uma pesquisa sobre os principais aspectos que envolvem 
a ideologia comunista. Identificar os principais aspectos da trajetória do comunismo ao 
longo do século XX. 
2. Pesquisar sobre a concepção do realismo socialista e as críticas de intelectuais e artistas, 
como Rachel de Queiroz, que não concordavam com o uso da arte como instrumento da 
política. 
 
 
 
 
3. Pesquisar se em seu estado existiu um partido comunista, qual foi sua trajetória e as 
principais personalidades regionais que tiveram alguma participação no partido. 
 
 
 
 ETAPA INTERDISCIPLINAR 
 
O trabalho consistirá na elaboração de uma página de jornal sobre acontecimentos referentes aos 
assuntos tratados, a partir deste vídeo. Ou seja, nesta página os alunos, individualmente, 
elaborarão uma notícia ou uma reportagem e uma crônica sobre qualquer assunto que diga 
respeito a aspectos regionalistas de Norte a Sul do Brasil. O espaço específico e o tempo ficam a 
critério dos alunos. Eles podem, por exemplo, optar por reproduzir uma reportagem simulando 
estarem na grande seca de 1915, tempo e espaço de “O Quinze”. Ou em uma ocupação recente 
de terra pelo MST. Ou ainda, como exemplo, uma notícia envolvendo a proteção ao direito das 
mulheres em 2009. 
 
O importante, portanto, são os gêneros utilizados e os temas que devem nortear a notícia e 
a crônica: posse da terra, reforma agrária, modernização agrícola, manifestações culturais 
rurais, estereótipos, migrações, secas, direito das mulheres e etc. Detalhando, por exemplo, 
uma reportagem sobre a ocupação de uma terra pelos integrantes do MST na sua região. A 
reportagem pode conter uma breve exposição sobre a questão agrária no país, abordar a visão de 
integrantes do movimento sobre essa questão e, caso tenham conseguido entrevistar algum 
representante, colocar trechos da entrevista. Logo depois, elaborar uma crônica sobre um aspecto 
desse assunto. 
 
 
Essa página deve vir ilustrada com fotos, gráficos, tabelas, citações (caso seja uma reportagem). 
Tragam para os alunos, como modelo, quaisquer jornais contemporâneos ou antigos das 
localidades em que eles estão inseridos. Ressaltem as crônicas escritas nos jornais e as de 
Rachel, reproduzidas nos anexos. O estudo dos jornais pode ser feito por todos os professores 
envolvidos. Desde as características e composição dos gêneros, até a abordagem dos assuntos 
nas notícias e reportagens. 
 
Depois de apresentadas as páginas – feitas em computador ou cartolinas - ocorre a avaliação 
interdisciplinar: os três professores corrigem juntos e ocorre a exposição e leitura dos trabalhos. 
 
 
 
 RESUMO DA ATIVIDADE 
 
1. O professor de Língua Portuguesa trabalha a geração de 30 a 45 do Modernismo Brasileiro, obras 
regionalistas, e aprofunda-se no livro “O Quinze” e no gênero crônica. 
 
 
 
 
2. Em Geografia trabalham-se as migrações, estereótipos das regiões do Brasil, novas perspectivas e 
- muito importante - os professores de Geografia e Português, juntamente, comparam as 
linguagens dos livros didáticos e a literária. 
3. Em Antropologia, aprofundam-se os movimentos de ocupação de terras, conquistas dos direitos 
das mulheres, e trabalham-se dados do IBGE, bem como aspectos políticos no Brasil. 
4. Finaliza-se com uma produção interdisciplinar, congregando temas trabalhados nas três disciplinas 
e organizados linguisticamente nas características dos gêneros textuais estudados na elaboração 
de uma página de jornal. 
 
 
 
 COMO VOCÊS AVALIARIAM ESSE TRABALHO? 
 
Haveria duas etapas de avaliação: 
 
A primeira etapa avaliaria o processo de cada aluno nas diferentes disciplinas. Cada professor 
elaboraria um processo independente para confirmar o aprendizado nos conceitos específicos das 
disciplinas. Por exemplo, as pesquisas de Antropologia e o trabalho com o livro “O Quinze”. A 
segunda etapa avaliaria o produto final: a página de jornal produzida. 
Nas duas etapas, os critérios de avaliação precisam ser explicitados, e o peso de cada critério 
também precisa ficar claro. Na 1ª etapa, por exemplo, o professor poderia avaliar se o aluno leu o 
livro no prazo estipulado e participou das aulas. Em Geografia, o aluno seria avaliado por sua 
participação nas atividades, ou até mesmo com uma prova escrita. 
 Na 2ª etapa, poderiam ser critérios: a correção gramatical, a coesão de ideias, a adequação e 
articulação das partes da crônica; os “recursos estilísticos” utilizados,além da incorporação de 
conteúdos trabalhados nas disciplinas de Geografia e Sociologia. 
 
 
 
 EM QUAL ANO OU ANOS DO ENSINO MÉDIO SERIA MELHOR APLICAR ESSE 
TRABALHO? 
 
Pela cronologia das escolas literárias, seria ideal a atividade ser dada na terceira série do 
ensino médio, porém os gêneros trabalhados podem ser antecipados para a primeira série ou 
segunda, se o enfoque for o trabalho com a escrita do jornal. Quanto aos temas de Antropologia, o 
mais adequado, igualmente, seria abordar essas questões na terceira série, considerando que os 
alunos já teriam nas séries anteriores as informações necessárias para articular o debate sobre os 
direitos da mulher na sociedade brasileira. Porém as questões relacionadas à ocupação da terra 
podem ser debatidas desde a primeira série, e devem ser realizadas em conjunto com o conteúdo 
de Geografia. Em Geografia, qualquer série pode apresentar esse trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 PALAVRAS-CHAVE 
 
Modernismo; 
Crônica; 
Romance regionalista; 
Região Nordeste; 
Migração; 
Questão agrária; 
Gênero; 
Comunismo. 
 
 SUGESTÕES DE LEITURAS 
 
 
AGUIAR, Flávio ( org ). Com palmos medida. Terra, trabalho e conflito na Literatura Brasileira. São 
Paulo : Boitempo, 1999. 
CARONE, Edgard. O PCB (1922-1943), vol. 1, São Paulo: 1982. 
CENTRO DE ESTUDOS MIGRATÓRIOS. Migrações no Brasil.O peregrinar de um povo sem terra. 
Paulinas, São Paulo, 1986. 
DIAS, Maria Berenice (2007). A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais. 
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos, São Paulo: Abril Cultural, 1978. 
MOISÉS, Massaud. A criação literária. Prosa . São Paulo : 2ª ed São Paulo : Cultrix 1983; 
_______________História da Literatura Brasileira. Modernismo. 3ª ed.São Paulo : Cultrix, 1996. 
NAVARRETE, Gonzalo. “Preguiça baiana” é faceta do racismo. Folha de São Paulo, 4 out. 1998, 
pp.3-11. 
NAVARRO, Fred. Assim falava Lampião. 2500 palavras e expressões nordestinas. São Paulo : 
Estação Liberdade, 1998. 
PINTO, Celi. Uma História do Feminismo no Brasil. São Paulo: Perseu Abramo, 2003. 
PÓVOA NETO, Helion. A produção de um estigma: Nordeste e nordestino no Brasil. In.: Revista 
Travessia – Publicação do Centro de Estudos Migratórios,ano VII, no 19, maio-ago. 1994, São 
Paulo, pp. 20 a 22. 
PRIORI, Mary Del. História das Mulheres no Brasil, São Paulo: Contexto, 2004. 
QUEIROZ, Rachel de. Cadernos de Literatura Brasileira.São Paulo :Instituo Moreira Salles, 1997; 
 ___________________.O Quinze. 86ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009; 
___________________. Melhores crônicas . Seleção de Heloisa Buarque de Hollanda.São Paulo 
ROSS, Jurandyr L. Sanches. (org.) – Geografia do Brasil. EDUSP, São Paulo, 1995. 
RUA, João et alli- Para ensinar Geografia. Rio de Janeiro, Access, 1993. 
 
 
 
 
STEDILE, João Pedro (Org.) A Questão Agrária no Brasil – O debate tradicional: 1500-1960. São 
Paulo: Expressão Popular, 2005. 
VALIM, Ana. Migrações: Da perda da terra à exclusão social. Atual, São Paulo, 1996. 
 
 
 
DVD “O Quinze”. Direção de Jurandir de Oliveira, 2004. 
 
 
Sites: 
 
http://www.ibge.gov.br 
http://www.incra.gov.br 
http://www.mst.org.br 
http://www.academia.org.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ANEXOS

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