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Laboratório de Engenharia Química II - ENG1820 Operação do Filtro Prensa Jonathan Melo - 1420482 Mariana Passos - 1620833 João Paulo Barbosa- 1711718 Professores: Maria Isabel e Brunno Ferreira 31 de Abril de 2021 Resumo Um aparato formado por um filtro prensa e uma bomba foi utilizado para separar partículas sólidas de CaCO3 de um um líquido (água). Tal suspensão possuía uma concentração de 10 g/L. Com os dados obtidos de tempo, volume de filtrado e pressão de operação, foi possível plotar um gráfico de θ/V em função de V, e com isso obter os parâmetros de 𝛼 (resistência específica da torta) e Rm (resistência do meio filtrante) a partir do coeficiente angular e linear do gráfico, respectivamente. Com os dados da massa de torta seca e úmida também foi possível determinar a fração de líquido retido na torta e a fração de vazios da torta. Introdução No contexto das operações unitárias na engenharia química, filtração se refere ao processo no qual um meio poroso é utilizado para separar mecanicamente uma suspensão do tipo sólido-líquido, de tal forma que a fase sólida fique retida e a fase fluida escoe através do seu leito. Diversos são os equipamentos que podem ser utilizados para realizar a filtragem, como filtros rotativos, filtros prensa, entre outros. Da mesma forma, diversos são as forças motrizes que podem ser empregadas em cada equipamento, como a força centrífuga, um sistema a vácuo, bombas, etc. [1] O filtro do tipo prensa é configurado por uma série de placas, quadros e um meio filtrante entre cada placa e quadro. Para manter a estrutura firme é utilizado um sistema de prensa, sendo esse o motivo do nome do filtro. A força motriz desse tipo de filtro é um sistema de bombeamento, responsável por forçar a suspensão através do meio filtrante. O filtro prensa apresenta algumas vantagens e desvantagens com relação a outros tipos de filtros. Como vantagens, pode-se citar que é preciso uma área de implantação comparativamente menor que alguns outros como o filtro de tambor rotativo. Outra vantagem é que as tortas resultantes apresentam baixo conteúdo de umidade. Como desvantagem, há o fato de que a eficiência é sensível às variações de características do efluente, a lavagem e a manutenção do meio filtrante podem ser complicadas e também que as placas podem sofrer fissuras ou romper-se com os esforços. [2] Equações utilizadas: Os parâmetros 𝛼 (resistência específica da torta) e Rm (resistência do meio filtrante) podem ser obtidas do gráfico de θ/V vs V, ao se utilizar a equação 2, que é resultado da integração mostrada na equação 1. (1) (2) Nessas equações: C = fração de sólidos na alimentação; ρ = densidade do líquido; P = pressão de operação; A = área de filtração; θ = tempo de filtração; μ = viscosidade do fluido; A porosidade foi calculada mediante o uso da equação 3. (3) Onde: Mtu = massa da torta úmida; Mts = Massa da torta seca. Objetivo Esta prática tem como principais objetivos determinar os parâmetros α (resistência da torta) e Rm (resistência do meio filtrante) através dos dados experimentais de θ e V obtidos. Além disso, busca-se também determinar a fração de líquido retido na torta e a fração de vazios da torta. Materiais - Meios filtrantes - Filtro Prensa - Placa de filtração - Água - Reservatório - Quadro -Tanque de Alimentação - CaCO3 - Proveta 1000ml -Mangueira de sucção -Bomba -Cronômetro - Estufa - Balança Métodos Antes de iniciar o experimento, foi utilizado ao longo da elaboração do procedimento experimental os materiais de segurança: Jaleco, óculos de segurança, máscara de respiração e luvas de borracha. Inicialmente identificou-se e pesou-se os meios filtrantes e em seguida foi introduzido 40 litros de água no reservatório e em seguida o filtro prensa foi montado com quatro placas, obedecendo a ordem de alternar uma placa e um quadro e inserindo o meio filtrante nos dois lados da placa, comprimindo bem. Posteriormente certificou-se que as aberturas do meio filtrante coincidissem com as aberturas nas placas e nos quadros para circular as soluções. Para verificar que não havia vazamento, o filtro foi ligado, retornou a saída de filtrado ao tanque de alimentação e o filtro foi desligado. A próxima etapa foi realizar a suspensão, foi acrescentado CaCO3 suficiente para poder realizar a suspensão com uma concentração de 10 g/L. Em seguida, a proveta foi inserida na saída de filtrado e a mangueira de sucção foi colocada na solução de CaCO3 e agitada constantemente. A bomba foi ligada e o cronômetro foi acionado assim que chegou o primeiro filtrado na saída. Os pontos de tempo, volume de filtrado e pressão de operação foram registrados a cada 500 ml de filtrado e a operação foi interrompida quando a vazão caiu muito, por exemplo para 1 gota por segundo ou então quando a pressão subia muito. O filtro foi desmontado com cautela e o meio filtrante foi retirado com a torta das placas. A torta úmida obtida foi pesada junto com o meio filtrante e em seguida foi colocada na estufa para secar até atingir o peso constante. A massa de torta seca obtida foi pesada e registrada e em seguida foi determinada a área de cada placa de filtração e o volume interno dos quadros. Limpou-se o filtro e removeu ele e o tempo consumido devido a desmontagem, limpeza e remontagem do filtro foi medido. Resultados e discussão Foram obtidos os dados do tempo, volume e pressão durante a passagem da solução pelo filtro prensa. A teoria prevê que ao plotar o gráfico de tempo sobre volume em função do volume será obtida uma reta. Tal fato se confirmou, a figura 1 mostra a curva obtida a partir dos valores experimentais. Figura 1 - Gráfico de t/V em função de V Conforme pode ser observado, a equação teórica funciona bem para uma faixa de valores do filtro prensa, representada pelos pontos em laranja. A equação de reta obtida foi de y = 338174x+16613, o ajuste apresentou um R2 alto de 0,9871, sendo, portanto uma boa descrição desta faixa de dados. Comparando os coeficientes angular e linear do gráfico com a curva do modelo, é possível obter os valores de α e Rm a partir das equações abaixo: α = 2𝑃𝐴 2(𝑐𝑜𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟) µρ𝐶 Rm = 𝑃𝐴(𝑐𝑜𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟) µ A área dos quadros, a concentração, a pressão de operação, a densidade e a viscosidade são valores conhecidos os valores dos parâmetros do filtro são mostrados na tabela 1. α(m/kg) Rm 1,296 x 106 3,979 x 106 Tabela 1 - Valores calculados dos parâmetros do filtro Os dados experimentais mostraram também o peso da torta seca e úmida, com isso é possível determinar os valores de filtrado na torta, bem como da fração de massa de líquido retida e de vazios na torta. A operação recuperou uma massa de 211,9 g de filtrado e a torta reteve uma fração úmida de 65%. A porosidade média calculada a partir dos dados experimentais dos 8 quadros para uma área de 10 cm2 de meio filtrante foi de 0,501. Com esses dados foi possível determinar um volume de filtrado de 0,0135 m3 e um tempo de filtração de 286 s. Como foi utilizada a equação da teoria simplificada do filtro prensa, considerou-se que a resistência da torta é uma grandeza constante, fato que implica que tais tortas formadas na superfície do meio filtrante se comportam como meios incompressíveis. Tal consideração pode ser considerada uma fonte de erro de cálculo, pois é conhecido que esse comportamento quase nunca ocorre na prática, pois conforme as partículas de carbonato dispersas na água se acumulam no meio filtrante elas empurram as partículas que já estavam depositadas no meio, de forma que em algum nível ocorre uma deformação da torta. Contudo para a simplicidade do experimento e facilitar o dimensionamento tal a resistência da torta pode ser aproximada como constante e uniforme. Considerando os valores encontrados no experimento, seria possível utilizar esse filtro com uma área de 2 m2 para 1 m3 da mesma solução. O tempo gasto em tal operação pode ser calculado pela equação da teoria simplificada substituindoa área e o volume de filtrado pelos novos valores, o tempo gasto seria de aproximadamente 0,33 horas. Na hipótese de que, durante a filtração, ocorresse uma queda de pressão à volume constante, o dimensionamento do filtro deveria ser feito considerando a pressão como variável de integração ao contrário do volume. Como a pressão está no denominador da equação diferencial do tempo de filtração o perfil seria próximo à uma variação logarítmica do tempo de filtração. O experimento poderia ser melhorado com a adição de mais quadros e meios filtrantes ao filtro prensa, de forma que aumente a capacidade de filtração. O dimensionamento matemático poderia ser feito considerando a resistividade da torta como variável ao invés de constante de forma que a descrição do fenômeno físico fosse mais precisa. A utilização de uma solução mais concentrada em carbonato de cálcio permitiria resultados mais precisos e próximos do descrito pela teoria simplificada. Conclusão Através do experimento de filtro prensa foi possível se familiarizar com os aspectos operacionais do filtro prensa e definir os parâmetros em escala piloto para projetar um filtro prensa industrial, como a resistência do meio filtrante e a resistência específica da torta . Através dos valores experimentais foi possível obter uma reta ao plotar o gráfico de tempo sobre volume em função do volume validando o que foi visto na teoria. A equação da reta obtida foi de y = 338174x+16613 sendo que o ajuste apresentou um R2 alto de 0,9871, sendo, portanto uma boa descrição desta faixa de dados. Foi possível encontrar a resistência da torta α = 1,296 x 106 m/kg e resistência do meio filtrante Rm = 3,979 x 106m. A fração do líquido retido na torta foi de 65% e a fração de vazios na torta foi de 50% foi encontrado um volume de filtrado de 0,0135 m3 e um tempo de filtração de 286 s. As principais fontes de erro foram devido às variações nos valores de vazão e volume obtidos, a falta de sincronismo ao acionar o cronômetro na medição da vazão, erro de paralaxe na leitura dos volumes filtrados, possíveis respingamentos de filtrado para fora da proveta, pode ter ocorrido vazamento pela malha do meio filtrante, perdas de massa retida durante a transferência para pesagem. Ademais, equação da teoria simplificada do filtro prensa ,considera que a resistência da torta é uma grandeza constante, fato que implica que tais tortas formadas na superfície do meio filtrante se comportam como meios incompressíveis, tal consideração pode ser considerada uma fonte de erro de cálculo pois esse acontecimento dificilmente ocorre na prática. Porém apesar dos possíveis erros mencionados, a reta traçada no gráfico 1 gerou um coeficiente de determinação próximo de 1 (R2 =0,9871). Pode-se concluir que o procedimento adotado é apropriado para a obtenção de parâmetros, tanto da resistividade específica da torta quanto da resistividade do meio. Referências [1] Peçanha, R. P., Sistemas Particulados: Operações Unitárias Envolvendo Partículas e Fluidos. 2014 [2] Cremasco, M. A. Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos; Rio de Janeiro: Blucher, 2014.