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Filosofia - Maquiavel na atualidade OBJETO DE ANÁLISE : série Scandal, 2012. Scandal é um série americana protagonizada pela atriz Kerry Washington, que interpreta a personagem Olivia Pope, uma gerente de crises fortemente ligada a Casa Branca. No decorrer da série Olivia impede diversos escândalos políticos de virem a tona. Atitudes como essa e outras cenas serão analisadas da perspectiva maquiaveliana e então comparadas com acontecimentos noticiados na vida real. Crueldade eticamente correta e máscaras 3° Temporada : Fitz derruba avião sobre ordem de Roman O livro O Príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel se destacou por separar a ética cristã e a ética política, para a cristã o bem deve ser feito a todos sem nenhuma exceção, para então salvar a alma, já a política acredita em salvar a cidade, então há maus eticamente bons. O entendimento dessa sentença fica mais simples ao analisarmos a terceira temporada de Scandal. Olivia Pope, protagonista, descobre nessa temporada que o atual presidente Fitzgerald Grant, candidato para um segundo mandato, derrubou um avião com 300 pessoas em uma missão dada por Roman, antagonista comandante de uma organização secreta chamada B613, na época em que prestava serviço para a aviação naval dos Estados Unidos, o avião carregava uma bomba programada para explodir assim que pousasse em seu destino final. A protagonista por sua vez não leva isso à público, pois causaria uma taxa de rejeição para a eleição do segundo mandato de Grant. Podemos então observar duas referências à Maquiavel nesse único trecho : a primeira é a decisão tomada por Roman, na qual ele escolheu o fim de alguns para salvar a cidade, Nicolau trata disso ao realizar a separação entre as éticas, e colocar como necessário ao político a crueldade bem usada, segundo a ética cristã, essa atitude tomada por Roman seria maligna, pois o bem seria apenas para uma parcela de pessoas, para Nicolau é algo bom, pois evitou maiores estragos. A segunda referência maquiaveliana está na atitude de Olivia, ao abafar sua descoberta para garantir que Grant alcançasse novamente a presidência e mantivesse as relações estáveis na Casa Branca, Maquiavel trabalha com isso ao falar em sua obra sobre aparentar algo, ou seja, recorrer à algumas máscaras, sendo assim ela ignorou tal acontecimento do ponto de vista público para que o presidente continue aparentando um homem incapaz de tal ato contra o próprio povo dos E.U.A. Se nos aprofundarmos nos episódios veremos que as questões relacionadas à aparentar algo é a base da política, tanto para se eleger quanto para se manter. Virtú e Fortuna “Se tem um problema, chame a Olivia” A frase acima é dita algumas vezes durante a primeira temporada pela Primeira Dama da série, Mellie Grant, com intuito de destacar que Olivia está sempre pronta para resolver os problemas da casa branca, isso porque é capaz de manter relações poderosas e sempre estar preparada para o inesperado, sendo assim, contornar situações hostis. Segundo Nicolau Maquiavel essas duas características podem ser descritas nos conceitos de virtú, fortuna e também sobre como se deve manter próximos e inimigos dependentes e sempre observados. Virtú é toda qualidade que mantém o governo e controla a Fortuna, a qual é a sorte e o que não se pode exercer controle sobre, essas referências são característica das personagem e sua equipe que agem com pragmatismo, estando portanto em todos os episódios nos quais ela impedi um escândalo político. Acerca de suas relações políticas Maquiavel aconselha à manter seus inimigos perto para os observar e então usar isso a seu favor quando necessário, criando uma dependência. Ao assistir a série veremos que a Olivia faz isso muito bem, ao estudar seus clientes e identificar suas fraquezas, sempre guardando consigo algo para ser usado futuramente se preciso. Leão e raposa Roman Pope e Jake Ballard Ambos interpretam na série a analogia de Nicolau entre a raposa e o leão, tanto individualmente quanto no modo em que se relacionam durante a trama. Durante as primeiras aparições de Ballard ele trabalha para a organização de Roman, após alguns conflitos de interesse os dois se tornam inimigos dispostos a derrubar um ao outro, começa então uma saga de tentativas e contra ataques vindos do dois lado. O Leão, dentro dos conhecimentos de Maquiavel, simboliza a ação pela força quando o diálogo já não se é suficiente, podemos ver um paralelo isso quando os personagens decidem formar emboscadas e passam a determinar seu esforço para levar o outro a ruína, “valer-se de sua natureza”, portanto, apenas a conversa não seria capaz de resolver o problema dos personagens na trama. A raposa por sua vez é ligada a esperteza e astúcia, que os dois apresentam ao sempre se safarem das armadilhas e virando ela para o seu criador, Roman ou Ballard. Governante pelos grandes, governante pelo povo. Os favores que os políticos passam a dever aos empresários. No livro O Príncipe, mais especificamente no capitulo XIX Maquiavel aborda os modos do príncipe chegar ao poder, podendo ser através de uma escolha do povo ou ser colocado pelos grandes, que em nossa análise será encarado como os empresários. Durante a terceira temporada vemos uma disputa política pelo cargo da presidência entre Grant e Sally e com isso também os encontros com diversos empresários que buscam saber das propostas dos candidatos em relação a sua área de empreendimento para decidir se apoiar aquela campanha é viável ou não para seus negócios, o que nos leva a concluir de que atualmente um governante embora escolhido pelo povo (em uma democracia) continua a dever favores, ou melhor, a precisar cumprir dívidas com os grandes, para que esses possam sair favorecidos de alguma forma. OBJETO DE ANÁLISE : ação política Auxílio emergencial Manutenção do poder e a relação com o povo Descaso Maquiavel, em O Príncipe, discorre sobre a relação do governante com o povo abordando até mesmo questões como a manutenção do poder. Segundo o florentino, o príncipe não deveria agir por maldade com o povo, o que se traduz em uma atualidade de pandemia como descaso, justamente o que mais vemos através das atitudes implementadas para passar por esse momento por parte dos governantes. Uma dessas atitudes é o auxílio emergencial, o qual em 2020 gerou em torno de 600,00 e visava atender as necessidades mais básicas da população impossibilitada de produzir renda, porém logo com a sua liberação surgiram alguns problemas, como por exemplo o aumento exorbitante em produtos como arroz tornou o dinheiro ainda mais insuficiente, além de ter sido aprovado para pessoas que não precisavam e deixado as que tinham necessidade. A demora para a chegada e as complicações com a aplicativo utilizado gera na população frustração perante o governo, uma sensação de abandono, no capítulo IX, da obra O Príncipe, Nicolau adverte de que não pode esperar o governante que o povo o levante quando o mesmo derrubou o povo. Mercenários nos dias de hoje e a revolta da população AuxIlio 2021 O auxílio entrou em pauta em fevereiro de 2021 mostrando total despreparo do país para com a situação, deixando os cidadãos que dependem desse dinheiro totalmente a mercê. Os políticos que durante as eleições prometem cuidar do povo nas dificuldades seriam os mercenários tratados por Maquiavel na atualidade, no momento sem crise eles estão dispostos a cair na luta, mas quando a necessidade surge são os primeiros a se afugentar. OBJETO DE ANÁLISE : música Primavera Facista 2 A música é uma forma de denúncia sobre as desigualdades raciais e econômicas sofridas pela população decorrentes de uma administração excludente do país. A mensagem é possível ser trabalhada de suas formas usando o mesmo conceito de Maquiavel porém analisada de perspectivas diferentes e modificadas para se adequarem a atualidade. A força do leão contra a sociedade Na música ouvimos diversas referências da força partida dos orgãos públicos que deveriam proteger a população agindo de modo totalmente ao contrário, como o relatoda mulher que chorando conta como seu marido foi atacado com 80 tiros de armas militares. A força de ataque do leão foi usada de maneira a por o povo em revolta. A força do leão como resposta Nicolau defendia a força quando o diálogo já não era um recurso disponível, ou seja como uma resposta, o que podemos ver na própria música, que busca através de acontecimentos chocantes responder o abuso de poder que sofrem e a violência, tendo até mesmo rimas mais “agressivas”. OBJETO DE ANÁLISE : filme O Hobbit O Hobbit é um clássico recheado de fantasia e curiosidade e através de seu personagem Gandalf, O Cinzento conseguimos entender a relação de força e se manter no poder. A força e a estabilidade do controle. O Cinzento durante os filmes sempre demonstrou estar a par de situações a mais que os anões, os quais estavam focados em retomar sua montanha, por conta disso ele sempre assumiu a frente do caminho e manipulou alguns para fazer o que acreditava ser certo, o interessante é que mesmo Gandalf tendo poder o suficiente para fazer tudo como acha melhor e evitar a teimosia do anão Thorin, herdeiro do trono da montanha, ele não o faz, pois reconhece que a luta é dos anões. Podemos observar portanto dois comportamentos de um bom governante segundo Maquiavel : o primeiro, não utilizar da força (magia) para ficar no poder, e o segundo é criar bons laços, já que podem ser úteis futuramente, além de saber ouvir o que os outros tem a dizer. OBJETO DE ANÁLISE : obra de arte A deusa Fortuna no Museu Romano-Germânico de Colônia A obra se trata da deusa romana Fortuna, a qual em Maquiavel representa o acaso das coisas, a sorte, ficar a mercê de algo. Se analisarmos, a deusa está dentro de um círculo, uma roda, o que pode significar os diversos rumos que algo pode tomar. Nicolau discorre sobre isso trabalhando a Virtú e a Fortuna, onde a primeira deve criar domínio sobre a última. Se trazermos isso para a atualidade podemos pensar na questão do EAD durante a pandemia, a roda seria o ciclo viciosa de qualquer hábito destrutivo no estudo ou qualquer área da vida, a fortuna seria o fato de nunca estar preparado para nenhuma atividade surpresa ou situações que precisem do assunto debatido, a virtú seria então a disciplina, a qualidade necessária para driblar a despreparação. Conclusão Atualidade Podemos concluir que as ideias inseridas por Maquiavel serviu como um divisor de águas para a política, é evidente que os conceitos aparecem com algumas adaptações devido a mudança de tempo, porem isso não o tira a atualidade. Se a arte imita a vida ou até mesmo o contrário podemos tirar diversos exemplos de como Maquiavel aparece no presente, ou então procurar novas formas através de outras fontes, o que é inegável é a contribuição enorme que ele deixou para a política que se perpetua até hoje, um exemplo seria a estratégia dos governantes de executar as obras aos poucos e sempre deixando placas recordando a população de que obras e mudanças estão sendo feita para que o povo não se esqueça. Portanto, Nicolau não só marcou a história como também a refletiu para nós.