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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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em documento separado.
COMERCIAL E PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DECLARATÓRIA E CAUTELAR. DUPLICATA ACEITA. ENDOSSO ANTES DO PROTESTO. PAGAMENTO AO ENDOSSANTE EM DOCUMENTO EM SEPARADO. OPOSIÇÃO AO ENDOSSATÁRIO DE BOA-FÉ. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA.
I. A jurisprudência desta Corte, centrada na exegese da art. 9º, § 1º, da Lei n. 5.474/1968, entende que a circulação da duplicata impõe ao sacado o dever de pagar ao endossatário o valor representado no título de crédito, descabendo falar-se em recibo em separado do endossante, quando presente a anterioridade do endosso e a inexistência de má-fé na circulação cambial.
(AgRg no REsp 556.002/SP, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA, julgado em 23/03/2010, DJe 26/04/2010)
* Recibos passados por endossantes em documento separado só liberam o devedor se ficar comprovada a má-fé do endossatário ou conluio entre ele e o endossante (REsp 37.907).
Pagamento parcial.
Art. 10. No pagamento da duplicata poderão ser deduzidos quaisquer créditos a favor do devedor resultantes de devolução de mercadorias, diferenças de preço, enganos verificados, pagamentos por conta e outros motivos assemelhados, desde que devidamente autorizados.
* Por aplicação do art. 39 da LUG, “o portador não pode recusar qualquer pagamento parcial”.
Prorrogação do vencimento.
Art. 11. A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo de vencimento, mediante declaração em separado ou nela escrita, assinada pelo vendedor ou endossatário, ou por representante com poderes especiais.
Parágrafo único. A reforma ou prorrogação de que trata este artigo, para manter a coobrigação dos demais intervenientes por endosso ou aval, requer a anuência expressa destes.
* Também ao contrário do que prevê a LUG, a duplicata admite prorrogação de vencimento, e nesse caso mais uma vez se excepciona o princípio da literalidade. Sem anuência expressa de endossantes/avalistas, eles ficam exonerados. 
Juros de mora.
- Se o pagamento for feito com atraso, devem incidir juros de mora, independentemente de previsão expressa no título (conforme mencionamos na aula 69.3, a jurisprudência do STJ entende que a taxa de juros moratórios a que se refere o Código Civil é a SELIC, vedada a acumulação com correção monetária – Temas 99 e 112/STJ).
- Quanto ao momento de incidência dos juros, há uma discussão: eles incidem a partir do protesto (art. 40 da Lei 9.492/1997) ou a partir do vencimento (art. 48 da LUG)? Como o art. 25 da Lei 5.474/1968 manda aplicar a LUG, os juros incidem desde a data do vencimento.
Tipos de protesto.
Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite, de devolução ou pagamento.
§ 2º O fato de não ter sido exercida a faculdade de protestar o título, por falta de aceite ou de devolução, não elide a possibilidade de protesto por falta de pagamento.
Lei 9.492/1997
Art. 21. O protesto será tirado por falta de pagamento, de aceite ou de devolução.
§ 1º O protesto por falta de aceite somente poderá ser efetuado antes do vencimento da obrigação e após o decurso do prazo legal para o aceite ou a devolução.
§ 2º Após o vencimento, o protesto sempre será efetuado por falta de pagamento, vedada a recusa da lavratura e registro do protesto por motivo não previsto na lei cambial.
Protesto por indicações.
Art. 13, § 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado, conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata, ou, ainda, por simples indicações do portador, na falta de devolução do título.
Lei 9.492/1997
Art. 20, § 3º Quando o sacado retiver a letra de câmbio ou a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal, o protesto poderá ser baseado na segunda via da letra de câmbio ou nas indicações da duplicata, que se limitarão a conter os mesmos requisitos lançados pelo sacador ao tempo da emissão da duplicata, vedada a exigência de qualquer formalidade não prevista na Lei que regula a emissão e circulação das duplicatas.
* O protesto por indicações é realizado quando há a retenção indevida do título por parte do devedor (comprador). Nesse caso, como o credor (vendedor) não está na posse do título, deverá então fornecer ao cartório as indicações deste, retiradas da fatura e do Livro de Registro de Duplicatas de que trata o art. 19 da Lei 5.474/1968.
Protesto por indicações x Triplicata.
Art. 23. A perda ou extravio da duplicata obrigará o vendedor a extrair triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades daquela.
“É pacífico na jurisprudência que se admitem triplicatas emitidas em razão da não devolução das duplicatas originalmente enviadas ao devedor. Interpretação extensiva do art. 23 da Lei nº 5.474/1968 (Lei das Duplicatas)” (REsp 1.307.016).
Protesto por indicações sem retenção indevida do título.
Na prática, o vendedor sequer emite a duplicata fisicamente, enviando ao banco apenas as informações do negócio. O banco, por sua vez, emite o boleto e encaminha ao devedor. Caso o título não seja pago, o banco envia as informações ao cartório, que lavra o protesto. Esse procedimento é legítimo?
“Embora a norma do art. 13, § 1º, da Lei 5.474/68 permita o protesto por indicação nas hipóteses em que houver a retenção da duplicata enviada para aceite, o alcance desse dispositivo deve ser ampliado para harmonizar-se também com o instituto da duplicata virtual, conforme previsão constante dos arts. 8º e 22 da Lei 9.492/97” (EREsp 1.024.691)
Execução do sacado (devedor principal).
- Duplicata (ou triplicata) aceita:
	Não precisa de protesto ou qualquer outro documento (art. 15, I).
- Duplicata (ou triplicata) não aceita:
	Precisa do protesto e do comprovante de entrega das mercadorias (art. 	15, II – Súmula 248/STJ).
- Ausência de título:
 	Precisa do protesto e do comprovante de entrega das mercadorias (art. 	15, § 2º).
- Ausência de título (aceite por comunicação):
	Basta a comunicação escrita do aceite e da retenção do título (art. 7º, § 	2º).
Execução dos codevedores.
Art. 13, § 4º. O portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas.
* Para a execução de codevedores (endossantes e avalistas), é sempre necessário o protesto, que precisa ter sido feito tempestivamente (30 dias). O art. 15, § 1º fala em sacador, mas ele só responde se tiver endossado o título, isto é, na condição de endossante.
Prescrição.
Art. 18 - A pretensão à execução da duplicata prescreve:
l - contra o sacado e respectivos avalistas, em 3 (três) anos, contados da data do vencimento do título;
ll - contra endossante e seus avalistas, em 1 (um) ano, contado da data do protesto;
III - de qualquer dos coobrigados contra os demais, em 1 (um) ano, contado da data em que haja sido efetuado o pagamento do título.
§ 1º - A cobrança judicial poderá ser proposta contra um ou contra todos os coobrigados, sem observância da ordem em que figurem no título.
§ 2º - Os coobrigados da duplicata respondem solidariamente pelo aceite e pelo pagamento.
* Prescrita a duplicata (ou não preenchidos os requisitos para a sua execução), ela pode ser objeto de ação de cobrança (art. 16) ou de ação monitória (AREsp 1.655.610), e nesta caso o prazo para ajuizamento da ação é de 5 anos (art. 206, § 5º, inciso I do Código Civil). 
Duplicata de serviços.
Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata.
§ 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados.
§ 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.
§ 3º Aplicam-se à fatura e à duplicata ou triplicata de prestação de serviços, com as adaptações cabíveis, as disposições referentes à fatura e à duplicata ou triplicata de venda mercantil, constituindo documento hábil,
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