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Trata-se de uma síndrome clínica caracterizada por obstrução variável do fluxo de ar, responsividade de constrição das vias respiratórias aumentada induzida por estímulos inespecíficos inalados (hiper-responsividade aérea) e inflamação celular. Os sintomas asmáticos consistem em dispneia, sibilos, tosse e sensação de aperto no peito; são causados por obstrução do fluxo aéreo devido à constrição da musculatura lisa das vias respiratórias, ao edema da parede dessas mesmas vias, à inflamação respiratória e à hipersecreção das glândulas mucosas. A principal característica da obstrução do fluxo de ar da asma é que essa obstrução é parcial ou completamente reversível, seja espontaneamente, seja como resultado de um tratamento. Síndrome brônquica é causada pelo acometimento brônquico que causa redução do calibre, dilatação e/ou hipersecreção brônquica, que leva a uma dispneia, dor torácica difusa, sibilância e tosse seca ou produtiva. Edema da mucosa brônquica e aumento do tônus broncomotor leva a uma redução do calibre dos brônquios. Fatores genéticos e ambientais: no cromossomo 20 (ADAM 33) e no cromossomo 13 (PhF11) são os genes da asma. ASMA LEVE: edema e hiperemia da mucosa. Mucosa infiltrada por linfócitos, mastócitos e eosinófilos que produzem interleucina (IL-3, 4 e 5). As ILs promovem a síntese de IgE. As células inflamatórias e epiteliais produzem eotaxina e IL-8 que perpetuam e amplificam os eventos inflamatórios nas vias aéreas. ASMA PERSISTENTE MODERADA: a terapia combinada com ICS e LABA apresenta evidência de maior benefício na asma persistente moderada principalmente em adultos com a doença. Outra abordagem de tratamento é a utilização de um inalador contendo a combinação do ICS budesonida e do LABA formoterol, tanto como terapia de manutenção quanto como terapia de alívio, que tem demonstrado reduzir o risco de exacerbações graves de asma. ASMA CRÔNICA GRAVE: hipertrofia e hiperplasia das glândulas e células secretoras das vias aéreas e hiperplasia da musculatura lisa, fazendo com que haja o espessamento da parede. Muco e células epiteliais descamadas causam oclusão focal das vias aéreas. Não respondem adequadamente nem mesmo a altas doses de ICS e LABAs. Os pacientes com asma grave de difícil tratamento são adultos com comorbidades significativas, incluindo rinossinusite grave, refluxo gastroesofágico, obesidade e transtornos de ansiedade. Muitas vezes, essa população precisa receber corticosteroides orais além dos ICS, em um esforço para se alcançar o controle da asma. Mecanismo: constrição da musculatura lisa das vias aéreas (mediadores broncoativos), espessamento do epitélio das vias aéreas e líquido na luz das vias aéreas. Mediadores da resposta asmática aguda: Acetilcolina: liberada pelos nervos motores intrapulmonares, levando a constrição dos músculos lisos das vias aéreas por estímulo dos receptores muscarínicos subtipo M3. Histamina ou beta-imidazoliletilamina; produzida pelos mastócitos do tecido pulmonar tem papel menor na obstrução das vias aéreas. Cininas: enzima calicreina é liberada pelos mastócitos ativados e é responsável pela clivagem da bradicinina que é um broncoconstritor. Leucotrienos e lipoxinas: mastócitos, eosinófilos e macrófagos produzem cisteinil leucotrieno. Leucócito PMN produz um tipo de leucotrieno que é antagonista contrátil das vias aéreas. O leucotrieno é importante como mediador da resposta asmática. E as lipoxinas são infra-reguladoras exógenas da resposta inflamatória. Neuropeptídeos: causam a constrição da musculatura lisa das vias aéreas e extravasamento broncovascular. Encontrados nos nervos pulmonares. Substância P e neurocinina A (substância K) encontrados em nervos sensoriais, quando liberados causam constrição da musculatura lisa e extravasamento broncovascular. Óxido nítrico (NO): produzido pelas células epiteliais das vias aéreas e células inflamatórias do pulmão asmático. Em níveis altos atua como molécula pró-inflamatória. Fator ativador de plaquetas (FAP): produzido por células inflamatórias incluindo mastócitos e eosinófilos. Indutor da hiper- responsividade e inflamação das vias aéreas. Portadores de gene disfuncional com níveis maiores de FAP apresentam asma grave. Lysa Laura Figueiredo ASMA BRÔNQUICA: Inflamação: interações de mediadores químicos liberados por várias células como mastócitos e eosinófilos). Hiper-reatividade brônquica: vários estimulos como alérgenos inaláveis, irritantes, condições climáticas, infecções, exercícios físicos e fármacos. Na asma brônquica possui edema, hiperemia mucosa e infiltração da mucosa com linfócitos TH2, mastócitos e eosinófilos. Essas células produzem interleucinas e criam ambiente para a produção de imunoglobulina E (efetora alérgica). Quimiocinas produzidas por células epiteliais e inflamatórias amplificam efeito inflamatório dentro das vias aéreas. Todos esses mecanismos e a deformação do epitelio pela constrição da musculatura lisa das vias aéreas, fazem com que se forme um deposito de colageno tipo III e V abaixo da membrana basal na parede das vias aéreas. Com isso, ocorre espessamento das paredes das vias aéreas, com resistencia ao fluxo aéreo estimulando a responsividade das vias aéreas. A constrição dos musculos lisos das vias aéreas secundária à ação de mediadores (mediadores broncoativos) e neurotransmissores, leva a obstrução aguda das vias aéreas. Alterações fisiológicas da asma: Constrição da musculatura lisa, espessamento do epitelio das vias aéreas ou presença de liquido livre dentro da luz das vias aéreas, levam a uma obstrução das vias aéreas devido ao aumento da resistência ao fluxo aéreo e aumento na resistência das vias aéreas reduzindo a velocidade de fluxo em toda a capacidade vital. Lysa Laura Figueiredo A taquipneia é desencadeada pela estimulação dos receptores intrapulmonares, menor perfusão ocorre hipoxemia arterial. ASMA ALÉRGICA: afeta com mais frequência crianças e adultos jovens. É comum haver uma história clínica pessoal de outras manifestações alérgicas como rinite, conjuntivite ou eczema alérgicos, bem como um histórico familiar de atopia. A atopia é identificada por respostas dérmicas positivas a alérgenos ambientais e ocupacionais e por concentrações séricas elevadas de imunoglobulina E (IgE). ASMA NÃO ALÉRGICA: identificada em pacientes que já são adultos. Os sintomas podem desenvolver-se após uma infecção do trato respiratório e, ocasionalmente, determinados agentes infecciosos, como Chamydia pneumoniae ou Mycoplasma spp. A asma não alérgica também costuma ser associada a comorbidades, como sinusite crônica, obesidade ou refluxo gastrointestinal. ESTÍMULOS INDUTORES DA ASMA: estímulos que são indutores de asma (causa da doença), como alérgenos ambientais e sensibilizantes ocupacionais, e os incitadores da asma, que são estímulos que provocam a exacerbação dos sintomas ou sintomas transitórios. Infecções Virais Respiratórias: indutores da asma e foram associadas a diversas consequências clínicas importantes em pessoas com asma, incluindo o desenvolvimento de doenças associadas a sibilos em bebês e crianças pequenas; o desenvolvimento de asma na primeira década de vida; exacerbações da asma aguda (particularmente rinovírus); e alterações na fisiologia respiratória, incluindo responsividade aérea aumentada. Asma ocupacional: início da asma em adultos. A exposição relacionada com trabalho e a inalação acidental constituem risco significativo para uma nova crise de asma. Pode ser causada por pelos de animais, farinha de trigo, psílio e enzimas, que provocam estreitamento da via aérea através de respostas mediadas por IgE. Exercício: broncoconstrição é provocada pelo resfriamento e a desidratação das vias respiratórias, pois os grandes volumes de ar inalado durante o exercício são condicionados à temperatura corpórea e ficam completamente saturados. Em geral, a broncoconstrição induzidapor exercício pode ser prevenida por um pré-tratamento com agonistas β2 inalados 5 a 10 minutos antes do exercício. Sensibilidade à aspirina: uma tríade formada por sensibilidade a aspirina, asma e polipose nasal (tríade de Samter) foi reconhecida em aproximadamente 5% de indivíduos com asma. Os sintomas da asma se desenvolvem cerca de 20 minutos após a ingestão da aspirina, que pode ser muito grave e ocasionalmente envolver risco de morte. Essa sensibilidade existe para todos os fármacos que são inibidores de ciclo-oxigenase (COX-1) e, algumas vezes, também à tartrazina. Lysa Laura Figueiredo ANAMNESE (Síndrome Obstrutiva Brônquica): Dispneia, tosse, sibilo e ansiedade. A dispneia pode ser induzida por exercício, uso de AAS, exposição a agente específico (asma extrínseca) ou sem razão (intrínseca), tosse, rouquidão ou dificuldade para dormir pode ser o único sintoma. Sinais vitais: FR alta: 25-40 ipm = taquipneico e taquicardia. Pulso paradoxal (queda na pressão sistólica). Saturação de oxigênio 90%. Inflamação brônquica de origem alérgica ocorre devido a broncoconstrição e edema. Exame físico: Sibilos, roncos e/ou esterores grossos, aumento da FR, diminuição da expansibilidade (hiperperfusão), hipersonoridade, diminuição do toraco-vocal e MV bilateralmente. Exame de tórax: Inspeção: retração dos espaços intercostais. Percussão: hiperresssonância. Ausculta: sibilos. Roncos: secreção livre na luz das vias aéreas. Estertores: infecção localizada ou IC. Ausência de MV indica obstrução grave ao fluxo aéreo. Sinais e sintomas: Episódios recorrentes de sibilância, dispneia, sensação de opressão torácica (ansiedade) e tosse. Exame físico variável, normal nas intercrises. Crise asmática severa: fácies de angústia, posição ortopneica, presença de cianose, tiragem, abolição do som vesicular ou expiração prolongada com roncos e sibilos. Os sintomas de uma exacerbação asmática desenvolvem-se de maneira gradual, mas ocasionalmente podem ter início súbito. É comum as exacerbações da asma serem precedidas por infecções virais do trato respiratório superior. Muitos pacientes se queixam de uma sensação de aperto no peito, na região retroesternal. É possível auscultar sibilos expiratórios e inspiratórios, e esses sibilos estão associados a graus variados de dispneia. Provavelmente, há tosse presente e pode ser produtiva e de esputo purulento. Nas exacerbações graves da asma, o paciente prefere sentar-se ereto; a visível assadura alar nasal e o uso dos músculos respiratórios acessórios refletem o esforço aumentado necessário à respiração. Em geral, a ansiedade se relaciona com a intensidade da exacerbação. A taquipneia pode ser resultado do medo, da obstrução respiratória ou de alterações sanguíneas ou teciduais do pH ou da tensão gasosa. Tanto a hipertensão como a taquicardia refletem a descarga aumentada de catecolaminas, embora uma pulsação acima de 110 a 130 batimentos /min possa indicar uma hipoxemia (PaO2 < 60mmHg) importante e o grau de seriedade do episódio. Há pulso paradoxal (≥ 10mmHg) em casos de hiperinsuflação pulmonar, ocorrendo quando o volume expiratório forçado em um segundo (VEF1) está baixo de 30% do normal previsto. Se ocorrerem hipoxemia e hipercapnia graves com acidose respiratória, o paciente geralmente se encontra cianótico, fatigado, confuso e agitado. Diagnóstico: Prova de função pulmonar: A espirometria demonstra um VEF1 reduzido e uma taxa de VEF1 por capacidde vital forçada (CVF) que apresenta melhora após a inalação de agonistas β2. PFE (pico de fluxo expiratório) e VEF (volume expiratório forçado): diminuidos. CPT (capacidade pulmonar total) e VR (volume residual): alterados. Lysa Laura Figueiredo Gasometria arterial: não realiza em asma leve. Hipoxemia e hipocarbia. FR > diminuição de pO2 e pCO2 e consumo de HCO3 (alcalose respiratória). Com a resolução do quadro, expulsando HCO3 pelo rim, levando à acidose metabólica. Outros achados no sangue: eosinofilia. Nível elevado de IgE (RAST), DHL e outros exame podem estar alterados. RX de tórax: Complicações: pneumomediastino ou pneumotórax. O exame torácico revela uma nota de percussão hipersonante, um diafragma rebaixado e outras evidências de hiperinsuflação. A expiração se encontra prolongada. O paciente apresenta sibilo generalizado inspiratório e expiratório. Na presença de uma obstrução de baixo grau, os sibilos podem estar suaves ou mesmo ausentes, mas podem ser acentuados com uma respiração rápida e profunda. ECG: taquicardia sinusal. Pode haver bloqueio de ramo direito. Achados no escarro: se houver suspeita de infecção, faz-se o exame pela coloração de Gram e Wright. Radiografia: exclui outras doenças e determina se há pneumonia, atelectasia, pneumotórax, pneumomediastino ou bronquiectasia. Na asma leve, a radiografia torácica não mostra anormalidades. No entanto, com obstrução grave, observa-se uma hiperluminescência característica reversível do pulmão, com aumento dos espaços intercostais, diafragma deprimido e aumento do ar retroesternal. Esputo: a presença de finos cilindros bronquiolares espirais (espirais de Curschmann) no esputo, medindo até muitos centímetros de comprimento, é fortemente indicativa de asma. Células do epitélio brônquico colunar ciliado são frequentemente observadas. Os corpúsculos de Creola são agrupamentos dessas células epiteliais brônquicas com cílios móveis e são encontrados em casos de asma grave. Testes cutâneos de Prick: se houver anticorpos sensíveis ao antígeno cutâneo, há desenvolvimento de uma reação de edema e eritema em 15 a 30 minutos; um teste de controle com o diluente de solução salina deve mostrar pouca ou nenhuma reação. CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE DA ASMA (baseada na gravidade da apresentação): Intermitente leve: função pulmonar normal, sintomas infrequentes. Asma persistente leve: função pulmonar normal, sintomas diários, dificuldade para dormir, usam medicamento de resgate da asma frequentemente. Asma persistente moderada ou grave: função pulmonar anormal, sintomas mais de uma vez por dia, dificuldade para dormir e necessitam múltiplas medicações. Diagnóstico diferencial (sibilos): Comum: bronquiolite aguda (infecciosa, química), aspiração (corpo estranho), estenose brônquica, IC, bronquite crônica, fibrose cística. Incomum: tumores torácicos, câncer de pulmão, câncer de mama metastático, síndrome carcinóide, embolia pulmonar. Lysa Laura Figueiredo Lysa Laura Figueiredo