Prévia do material em texto
DETERMINISMO DE PARTO 1ª metade da gestação: útero (hipertrofia e hiperplasia) → estiramento do miométrio. Contrações não fundicas e no final gestação, fundicas. Diminuição da concentração de colágeno, aumento da colagenolise. Maior concentração de macrófagos, neutrófilos e aumento de interleucinas e prostaglandinas (uterotonianas) A ativação uterina e causada pelas uterotropinas (tornar útero responsíveis aos estímulos contrateis determinados pelas uterotoninas. Teoria Ocitócita: Ocitocina: produzida no hipotálamo e armazenada na neuro-hipófise. Ao se ligar a um receptor de membrana nas celulas miometriais, libera o cálcio intracitoplasmático e então deflagra a contração uterina. Sua concentração máxima é a partir de 36 semanas e cresce até o parto. Sua participação é fundamental na expulsão do feto e na dequitação da placenta. Teoria da Gangorra: Ocorre pelo estiramento miometrial crescente determinado pelo crescimento do concepto. Este estímulo é inibido pela alta concentração de progesterona, que mantém o útero refratário às contrações. Ocorrendo a diminuição da concentração de progesterona, o parto é deflagrado. A teoria da gangorra propõe que tanto o volume uterino excessivo como a deficiência de progesterona predispõem a ocorrência do parto. Estudos clínicos randomizados demonstraram que a suplementação de progesterona em gestantes com alto risco de parto prematuro se associou com redução de 40- 60% de parto pré-termo. Teoria da Prostaglandina: As prostaglandinas são produzidas pelo miométrio,membranas fetais e principalmente pelo âmnio. O ácido araquidônico precursor das prostaglandinas, é liberado pelos fosfolípides das membranas celulares. A enzima que controla as prostaglandinas chama-se cicloxigenase. A cox 1 é produzida durante toda a gestação e a cox -2 mais marcadamente no período próximo ao parto. Teoria Fetal: O aumento do cortisol leva à inativação da 17 alfa hidroxilase (citocromo P450) - levando a um aumento das prostaglandinas com modificações cervicais e aumento da contratilidade uterina. FASES CLÍNICAS DO PARTO • Fase 1: quiescência; • Fase 2: ativação; • Fase 3: estimulação; • Fase 4: involução. Quiescência: Relativa ausência de resposta a agentes que determinam a contratilidade uterina. Não causam dilatação ou modificação cervical. Ativação: Prepara o útero e o canal cervical para o trabalho de parto e dura aproximadamente 6-8 semanas. Caracteriza-se pela descida do fundo do útero. Estimulação: 3 períodos: dilatação, expulsão e dequitação. Fenômeno + importante: contrações uterinas efetivas; Frequência regular entre 2-5contrações a cada 10 minutos intensidade de 20-60 mmhg. Dilatação: Inicia-se com as 1ª contrações dolorosas, cuja principal ação é a modificação do cérvix e termina com a dilatação completa do colo. ESTUDO DA BACIA OBSTÉTRICA Conceito: canal ósseo (ilíacos, sacro, coccix e articulações – sínfise pubiana, sacro-ilíaca, sacro-coccígea e lombo- sacro). Bacia Obstétrica e Anatomia da Pelve: Bacia obstétrica – regiões pélvicas femininas de importância clínica na evolução do parto. A sua conformidade pode dificultar a passagem do feto pela bacia. Pelve – bacia obstétrica. É constituído de 4 ossos: 2 ilíacos, o sacro e o cóccix. Primitivamente o osso ilíaco é formado por 3 ossos: ílio, ísquio e pube. Unem-se entre si formando as articulações: sínfise púbica, sacroilíacas e sacrococcígeas. Durante a gravidez essas articulações tornam-se frouxas (progesterona). Divisão da bacia obstétrica: • Estreitos: superior, médio e inferior. • Planos: de descida, de De Lee ou Hodge (altura da apresentação). • Diâmetros. Grande bacia ou pelve maior ou anatômica: localiza-se acima do estreito superior da bacia. Pequena bacia, pelve menor, obstétrica ou escavação: abaixo do estreito superior da bacia. Estreito superior: promontório → articulação sacroilíaca → linha inonimada → eminencia ílio-pectínea → borda superior da pube → sínfise púbica. Grande bacia: • Diâmetro transverso: bi-crista (28cm), bi- espinhoso (24cm) e o bi-tuberoso (32cm). • Anteroposterior: conjugata externa ou diâmetro sacropúbico ou Baudelocque (apófise espinhosa da última vértebra lombar a borda superior da sínfise [20cm]). Pequena bacia ou bacia obstétrica: Tem importância obstétrica. Estende-se do estreito superior (entrada) até o estreito inferior (saída). Entre ambos se localiza o estreito médio. Os estreitos ou planos são regiões mais angustiadas da bacia, que podem dificultar o parto. Dividida em superior, médio e inferior. Estreitos da bacia: 1. Estreito superior: promontório, articulação sacro- ilíaca, linha inominada, eminencia e crista íleo- pectínea, borda superior da pube e sínfise púbica. 2. Estreito médio: 4ª/5ª vértebra sacral, ligamento sacro-isquiático, espinha isquiática e borda posterior da sínfise. 3. Estreito inferior: ápice do cóccix, tuberosidade isquiática, borda inferior do ramo ísquio-púbico e borda inferior da pube. PLANOS DE HODGE É a divisão em 4 paralelos: 1. Primeiro: passa pelo estreito superior. 2. Segundo: borda inferior da sínfise e 3ª vértebra sacral. 3. Terceiro: espinhas isquiáticas → mais importante → dificuldade na progressão do parto (distócia). 4. Quarto: ápice do cóccix. Diâmetros do estreito superior: anteroposterior, transverso e oblíquos. Diâmetro anteroposterior: • Conjugado anatômico: do meio do promontório a borda superior da sínfise – 11cm • Conjugado verdadeiro (CV) ou obstétrico de Pinard: do meio do promontório ao ponto mais saliente da face posterior da sínfise púbica – 10,5 a 11cm • Conjugado diagonal (CD): do promontório a borda inferior da sínfise púbica – 12cm • Conjugado verdadeiro: conjugado diagonal menos 1,5cm. TIPOS DE BACIA Ginecóide: é a mais comum (50%), onde o diâmetro transverso é maior que o anteroposterior. Antropóide: 25%, com diâmetro AP > transverso Andróide: 20% das mulheres, com diâmetro transverso > AP e localiza-se próximo ao sacro. Platipelóide: 8%, diâmetro transverso > AP e situa-se equidistante. PLANOS DE DE LEE CONTRATILIDADE UTERINA Influenciada por três sistemas reguladores: cálcio, calmodulina e AMP cíclico O cálcio e a calmodulina ativam a cadeia de miosina enquanto o AMP cíclico inibe a sua atividade enzimática. A progesterona, principal hormônio da gravidez, consolida as ligações de cálcio no retículo citoplasmático, reduzindo a fração livre de cálcio intracelular, elevando o limiar de excitabilidade da fibra miometrial. De forma inversa, as prostaglandinas também modulam o fluxo de cálcio o que favorece acontração das fibras. • A presença da contração uterina é uma constante em todo o ciclo gravídico-puerperal. • Conhecida popularmente como dor de parto. • A mulher vivência a contração uterina como uma sensação dolorosa. • Em cada período clínico do parto ela possui uma finalidade específica. Características das Contrações Uterinas: Estas contrações são de 2 tipos: Contrações do Tipo A: alta frequência e baixa amplitude. • Na gravidez: pequenas contrações de até 30 seg.: 1 contração por minuto e intensidade de 2 a 4 mmHg. Contrações do Tipo B (BRAXTON-HICKS): Antes das 28 semanas estão ausentes (útero quiescente). Intensidade de 10-20 mmHg. • No final da gravidez: as pequenas contrações diminuem de freqüência e aumenta de intensidade e as de BRAXTON-HICKS, aumentam de freqüência • No início do trabalho de parto: 2 contrações a cada 10 minutos (20-40mmhg). • No parto: dinâmica uterina = é o número de contrações em 10 minutos; vai de 2 a 5 contrações dependendo do estágio de evolução do parto. ESTÁTICA FETAL Relações útero-fetais. Estudo das relações entre o feto, útero e a bacia: • Atitude fetal;• Apresentação; • Situação; • Posição. ATITUDE FETAL É a relação das diferentes partes fetais entre si → flexão da coluna → cabeça fletida → coxas fletidas sobre a bacia → braços fletidos sobre o tórax → formando-se 2 polos: cefálico e o pélvico. Tais atitudes são classificadas como: defletida de primeiro grau, defletida de segundo grau e defletida de terceiro grau. SITUAÇÃO FETAL É a relação entre os eixos longitudinal do feto e do útero. São possíveis três situações: longitudinal, transversa ou obliqua. 99% a situação é longitudinal. APRESENTAÇÃO É o polo fetal que se coloca no estreito superior da bacia: • Cefálica (fletida ou defletida). • Pélvica. • Córmica (ombro). POSIÇÃO É a orientação do dorso fetal com o lado materno → direita ou esquerda. ESTÁTICA FETAL: MANOBRAS DE LEOPOLD-ZWEIFEL VARIEDADE DE POSIÇÃO É a relação entre o ponto de referência fetal ou de reparo com a bacia materna, caracterizando a apresentação. Ponto de referência fetal: • Cefálicas: lâmbda, bregma, glabela, mento. o I grau: bregma. o II grau: naso. o III grau: queixo. • Pélvica: sulco interglúteo. • Córmica: acrômio. Pontos de referência fetal: cefálicas Na apresentação fletida: Lâmbda. Na apresentação defletidas: • 1º Grau: bregma. • 2º Grau: naso (glabela) – acaba passando o occipto-mentoniano, não conseguindo passar pelo estreito superior da bacia. • 3º Grau: mento. Primeira letra: ponto de referência ósseo da apresentação fetal. • O (occipício). • B (bregma). • N (naso). • M (mento). • S (sacro). • A (acrômio). Segunda letra: lado materno D (direito) ou E (esquerdo). É importante lembrar que essa letra é suprimida nas variedades ântero-posterior. Terceira letra: indica a variedade de posição conforme o feto esteja voltado para o ponto de referencia ósseo da bacia maternal. • A (anterior): eminencia iliopectínea. • T (transversa): extremidade do diâmetro transverso. • P (posterior): sinostose sacro ilíaca. • S (sacro). Occipto-sacral é possível nascer, porém o nascimento não ocorre transverso. Somente em OP ou OS. Diâmetros cefálicos: • Biparietal: 9,5 cm. • Bitemporal: 8,0 cm. • Sub-occipício bregmático: 9,5 cm. • Occipito-frontal: 12 cm. • Occipito-mentoniano: 13,5 cm. Pontos de referência fetal: apresentação pélvica e córmica. • Crista sacrococcígea – apresentação pélvica. • Acrômio – apresentação córmica. Apresentação pélvica completa: • Completa: flexão das coxas sobre a bacia e pernas sobre a coxa. • Pontos de referência: sacro. Apresentação pélvica incompleta: • Incompleta: modo nádegas, pé e joelho. Apresentação córmica: ombro. • Dorso anterior. • Dorso posterior. • Ponto de referência: acrômio. FASES CLÍNICAS DO TRABALHO DE PARTO Dilatação: Esvaecimento cervical: incorporação do colo à cavidade uterina, terminando com a formação de um degrau ao centro da abóbada cérvica; Dilatação propriamente dita: ampliação do canal de parto, completando a continuidade entre útero e vagina. Vale lembrar que esses fenômenos podem ocorrer de forma distinta; a mulher pode ser primípara ou multípara, e, nesse último, normalmente os fenômenos ocorrem de forma simultânea. PERÍODO DE DILATAÇÃO EXAME VAGINAL! Finalidade: • Avaliar dilatação cervical e o esvaecimento do colo. • Avaliar integridade da bolsa das águas. • Avaliar apresentação fetal. • Avaliar variedade de posição. • Avaliar altura da apresentação. Nulípara: Multípara: Esvaecimento ou apagamento do colo: é a incorporação do colo à cavidade uterina. • Ao toque vaginal: fino – médio – grosso. Fase latente: normalmente dura 8 horas e apresenta contrações mais eficazes, levando em consideração a coordenação e intensidade, contudo não determinam modificações significativas na dilatação cervical, sendo a dilatação nessa fase em tomo de 0,35cm/h; Fase ativa: inicia com dilatação cervical de 4cm e dura em média 6horas nas primíparas, sendo a dilatação entre 1,2cm/h e 1,5cm/h dependendo da paridade. Friedman divide essa fase em três subdivisões que propiciam a dilatação e são capazes de modificar mais acentuadamente a cérvix: Aceleração: em que a velocidade de dilatação começa a modificar-se; Aceleração máxima: quando a dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm; Desaceleração: que precede a dilatação completa. PERÍODO EXPULSIVO As contrações uterinas atingem intensidade e frequência máximas: • O tônus uterino eleva-se. • O efeito das contrações projeta a apresentação para o canal do parto. • A pressão intra-abdominal eleva-se até 100 mmHg, à custa do abaixamento do diafragma e da prensa abdominal. • A impulsão do feto pelo canal do parto distende passivamente as fibras musculares da vagina. • A vulva fica entreaberta, o períneo distendido e abaulado e o ânus entreaberto até que o feto é expulso, descrevendo um mecanismo. DEQUITAÇÃO Em virtude da diminuição do volume uterino depois da expulsão fetal, associada às contrações uterinas vigorosas e indolores, o útero expele a placenta e as membranas através do canal de parto, exteriorizando-as pela vulva. O descolamento placentário pode ser classificado em: 1. Descolamento central ou de esse tipo é o mais frequente, em que a face placentária visualizada pela vulva é a face fetal; 2. Descolamento periférico ou de Baudelocque- Duncan: quando o descolamento começa lateralmente, sendo a face materna a primeira face placentária visualizada na vulva. Esse tipo é menos comum e tem escoamento de sangue antes da total expulsão da placenta. QUARTO PERÍODO: GREENBERG A primeira hora do parto ou primeira hora do puerpério é também denominada de quarto período de Greenberg, que se inicia após a dequitação. Esse momento é de extrema importância, uma vez que há ocorrência de fenômenos para estabilização materna. Dentre eles: Miotamponamento: primeira linha de defesa contra a hemorragia, em que a contração do útero causa oclusão dos vasos miometriais; Trombotamponagem: é a segunda linha de defesa contra a hemorragia, quando o estágio de contração fixa do útero ainda não foi alcançado. Caracteriza-se pela formação de trombos nos grandes vasos uteroplacentários; Indiferença uterina: é caracterizada por contração e relaxamento das fibras miometriais; Contração fixa: o útero adquire maior tônus e assim se mantém auxiliando no retomo do útero ao estado pré- gravídico.