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Bem de Família - art. 1.711 Lei 8.009/1990 - Bem de Família Legal

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Bem de Família - art. 1.711

Lei 8.009/1990 - Bem de Família Legal

Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. (TJMG-2005) (MPPE-2008) (MPRO-2010) (MPMS-2011) (DPEMA-2011) (MPDFT-2015) (DPEBA-2016) (TRT2-2016)

Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. (TJMG-2005) (DPEMA-2011)

*Cônjuges (unidade familiar proveniente ao casamento, união estável).

O legislador teve a cautela de mencionar, de estabelecer uma limitação para instituição desse bem de família, que não pode ultrapassar 1/3 do patrimônio liquido existente. Porque isso? Por que instituiria ex. um imóvel que consiste em todo o bem ou todo o patrimônio como bem de familiar, e colocaria a salvo todo o patrimônio familiar, e eventuais execuções por conta de credores seriam impossibilitadas.

§único: *sai do âmbito da unidade familiar (tanto o marido como a mulher, independente de ambos coabitarem, tanto um como o outro podem, tem legitimidade para a constituição deste bem de família. Tal dispositivo elenca a hipótese de terceira pessoa o faça - ex. o avô deseja instituir um bem seu como um bem de família para moradia de netos.

A finalidade precípua para a instituição do bem de família é garantir a residência dessa família, colocar a salvo esse imóvel familiar, de eventuais execuções. Ele constitui-se em uma porção de bens que a lei resguarda, assegura, com características de inalienabilidade, não pode ser vendido, e de impenhorabilidade e benefício a constituição de moradia para a família.

Qual seria o objeto de um bem de família? Um imóvel residencial, seja ele urbano ou rural, onde a família fixa a residência, e ele ficará a salvo de possíveis eventuais execução de credores.

Código Civil x Lei 8.009/1990

A lei surpreendeu não unicamente por seu alcance jurídico, mas por sua particularidade e aplicação imediata de processos em curso.

Trata-se portanto de uma norma que amplia o bem de família tradicional, de evidente cunho de ordem pública, colocando a salvo de credores, o imóvel residencial do casal ou da entidade familiar. Foi ressalvada sua vigência, de acordo com o art. 1711 do C.C

Art. 5º da L. 8.009/1990:

Art. 5º Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta lei, considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente.

Parágrafo único. Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do art. 70 do Código Civil.

Versa sobre a impenhorabilidade do imóvel - a moradia permanente não significa que seja ad eterno, aquela moradia que até uma mudança de intenção, ela não é temporária.

Não devemos entender que o casal seja exclusivamente proprietário de um imóvel, pode possuir N imóveis residenciais, o que ocorre é que a entidade familiar, sendo proprietária de mais de um imóvel residencial, somente um deles se prestará a instituição de bem de família.

Pode ocorrer ainda, da entidade familiar alternar, ter pluralidade de domicílios, uma hora em um, uma hora em outro. Somente terá que optar por um deles.

§único: a impenhorabilidade incidirá no de menor valor, salvo se o outro tiver sido registrado para esse fim, no registro de imóveis, e na forma do art. 70 do Código Civil.

*Art. 70 do C.C: no Código anterior esse instituto versava na parte geral.

Salvo se outro imóvel tiver sido registrado como bem de família anteriormente, caso contrário ao se instituir esse bem de família há dois imóveis - qual deve ser registrado como bem de família? O de menor valor.

Porque? O legislador ocupa-se de garantir a moradia, e não com o luxo. Inclusive isso não pode ser tratado como regra definitiva para prejudicar credores. O juiz pode estar autorizando que realize a venda do imóvel (quando de valor alto), para que haja a quitação de tal obrigação com os credores.

O Bem de Família Voluntário, estabelecido no Código Civil, com o advento da Lei 8.009/1990, ele perdeu a utilidade prática, por conta de que, aquele único imóvel utilizado para residência da família, independentemente de qualquer ato constitutivo, ele já está coberto pela inalienabilidade e impenhorabilidade, deixando de ter uma praticidade maior, visto que a própria lei já garante tal direito.

Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. (TJSE-2008) (MPRO-2010) (TJGO-2012) (MPMG-2012) (DPEPR-2014)

Além do imóvel, além das pertenças, também há valores mobiliários que são destinados a mantença, ao sustento da família, também podem ser instituídos como bem de família, na conservação do imóvel e no sustento da família, lembrando que este bem de família deve ser instituído por escritura pública ou testamento.

Art. 1.713. Os valores mobiliários, destinados aos fins previstos no artigo antecedente, não poderão exceder o valor do prédio instituído em bem de família, à época de sua instituição.

§ 1o Deverão os valores mobiliários ser devidamente individualizados no instrumento de instituição do bem de família.

§ 2o Se se tratar de títulos nominativos, a sua instituição como bem de família deverá constar dos respectivos livros de registro.

§ 3o O instituidor poderá determinar que a administração dos valores mobiliários seja confiada a instituição financeira, bem como disciplinar a forma de pagamento da respectiva renda aos beneficiários, caso em que a responsabilidade dos administradores obedecerá às regras do contrato de depósito.

Não se pode incluir valores, ao bem de família, que excedem o imóvel estabelecido como bem de família. Lembrando que juntos, não podem ultrapassar 1/3 do patrimônio. Os valores mobiliários sofrem limitação do bem móvel destinado a moradia.

§1º Quais são, sua natureza, etc. (ações, aplicações, poupança).

§2º Ações Nominais - elas devem constar no livro de registros

§3º Valores Mobiliários (ações, aplicações, dividendos, poupança). Disciplinar a forma de pagamento - quanto vai ser pago, como vai ser pago. A instituição financeira vai recepcionar estes recursos mobiliários para administrá-los e na condição de depositária, respondendo como depositária infiel, caso malversar, mal administrar.

A melhor interpretação é no sentido de que o prédio, suas pertenças, para a manutenção e sustento da família, os valores mobiliários, deverão no total limitar a 1/3 do patrimônio líquido atual do constituidor. Tal porcentagem visa uma proteção em face de credores.

A constituição do bem de família, a partir do momento que é constituído, ele só produz seus efeitos de impenhorabilidade e inalienabilidade ex nunc, só a partir de então. Dividas existentes anteriormente estas não estão a salvo de alguma execução.

Art. 1.714. O bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo registro de seu título no Registro de Imóveis. (TJPI-2007) (TJGO-2012) (MPMG-2012) (MPPR-2017)

Ele só se constitui a partir do momento em que o termo constitutivo, seja a escritura pública, seja o testamento, seja registrado na matricula imobiliária. Visto que é a partir do registro que se produz efeitos erga omnes.

Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio. (TJPI-2007) (TJSE-2008) (MPPE-2008) (MPRO-2010) (TJGO-2009/2012) (MPTO-2012) (MPBA-2018)

Parágrafo único. No caso de execução pelas dívidas referidas neste artigo, o saldo existente será aplicado em outro prédio, como bem de família, ou em títulos da dívida pública, para sustento familiar, salvo se motivos relevantes aconselharem outra solução, a critério do juiz.

Uma vez instituído o bem de família voluntário, esse imóvel está a salvo de penhora de toda dívida? Não. Ex. atraso em IPTU, condomínio, tanto no caso da execução fiscal pelo município, bem como do condomínio, esse bem será objeto de execução.

§único: Ex. pessoa possui imóvel que é bem de família, nessas hipóteses, as dívidas do município foram objetos de execução e penhora desse bem e sua venda judicial. Obviamente que o produto desta venda será aplicado no pagamento das dívidas e o valor restante não será devolvido em espécie, ele será aplicado, sob supervisão judicial, para a aquisição de outro imóvel, sendo sub-rogado a bem de família.

O imóvel hipotecado pode ser objeto de bem de família? Sim, nada impede que ele seja constituído como bem de família, visto que nesse caso, seja instituído o bem como de família, a hipoteca anterior, ela ficará resguardada na garantia da dívida.

A constituição de um direito real, ele não se sobrepõe sobre um outro direito real constituído anteriormente. Se o credor recebeu aquele imóvel como objeto da hipoteca, ele possui prioridade.

Em relação a outras dívidas constituídas posteriormente, o imóvel estará salvo de execuções, todavia a dívida anteriormente, cuja o credor é o hipotecário, em relação a ela não.

Na Lei 8.009 - o art. 3º trata das exceções da impenhorabilidade, não são todas as dívidas que estão impossibilitadas de penhorar o bem objeto de família.

Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:

II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato;

III – pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; (Redação dada pela Lei nº 13.144 de 2015)

V - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar;

V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;

VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.

VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. (Incluído pela Lei nº 8.245, de 1991)

II- Pessoa construiu o imóvel o qual fora residir com sua família, e que trata-se de bem de família, só que na construção, a pessoa assumiu dívidas para a construção de tal imóvel, e não realizou o pagamento. Não obstante seja o imóvel para moradia de família, não está isento para penhorabilidade.

IV- Dividas decorrentes de impostos, também se submete a penhora

V- Como já mencionado anteriormente sobre a hipoteca

VI- Pessoa realiza compra de imóvel com fundos provenientes de ilícitos - não está salvo de penhora

VII- Num primeiro momento, com o advento da Lei 8.245 - Lei do Inquilinato, *art.82, excetuava que um bem de família pudesse ser objeto de penhora pelo não pagamento de aluguel, fiança. Mas posteriormente, este artigo foi revogado da Lei do Inquilinato. Hoje, decorrente de fiança concedida em contrato de locação, é perfeitamente possível a penhora.

Art. 1.719. Comprovada a impossibilidade da manutenção do bem de família nas condições em que foi instituído, poderá o juiz, a requerimento dos interessados, extingui-lo ou autorizar a sub-rogação dos bens que o constituem em outros, ouvidos o instituidor e o Ministério Público. (MPMG-2012)

Imaginemos que o bem de família é um imóvel suntuoso, posto que quando da sua instituição, a entidade familiar possuía recursos para tal, para manutenção do imóvel, manutenção de empregados, e com a mudança do poder aquisitivo desta unidade familiar, este imóvel passou a não ter a sua manutenção adequada, por falta de conservação, falta de recursos. Se solicitada ao juiz, que seja realizada a venda do imóvel, visto que esta deteriorar, visto a falta de manutenção, fazendo-se a aquisição de imóvel de valor menor, e eventualmente a diferença ela ser aplicada em valor mobiliário para sustento da própria família.

Art. 1.721. A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. (TJPR-2012) (MPMG-2012) (Anal. Judic./STJ-2018)

Parágrafo único. Dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família, se for o único bem do casal. (MPPE-2008) (Anal. Judic./STJ-2018)

Casal se divorciou, extinguiu o casamento, mas o ex-marido ou ex-esposa continuam residindo no imóvel, assim não se trata de causa extintiva do bem de família.

§único: Caso não tenha mais interesse de continuar residindo, ou irá residir em outro, pode pedir a extinção do bem de família.

Art. 1.722. Extingue-se, igualmente, o bem de família com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos, desde que não sujeitos a curatela.

Ex. morreu o pai, não extingue o bem de família. Morreu a mãe, não extingue o bem de família. Todos os filhos completaram a maior idade, extingue-se o bem de família, a menos que entre esses filhos exista algum submetido a curatela, ou seja, tenha alguma limitação que o interditou e que a quem foi nomeado um curador. Nesse aspecto, não haverá a extinção. *Se residindo no imóvel.