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da descentralização de atividades realizada por 
meio de transferências voluntárias.
2.1 Convênios
A forma mais comum de transferência voluntária é por meio de convênio.
Transf. Obrigatória Não é descentralização de atividades.
•
•
Fiscalização da aplicação não
compete ao TCU.
É descentralização de atividades.
•
•
Fiscalização da aplicação
compete ao TCU.
Transf. Voluntária
Recursos
Financeiros 
 
O que significa convênio? 
Quais as normas que regem a transferência por meio de 
convênio?
Em termos simples, convênio é um compromisso da União de transferir voluntariamente 
recursos financeiros a um órgão ou entidade de qualquer outra esfera de governo estadual, mu-
nicipal ou do Distrito Federal ou, ainda, a entidades privadas sem fins lucrativos.
É da essência dos convênios o interesse comum dos participantes na realização do objeto 
acordado. É essa coincidência de interesses que legitima a transferência de recursos previstos no 
Orçamento da União.
As características que marcam os convênios são o interesse recíproco, em regime de 
mútua cooperação.
A transferência de recursos da União por meio de convênios é disciplinada pela Lei de 
Responsabilidade Fiscal, Lei 8.666/1993 e leis de diretrizes orçamentárias, entre outras.
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Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
As normas específicas são estabelecidas pelo Decreto 6.170, de 25/7/2007, e pela 
Portaria Interministerial 424, de 30/12/2016 (esta portaria substituiu a antiga 507/2011), dos 
Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda e da Transparência, Fiscalização 
e Controladoria-Geral da União.
O interesse recíproco e a mútua cooperação distinguem os convênios dos 
contratos administrativos, pois nestes os interesses das partes são opostos, já 
que a Administração busca a realização do objeto e a empresa busca o lucro.
Decreto 6.170/2007: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/
decreto/d6170.htm
Anteriormente, a escolha do convenente era decisão absolutamente a critério do gestor, 
fato condenado pela doutrina. Com a edição da recente Portaria Interministerial CGU/MF/MP 
424/2016 e a alteração do Decreto 6.170/2007 pelo Decreto 7.568/2011, tivemos várias evolu-
ções no sentido de tornar essa escolha mais objetiva, principalmente quando o convenente for 
entidade privada sem fins lucrativos.
Para celebração de convênio com entes públicos, a Portaria 424/2016 definiu que pode-
rá (ou seja, a critério do gestor concedente) haver chamamento público no Siconv (Sistema de 
Gestão de Convênios e Contratos de Repasse), que deverá conter, no mínimo (art. 8º):
• a descrição dos programas a serem executados de forma descentralizada; e
• os critérios objetivos para a seleção do convenente ou contratado, com base nas 
diretrizes e nos objetivos dos respectivos programas.
Para celebração com entidades privadas sem fins lucrativos, a Portaria é mais rígida, tor-
nando obrigatória a realização prévia do chamamento público, salvo para transferências do 
Ministério da Saúde destinadas a serviços de saúde integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do mais, a Portaria definiu que as propostas de trabalho apresentadas devem conter, 
no mínimo:
I. descrição do objeto a ser executado;
II. justificativa contendo a caracterização dos interesses recíprocos, a relação entre a 
proposta apresentada e os objetivos e diretrizes do programa federal, e a indicação do 
público alvo, do problema a ser resolvido e dos resultados esperados;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6170.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6170.htm
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III. estimativa dos recursos financeiros, discriminando o repasse a ser realizado pelo 
concedente ou mandatária e a contrapartida prevista para o proponente, especificando 
o valor de cada parcela e do montante de todos os recursos, na forma estabelecida em 
lei;
IV. previsão de prazo para a execução; e
V. informações relativas à capacidade técnica e gerencial do proponente para execução 
do objeto.
É inegável que as novidades apresentadas pela Portaria 424/2016, em consonância com os 
dispositivos já elencados na antiga Portaria 507/2011, trouxeram mais objetividade na seleção de 
convenentes, sobretudo quando se trata de entidades privadas sem fins lucrativos.
Contudo, esses dispositivos não resolvem totalmente o problema, uma vez que a realização 
do chamamento é facultativa na celebração de convênios com entes públicos, permanecendo 
na discricionariedade da Administração.Por exemplo, por que celebrar convênio para combate à 
proliferação da dengue com este e não com aquele estado?
2.2 Contratos de repasse
O contrato de repasse é semelhante ao convênio, exceto pelo fato de que se processa por 
intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, atuando como mandatário da 
União.
Assim, teremos a presença de três figuras:
• Concedente: órgão da União responsável pelo repasse dos recursos;
• Convenente: ente público ou entidade particular sem fins lucrativos que recebe os 
recursos federais para execução do objeto;
• Instituição ou agente público financeiro federal, como Caixa Econômica ou Banco 
do Brasil: responsável por liberar os recursos disponibilizados pelo concedente e por 
fiscalizar a execução do objeto.
Logo, essas instituições atuam como representantes da Administração Pública Federal na 
execução e fiscalização da transferência voluntária.
Segundo o art. 8º do Decreto 6.170/2007, a execução de programa de trabalho que obje-
tive a realização de obra será feita por meio de contrato de repasse, salvo quando o concedente 
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Aula 3 - Descentralização de Atividades
(no caso do nosso estudo, a União e seus órgãos e entidades) dispuser de estrutura para acom-
panhar a execução do convênio.
Entretanto, se a instituição ou o agente financeiro não possuir capacidade técnica para 
acompanhar a fiscalização dos recursos transferidos, outra instituição pública ou privada figurará, 
no contrato de repasse, como interveniente, a quem caberá o mencionado acompanhamento.
O contrato de repasse deve ser usado, preferencialmente, para execu-
ção de obras.
3. Descentralização de atividades para entidades do Terceiro 
Setor
O que são entidades do Terceiro Setor? 
Elas fazem parte da Administração Pública?E se a 
arrecadação de receitas não ocorrer como previsto?
Com a Reforma Administrativa que vem ocorrendo no Brasil, a descentralização de ativi-
dades para o setor privado vem acontecendo com mais frequência.
Nesse contexto, ganham importância as entidades do Terceiro Setor. Assim, algumas des-
sas organizações, que coexistem com o Primeiro Setor, que é o próprio Estado, e o Segundo 
Setor, que é o mercado, recebem apoio estatal, para o desempenho de atividades de interesse 
público, recebendo a denominação de entidades paraestatais.
É importante salientar que, diferentemente das entidades integrantes da chamada 
Administração Indireta (empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, 
autarquias e consórcios públicos), as entidades paraestatais não fazem parte da estrutura admi-
nistrativa do Estado, mas tão-somente atuam em sua colaboração. 
Terceiro Setor: entidades privadas da sociedade civil, que prestam atividade de 
interesse público, por iniciativa própria, sem fins lucrativos.
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Veremos, a partir de agora, detalhes de cada uma das entidades que se enquadram no 
conceito de entidades paraestatais, quais sejam:
• Serviços Sociais Autônomos (SSA);
• Organizações Sociais (OS);
• Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
3.1 Serviços Sociais Autônomos (SSA)
Os Serviços Sociais Autônomos (SSA) são entidades criadas por lei, com

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