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Público, como os previstos diretamente pelo texto constitucional e os que vêm logo abaixo deles 
hierarquicamente (Exemplo: Câmara dos Deputados, TCU, STF).
Em resumo, as características dos órgãos são:
• Integram a estrutura de uma pessoa jurídica;
• Não possuem personalidade jurídica;
• São resultado da desconcentração;
• Não possuem patrimônio próprio;
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Aula 1 - Estruturas da Adm
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• Alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira;
• Não têm capacidade para representar em juízo a pessoa jurídica que integram;
• Alguns têm capacidade processual para defesa em juízo de suas prerrogativas funcionais.
5. Autarquias
Vimos, até aqui, alguns conceitos relativos à organização da Administração. Também tra-
tamos sobre os órgãos da Administração Direta e enumeramos os tipos de entidades existentes 
na Administração Indireta.
Passaremos, agora, a conhecer as características das diversas estruturas que integram a 
Administração Indireta. A partir dessas características, poderemos ter ideia da abrangência do 
controle a ser exercido sobre cada uma delas.
O primeiro tipo de estrutura da Administração Indireta que iremos ver são as autarquias. 
Elas são as entidades que mais têm características em comum com os entes políticos (União, 
estados, Distrito Federal e municípios).
O que são autarquias? 
Quais suas características? 
Elas são subordinadas ao ente criador?
Segundo o DL 200/1967, autarquia é:
o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, 
para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor 
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
As autarquias são entidades submetidas ao regime jurídico de Direito Público, criadas para 
executar atividades típicas da Administração Pública. Por se enquadrarem nesse regime jurídico, 
usufruem de algumas das prerrogativas inerentes ao ente político que as criou.
Ao passo que os entes políticos podem criar suas próprias regras, dentro dos limites esta-
belecidos pela CF/1988, as autarquias possuem tão somente capacidade de autoadministração, 
entendida como competência para administrar a si próprias, segundo as regras constantes da lei 
que as instituiu.
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O que distingue as entidades autárquicas dos entes políticos que as criaram é a 
capacidade de legislar. O ente criador exerce somente controle finalístico sobre 
as autarquias.
Não há subordinação entre as autarquias e o ente criador, somente vinculação. Assim, 
em vez do chamado controle hierárquico, existe o controle finalístico para manter a entidade 
autárquica no estrito cumprimento de suas finalidades, previstas na lei instituidora. Esse tipo de 
controle visa impedir a diminuição da autonomia administrativa e financeira de tais estruturas.
As autarquias destinam-se a realizar atividades que demandem uma organização mais ágil 
e especializada, sem a burocracia comum aos órgãos da Administração Direta. No entanto, suas 
atividades devem ser tipicamente estatais, não podendo se enquadrar em exploração de ati-
vidade econômica, prevista no art. 173 da CF/1988.
Quanto ao patrimônio das autarquias, ele é público. Assim, os bens que a entidade criado-
ra transferiu no ato de criação da autarquia e os que posteriormente a entidade vier a possuir são 
considerados bens públicos, usufruindo todos os privilégios inerentes, como impenhorabilidade 
e imprescritibilidade.
As receitas das entidades autárquicas também são próprias e estão consignadas na lei or-
çamentária anual a que se refere o art. 165, § 5º, da CF/1988. 
Quanto ao regime jurídico de pessoal, a Emenda Constitucional 19/98 alterou a redação 
do art. 39 da CF/1988 e retirou a exigência de um regime jurídico único. Assim, no âmbito fede-
ral, a União, suas autarquias e fundações podiam reger seus servidores pelo regime estatutário, 
previsto na Lei 8.112/1990, ou celetista, posteriormente definido pela Lei 9.962/2000.
Entretanto, em decisão cautelar no âmbito da ADI 2.135-4, o STF suspendeu, com efeitos 
ex nunc (daquele momento adiante), a eficácia do caput do art. 39 da CF/1988, retornando a 
redação desse dispositivo aos termos que vigoravam antes da Emenda 19/1998.
Portanto, atualmente e até decisão de mérito da ADI 2.135-4, a União e suas autarquias e 
fundações devem observar o Regime Jurídico Único (Lei 8.112/1990) como legislação de pessoal, 
sendo que o pessoal ingressado como celetista, entre a promulgação da Emenda 19/1998 e a 
Há autarquias que não desempenham atividades típicas de Estado: a 
Universidade de São Paulo (USP) é autarquia, mas desempenha atividades de 
ensino, pesquisa e extensão universitárias, que não são consideradas típicas de 
Estado.
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decisão cautelar da ADI 2.135-4, deve permanecer sendo regido pela Lei 9.962/2000, vez que a 
decisão do STF possuiu apenas efeitos ex nunc.
A forma de investidura dos dirigentes também é definida pela lei instituidora da autarquia. 
Contudo, a competência para nomeação é privativa do chefe do Poder Executivo (CF/1988, art. 
84, XXV) e deve ser antecedida de autorização do Senado Federal quando expressamente previs-
ta na CF/1988 (por exemplo: presidente e diretores do Banco Central – art. 52, III, “d”) ou em lei 
(agências reguladoras, como a Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel).
Os atos das autarquias são considerados administrativos, sujeitando-se ao mesmo regi-
me dos celebrados pela Administração Direta. Por exemplo, podem ser impugnados por meio de 
ação popular e de mandado de segurança.
De modo semelhante, os contratos firmados também são considerados administrativos 
e devem seguir o rito imposto à Administração Direta, como a necessidade de realização de lici-
tação prévia.
O juízo competente é, em geral, a Justiça Federal (CF/1988, art. 109, I e VIII). Nos casos 
de ações judiciais envolvendo pessoal, se o regime adotado for o celetista, a competência é da 
Justiça do Trabalho (CF, art. 114).
Assim como na Administração Direta, as autarquias submetem-se à responsabilidade 
civil objetiva (CF/1988, art. 37, § 6º), ou seja, respondem pelos danos causados a terceiros 
mesmo na ausência de culpa. Porém, sempre é assegurado o direito de regresso contra o agente 
causador do dano, nos casos de dolo ou culpa.
Por exemplo, suponhamos que os servidores da Agência Nacional de Energia Elétrica 
(Aneel) precisem desligar certo sistema de energia para poderem fiscalizar a prestação de ser-
viços por uma concessionária. Se esse desligamento causar dano a qualquer pessoa, a Aneel é 
responsável pelos danos causados, independentemente se estava realizando suas fiscalizações 
da forma devida ou não (ou seja, independentemente de culpa). Entretanto, se o servidor agiu 
sem observar as normas devidas, a Aneel pode cobrar dele, posteriormente, a quantia que teve 
de pagar à pessoa que sofreu o dano.
As entidades autárquicas também gozam de imunidade tributária recíproca (CF/1988, art. 
150, VI, “a”, e § 2º) que veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os servi-
ços. Todavia, no caso das autarquias essa imunidade não é geral, como acontece com os entes 
Independentemente do regime adotado, as autarquias têm de se submeter à 
Constituição Federal, no tocante às regras que exigem realização de concurso 
público (CF/1988, art. 37, II), vedam a acumulação de cargos, empregos e 
funções públicos (CF/1988, art. 37, XVII) e impõem o teto remuneratório ao 
funcionalismo público. (CF/1988,art. 37, § 9º).
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políticos, pois os impostos devem estar vinculados às suas finalidades essenciais ou às que delas 
decorram.

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