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207 d) no tráfico interprovincial dos escravos das áre- as decadentes do Nordeste para o Vale do Para- íba, para a garantia da rentabilidade do café. e) na adoção de formas disfarçadas de trabalho compulsório com emprego dos libertos nos cafezais paulistas, uma vez que os imigrantes foram trabalhar em outras regiões do país. 36. Negro, filho de escrava e fidalgo português, o baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas armas na luta pela liberdade. Foi vendido ilegalmente como escravo pelo seu pai para cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escre- ver, aos 18 anos de idade conseguiu provas de que havia nascido livre. Autodidata, advoga- do sem diploma, fez do direito o seu ofício e transformou-se, em pouco tempo, em proemi- nente advogado da causa abolicionista. AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de História. Ano 1, n.o 3. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado). A conquista da liberdade pelos afro-brasilei- ros na segunda metade do séc. XIX foi re- sultado de importantes lutas sociais condi- cionadas historicamente. A biografia de Luiz Gama exemplifica a: a) impossibilidade de ascensão social do negro forro em uma sociedade escravocrata, mes- mo sendo alfabetizado. b) extrema dificuldade de projeção dos intelec- tuais negros nesse contexto e a utilização do Direito como canal de luta pela liberdade. c) rigidez de uma sociedade, assentada na es- cravidão, que inviabilizava os mecanismos de ascensão social. d) possibilidade de ascensão social, viabilizada pelo apoio das elites dominantes, a um mes- tiço filho de pai português. e) troca de favores entre um representante ne- gro e a elite agrária escravista que outorgara o direito advocatício ao mesmo. 37. Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos apli- ca-se a lei. (LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa Omega.) Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada: a) pela força política dos burocratas do nas- cente Estado republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para controlar e dominar o poder nos municípios. b) pelo controle político dos proprietários no interior do país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais, enfraquecer a nascente burguesia brasileira. c) pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil, que utilizavam diferentes meca- nismos assistencialistas e de favorecimento para garantir o controle dos votos. d) pelo domínio político de grupos ligados às velhas instituições monárquicas e que não encontraram espaço de ascensão política na nascente república. e) pela aliança política firmada entre as oli- garquias do Norte e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no poder federal de presidentes originários dessas regiões. 38. A figura do coronel era muito comum du- rante os anos iniciais da República, princi- palmente nas regiões do interior do Brasil. Normalmente, tratava-se de grandes fazen- deiros que utilizavam seu poder para formar uma rede de clientes políticos e garantir resultados de eleições. Era usado o voto de cabresto, por meio do qual o coronel obri- gava os eleitores de seu “curral eleitoral” a votarem nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era aberto, os eleitores eram pressionados e fiscalizados por capangas, para que votassem de acordo com os inte- resses do coronel. Mas recorria-se também a outras estratégias, como compra de votos, eleitores-fantasma, troca de favores, fraudes na apuração dos escrutínios e violência. Disponível em: http://www.historiadobrasil.net/ republica. Acesso em: 12 dez. 2008 (adaptado). Com relação ao processo democrático do pe- ríodo registrado no texto, é possível afirmar que: a) o coronel se servia de todo tipo de recursos para atingir seus objetivos políticos. b) o eleitor não podia eleger o presidente da República. c) o coronel aprimorou o processo democrático ao instituir o voto secreto. d) o eleitor era soberano em sua relação com o coronel. e) os coronéis tinham influência maior nos centros urbanos. 39. “O Filme ‘Os Bandeirantes’ mostra, nas pa- lavras de Humberto Mauro, a história dos desbravadores das terras brasileiras, e bus- ca valorizar a história do descobrimento do ouro no período colonial e da importância dos Bandeirantes paulistas para a história do Brasil. Essa é uma fonte que teve o intui- to de divulgar pensamentos através da utili- zação de várias outros textos históricos que são sintetizados na realização do filme. Entretanto, a investigação principal que de- vemos fazer nesse filme é sobre o período histórico o qual o media metragem foi pro- duzido revelando o que podemos observar desta época, as décadas de 1930 e 1940, já que a primeira análise, o período entre os séculos XVI e XVII no Brasil colonial, o fil- me demonstra de maneira objetiva, ou seja, ele por si próprio escreve um documento de