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De acordo com Papalia e Feldman (2014), as pesquisas em desenvolvimento têm como tarefa entender até que ponto determinados tipos de desenvolvimento podem ser modificados nas diversas idades. Sabe-se, por exemplo, que as diferenças individuais tendem a aumentar com a idade. Chegou-se a esse e a outros conhecimentos graças à observação sistemática (como discorrido na unidade 2). A observação de animais para a compreensão de aspectos biológicos e até comportamentais é possível graças à noção de continuidade entre as espécies conforme teorizado por Darwin. Dentre os processos inatos vistos em alguns animais há o imprinting, que segundo Stratton; Hayes (2009, p. 126) é: O processo que consiste em seguir a mãe. Ele ocorre durante um período crítico, logo após o nascimento, em algumas espécies, notadamente em patos e gansos. Durante as horas e talvez dias, após o nascimento, o comportamento de ‘seguir’ pode ser provocado por qualquer objeto em movimento e o animal parece ter uma forte tendência inata para aprender e de alguma forma de se identificar com o objeto. A aprendizagem é muito resistente à mudança e mais tarde, na vida social e no comportamento sexual, a escolha se dará a animais ou objetos que se assemelham ao estímulo do imprinting. Devido a grande quantidade de estudos sobre o imprinting e sua utilização no questionamento se com seres humanos há aprendizagens tão fortemente relacionadas ao desenvolvimento, vamos a mais uma definição de imprinting, como em Bee; Boyd (2011, p. 29, grifo nosso), pois lança mais dois conceitos importantes, de período crítico e de período sensível: O pensamento dos desenvolvimentalistas sobre a importância do momento foi estimulado, em parte, pela pesquisa em outras espécies que mostrava experiências específicas exercendo efeitos diferentes ou mais fortes em alguns pontos no desenvolvimento do que em outros. O exemplo mais famoso é o fato de filhotes de pato se tornarem fixados (imprinted) em (ficam apegados e seguem) qualquer pato ou qualquer outro objeto móvel, grasnador, que esteja à volta deles 15 horas após chocarem. Se nada estiver se movendo ou grasnando naquele momento crítico, eles não se tornam fixados (Hess, 1972). Portanto, o período exato em torno de 15 horas após a incubação é um período crítico para o desenvolvimento de uma resposta de seguimento adequada do pato. Em seres humanos, vemos com mais frequência períodos sensíveis do que períodos críticos genuínos. A diferença é que um período sensível é um momento em que uma experiência em particular pode ser melhor incorporada ao processo maturacional, enquanto um período crítico é um momento em que uma experiência deve acontecer ou um determinado marco do desenvolvimento nunca ocorrerá. Por exemplo, a fase de bebê e a primeira infância são períodos sensíveis para o desenvolvimento da linguagem. Uma criança que é fisicamente isolada de outros seres humanos por um pai abusivo durante esses anos não desenvolverá linguagem normalmente, mas desenvolverá alguma função de linguagem uma vez que seja reintegrada a um ambiente social normal. Papalia; Feldman (2014) complementam que o período crítico é um intervalo de tempo mais ou menos preciso e específico em que um evento importante biologicamente, ou sua ausência, causa impacto sobre o desenvolvimento. A ideia que perpassa o período crítico é que se um evento necessário não ocorrer durante um intervalo específico na maturação o desenvolvimento será alterado negativamente, com padrões comportamentais resultantes possivelmente irreversíveis. As pesquisas com imprinting levam a outro entendimento sobre o período crítico, dizem as autoras. Pois se as condições de criação de patinhos forem mudadas desacelerando seu crescimento, observou-se que o período crítico usual para o imprinting pode ser revertido e até ter seus efeitos revertidos. Por muito tempo os desenvolvimentistas se questionaram se na aquisição da linguagem haveria um período crítico. Como elaborar experimentos com seres humanos os privando de experiências significativas seria totalmente antiético, o acaso de descobertas de pessoas que tiveram seu desenvolvimento afetado enormemente por condições sociais extremas ajuda a compreender os efeitos da falta de estimulação de linguagem no ser humano e se é possível reverter tais efeitos. Papalia; Feldman (2014) relatam o caso de Genie, confinada em um quarto e amarrada a uma cadeira-penico por 12 anos. Ao ser encontrada em tais condições, a menina apenas reconhecia seu nome e a palavra ‘desculpe’. Genie passou por testes e treinamentos intensivos de linguagem. Observou-se que ela aprendeu palavras simples e algumas sentenças verbais primitivas, embora sua fala fosse sem fluência, como uma mensagem de telegrama. Obteve-se com os resultados de seu treinamento que não haveria um período crítico para a aquisição da linguagem. Para muitas aprendizagens é necessário que cérebro e corpo tenham determinadas características para que possam ocorrer, como acontece com o bebê por volta de um ano ter condições de andar e com dois anos emitir palavras com clareza e coerência. Continuaremos a tratar de como o desenvolvimento e a aprendizagem caminham juntos no próximo tópico.

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há 2 anos

De acordo com Papalia e Feldman (2014), as pesquisas em desenvolvimento têm como tarefa entender até que ponto determinados tipos de desenvolvimento podem ser modificados nas diversas idades. A observação sistemática é uma das ferramentas utilizadas para compreender o desenvolvimento humano e animal. O imprinting é um processo inato visto em alguns animais, como patos e gansos, que consiste em seguir a mãe durante um período crítico logo após o nascimento. Esse comportamento pode ser provocado por qualquer objeto em movimento e o animal parece ter uma forte tendência inata para aprender e de alguma forma de se identificar com o objeto. A aprendizagem é muito resistente à mudança e mais tarde, na vida social e no comportamento sexual, a escolha se dará a animais ou objetos que se assemelham ao estímulo do imprinting. O período crítico é um intervalo de tempo mais ou menos preciso e específico em que um evento importante biologicamente, ou sua ausência, causa impacto sobre o desenvolvimento. A ideia que perpassa o período crítico é que se um evento necessário não ocorrer durante um intervalo específico na maturação o desenvolvimento será alterado negativamente, com padrões comportamentais resultantes possivelmente irreversíveis. As pesquisas com imprinting levam a outro entendimento sobre o período crítico, pois se as condições de criação de patinhos forem mudadas desacelerando seu crescimento, observou-se que o período crítico usual para o imprinting pode ser revertido e até ter seus efeitos revertidos. Para muitas aprendizagens é necessário que cérebro e corpo tenham determinadas características para que possam ocorrer, como acontece com o bebê por volta de um ano ter condições de andar e com dois anos emitir palavras com clareza e coerência.

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Por que certas características de personalidade se acentuam ao longo dos anos enquanto outras se amenizam? Ao entrar em contato com uma criança podemos imaginar como ela ficará quando se tornar um adolescente ou adulto. Podemos observar como sua família interage com ela, quais instituições frequenta e como agem as pessoas mais valo-rizadas pelo seu grupo social, como celebridades, políticos e autoridades. A instituição família existe dentro de uma cultura. É possível avaliar o impacto da cultura no desenvolvimento? Fala-se que sociedades orientais como a japonesa valorizam mais ações coletivas do que a sociedade estadunidense. Crianças brasileiras se compor-tam mais parecido umas com as outras do que se ao compará-las com uma criança indiana. Então, é coerente nos perguntarmos de que modo a cultura influencia no desenvolvimento infantil e como interage com fatores biológicos como características hereditárias. A pre-sença da cultura interfere na alimentação, ou seja, não há uma natureza determinada geneticamente como nos animais que nos restringe a um grupo de alimentos. A depender do grupo humano o qual fazemos parte podemos ter alimentação vegetariana, vegana ou comer carne. A cultura define quais alimentos são considerados mais adequados, pois pessoas carnívoras em diferentes países podem considerar viável ou não comer grilos e escorpiões. O que sabemos é que a cultura e a história de vida individual interagem com os aspectos biológicos, como o desenvolvimento físico (que tende a ser muito parecido em várias partes do mundo). O desenvolvimento humano costuma ser dividido em fases, seja ao considerar a evolução cognitiva e intelectual, física e psicológica. Nesta unidade iniciaremos o estudo da construção da personalidade com uma das primeiras teorias sistematizadas sobre o ser humano delineadas fora da alçada da filosofia, recorrendo à psicanálise de Sigmund Freud. Estudar o desenvolvimento humano é uma longa aventura cuja jornada fica mais agradável contando com grandes autores e pesquisadores.

Sabe-se que as pessoas são diferentes em características como gênero, altura, peso, saúde física, energia, temperamento, personalidade, inteligência e outras mais. O que leva a essas diferenças? O ambiente físico e social são mais importantes do que a genética?

Você conhece como são chamadas e caracterizadas as gerações mais recentes?

Nessa fase, entre 2 anos e 4, é tanto a expulsão das fezes quanto sua retenção e da apropriação do controle esfincteriano. Na fase fálica o órgão sexual é a zona de erotização e surge o comportamento exploratório de masturbação. Há um declínio no complexo de Édipo, fundamental para a estruturação da personalidade. Posteriormente vem o período de latência, entre 5 a 6 anos, caracterizada pela diminuição das atividades sexuais, em nível de fantasia. A energia libidinal pode ser canalizada para a curiosidade sobre o mundo e formação de valores morais. Finalmente, a fase genital, que é atingida na puberdade. O objeto de desejo passa a ser o outro. Nessa etapa o menino deixa de querer ser o pai para querer ser um homem como o pai. O mesmo ocorre com a menina e a mãe. Por meio da identificação com a mãe ou o pai, a criança internaliza as normas sociais.

A psicologia tem como dever auxiliar na reflexão sobre o que é educação. Khouri (2014) descreve a educação como atividade que participa da totalidade da organização social, integrada no processo de relações de produção. Ainda segundo esse autor, a psicologia aplicada à educação visa facilitar a autorrealização e promover a saúde mental. A educação é objeto de estudo da psicologia, sendo assim, criou-se um ramo dessa chamada de psicologia da educação/educacional. A psicóloga Souza (2021, p. 27) detalha que “No âmbito da Psicologia Educacional, a (o) aluna (o), seus aprendizados e outras questões que a (o) permeiam são analisados de maneira global, tecendo uma rede que leva em consideração suas relações dentro e fora da instituição”. A educação, nas palavras de Sacristan (2001, p.21): A educação contribuiu consideravelmente para fundamentar e para manter a ideia de progresso como processo de marcha ascendente na História; assim, ajudou a sustentar a esperança em alguns indivíduos, em uma sociedade, em um mundo e em um porvir melhores. A fé na educação nutre-se da crença de que esta possa melhorar a qualidade de vida, a racionalidade, o desenvolvimento da sensibilidade, a compreensão entre os seres humanos, o decréscimo da agressividade, o desenvolvimento econômico, ou o domínio da fatalidade e da natureza hostil pelo progresso das ciências e da tecnologia propagadas e incrementadas pela educação. Graças a ela, tornou-se possível acreditar na possibilidade de que o projeto ilustrado pudesse triunfar devido ao desenvolvimento da inteligência, ao exercício da racionalidade, à utilização do conhecimento científico e à geração de uma nova ordem social mais racional. A psicologia e a educação se congregam em dois campos de produção de conhecimento e atuação que se imbricam de modo indissociável; psicologia educacional/escolar. Andrada et al. (2019) diferencia a psicologia educacional como a área de conhecimento da psicologia que se dedica à construção de saberes fundamentado em concepções ontológicas, epistemológicas, metodológicas e éticas determinadas. Enquanto isso, a psicologia escolar se preocupa com conhecimentos e práticas que devem subsidiar a atuação dos profissionais, tendo como objeto a escola e as relações que nela se desenvolvem, com foco em práticas educativas. Ou seja, há mais de um ramo da psicologia a se dedicar à educação. A educação é a mola propulsora da sociedade. Pensá-la requer apoio de várias disciplinas, entre elas a psicologia educacional e escolar. Uma discussão muito atual que impacta na sociedade, e por tanto na educação, é a convivência entre os diferentes. Aprende-se a reconhecer a pluralidade de culturas e a valorizar as diferenças. Na escola sempre se valorizou a homogeneização e a padronização, mas com o advento do enaltecimento de inovação e criatividade no mundo do trabalho, com o grande desemprego estrutural ameaçando e o empreendedorismo em alta, o modelo de educação tradicional precisou ser revisto. Enquanto homogeneidade leva ao mesmo, a diferença leva ao questionamento e criação. O desafio está em possibilitar a presença da diversidade, o que requer práticas educativas em que a diferença seja valorizada. Neste enorme desafio pelo qual passa a educação brasileira os conhecimentos e reflexões da psicologia como um todo, e da psicologia da educação e escolar principalmente, podem auxiliar. Cabe lembrar que o protagonismo de pensar a educação abarca todos os trabalhadores envolvidos com a educação. Passaremos a discussão sobre a psicologia e o desenvolvimento humano.

Sorri para estranhos. Desconfia de estranhos. Adapta-se facilmente a novas situações. Adapta-se lentamente a novas situações. Aceita a maior parte das frustrações sem muito estardalhaço. Reage furiosamente a frustrações. Adapta-se rapidamente a novas rotinas e regras de novas brincadeiras. Ajusta-se lentamente a novas rotinas. Aceita gradualmente novos estímulos, depois de repetidas exposições e sem pressão. Fonte: Papalia; Feldman (2014, p. 216).

Qual é o tema principal do texto apresentado?

a) A influência das expectativas dos professores no desempenho dos alunos.
b) Recomendações de tempo de tela para crianças em idade pré-escolar.
c) A importância da presença do adulto como mediador no uso de mídias interativas por crianças.

Conceituar e contextualizar aspectos emocionais na aprendizagem; Compreender os estágios do desenvolvimento; Estabelecer a importância da relação entre desenvolvimento e aprendizagem.

Para Jean Piaget, pioneiro da psicologia evolucionista e autor da teoria mais popular do desenvolvimento cognitivo, chega ao ponto culminante quando o pensamento concreto é abandonado e o pensamento formal é consolidado, ou seja, a capacidade de pensar abstratamente. Isso implica que, ao chegar a esse estágio, que ocorre como regra geral entre 11 e 15 anos, trabalhe não apenas com elementos concretos, tangíveis e baseados na realidade, mas também com hipóteses e possibilidades. Além disso, são desenvolvidas habilidades que permitem que diferentes perspectivas sejam adotadas.

Características do pensamento pós-formal. Representantes de diferentes orientações teóricas, especialmente a psicologia dialética e do ciclo de vida, propuseram a existência de pensamento pós-formal ou dialético, que é conceituado como um estágio posterior ao das operações formais.

Plano de Estudo:
● Psicanálise;
● Behaviorismo;
● Humanismo;
● Gestalt.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar as principais forças da psicologia;
● Compreender como as relações interferem na aprendizagem;
● Estabelecer a importância da psicologia na educação.

De acordo com Veríssimo (2002), como a psicanálise contribui para a relação entre professor e aluno?

a) Através dos conceitos de transferência e contratransferência.
b) Através da análise do comportamento operante.
c) Através da compreensão da curiosidade coletiva.

Um conceito importante dentro da análise do comportamento é o de reforço. Mo-reira; Medeiros (2018) explicitam que o reforço aumenta ou mantém a probabilidade de um comportamento ocorrer. O reforço pode ser um evento que ocorre de modo natural e não planejado ou pode ser planejado para ocorrer depois de um comportamento. Mas só será de fato um estímulo reforçador se houver aumento da frequência ou intensidade do comportamento. Rodrigues (2012, p.41-42) aponta uma falha comum dos professores sobre o entendimento do conceito de reforço positivo: Quando um comportamento operante é selecionado? Quando uma emissão do mesmo no passado produziu uma consequência reforçadora, que aumentou sua probabilidade de ocorrência futura. Aqui cabe um comentário advindo da nossa experiência pessoal, como ilustração do fenômeno: Algumas vezes alunos comentam: “Professora, eu reforcei o comportamento daquele aluno e não deu certo”. Podemos dizer que reforçamos um comportamento se não houve modificação do referido comportamento? Não. Caso não tenha havido alteração de frequência do comportamento é porque não o reforçamos, porque não encontramos uma consequência que tenha poder reforçador sobre aquele comportamento. Outro efeito sobre o comportamento é quando em sua relação com o ambiente (físico, biológico e/ou social) a frequência e/ou a intensidade do comportamento diminui. Tem-se, então, o conceito de extinção operante que se refere tanto ao procedimento de suspensão do reforço quanto ao processo dele decorrente (retorno da frequência do comportamento ao nível operante). No processo de extinção operante há a suspensão do reforço tendo como resultado a gradual diminuição da frequência de ocorrência do comportamento. Além de diminuir a frequência da resposta até o nível operante, a extinção produz outros três efeitos no início do processo, como um aumento na frequência da resposta, pelo menos logo no início do processo de extinção; aumento na variabilidade da forma da resposta e eliciação de respostas emocionais (raiva, ansiedade, irritação, frustração). Uma outra forma de consequência para o comportamento é a punição. A retirada de um reforçador é classificada como punição assim como a introdução de um estímulo aversivo, como a dor. Interações nas quais predomina o uso de punição ou de extinção tendem a levar ao comportamento de fuga e esquiva. O estudo em laboratório dos efeitos deletérios do excesso de punição faz com que a indicação para que todas as relações sejam pautadas no respeito e individualizadas. É importante ressaltar que dentro da análise do comportamento há uma ampla discussão que concorda em que o melhor modo de educar é por meio do reforço positivo, pois nas interações em que predominam a adversidade (excesso de punição e extinção) as pessoas não se sentem livres e felizes. A análise do comportamento não surgiu um um enfoque clínico, como na psicanálise, e entre os seus objetivos visa promover bem-estar em várias áreas da vida, como na educação. De orientações mais pontuais decorrentes da filosofia behaviorista na análise do comportamento na educação, Hübner (2012, p.82-83 ) expõe: Dê aula expositiva de vez em quando para seus alunos; ou ofereça uma demonstração; mas não exija frequência e não faça a matéria constar de exames. [...] Modifique o material do curso imediatamente de acordo com a reação dos seus alunos e monitores. Nem as suas questões nem as tarefas serão permanentes. Dê nota dez a todos os alunos que satisfizerem as exigências, pouco importando o quanto demorem (dentro de certos limites) ou quantos testes sejam necessários. Seu objetivo principal não é separar o joio do trigo, como em uma empresa. Nem é medir o QI dos alunos. É apenas ensiná-los o que você, como especialista, acha que devem aprender. Quando o educador reconhece o que é importante e valoroso para o aluno, a interação entre eles pode ser mais feliz e agradável. Para a análise do comportamento, as relações mais intensas e saudáveis são relações em que se reconhece e aceita as diferenças, sem imposição autoritária. A construção de um ambiente livre de punição é função de todos os que compõem a escola e o conhecimento de análise do comportamento (um subproduto, se podemos dizer assim, do behaviorismo) é uma ferramenta para esse mundo mais harmônico. Após discorrermos sobre conceitos e ideias da segunda força da psicologia, a análise do comportamento, passaremos a terceira força: o humanismo.

O mais poderoso dos princípios gestálticos de organização perceptual, o princípio de fechamento refere-se à tendência perceptual orientada para o ato de completar formas e figuras. Desse modo, quando isto é possível, um conjunto de linhas desconectadas pode ser visto como uma figura incompleta e não simplesmente como estímulos independentes. Um exemplo do princípio do fechamento está na letra a) da figura 2, na qual embora não haja o desenho de um triângulo, tendemos a vê-lo. Já o princípio de proximidade se refere à organização perceptual em que em igualdade de condições estímulos próximos um do outro tendem a ser percebidos como agrupados em um todo, como na imagem b) na figura 2. Nessa imagem, tendemos a ver duplas de pontos devido a nossa tendência a dar ordem ao que é visto com base em experiências anteriores. O princípio da semelhança é que em igualdade de condições, os estímulos semelhantes tendem a ser percebidos como agrupados, como demonstra a letra c) da figura 2. Percebemos linhas de círculos e linhas de quadrados, demonstrando um processo ativo de dar ordem às informações captadas. Outro princípio da psicologia da gestalt, depois aplicada na gestalt-terapia é a da relação figura e fundo, que enquanto aspectos menos importantes no momento se tornam fundo, os mais importantes se tornam imagem. Uma imagem emblemática desse aspecto da realidade aparece na figura 3. Você consegue ver a imagem de uma velha e de uma moça na pessoa à direita da imagem? A relação figura e fundo nem sempre é tão nítida.

Nesse processo, o que deve ser analisado tanto na busca da compreensão como na produção do aprendizado. Por outro lado, Construtivismo e Análise do Comportamento apresentam afastamentos no tocante à análise dessa interação. Grosso modo, a Análise do Comportamento enfatiza o comportamento observável, mas ao contrário do que afirmam alguns críticos, não exclui os comportamentos encobertos (Skinner, 1953/1981; 1974/1982). O Construtivismo, por sua vez, dá maior ênfase aos processos internos, inferidos a partir de comportamentos observáveis. Outro possível ponto de distanciamento são as implicações das teorias no tocante ao papel docente. Dos pressupostos da Análise do Comportamento decorre que o professor deve assumir papel ativo no fornecimento de instruções e regras, na modelação e modelagem do comportamento do aluno (Zanotto, 2000). Para o Construtivismo, ou versões dele, ao professor caberia otimizar o ambiente e deixar o aluno interagir livremente com ele. Contudo, a julgar pelas colocações de Lourenço e Machado (1996) sobre a visão piagetiana das Contribuições da análise do comportamento à prática educacional interações sociais, seria grave equívoco considerar que sendo a construção do conhecimento um processo individual, seriam potencialmente nocivas ou, no mínimo, dispensáveis quaisquer interferências do professor. Portanto, esse aspecto pode representar um falso ponto de afastamento entre as duas vertentes. Ambas as perspectivas teóricas, analítico-comportamental e construtivista, preocupam-se com as ações do aluno e do professor e as condições contextuais envolvidas no processo ensino-aprendizagem. Cabe, pois, perguntar quão contrastantes são as diferenças entre elas. Estaria, por exemplo, a modelagem do comportamento completamente excluída de um processo pedagógico conduzido com base em fundamentos construtivistas? Estaria a reflexão excluída de um processo conduzido nos moldes comportamentais?

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