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11. Raymundo Faoro, em sua clássica obra Os Donos do Poder utiliza o conceito de estamento para analisar a formação do Estado brasileiro. De acordo com ele, “os estamentos governam, as classes negociam. São órgãos do Estado, as classes são categorias sociais (econômicas)”. O estamento seria nessa concepção, uma camada de indivíduos que se organiza e que é definido por suas relações com o Estado. Qual das seguintes consequências disso é falsa?

a) Uso racional das verbas públicas e maior planejamento.
b) Uso da máquina pública para a satisfação de interesses particulares.
c) Uso de vantagens obtidas pelo status ocupado para a utilização da máquina estatal em proveito próprio.
d) A apropriação do Estado, de cargos e funções públicas.
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ano passado

Respostas

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ano passado

Vamos analisar as alternativas apresentadas em relação ao conceito de estamento de Raymundo Faoro e suas implicações na formação do Estado brasileiro. a) Uso racional das verbas públicas e maior planejamento. - Essa afirmação sugere uma gestão eficiente e ética, o que não se alinha com a crítica de Faoro sobre a apropriação do Estado. b) Uso da máquina pública para a satisfação de interesses particulares. - Essa afirmação está de acordo com a crítica de Faoro, que aponta que os estamentos utilizam o Estado para seus próprios interesses. c) Uso de vantagens obtidas pelo status ocupado para a utilização da máquina estatal em proveito próprio. - Também está alinhada com a crítica de Faoro, que menciona a apropriação do Estado pelos estamentos. d) A apropriação do Estado, de cargos e funções públicas. - Essa afirmação é verdadeira e reflete a análise de Faoro sobre como os estamentos se apropriam do Estado. Dessa forma, a alternativa que é falsa, pois sugere uma gestão pública eficiente e racional, é: a) Uso racional das verbas públicas e maior planejamento.

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13. Zygmunt Bauman inicia a discussão de seu livro, Vida para Consumo: A transformação das pessoas em mercadorias, relatando três casos distintos coletados a partir da leitura da edição do jornal The Guardian, de Londres, em 02 de março de 2006. Os casos são os seguintes: I. O acesso às redes sociais virtuais aumenta cada vez mais: o site MySpace um ano antes era o líder em números de acessos e seu crescimento no ano anterior tinha sido de seis vezes, enquanto seu rival Spaces MSN tinha crescido 11 vezes e o Bebo tinha crescido 61 vezes. Os sites mais acessados em um ano específico não eram nada no ano seguinte. Mesmo assim, 61% dos adolescentes britânicos tinham um perfil em algum site de rede, compartilhando fotografias, inclusive. II. Empresas do Reino Unido estavam adotando um decodificador de chamadas interligado a um sistema de cadastro de informações de modo que, quando um cliente telefonasse para a empresa em questão, fosse automaticamente classificado a partir de seu “perfil” e atendido de acordo. Assim, um “cliente tipo 1” seria imediatamente atendido e sua ligação transferida para um agente sênior, que lhe daria o devido atendimento; enquanto um “cliente tipo 3” iria para o “fim da fila” de atendimentos e, se aguentasse esperar o atendimento, falaria com um agente de baixo escalão. III. O Ministro do Interior da Inglaterra, Charles Clarke, falava sobre o novo sistema de imigração para o Reino Unido, que iria classificar o candidato a migrante por meio de um sistema de pontuação na qual se escolheria os mais “qualificados” a serem aceitos no país, separando os “desejáveis” dos “indesejáveis”. A partir das considerações acima, marque a afirmação correta:

a) O autor afirma que a internet cresce porque os jovens se recusam a compartilhar suas informações on line e preferem estabelecer participações indiretas por meio de redes sociais.
b) O autor quer dizer que não há uma conexão entre o fato dos adolescentes compartilharem seus dados na internet e o fato das empresas agora classificarem seus clientes entre desejáveis e indesejáveis a partir do que podem pagar ou dos serviços que desejam acessar.
c) O autor quer destacar, com os três casos, dois aspectos fundamentais das sociedades contemporâneas: a maneira como as “coisas” (pessoas, empresas, sistemas, clientes, perfis etc.) são descartáveis e rapidamente substituídas por outras a partir do interesse gerado por elas, ou seja, se atendem ou não a uma “demanda”; e a disponibilidade das pessoas em se submeter a tal seleção, participando de processos diversos nos quais é avaliada e procura maneiras de se tornar mais adequado a tal “demanda”, mesmo que de modo inconsciente, como fica claro no exemplo dos adolescentes nas redes sociais.
d) O autor afirma que tanto a classificação de clientes por empresas quanto às novas políticas imigratórias são demonstrações de que os jovens não querem aderir às novas formas de sociabilidade impostas pela nova sociedade. Por isso, estariam os adolescentes tão dispostos a fornecer seus dados nas redes sociais.

Fazendo um diálogo dessa classificação com o caso de Fortaleza, pode-se dizer que:

a) Fortaleza poderia ser incluída na categoria das cidades globais, pois seu grande porte e sua importância turística (sendo o segundo destino mais visitado no Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro) a credencia para tal.
b) Fortaleza poderia ser incluída na categoria das metrópoles, já que é uma cidade grande, tem uma longa história e tem mais de 2,5 milhões de habitantes, colocando-a no mesmo rol de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, com os típicos problemas sociais que acometem essas cidades. O potencial turístico de Fortaleza também a coloca em capacidade de rivalizar e ser comparada com outras metrópoles, como Lisboa e Paris.
c) Tal classificação excluiu cidades medianas como Fortaleza, deixando de perceber graves problemas sociais que podem emergir de casos como esse. Afinal, esta cidade tem grande impacto em uma área circunscrita (no Ceará e estados vizinhos), o que lhe dá muita importância (não apenas econômica), mesmo que não esteja no plano de impacto global como àquelas exemplificadas nos itens I, II e III. É por isso que surge a nova categoria, defendida por alguns pesquisadores, de metrópole regional.
d) Por ter apenas 2,5 milhões de habitantes, Fortaleza não está incluída em nenhuma das categorias acima elencadas e que a Sociologia Urbana deve mesmo focar sua atenção em cidades maiores, com maiores problemas e deixar de lado aquelas de impacto regional como Fortaleza, que têm problemas irrelevantes.

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