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Pela definição do instituto da pena, é possível dizer que a pena é um ato de poder, resultando na imposição, pelo Estado, da perda de diversos direitos, sobremaneira o da liberdade, à pessoa que comete um crime. Conhecer as teorias e como se conectam com as finalidades declaradas (ou oficiais) da pena é central também para nosso estudo. Sobre as Teorias da Pena é possível afirmar que:
A) A teoria absoluta está diretamente relacionada a uma primeira função declarada, a da prevenção. Segundo ela, a sanção penal representaria a imposição de um ¿mal justo contra o mal injusto do crime¿ (SANTOS, 2014, p. 425). Trata-se da função atribuída e que retoma a ideia de uma ideia de justiça, uma educação social visando explicar a culpabilidade de todos que praticam um crime.
B) Uma das principais críticas à teoria absoluta é que, por dispensar qualquer justificativa que considerasse os impactos para a sociedade e para a pessoa acusada, a sanção poderia ser um mero instrumento de vingança estatal, um ato de poder que, em vários níveis, poderia se mostrar ¿ como se tem mostrado ¿ discricionário. Seria como impor o mal pelo mal (CARVALHO, 2013, p. 58).
C) Para a teoria relativa a pena representaria uma resposta ao ato de se ter delinquido e qualquer tentativa de justificá-la por razões utilitárias ¿ como veremos nas chamadas funções preventivas da pena, no item seguinte ¿ implicaria uma ¿afronta à dignidade humana do delinquente, já que este seria utilizado como instrumento para a consecução de fins sociais¿ (PRADO, 2004, p. 2).
D) A teoria absoluta sustenta-se na matriz do contratualismo, a partir do qual o crime é visto como uma violação ao contrato social. A pena, então, emerge como uma obrigação, como uma indenização e, por isso, como um direito/dever estatal. Segundo Ferrajoli (2012, p. 204), a sanção aqui se fixaria ¿não em meio, e tampouco um custo, mas sim um dever ser metajurídico que possui em si seu próprio fundamento¿.
E) A teoria relativa da pena surge ambientada no idealismo alemão, principalmente ancorada na metafísica kantiana. Com esse movimento, a pena passou a ser racionalizada, em linhas gerais, como um fim em si mesmo. Isso quer dizer que, para a teoria, é irrelevante qualquer efeito ou projeção social e a pena permanece justificada por seu intrínseco valor axiológico.
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Vamos analisar cada uma das alternativas para identificar a correta sobre as Teorias da Pena: A) A teoria absoluta está relacionada à prevenção e à ideia de justiça, mas a descrição não é precisa, pois a teoria absoluta foca mais na retribuição do que na prevenção. B) Esta alternativa critica a teoria absoluta, apontando que ela pode se tornar um instrumento de vingança estatal. Essa crítica é válida e reflete uma visão comum sobre a teoria absoluta. C) A teoria relativa realmente considera a pena como uma resposta ao crime, mas a afirmação de que justificá-la por razões utilitárias afronta a dignidade humana é uma interpretação que pode ser debatida. D) A teoria absoluta não se sustenta na matriz do contratualismo, mas sim na ideia de retribuição. Portanto, essa descrição não é correta. E) A teoria relativa da pena não é exatamente ancorada no idealismo alemão e na metafísica kantiana da forma como é descrita. A pena como um fim em si mesmo não é uma característica da teoria relativa. Após essa análise, a alternativa que melhor se alinha com as críticas e características das teorias da pena é a B), que discute a crítica à teoria absoluta e sua potencial transformação em um ato de vingança estatal. Portanto, a resposta correta é: B) Uma das principais críticas à teoria absoluta é que, por dispensar qualquer justificativa que considerasse os impactos para a sociedade e para a pessoa acusada, a sanção poderia ser um mero instrumento de vingança estatal, um ato de poder que, em vários níveis, poderia se mostrar ¿ como se tem mostrado ¿ discricionário. Seria como impor o mal pelo mal (CARVALHO, 2013, p. 58).

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Em Vigiar e Punir, Michel Foucault explicita os mecanismos disciplinares de poder que, segundo o filósofo, caracterizam a forma institucional da prisão do início do século XIX. De acordo com as análises deste autor, pode-se afirmar que a modalidade panóptica do poder disciplinar
(A) não está na dependência imediata nem é o prolongamento direto das estruturas jurídico-políticas de uma sociedade e, portanto, é absolutamente independente destas estruturas.
(B) está na dependência imediata e é o prolongamento direto das estruturas jurídico-políticas de uma sociedade e, desse modo, é absolutamente dependente destas estruturas.
(C) está na dependência imediata, mas não é o prolongamento direto das estruturas jurídico-políticas de uma sociedade e, desse modo, é absolutamente dependente destas estruturas.
(D) não está na dependência imediata, mas é o prolongamento direto das estruturas jurídico-políticas de uma sociedade e, entretanto, não é absolutamente dependente destas estruturas.
(E) não está na dependência imediata nem é o prolongamento direto das estruturas jurídico-políticas de uma sociedade e, entretanto, não é absolutamente independente destas estruturas.

No lado oposto da teoria absoluta, estão as teorias relativas da pena que encontram um fundamento utilitário para a sanção penal. Aqui, são colocadas utilidades para a sanção penal. Sobre a teoria relativa e as suas subclassificações é incorreto afirmar que:
A) Pela Teoria Relativa de prevenção existe ainda a função pedagógica ou formativa, a sanção penal teria um efeito dissuasório, intimidando ou coagindo psicologicamente qualquer integrante da sociedade que cogitasse infringir a lei. Ademais, divide-se a prevenção geral positiva e prevenção geral negativa.
B) A Teoria Relativa dialoga com a função declarada da prevenção, que se subdivide em duas outras, a Prevenção geral e a Prevenção especial. Pela função de prevenção geral, a pena estaria dirigida à coletividade. O Estado puniria, aqui, reforçando seus pilares normativos, para evitar a prática de crimes pelas demais pessoas daquele corpo social ¿ consideradas, assim, na sua abstração.
C) A Teoria Relativa a Prevenção Geral Negativa coloca em foco o caráter punitivo da pena, isto é, a sua função reprovatória da pena ao transmitir para o indivíduo a resposta coatora do Estado diante da infração, dissuadindo todos a violar a lei a sanção reforçaria a coesão social naquela sociedade, fortalecendo a confiança normativa.
D) Segundo a Teoria Relativa, a pena deveria basear-se na proporcionalidade, necessidade e culpabilidade e teria uma finalidade intimidatória, ¿pois o exemplo aplicado ao infrator seria o meio necessário para constranger o corpo social a não incorrer na mesma conduta¿ (CARVALHO, 2013, p. 63).
E) Pela Teoria Relativa a Prevenção Geral Positiva a sanção reforçaria a coesão social naquela sociedade, fortalecendo a confiança normativa. Por meio da resposta oferecida pelo Estado à violação da lei penal, o poder instituído reestabeleceria a vigência da norma e, assim, os valores sociais, uma função que está em diálogo direto com os ideais do contratualismo.

O sistema aplicado no caso do crime continuado (simples) é o mesmo do concurso formal próprio, qual seja, a exasperação. Assim, a pena aplicada poderá ser majorada de 1/6 até 2/3 a depender do número de crimes. Sobre as regras aplicáveis ao crime continuado pode-se afirmar que:
A) O art. 72 do Código Penal determina que, no concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. Não é aplicável em relação ao crime continuado, considerado crime único para fins de aplicação de pena. Assim, em caso de crime continuado, o entendimento mais recente do STJ é no sentido em que também se aplica a exasperação do art. 71, CP, para a pena de multa
B) Na aplicação da pena no crime continuado há a possibilidade de incidência de aumento de pena, dado que, diante do critério trifásico da pena, deverá o aumento incidir sobre a pena-base, primeira fase, ou seja, após ultrapassada a análise das circunstâncias agravantes e atenuantes.
C) O art. 72 do Código Penal determina que, no concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. Esse entendimento é pacífico no que tange a não incidência dos sistema de aplicação de pena multa correspondentes aos concursos material e formal.
D) No crime continuado, também se aplica o critério do concurso material benéfico, na hipótese em que a pena for inferior à resultante do cúmulo material, ou seja, opta-se no concurso material benéfico com a exasperação da pena.
E) No caso de crime continuado específico (crime doloso praticado com violência ou grave ameaça contra vítimas diferentes), aplica-se a pena do crime mais grave aumentada até o dobro.

¿X¿ atira em ¿Y¿ para matar. A munição atravessou o corpo de ¿Y¿, que morreu na hora, e foi parar no braço de ¿Z¿, que estava atrás de ¿Y¿, ocasionando lesão corporal culposa. Sobre o caso em tela, pode-se afirmar:
A) Aqui, se fosse utilizado o critério da exasperação no caso de aplicação da pena mínima de ambos, o somatório ficaria em 6 anos e 3 meses, sendo superior ao resultado da acumulação, que seria 1/6 de 6 anos = 1 ano (pena mais grave) mais 6 anos (pena mais grave), o que resultaria em 7 anos de reprimenda, pena essa corretamente a ser aplicada.
B) Esse é um caso de concurso formal homogêneo que advém da prática de homicídio doloso (art. 121 do CP ¿ pena de 6 a 20 anos) em concurso formal com lesão corporal culposa (art. 129 do CP ¿ pena de 3 meses a 1 ano).
C) Considerando que o somatório das penas seria prejudicial ao réu, ou seja, prejudicial a aplicação do concurso material benéfico (cúmulo material), razão pela qual necessária a ocorrência da exasperação da pena através da incidência de 1/6 da pena de homicídio.
D) Esse é um caso de concurso formal heterogêneo que advém da prática de homicídio doloso (art. 121 do CP ¿ pena de 6 a 20 anos) em concurso formal com lesão corporal culposa (art. 129 do CP ¿ pena de 3 meses a 1 ano).
E) O caso não se adequa a uma modalidade de concurso, pluralidade de crimes visto tratar-se de sistema de absorção, ou seja, a lesão corporal, crime de menor pena, é caminho necessário para o crime de maior pena, razão pela qual aplica-se apenas a pena do homicídio doloso (art. 121 do CP ¿ pena de 6 a 20 anos).

As espécies de pena são conteúdo central para o estudo da dogmática penal, já que permitem que se tenha alguma dimensão sobre os efeitos da responsabilização penal. Relembrar a forma como se dá o exercício do poder punitivo, tomando conta de como pode implicar alijamentos profundos no conteúdo de dignidade humana, é fundamental para que se possa sempre manter o compromisso com o sistema de garantias ao longo da aplicação e execução penal. Sobre as espécies de pena é incorreto afirmar que:
Não obstante a fixação desse modo inicial de cumprimento de pena, os regimes são regidos pela regra da progressividade, segundo a qual uma pessoa poderá, cumpridos alguns requisitos, ao longo da execução da pena, transitar por regime menos constritivo à liberdade, nos termos do § 2° do art. 33 do CP.
Para fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade, o juiz deve observar quatro fatores, o tipo de pena aplicada, se reclusão ou detenção; o quantum da pena definitiva; se a pessoa é reincidente ou não e as circunstâncias judiciais (art. 59 do CP).
O primeiro regime tipificado é o mais leve deles, isto é, que constrange, em menor grau, a liberdade: o regime fechado. Nesse caso, a pessoa apenada deverá cumprir a sanção ¿em estabelecimento de segurança mínima ou agrícola¿ (art. 33, § 1°, a, CP) e, em tese, haverá um menor controle e vigilância.
A ¿pena privativa de liberdade¿ é a pena de ¿prisão¿, ¿espinha dorsal do sistema penal¿ (SANTOS, 2014, p. 483). Trata-se da sanção mais gravosa existente em nosso ordenamento e, por isso, todas as considerações seguintes devem ser tomadas cuidadosamente.
Segundo o art. 5°, inciso XLVI da Constituição, a legislação ordinária poderia prever como modalidades de sanção penal: (a) privação ou restrição da liberdade, (b) perda de bens, (c) multa, (d) prestação social alternativa e (e) suspensão ou interdição de direitos.

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