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Pierre Bourdieu é considerado um dos grandes intelectuais e sociólogos do século XX. Em suas reflexões, o autor desvelou que na construção do conhecimento existe um jogo de dominação e reprodução de valores. No que tange, especificamente, à escola, ele considera que:
A A escola, mediante a sua cultura escolar, é uma espécie de enigma que só pode ser decifrado por quem recebeu o código de sua família. A cultura valorizada socialmente na escola é a das classes dominantes, sendo que a posse dessas culturas, pelos herdeiros dessas famílias, seria traduzida como sucesso.
B A escola seria um local de resistências. Nela, alunos teriam agência para, realisticamente, organizar e revolucionar o sistema. De outra forma, a escola seria fadada à absoluta reprodução, mantendo a sociedade da mesma forma.
C A escola é o local em que a igualdade deve reinar soberanamente. É no ambiente, e na cultura escolar, que se constroem as relações de poder e todos podem ter a oportunidade de dialogar e participar dos inúmeros aspectos sociais.
D A escola é a instituição responsável pela transmissão dos valores e das culturas dos diferentes povos. Nesse sentido, a escola tem por objetivo central promover a igualdade e permitir o desenvolvimento moral e religioso dos alunos.
E A escola é o lugar da reprodução da cultura refinada em diferentes países, sobretudo europeus. Diante disso, a escola e a cultura escolar devem promover situações que permitam que os alunos conquistem a autonomia intelectual.
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Discussões sobre Sociologia da Educação

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Vamos analisar as alternativas com base nas ideias de Pierre Bourdieu sobre a escola e a reprodução social. A) A escola, mediante a sua cultura escolar, é uma espécie de enigma que só pode ser decifrado por quem recebeu o código de sua família. A cultura valorizada socialmente na escola é a das classes dominantes, sendo que a posse dessas culturas, pelos herdeiros dessas famílias, seria traduzida como sucesso. - Esta alternativa reflete bem a ideia de Bourdieu sobre como a escola reproduz as desigualdades sociais, favorecendo as classes dominantes. B) A escola seria um local de resistências. Nela, alunos teriam agência para, realisticamente, organizar e revolucionar o sistema. De outra forma, a escola seria fadada à absoluta reprodução, mantendo a sociedade da mesma forma. - Embora a resistência possa ocorrer, Bourdieu enfatiza mais a reprodução do que a resistência. C) A escola é o local em que a igualdade deve reinar soberanamente. É no ambiente, e na cultura escolar, que se constroem as relações de poder e todos podem ter a oportunidade de dialogar e participar dos inúmeros aspectos sociais. - Essa visão é mais idealista e não reflete a crítica de Bourdieu sobre a desigualdade. D) A escola é a instituição responsável pela transmissão dos valores e das culturas dos diferentes povos. Nesse sentido, a escola tem por objetivo central promover a igualdade e permitir o desenvolvimento moral e religioso dos alunos. - Essa alternativa não se alinha com a crítica de Bourdieu, que vê a escola como um espaço de reprodução de desigualdades. E) A escola é o lugar da reprodução da cultura refinada em diferentes países, sobretudo europeus. Diante disso, a escola e a cultura escolar devem promover situações que permitam que os alunos conquistem a autonomia intelectual. - Embora mencione a reprodução cultural, não aborda a questão da dominação e desigualdade de forma clara. A alternativa que melhor representa a visão de Bourdieu sobre a escola e a reprodução social é a) A escola, mediante a sua cultura escolar, é uma espécie de enigma que só pode ser decifrado por quem recebeu o código de sua família. A cultura valorizada socialmente na escola é a das classes dominantes, sendo que a posse dessas culturas, pelos herdeiros dessas famílias, seria traduzida como sucesso.

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A Sociologia da Educação é um campo que tem passado, ao longo do tempo, por inúmeras transformações em suas abordagens e temáticas. Até os anos 1960, a preocupação estava centrada no aspecto macrossocial e na busca pelo entendimento sobre a falta e o bloqueio ao acesso, de grupos populares, à educação. Tais reflexões obtiveram sucesso, porém, as desigualdades ainda permaneciam. Nos anos 1970, em países como Inglaterra, França e Estados Unidos, intelectuais e pesquisadores iniciaram um movimento denominado Nova Sociologia da Educação, cujo enfoque recaiu sobre os diferentes processos que ocorrem no interior da escola. A partir dessa contextualização, observe as alternativas a seguir e assinale aquela que demarca as transformações dessa área investigativa.
A A Nova Sociologia da Educação passou a preconizar que a falta de acesso à educação era um dos fatores que geravam a desigualdade nas diferentes sociedades, sendo assim, um mal a ser combatido.
B A Nova Sociologia da Educação destinou um olhar mais apurado aos diferentes problemas econômicos que circundavam a educação a partir de 1970. Desse modo, identificou que os problemas educacionais estavam relacionados a falta de escolarização e cultura das classes populares.
C A Nova Sociologia da Educação passou a investigar os problemas de reprovações escolares entendidos como o fator que não permitia o desenvolvimento social e cultural dos países mais abastados.
D A Nova Sociologia da Educação destinou um olhar mais apurado aos diferentes processos que ocorrem no interior da escola a partir da formulação de currículos, do conhecimento, do cotidiano de alunos e professores e seus respectivos papéis sociais.
E A Nova Sociologia da Educação passou a servir aos interesses do Estado e a preconizar a ideia de que os currículos não são imposições sociais, mas sim essenciais na manutenção da ordem vigente.

Michael Young (Reino Unido) e Michael Apple (Estados Unidos) são considerados expoentes no que se refere às inovações e às reflexões propostas pela Nova Sociologia da Educação. Ambos os autores passaram a destinar importante atenção aos currículos, desmistificando a ideia de que esse documento oficial corresponderia apenas a um conjunto de conteúdos e temas a serem ensinados, aos alunos, na escola. Nesse sentido, é possível afirmar que:
A Ambos os autores passaram a considerar que o currículo é o documento mais importante do sistema escolar, uma vez que professores e alunos devem submissão às suas prescrições e orientações metodológicas.
B Ambos os autores compreendem que o currículo é uma seleção natural de conteúdos que visa dotar o aluno de conhecimentos científicos e culturais necessários para a vida na sociedade civilizada.
C Os autores criaram a ideia de "conhecimentos poderosos". Dessa forma, afirmaram que há certos conhecimentos que são universais, e que todos devem aprender para que possam adquirir sucesso na vida, independentemente de qualquer trajetória social.
D Young e Apple apontam que certas pessoas nascem para o pensamento e outras para o movimento. Dessa maneira, buscavam encontrar o lugar de cada criança para que a harmonia se estabelecesse no ambiente escolar.
E Os autores questionaram a ideia, até então hegemônica, de que os conhecimentos escolares eram neutros ou desinteressados, e procuraram refletir acerca das relações entre poder, ideologia, economia, saber e as classes dominantes.

A Nova Sociologia da Educação proporcionou um campo com frutíferas reflexões que contribuíram para o desenvolvimento de novos pensamentos em relação à educação brasileira.
Observe as alternativas a seguir e indique aquela que representa uma dessas contribuições.
A. A substituição de provas dissertativas por optativas tem sido uma importante influência recente. Dessa forma, tem-se priorizado a avaliação constante, ao invés de olhar apenas para o acesso escolar.
B. O mito de que há um déficit cultural de alunos provenientes de classes mais populares. As reflexões da Nova Sociologia da Educação nos mostram a importância de se considerar os saberes dos alunos, suas linguagens e as formas de ver e encarar o mundo que não aqueles propostos pela escola.
C. A Nova Sociologia da Educação trouxe consigo as novas tecnologias, como a educação à distância, a mobilidade e a web 2.0, que têm revolucionado a forma como pensamos e fazemos educação.
D. Cada vez mais, com a Nova Sociologia da Educação, compreende-se que cada aluno é único, devendo haver um currículo específico para cada um. Cada aluno deve aprender o que lhe agrada, para o seu desenvolvimento máximo como pessoa humana.
E. Com a Nova Sociologia da Educação, a própria ideia de estrutura e materialidade foi contestada. Hoje, os currículos são vistos como textos e discursos que constituem a melhor seleção cultural proposta por professores.

A Nova Sociologia da Educação forneceu bases para se repensar o papel da escola na sociedade. Desse modo, essa área do saber permitiu que os investigadores e os professores direcionassem seus olhares para o interior da escola, isto porque:
A a Nova Sociologia da Educação reconhecia não apenas os aspectos macrossociais, mas também os microssociais, elementos importantes para se entender a desigualdade. Dessa forma, passaram a ser enfocados nas pesquisas aspectos como a produção do currículo e do conhecimento escolar.
B até então as pesquisas não conseguiam autorização judicial para entrar nas escolas. Com as conquistas da Nova Sociologia da Educação, o acesso se tornou irrestrito para a investigação.
C a Nova Sociologia da Educação passou a realizar experimentos de aprendizagem nas escolas públicas (excluindo-se as privadas). Dessa forma, pôde avaliar melhor os métodos mais adequados para cada fase, com testagem muito mais apurada, por serem escolas reais.
D a Nova Sociologia da Educação conseguiu que a escola fosse dirigida não mais por professores, mas por especialistas e técnicos em educação. Assim, cientistas, como os próprios sociólogos, passaram a exercer mais as funções de gestão e direção das escolas.
E a Nova Sociologia da Educação passou a avaliar não só o acesso, mas a aprendizagem dos alunos. Assim, começou a implantar testes padronizados a todas as escolas, a fim de avaliar e entender onde são feitos bons trabalhos.

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