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A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL SERÁ CLÁUSULA PÉTREA?

ESTUDO DE CASO:


5 resposta(s)

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Diego

Há mais de um mês

O discurso político de "redução da maioridade penal" ou da "emancipação criminal" não me convence, e, ainda que considerado Constitucional (a redução não é Constitucional), não resolveria o problema.

É de se notar que partir da premissa de punição de jovens infratores deve considerar o resultado final dessa funição: atualmente funciona? Todos sabemos que não.

A prisão não funciona, prova disso é que o Brasil tem uma das maiores populações carcerarias do mundo (cerca de 800.000 presos) e o problema só cresce. Sem dúvidas o problema da Segurança Pública, antes de tudo é um problema social. E a educação, como anda? Por essas razões é que o discurso posto e reforçado por polícitos sobre a redução ou emancipação não tem razão prática. É, na verdade, uma válvula de escape, pois, afinal, o problema atual da Segurança Pública é por conta da ausência de punição dos menores. Por outro lado o discurso em torno da Educação é sempre o mesmo: Quantidade (não qualidade).

Afinal, por qual motivo os governantes desejariam uma população instruída? Na minha opnião diminuir a maioridade penal ou a emancipação criminal não resolve, somente serve de argumento de campanha política, sem falar-se na sua inconstitucionalidade.

O discurso político de "redução da maioridade penal" ou da "emancipação criminal" não me convence, e, ainda que considerado Constitucional (a redução não é Constitucional), não resolveria o problema.

É de se notar que partir da premissa de punição de jovens infratores deve considerar o resultado final dessa funição: atualmente funciona? Todos sabemos que não.

A prisão não funciona, prova disso é que o Brasil tem uma das maiores populações carcerarias do mundo (cerca de 800.000 presos) e o problema só cresce. Sem dúvidas o problema da Segurança Pública, antes de tudo é um problema social. E a educação, como anda? Por essas razões é que o discurso posto e reforçado por polícitos sobre a redução ou emancipação não tem razão prática. É, na verdade, uma válvula de escape, pois, afinal, o problema atual da Segurança Pública é por conta da ausência de punição dos menores. Por outro lado o discurso em torno da Educação é sempre o mesmo: Quantidade (não qualidade).

Afinal, por qual motivo os governantes desejariam uma população instruída? Na minha opnião diminuir a maioridade penal ou a emancipação criminal não resolve, somente serve de argumento de campanha política, sem falar-se na sua inconstitucionalidade.

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Vanessa

Há mais de um mês

Propedeuticamente, as cláusulas pétreas foram criadas pelo constituinte com vistas a constranger o arbítrio estatal. No entanto, a rigidez constitucional não impede por completo a alteração da constituição federal , mesmo nas hipóteses de cláusulas pétreas.

Consoante a literalidade do artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV da Carta Magna de 1988 "não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir...os direitos e garantias individuais". Entretanto, poderá ser objeto de PEC (Proposta de emenda constitucional) a alteração até mesmo de cláusula pétrea desde que seja no sentido de melhorar a qualidade de vida da populção.

O rol do artigo 5º do diploma constitucional que trata dos direitos e garantias individuais não é taxativo ( numerus clausus), visto que todos os direitos fundamentais - estejam eles elencados ou não no referido artigo - revestem-se de "garantia de eternidade", não podendo, destarte, serem abolidos.

Diante disso, o artigo 288 da CF/88 poderia ser considerado cláusula pétrea; não obstante, poderia ser alterado por meio de EC (Emenda Constitucional). Ressalte-se que o princípio da vedação de retrocesso social visa impedir os abusos por parte do Estado, porém, é diretamente proporcional, à atuação positiva deste - no sentido de melhorar as condições de vida da sociedade.

Ao estabelecer no artigo 228 da Constituição Federal a idade mínima de 18 anos para imputação de pena , não pretendeu o  legislador pátrio petrificar o critério  da idade, mas , um direito fundamental. Destarte, a redução da maioridade penal [18 anos], não configuraria violação a cláusula pétrea nem acarretaria em retrocesso em matéria de direitos fundamentais, pois, pondere-se que não se pretende abolir um direito fundamental , mas , salvaguardar outros de igual relevância; tal como a dignidade da pessoa humana que é assegurado até mesmo àqueles que cumprem pena.


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Guilherme

Há mais de um mês

"XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado"

esse seria um direito individual que segundo o art. 60, §4º, inciso IV não seria objeto de deliberação proposta tendente a abolí-la. O ECA surgiu dessa questão de se aplicar o Direito Penal para adolescentes (entre 12 e 18 anos incompletos), que cometem ato infracional. Seria basicamente uma lei processual penal, tal como a lei de execuções o é para os maiores. Trata-se de uma lei ordinária, logo é mutável por lei posterior, portanto não é cláusula pétrea, e não viola a constituição, desde que seja adaptado o ECA para a nova maioridade penal.

 

Se masmorras penais resolvem, aí é outra história...

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes