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Atenção: Para responder às questões de números 4 a 6, considere a crônica abaixo.

Quando lhe disse que um vago conhecido nosso tinha morrido, vítima de tumor no cérebro, levou as mãos à cabeça:

− Minha Santa Efigênia! Espantei-me que o atingisse a morte de alguém tão distante de nossa convivência, mas logo ele fez sentir a causa de sua perturbação:

− É o que eu tenho, não há dúvida nenhuma: esta dor de cabeça que não passa! Estou para morrer.

Conheço-o desde menino, e sempre esteve para morrer. Não há doença que passe perto dele e não se detenha, para convencê-lo em iniludíveis sintomas de que está com os dias contados. Empresta dimensões de síndromes terríveis à mais ligeira manifestação de azia ou acidez estomacal:

− Até parece que andei comendo fogo. Estou com pirofagia crônica. Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado. Histeria gástrica. Úlcera péptica, no duro.

Certa ocasião, durante um mês seguido, tomou injeções diárias de penicilina, por sua conta e risco. A chamada dose cavalar.

− Não adiantou nada − queixa-se ele. − Para mim o médico que me operou esqueceu alguma coisa dentro de minha barriga.

Foi operado de apendicite quando ainda criança e até hoje se vangloria:

− Menino, você precisava de ver o meu apêndice: parecia uma salsicha alemã.

No que dependesse dele, já teria passado por todas as operações jamais registradas nos anais da cirurgia: “Só mesmo entrando na faca para ver o que há comigo”. Os médicos lhe asseguram que não há nada, ele sai maldizendo a medicina: “Não descobrem o que eu tenho, são uns charlatães, quem entende de mim sou eu”. O radiologista, seu amigo particular, já lhe proibiu a entrada no consultório: tirou-lhe radiografia até dos dedos do pé. E ele sempre se apalpando e fazendo caretas: “Meu fígado hoje está que nem uma esponja, encharcada de bílis. Minha vesícula está dura como um lápis, põe só a mão aqui”.

− É lápis mesmo, aí no seu bolso. − Do lado de cá, sua besta. Não adianta, ninguém me leva a sério.

[...]

Ultimamente os amigos deram para conspirar, sentenciosos: o que ele precisa é casar. Arranjar uma mulherzinha dedicada, que cuidasse dele. “Casar, eu?” − e se abre numa gargalhada: “Vocês querem acabar de liquidar comigo?” Mas sua aversão ao casamento não pode ser tão forte assim, pois consta que de uns dias para cá está de namoro sério com uma jovem, recém-diplomada na Escola de Enfermagem Ana Néri.
Expressão expletiva ou de realce: é uma expressão que não exerce função sintática.

(Adaptado de: BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa, 2009)

Constitui uma expressão expletiva a expressão sublinhada em:
A) Foi operado de apendicite quando ainda criança e até hoje se vangloria (9o parágrafo)
B) Consta que de uns dias para cá está de namoro sério com uma jovem (14o parágrafo)
C) Conheço-o desde menino, e sempre esteve para morrer (5o parágrafo)
D) Espantei-me que o atingisse a morte de alguém tão distante de nossa convivência (3o parágrafo)
E) Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado (6o parágrafo)
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Portuguesando

há 3 meses

Respostas

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há 3 meses

Vamos analisar as opções para identificar a expressão expletiva, que é uma expressão de realce, sem função sintática. A) "Foi operado de apendicite quando ainda criança e até hoje se vangloria" Não há expressão expletiva evidente aqui. B) "Consta que de uns dias para cá está de namoro sério com uma jovem" A palavra "consta" funciona como verbo, não é expressão expletiva. C) "Conheço-o desde menino, e sempre esteve para morrer" Não há expressão expletiva. D) "Espantei-me que o atingisse a morte de alguém tão distante de nossa convivência" Não há expressão expletiva. E) "Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado" Aqui, a expressão "é que é" é uma expressão expletiva de realce, usada para enfatizar. Portanto, a alternativa correta é: E) Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado

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Para responder às questões de números 1 a 3, baseie-se no texto abaixo.

Musa natalina

O ano, propriamente, se compõe de onze meses. Dezembro não conta: é só para desejar que os restantes sejam propícios. Parece que o sistema está longe da perfeição; chegaríamos a ela num calendário que abrangesse onze meses de bons augúrios e um de execução deles. Como está, os trinta e um dias não chegam para imaginarmos tudo de ótimo em benefício de todo mundo. Fica sempre uma fração larga de mundo a que não atingem os nossos desejos fraternos. China, Costa do Ouro, Oceania... Mas não é preciso ir tão longe. Mesmo perto de nós, mesmo dentro de nós, as lembranças costumam esquivar-se à apresentação espontânea, e até à convocação formal. Julgamos ter no coração um canteiro de afetos; contudo, uma grande área nele permanece inculta e cheia de ervas, não direi daninhas, mas ervas. O que admira não é a quantidade de pessoas a quem dedicamos um pensamento amigo, mas a multidão, o número realmente infinito, de outras em cuja existência nem sequer reparamos. Foi para suavizar as lacunas da memória sentimental que se inventaram mensagens de boas-festas. Contudo, seria desejável que as saudações de Natal oferecessem maior variedade, ou pelo menos exprimissem anseios mais concretos, definindo a situação particular de cada classe ou componente dela, e não apenas um vago ideal de felicidade. Penso que cada homem tem direito de pedir bem determinada coisa a seu semelhante.
Motivado pela musa natalina, o autor do texto avalia que
A) o sentido das mensagens usuais de boas-festas esvazia-se por desconsiderar a variedade das pessoas em suas situações.
B) as mensagens de fim de ano costumam exprimir um ideal de felicidade que diz respeito tão somente àquele que as emite.
C) o mês de dezembro é impróprio para comemorar a contento as festas natalinas e formular bons augúrios.
D) os onze meses que compõem o ano mostram-se suficientes para a execução dos nossos melhores propósitos.
E) nossos intentos mais fraternos se mostram vivos por contemplarem uma parte considerável e esquecida da humanidade.

Atenção: As questões de números 8 a 12 referem-se ao texto seguinte.

Explicar ou compreender?

Muitas coisas podemos explicar sem, propriamente, compreender. Mas a pessoa humana, em sua dimensão mais íntima e profunda, só pode ser compreendida, jamais explicada. Posso explicar, segundo a lei da gravidade, a queda de uma pedra do décimo andar de um edifício. A pedra está totalmente sujeita à lei da gravidade, que a determina por inteiro, de modo a permitir uma explicação cabal desse fenômeno físico, dentro do princípio estrito da causalidade mecânica. Se, entretanto, um homem desesperado atira-se desse mesmo andar, o fato passa a pertencer a nível fenomênico inteiramente distinto. Posso explicar a queda do seu corpo pela mesma lei da gravitação, mas, nessa medida, estou a assimilá-lo à pedra, e meu juízo é apenas o de um físico interessado na queda dos corpos. Se quero interpretar o seu gesto, tenho que compreendê-lo em seu significado, tenho que aceitá-lo em sua irredutível integridade. Será sempre um ato significativo, pleno de interioridade; uma resposta criadora da vontade, embora destrutiva, de uma liberdade pessoal acuada, frente a uma situação interna insuportável.

Se a pessoa humana é explicada, e não compreendida, destroem-se sua escolha e sua liberdade e, assim, degrada-se a sua história existencial. Sem liberdade interior não há história a ser compreendida, só fenômenos mecânicos. O homem, como pessoa, é um permanente emergir da necessidade, e essa emergência transcendente constitui o seu projeto como ser-no-mundo − projeto que não se pode explicar, mas que se deve buscar compreender.
Se quero interpretar o seu gesto, tenho que compreendê-lo em seu significado, tenho que aceitá-lo em sua irredutível integridade.

A frase acima ganha nova e correta redação, mantendo-se seu sentido essencial, na seguinte versão:
A) Desejando-se explicar tal gesto, há de se compreender-lhe com o sentido íntegro em que se interpreta, no qual se resguarda.
B) Seu gesto, para mim interpretá-lo, devo entender no seu sentido integral, razão pela qual tenho de aceitá-lo irredutivelmente.
C) A menos que queira compreender seu gesto, ao interpretar-lhe com integridade, devo aceitar-lhe a forma irredutível a que se deu.
D) Para interpretar, ainda que de modo irredutivelmente íntegro, devo compreender o significado de seu gesto, por conseguinte aceitando-o.
E) Uma vez que aceite seu gesto em sua cabal integridade, impondo-me compreender o seu significado, habilito-me a interpretá-lo.

As tendências pedagógicas surgem como resposta às transformações sociais e demandas dos estudantes, representando abordagens contemporâneas para a prática educacional, incorporando estratégias e princípios inovadores na área. Ela se divide em dois modelos: o liberal e o progressista. Existem quatro tendências pedagógicas liberais, dentre elas a tradicional.
Diante disso, podemos afirmar que a tendência tradicional:
a) Enfatiza a profissionalização e modela o indivíduo para integrá-lo ao modelo social vigente, bem como a aplicação de métodos e técnicas científicas no ensino.
b) Busca a conscientização dos alunos por meio da educação, servindo como uma forma de transformar a realidade e os conteúdos extraídos da prática social e cotidiana dos alunos.
c) Tem como objetivo a transmissão dos padrões, normas e modelos dominantes, onde os professores são figuras centrais e os conteúdos escolares são separados da realidade social e da capacidade cognitiva dos alunos, sendo impostos como verdade absoluta.
d) Assume o propósito de levar o aluno a aprender e construir conhecimento, considerando as fases do seu desenvolvimento, em que sua proposta metodológica tem como característica os experimentos e as pesquisas. Ela é construída através de planejamentos e testes.
e) Pressupõe que se parta da realidade do aluno, de modo que ele seja um agente transformador do seu entorno, o que é promovido por meio de reflexões acerca do sujeito na história.

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