A ceratinização, também conhecida como cornificação, é exclusiva para o epitélio da pele. A ceratinização da pele humana é de extrema importância, pois permite que os seres humanos vivam em terra firme (evitando a desidratação). O processo de ceratinização começa na camada basal da epiderme, e continua superiormente até que tenha ocorrido a completa ceratinização no estrato córneo. A função e o propósito da ceratinização é a formação do estrato córneo. O estrato córneo é uma camada altamente organizada que é relativamente forte e resistente às agressões físicas e químicas. Essa camada é extremamente importante para manter o isolamento dos microrganismos; é a primeira linha de defesa contra a radiação ultravioleta, e contém muitas enzimas que podem degradar e desentoxicar as substâncias externas. O estrato córneo é também uma estrutura semipermeável que permite a passagem seletiva de diferentes agentes hidrofílicos e lipofílicos. No entanto, o aspecto mais evidente e mais estudado do estrato córneo é a sua capacidade na proteção contra o excesso de água e a perda de eletrólitos. Ele atua como uma barreira para manter no meio externo os produtos químicos. Porém, a função mais importante é a manutenção de água e eletrólitos no interior do corpo humano. A perda de água transepidérmica aumenta à medida que o estrato córneo é danificado ou rompido. Os principais lipídeos responsáveis pela proteção contra a perda de água são as ceramidas e os esfingolipídeos. Estas moléculas são capazes de se ligarem a várias moléculas da água. Como os ceratinócitos migram do estrato basal para as camadas mais externas da epiderme, eles se submetem às mudanças em suas características morfológicas e bioquímicas. Os ceratinócitos se tornam mais achatados, compactados e poliédricos. Os corneócitos resultantes tornam-se empilhados como tijolos em uma parede. Esses corneócitos ainda estão ligados entre si pelos desmossomos, os quais são agora chamados de corneodesmossomos. O estrato granuloso recebe este nome por causa do aspecto que lhe confere os vários grânulos cerato-hialinos basofílicos no interior dos ceratinócitos. Esses grânulos são compostos em sua grande maioria da proteína profilagrina. A profilagrina é convertida em filagrina por uma enzima endoprotease intercelular. A filagrina é assim chamada porque é uma proteína agregadora de filamentos. Com o tempo, a filagrina é quebrada em fator de hidratação natural (FHN) e ácido urocânico. O FHN é um produto da decomposição da filagrina que retarda a evaporação da água dos corneócitos. O espaço intercelular é composto por lipídeos e água. Os lipídeos são derivados da liberação dos corpos lamelares (corpos de Odland). As ceramidas compõem a maior parte do conteúdo nos corpos lamelares. Outros componentes são os ácidos graxos livres, os ésteres de colesterol, e as proteases. Os corpos lamelares se fundem com a superfície da célula e liberam seu conteúdo no espaço intercelular. A fusão do corpo lamelar com a superfície celular é dependente da enzima transglutaminase I. Ao mesmo tempo, o envelope córneo celular (ECC) se desenvolve. As proteínas do ECC, quais sejam, a envoplaquina, a loricrina, a periplaquina, as pequenas proteínas ricas em prolina e a involucrina, fazem ligação cruzada em vários mecanismos das transglutaminases I e III, formando uma plataforma resistente ao longo da superfície interna da membrana celular dos ceratinócitos. À medida que os ceratinócitos migram para a porção superior, a membrana da célula se perde e as ceramidas liberadas começam uma ligação cruzada com as proteínas do ECC. As células continuam a se mover na direção da superfície da pele e, assim, começam a perder seu núcleo e suas organelas celulares. A perda dessas organelas é mediada pela ativação de certas proteases que podem degradar rapidamente proteínas, DNA, RNA e a membrana nuclear. Uma vez que as células atingem as camadas mais externas do estrato córneo, elas começam a ser eliminadas. Em média, um ceratinócito passa 2 semanas no estrato córneo antes de ser liberado na superfície da pele em um processo chamado de descamação. A descamação é alcançada pela degradação final dos corneodesmossomos pelas proteases que destroem a proteína desmogleína1.
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