reduzir recurso em 2000 caracteres "Prezado Examinador, Este trata-se de recurso referente à questão sobre prorrogação de prazo para entrega de laudo pericial, cujo gabarito preliminar indicou a alternativa (D) como correta. Vem o candidato, respeitosamente, requerer a ANULAÇÃO da questão por imprecisão técnica relevante, uma vez que a alternativa apontada como correta não reproduz com fidelidade a redação do art. 476 do CPC/2015, substituindo a técnica normativa prevista em lei por prazo numérico específico não contemplado no dispositivo. 1 – Introdução (síntese da questão) O enunciado descreve o contador "X", nomeado perito contábil judicial, que recebeu prazo de 30 dias úteis para entrega do laudo. Diante de dificuldades técnicas que tornaram o prazo inviável, o perito solicitou prorrogação ao juiz "Y". Indaga-se, com fundamento no CPC/2015, qual seria a conduta correta do juiz. Alternativas: (A) Poderá conceder, por uma vez, a prorrogação de mais 30 dias úteis, se lhe for apresentado um motivo justificado. (B) Deverá conceder, por uma vez, a prorrogação de mais 15 dias úteis, se lhe for apresentado um motivo justificado. (C) Deverá conceder, por uma vez, a prorrogação de mais 30 dias úteis, se lhe for apresentado um motivo justificado. (D) Poderá conceder, por uma vez, a prorrogação de mais 15 dias úteis, se lhe for apresentado um motivo justificado. Gabarito preliminar: (D). 2 – Fundamento legal (art. 476 do CPC/2015) O art. 476 do CPC/2015 dispõe: "Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado." Da leitura do dispositivo, extraem-se os seguintes elementos normativos: ● a concessão da prorrogação é facultativa ao juiz ("poderá conceder"); ● é admitida por uma vez apenas; ● exige motivo justificado; ● o prazo da prorrogação corresponde à metade do prazo originalmente fixado — e não a um valor numérico predeterminado pela lei. 3 – Mérito do recurso (infidelidade ao texto legal) A alternativa (D) está parcialmente alinhada ao art. 476 do CPC/2015 ao utilizar o verbo "poderá" — reproduzindo corretamente o caráter facultativo da concessão — e ao prever a prorrogação "por uma vez" mediante "motivo justificado". Contudo, apresenta impropriedade técnica ao fixar o prazo de prorrogação em "15 dias úteis". O art. 476 do CPC/2015 não estabelece qualquer prazo numérico fixo para a prorrogação. A norma adota, deliberadamente, técnica de remissão proporcional ao prazo originalmente fixado — "pela metade do prazo originalmente fixado" —, o que confere ao dispositivo aplicabilidade universal, independentemente do prazo inicial arbitrado pelo juiz em cada caso concreto. A conversão dessa regra proporcional em prazo numérico específico de "15 dias úteis" é mera inferência aritmética aplicada aos dados do enunciado (metade de 30 dias úteis = 15 dias úteis), e não reprodução do texto legal. Essa distinção é tecnicamente relevante pelas seguintes razões: Razão 1 — Fidelidade ao texto normativo: Em questões que cobram o conhecimento de dispositivos legais específicos, a precisão terminológica é essencial. O CPC/2015 não utiliza a expressão "15 dias úteis" no art. 476, e a alternativa que a emprega não reproduz literalmente o conteúdo normativo cobrado. Razão 2 — Generalidade da regra legal: A técnica proporcional adotada pelo legislador ("metade do prazo originalmente fixado") é aplicável a qualquer prazo inicial, ao passo que a expressão "15 dias úteis" só seria correta no caso específico em que o prazo original fosse de 30 dias úteis. A alternativa (D), ao fixar número específico, transforma regra geral em solução particular, descaracterizando o conteúdo normativo do dispositivo. Razão 3 — Ausência de alternativa com redação literal correta: Nenhuma das alternativas reproduz com exatidão a fórmula do art. 476 — "prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado" —, o que evidencia que a questão, ao optar por traduzir a regra proporcional em valor numérico, afastou-se do padrão de fidelidade normativa exigível em questão objetiva fundamentada em literalidade legal. 4 – Pedido Diante da imprecisão técnica identificada, consistente na substituição da técnica normativa proporcional prevista no art. 476 do CPC/2015 por prazo numérico específico não contemplado no dispositivo legal, comprometendo a fidelidade normativa e a objetividade da questão, requer-se a ANULAÇÃO da questão. Termos em que, Pede deferimento."