O percurso genealógico do pensamento ético ocidental encontra marcos fundacionais nas reflexões de Sócrates e Aristóteles na Antiguidade Grega, os quais se debruçaram sobre a essência das virtudes humanas. Partindo da exegese dos conceitos elaborados por esses autores, assinale a alternativa que descreve com exatidão suas perspectivas teóricas no tocante ao desenvolvimento e prática da virtude: Sob a ótica de Sócrates, a ética constitui um campo autônomo e cindido do saber, postulando a ignorância como via aceitável para a virtude; de forma análoga, Aristóteles desenvolve a tese metafísica de que a virtude se adquire milagrosamente de nascença, dispensando por completo o exercício prático cotidiano. O pensamento socrático fundamenta-se na crença de que a racionalidade corrompe os instintos morais naturais do ser humano; em contraste, Aristóteles propunha que o homem nasce com virtudes absolutas imutáveis, tornando a adoção de hábitos louváveis um esforço totalmente inútil na pólis grega. A tradição socrática consolida o entrelaçamento orgânico entre bondade, conhecimento racional e felicidade (não se é bom sem ser sábio); complementarmente, Aristóteles assevera que a virtude não é inata, mas sim o hábito constante do homem de agir conforme o dever, exigindo esforço voluntário e a prática de boas ações. O ideal supremo de Sócrates resumia-se à submissão acrítica aos dogmas políticos limitadores, rejeitando o conhecimento; Aristóteles endossou integralmente essa visão, asseverando que ostentar um status potencial de virtude teórica era suficiente para a excelência moral, sem a necessidade de atuar de forma voluntária.