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A intertextualidade é um recurso amplamente utilizado em diferentes tipos de textos. No capítulo CXXXV de Dom Casmurro, Machado de Assis faz O protagonista Bentinho assistir à peça Otelo, de Shakespeare.
Analisando a função narrativa dessa referência intertextual, qual das alternativas melhor descreve efeito produzido por esse recurso no romance machadiano?
A) A referência a Otelo serve apenas como recurso de ambientação histórica, situando leitor no contexto cultural do século XIX.
B) A intertextualidade com Otelo funciona como um espelho narrativo: ao identificar-se com O mouro ciumento, Bentinho reforça suas suspeitas sobre Capitu, sem, contudo, questionar a própria perspectiva que evidencia a construção de um narrador não confiável.
C) A alusão a Shakespeare tem objetivo de demonstrar a erudição de Bentinho e elevar seu status social perante O leitor.
D) A referência a Otelo introduz uma paródia da tragédia shakespeariana, invertendo O sentido original para sugerir que Capitu, ao contrário de Desdêmona, era de fato
E) A cena do teatro serve como recurso de interdiscursividade, dialogando apenas com discurso teatral oitocentista, sem implicações para a narrativa principal do romance.
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há 5 horas

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há 5 horas

A referência à peça Otelo no capítulo CXXXV de Dom Casmurro tem um papel narrativo importante. Bentinho, ao assistir Otelo, se identifica com o personagem ciumento, o que reforça suas suspeitas sobre Capitu. Porém, essa identificação também evidencia que Bentinho é um narrador não confiável, pois sua visão é parcial e subjetiva. Analisando as alternativas: A) Incorreta. A referência vai além da ambientação histórica. B) Correta. A intertextualidade funciona como espelho narrativo, reforçando as suspeitas de Bentinho e mostrando sua subjetividade. C) Incorreta. A alusão não tem como objetivo demonstrar erudição ou status social. D) Incorreta. Não há paródia invertendo o sentido original da tragédia. E) Incorreta. A cena tem implicações diretas na narrativa principal. Portanto, a alternativa correta é: B) A intertextualidade com Otelo funciona como um espelho narrativo: ao identificar-se com O mouro ciumento, Bentinho reforça suas suspeitas sobre Capitu, sem, contudo, questionar a própria perspectiva que evidencia a construção de um narrador não confiável.

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A última crônica A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria O meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem assuntos que merecem uma crônica. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, O pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, a garrafa de Coca-Cola e O pratinho que garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, O pai risca fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você...". Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente O bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando O olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso Fonte: Sabino (s.d.)
Sobre as características da crônica como gênero textual e sua relação com jornalismo e a literatura, analise as afirmativas abaixo: Está correto apenas que se afirma em:
I. A crônica tem compromisso absoluto com a veracidade dos fatos narrados, assim como os textos informativos do jornalismo.
II. O cronista busca captar episódios do cotidiano para conduzir leitor à reflexão, valendo-se de linguagem leve e acessível.
III. A crônica 'A última crônica' exemplifica a metalinguagem, pois faz referência ao próprio processo de criação cronística.
IV. Segundo Antonio Candido, a crônica, por não ter a magnitude de outros gêneros literários, é considerada um gênero menor sem relevância literária.
A) I e IV apenas.
B) e III apenas.
C) I, II e III apenas.
D) II, III e IV apenas.
E) I, II, III e IV.

Os textos jornalísticos informativos, como notícias e reportagens, são frequentemente percebidos pelos leitores como representações neutras da realidade. No entanto, a análise da linguagem empregada nesses textos vela mecanismos de construção de sentido que orientam a leitura. Sobre as estratégias linguísticas que revelam O posicionamento do veículo jornalístico,
assinale a alternativa que apresenta a análise mais completa e precisa:
A) A escolha entre verbos como 'invadir' e 'ocupar', uso estratégico de advérbios como 'já' ou 'só' em títulos, e a ordem de apresentação das informações são elementos puramente estilísticos, sem implicações sobre posicionamento editorial do veículo.
B) A seleção lexical (como 'invadir' versus 'ocupar'), uso de advérbios e palavras valorativas, a disposição de fotos e a escolha do ângulo de abordagem do fato constroem implicitamente um ponto de vista, evidenciando que a neutralidade jornalística absoluta é uma ilusão.
C) Apenas textos opinativos, como editoriais e artigos assinados, revelam O posicionamento do veículo; textos noticiosos, por obedecerem a critérios técnicos de apuração, são inteiramente isentos de marcas
D) A diferença entre notícia e reportagem reside apenas no tamanho do texto: a notícia é mais curta e a reportagem é mais longa, sem distinção quanto à subjetividade do enunciador.
E) O princípio do contraditório, que consiste em apresentar obrigatoriamente opiniões contrárias, é universalmente adotado por todos veículos jornalísticos, garantindo assim a imparcialidade na cobertura de eventos políticos e sociais.

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