Logo Passei Direto
Buscar
O arranjo normativo que estrutura o Sistema Tributário Nacional impõe uma rígida repartição de competências legislativas com o propósito de assegurar a uniformidade e a segurança jurídica em face de todas as esferas de governo. No ápice desse modelo de articulação, a Constituição Federal reservou à lei complementar de âmbito nacional a missão essencial de traçar as diretrizes gerais que vinculam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, atuando como um verdadeiro mecanismo de pacificação federativa que impede a fragmentação do mercado interno. O advento do novo modelo de tributação sobre o consumo introduzido pela Emenda Constitucional 132 de 2023 reforça essa centralidade ao outorgar à Lei Complementar 214 de 2025 o papel coordenador de unificar a matriz estrutural das novas exações, demandando do profissional do Direito o domínio seguro acerca da hierarquia das competências e das funções clássicas exercidas pelos tributos no plano econômico e social. Considerando as informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir. I. O Código Tributário Nacional, embora tenha sido editado originalmente em 1966 sob a forma jurídica de lei ordinária, foi integralmente recebido pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar, o que impede que leis ordinárias posteriores criem prazos diferenciados de decadência e prescrição. II. A função fiscal caracteriza-se pelo objetivo predominantemente arrecadatório de recursos para os cofres públicos, a fim de custear despesas gerais da máquina estatal, manifestando-se de forma expressa em gravames como o Imposto sobre a Renda e o Imposto Sobre Serviços. III. A extrafiscalidade qualifica-se como um instrumento dinâmico de intervenção do Estado na economia, cujo propósito principal é regular condutas sociais ou comerciais por meio da manipulação de alíquotas, sendo o Imposto Seletivo um exemplo dessa função regulatória desestimuladora. IV. A parafiscalidade permite que uma lei ordinária subnacional promova a instituição de cobranças compulsó
User badge image
dacir norato

há 2 meses

Respostas

User badge image

Nigro Estúdio

mês passado

Resposta: a) I, II e III, apenas.

Por que I está correta

O CTN (Lei nº 5.172/1966) foi editado formalmente como lei ordinária, mas foi recepcionado pela CF/88 com eficácia de lei complementar, já que passou a tratar de matérias reservadas à LC pelo art. 146, III, "b" (normas gerais sobre prescrição e decadência tributárias). Por isso, uma lei ordinária posterior não pode fixar prazos diferentes — foi exatamente esse o fundamento da Súmula Vinculante nº 8 do STF, que declarou inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 (lei ordinária) por pretenderem instituir prazos de decadência e prescrição diversos dos do CTN.

Por que II está correta

A função fiscal tem finalidade primordialmente arrecadatória, e tanto o IR quanto o ISS são exemplos clássicos de tributos de finalidade eminentemente fiscal, usados para financiar as atividades gerais do Estado — diferente de tributos com finalidade extrafiscal preponderante (como II, IE, IPI e IOF).

Por que III está correta

A extrafiscalidade é o uso do tributo como instrumento de intervenção estatal na economia e no comportamento social, tipicamente por meio da manipulação de alíquotas. O Imposto Seletivo, criado pela EC 132/2023 para incidir sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, é justamente um "imposto do pecado" (sin tax) — sua lógica não é arrecadatória, mas desestimuladora do consumo, exemplo textual de extrafiscalidade regulatória.

Por que IV está incorreta

O erro está em atribuir a entes subnacionais (Estados/Municípios), por lei ordinária própria, a competência para instituir contribuições parafiscais com delegação da capacidade tributária ativa a entidades privadas vinculadas a categorias profissionais (como o modelo do "Sistema S" — SESI, SENAI etc.). Essa competência para instituir contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas é exclusiva da União, nos termos do art. 149 da CF — não pode ser exercida por Estado, DF ou Município. Além disso, a delegação da capacidade tributária ativa a terceiros (ainda que pessoas de direito privado, no caso dos serviços sociais autônomos) decorre de expressa autorização legal federal, e não de mera lei ordinária subnacional dispensada de qualquer parâmetro nacional.

Essa resposta te ajudou?

0
Dislike0

Ainda não achou a resposta?

  • Integrado com os principais modelos de IA do mercado
  • Respostas em segundos
  • IA treinada para estudantes brasileiros.
PasseIA logoEvolua sua forma de estudar

Cadastre-se ou realize login

Ainda com dúvidas?

Envie uma pergunta e tenha sua dúvida de estudo respondida!

Mais conteúdos dessa disciplina