O conceito de gap aéreo-ósseo é fundamental para o diagnóstico diferencial das perdas auditivas. Frazza et al. (2000) explicam que a comparação entre os limiares por via aérea (VA) e por via óssea (VO) permite classificar a perda auditiva quanto ao tipo: condutiva, neurossensorial ou mista. Contudo, situações atípicas podem surgir na prática clínica, desafiando o raciocínio do audiologista e exigindo a distinção entre achados fisiológicos reais e artefatos do procedimento.
Um fonoaudiólogo avalia um paciente de 55 anos e obtém os seguintes limiares na frequência de 2.000 Hz: via aérea = 25 dB NA e via óssea = 35 dB NA. Ao relatar os achados, o profissional afirma que esse resultado indica uma perda auditiva de tipo incomum, na qual a cóclea estaria mais comprometida do que a via de condução.
Com base no conteúdo da Unidade II, analise as asserções abaixo:
I. O resultado descrito (limiares por via óssea piores que por via aérea) é fisiologicamente impossível, pois a via aérea reflete a soma das perdas da orelha externa e média somadas à perda coclear, não podendo ser melhor do que a via óssea isolada.
PORQUE,
II. Quando o limiar por VO parece ser pior que o por VA, isso está relacionado a artefatos como posicionamento inadequado do vibrador, descalibração, espessura do crânio, tecido adiposo na mastoide ou impedância anormal da membrana timpânica, e não a um comprometimento coclear real superior ao da via de condução.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
Questão 1
Escolha uma opção:
a.
A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.
b.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c.
As asserções I e II são proposições falsas.
d.
A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.
e.
As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
Ed
mês passado
Vamos analisar as asserções: I. O resultado descrito (limiares por via óssea piores que por via aérea) é fisiologicamente impossível, pois a via aérea reflete a soma das perdas da orelha externa e média somadas à perda coclear, não podendo ser melhor do que a via óssea isolada. — Isso é verdadeiro. Normalmente, o limiar por via aérea não pode ser melhor (menor) que o limiar por via óssea, porque a via aérea inclui todas as perdas (condutiva + neurossensorial), enquanto a via óssea mede apenas a perda neurossensorial. II. Quando o limiar por VO parece ser pior que o por VA, isso está relacionado a artefatos como posicionamento inadequado do vibrador, descalibração, espessura do crânio, tecido adiposo na mastoide ou impedância anormal da membrana timpânica, e não a um comprometimento coclear real superior ao da via de condução. — Isso também é verdadeiro. Essas causas são conhecidas por gerar resultados atípicos e artefatos na audiometria. Além disso, a asserção II justifica corretamente a I, explicando por que o resultado descrito é fisiologicamente impossível e atribuindo-o a artefatos. Portanto, a alternativa correta é: e. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
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