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Violência doméstica à luz do CPM

Em um caso hipotético, um casal de policiais militares (marido e mulher), no âmbito doméstico, absolutamente fora do contexto da "Administração Pública Militar", envolvem-se em uma discussão que culmina em agressão física e lesão corporal perpetrada pelo marido em detrimento da esposa. Nesse caso, haveria antinomia entre a Lei 11340/06 (Lei "Maria da Penha") e o Código Penal Militar? Qual a aplicação mais pertinente ao caso em questão?


4 resposta(s)

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Rafael

Há mais de um mês

Excelente pergunta, pergunta essa de pouca expressão no Direito Penal Militar, uma vez que o CPM como vossa senhoria mesmo relatou sofre uma enorme discriminação. Mas ressalto que em se trantando de âmbito familiar, descaracterizase o Direito Castranse, visto que a Lei 11340/06 prevê a proteção contra a violência doméstica e familiar contra mulher, onde em diversos acordãos é nitida a desclassificação do Crime Militar e sim a aplicação da Lei Maria da Penha, remetendo assim de imediato em situação de flagrante pedido ao Comandante direto do Militar agressor, para que esse realize a apreensão da arma de fogo do militar e o afaste temporariamente de função operacional em que necessite a utilização desta. Data vênia a aplicação do CPM estaria contrariando completamente o preceitos básicos da Lei 11340/06 que em sua redação há diversas formas de medidas protetivas, ao contrário do CPM em que caberia apenas a prisão do militar.

Excelente pergunta, pergunta essa de pouca expressão no Direito Penal Militar, uma vez que o CPM como vossa senhoria mesmo relatou sofre uma enorme discriminação. Mas ressalto que em se trantando de âmbito familiar, descaracterizase o Direito Castranse, visto que a Lei 11340/06 prevê a proteção contra a violência doméstica e familiar contra mulher, onde em diversos acordãos é nitida a desclassificação do Crime Militar e sim a aplicação da Lei Maria da Penha, remetendo assim de imediato em situação de flagrante pedido ao Comandante direto do Militar agressor, para que esse realize a apreensão da arma de fogo do militar e o afaste temporariamente de função operacional em que necessite a utilização desta. Data vênia a aplicação do CPM estaria contrariando completamente o preceitos básicos da Lei 11340/06 que em sua redação há diversas formas de medidas protetivas, ao contrário do CPM em que caberia apenas a prisão do militar.

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Jardel

Há mais de um mês

Agradeço pela resposta/ participação. No entanto, acredito que o tema careça de uma análise mais detida sob a ótica do art. 9º do CPM. O Código Penal Militar é especial em relação ao Código Penal Comum, da mesma forma que a Lei 11340/06 é legislação penal especial. No caso, o crime de "lesão corporal" é cometido por um policial militar contra outro militar da ativa (alargada a hipótese em comento), o que seria crime militar impróprio. A isso se soma a previsão de mecanismos mais afetos à Lei "Maria da Penha" ofertados à pessoa da vítima, sendo mulher, tais como as medidas protetivas, que são inovações impensadas no CPM. São singularidades que podem desencadear maior aprofundamento.

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Bruno Ferreira

Há mais de um mês

Olha eu queria pedir desculpas pela minha resposta que foi errada. Em casos de PMs, Soldados e entre outros cargos militares, não importa se o soldado está fora ou dentro do trabalho, só dele ter si vinculado ao serviço militar, o código militar passa a ser aplicado nele, neste caso, será agregado os dois códigos (civil e militar). Não havendo nenhum tipo de antinomia, talvez possa ocorrer um conflito de normas, nada mais do que isso. 

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