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o que é resultado naturalístico???

resultado naturalístico

Direito Penal I

PUC-GOIÁS


5 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Passei Direto

Há mais de um mês

Dano versus lesão, resultado naturalístico versus resultado jurídico: não se pode confundir em Direito penal o dano com a lesão, o resultado naturalístico com o resultado jurídico. Uma coisa é causar um dano a um bem existencial. Outra distinta é saber se esse dano, juridicamente enfocado, constitui uma lesão ao bem jurídico protegido. O dano e o resultado naturalístico encontram-se no plano naturalístico, da realidade (ou seja, no plano daquilo que é perceptível pelos sentidos). A lesão e o resultado jurídico pertencem ao plano jurídico, valorativo (normativo). Dependem de um juízo de valor que é feito pelo juiz.

 

Em qualquer delito, além da dimensão formal (plano formal) e da desaprovação da conduta (primeiro juízo valorativo da tipicidade material), fundamental é perguntar se também houve lesão ou perigo concreto de lesão para o bem jurídico protegido (dimensão material).

Quem destruir um carro abandonado, transformando-o em sucata, por exemplo, pratica um dano, ou seja, um fato típico do ponto de vista formal (conduta, resultado naturalístico – destruição do veículo –, nexo de causalidade e adequação do fato à letra da lei – CP, art. 163), realiza uma conduta desaprovada, mas não há que se falar em lesão ao bem jurídico patrimônio (porque se tratava de carro abandonado).

Não há o desvalor do resultado, nesse caso, porque não chega a afetar interesses alheios protegidos pelo Direito. O carro abandonado já não pertence ao patrimônio de ninguém (logo, não se trata de um bem protegido juridicamente). Juridicamente o dano, nesse caso, não se converte em lesão ao bem jurídico.

Qual é a diferença entre o policial que está legalmente armado e o particular que porta arma ilegal? Do ponto de vista naturalístico a conduta é a mesma. O perigo (que é o resultado no caso e que emana da conduta) é – em tese – o mesmo. Só que a conduta do policial que porta sua arma permitida não é desaprovada pelo ordenamento jurídico, enquanto a segunda o é.

A diferença reside na valoração do fato (na aprovação ou desaprovação do fato). O resultado jurídico pertence, assim, ao mundo dos valores, por isso que é axiológico (não fático) e pressupõe a desaprovação da conduta.

Com acerto Huerta Tocildo (Sobre el contenido de la antijuridicidad, p. 24) ensina: “A meu juízo, o desvalor do resultado não deve identificar-se com desaprovação do resultado externo, senão com desaprovação da lesão ou colocação em perigo do bem jurídico, derivada da conduta típica. Desde este ponto de vista, pode-se dizer que dito desvalor está presente em todas e cada uma das modalidades delitivas, pois todas supõem a lesão ou colocação em perigo de um bem jurídico. A questão, então, não é tanto que não se dê um desvalor de resultado em alguns delitos, senão se referido desvalor tem ou não um ‘papel’ fundamental no injusto”.

Não se pode confundir em Direito penal o resultado (ou resultado típico), que deve ser utilizado no sentido naturalístico (a morte é o resultado naturalístico exigido no crime de homicídio) com o desvalor do resultado (que se refere ao resultado jurídico: lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico).

Em suma: não se pode confundir a morte com o homicídio (o homicídio nada mais é que a morte juridicamente desvalorada). Não se pode confundir a subtração com o furto (nem toda subtração constitui furto; a subtração de um palito de fósforo não é um furto, por ter incidência o princípio da insignificância). Não se pode confundir a relação sexual com o estupro.

Resultado jurídico e antijuridicidade

Não há crime sem ofensa ao bem jurídico

 

Nas palavras do prof. Capez: "Resultado é toda lesão ou ameaça de lesão a um interesse penalmente relevante. Todo crime tem resultado jurídico porque sempre agride um bem jurídico tutelado. Quando não houver resultado jurídico não existe crime. Assim, o homicídio atinge o bem vida, o furto e o estelionato, o patrimônio, etc". (Curso de Direito Penal - Parte Geral - Volume 1 - p. 178)

Referências

https://ldlcarreirapolicial.com/2014/05/29/teoria-normativa-e-teoria-naturalistica/

Dano versus lesão, resultado naturalístico versus resultado jurídico: não se pode confundir em Direito penal o dano com a lesão, o resultado naturalístico com o resultado jurídico. Uma coisa é causar um dano a um bem existencial. Outra distinta é saber se esse dano, juridicamente enfocado, constitui uma lesão ao bem jurídico protegido. O dano e o resultado naturalístico encontram-se no plano naturalístico, da realidade (ou seja, no plano daquilo que é perceptível pelos sentidos). A lesão e o resultado jurídico pertencem ao plano jurídico, valorativo (normativo). Dependem de um juízo de valor que é feito pelo juiz.

 

Em qualquer delito, além da dimensão formal (plano formal) e da desaprovação da conduta (primeiro juízo valorativo da tipicidade material), fundamental é perguntar se também houve lesão ou perigo concreto de lesão para o bem jurídico protegido (dimensão material).

Quem destruir um carro abandonado, transformando-o em sucata, por exemplo, pratica um dano, ou seja, um fato típico do ponto de vista formal (conduta, resultado naturalístico – destruição do veículo –, nexo de causalidade e adequação do fato à letra da lei – CP, art. 163), realiza uma conduta desaprovada, mas não há que se falar em lesão ao bem jurídico patrimônio (porque se tratava de carro abandonado).

Não há o desvalor do resultado, nesse caso, porque não chega a afetar interesses alheios protegidos pelo Direito. O carro abandonado já não pertence ao patrimônio de ninguém (logo, não se trata de um bem protegido juridicamente). Juridicamente o dano, nesse caso, não se converte em lesão ao bem jurídico.

Qual é a diferença entre o policial que está legalmente armado e o particular que porta arma ilegal? Do ponto de vista naturalístico a conduta é a mesma. O perigo (que é o resultado no caso e que emana da conduta) é – em tese – o mesmo. Só que a conduta do policial que porta sua arma permitida não é desaprovada pelo ordenamento jurídico, enquanto a segunda o é.

A diferença reside na valoração do fato (na aprovação ou desaprovação do fato). O resultado jurídico pertence, assim, ao mundo dos valores, por isso que é axiológico (não fático) e pressupõe a desaprovação da conduta.

Com acerto Huerta Tocildo (Sobre el contenido de la antijuridicidad, p. 24) ensina: “A meu juízo, o desvalor do resultado não deve identificar-se com desaprovação do resultado externo, senão com desaprovação da lesão ou colocação em perigo do bem jurídico, derivada da conduta típica. Desde este ponto de vista, pode-se dizer que dito desvalor está presente em todas e cada uma das modalidades delitivas, pois todas supõem a lesão ou colocação em perigo de um bem jurídico. A questão, então, não é tanto que não se dê um desvalor de resultado em alguns delitos, senão se referido desvalor tem ou não um ‘papel’ fundamental no injusto”.

Não se pode confundir em Direito penal o resultado (ou resultado típico), que deve ser utilizado no sentido naturalístico (a morte é o resultado naturalístico exigido no crime de homicídio) com o desvalor do resultado (que se refere ao resultado jurídico: lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico).

Em suma: não se pode confundir a morte com o homicídio (o homicídio nada mais é que a morte juridicamente desvalorada). Não se pode confundir a subtração com o furto (nem toda subtração constitui furto; a subtração de um palito de fósforo não é um furto, por ter incidência o princípio da insignificância). Não se pode confundir a relação sexual com o estupro.

Resultado jurídico e antijuridicidade

Não há crime sem ofensa ao bem jurídico

 

Nas palavras do prof. Capez: "Resultado é toda lesão ou ameaça de lesão a um interesse penalmente relevante. Todo crime tem resultado jurídico porque sempre agride um bem jurídico tutelado. Quando não houver resultado jurídico não existe crime. Assim, o homicídio atinge o bem vida, o furto e o estelionato, o patrimônio, etc". (Curso de Direito Penal - Parte Geral - Volume 1 - p. 178)

Referências

https://ldlcarreirapolicial.com/2014/05/29/teoria-normativa-e-teoria-naturalistica/

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Karoliny Ribeiro

Há mais de um mês

O resultado naturalístico corresponde a modificação do mundo exterior em
decorrência da conduta do agente. Tal modificação pode ser de ordem física, ou psicológica.

Classificação dos crimes quanto ao resultado naturalístico:

Material O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O resultado naturalístico é indispensável para a consumação. Ex. homicídio.

Formal O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O resultado naturalístico é dispensável, pois a consumação do crime se dá com a simples conduta. A consumação se antecipa à conduta, por isso que é chamado de “crime de consumação antecipada”. Se o resultado naturalístico acontecer será considerado mero exaurimento, devendo o juiz utilizá-lo na fixação da pena (causa de aumento de pena). Ex: art. 158 – extorsão.

De mera conduta O tipo penal descreve uma mera conduta. Não há descrição de resultado naturalístico no tipo. Ex: violação de domicílio – art. 150 do CP.

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Thais Reis

Há mais de um mês

No Brasil, o legislador penal adotou a teoria do resultado naturalístico, segundo a qual, o resultado seria a alteração causada no mundo físico, perceptível aos sentidos humanos. Como por exemplo, podemos dizer que a morte é o resultado naturalístico do homicídio.

Espero ter ajudado! ;)

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Walysson Zanotto

Há mais de um mês

Em arremate as duas respostas anteriores, o STF chama os crimes materiais de crimes de RESULTADO(não exige a produção do resultado naturalístico para a sua consumação) e, os crime formais e de mera conduta de crimes SEM RESULTADO (não precisamos de resultado para sua consumação. 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas