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Cabe "latrocínio" no roubo com arma de brinquedo e depois morte da vítima por atropelamento?

É um caso que caiu em uma prova. "A" chega em "B" e fala pra passar o dinheiro se nao vai matá-lo, e mostra a arma de brinquedo. Após "B" fazer o que ele manda, "A" fala pra ele correr, ameaçando novamente matá-lo. "B" corre 3 quarteirões e é atropelado e morre. Cabe o latrocínio nesse caso?


3 resposta(s)

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Isabel Fernandes

Há mais de um mês

De acordo com a teoria da equivalência das condições (conditio sine qua non):

 Deve-se analisar se a conduta do agente tem relação com o resultado produzido. Para essa teoria, todo fator que contribui para a ocorrência do evento é causa desse. Se com a supressão da conduta o fato não tivesse ocorrido, então a conduta é causa do evento. No entanto, se mesmo suprimindo a conduta se verifica que o resultado ocorreu, não se pode imputá-lo ao agente.

Essa teoria é adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, no art. 13 do Código Penal, no entanto é adotada parcialmente, em virtude da crítica que se faz a esta, pois estende as causas do crime, ou seja, até as causas mais remotas (como a fabricação da arma em crime de homicídio com uso de arma de fogo) seriam puníveis, por serem causas do resultado. Visto isso, o próprio Código Penal prevê artigos delimitadores dessa teoria (art. 13, §1º, por exemplo).

Para teoria finalística da ação (primeiro limite à teoria da equivalência das condições):

A cadeia causal será sempre limitada pelo dolo e pela culpa. Para essa teoria, pode ser que alguém dê causa a um resultado, mas sem agir com dolo ou culpa.

Causas (concausas) absolutamente independentes:

A meu ver, o atropelamento da vítima constitui causa superveniente, porque a conduta do agente não é somada ao atropelamento. Ou seja, a causa superveniente causou isoladamente o evento, logo, há que se aplicar o art. 13, § 1º, onde o autor deverá responder pelos atos praticados anteriormente que, em si mesmos, constituírem crimes.

Concluindo, não cabe a aplicação do art. 157, §3º ("latrocínio"), porque o resultado morte por atropelamento sequer poderia ser previsto pelo ladrão, isto é, não há vínculo subjetivo entre o agente e o atropelamento daquele indivíduo.

De acordo com a teoria da equivalência das condições (conditio sine qua non):

 Deve-se analisar se a conduta do agente tem relação com o resultado produzido. Para essa teoria, todo fator que contribui para a ocorrência do evento é causa desse. Se com a supressão da conduta o fato não tivesse ocorrido, então a conduta é causa do evento. No entanto, se mesmo suprimindo a conduta se verifica que o resultado ocorreu, não se pode imputá-lo ao agente.

Essa teoria é adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, no art. 13 do Código Penal, no entanto é adotada parcialmente, em virtude da crítica que se faz a esta, pois estende as causas do crime, ou seja, até as causas mais remotas (como a fabricação da arma em crime de homicídio com uso de arma de fogo) seriam puníveis, por serem causas do resultado. Visto isso, o próprio Código Penal prevê artigos delimitadores dessa teoria (art. 13, §1º, por exemplo).

Para teoria finalística da ação (primeiro limite à teoria da equivalência das condições):

A cadeia causal será sempre limitada pelo dolo e pela culpa. Para essa teoria, pode ser que alguém dê causa a um resultado, mas sem agir com dolo ou culpa.

Causas (concausas) absolutamente independentes:

A meu ver, o atropelamento da vítima constitui causa superveniente, porque a conduta do agente não é somada ao atropelamento. Ou seja, a causa superveniente causou isoladamente o evento, logo, há que se aplicar o art. 13, § 1º, onde o autor deverá responder pelos atos praticados anteriormente que, em si mesmos, constituírem crimes.

Concluindo, não cabe a aplicação do art. 157, §3º ("latrocínio"), porque o resultado morte por atropelamento sequer poderia ser previsto pelo ladrão, isto é, não há vínculo subjetivo entre o agente e o atropelamento daquele indivíduo.

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olsen

Há mais de um mês

Tal hipótese não espelha latrocínio. basta fazer a leitura do Art. 157, § 3º, do CP.            

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência

§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.

A lei enfatiza que o resultado morte deve advir da violência empregada contra a vítima.

No caso em tela a morte da vítima decorre de forma superveniente sem estar atrelada a violência, mas sim a grave ameça. 

 

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ROBSON GUERREIRO

Há mais de um mês

Essa questão segue a mesma linha da outra que se refere ao homicidio, ou seja, o sujeito que leva dois tiros vai ao hospital e o local acaba pegando fogo e ele vem a falecer no incêndio, a resposta à esta pergunta é de que o autor dos disparos só responde pelos atos já praticados , ou seja, lesão corporal de natureza grave. No caso debatido houve o roubo qualificado e não o latrocínio, haja vista que a morte da vitima surgiu de caso fortuito, o autor só responderá pelos atos praticados até então, no caso Art. 157, § 2º, I, roubo qualificado pelo uso de arma (simulacro simula uma arma), o art. 157 diz: por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Portanto a vitima não irá querer comprovar se uma arma de fogo ou de brinquedo.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes