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Síndrome de Crigler Najjar

Algum artigo a respeito da Síndrome de Crigler Najjar e/ou ''Síndrome de Rotor''?


1 resposta(s)

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Patricia

Há mais de um mês

Definição da doença

A síndrome de Crigler-Najjar (CNS) é uma patologia hereditária do metabolismo da bilirrubina caracterizada por hiperbilirrubinemia não conjugada, causada por um défice hepático da actividade da glucuronosiltransferase (GT) da bilirrubina. Estão descritos dois tipos, CNS tipos 1 e 2 (ver estes termos). O CNS1 é caracterizado pela deficiência total da enzima e não é afectado pela terapia de indução com fenobarbital, enquanto no CNS2 o défice enzimático é parcial e responde ao fenobarbital.

Epidemiologia

A doença é extremamente rara com uma incidência anual à nascença de 1/1,000,000. A prevalência é desconhecida e apenas algumas centenas de casos foram descritos até agora. Ambos os sexos são igualmente afectados. O CNS1 aparece nos primeiros dias de vida e persiste daí em diante; o CNS2 também tem um início precoce.

Descrição clínica

Os doentes apresentam icterícia isolada que aparece cedo na vida e é mais grave no CNS1 que no CNS2. No CNS1, pode evoluir para encefalopatia da bilirrubina (kernicterus) com hipotonia, surdez, paralisia oculomotora e letargia quando o tratamento é atrasado ou inadequado. No CNS2, o risco de kernicterus é muito menor, mas existe.

Etiologia

Inúmeras mutações no gene UGT1A1 (2q37) estão ligadas a ambos os tipos de CNS e resultam em redução ou ausência da actividade da GT da bilirrubina, com compromisso acentuado da conjugação da bilirrubina. Ambos os tipos de CNS são herdados de forma autossómica recessiva. O exame físico mostra icterícia isolada e as análises biológicas detectam apenas hiperbilirrubinemia não conjugada grave com testes de função hepática normais. Os estudos de imagiologia abdominal (raios-X simples, tomografia computorizada ou ecografia) e os achados da histologia hepática (quando é realizada biópsia hepática) são normais.

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico definitivo é baseado na demonstração da deficiência enzimática no fígado (biópsia hepática realizada após os três meses de idade). O diagnóstico é geralmente confirmado pela análise de ADN genómico (descartando a necessidade de biópsia hepática).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial varia dependendo do tipo do CNS e inclui doenças com produção excessiva de bilirrubina (hemólise) e compromisso da gestão hepática da bilirrubina (síndrome de Gilbert, ver este termo).

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal está disponível para CNS1 e é recomendado aconselhamento genético quando os pais têm uma história familiar de CNS. Para o CNS2, devido à eficácia do fenobarbital, o diagnóstico pré-natal geralmente não é indicado. Durante o período neonatal pode ser necessária exsanguíneo-transfusão.

Controlo da doença e tratamento

O tratamento da CNS1 baseia-se na fototerapia (inicialmente no hospital e depois em casa), 10-12 horas por dia. Quelantes da bilirrubina e ácido ursodesoxicólico também podem ser prescritos nestes doentes. O único tratamento eficaz para CNS1 é o transplante de fígado. O tratamento da CNS2 consiste em fenobarbital diário.

Prognóstico

As crianças com CNS1 podem desenvolver complicações neurológicas como uma consequência da neurotoxicidade da bilirrubina não conjugada ao passo que o prognóstico é geralmente bom para os doentes com CNS2.

Editor(es):  Prof Philippe LABRUNE - Atualizado em: Fevereiro 2010

Definição da doença

A síndrome de Crigler-Najjar (CNS) é uma patologia hereditária do metabolismo da bilirrubina caracterizada por hiperbilirrubinemia não conjugada, causada por um défice hepático da actividade da glucuronosiltransferase (GT) da bilirrubina. Estão descritos dois tipos, CNS tipos 1 e 2 (ver estes termos). O CNS1 é caracterizado pela deficiência total da enzima e não é afectado pela terapia de indução com fenobarbital, enquanto no CNS2 o défice enzimático é parcial e responde ao fenobarbital.

Epidemiologia

A doença é extremamente rara com uma incidência anual à nascença de 1/1,000,000. A prevalência é desconhecida e apenas algumas centenas de casos foram descritos até agora. Ambos os sexos são igualmente afectados. O CNS1 aparece nos primeiros dias de vida e persiste daí em diante; o CNS2 também tem um início precoce.

Descrição clínica

Os doentes apresentam icterícia isolada que aparece cedo na vida e é mais grave no CNS1 que no CNS2. No CNS1, pode evoluir para encefalopatia da bilirrubina (kernicterus) com hipotonia, surdez, paralisia oculomotora e letargia quando o tratamento é atrasado ou inadequado. No CNS2, o risco de kernicterus é muito menor, mas existe.

Etiologia

Inúmeras mutações no gene UGT1A1 (2q37) estão ligadas a ambos os tipos de CNS e resultam em redução ou ausência da actividade da GT da bilirrubina, com compromisso acentuado da conjugação da bilirrubina. Ambos os tipos de CNS são herdados de forma autossómica recessiva. O exame físico mostra icterícia isolada e as análises biológicas detectam apenas hiperbilirrubinemia não conjugada grave com testes de função hepática normais. Os estudos de imagiologia abdominal (raios-X simples, tomografia computorizada ou ecografia) e os achados da histologia hepática (quando é realizada biópsia hepática) são normais.

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico definitivo é baseado na demonstração da deficiência enzimática no fígado (biópsia hepática realizada após os três meses de idade). O diagnóstico é geralmente confirmado pela análise de ADN genómico (descartando a necessidade de biópsia hepática).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial varia dependendo do tipo do CNS e inclui doenças com produção excessiva de bilirrubina (hemólise) e compromisso da gestão hepática da bilirrubina (síndrome de Gilbert, ver este termo).

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal está disponível para CNS1 e é recomendado aconselhamento genético quando os pais têm uma história familiar de CNS. Para o CNS2, devido à eficácia do fenobarbital, o diagnóstico pré-natal geralmente não é indicado. Durante o período neonatal pode ser necessária exsanguíneo-transfusão.

Controlo da doença e tratamento

O tratamento da CNS1 baseia-se na fototerapia (inicialmente no hospital e depois em casa), 10-12 horas por dia. Quelantes da bilirrubina e ácido ursodesoxicólico também podem ser prescritos nestes doentes. O único tratamento eficaz para CNS1 é o transplante de fígado. O tratamento da CNS2 consiste em fenobarbital diário.

Prognóstico

As crianças com CNS1 podem desenvolver complicações neurológicas como uma consequência da neurotoxicidade da bilirrubina não conjugada ao passo que o prognóstico é geralmente bom para os doentes com CNS2.

Editor(es):  Prof Philippe LABRUNE - Atualizado em: Fevereiro 2010

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